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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Último Poema de Amor a Deus de Um Santo Carmelita

Beato Tito Brandsma, O.C.D.

A Igreja, responde o religioso, não reconhece autoridade senão na fidelidade a seus Princípios. Se Ela combate a ideologia nazista, é em virtude dos fundamentos de Sua doutrina e de Sua fé e, se Sua atitude põe em perigo vossos projetos, cabe a vós a responsabilidade dessa situação. É lamentável, na minha opinião, que as forças de ocupação queiram propagar aqui suas heresias contra a vontade do Clero e do povo holandês...

Nunca se procurou convencer com argumentos falsos, responde tranquilamente o Pe. Tito. Esperava-se apenas que o comissário do governo cedesse à unanimidade da reação católica. Por outro lado, insisto no fato de que a Igreja Católica ver-se-ia constrangida a repelir medidas que se quisessem tomar contra a Sua doutrina; jamais as levaria ela em conta. Informaram-me que eu permaneceria prisioneiro, enquanto durasse essa resistência. Devo declarar que adoto como se minha fosse a posição da Igreja holandesa…

O alto chefe de polícia, Vogel, cheio de zelo, remete toda a documentação para Berlim, para as secções III-I-4 e 7, acompanhada da seguinte anotação:

A detenção foi efetuada no dia 19 de janeiro de 1942. Brandsma foi acusado de fazer pressão sobe os Diretores de jornais. Como o próprio Brandsma relata, em seu depoimento, o Arcebispo de Jong e ele sabotam, pela imprensa, no esforço para unificar o povo holandês.

O veredito tombou dos lábios do juiz Hardegen, decisivo e impiedoso: prisão até o final da guerra. Nada mais resta ao acusado senão confiar em Deus.

Em sua cela, o prisioneiro escreverá Aan Jezus, pequeno canto em cinco estrofes, o último de seus poemas. A reclusão, aí diz ele, é apenas aparente, é apenas uma forma de silêncio em que a alma se retira para aspirar mais diretamente a Deus:

Quando Vos vejo crucificado, sinto que me ides amar como um amigo íntimo… Se isto me dá uma cruz a mais para suportar, todo sofrimento ser-me-á bom, porque quero assemelhar-me mais a Vós…

Sou feliz em meus tormentos, pois poder-se-á denominar tortura essa sorte que me vai unir a Vós?

Ó deixai-me só neste frio… Não tenho mais necessidade de ninguém… A solidão já não me causa medo… Pois que Vós estais junto a mim… E como eu Vos encontrei tão bem… Ficai, ficai, Vós me consolais… Nada é penoso junto de Vós’.

Se a mais amarga solidão se abate sobre esse homem de ação, inspirando-lhe admiráveis meditações de prisioneiro que um dia serão publicadas sob o título de Mijn cel, é porque ela constituía também sua vocação. Enquanto lhe preparam em Scheveningen, em Haia, em Berlim, uma longa detenção, exclama como Jó: ‘Deus me deu belos dias; de Sua mão aceitarei também os maus’”.

Fonte: Josse Alzin, O Crime de um Frade, Livro Quarto – Um pequeno monge luta contra o Inferno, Cap. Processo e Prisão, pp. 97-106; Editora do Mensageiro do Carmelo, Rio de Janeiro, 1956.

Ruas, praças públicas, grupos de juventude e colégios trazem o seu nome. Recordações imperecíveis, comoventes ou trágicas, guardam vivo no coração da Holanda o pequeno Carmelita de Nimegue, de Scheveningen, de Amersfoort, de Dachau. Muitos cristãos já o escolhem como intercessor, muitos pais lhe recomendam os filhos, corações fervorosos confiam a ele os pecadores. E quantos corações triturados recitam, ao pé de uma cruz, o último poema do pequeno monge, escrito quando ele dava seus primeiros passos para o calvário!” (Cfr. ob. cit., p. 124).



Poema

Ó Jesus, quando Te contemplo,
Eu redescubro a sós contigo,
Que Te amo e que Teu Coração
Me ama como a um dileto amigo.

Ainda que a descoberta exija
Coragem, faz-me bem a dor:
Por ela me assemelho a Ti,
Que ela é o caminho redentor.

Na minha dor me rejubilo;
Já não a julgo sofrimento,
Mas sim predestinada escolha,
Que me une a Ti neste momento.

Deixa-me, pois, nesta quietude,
Malgrado o frio que me alcança,
Presença humana não permitas,
Que a solidão já não me cansa.

Pois de Ti sinto-me tão próximo
Como jamais antes senti.
Doce Jesus, fica comigo,
Que tudo é bom junto de Ti.

(Beato Tito Brandsma, Presbítero e Mártir da Ordem Carmelita)


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