Blog Católico, para os Católicos

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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

quinta-feira, 3 de setembro de 2020

HORA SANTA DE SETEMBRO.


Coração de Jesus Afligido,
por Causa da Tibieza das Almas.


Muito errados estaríamos, se pensássemos que todas as almas em estado de graça são motivos de consolação para o Coração afligido de Jesus. Ai! Não é assim; há almas que, favorecidas como são de Deus, vivem na tibieza, e são deste modo, espinhos muito pungentes para o divino Coração. Jesus as ama, não com o amor geral que Ele, como Criador, tem a tudo que existe, mas com especial amor, o de eleição; Ele lhes dedica amizade verdadeira. Ora, esta amizade mesma é a medida da pena que o estado delas lhe causa. Com efeito, Ele vê que, em consequência desta tibieza, elas cairão insensivelmente no pecado mortal, farão poucos esforços para sair dele, e assim se perderão.

Uma alma é tíbia, primeiro quando comete pecados veniais frequentemente e de olhos abertos, sem procurar corrigir-se deles. Oh! Que perigo corre a alma a quem Deus preveniu com Suas graças, quando se deixa ir à perpetração de muitas faltas leves cientemente e sem de nada se inquietar, dizendo: Basta que eu me salve! Todos estes pequenos regatos formarão um rio, que desastradamente a arrastará ao abismo. O Senhor repreendia ao Bispo de Laodicéia não ser nem quente nem frio.1 Este é o estado de uma alma tíbia; ela não ousa voltar inteiramente as costas a Deus; contudo, não se inquieta com os pecados leves que comete e multiplica todos os dias as impaciências, mentiras, murmurações, gulodices, imprecações, aversões secretas no coração, apego às criaturas; esforço nenhum faz para se corrigir de tantas faltas. Oxalá fôsseis quente ou frio! Dizia o Senhor a esse Bispo de Laodicéia; mas porque sois tépido, e não sois nem frio nem quente, estou para vomitar-vos de minha boca. Isto é, melhor seria que fôsseis inteiramente privado de minha graça; porque daríeis mais esperança de cura. Mas ficando na vossa tibieza, estais muito exposto a condenar-vos, porque facilmente caireis neste estado em algum vício mortal, com pouca esperança de vos levantardes dele. Notai bem estas palavras: Porque sois tépido, estou prestes a vomitar-vos. Ah! Quanto a alma tíbia deve pesar no Coração de Jesus! Facilmente pára no estômago a bebida, que é fria ou quente, mas a morna, não, porque provoca vômitos. Assim é que a alma tíbia está exposta a ser vomitada do Coração de Deus, a ser privada da graça e abandonada, o que é muito bem significado pelo vômito, pois que todos temos horror de tornar a engolir o que se vomitou.

O maior sinal de tibieza é o desgosto voluntário e habitual da oração. Quando um jardim é continuadamente regado por uma água benéfica, oh! Como as flores e as plantas aparecem sempre aí cheias de vida e frescura! O mesmo sucede com a alma que ama a oração: vemo-la crescer sem cessar em bons desejos e frutos de virtudes. Donde lhe vêm estas vantagens? Da oração, que, regando-a continuamente com suas águas salutares e fecundas, vai, dia a dia, transformando-a em jardim de delícias. Mas suprimi esta feliz fonte: logo as flores caem, as plantas secam, e tudo desaparece; porquê? Porque a fonte da vida está seca. Tal pessoa será, enquanto ama a oração, modelo de modéstia, humildade, devoção e mortificação; abandone a oração, e logo sua imodéstia manifestar-se-á no seu olhar; seu orgulho irromperá à menor palavra que a mortifique; cessará de frequentar os Sacramentos e de assistir à Missa; não pensará mais em se mortificar; vê-la-eis, ao contrário, amar as vaidades e companhias mundanas, os divertimentos e prazeres terrenos, e porquê? Ah! A água não corre mais sobre ela; falta-lhe a vida; ela deixou a oração; o jardim secou-se, e o mal se agrava de dia em dia. Uma vez que a alma deixa a oração, diz São João Crisóstomo, eu a considero, não só como enferma, mas morta.

A irmã Maria Boaventura, religiosa em Roma, vivia em estado de tibieza. Por meio da meditação, resolução e devoção ao Sagrado Coração, ela conseguiu sair de tão miserando estado. Porque um dia em que ela assistia aos exercícios espirituais dados pelo Padre Lancicio, ficou de tal maneira comovida desde a primeira meditação que, desfeita em lágrimas, foi encerrar-se no seu quarto, e aí aos pés do crucifixo, escreveu o ato seguinte: “Eu, Maria Boaventura, neste dia em que começam os exercícios espirituais, ofereço-me toda a Vós, ó meu Deus, e prometo não amar mais senão a Vós, meu Jesus. Aceitai, ó terno Redentor meu, este escrito banhado com minhas lágrimas; como penhor do meu amor vo-lo consagro, depondo-o na Chaga de Vosso lado, sobre Vosso Coração, a fim de que me perdoeis, pelos merecimentos de Vosso Sangue, todos os meus pecados e me estabeleçais de tal modo no Vosso amor, que não seja eu mais para mim, mas toda para Vós somente”. Em pouco tempo santificou-se Maria Boaventura; dizem até, que depois de sua morte, houve sinais manifestos da glória que ela gozava.

Prática

Se estou no estado de tibieza, quero para dele sair, meditar seriamente as verdades eternas, tomar firme e determinada resolução e consagrar-me ao Divino Coração de Jesus. Se não vivo nesta desgraça, orarei pelas almas tíbias.

Afetos e Súplicas

Ó meu Deus, Vós me tendes prodigalizado Vossos benefícios, preferindo-me aos outros; eu Vos tenho prodigalizado ofensas. Ó Coração amargurado de meu Redentor, que, no jardim das Oliveiras, fostes tão afligido e atormentado pela vista de meus pecados, concedei-me, por Vossos merecimentos, verdadeiro conhecimento e viva dor de minhas faltas. Ah! Meu Jesus, cheio estou de vícios; mas Vós, que sois onipotente, podeis encher-me de Vosso santo amor. Ponho, pois, toda a minha confiança em Vós, bondade e misericórdia infinitas. Ó Bem supremo, arrependo-me de Vos ter ofendido: quem me dera ter morrido antes do infausto dia em que cometi o primeiro pecado! Ah! Desde hoje, tomo a resolução de Vos amar de todo o meu coração e de não amar mais senão a Vós. Ó bondade infinita, eu Vos adoro por todos aqueles que não Vos adoram; eu Vos amor por todos os que não Vos amam. Em Vós creio, em Vós espero, e dedicando-Vos meu coração, ofereço-me todo a Vós. Assisti-me com Vossa graça. Muito fraco sou, bem o sabeis; mas se me tendes prodigalizado tantos favores, quando eu não Vos amava, que não devo esperar de Vossa misericórdia, agora que Vos amo e desejo Vos amar para sempre? Terno Coração de Jesus, dai-me Vosso amor, mas um amor fervoroso, que me faça esquecer todas as criaturas; amor forte, que me faça vencer todas as dificuldades para Vos agradar, amor constante, que me apegue a Vós por laços indissolúveis. Ó Maria, Mãe do belo amor, obtende-me a graça de ser sem reserva para Jesus.

Oração Jaculatória

Belas chamas de amor do Coração de Jesus, consumi em mim todas as afeições desregradas.


Exemplo

A natureza dos Santos não é diferente da nossa. Nada melhor o prova que as faltas e imperfeições que eles deploraram em si. A Bem-aventurada Maria dos Anjos, esta flor perfumada do Carmo, mais que uma vez no-lo prova. Ela mesma conta que, na sua mocidade, era dada à vaidade, aos divertimentos, à dança, aos jogos, às conversações. “Eu amava muito, diz ela, os adornos vãos e esquisitos; passava largas horas diante do espelho; muitas vezes me sucedia aborrecer-me, não me achando bela quanto era meu desejo”. Ela nos diz também, que seu coração experimentava inveja, quando via suas companheiras mais preparadas do que ela, que os louvores lhe agradavam, gostava de ser procurada e amada. Um dia, colocada diante de um espelho, Maria se esmerava em compor seus cabelos. De súbito, pára espantada! Não é sua cabeça que ela vê no espelho, mas a cabeça triste, ensanguentada, coroada de espinhos do Salvador. A partir deste momento, a vitória da graça foi completa. Tornada carmelita, ela não quis viver senão para amar a Jesus Cristo. Pensamentos, palavras, ações, tudo nela era inspirado pelo amor divino. “Eu venho do amor, dizia ela, vou para o amor, penso no amor, tudo faço pelo amor”. Seus desejos de padecer eram ardentíssimos. “Ou dai-me padecimentos, ou fazei que eu morra! Porque a vida me é muito amarga quando não padeço”, escrevia ela. Um dia em que dores agudíssimas a retinham na cela, reputando-se muito miserável para que o Rei do Céu fosse visitá-la nesse lugar, Maria dos Anjos se resignava a privar-se da comunhão. Ora, no momento mesmo em que suas irmãs comungavam, Jesus lhe apareceu brilhante de luz; disse-lhe que, visto como ela se conservava longe Dele pelo respeito, vinha a ela por amor e a queria toda sua como Ele era todo para ela. Depois a apertou contra seu Divino Coração, e a inebriou com alegria que não tem nome na terra. Na sua derradeira enfermidade, ela dizia: “Minha vida foi abreviada com a doçura da obediência; eu pedi com tanta instância esta graça ao Coração de Jesus, que Ele me a concedeu, tão bom que é!” Aconselhando-lhe uma de suas irmãs que não pedisse padecimentos, visto que ela já padecia muito: “Sofrer! Sofrer! Retorquiu a doente; ó minha filha, se soubésseis que tesouro está oculto no sofrimento!”

Ela adormeceu no ósculo do Esposo divino, em fins de 1717, na idade de 57 anos.



Fonte: O Sagrado Coração de Jesus, segundo Santo Afonso de Ligório, ou, Meditações para o Mês do Sagrado Coração, a Hora Santa e a Primeira Sexta-feira do Mês; coligidas das Obras do Santo Doutor pelo Padre Saint-Omer, C.Ss.R., “Hora Santa” de Setembro, pp. 256-261. 5ª Edição Portuguesa, Tipografia de Frederico Pustet, Impressores da Santa Sé. Ratisbona/Alemanha, 1926.


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1.  Apoc. 8, 15.

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