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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

domingo, 22 de outubro de 2017

MATER ADMIRABILIS





1. Exposição doutrinal.

A Santa Igreja saúda e invoca na Ladainha a Santíssima Virgem sob o título de “Mãe admirável”.

Segundo uma revelação que a Mãe de Deus, em 1604, fez ao Padre Rehm, Jesuíta, fundador da Congregação Mariana de Ingolstadt, na Baviera, muito lhe agrada ser invocada e saudada sob esse título; pelo que foi introduzido naquela Congregação o costume de se repetir três vezes esta invocação.1

Considerando a fundo o título “Mater admirabilis”, achamos que encerra implicitamente o título “Rainha dos Apóstolos”, semelhantemente ao de “Rainha do Sacratíssimo Rosário”.

Com efeito, tudo o que admiramos em Maria: a sua vida, as suas prerrogativas, o seu poder, ou sejam, os Mistérios Gozosos, os Dolorosos, os Gloriosos, que contemplamos no Santo Rosário – tudo converge, em última análise, para o “Apostolado” da Virgem; quer dizer, para a “Missão redentora” do Filho de Deus, na qual, segundo os desígnios divinos, Maria, como Mãe do Redentor, havia de cooperar.

Se perguntarmos pela razão desse título: “porque a Mãe de Deus é admirável”, achamos a resposta no “exercício do Apostolado Universal” de Maria que lhe mereceu o título de “Rainha dos Apóstolos”.

Esse título constitui por conseguinte, a síntese de tudo quanto expusemos até aqui, em diversos capítulos, acerca do Apostolado da Mãe de Deus. Resumindo-o em suas três fases mais salientes, encontramos, de fato, a Virgem “três vezes admirável”:

1º. Na circunstância da “Encarnação do Verbo divino, que é o Princípio e o Fundamento da Missão redentora de Cristo.

2º. Na “realização” da Redenção sobre o Monte Calvário.

3º. Na “continuação” da Missão salvadora pelo Apostolado da Igreja, cuja Mãe e Rainha é a Virgem Santíssima.

Proclamamos, portanto, a Mãe de Deus três vezes admirável:

1º. É admirável na sua “dignidade” de “Virgem e Mãe de Deus humanado”, exercendo seu Apostolado, o mais importante, embora “principiante”.

2º. É admirável no seu “martírio”, como “Mãe das Dores”, ao pé da Cruz, exercendo o seu Apostolado, o mais “culminante” e “cruciante”.

3º. É admirável na sua “glória”, como “Mãe e Rainha poderosa”, sentada à direita de seu Filho, Rei e Redentor, exercendo o seu Apostolado perenemente “triunfante”.


1) “A Mãe de Deus é admirável na sua Maternidade virginal”:

a) A “Encarnação” do Verbo divino, é o Fundamento da nossa fé. É o Fundamento e Princípio do Apostolado do Filho de Deus que visa a glória do Pai celeste e salvação do gênero humano.

A Virgem Maria “cooperou”, com o divino Espírito Santo, para esse primeiro e fundamental ato da Missão redentora de Cristo, dando o seu “consentimento” para a Encarnação do Filho de Deus nas suas puríssimas entranhas.

“Maria tornou-se Mãe de Deus, sem violação de sua Virgindade”. São duas maravilhas em um só fato, que já fora predito pelo Profeta Isaías2: “O mesmo Senhor vos dará este sinal (maravilhoso) – uma Virgem conceberá e dará à luz um filho e o seu Nome será Emanuel (isto é, Deus conosco)”.

Na Festa do Natal de Nosso Senhor, a Santa Igreja canta: “Genuit puérpera Regem”… “Gerou a puérpera o Rei, cujo nome é O Eterno, gozando as alegrias da Mãe com a honra da Virgindade, não havendo, nem antes, nem depois, outra que lhe pareça”.3

A própria Virgem reconheceu, admirada e jubilosa, estas prerrogativas com que foi adornada pelo Senhor, exclamando no seu Magnificat: “Fecit mihi magna, qui potens est” – “Fez grandes coisas em Mim, aquEle que é poderoso”.4

São Jerônimo, o Pai da Exegese bíblica, comenta magistralmente a Maternidade virginal de Maria com as seguintes analogias simbólicas das Sagradas Escrituras: “Cristo é Virgem; e sua Mãe é Virgem perpétua, é Mãe e Virgem. Pois, Jesus entrou pelas portas fechadas; e no seu sepulcro, que era novo e lavrado em pedra puríssima, nenhum outro foi depositado, nem antes, nem depois. É o jardim fechado, a fonte selada. É a porta oriental, de que fala Ezequiel, sempre fechada e resplandecente, pela qual entra e sai o sol da justiça, o nosso Pontífice segundo a ordem de Melquisedec”.5

b) As condições exteriores da vida de Maria eram humildes, pobres, ignoradas. Contudo, fora da pessoa de Cristo, não havia, nem há, nem haverá existência ou criatura de maior grandeza do que a da “escrava do Senhor”.

O que o Salmista,6 diz da filha do Rei por ele decantada: “Toda a glória da filha está no interior” – isto vale da Filha do Rei na Nova Aliança. “Toda a grandeza e glória de Maria está no seu interior, na sua alma”.

Apesar de não ser dotada por Deus com a auréola de carismas surpreendentes, como de uma Taumaturga, ou Profetisa, ou Evangelista, sobrepuja em grandeza todas as criaturas, quer humanas, quer angélicas, pela sua “Maternidade divina”!

Esta dignidade não a distinguiu exteriormente das condições comuns das outras mães e mulheres, mas imprimiu-lhe na existência, no espírito, uma altura, uma grandeza, uma consagração que só pode ser comparada – não idêntica, mas analogicamente – com aquela que a Humanidade de Cristo recebeu pela União Hipostática com a Divindade.7

A Maternidade divina foi, portanto, para Maria algo mais do que um adorno ou um vestido para o corpo. Antes, importava para Ela uma união tão íntima com Jesus, como é a de uma mãe com seu filho; enobrecendo-a e enaltecendo-a, porém, interiormente quase “ad infinitum”, por ser seu Filho um “Ser infinito”, uma Pessoa Divina.8

c) Os Santos Padres comparam a íntima união, que existe entre Jesus e Maria, com uma “união esponsal”, chamando Maria não só Virgem e Mãe, mas também “Sponsa Christi” – “ a Esposa do Verbo Encarnado”.

Baseia-se esta denominação sobre o paralelo – já mencionado por São Justino e Santo Irineu – que existe entre Adão e Cristo e entre Eva e Maria.

O teólogo Dr. Scheeben, explicando a razão desse título, declara que Maria era predestinada por Deus não só para, como Mãe, emprestar materialmente ao Verbo divino o corpo e o sangue humano, mas também para, “como esposa unida aos interesses e à vida do esposo, formal e realmente tomar parte na Missão do Filho de Deus”.9

“A Maternidade virginal e união conjugal” de Maria com o Verbo divino, relativamente à obra redentora, é a “característica pessoal” da Santíssima Virgem. É esta – e não o privilégio da Conceição Imaculada – que lhe confere uma posição tão alta e soberana e uma união tão íntima com a Divindade, que supera a de qualquer outra criatura, quer humana, quer angélica.10

d) Em consequência disto, os teólogos concordam com São Bernardo, que não hesita em afirmar, que Deus podia criar um mundo mais belo e mais perfeito, mas não podia criar uma Mãe de Deus que fosse mais bela e mais perfeita que Maria.

E o Beato (São) Vicente Pallotti reza: “Basta não dizer ou acreditar, que Vós, ó Maria, sois a própria Divindade e então nenhuma criatura poderá, equivalente e completamente compreender e dignamente enaltecer os inefáveis tesouros da graça divina que estão encerrados em Vós, por mais que Vos louve e glorifique”.11

Daí a “hiperdulia” que prestamos à Santíssima Virgem, a qual, embora infinitamente distinta da “adoração”, que só devemos à Majestade divina e infinita, contudo excede, não só em grau, mas também em espécie, a “dulia” ou veneração que prestamos aos Anjos e aos Santos.

Extasiado pela tamanha dignidade de Maria, Santo Agostinho exclama enfaticamente: “Ainda que todos os membros do nosso corpo se transformassem em outras tantas línguas, não a poderíamos condignamente louvar e homenagear.

É mais alta do que o Céu, a de quem queremos falar. É mais profunda do que o abismo, a que pretendemos encomiar. Pois, é esta só que mereceu ser chamada Mãe e Esposa.

É esta que, de um modo admirável e inestimável, gerou o Salvador de todas as criaturas e de Si própria.

Quem é esta Virgem tão Santa, que um Deus A escolheu para Esposa?

Quem é esta tão casta, que depois do parto podia ficar Virgem?

É esta o Templo de Deus vivo, a Fonte selada, a Porta fechada da Casa de Deus.

É esta a quem, como já disse, o Espírito Santo desceu e a virtude do Altíssimo obumbrou.

É esta, Imaculada na Conceição, fecunda no parto, Virgem lactante, nutrindo o Manjar do Anjos e dos homens.

Bem-aventurada sois, ó Maria e digníssima de todo o louvor! Ó gloriosa Virgem e Mãe de Deus! Ó sublime puérpera, por cujas entranhas desceu o Autor do Céu e da terra! Concebendo em vosso Seio o Autor, o destes à luz, no tempo, como Redentor, que antes de todos os tempos era vosso Criador”!12

Verdadeiramente, concordamos com o Abade Guerico, discípulo de São Bernardo, que escreveu, que “Maria é em tudo para nós – um Milagre!”13


2) “A Mãe de Deus é admirável, em segundo lugar, no seu martírio”.

As Sagradas Escrituras chamam a “Mãe dos Macabeus, sobremaneira admirável e digna da memória dos bons, porque viu morrer os seus sete filhos em um só dia, suportando com ânimo constante a sua morte, pela esperança que tinha em Deus”.14

Porém, “muito mais admirável é a Mãe de Deus” que, ao pé da Cruz, sobre o Monte Calvário, sofreu um acerbíssimo martírio, vendo morrer, em circunstâncias sumamente infames, o seu Filho divino, o mais belo e mais perfeito, o mais Santo e o mais amado de todos os filhos!

Enquanto os varões, Apóstolos, discípulos e amigos fugiram, perseverou Ela, com ânimo constante, ao pé da Cruz.

Que coragem e fortaleza, que paciência e resignação, que ternura e piedade mostrou Maria, naquelas horas funestas do Sacrifício cruento do seu Filho!

Acompanhou-O ao Calvário. Presenciou os seus sofrimentos. Assistiu à sua agonia, para depois recebê-lO desfigurado, ensanguentado e morto nos seus braços e chorá-lO, encerrado no sepulcro!

Na verdade, que Mãe admirável, que mulher forte é Maria! Não a intitulamos simplesmente “Mártir”, mas, com toda razão, “Rainha dos Mártires”!

Dizem da Mãe dos Macabeus, que ela suportava com ânimo constante a morte dos seus filhos, pela esperança que tinha em Deus.

A mesma esperança em Deus e até a certeza de ver redimido o mundo pela morte de seu Filho, foi também em Maria o fundamento de sua constância, de seu heroísmo.

Santo Ambrósio salienta precisamente esta razão, quando diz: “Maria estava intrépida ao pé da Cruz e olhava com piedade as Chagas de seu Filho, sabendo que por elas se ia salvando o mundo”.15

É nisto que consiste a grandeza da Mãe admirável: que Ela, com pleno consentimento e prontidão de ânimo, entregou e ofereceu seu próprio e único Filho, a fim de que, pela sua morte, fosse salvo o gênero humano.

Cooperando com a missão redentora de seu Filho, que se completou sobre o Monte Calvário, Maria “atingiu o auge de seu Apostolado, sob as mais tremendas e cruciantes condições”.

Se o Rei Salomão no seu Cântico dos Cânticos16 diz que “o amor é forte como a morte” e que “as muitas águas não puderam extinguir o amor”: – realmente, a Mãe de Deus nos poderá assegurar: “O Meu amor para convosco era mais forte que a morte e as Minhas lágrimas e o muito Sangue de Meu Filho não puderam extinguir o Meu amor para convosco, meus mui amados filhos!”

3) Em verdade, ó Maria, Vós sois uma Mãe sumamente amável, uma Mãe sumamente admirável! O Martírio, a que Vos submetestes por amor de nós, excede a nossa compreensão!

Porém, não menos Sois “admirável no Vosso Apostolado glorioso e poderoso” que, depois da Vossa Assunção ao Céu, estais exercendo por amor de nós, por amor das almas imortais, por amor da Santa Igreja Católica, de que Sois a Soberana Protetora e Rainha!

O Apóstolo São João, descrevendo no Apocalipse17 as suas visões, conta, como “no Céu apareceu um grande sinal: uma Mulher vestida de sol e a lua debaixo de seus pés e uma coroa de doze estrelas sobre sua Cabeça; e estando grávida, clamava com dores de parto e sofria tormentos para dar à luz. E foi visto outro sinal no Céu: era um grande Dragão vermelho, que tinha sete cabeças e dez pontas e nas suas cabeças sete diademas; e o Dragão parou diante da Mulher, que estava para dar à luz, a fim de devorar o Seu Filho”.

Todos os Padres e Teólogos intérpretes reconhecem nesta mulher tanto um Símbolo da Igreja de Cristo, como uma figura de Maria Santíssima.

A Santa Igreja gera os seus filhos na dor e também a Mãe de Deus gerou-nos, os Seus filhos, na dor, quando estava ao pé da Cruz, sobre o Monte Calvário. O Dragão infernal, de sua parte, põe tudo em obra para destruir a Igreja e para devorar os filhos de Maria.

Mas, os ataques e perseguições do Demônio não poderão destruir a Igreja, nem poderão perder os verdadeiros filhos de Maria; pois, “as portas do Inferno não poderão prevalecer contra a Igreja”, conforme prometeu solenemente o Divino Mestre a São Pedro, o Príncipe dos Apóstolos; e os seus filhos ficarão abrigados sob o manto protetor da Mãe e Rainha celeste, que esmagará com Seu pé virginal a cabeça da Serpente infernal, conforme o próprio Deus predissera no Paraíso terrestre.

Nos capítulos anteriores, já expusemos largamente diversos fatos do Apostolado glorioso e triunfante, que a Mãe e Rainha nossa exerce admiravelmente, de lá dos Céus, em defesa da Igreja de Seu Filho, em prol da propagação do Reino de Deus neste mundo e em benefício temporal e espiritual dos filhos, que estão gemendo e periclitando no exílio terrestre.

Todo o glorioso Apostolado de Maria está resumido nestes títulos e invocações, que já explicamos: “Rainha dos Apóstolos, Rainha do Sacratíssimo Rosário, Esmagadora da perversidade herética, Auxílio dos Cristãos, Saúde dos Enfermos, Refúgio dos pecadores”.

Se perguntarmos pela razão de tão excepcional e admirável poder, com que a Mãe de Deus exerce o seu Apostolado, São Pedro Damião dar-nos-á a seguinte resposta: “Quando Maria Santíssima se apresenta diante do trono de Deus, não é tanto para pedir, como para mandar, pois, que Ela não se apresenta como serva, mas como Mãe e Soberana.18

A esse respeito, a Rainha Ester do Antigo Testamento, a esposa predileta do Rei Assuero, é uma belíssima figura de Maria; pois, quando esta se apresentou perante o trono real para pedir pelo seu povo judeu, Assuero lhe perguntou: “Que petição é a tua, Ester, para que te seja concedida? E que queres que se faça? Ainda que peças, metade do meu Reino, a terás!”19

Assim, semelhantemente, a Ester da Nova Aliança, a Mãe e Rainha celeste, é “sumamente admirável pela sua Onipotência Suplicante”, a que o Rei celeste não pode resistir.

Resumindo, dizemos: “Maria é três vezes admirável pela sua mediação que se refere ao princípio, ao meio e ao fim da nossa Redenção; pois, por Ela veio o Redentor a este mundo, Ela assistiu-O no Sacrifício da Cruz, sobre o Calvário e dispensa desde então aos homens os frutos da Redenção. A unidade desta tríplice mediação constitui a admirável cooperação de Maria na Obra Redentora de Cristo, tornando-A Co-Redentora da Humanidade e a Rainha do Apostolado Universal, ao lado de Cristo, Apóstolo e Redentor”.20


2. Consideração Prática.

A Mãe de Deus se nos apresenta sumamente admirável pela sua “Maternidade Virginal”, na circunstância da Encarnação do Verbo divino, que é o principal e o fundamento de nossa Redenção.

Apresenta-se-nos sumamente admirável no seu “Martírio” sobre o Calvário, onde se completou a nossa Redenção.

Apresenta-se-nos sumamente admirável no seu “glorioso e ilimitado poder”, pelo qual continua a dispensar-nos as bênçãos e frutos da Redenção.

“Sendo a Santíssima Virgem sumamente admirável, temos que efetivamente admirá-La”.21

Saber admirar é uma virtude. Uma alma incapaz de admiração tem, por isso mesmo, algo que a torna antipática.

“Para sermos admiradores, devemos ser puros”. A alma pura está aberta para uma das mais ricas fontes de admiração: a da “beleza”. E a Santíssima Virgem, porventura, não é a mais bela de todas as criaturas, o prodígio da beleza sobrenatural?!

“Tota pulchra es Maria, et macula non est in te!”, atesta a Santa Igreja.

Conservemo-nos puros e a beleza, que procede de Deus, – a beleza por essência – terá para nós seus atrativos. Nossas mãos aplaudirão e nossa voz exprimirá admiração e alegria.

“A alma pura admirará, portanto, com entusiasmo!”

Almas incapazes de compreender e adequar-se à altura – arrastam-se pelo chão; trepam, mas não sabem voar. Falta-lhes a asa poderosa. São almas mesquinhas, espíritos pobres, corações acanhados.

O entusiasmo é o calor da alma. O calor é vida, é luz, é força.

“As almas entusiastas na admiração, são capazes de ação”. Por conseguinte, “só os admiradores entusiastas de Maria são capazes de imitar-lhes as virtudes e de serem apóstolos!”

Aplaudamos, portanto, com todo o entusiasmo, a excelsa Mãe de Deus com São João Crisóstomo, um dos mais eloquentes admiradores entusiastas de Maria: “Na verdade, meus caríssimos Irmãos”, assim escreve, “a Bem-aventurada sempre Virgem Maria foi um grande milagre. Pois, o que jamais foi encontrado, ou poder-se-ia em qualquer tempo encontrar, que fosse mais sublime e mais nobre do que Maria? Só Ela superou em amplitude o Céu e a terra.

O que é mais santo que Ela? Nem os Profetas, nem os Apóstolos, nem os Mártires, nem os Patriarcas, nem os Anjos, nem os Tronos, nem as Dominações, nem os Serafins, nem os Querubins; nem, afinal, qualquer outra entre as criaturas visíveis e invisíveis poderá ser mais excelente.

A mesma é Mãe e Serva de Deus. A mesma é Virgem e Mãe de Deus; é a Mãe de quem o Pai celeste gerou desde antes de todos os séculos e a quem os Anjos e os homens reconhecem por Senhor de todas as coisas”.


Terminando, façamos nossa a súplica e a

Oração de São João Crisóstomo:

“Salve, ó Mãe, ó Virgem, ó Donzela: céu, trono, decoro, glória e fortaleza de nossa Igreja!

Rogai incessantemente por nós a Jesus, Vosso Filho e Nosso Senhor, a fim de conseguirmos, por Vossa intercessão, misericórdia no dia do Juízo e os bens reservados para os que amam a Deus, pela graça e benignidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, a quem, com o Pai e o Espírito Santo, seja glória e honra e império, agora e sempre e por todos os séculos dos séculos”. Amém.22


Fonte: Rev. Pe. Dr. Erasmo Raabe, S.A.C., “Regina Mundi – Considerações Doutrinal-Práticas em Trinta e Três Capítulos para os Meses e Festas de Maria”, Cap. XXXI, pp. 177-189; 2ª Edição, Edições Paulinas, São Paulo, 1955.

_______________________________________________
1Ruperto Wickel, S.J., Marienherrlichkeiten, Innsbruck, p. 28.
2Is. 7, 14.
3Antif. 2 ad Laudes.
4Luc., 1, 49.
5Ex libro adversus Jovinianum. – Off. B. M. V. in Sabb. Mense Febr.
6Salm. 44, 14.
7Dr. Bernardo Bartmann, “Maria”, Paderborn, 1925, p. 194.
8Ibidem.
9Dogmatica III. 489 sequ.
10Ibidem.
11Mês de Maria para os leigos, Introdução.
12In Assump. B. M. V. sermo 2 – Propr. Pars Verna, Gaudiorum B. M. V. 2. Noct.
13Sermo in Annuntiatione 3. – Migne Patr. Lat. 185. 126.
14II Mac., 7, 20.
15De institut. Virg, c. 7. – Propr. Brasil. Pars Verna, Gaudiorum B. M. V. 2. Noct. Die 4. infr. Oct. Lectio 9.
16Cânt., 8, 6.
17Apoc., 12.
18Sermo 44, de Nativ. B.M.V. 1. – Migne, Patr. Lat. 144. 740.
19Ester 7, 2.
20Aug. Deneffe, S.J., Maria, die Mittlerin aller Gnaden, pág. 65. Innsbruck, 1934.
21Pe. Semeria, Barnabita S. J., “Maria – Ideal de virtude”.
22Sermo apud Metaphrasten. – Off. Comune B.M.V. 2. Noct.

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