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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

sábado, 11 de junho de 2016

Cardeal Caffarra: Irmã Lúcia escreveu que chegaria o tempo de uma “luta final”. E que o terreno desta luta seria o matrimônio e a família.


Roma – Itália (Terça-feira, 07-06-2016, Gaudium Press) O Cardeal Carlo Caffarra, Arcebispo emérito de Bolonha e fundador do Instituto João Paulo II para Estudos sobre o Matrimônio e a Família, falou com Marco Ferraresi de ‘La Nuova Bussola Quotidiana’ sobre diversos temas, entre eles os de sua especialidade. Entre outras revelações, o purpurado italiano falou sobre a carta que a Irmã Lúcia, vidente de Fátima, lhe enviou em resposta a uma sua na qual pedia orações pelo Instituto que estava se consolidando. A seguir reproduzimos alguns trechos da entrevista:


Eminência, o que é a família?

É a sociedade que tem origem no matrimônio, pacto indissolúvel entre um homem e uma mulher, que tem a finalidade de unir aos cônjuges e transmitir a vida humana.


De uma união civil, segundo a lei Cirinnà, nasce uma família? [Ndr. A lei Cirinnà, promulgada recentemente na Itália, reconhece uniões de fato sem distinção de sexo]


Não. O presidente da República Sergio Mattarella, ao assinar esta lei, apoiou a redefinição de matrimônio. Mas uma medida normativa não muda a realidade das coisas. Temos que dizer claramente: os prefeitos (sobretudo, naturalmente, os católicos) devem fazer objeção de consciência. Ao celebrar uma união civil seriam, de fato, corresponsáveis de um ato ilícito grave no plano moral.


Por que há esta crise de identidade da família no Ocidente?

Me pergunto aos poucos, mas não tenho uma resposta exaustiva. No entanto, uma causa é um processo de “desbiologização” segundo o qual já não se considera que o corpo tem uma linguagem - e, por conseguinte, um significado - objetivo. Este significado está, portanto, determinado pela liberdade da pessoa. Na consciência ocidental se fraturou o vínculo entre bios e logos.


Em uma perspectiva de Fé, não há também causas sobrenaturais?

Em 1981 estava fundado, pela vontade de João Paulo II, o Instituto para Estudos sobre o Matrimônio e a Família. A fundação estava prevista para o dia 13 de maio, data da primeira aparição da Virgem de Fátima. O Papa, esse dia, foi vítima do atentado do qual saiu milagrosamente vivo pela graça - segundo palavras do próprio Pontífice - da Virgem. Uns anos depois de fundar o Instituto escrevi à Irmã Lúcia, a vidente de Fátima, para pedir-lhe que rezasse pela obra e acrescentando que não esperava uma resposta por sua parte. Mas a resposta chegou.


O que lhe respondeu?

Irmã Lúcia escreveu - e quero sublinhar que estamos falando de princípios dos anos 80 - que chegaria o tempo de uma “luta final” entre o Senhor e Satanás. E que o terreno desta luta seria o matrimônio e a família. Acrescenta que todos os que estariam envolvidos combatendo a favor do matrimônio e da família seriam perseguidos, mas que não deviam ter medo porque a Virgem já havia esmagado a cabeça da serpente infernal.


Palavras proféticas: é o que está sucedendo?

Vivemos uma situação inédita. Nunca havia acontecido que se redefinisse o matrimônio. É Satanás, que desafia a Deus, como dizendo: “Estais vendo? Tu propões tua criação. Mas eu te demonstro que constituo uma criação alternativa. E verás que os homens dirão: estamos melhor assim”. Todo o arco da criação se sustenta, segundo a Escritura, em dois pilares: o matrimônio e o trabalho humano. Este segundo pilar não é agora nosso tema, ainda que está sendo submetido a uma “crise definidora”; no que concerne o matrimônio, em troca, este tem sido institucionalmente destruído.


A Igreja pode responder a este desafio?

Tem que responder, por razões que chamaria estruturais. A Igreja se interessa pelo matrimônio porque o Senhor o elevou a sacramento. Cristo mesmo une aos esposos. Cuidado, não é uma metáfora: segundo as palavras de São Paulo, no matrimônio o vínculo entre os esposos se enxerta no vínculo esponsal entre Cristo e a Igreja, e vice-versa. A indissolubilidade não é antes de tudo uma questão moral (“os esposos não devem separar-se”), mas ontológica: o sacramento obra uma transformação nos cônjuges. De modo que, como diz a Escritura, já não são dois, mas um. Isto está expressado claramente na ‘Amoris Laetitia’ (parágrafos 71-75). O sacramento, ainda, infunde nos esposos a caridade conjugal. E disto falam claramente os capítulos IV e V da Exortação. Além disso, o sacramento constitui aos esposos em um Estado de vida pública na Igreja e na sociedade. Como qualquer Estado de vida na Igreja, também o estado conjugal tem uma missão: o dom da vida, que continua na educação dos filhos. Aqui o capítulo VII da ‘Amoris Laetitia’ preenche, na minha opinião, uma lacuna que havia no debate dos Bispos durante o Sínodo.


Na prática, o que deveria fazer a Igreja?

Somente uma coisa: comunicar o Evangelho do matrimônio. Tenho dito “comunicar” porque não se trata somente de um acontecimento linguístico. A comunicação do Evangelho significa sanar ao homem e a mulher de sua incapacidade de amar-se, e introduzir-lhes no grande Mistério de Cristo e da Igreja. Esta comunicação tem lugar através do Anúncio e da catequese. E através dos sacramentos. Têm tido pessoas que depois de uma catequese sobre o sacramento do matrimônio se aproximaram para dizer-me: “Por que ninguém me falou destas maravilhosas realidades?”. Os jovens devem ser, principalmente, o centro de nossa preocupação. A questão educativa nesta matéria é “a” questão decisiva. O Papa fala disso extensamente nos parágrafos 205-211. (GPE/EPC)






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