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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

domingo, 6 de novembro de 2016

Onde Posso Encontrar a Felicidade?


Senhor, dai-nos sempre esse pão” (Jo. 6, 34), esse pão do qual haveis dito que dá a vida eterna. É o que dizem os Judeus; e exprimem destarte o desejo de toda a natureza humana, ou, antes, de toda a natureza inteligente. Ela quer viver eternamente; quer não sentir falta de nada; numa palavra, quer ser feliz.

É ainda o que exprimia a Samaritana, quando, havendo-lhe Jesus dito: “Ó mulher! Aquele que bebe da água que Eu dou nunca tem sede”, responde ela logo: Senhor, dai-me essa água, para que eu nunca tenha sede e não seja obrigada a vir aqui tirar água, num poço tão profundo, com tanto custo. Repito, a natureza humana quer ser feliz; não quer ter nem fome nem sede; não quer ter necessidade alguma, desejo algum a satisfazer, trabalho algum, fadiga alguma; e isto, que outra coisa é senão ser feliz?

Eis o que quer a natureza humana, eis o seu fundo. Ela se engana nos meios; tem sede dos prazeres dos sentidos; quer exceder; tem sede das honras do mundo. Para conseguir uns e outros, tem sede das riquezas; a sua sede é insaciável; ela pede sempre, e nunca diz basta; sempre mais e sempre mais. É curiosa; tem sede da verdade, mas não sabe onde achá-la, nem qual verdade pode satisfazê-la; apanha dela o que pode por aqui, por acolá, por bons, por maus meios; e, como toda alma curiosa é leviana, deixa-se enganar por todos aqueles que lhe prometem essa verdade que ela busca.

Quereis nunca ter fome, nunca ter sede? Vinde ao Pão que não perece, e ao Filho do Homem que vo-lo administra; à sua Carne, ao seu Sangue, onde está conjuntamente a verdade e a vida, porque é a Carne e o Sangue, não do filho de José, como diziam os Judeus, mas do Filho de Deus. Ó Senhor, dai-me sempre esse pão!” Quem é que não tem fome dele? Quem é que não quer se sentar à vossa mesa? Quem poderia jamais deixá-la?

Mas, para nos aguilhoar mais do desejo de nos aproximarmos dela, Jesus Cristo diz-nos, que não é coisa fácil ou comum. Há que ser amado por Deus, tocado, puxado, prevenido, escolhido. Vede quantos dos seus ouvintes se afastam dEle, quantos murmuram, quantos se escandalizam! Os seus próprios discípulos retiram-se-lhe da companhia; há mesmo entre seus apóstolos, uns que não creem. Quanto mais esses infiéis se desviam, tanto mais os verdadeiros discípulos devem aproximar-se.

Vinde, escutai, segui o Pai que vos puxa, que vos ensina interiormente, que vos faz sentir vossas necessidades, e em Jesus Cristo o verdadeiro meio de saciá-las. Comei, bebei, vivei, alimentai-vos, contentai-vos, saciai-vos. Se fordes insaciáveis, seja dEle, da sua verdade, do seu amor; porquanto a Sabedoria eterna diz, falando de Si própria: Os que Me comem ainda terão fome, e os que Me bebem ainda terão sede. Oh! Acabamos de ouvir da boca dEle: Aquele que bebe da água que Eu der, nunca terá sede; e ainda: Aquele que vem a Mim, nunca terá fome, e aquele que crê em Mim, nunca terá sede. Jamais terá fome nem sede de outra coisa senão de Mim; mas terá uma fome e uma sede insaciável de Mim, e nunca cessará de desejar-Me. Ao mesmo tempo que será insaciável, será todavia, saciado, porque terá a boca na Fonte: “Os rios de água viva sair-lhe-ão das entranhas. A água que Eu lhe der tornar-se-á nele uma fonte de água borbotante para a vida eterna”.

Ele terá, pois, sempre sede da Minha verdade; mas também poderá sempre beber, e Eu o conduzirei à vida em que ele nem siquer terá mais que desejar, porque Eu o rejubilarei pela beleza da Minha Face, e lhe satisfarei todos os desejos.

Vinde, pois, Senhor Jesus, vinde; o Espírito diz sempre: Vinde; a Esposa diz sempre: Vinde. Vós todos que escutais, dizei: Vinde, e aquele que tem sede venha; venha quem quiser receber gratuitamente a água viva. Vinde, não se exclui ninguém. Vinde, não custa nada, só custa querer. Tempo virá em que já não se dirá: Vinde. Quando esse Esposo tão desejado vier, então, não precisaremos mais dizer: Vinde. Diremos eternamente: Amém, assim é, está tudo cumprido; Aleluia, louvemos a Deus; Ele fez bem todas as coisas; fez tudo o que prometera, não há mais, senão, que louvá-lO.

Fonte: Bossuet, “A Eucaristia”, da Coleção Boa Imprensa, Cap. V, pp. 31-34; Livraria Boa Imprensa, Rio de Janeiro, 1942.




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