Blog Católico, para os Católicos

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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

domingo, 7 de junho de 2020

Numa Aparição de Maria Santíssima, São Gregório de Nissa é Instruído Sobre a Santíssima Trindade.


Constrangido a receber o jugo do Episcopado, Gregório, depois das solenidades de costume, pediu ao Bispo, que o designara, algum tempo para conhecer mais exatamente o Mistério da Fé, durante o qual, sem consultar carne e sangue – para falarmos como o Apóstolo1 – haveria de implorar a Deus que lhe manifestasse os aspectos difíceis da doutrina. Ele não começaria realmente o ofício da pregação da palavra antes que a verdade lhe fosse revelada mediante uma aparição…


Estava, pois, meditando certa vez, por toda uma noite, a respeito do significado e da expressão da Fé, com grande agitação de pensamentos no espírito, porque havia, também naquele tempo, pessoas que adulteravam a pia e sincera doutrina da Religião, criando, com argumentações capazes de impressionar, incertezas até para os doutos e prudentes. Eis então que lhe aparece, nessa noite de vigília, alguém em figura humana, de aspecto senil, mostrando pelo ornato e composição da veste um augusto e sagrado esplendor, ao mesmo tempo que, pelo encanto da face e de todo o seu aspecto, um grande poder. Aterrorizado com a visão, Gregório ergueu-se do leito para melhor averiguar o que seria e por que razão ocorria. A aparição, porém, tranquilizou-o, dizendo com voz branda ter vindo por ordem divina a fim de revelar a verdade da Fé a respeito dos assuntos que estavam sendo controvertidos e postos em dúvida. Recobrou ele o ânimo ao ouvir estas palavras e passou, com um misto de alegria e espanto, a fitar o ancião, o qual em seguida estendia a mão em sinal de lhe mostrar o que aparecia do outro lado. Acompanhando com o olhar esse gesto, viu Gregório nova aparição, distinta da primeira: alguém, em figura feminina, de aspecto mais excelente e sublime que o da condição humana. Mais uma vez atemorizou-se, e afastando o olhar, que não podia suportar a visão, hesitava cabisbaixo sobre o sentido da cena, maravilhosa sobretudo pela luz que irradiava, como se fora um facho aceso, na escuridão da noite. Impedido de enfrentá-la com os olhos, limitava-se a escutar o que falavam as duas figuras. Conversavam a respeito do assunto doutrinário sobre o qual ele mesmo estivera questionando. Da conversação recebia então um verdadeiro conhecimento da doutrina da Fé e além disto certificava-se de quem eram os dois interlocutores, pois se chamavam um ao outro pelo próprio nome. Ouviu que a figura feminina exortava o Evangelista João a expor e explicar ao jovem Bispo o Mistério da verdadeira piedade, e ouviu que ele dizia estar pronto a atender, com todo o gosto, à Mãe do Senhor. Depois, feita a explicação de maneira muito apropriada e bem definida, tudo desapareceu ao olhar de Gregório, que imediatamente se pôs a redigir a instrução recebida. Foi baseado nela que fez mais tarde sua pregação na igreja e deixou aos pósteros o legado de uma doutrina aprendida do alto e, em conformidade com a qual, o povo daquela cidade pôde ficar imune de toda heresia, até o dia presente. Ora, as palavras desse místico ensinamento são as seguintes:


Um só Deus, Pai do Verbo vivente, que é a Sabedoria subsistente e a potência, a figura eterna. Gerador perfeito do perfeito, Pai do Filho Unigênito.

Um só Senhor, único procedente do único, Deus procedente de Deus, sinete e imagem da Divindade, Verbo eficaz, Sabedoria que abraça a composição do universo, e potência realizadora de toda a Criação. Filho verdadeiro do Pai verdadeiro, invisível saído do invisível, incorruptível saído do incorruptível, imortal do imortal, eterno do eterno.

Um só Espírito Santo, que de Deus se origina e tem sua existência, e que pelo Filho foi manifestado aos homens. Imagem do Filho, Perfeito saído do perfeito, Vida causa dos viventes, Fonte santa, Santidade dispensadora de santificação, no qual se manifesta Deus Pai, que está acima de todos e em todos, e Deus Filho, que permeia todos os seres.

Tríade perfeita, que não está dividida nem alienada pela glória, pela eternidade, pelo reino. Nada há pois que seja criatura ou servo na Tríade, nada de adventício, que antes não existisse e depois fosse ali introduzido. Jamais faltou o Filho ao Pai, ou o Espírito ao Filho. Sem mudança e alteração, é sempre a mesma Tríade”2

Se alguém quiser assegurar-se desta Profissão de Fé ouça a Igreja, na qual Gregório pregava e onde estas palavras ainda se conservam, exaradas por sua própria mão.



Fonte: Dom Cirilo Folch Gomes, O.S.B., “Antologia dos Santos Padres – Páginas Seletas dos Antigos Escritores Eclesiásticos”, Cap. Da “Vida de São Gregório Taumaturgo”, pp. 272-274. 4ª Edição, Edições Paulinas, São Paulo/SP, 1979.


___________________
1Gál. 6, 8.
2O texto desde “Credo” se acha também em P.G. 10, 984; cfr. RJ., 611.

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