Blog Católico, para os Católicos

BLOG CATÓLICO, PARA OS CATÓLICOS.

"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

sexta-feira, 6 de maio de 2022

A Primeira Sexta-Feira do Mês de Maio


Nossa Senhora do Sagrado Coração,

Canal das Graças.


Ainda que o Coração de Jesus seja o Reservatório Universal das Graças, e a oração o vaso destinado a recebê-las, contudo, só as obteremos por intermédio da Santíssima Virgem. Lemos no Gênesis que Eliezer, servo de Abraão, chegou sequioso às bordas de um poço: Vindo Rebeca ao mesmo lugar, ele pediu-lhe de beber. Ela respondeu que de boa vontade daria a água, não somente a ele, mas também a todos os seus camelos. Maria nos é admiravelmente representada aqui sob a figura de Rebeca; quanto ao poço, não poderia ele significar o Coração de Jesus? A Maria só, pertence o cuidado de tirar as graças nesta Fonte de vida eterna: precioso privilégio que Lhe mereceu o nome de Nossa Senhora do Sagrado Coração.

Neste Poço Divino, Ela pode tirar tanto quanto quiser por Suas orações. Maria tem um certo direito sobre todas as graças do Coração de Jesus, diz Suarez, por Sua qualidade de Mãe. Também São Bernardo chama a Maria Onipotência Suplicante: Omnipotentia supplex. Quando Ela pede, é com certa autoridade de mãe, Suas orações têm alguma coisa de ordem, e é impossível que Ela não obtenha o que pede. Maria é tão poderosa, que se pode dizer, que nada existe acima do Seu poder; tudo o que Ela quer, faz. Não é coisa digna do Filho de Deus honrar assim Sua Mãe, pois que Ele veio, não para ab-rogar, mas para cumprir a lei, que nos manda, entre outras coisas, honrar nossos pais? Ele quer por este meio satisfazer uma dívida de reconhecimento para com Aquela que Lhe deu o ser humano. Seu amor para com Maria é tão grande, que basta que Ela fale, para ser ouvida, diz Guilherme de Paris. Santa Brígida ouviu um dia Jesus dizer a Maria: Minha Mãe, pedi o que quiserdes, não Vos recusarei nada. Ó bondade admirável do Coração de Jesus! Ele se dignou nos dar por Advogada Aquela que pode obter d’Ele por Suas súplicas tudo o que quer.

Outra que não Rebeca teria podido dar água do poço ao servo de Abraão; mas Jesus, diz São Bernardo, fez um decreto pelo qual Ele não quer nos conceder Seus favores senão por meio de Sua Mãe. Ele encheu Maria de todas as graças, a fim de que, recebamos por Ela, como por um canal todos os bens que podemos esperar. Por este canal salutar é que os dons celestes descem continuamente sobre nós. Holofernes, querendo reduzir a cidade de Betúlia, ordenou que seus aquedutos fossem cortados. Assim procede o Demônio: ele se esforça o mais que pode, para conseguir que as almas percam a devoção a Maria, porque, uma vez desviado este benéfico canal, as graças do Coração de Jesus não podem mais chegar até nós. Consideremos, pois, ajunta São Bernardo, com que afetuosa devoção Jesus quer que honremos Sua Mãe, recorrendo à Sua proteção, pois, Ele pôs n’Ela a plenitude de todos os bens, de sorte que nenhuma graça nos vem do Coração de Jesus sem passar por Maria.

Eliezer foi feliz por ter encontrado Rebeca; mil vezes mais felizes seremos nós se achamos a Maria. Achando a Maria, achamos todos os bens, diz o Abade de Celles; n’Ela temos todas as graças, todas as virtudes, pois que, por Sua poderosa intercessão, do Coração de Seu Filho obtemos tudo o que nos é necessário para sermos ricos dos dons celestes. Ela mesma nos diz, que tem entre Suas mãos todas as riquezas do Céu, isto é, as graças divinas, para as distribuir àqueles que a amam.1 Rebeca era tão boa que, apenas o servo de Abraão falou, obteve água no mesmo instante. Quem poderá nos dizer a bondade de Maria? Não basta dizer que Ela é nossa Mãe? Ah, para compreender o abismo de amor deste Coração Maternal, seria preciso compreender o abismo do Coração de Jesus. Sim, é necessário conhecer o Coração de nosso Salvador, para conhecer o Coração de Nossa Mãe: porque, tendo o amor tornado inseparáveis os Corações de Jesus e Maria, Eles buscam, com acordo comum, nossa felicidade e salvação. Se a lembrança de nossos pecados nos separa de Deus, porque ofendemos n’Ele uma Majestade infinita, aproximemo-nos de Maria, em que nada achamos de terrível. Sem dúvida, Ela é Imaculada, a Rainha do Universo, a Mãe de Deus; mas tem a mesma origem que nós, é filha de Adão como nós; n’Ela tudo é bondade, tudo é doçura; Ela se faz tudo para todos; por Sua grande caridade, Ela se tornou devedora para com os justos e pecadores, abre a todos Seu Coração de Mãe, Coração formado de propósito para nos amar, Coração no qual Seu divino Filho derramou Sua bondade, misericórdia, amor, e de alguma sorte Seu Coração mesmo. E temeríamos recorrer a Ela? Mas que pode sair de uma fonte de bondade, senão bondade? Diz São Bernardo. Por isso, é que Ela é comparada à oliveira,2 porque, se do fruto da oliveira não sai outra coisa que óleo, símbolo da misericórdia, do Coração de Maria não podem sair senão graças e misericórdias.

Mas, dirá alguém, eu sou tão grande pecador! Maria quereria ainda se interessar em meu favor? – Sim; se Rebeca se apressou a dar água aos camelos de Eliezer, que felicidade não experimenta o Coração de nossa Mãe, quando pode socorrer algum pobre pecador? Maria é chamada Rainha de Misericórdia, diz São Bernardo, porque abre o abismo de Sua misericórdia (que é o Coração de Seu Filho), para quem Ela quer, quando quer, como quer. Nenhum pecador pode então perecer se Maria o protege. Ah, como Ela deseja salvar todos os homens, ainda os mais criminosos! Os homens me dão o nome de Mãe de Misericórdia, diz Ela a Santa Brígida, e nisto vão bem: o Coração todo misericordioso de Meu Filho Me fez toda misericordiosa para com os pecadores. Ó clemência admirável do Coração de Jesus! Não querendo que tenhamos que temer muito a sentença que Ele deve pronunciar na nossa causa, destinou-nos uma Advogada que é Sua Mãe e nossa, de sorte que Ela é bastante poderosa para O dobrar, bastante compassiva para procurar salvar-nos. Oh, que motivo de confiança! Minha salvação depende do Coração de Jesus, o mais terno dos Irmãos, e do Coração de Maria, a mais amável e misericordiosa das mães!

Que é o que Maria exige do pecador para o salvar? Uma coisa só: que a invoque com o desejo de se corrigir. Aquele que põe sua confiança n’Ela, nunca será confundido. Eu convido, nos diz Ela, todos os homens a recorrerem a Mim, com paciência os espero e tenho vivo desejo de os socorrer; estou pronta sempre a lhes obter as graças, o perdão, a salvação; porque o Coração todo misericordioso de Meu Filho Me fez toda misericordiosa.

Confiança, pois, em Maria, diz Ubertino de Casal; se queremos achar lugar no Coração de Jesus, dirijamo-nos para Ele com esta boa Mãe. Ainda que fossemos os maiores pecadores do mundo, Ela nos convida com o Profeta Isaías a nos aproximarmos d’Ele: Vinde, diz Ela, vinde pecadores, ao Coração de Meu Jesus;3 Ele está sempre aberto para vos receber; vinde arrependidos, e Ele vos acolherá.

Prática

Não deixarei passar sábado algum sem fazer alguma mortificação e oração especial em honra de Maria; rezarei uma Ave Maria quando o relógio der horas; direi muitas vezes esta pequena oração que Santo Afonso costumava propagar.


Ó Virgem Maria, que fostes Imaculada em vossa Conceição, rogai por nós a Deus Pai, cujo Filho Jesus gerastes por obra do Espírito Santo.4



Afetos e Súplicas

Ó Maria, Rainha do Céu e da terra, Mãe do Soberano do Universo, a maior, mais elevada e mais amável das criaturas, é verdade que, na terra, muitos não têm a felicidade de Vos conhecer e Vos amar; mas no Céu, milhões de Anjos e Bem-aventurados Vos amam e louvam sem cessar! E ainda cá embaixo, quantas felizes almas vivem abrasadas de amor para convosco, e todas cativas de vossa bondade! Ah, quem me dera Vos amar assim, ó minha amabilíssima Soberana, pensar continuamente em Vos servir, louvar, honrar, e fazer-Vos amar de todo o mundo! Vós atraístes um Deus pelos encantos de vossa beleza, e O arrancastes, digamos assim, do Seio de Seu Pai Eterno, para se fazer homem e tornar-Se vosso Filho; e eu, vermezinho desprezível, não Vos amaria! Não, minha mui terna Mãe: quero Vos amar, sim, quero Vos amar ardentemente, e fazer tudo o que puder, para que sejais amada também dos outros. Aceitai então, ó Maria, o desejo que tenho de Vos amar, e ajudai-me a cumpri-lo. Sei que vosso Deus olha com agrado para aqueles que Vos amam; depois da Sua própria glória, Ele nada deseja tanto como a vossa, a fim de Vos ver honrada e amada de todos. De Vós, ó minha Rainha, é que espero todos os bens: a Vós toca, obter-me o perdão de meus pecados e a perseverança; a Vós, assistir-me na hora de minha morte; a Vós, tirar-me do Purgatório; a Vós, enfim, conduzir-me para o Paraíso. Eis aqui até onde se estende a esperança daqueles que Vos amam, e ela não é vã; tal é também minha esperança, amando-Vos de todo o meu coração e sobre todas as coisas, depois de Deus. Assim seja.

Oração Jaculatória

Terno Coração de Maria, sede minha salvação.



Exemplo

O capitão Marceau, nascido em 1806 em Châteaudun, foi a princípio devasso e escandaloso; podia-se chamar-lhe, com um de seus amigos, Satanás em pessoa sobre a terra. Convertido a Deus, ele dizia um dia aos operários sem fé: “Meus amigos, já fui ímpio como vós; ninguém mais do que eu detestou o Cristianismo; mas devo fazer-lhe esta justiça, enquanto não fui cristão, fui profundamente desgraçado. Até então não vivia; aquilo não era viver; eu me agitava, ou antes, minhas paixões me agitavam, arrastavam-me, mas eu não vivia. Não, eu não era homem, era máquina”. Marceau amava a verdade. Sua alma era reta, grande até. Um seu amigo o induziu a estudar a Religião que ele blasfemava tanto, e Marceau aceitou o livro que lhe era apresentado. Um oficial, bom cristão, e seu amigo, notando este tratado, disse-lhe espantado: “Estudais então a Religião, Marceau? Que pensais desta obra?” – “É boa”. – “Então sois dos nossos?” A estas palavras, Marceau corou-se. “Como, tornou o oficial, procedeis assim? Mas seria uma covardia! O que lestes, é verdadeiro ou falso; se é verdadeiro, deveis render-vos. Aqui a indiferença seria um crime contra a razão, pois a questão é tão importante, que não pode ser dada ao desprezo”. Um dia, Marceau disse a seu amigo: “Li, refleti e creio: estou convertido”.“Mas não basta crer, diz o oficial, é necessário praticar, orar e vencer a si próprio”. Ai! Marceau tinha esquecido o Pai Nosso e a Ave Maria. Ele se pôs a aprendê-los e a rezá-los. Isto é o que queria o Coração de Jesus para cativar essa alma. Mais tarde, quando se lhe perguntava o que tinha feito para se converter, respondia: “Li, orei, e o Céu fez o resto”. A grande dificuldade era a Confissão. Marceau, de joelhos em terra, esperou sua vez durante duas horas. “Porque, disse-lhe o Confessor, não me mandastes advertir?” – “Meu Padre, respondeu o capitão, há dezoito anos que Deus me espera com paciência! Eu bem podia esperar duas horar”. O novo Agostinho tinha então trinta e seis anos. Eis aqui em que termos ele dá notícia de sua Comunhão: “Quando me vi ao pé do altar, veio um pensamento agitar minha alma: creio eu na Presença Real?… mas desprezei a tentação. Depois, quando o Sacerdote voltou-se para mim e apresentou-me a Santa Hóstia, comecei a tremer de comoção e respeito, entrei em transpiração, e recebi com verdadeira fé o Corpo de Nosso Divino Salvador. Como humildemente me queixasse a Maria de não experimentar amor muito vivo para com Seu Divino Filho, senti de repente meu coração dilatar-se e lágrimas de reconhecimento molharam minhas pálpebras. Neste instante vi claramente a vida eterna”. Desde então, sem temer os sarcasmos de seus camaradas, Marceau ia com as insígnias do seu posto ao Lugar Santo; aí, de joelhos, confundido com as pobres mulheres, prostrado como um Anjo adorador, profundamente recolhido, ele passava horas inteiras diante do Santíssimo Sacramento. Muitas vezes, homens sem religião o seguiam ao Lugar Santo para o ridicularizarem, mas ele dizia: “Eu fui como eles: porque não podem ser daqui a pouco como eu?” Perguntavam-lhe como tinha alcançado vencer o respeito humano. “Pelo uso da Comunhão frequente”, respondia. Um dia, Marceau foi, de uniforme, receber a Eucaristia numa capela, e no lugar mesmo em que ele tinha outrora ultrajado a Nosso Senhor Jesus Cristo. Seu fim, procedendo assim, era oferecer ao Coração de Jesus uma Comunhão reparadora. “No mesmo lugar onde eu O ofendi, desejo recebê-lo, tão bom é Ele que não se negará a meu coração!” Quando o criticavam por ouvir a Missa todos os dias e comungar semanalmente, costumava dizer: “Eu blasfemei a Jesus Cristo; não é da mais estrita justiça, que Lhe faça reparação?” No mais rigoroso do inverno, ele fazia, das onze horas à meia-noite, a Hora Santa, em honra do Sagrado Coração de Jesus. Viram-no, numa enfermidade que lhe tirava as forças, lutar contra a doença e levantar-se para oferecer ao Coração de Jesus esta costumada homenagem. Marceau não cessou de ser a alma da Adoração noturna, para cujo estabelecimento poderosamente concorrera.5



Fonte: O Sagrado Coração de Jesus, segundo Santo Afonso de Ligório, ou, Meditações para o Mês do Sagrado Coração, a Hora Santa e a Primeira Sexta-feira do Mês; coligidas das Obras do Santo Doutor pelo Padre Saint-Omer, C.Ss.R., “A Primeira Sexta-feira do Mês de Maio”, pp. 315-324. 5ª Edição Portuguesa, Tipografia de Frederico Pustet, Impressores da Santa Sé. Ratisbona/Alemanha, 1926.


_______________________

1.  Prov. 8, 18.

2.  Eclo. 24, 19.

3.  Is. 46, 8.

4.  Oração Indulgenciada. 21 de Novembro de 1793.

5.  “Augusto Marceau, Capitão de Fragata”, por um Padre Marista. Obra digna de recomendação.


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