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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

terça-feira, 16 de maio de 2017

A Virgem Esmagadora de Todas as Heresias e Erros.



Cunctas Haereses Sola Interemisti”
Vós sozinha, extinguistes todas as Heresias”

1. Exposição Doutrinal.

1) Tendodo-nos a Mãe de Deus gerado com dores, ao pé da Cruz, como seus filhos, porventura, poderia Ela esquecer-se de nós, depois de sua gloriosa Assunção ao Céu? Por certo que não! Por isso, continua a exercer o seu Apostolado, de um modo incomparavelmente mais fecundo e poderoso do que qualquer outro Santo.

O Oaoa Leão XIII declara na sua Encíclica “Adjutricem”: “Depois da sua Assunção ao Céu, começou Maria, conforme os desígnios divinos, a velar sobre a Igreja e a prestar-nos seu auxílio materno de sorte que, dotada de um poder quase ilimitado, se tornasse a Dispensadora das Graças perenemente fluentes do Mistério de nossa Redenção, assim como Ela, outrora, também foi a Coadjutora na execução da Obra Redentora”.1

Sendo a Santíssima Virgem a Esposa do Divino Espírito Santo e a “Sede da Sabedoria”, se interessa, antes de tudo, pela conservação da integridade e genuidade da Doutrina Cristã, opondo-se a todos os erros e heresias que dilacerar pudessem a Instituição de seu Filho divino.

De fato, a Santa Igreja, reconhecendo a poderosa proteção da Mãe de Deus, canta na Festa da Anunciação: “Gaude Maria Virgo, cunctas haereses sola interemisti in universo mundo” – “Regozijai-vos, ó Virgem Maria, pois, Vós só, extinguistes todas as heresias em todo o mundo”!

À primeira vista parece estranha tal asserção. Porém, a Santa Igreja logo acrescenta a razão: “Porque acreditastes na palavra do Arcanjo Gabriel e, por isso, gerastes, qual Virgem, o Homem-Deus e, depois do parto, permanecestes Virgem ilibada”.

O sentido é este: A Encarnação do Verbo divino é o fundamento da Doutrina Cristã e da nossa fé. Foi a Virgem Maria que, antes de todos os demais, acreditou neste inefável Mistério, que o Filho de Deus se revestisse da natureza humana no seu seio materno, sem violação de sua virgindade.

Maria, acreditando nas palavras do Anjo e consentindo na Encarnação do Verbo divino, tornou-se, como Mãe do Redentor, a concausa de nossa Salvação, pondo-se em evidente contraste com Eva, a qual, acreditando nas palavras do espírito infernal, se tornara a causa da nossa ruína e maldição.

O sobredito verseto litúrgico não é, portanto, senão a paráfrase e o cumprimento do verseto bíblico2, no qual se prediz a luta entre a Serpente e a Mulher e o triunfo desta sobre aquela.

Com efeito, de todos os homens, Maria só, pela sua Imaculada Conceição, esmagou a cabeça do 1º Heresiarca, Pai da mentira e de todas as heresias, o qual tinha sugerido à Eva a 1ª heresia: “Sereis iguais a Deus”. Esmagou-lhe, em seguida, a cabeça pela palavra “fiat” – “faça-se”, dando o seu consentimento à Encarnação do Filho de Deus, no seu seio puríssimo.

2) Na Dogmática de um ilustre Teólogo encontramos a seguinte exposição magistral de nossa tese:

A extinção das heresias pode-se, de dúplice modo, atribuir à Bem-aventurada Virgem Maria: objetiva e subjetivamente.

Objetivamente: por ter dado à luz Jesus Cristo, o lume da verdade e logo pelos Mistérios que em Maria se verificaram. E são estes:

a) Pelo privilégio da “Imaculada Conceição” é demonstrado o fato do Pecado Original e a necessidade da Redenção;

b) pela “maternidade” de Maria é provado o dogma da União Hipostática das naturezas, a divina e a humana, na única Pessoa divina de Cristo;

c) pela “virgindade” de Maria revela-se um novo e até então desconhecido modo de servir mais perfeitamente a Deus;

d) pela “Assunção” de Nossa Senhora é confirmada a Ressurreição de Cristo, como também a fé em nossa própria ressurreição.

Subjetiva e pessoalmente a Mãe de Deus é exterminadora das heresias:

a) Por ter sido a “Mestra dos Apóstolos”, pela doutrina dos quais se extirpam as falsas doutrinas;

b) porque a Santíssima Virgem assiste, de um modo particular, os que lutam pela pureza da fé católica, como consta da vida de São Domingos e de muitos outros fatos da Igreja Católica.3

3) Um dos mais importantes desses fatos na história eclesiástica é o Concílio de Éfeso, em 431, no qual Nestório, Bispo de Constantinopla, foi condenado pela Igreja, por negar a “Maternidade divina de Maria”, verdade essa que é o centro e o fundamento de todas as glórias e privilégios que admiramos em Maria e, ao mesmo tempo, o testemunho das misericórdias divinas que se manifestaram na nossa Redenção.

O mais eminente defensor desse dogma católico foi São Cirilo, Bispo de Alexandria, que denominou a Virgem Maria “Sceptrum orthodoxae fidei” – “o cetro da verdadeira fé católica”.4

É notável que a condenação da heresia de Nestório se deu justamente na cidade de Éfeso, outrora domicílio da Mãe de Deus e do Apóstolo São João, depois da Ascensão do Senhor.

Conta-se que o povo Efesino, em peso, depois de conhecer a decisão do Concílio, aclamando jubiloso os Bispos e os Delegados do Papa, os acompanhava em solene procissão, com archotes acesos, até as suas residências, louvando, ao mesmo tempo, a Mãe de Deus e entoando a Antífona: “Salve, ó Virgem perpétua, Vós só extinguistes todas as heresias do mundo!”5

Outro fato, não menos significativo da poderosa proteção que a Rainha celeste dispensa à Igreja, é a extinção da seita dos “Albigenses” no século treze. Estes hereges negavam e adulteravam não só uma mas muitas das verdades de nossa fé católica, espalhando as suas crendices a ferro e fogo, subvertendo assim, em diversas partes da França, da Espanha e da Itália, a ordem religiosa, política e social.

Um dos mais ardentes defensores da fé contra os Albigenses foi São Domingos. Reparando, porém, na ineficácia dos seus esforços, recorreu à Mãe de Deus. Mudando, após, de tática, começou a rezar com o povo o santo “Rosário” e explicar-lhe os Mistérios da fé que nele se contemplam. Os seus companheiros adotaram igual método. Foi só então que se conseguiu opor dique às ondas perversas e restabelecer a fé, a paz e a ordem.

Quanto ao “Luteranismo” e “Protestantismo” que, no século dezesseis surgiu, ameaçando a Igreja Católica, é sabido que essa Seita não podia ganhar terreno nos países ou lugares que continuavam ou recomeçavam o Culto de veneração e amor à excelsa Mãe de Deus. Data desta época a fundação das “Congregações Marianas” pelos Padres Jesuítas. A primeira foi a de Colônia na Alemanha, em 1567.

O século passado distinguiu-se pelo “Racionalismo” e “Liberalismo”, como consequências do “Humanismo” e da grande “Revolução francesa”, a qual adorou como deusa de toda a sabedoria, a pura razão humana.

A Santa Igreja, defendendo a sobrenaturalidade, lhe contrapôs a Virgem Maria, a verdadeira “Sede da Sabedoria” e a “Imaculada Conceição”, cujo dogma foi ratificado pela aparição de Nossa Senhora, em Lourdes, na França.

A época que atravessamos é marcada pela impureza do “Sensualismo e Materialismo”, cujos adeptos propugnam a pureza da matéria ou da raça e a impureza de um neo-paganismo.

Nesta hedionda e tenebrosa aberração da mentalidade humana, eis que aparece, novamente, como estrela fulgente e celeste, a “Mãe Imaculada de Fátima” para advertir a humanidade do caminho errado que a conduz para o abismo e reconduzi-la, como outrora a estrela do Oriente os três Reis Magos, aos pés do Salvador do mundo, o “Príncipe da Paz” – a única fonte de felicidade.

Passando em revista a história do mundo e da Igreja, notamos, por conseguinte, que todas as vezes que a Serpente infernal ousava acometer contra a fé e os bons costumes da Igreja de Cristo, a Rainha celeste lá estava para lhe pisar a cabeça.

4) Além de sua intervenção direta e pessoal, Maria convocou e formou, outrossim, segundo as circunstância o exigiram, varões de ciência e santidade para a defesa da verdadeira fé e doutrina cristã.

Além dos já mencionados São Cirilo de Alexandria e São Domingos, recordemos ainda outros três vultos, eminentes servos de Maria: São João Damasceno, do século VIII; Santo Alberto Magno, da idade média e Santo Afonso de Ligório, dos tempos modernos.

São João Damasceno defendia a doutrina católica da veneração dos Santos contra os “Iconoclastas”, isto é, contra os destruidores das imagens dos Santos. Sendo-lhe, por mandado do ímpio Imperador de Constantinopla, Leão Isáurio, cortada a mão direita, a Mãe de Deus lha restituiu milagrosamente em atenção às ardentes preces que o Santo lhe dirigira. Daí em diante, ele serviu-se de sua mão para, com redobrado fervor, por seus escritos, defender as verdades da nossa fé, de modo tão erudito que, mais tarde, Santo Tomás de Aquino construiu sua admirável composição da “Summa Theológica” sobre os fundamentos da exposição doutrinária desse Santo.6

Santo Alberto Magno, na idade média, sendo uma estrela de primeira ordem em todas as ciências, mereceu o título de “Doutor Universal” e foi o mestre e guia de um dos maiores Teólogos de nossa Santa Igreja: Santo Tomás de Aquino, chamado o “Doutor Angélico”.

Em nossos tempos, Santo Afonso de Ligório, foi um dos mais eminentes Teólogos Moralistas. Era devotíssimo da Mãe de Deus, cujas “Glórias” ele descreveu num livro que é conhecidíssimo e foi traduzido em todas as línguas principais do mundo.

Pelos exemplos da história eclesiástica, que acabamos de citar, vemos, portanto, confirmada a exclamação do povo Efesino e a aclamação, com a qual a Santa Igreja honra a Virgem Imaculada: “Cunctas haereses sola interemisti in universo mundo” – “Todas as heresias extinguistes, Vós só, em todo o mundo”.

Os títulos que, a esse respeito, os Santos Padres conferem à Mãe de Deus, corroboram nossa convicção e confiança em Maria.

Por São Cirilo Alexandrino a Santíssima Virgem é intitulada: “Sceptrum orthodoxae fidei” – “O cetro da verdadeira fé”.

Por Santo Ambrósio: “Vexillum fidei” – “O estandarte da fé”.

Por André Cretense: “Propugnaculum fidei christianae” – “O baluarte da fé cristã”.

Por São Gregório Nazianzeno: “Praeses fidei” – “A Presidente da fé”.

Por São Sofrônio: “Contritio pravitatis haereticae” – “A esmagadora da perversidade herética”.7

Arrebatados pela solicitude maternal de Maria para com com seus filhos e do seu poder sobre o Inferno, entoamos jubilosos com a Santa Igreja a Antífona: “Regozijai-Vos, ó Virgem Maria, pois Vós só, extinguistes todas as heresias em todo o mundo, porque acreditastes nas palavras do Arcanjo e, por isso, geraste qual Virgem, o Homem-Deus e, depois do parto, permanecestes Virgem ilibada. Santa Mãe de Deus, intercedei por nós!”


1. Consideração Prática.

1) Os anais da “Missão Japonesa” relatam o fato emocionante da conservação da fé cristã entre milhares de famílias daquele país, devido à veneração que prestavam, por dois séculos, à excelsa Mãe de Deus.

A 15 de Agosto de 1549, dia da Assunção de Nossa Senhora, o incansável Apóstolo das Índias, São Francisco Xavier, entrou no Japão para pregar o Evangelho e estabelecer, sob os auspícios da Santíssima Virgem, o Reino de Deus. Em poucos anos ganhou à Igreja uma multidão imensa de fervorosos cristãos. Mais tarde, os Religiosos de Santo Agostinho, de São Domingos e de São Francisco uniram o seu Apostolado ao dos Padres Jesuítas. De 1617 a 1652 desencadeou-se contra os cristãos do Japão uma perseguição espantosa. Perto de mil Religiosos e 200.000 cristãos foram sujeitos a horríveis torturas.

Data desta época uma “Profecia de uma Religiosa Japonesa” da Ordem de Santa Clara, conforme a qual nunca a fá católica pereceria no Japão e os Missionários que, após as grandes perseguições tornariam a evangelizá-lo, encontrá-la-iam ainda viva. Conserva-se a relação manuscrita desta profecia ainda no Convento dos Franciscanos, nas ilhas Filipinas. É muito para se notar que aquela profecia marca a segunda fase da evangelização do Japão para depois da “Proclamação do Dogma da Imaculada Conceição de Maria”, que se realizou em 1854.

De fato, reatadas, no ano de 1853, as relações diplomáticas do Japão com as potências da Europa, os Missionários católicos podiam em 1861, novamente, desembarcar no “País do Sol”.

Quando foi aberta a pobre e pequena capela da Missão em Nagasaki, de vários pontos acudiram curiosos que, com admiração, assistiram à Santa Missa. Ao decorrer das sagradas cerimônias, mais de uma vez, ouviu-se-lhes repetir: “Fazem como nossos Padres!” A imagem da Imaculada, que se destacou sobre o altar pareceu chamar toda sua atenção.

Depois do Sacrifício da Missa, dirigiram várias perguntas aos Missionários. “Sois vós enviados do Bispo de Roma? Sois casados ou solteiros? Amais a Mãe de Deus?”

Satisfeitos com as respostas dos Sacerdotes, declararam, então, serem também eles, filhos da Igreja Católica e saudaram, com júbilo, os Ministros do único e verdadeiro Deus. Estes, de sua parte, interrogando essa boa gente acerca das suas crenças religiosas, puderam facilmente convencer-se de que as promessas do Divino Mestre à Clarissa Japonesa tinham-se plenamente realizado. Encontravam cerca de 40.000 católicos descendentes dos antigos cristãos da região Urakami.8

Eis, como se deu a descoberta dos cristãos do Japão, coisa tão singular e comovedora na história da Igreja Católica.

Como num braseiro, sob as cinzas, as brasas se mantêm candentes, assim também conservava-se, sob as cinzas do paganismo, viva e ardente a fé cristã naquelas almas devotas da Virgem Imaculada.

O fato citado é mais uma prova de como Maria Santíssima vela com solicitude maternal sobre os seus filhos devotados, conservando-lhes a fé e protegendo-os contra as ciladas do Pai da mentira.

2) Compreende-se daí a profunda convicção do Beato Vicente Pallotti sobre a necessidade da fundação de uma “Pia União de fiéis cristãos” para promover e restaurar entre os heréticos o culto à Mãe de Deus. O Beato deduz as suas razões de um fato bíblico9, sobre o qual discorre do modo seguinte: “Assim como o General Assírio Holofernes, que assediava a cidade de Betúlia, mandou cortar o aqueduto da cidade, a fim de que esta se rendesse, assim também os autores de perversas heresias se esforçam por cortar o aqueduto das graças divinas, isto é, o Culto à Imaculada Mãe de Deus, a fim de propagarem os erros e toda a impiedade contra a fé e os bons costumes entre os Católicos e destarte fazê-los apostatar.

É, portanto, necessário restaurar entre os povos dissidentes da verdadeira Igreja de Cristo o aqueduto de todas as graças, quer dizer, o Culto à Bem-aventurada Virgem Maria, a fim de que, pela graça de Nosso Senhor, voltem ao eleito rebanho de Cristo”.10

Per Mariam ad Jesum” – este axioma da Santa Igreja seja para nós a norma nas nossas ações apostólicas e tentativas de reconduzir os hereges e filhos pródigos à Casa paterna.

Pelo triunfo da Religião cristã, Vos imolamos, Senhor, as hóstias de pacificação, as quais nos sejam proveitosas pela mediação da Virgem Auxiliadora, que conduz para a perfeita vitória. Por Cristo Nosso Senhor”. Amém.11


Fonte: Rev. Pe. Dr. Erasmo Raabe, S.A.C., “Regina Mundi – Considerações doutrinal-práticas em trinta e três capítulos para os meses e Festas de Maria”, II Parte, Cap. XXV, pp. 135-144; 2ª Edição, Edições Paulinas, São Paulo, 1954.

__________________
1AAS. 28. (1895/96) 130.
2Gên. 3, 15.
3Cr. Pesch S.J. Dogm. IV. nº 627. – Hurter S.J. Dogm. II. nº 620.
4Homilia contra Nestorium. – Off. Reg. Apost. lectio IV.
5Pio XII, Encíclica “Lux veritatis”. – AAS. 23. (1931) 514. – Brev. Rom. 9 Febr. lectio VI.
6Brev. Rom. 27 Martii.
7Germiniano Mislei, S.J. “La Madre di Dio”, Veneza, p. 15.
8Mensageiro do Sagrado Coração, Rio de Janeiro, Julho/Agosto de 1918.
9Judite, cap. 7.
10Raccolta di Scritti II. nº 767, 768. Roma.
11Secreta in missa B. M. V. Auxil. Crist.

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