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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

domingo, 9 de janeiro de 2022

FESTA DA SAGRADA FAMÍLIA

(Dominga dentro da Oitava da Epifania)


A devoção À Sagrada Família não é nova na Igreja; já no século XVII tomou grande desenvolvimento.1

O objeto desta devoção, é o Mistério da vida em família que Cristo levou com a Virgem Santíssima e São José.

O Santo Padre Leão XIII, promoveu com grande zelo a consagração das famílias à Família de Nazaré, e concedeu2 que se pudesse celebrar a sua festa na terceira dominga depois da Epifania. Quase todas as Dioceses, seguindo o exemplo da de Roma,3 apressaram-se a pedir a introdução da nova festa, e muitas igrejas se foram erigidas em honra da Sagrada Família.

Pelo Motu próprio “Abhinc duos annos”, de Pio X e o Decreto da Sagrada Congregação dos Ritos, de 28 de Outubro de 1913, teve de se efetuar a reforma dos calendários particulares, restituindo-se à Dominga o seu antigo predomínio, o que fez com que a festa da Sagrada Família fosse excluída de todos os calendários, conservando-se apenas em alguns, em razão de ser titular ou padroeira, no dia 19 de Janeiro.4

Mas, como observava justamente Monsenhor Piacenza, as festas que teem uma devoção especial em toda a Igreja, devem celebrar-se em toda a parte, e não somente numa ou noutra Diocese.

Hoje a festa da Sagrada Família é de obrigação em toda a Igreja.

Bento XV, querendo assegurar às almas os benefícios da meditações e imitação das virtudes da Santa Família, estendeu a sua festa à toda a Igreja.

Fixou-se esta festa no Domingo dentro da Oitava da Epifania, com rito duples maior e com os mesmos privilégios e direitos que a referida Dominga.

E quais são esses direitos?

É o de ser antecipada para o Sábado, quando o Domingo cai no dia da Oitava da Epifania;5 e se em alguma igreja em particular se celebrasse nesse Sábado uma festa de 1ª classe, a festa da Sagrada Família seria antecipada para a Féria mais próxima, em que se rezasse da Oitava.

Se o Domingo cai em qualquer outro dia durante a Oitava, no qual em algum lugar se celebra uma festa de 1ª classe, a festa da Sagrada Família terá apenas comemoração, porque o privilégio da Dominga, e ser antecipada quando cai no dia da Oitava, e não o de ser resposta quando em algum lugar é impedida ocasionalmente.



Oração da Missa

Meu Senhor Jesus Cristo que, submisso a Maria e José, consagrastes a vida de família por inefáveis virtudes; fazei que, com o auxílio de um e de outro, sejamos instruídos com os exemplos da vossa Santa Família e cheguemos à sua eterna felicidade. Vós, que sendo Deus, viveis e reinais por todos os séculos dos séculos. Amém.



Epístola

Irmãos: Como escolhidos de Deus, santos e amados, revesti-vos de entranhas de misericórdia, de benignidade, de humildade, de modéstia, de paciência; suportando-vos uns aos outros e perdoando-vos os agravos que cada um possa ter contra o outro; assim como o Senhor, Vos perdoou, perdoai também do mesmo modo. Mas, sobretudo isto, tende a caridade, que é o vínculo da perfeição, e triunfe nos vossos corações a paz de Cristo, na qual também fostes chamado em um só Corpo, e sede agradecidos. A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando com a graça do fundo dos vossos corações louvores a Deus. Tudo quanto fizerdes de palavra ou de obra, fazei tudo em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, dando graças por Ele a Deus e Pai.6



Reflexões

Estas palavras do Apóstolo São Paulo que a Igreja escolheu para a Epístola da Missa de hoje, mostram-nos a caridade que devemos ter uns para com os outros, caridade que é a verdadeira fonte da união que deve existir em todas as famílias.

Entre as principais causas da desunião de uma família, podem enumerar-se divergências de ideias, de gosto, de caráter, defeitos próprios e alheios; dos defeitos raras vezes se têm consciência, os alheios aumentam-se sempre.

Vejamos os ensinamentos que nos dá a Sagrada Família. Jesus, Maria e José tinham as mesmas ideias sobre todas as coisas. Hauriam-nas na própria fonte da verdade, da sabedoria e da justiça: em Deus, sua luz e seu guia.

Um outro motivo de desunião é a diferença de caráter. O caráter pode ter defeitos, havendo neste caso obrigação de o corrigir. Poderá alguém dizer, que cada um tem a sua natureza. Sim, mas cada um tem o dever de se emendar dos defeitos inerentes à sua natureza corrompida. Muitos julgam que em família têm como que o direito de dar largas ao seu mau gênio, embora sejam cuidadosos com os estranhos. Porventura, a família será o lugar obrigado onde vão ter as consequências dos nossos defeitos? Porventura, a felicidade da família não valerá pelo menos tanto como a estima dos estranhos que se lhe prefere? Sim, a felicidade da família exige que tenhamos cuidado, que contrariemos o nosso gênio, para que haja respeito e confiança entre todos.

Deve haver também o desinteresse pessoal. Olhando para Nazaré, aprendemos muito sobre este ponto e havemos de adquirir o gosto de imitar aquela vida toda dedicada aos outros. Maria e José, esquecendo os seus interesses, só pensam nos de Jesus. Os seus olhos, o seu espírito e o seu Coração estão sempre atentos às menores necessidades, aos simples desejos dos outros.

Quantas alegrias verdadeiras nesta abnegação de nós mesmos! Alegrias puras, elevadas; alegrias que têm a sua origem na satisfação que causamos aos outros.

Devemos agradecer a Jesus, Maria e José, por terem chamado com o seu exemplo a nossa atenção para os nossos deveres de família. Peçamos-lhes que imprimam em nós o sedutor quadro da sua união perfeita na humilde casinha de Nazaré. Como estamos longe de atingir a caridade que Eles tão bem souberam praticar! Aperfeiçoemo-nos de cada vez mais neste ponto. Será um trabalho custoso, talvez de longa duração; teremos revezes, esquecimentos, mas que o desânimo nunca se apodere das nossas almas.

Vou começar hoje mesmo. Por exemplo: vou considerar as boas qualidades de tal pessoa da minha família e não hei de olhar para os seus defeitos. Excelente resolução.



Evangelho

Quando Jesus tinha doze anos, subiram eles à Jerusalém, segundo o costume do dia da festa, e, completos os dias, quando voltaram, ficou o Menino Jesus em Jerusalém, e não o souberam seus pais. E julgando que ele viria com os da comitiva, andaram o caminho de um dia, e O buscavam entre parentes e conhecidos. E não O achando, voltaram para Jerusalém em procura d’Ele. E aconteceu que, três dias depois, O acharam no Templo, assentado no meio dos doutores, ouvindo-os e fazendo-lhes perguntas. Todos, porém, que O ouviam, estavam pasmados da sua inteligência e das suas respostas. E quando O viram, ficaram admirados; e sua Mãe lhe disse: Filho, por que usaste assim conosco? Eis que teu pai e eu te andávamos buscando, cheios de aflição. Então Ele lhes respondeu: Por que é que me buscáveis? Não sabeis que é necessário que eu esteja naquelas coisas que são de meu Pai? E eles mesmos não entenderam a palavra que lhes disse. Então desceu com eles, e veio para Nazaré; e lhes estava sujeito. Mas sua Mãe conservava todas estas coisas no seu Coração. E Jesus crescia em sabedoria, em idade e em graça diante de Deus e dos homens.7



Meditação

Primeiro Ponto. – São José e Nossa Senhora, em obediência à Lei e para satisfação da piedade, iam todos os anos ao Templo de Jerusalém, a tomar parte nas festas da Páscoa que entre os hebreus era a comemoração da saída dos israelitas do Egito. Doze anos conta o Menino Jesus e, nesta idade, como bom israelita, o Filho de Deus é filho da Lei e, como tal, fica incorporado na Comunidade judaica, sujeito ao jejum e obrigado também a celebrar a Páscoa. Alegra-se Ele com a sua próxima ida ao Templo e com mais alvoroço do que o real Profeta diz: Irei à casa do Senhor.8 Tendo sido já apresentado no Templo, mas em braços alheios, ia agora Ele mesmo apresentar-se. Modelo de todos, ensina aos pais que devem apresentar o mais depressa possível os seus filhos no Templo pelo Batismo, preparar-lhes e fazer-lhes preparar o espírito para que eles por si mesmos e na época própria entrem no Templo pela porta da penitência e aí se fortifiquem pelo Sacramento da Eucaristia, alimentando a sua alma na Santa Comunhão. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue têm a vida eterna.9 Os pais que descuidam estes grandes deveres prejudicam os seus filhos, mais, incomparavelmente mais, do que privando-os dos bens terrenos. Sem Batismo ninguém pode entrar no Reino dos Céus e sem a Confissão ninguém pode recuperar a graça perdida pelo pecado. Nascemos todos manchados do Pecado Original, que só pode ser lavado pelo Batismo.


Segundo Ponto. – Embora Jesus não estivesse obrigado à Lei, todavia São José e Nossa Senhora apressaram-se a apresentá-lO no Templo, onde iam todos os anos com Ele no dia solene da Páscoa. Oxalá que todos os pais imitassem a Santa Família, indo muitas vezes à igreja e levando consigo os seus filhos.

Quando o Menino teve doze anos foram, como de costume, a Jerusalém à festa da Páscoa.

Terminados os dias da solenidade, tomaram os pais a direção da sua casa de Nazaré, ficando o Menino em Jerusalém sem eles darem por tal. “Jesus ficou” diz o Evangelista. Foi uma disposição particular da Providência. Em ocasião de extraordinária concorrência na Cidade Santa, no próprio Templo, na mesma assembleia dos Doutores, chamou Pai a Deus, deu um prelúdio da Sua vida apostólica e deixou lampejar uns clarões da Sua divina sabedoria. Foi uma revelação de Si mesmo à Sinagoga.

São José e Nossa Senhora, aflitos, procuram Jesus entre os parentes e conhecidos. A dor de Maria Santíssima devia ser correspondente ao seu amor natural de Mãe e ao amor sobrenatural de Mãe Santíssima de um Filho que era o seu Deus. A pena do bem perdido e a diligência em procurá-lO foi incomparavelmente maior em Maria do que na esposa dos cantares ao não ver o esposo. Eu vos conjuro, filhas de Jerusalém, que, se encontrardes o meu amado lhe façais saber que estou enferma de amor.10 Assim se exprimia aquela esposa mística, mas a Virgem com que palavras poderia traduzir a sua dor? Procuram-nO e encontram-nO no Templo.

Passado o primeiro momento de assombro diz a Virgem Mãe ao Menino: Teu pai e eu aflitos andávamos em tua procura… Não sabeis, responde Jesus, que importa que eu me ocupe das coisas que são de meu Pai?

É também no Templo que devemos procurar Jesus, quando O fazemos afastar de nós pelo pecado. As trevas da noite privam-nos do sol; o pecado priva-nos da graça de Deus. Não é entre os amigos e conhecidos do mundo que então O devemos procurar; aí é Jesus muitas vezes esquecido, ofendido, blasfemado… É no Templo que O encontramos, não já entre os doutores, mas no meio dos espíritos celestes que O cercam no seu Trono de Misericórdia. É no Templo que está sempre pronto a receber-nos, a reconciliar-se conosco pela Confissão, a dar-se todo a nós pelo Sacramento da Eucaristia na Santa Comunhão. É então e só então que, como São José e Nossa Senhora, recebemos a paz e a felicidade que não poderemos gozar sem possuirmos Deus. Não demoremos a procurar Jesus no Templo, a reconciliar-nos com Ele pela Confissão e fortificar-nos contra os inimigos da nossa alma pela Santa Comunhão, porque, como dizia o general Eudeville: nunca é cedo para regularmos os negócios da nossa consciência.



Dominga dentro da Oitava da Epifania

(Elevadas Considerações)


Embora somente se faça a comemoração desta Dominga, todavia, atendendo à sua importância, vamos fazer algumas considerações doutrinais e históricas sobre ela.

Santo Agostinho, no Terceiro Sermão da Sexta-feira depois da Páscoa, diz que Jesus Cristo foi batizado e fez o seu primeiro milagre no primeiro dia da semana, isto é, no Domingo; e nota mais que foi neste dia da semana que operou as maiores maravilhas.

Considera, diz ele, quanto é digna da nossa veneração este dia do Senhor. No Domingo passaram os Israelitas o Mar Vermelho a pé enxuto; no Domingo caiu pela primeira vez o Maná para alimentar o povo do deserto; no Domingo foi batizado o Salvador no Jordão; no Domingo Jesus converteu a água em vinho nas Bodas de Caná; no Domingo fez o milagre da multiplicação de cinco pães, com que alimentou a cinco mil homens; no Domingo ressuscitou; no Domingo apareceu no meio de Seus discípulos, estando fechadas as portas da casa; no Domingo desceu o Espírito Santo sobre os Apóstolos.

Eis aqui títulos de sobra para que este dia seja venerável para todos os fiéis. Que outras razões são precisas para que todos o santifiquem? É o dia do Senhor, é o dia privilegiado, é o dia em que cessa todo o trabalho servil. Mas esta cessação do trabalho não é o único objeto da Lei. Para santificar este dia, devem concorrer muitos atos positivos de piedade e religião. É o Domingo, por sua instituição e por seus Mistérios, o mais Santo e respeitável de todos os dias, mas nos tempos que correm será o que mais se santifica e respeita?

A este Domingo, que cai na Oitava dos Reis, chamavam os gregos o Domingo depois das santas cadeias. A Epístola é a mesma, que já se cantava antes de Carlos Magno. É tirada da Carta de São Paulo aos Romanos, em que o Apóstolo os exorta a fazerem do seu corpo uma hóstia viva, santa e agradável a Deus pelo exercício das virtudes cristã, a precaverem-se contra as máximas do mundo, a serem homens espirituais, a reprimirem todo o sentimento de orgulho e vaidade, pautando os seus desejos e pensamentos pelas máximas do Evangelho; finalmente, a manterem-se todos unidos pelos vínculos de uma caridade mútua, e conservarem-se na boa ordem que a Lei preceitua, esforçando-se cada um por cumprir fielmente os seus deveres.

O Evangelho da Missa, que já se lia também no sétimo século, trata da viagem que o Menino Jesus, fez a Jerusalém, no tempo da Páscoa. Vem em São Lucas 2, 42-52. Seu Pai e sua Mãe iam todos os anos três vezes a Jerusalém, para cumprirem a Lei, que ordenava, que todos os judeus que estivessem na Palestina fossem regularmente a Jerusalém nas três festas principais do ano, a saber: na solenidade da Páscoa, que se celebrava em memória da saída do Egito e libertação do cativeiro de Faraó, na do Pentecostes, que comemorava a Lei dada a Moisés, cinquenta dias depois da saída do Egito, e na festa dos Tabernáculos, chamada também Scenopégia, instituída em memória de terem os Israelitas habitado debaixo de tendas, enquanto andaram pelo deserto. Celebrava-se no mês de Setembro, já depois da colheita do pão e da vindima das uvas, e durava oito dias o último dos quais era o mais solene.

Não se sabe de que idade começou a ir a Jerusalém o Menino Jesus, que não perdia ocasião de honrar a seu pai e a sua Mãe. Só se sabe, não sem admiração, que, não tendo mais do que doze anos, empreendeu a viagem de Nazaré à Jerusalém, que pelos menos era caminho de trinta léguas.

Como Arquelau tinha sido despojado e banido dos seus estados pelos Romanos, julgaram Maria e José que não corria perigo o divino Infante, ainda que fosse na sua companhia. Mas se eles já nada tinham a temer por parte de seus inimigos, nem por isso lhes faltavam inquietações e cuidados. Raras vezes perdiam de vista o seu querido Filho, a quem amavam ternissimamente, porém, o Menino, logo que terminou a festa e seus pais satisfizeram a sua devoção, apartou-se deles sem lhes dizer nada.

Em lugar de os seguir quando voltavam para Nazaré, deixou-se ficar em Jerusalém; e tão secretamente o fez, que eles só deram pela sua falta, depois de um dia de viagem. Esta aparente inadvertência, não foi esquecimento de um Filho que amavam mais do que a própria alma, foi antes efeito da elevadíssima ideia que tinham da Sua sabedoria divina. Persuadiram-se desde logo que o Menino se tinha separado deles para se misturar com a multidão dos caminhantes, por motivos que não deviam examinar. Por esta razão só à noite O procuraram entre os parentes, amigos e conhecidos, mas não O encontraram, nem souberam notícias d’Ele. É fácil imaginar qual foi a inquietação e a dor que penetrou seus Corações.

Resolveram voltar imediatamente a Jerusalém, persuadidos que estaria no Templo. Com efeito, ao cabo de três dias, lá O foram encontrar, sentado no meio dos doutores, em uma das galerias que rodeavam o Templo, onde era costume reunirem-se os doutores da Lei. Estava ali o divino Infante, ensinando os mestres com as Suas perguntas e respostas, com a Sua modéstia e humildade. Ouvia-os e fazia-lhes perguntas, como se tivesse necessidade de aprender. Quando falava, a todos surpreendia e encantava pela Sua prudência e pela justeza e força das respostas.

Ficaram agradavelmente surpreendidos São José e a Santíssima Virgem, quando O viram em tão autorizada reunião; e a Mãe que lhe falava com mais alguma liberdade disse-lhe em amorosa queixa: Filho, por que usaste assim conosco? Eis que teu pai e eu te andávamos buscando cheios de aflição.

A resposta de Jesus a esta amorosa queixa, não foi sem Mistério: Por que é que me buscáveis? Não sabeis que é necessário ocupar-me das coisas que são de meu Pai? Como se dissesse: Não tiveste razão para entrardes em cuidados acerca de Mim, sabendo, como sabeis, quem Eu sou, e qual é o fim da minha vinda e a santidade do meu Ministério. Não ignorais que devo ser o Modelo da perfeição, e por conseguinte, que hei de passar na terra uma vida toda nova, toda consagrada a Deus, inteiramente desprendida da carne e do sangue, uma vida toda divina; que a glória de meu Pai deve ser o único fim das minhas ações, a única regra do meu procedimento; e deste modo, no meio do amor e dos respeitos com que vos olho, tudo deve ceder às ordens e à vontade de meu Pai.

Nada replicaram Maria e José, conhecendo que não tinham compreendido o Mistério, quando tanto se afligiram com a Sua ausência. Saiu logo o Menino Jesus do Templo, e veio com Seus pais para Nazaré, onde viveu no retiro e na obscuridade, sem que nada se tenha podido saber em particular das grandes ações de virtude que ali praticou. Quis somente que se soubesse que professara a Maria e José uma completa obediência, para nos dar a conhecer a excelência desta virtude, que compreende todas as outras. É humilde, é mortificado, é piedoso, é perseverante, aquele que é verdadeiramente obediente.

Acrescenta o Evangelho que, à medida que Jesus crescia em idade, crescia também em sabedoria e em graça.

É certo que a Sua Alma, infinitamente Santa, infinitamente sábia, pela união com a Pessoa do Verbo, não podia crescer em sabedoria, nem em graça; quis, porém, dar esta bela, e importante lição às pessoas devotas, advertindo-as de que devem ir cada dia aproveitando e crescendo em graça e virtude diante de Deus e dos homens, à medida que crescem na idade. Permanecer sempre na mediocridade da virtude, quando constantemente se recebem auxílios, dá causa a uma tibieza que bem depressa atinge o caráter do hábito; e no caminho do Céu, aquele que não progride, retrocede. Virtude que está sempre no mesmo pé, parece-se com a árvore que já não cresce mais e que seca dentro em breve.

Não admira que Jesus não seja encontrado entre a multidão dos caminhantes, porque Deus não se acha no meio do tumulto ou da multidão, a não ser que Ele mesmo aí nos coloque, e ainda nesse caso é necessário que cada um de nós se imponha uma espécie de retiro ou recolhimento interior, vivendo dentro de si mesmo, se quer gozar os benefícios de Deus. Foi para a maior glória de Deus que Jesus Cristo deixou a Seus pais e voltou ao Templo. Sera semelhante o motivo que nos faz aparecer em nossas igrejas, tão raras vezes e com tão pouco respeito?

É a glória de Deus que se procura nesses projetos ambiciosos, nesses jogos, nessas diversões, nessas vaidades, em que se costuma passar os Domingos e dias de festa? Bem claramente quis o Salvador instruir-nos com os Seus exemplos; não podemos ignorar o que nos cumpre fazer.

Que remorso, que dor não nos alanceará um dia, por não termos feito o que devíamos!



Fonte: Ano Cristão – ou Devocionário para todos os dias do Ano”, Pe. Croiset, traduzido do Francês, revisto e adaptado às últimas reformas litúrgicas pelo Pe. Matos Soares, Professor do Seminário do Porto; Vol. I, 6 de Janeiro – Festa da Sagrada Família, pp. 83-91. A. Campos – Livraria Católica, São Paulo/SP, 1923.


____________________

1.  Breve “Nemine fugit”, de Leão XIII.

2.  Decreto 3802.

3.  Decreto 3809.

4.  Decreto de, 28 de Abril de 1914.

5.  13 de Janeiro.

6.  Col. 3, 12-17.

7.  Luc. 2, 42-52.

8.  Ps. 5, 8.

9.  Jo. 6, 55.

10.  Cânt. 5, 8.


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