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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

sexta-feira, 31 de julho de 2020

A Alma sem Deus


"Ó, se víssemos a estranha e repentina mudança que passa dentro de uma alma no momento em que perde a graça de Cristo, como ficaríamos assombrados! Mas já que não o podemos ver com os olhos, vejamo-lo de algum modo com o entendimento em uma comparação, e seja esta tirada do mesmo lugar de Ezequiel, como logo apontarei.

Suponhamos que o Sol, assim como uma vez parou ao mandado de Josué, e outra vez retrocedeu à vontade de El-Rei Ezequias, e outras muitas se eclipsou por várias causas, suponhamos, digo, que uma vez desaparecesse ou se apagasse por mandado de Deus, como ficaria todo este mundo envolto em um negro manto de trevas, como andariam os homens atônitos de uma parte para outra, todos a perguntar e nenhum a saber responder nada, salvo que é chegado o dia do Juízo. E que mudanças se seguiram em toda a natureza, desta primeira mudança? As estrelas e a lua não dariam luz, porque toda a luz que dão é emprestada do Sol. Por conseguinte, não influiriam na Terra, porque a luz é o veículo de suas influências. Secariam logo todas as plantas, porque estas influências do Sol e mais astros é que nascem e crescem. Não haveria, logo, animais terrestres e voláteis, porque das plantas se sustentam estes e uns dos outros. Pararia também o movimento do mar, porque este depende da Lua e, por conseguinte, cessariam de correr as fontes, porque estas dependem do movimento do mar pela mesma causa, e corromper-se-iam as suas águas e morreriam os peixes; não teriam os homens nem a luz do fogo por falta de matéria, porque o Sol é o que cria a lenha e os minerais; cessariam os ofícios todos como cessam em um homem cego, pois o Sol é os olhos do mundo, como lhe chamou São Ambrósio. Enfim, tanta diferença haveria deste mundo àquele mundo, como do ser ao perecer, porque o mundo pereceria. Este foi o juízo de São Dionísio, quando viu o eclipse do Sol na morte de Cristo: Aut Deus naturae patitur: aut mundi machina dissolvetur. Uma de duas, (disse aquele filósofo) ou quem fez o mundo é ofendido, ou o mesmo mundo se acaba, porque mundo sem Sol brevemente não será mundo.

Levanta-te agora espírito meu e estronda esta Igreja só com três palavras. Quereis ouvi-las? Cristo Jesus é Sol; o homem é mundo pequeno; logo, o homem sem Cristo é o mundo sem Sol. Cristo é Sol, assim o dizem as Escrituras: Orietur vobis Sol. O homem é mundo pequeno, assim lhe chama os Santos Padres; logo, o homem sem Cristo é mundo sem Sol, assim o convence a força da razão. Pois se Cristo se ausenta de uma alma, exivit, que mudanças haverá nesta pobre alma? Ó, como se diminuirão também as influências e favores de Maria Santíssima, Lua formosa e dos Santos, estrelas brilhantes! Ó, como murcharão as flores das virtudes e os frutos das boas obras! Como se apagará o fogo do amor de Deus! Como se corromperão os costumes! Como cessarão todos os ofícios da caridade e todo o merecimento das boas obras! Como ficará tudo às escuras! Que é isto? Aut Deus naturae patitur, aut mundi machina dissolvetur: ou o Deus deste mundo padece, ou este mundo se acaba. E para falar mais ao certo, ambas as coisas são. Acaba-se e perece esta alma se neste estado fica, porque o homem sem Deus não é nada; e padece o Deus desta alma, porque esta alma ofendeu a Deus. Enfim, que o homem sem a graça de Cristo é o mundo sem o Sol”.


Fonte: Rev. Pe. Manoel Bernardez, Oratoriano, Sermões e Práticas, 2ª Parte, Prática da Dominga da Paixão, Ponto 1343. Cfr. “As Mais Belas Páginas de Bernardes”, 2000 trechos selecionados por Mário Ritter Nunes, pp. 297-298. Edições Melhoramentos, São Paulo/SP, 1966.

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