BLOG CATÓLICO PARA OS CATÓLICOS.

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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

domingo, 10 de maio de 2026

A PURIFICAÇÃO FINAL DA IGREJA. 1ª E 2ª PARTE.

 

A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

A SERVIÇO DO CATOLICISMO


1ª PARTE


A PURIFICAÇÃO FINAL DA IGREJA


Em Chave Escatológica


Alexandre, agora entramos num terreno que exige precisão, sobriedade e fé madura.


Falar da Purificação Final da Igreja, não é alimentar fantasias apocalípticas — é ler a história à luz da Promessa de Cristo.


Vou organizar em quatro níveis: Bíblico, Patrístico, Dogmático e Espiritual.


I. FUNDAMENTO BÍBLICO.


A Escritura não anuncia uma Igreja triunfalista antes do fim.


Anuncia provação.


1. Lucas 18, 8.


“Quando o Filho do Homem vier,

encontrará Fé sobre a terra?”


Não é pergunta retórica leve.


É anúncio de escassez de Fé.


2. 2 Tessalonicenses 2.


São Paulo fala de:


  • Apostasia”,

  • Mistério da iniquidade”,

  • prova Escatológica antes da Parusia.


A Igreja passará por um momento de obscurecimento.


3. Mateus 24.


Cristo fala de:


  • Falsos profetas,

  • Caridade esfriando,

  • Escândalo generalizado.


Mas conclui: “Quem perseverar até o fim, será salvo”.


Perseverança, não euforia histórica.


II. LEITURA PATRÍSTICA.


Os Santos Padres são sóbrios.


Santo Agostinho (De Civitate Dei).


A Igreja peregrina é sempre misturada:


  • trigo e joio,

  • Civitas Dei e civitas terrena.


Ele nunca promete uma Igreja historicamente pura, antes do Juízo.


São Gregório Magno.


Fala de tempos em que os Pastores serão frágeis e o rebanho disperso, mas Cristo permanece Cabeça invisível.


São João Crisóstomo.


Ensina que as crises revelam os verdadeiros fiéis — não destroem a Igreja.


III. SÍNTESE DOGMÁTICA.


O Catecismo da Igreja Católica (n. 675–677) é claro:


Antes da vinda de Cristo, a Igreja deverá passar por uma prova final que abalará a fé de muitos”.


Essa prova:


  • não é derrota,

  • não é aniquilação,

  • é purificação.


E acrescenta:


A Igreja seguirá seu Senhor,

na sua Morte e Ressurreição”.


Aqui está o centro:


A Igreja é configurada a Cristo.


Cristo passou por:


  • obscurecimento,

  • abandono,

  • traição,

  • aparente fracasso,

  • silêncio de Deus.


Depois veio a Ressurreição.


IV. O QUE NÃO É A PURIFICAÇÃO FINAL.


Não é:


  • Destruição da Estrutura Sacramental,

  • Anulação do Papado,

  • Desaparecimento da Igreja visível.


Isso contradiz a promessa:


As portas do Inferno não prevalecerão”.


V. O QUE É ESSA PURIFICAÇÃO?


Teologicamente podemos dizer:


  1. Redução numérica possível.

  2. Perda de poder cultural.

  3. Crise de fé em larga escala.

  4. Separação entre adesão cultural e fé real.

  5. Revelação das intenções do coração.


É uma poda.


João 15: “Todo ramo que dá fruto,

Ele poda para que dê mais fruto”.


VI. DIMENSÃO MÍSTICA.


Místicos como:


  • São João da Cruz,

  • Santa Catarina de Sena,

  • Cardeal Newman,

  • Charles Journet.


Falam de uma Igreja que pode ser obscurecida externamente, mas jamais privada da Graça Essencial.


Purificação significa:


  • Perda de ilusões,

  • Queda de apoios humanos,

  • Retorno ao essencial.


VII. A LÓGICA ESCATOLÓGICA.


Antes do fim:


  • A Igreja será mais pobre,

  • mais dependente da fé,

  • menos apoiada pelo mundo.


Isso não é fracasso. É conformação à Cruz.


VIII. PERIGO ESPIRITUAL AO FALAR DISSO.


Há dois desvios:


  1. Sensacionalismo apocalíptico.

  2. Negação ingênua de qualquer crise.


Ambos erram.


A postura correta é: Sobriedade vigilante.


IX. A GRANDE QUESTÃO.


A purificação final, não é apenas evento histórico. É também processo pessoal.


Cada alma passa por:


  • Noite da fé,

  • tentação de escândalo,

  • crise de confiança.


A história da Igreja, espelha a purificação das almas.


X. O QUE DEUS PODE ESTAR FAZENDO HOJE?


Não posso afirmar que vivemos a prova final.


Mas é inegável que vivemos:


  • Secularização profunda,

  • Confusão moral,

  • Relativização da verdade,

  • Perda da Prática Sacramental.


Isso tem traços de purificação.


Mas a Igreja já passou por:


  • Arianismo (maioria episcopal confusa),

  • Corrupção renascentista,

  • Cisma do Ocidente,

  • Revolução Francesa.


E permaneceu.


XI. O CRITÉRIO DEFINITIVO.


Se a Igreja ainda:


  • Professa o Credo,

  • Celebra validamente os Sacramentos,

  • Mantém Sucessão Apostólica,

  • Conserva o Depósito da Fé,

então, Cristo permanece n’Ela.


E isso permanece.


XII. A PERGUNTA ESCATOLÓGICA NÃO É:


“Quando virá a purificação final?”


É: “Se vier hoje, eu estarei fiel?”


Agora permita-me ser direto.


Quando você pensa na Purificação Final da Igreja, o que predomina em você:


  • Temor?

  • Expectativa?

  • Esperança?

  • Indignação?

  • Curiosidade teológica?


Porque a Chave Escatológica verdadeira não é histórica.


É interior.


Desenvolva uma Teologia

do “Sofrimento Hierárquico”.


Alexandre, esse é um tema raro — e profundamente necessário.


Se não for bem compreendido, ele gera duas coisas: revolta ou idolatria.


Vou estruturar com rigor.


I. DEFINIÇÃO.


Chamemos Sofrimento Hierárquico”:


O Sofrimento Espiritual, que nasce da tensão entre amor à Igreja e fragilidade de seus Pastores.


Não é sofrimento causado por perseguição externa.


É sofrimento causado dentro da Estrutura Visível da Igreja.


Ele pode atingir:


  • Fiéis,

  • Clero,

  • Bispos,

  • até o próprio Papa.


II. FUNDAMENTO CRISTOLÓGICO.


Cristo escolheu Apóstolos frágeis.


  • Pedro negou.

  • Tomé duvidou.

  • Judas traiu.

  • Os demais fugiram.


A Estrutura Apostólica nasceu sob crise.


Logo:


Fragilidade hierárquica não é anomalia moderna.


Está no Mistério da Encarnação.


III. A IGREJA É AO MESMO TEMPO:


  1. Santa — por Cristo.

  2. Pecadora — por seus membros.

  3. Hierárquica — por Instituição Divina.


O sofrimento hierárquico nasce da colisão entre:


  • Santidade objetiva da Igreja,

  • Falibilidade subjetiva dos Pastores.


IV. FUNDAMENTO TOMISTA.


São Tomás (II-II, q. 33, a. 4) admite:


  • Correção fraterna pode ocorrer até em relação a Superiores.


Mas acrescenta:


  • Deve ser feita com reverência e caridade.


Logo:


  • Existe espaço para tensão legítima.


Mas não para desprezo.


V. MODOS DO SOFRIMENTO HIERÁRQUICO.


1. Escândalo Moral.


Quando líderes falham moralmente.


Reação errada:


  • Cinismo.


Reação correta:


  • Dor unida à oração.


2. Ambiguidade Doutrinal.


Quando há linguagem imprecisa ou prudência discutível.


Reação errada:


  • Ruptura.

  • Espírito de facção.


Reação correta:


  • Apego ao magistério constante.

  • Paciência histórica.


3. Decisões Disciplinares Difíceis.


Reação errada:


  • Rebelião emocional.


Reação correta:


  • Obediência prudente.

  • Distinção entre Dogma e Disciplina.


VI. DIMENSÃO MÍSTICA.


A Igreja participa da Paixão de Cristo.


Cristo sofreu:


  • Pelas autoridades religiosas,

  • Dentro do povo eleito,

  • Sem abandonar a missão.


O sofrimento hierárquico é participação nessa dimensão.


VII. PERIGO ESPIRITUAL.


O sofrimento mal vivido degenera em:


  1. Amargura.

  2. Orgulho intelectual.

  3. Espírito sectário.

  4. Desprezo pela Comunhão visível.


É aqui que muitos se perdem.


VIII. A VIA DOS SANTOS.


Veja:


  • Santa Catarina de Sena, exortou Papas com firmeza e reverência.

  • São Francisco de Assis, reformou sem romper.

  • Santo Atanásio, resistiu sem abandonar a Igreja.


Eles sofreram.


Não se tornaram Cismáticos.


IX. TEOLOGIA DO LIMITE.


A Hierarquia não é impecável.


Mas é constitutiva da Igreja.


Cristo não prometeu:


  • Pastores sempre prudentes.


Prometeu:


  • Assistência suficiente para que a Igreja não pereça.


O sofrimento hierárquico é confiar nisso, mesmo quando a prudência humana falha.


X. PURIFICAÇÃO PESSOAL.


Esse sofrimento revela:


  • Se nossa fé está em Cristo,

  • ou, na estabilidade psicológica da Instituição.


Quando a Instituição parece frágil, a fé deve amadurecer.


XI. O SOFRIMENTO DOS PRÓPRIOS PASTORES.


Não esqueça:


  • Bispos e Padres também sofrem hierarquicamente.


Eles vivem:


  • Pressões,

  • Divisões,

  • Ataques,

  • Incompreensão.


A caridade exige que não simplifiquemos.


XII. SÍNTESE.


O sofrimento hierárquico é:


  • Cruz Eclesial,

  • Purificação da fé,

  • Escola de humildade,

  • Teste de caridade.


Ele não destrói a Igreja.


Ele a configura ao Crucificado.


Agora vou tocar no ponto decisivo.


Sofrer pela Igreja pode nos santificar.


Mas sofrer contra a Igreja nos endurece.


Você sente que seu sofrimento diante das crises está:


  • Amadurecendo sua fé?

  • Ou, corroendo sua paz?


Essa distinção é vital.


Elevai todo este Estudo,

a um Sermão sobre “Poder e Santidade”.


Alexandre, agora falemos alto e claro.


Porque, quando se confunde poder com santidade, a Igreja adoece.


E quando se opõem, poder e santidade, a Igreja também adoece.


O problema não é o poder.


O problema é o coração que o exerce.


SERMÃO SOLENE


PODER E SANTIDADE”.


“Sabeis que os chefes das nações as dominam…
Não seja assim entre vós”

(Mt 20, 25-26)


I. O ESCÂNDALO DO PODER.


Desde o princípio, o homem deseja poder.


Poder de governar.

Poder de decidir.

Poder de influenciar.

Poder de ser reconhecido.


Mas Cristo, Rei do Universo,

não subiu a um trono dourado —

subiu a uma Cruz.


Aqui está a inversão cristã.


O mundo diz:

Poder é dominar.


Cristo diz:

Poder é servir até sangrar.


II. A ILUSÃO RELIGIOSA.


O perigo mais sutil não é o poder político.


É o poder espiritual mal compreendido.


Há quem pense:


  • Quanto maior o cargo, maior a santidade.

  • Quanto mais autoridade, mais proximidade com Deus.


Não.


A dignidade do ofício, não garante santidade pessoal.


O Papado é Santo por Instituição Divina.


O Papa não é Santo automaticamente por ocupá-lo.


O Episcopado é Sagrado.


O Bispo pode ser frágil.


A Hierarquia é divina.


O coração humano continua necessitado de conversão.


Confundir estrutura com virtude, é infantilidade espiritual.


III. O PODER NA IGREJA É SACRAMENTAL,

NÃO POSSESSIVO.


Na Igreja, o poder não é propriedade.


É participação.


Todo poder eclesial é:


  • recebido,

  • limitado,

  • ordenado ao bem das almas.


Quem o usa para si já o perverteu.


IV. SÃO JOSÉ:

AUTORIDADE SEM RUÍDO.


Ele foi:


  • Chefe da Sagrada Família,

  • Guardião do Redentor,

  • imagem criada do Pai Eterno.


E no entanto:


  • Nenhuma palavra registrada no Evangelho.

  • Ele governa em silêncio.

  • Ele decide sem espetáculo.

  • Ele protege sem se impor.


A verdadeira autoridade não precisa de palco.


V. O GRANDE CRITÉRIO.


Pergunte sempre:


Este poder conduz à Cruz ou à Autopreservação?


Se conduz à Autopreservação, é mundano.


Se conduz ao sacrifício, é evangélico.


Cristo lavou pés, antes de entregar o Corpo.


O poder cristão sempre se ajoelha, antes de se exercer.


VI. O SOFRIMENTO DO PODER SANTO.


Quem exerce autoridade com santidade sofre.


Porque:


  • não busca agradar a todos,

  • não se protege atrás de popularidade,

  • aceita ser mal compreendido.


A santidade paga preço.


O poder mundano se protege.


O poder santo se expõe.


VII. CRISES E ESCÂNDALOS.


Quando há falhas hierárquicas, muitos concluem:


O poder é o problema”.


Não.


O problema é a falta de santidade.


Eliminar a hierarquia não cria santidade.


Criaria caos.


A solução não é destruir o poder.


É purificá-lo.


VIII. A TENTAÇÃO DOS FIÉIS.


Em tempos de crise, surge outra tentação:


O desejo de poder moral.


Julgar tudo.


Controlar tudo.


Fiscalizar tudo.


Cuidado.


Pode-se denunciar abusos e, ao mesmo tempo, alimentar orgulho.


A indignação pode virar vaidade espiritual.


IX. O JUÍZO FINAL E O PODER.


No último dia, Cristo não perguntará:


“Quantos governaste?”


Perguntará:


“Quantos serviste?”


Não perguntará:


“Quantos te obedeceram?”


Mas:


“Quanto amaste?”


A hierarquia será julgada.


Os fiéis também.


Todos compareceremos.


X. A VERDADE DURA.


Poder sem santidade, corrompe.


Santidade sem obediência, desordena.


Poder unido à santidade edifica.


A Igreja precisa de:


  • Pastores santos,

  • Fiéis santos,

  • Autoridade humilde,

  • Obediência madura.


XI. A SÍNTESE.


O maior poder da Igreja não é institucional.


É a Eucaristia.


E nela, o poder se manifesta como:


  • Pão partido,

  • Sangue derramado.


Esse é o modelo.


XII. EXAME FINAL.


Pergunte a si mesmo:


Se eu tivesse poder,

eu seria mais santo

ou apenas mais visível?


Se você não governa sua língua,

não governará bem uma diocese.


Se não governa suas paixões,

não governará um povo.


O verdadeiro poder começa no domínio de si.


XIII. CONCLUSÃO.


O mundo teme perder poder.


O cristão teme perder a santidade.


Se Deus lhe der autoridade,


exerça-a como José: em silêncio, firmeza e pureza.


Se Deus não lhe der autoridade,


exerça santidade na obediência.


Porque no Céu,


os primeiros não serão os mais poderosos.


Serão os mais conformes ao Crucificado.


Agora deixo uma pergunta que decide tudo:


Se amanhã você perdesse qualquer influência ou reconhecimento,

sua fé permaneceria intacta?


A resposta a isso revela,

se seu coração ama o poder

ou ama a santidade.


2ª PARTE


O Catecismo da Igreja Católica, no nº 675-677, ensina o seguinte: "Antes do Advento de Cristo, a Igreja deve passar por uma provação final que abalará a fé de muitos crentes (Lc 18, 8; Mt 24, 12). A perseguição que acompanha a peregrinação dela na terra (Lc 21, 12; Jo 15, 19-20), desvendará o "Mistério da Iniquidade" sob a forma de uma impostura religiosa que há de trazer aos homens uma solução aparente aos seus problemas, à custa da apostasia da verdade. A impostura religiosa suprema á a do Anticristo, isto é, a de um pseudomessianismo em que o homem se glorifica a si mesmo em lugar de Deus e do seu Messias que veio na carne (2 Ts 2, 4-12; 1 Ts 5, 2-3; 1 Jo 2, 18-22).


Esta impostura anticristã já se esboça no mundo, toda vez que se pretende realizar na história a esperança messiânica que só pode realizar-se para além dela através do juízo escatológico: mesmo na sua forma mitigada, a Igreja rejeitou esta falsificação do Reino vindouro sob o nome de Milenarismo (DS 3839), sobretudo, sob a forma política de um messianismo secularizado, “intrinsecamente perverso” (Pio XII, Enc. Divini Redemptoris).


A Igreja só entrará na glória do Reino através desta derradeira Páscoa, em que seguirá seu Senhor na sua Morte e Ressurreição (Ap. 19, 1-9). Portanto, o Reino não se realizará por um triunfo histórico da Igreja (Ap 13, 8), segundo um progresso ascendente, mas por uma vitória de Deus sobre o desencadeamento último do Mal (Ap 20, 7-10), que fará a sua Esposa descer do Céu (Ap 21, 2-4). O triunfo de Deus sobre a revolta do Mal assumirá a forma do Juízo Final (Ap 20, 12), depois do derradeiro abalo cósmico deste mundo que passa (2 Pd 3, 12-13). A minha pergunta é: Como o Magistério Vivo da Igreja, os Santos Padres, os Doutores, os Teólogos, os Exegetas e os Autores Místicos desta mesma Igreja entenderam e comentaram estes ensinamentos, enriqueça com citações diretas e comentadas.


A Provação Final da Igreja

(CIC 675–677).


Leitura Patrística, Doutoral, Teológica e Mística.


Os números 675–677 do Catecismo condensam uma Tradição antiquíssima da Igreja. Eles não inventam uma Escatologia Nova: recolhem a voz da Escritura, dos Santos Padres, da Liturgia e do Magistério. O centro do ensinamento é este:


  • a Igreja deverá atravessar uma paixão histórica;

  • surgirá uma impostura religiosa anticrística;

  • haverá uma Apostasia;

  • o Reino de Deus não será instaurado por um progresso político-histórico;

  • a vitória final virá somente pela intervenção gloriosa de Cristo.


Esses textos devem ser lidos não com curiosidade apocalíptica, mas com espírito de vigilância, perseverança e esperança sobrenatural.


I. FUNDAMENTO ESCRITURÍSTICO.


O Catecismo apoia-se sobretudo em:


  • Mt 24.

  • Lc 18, 8.

  • 2 Ts 2, 1-12.

  • Ap 13 e 20.

  • 1 Jo 2, 18.

  • 2 Pd 3, 10-13.


Toda a Tradição Patrística vê nesses textos uma dupla dimensão:


  1. uma realidade permanente — o espírito do Anticristo já opera no mundo;

  2. uma consumação final — uma manifestação extrema antes da Parusia.


II. O “MISTÉRIO DA INIQUIDADE”.


São Paulo — o núcleo da doutrina: “O Mistério da Iniquidade já está em ação” (2 Ts 2, 7).


Os Santos Padres compreendem isso como uma operação histórica progressiva do mal, preparando a manifestação final do Anticristo.


III. A LEITURA DOS SANTOS PADRES.


1. Santo Irineu de Lião (séc. II).


Um dos primeiros grandes intérpretes do Anticristo.


Citação.


Quando este Anticristo tiver devastado todas as coisas neste mundo, reinará por três anos e seis meses e sentar-se-á no templo de Jerusalém; então virá o Senhor do Céu nas nuvens” (Adversus Haereses, V, 30, 4).


Comentário.


S. Irineu combate os gnósticos e insiste:


  • a história caminha para um confronto real;

  • o Anticristo é uma figura pessoal;

  • mas sua derrota será absoluta e instantânea, diante da vinda de Cristo.


Ele vê o Anticristo, como a recapitulação da soberba humana separada de Deus.


2. Hipólito de Roma.


Citação.


O enganador procurará parecer-se com o Filho de Deus. Cristo veio como cordeiro; ele virá como lobo” (De Christo et Antichristo, 6).


Comentário.


Aqui aparece um elemento central do Catecismo: o Anticristo não é mero ateísmo bruto; ele é falsificação religiosa.


Ele imita:


  • milagres,

  • messianismo,

  • paz aparente,

  • unidade política,

  • solução universal.


Mas tudo fundado, na substituição de Deus pelo homem.


3. São Cirilo de Jerusalém.


Citação.


“O verdadeiro Cristo virá do Céu; o outro virá da perdição. Aquele concederá o Reino eterno; este procurará usurpar para si a honra divina” (Catequeses, XV).


Comentário.


S. Cirilo insiste na vigilância contra seduções espirituais.


O Anticristo:


  • seduzirá até religiosos;

  • usará linguagem espiritual;

  • produzirá fascínio coletivo.


Isso ecoa diretamente Mt 24: “Se possível fosse, enganariam até os eleitos”.


4. Santo Agostinho.


Sobre a Perseguição Final.


“A Igreja peregrina, entre as perseguições do mundo e as consolações de Deus” (Cidade de Deus, XVIII, 51).


Comentário.


Talvez nenhuma frase resuma melhor o CIC 675.


A Igreja:


  • nunca entra plenamente em repouso histórico;

  • nunca identifica o Reino com civilização temporal;

  • vive sempre em tensão escatológica.


Sobre o Milenarismo.


S. Agostinho combateu fortemente interpretações carnais do Reino milenar.


Citação.


Aqueles que acreditaram em prazeres corporais imoderados após a Ressurreição, foram chamados milenaristas” (Cidade de Deus, XX, 7).


Comentário.


O Catecismo segue exatamente S. Agostinho: o Reino não é um império político terrestre, de prosperidade histórica absoluta.


IV. OS DOUTORES DA IGREJA

1. São Tomás de Aquino.


Sobre o Anticristo.


“O Anticristo é chamado homem do pecado, porque conduzirá os homens ao pecado” (Comentário à 2 Ts, cap. 2).


Comentário.


S. Tomás ensina que:


  • a apostasia nasce da desordem do amor;

  • o homem substitui Deus por si mesmo;

  • a soberba coletiva prepara o Anticristo.


Aqui se entende profundamente o Catecismo: o pseudomessianismo, é antropocentrismo absoluto.


2. São Roberto Belarmino.


Grande Teólogo da Contrarreforma.


Citação.


“O Anticristo será, o último e maior perseguidor da Igreja” (De Romano Pontifice, III).


Comentário.


Belarmino sintetiza a Tradição:


  • perseguição universal;

  • falsa religião;

  • poder político-religioso;

  • breve triunfo aparente;

  • destruição súbita pela Parusia.


V. O MAGISTÉRIO VIVO DA IGREJA.


1. Pio XII — “messianismo secularizado”.


O Catecismo cita diretamente a Divini Redemptoris.


Citação.


“O Comunismo

é intrinsecamente perverso” (Pio XII).


Comentário.


Por quê?


Porque promete:


  • salvação histórica,

  • redenção política,

  • paraíso terrestre,

  • homem novo sem Deus.


Isto é exatamente o que o Catecismo chama: “impostura religiosa”.


Mesmo quando ateu, o secularismo torna-se religião substitutiva.


2. Bento XVI.


Citação.


“Toda vez que o homem procura construir sozinho o mundo absolutamente perfeito, acaba criando o inferno” (Spe Salvi).


Comentário.


Bento XVI é profundamente agostiniano.


Ele denuncia:


  • utopias políticas;

  • tecnocracias salvíficas;

  • absolutização da ciência;

  • engenharia antropológica.


Tudo isso pode se tornar, preparação cultural para o Anticristo.


3. São João Paulo II.


Citação.


Estamos diante do maior confronto histórico, que a humanidade já experimentou” (Filadélfia, 1976).


Comentário.


S. João Paulo II via:


  • crise da verdade;

  • cultura da morte;

  • apostasia silenciosa;

  • eclipse do senso de pecado.


Ele interpretava o século XX, como intensificação do “mistério da iniquidade”.


VI. AUTORES MÍSTICOS.


1. São João da Cruz.


Embora não trate diretamente do Anticristo político, descreve a lógica espiritual da impostura.


Citação.


O Demônio se alegra muito, quando uma alma deseja revelações” (Subida do Monte Carmelo).


Comentário.


A impostura final será também mística:


  • fascínio pelo extraordinário;

  • religião sem Cruz;

  • espiritualidade sem conversão;

  • glória sem purificação.


São João da Cruz, é um antídoto contra o engano apocalíptico.


2. Santa Teresa d’Ávila.


Citação.


Nestes tempos são necessários, amigos fortes de Deus” (Vida, 15).


Comentário.


S. Teresa interpreta tempos de crise, como chamados:


  • à oração profunda;

  • à fidelidade doutrinal;

  • à fortaleza interior.


Ela não alimenta medo escatológico, mas radicalidade espiritual.


3. Santa Catarina de Sena.


Citação.


No tempo da tribulação, Deus manifestará seus servos” (Cartas).


Comentário.


A Tradição Mística vê:


  • a crise final como purificação;

  • a perseguição como peneira espiritual;

  • a fidelidade como martírio interior.


VII. O SENTIDO PROFUNDO DA “PAIXÃO DA IGREJA”.


O Catecismo afirma algo imenso: a Igreja seguirá seu Senhor, em sua própria Páscoa.


Os Santos Padres frequentemente relacionam:


  • Cristo perseguido,

  • e a Igreja perseguida.


Bossuet: “A Igreja continuará Jesus Cristo, espalhado e comunicado”.


Se Cristo:


  • foi rejeitado,

  • traído,

  • abandonado,

  • aparentemente vencido,

também a Igreja passará por algo semelhante.


Não significa destruição definitiva.


Significa conformação ao Crucificado.


VIII. O QUE A IGREJA REJEITA.


1. Milenarismo Político.


A ideia de:


  • era perfeita terrestre,

  • domínio político messiânico,

  • paraíso histórico antes do Juízo.


2. Progressismo Salvífico.


A crença de que:


  • tecnologia,

  • política,

  • economia,

  • evolução social,

produzirão redenção humana.


3. Cristianismo sem Cruz.


O Catecismo destrói toda visão triunfalista: a Igreja não vencerá pela lógica do poder mundano.


IX. INTERPRETAÇÃO ESPIRITUAL.


Os Santos Padres ensinam que o Anticristo possui também dimensão interior.


Orígenes: “Todo aquele que se opõe à verdade é anticristo”.


São Gregório Magno: “Muitos são anticristos em mistério, embora um só o seja por excelência”.


Assim:


  • toda idolatria do homem,

  • toda negação da verdade,

  • toda religião sem Cristo,

  • todo poder que exige adoração,

antecipa o Anticristo final.


X. A ESPERANÇA CATÓLICA.


O centro da Escatologia Católica, não é o Anticristo. É Cristo.


A última palavra não é:


  • perseguição,

  • apostasia,

  • caos,

  • juízo.


A última palavra é:


  • Parusia,

  • Ressurreição,

  • Nova Jerusalém,

  • Visão beatífica.


Conclusão.


O Catecismo 675–677 é profundamente:


  • Bíblico,

  • Patrístico,

  • Agostiniano,

  • Antiutópico,

  • Cristocêntrico.


Ele ensina que:


  • a história não culminará numa civilização perfeita produzida pelo homem;

  • haverá uma crise religiosa extrema;

  • a Igreja atravessará uma paixão;

  • Cristo triunfará não por evolução histórica, mas por intervenção gloriosa.


A Tradição Católica inteira insiste:


o remédio contra o espírito do Anticristo, não é especulação obsessiva, mas:


  • Fidelidade Doutrinal,

  • Vida Sacramental,

  • Oração,

  • Vigilância,

  • Humildade,

  • Perseverança na Caridade.


Como diz a Liturgia: “Anunciamos, Senhor, a vossa morte, e proclamamos a vossa ressurreição. Vinde, Senhor Jesus”.


O que a Figura Profética de Santo Elias tem haver com a Purificação Final da Igreja, e qual é a nossa parte diante da aparição deste Santo Enviado, segundo os Comentários Patrísticos?


A Figura Profética e a Purificação Final da Igreja.


Elias, Henoc e o “Santo Enviado”

na Tradição Patrística.


A Tradição Católica, especialmente Patrística e Litúrgica, sempre relacionou a purificação final da Igreja com o reaparecimento da Missão profética. Não se trata apenas de um anúncio de calamidades, mas de uma intervenção misericordiosa de Deus antes do Juízo.


No centro desta expectativa está, sobretudo, a figura de Santo Elias.


I. A BASE BÍBLICA DA EXPECTATIVA PROFÉTICA.


Malaquias 4, 5-6: “Eis que vos enviarei o Profeta Elias, antes que venha o grande e terrível Dia do Senhor. Ele reconduzirá o coração dos pais aos filhos e o coração dos filhos aos pais”.


A Tradição da Igreja sempre viu aqui:


  • Um cumprimento espiritual em São João Batista;

  • e um possível cumprimento Escatológico antes da Parusia.


Nos Evangelhos, Cristo identifica S. João Batista como vindo: “no espírito e poder de Elias” (Lc 1, 17), mas também afirma:


Elias virá e restaurará todas as coisas”

(Mt 17, 11).


Os Santos Padres entendem esta frase em sentido futuro.


II. POR QUE ELIAS?


A figura de Elias resume toda a espiritualidade profética:


  • Zelo pela glória de Deus;

  • combate à idolatria;

  • vida contemplativa;

  • solidão com Deus;

  • fogo purificador;

  • defesa da verdadeira adoração.


Ele surge justamente quando Israel mistura:


  • Verdade e erro,

  • Culto divino e paganismo,

  • Religião e poder político.


Isto é central.


Porque os Santos Padres viam a crise final exatamente assim: uma grande confusão religiosa.


III. A LEITURA DOS SANTOS PADRES.


1. Santo Efrém da Síria.


Citação.


Henoc e Elias serão enviados para confundir o Enganador e fortalecer os eleitos” (Sermão sobre o Fim).


Comentário.


Aqui aparece a função principal da Missão profética final:


  • Desmascarar a impostura do Anticristo;

  • sustentar os fiéis na tribulação.


Os Santos Padres insistem:


A crise final não será apenas política; será, sobretudo, Espiritual e Doutrinal.


Logo, Deus suscita Testemunhas proféticas.


2. Santo Hipólito de Roma.


Citação.


Henoc e Elias receberão poder para anunciar a conversão e denunciar o Adversário” (De Christo et Antichristo).


Comentário.


S. Hipólito liga as “Duas Testemunhas” do Apocalipse 11, a Elias e Henoc.


Eles aparecem:


  • Vestidos de penitência;

  • pregando conversão;

  • operando sinais;

  • enfrentando perseguição.


A Igreja primitiva via nisso: uma última convocação universal ao arrependimento.


3. Santo Agostinho.


Citação.


Não parece absurdo crer, que Elias virá antes do juízo, para restaurar os corações à fé” (Cidade de Deus, XX, 29).


Comentário.


S. Agostinho é prudente, mas aceita amplamente a Tradição recebida.


Importante:


Elias não vem fundar um reino terrestre.

Ele vem:


  • Restaurar a fé;

  • chamar à penitência;

  • preparar os fiéis, para a vinda de Cristo.


4. São Gregório Magno.


Citação.


Elias virá para trazer de volta os judeus à fé verdadeira, no fim dos tempos” (Homilias sobre os Evangelhos).


Comentário.


Muitos Santos Padres ligam Elias, à conversão escatológica de Israel (cf. Rm 11).


A lógica é profunda:


  • Elias enfrentou a apostasia de Israel;

  • Elias restaurará a fidelidade, antes da consumação final.


IV. AS “DUAS TESTEMUNHAS” DO APOCALIPSE.


Apocalipse 11.


Os Santos Padres, quase unanimemente identificaram:


  • Elias,

  • e Henoc,

como as Duas Testemunhas.


Por quê?


Porque:


  • Ambos foram arrebatados sem experimentar plenamente a morte;

  • ambos representam o Testemunho Profético Universal;

  • ambos confrontam a Corrupção do mundo.


V. A PURIFICAÇÃO FINAL DA IGREJA.


O Catecismo fala, de uma “derradeira Páscoa” da Igreja.


Os Santos Padres entendem que: antes da glorificação haverá purificação.


1. Purificação da Fé.


A crise final separará:


  • Fé autêntica,

  • religião aparente.


São Cirilo de Jerusalém: “Naquele tempo será necessário grande discernimento”.


A impostura anticrística confundirá muitos porque:


  • Parecerá religiosa;

  • parecerá moral;

  • parecerá humanitária;

  • parecerá pacificadora.


Mas terá um centro oculto: a substituição de Deus pelo homem.


2. Purificação da Adoração.


Elias sempre combateu:


  • Idolatria,

  • sincretismo,

  • culto falso.


No Carmelo, ele pergunta: “Até quando coxeareis entre dois lados?” (1 Rs 18, 21).


Os Santos Padres aplicam isso, aos últimos tempos: a humanidade tentará conciliar:


  • Cristo e mundo,

  • Evangelho e idolatria,

  • Verdade e erro.


A Missão profética, rompe essa ambiguidade.


3. Purificação pelo Sofrimento.


A Igreja seguirá Cristo:


  • Rejeição,

  • aparente derrota,

  • paixão,

  • silêncio,

  • perseverança.


São Leão Magno:

O Corpo participa da condição da Cabeça”.


Assim: a Igreja participa da Cruz, antes da glória.


VI. QUAL É A NOSSA PARTE?


Aqui os Santos Padres são extremamente concretos.


1. Permanecer na Verdadeira Fé.


São Vicente de Lérins: “Conservar o que foi crido em toda parte, sempre e por todos” (Commonitorium).


A primeira resistência ao espírito do Anticristo é: Fidelidade Doutrinal.


  • Não novidade fascinante.

  • Não curiosidade apocalíptica.

  • Não revelacionismo desordenado.


Mas:


  • Escritura,

  • Tradição,

  • Magistério.


2. Vida de Penitência.


Elias aparece sempre associado:


  • ao jejum,

  • à austeridade,

  • à oração.


Santo Efrém:

A penitência será o escudo dos justos”.


Os Santos Padres dizem: os tempos de confusão, exigem almas purificadas.


3. Discernimento Espiritual.


São João da Cruz:

Nem toda luz vem de Deus”.


A impostura final seduzirá:


  • pela emoção,

  • pelo extraordinário,

  • pela falsa espiritualidade.


Por isso:


  • humildade;

  • direção espiritual;

  • obediência eclesial;

  • prudência.


4. Coragem no Testemunho.


Elias ficou aparentemente sozinho.


Só eu fiquei” (1 Rs 19, 10).


Os Santos Padres aplicam isso aos tempos finais:


  • Muitos sentirão isolamento espiritual.

  • Mas Deus preserva um “resto fiel”.


VII. O SENTIDO MÍSTICO DE ELIAS.


Na Tradição Carmelita, Elias não é apenas personagem histórico.


Ele é:


  • Arquétipo da alma contemplativa;

  • fogo de amor divino;

  • defensor da pureza do culto;

  • homem da escuta do “murmúrio suave”.


A purificação final será vencida, não principalmente pela força política, mas por:


  • Santidade,

  • contemplação,

  • fidelidade interior.


VIII. O “SANTO ENVIADO”.


A Igreja nunca definiu dogmaticamente:


  • se Elias aparecerá literalmente;

  • ou como exatamente ocorrerá sua missão.


Mas a Tradição é amplíssima.


O importante não é curiosidade cronológica.


É compreender o princípio espiritual: Deus nunca abandona sua Igreja.


Antes dos maiores juízos, Ele envia Profetas.


IX. APLICAÇÃO ESPIRITUAL.


A Missão profética continua na Igreja:


  • Santos,

  • Mártires,

  • Contemplativos,

  • Pregadores da verdade.


Toda alma verdadeiramente unida a Deus participa, em certo grau, do espírito de Elias.


Conclusão.


Segundo os Santos Padres:


  • A Purificação Final da Igreja, envolverá grande combate espiritual;

  • Elias e as Testemunhas proféticas, representam a última convocação divina à conversão;

  • o espírito do Anticristo consiste, na glorificação do homem no lugar de Deus;

  • a Missão profética, é restaurar a verdadeira adoração.


Nossa parte é:


  • Permanecer na Fé Católica integral;

  • viver em estado de conversão;

  • discernir os espíritos;

  • resistir ao erro;

  • cultivar oração profunda;

  • perseverar na Caridade, mesmo em meio à confusão.


Como Elias no Carmelo, a Igreja dos últimos tempos repetirá:


O Senhor é Deus! O Senhor é Deus!” (1 Rs 18, 39).


E como a Esposa no Apocalipse:


Vem, Senhor Jesus” (Ap 22, 20).


Diante da Purificação Final da Igreja, da importante Missão Profética de Santo Elias nos finais dos tempos, eu pergunto: Qual a importância da Virgem-Mãe de Deus nestes últimos tempos, será Ela a Grande Generalíssima que comandará essa resistência ao Mal e a vitória da Igreja de Deus nestes momentos tão conturbados? Devemos seguir as suas ordens?


A Virgem Maria e a Purificação Final da Igreja.


A Mulher Revestida de Sol e a Resistência Escatológica da Igreja.


A Tradição Católica — Bíblica, Patrística, Litúrgica e Mística — contempla a Santíssima Virgem como figura central, no combate espiritual da Igreja peregrina. Contudo, é necessário compreender isso corretamente, sem exageros apocalípticos, nem sentimentalismos desvinculados da doutrina.


Maria não substitui Cristo.


Ela conduz inteiramente a Cristo.


Toda a sua Missão consiste em:


  • Gerar Cristo,

  • formar Cristo nas almas,

  • proteger os membros do Corpo de Cristo,

  • esmagar o reino do pecado, pela total submissão a Deus.


Por isso, nos tempos de maior confusão, a Igreja sempre voltou os olhos para Ela.


I. A BASE BÍBLICA.


1. Gênesis 3, 15 — a Mulher e a Serpente.


Porei inimizade entre ti e a Mulher, entre a tua descendência e a d’Ela” (Gn 3, 15).


Os Santos Padres viram aqui:


  • A primeira promessa messiânica;

  • e também a participação singular da Mulher na vitória sobre Satanás.


Santo Irineu: “O nó da desobediência de Eva, foi desatado pela obediência de Maria” (Adversus Haereses, III, 22, 4).


Comentário.


Eva cooperou na queda.


Maria coopera na restauração.


Assim, a Tradição vê Maria:


  • não como origem da Redenção;

  • mas como colaboradora perfeita da Obra de Cristo.


2. Apocalipse 12 — a Mulher Revestida de Sol.


Apareceu um grande sinal no céu:

uma Mulher revestida de sol”

(Ap 12, 1).


A Tradição Católica vê nesta Mulher:


  • Maria;

  • a Igreja;

  • e a figura da Comunidade dos fiéis.


São Bernardo de Claraval: “Ela é a Estrela, que guia os navegantes neste mar tempestuoso”.


Comentário.


Os Místicos frequentemente aplicam Ap 12, aos tempos de perseguição:


  • o Dragão combate a Mulher;

  • mas Deus A protege;

  • e permanece um “resto” fiel.


Isto harmoniza profundamente com o Catecismo 675–677.


II. MARIA NA BATALHA ESPIRITUAL.


1. Ela é a “Nova Eva”.


Santo Efrém da Síria: “Por Eva veio a morte; por Maria veio a Vida”.


A lógica Patrística é clara:


  • onde Satanás triunfou por uma mulher,

  • Deus humilha Satanás pela humildade de outra Mulher.


Por isso a Tradição Mariana, possui dimensão profundamente Escatológica.


2. Ela Combate pela Humildade.


O espírito do Anticristo é:


  • Soberba,

  • autoglorificação,

  • autonomia absoluta do homem.


Maria é o contrário absoluto:


  • Humildade,

  • obediência,

  • adoração,

  • silêncio contemplativo.


São Luís Maria Grignion de Montfort.


Citação.


Nos últimos tempos, Maria deve resplandecer mais do que nunca em misericórdia, força e graça”.


E ainda:


Será sobretudo, contra os últimos e cruéis perseguidores da Igreja, que Maria deverá manifestar seu poder” (Tratado da Verdadeira Devoção).


Comentário.


S. L. M. G. de Montfort vê os últimos tempos, como confronto entre:


  • Orgulho satânico;

  • e humildade mariana.


Não se trata de triunfalismo político.


Mas de formação de almas, inteiramente pertencentes a Deus.


III. MARIA COMO “GENERALÍSSIMA”?


A linguagem de “Generalíssima” aparece em muitos autores espirituais e na piedade católica. Ela expressa uma verdade:


Maria exerce papel Maternal e Régio, no combate espiritual da Igreja.


Contudo, deve-se compreender corretamente:


  • Cristo é o único Rei absoluto;

  • Cristo é o Único Mediador necessário;

  • Cristo é o Vencedor essencial.


Maria participa subordinadamente:


  • como Mãe;

  • Rainha;

  • Intercessora;

  • Protetora dos fiéis.


São Bernardo: “Nunca se ouviu dizer, que alguém tenha recorrido a vossa proteção e fosse desamparado”.


Venerável Pio XII: “Maria é Rainha, não somente por ser Mãe de Deus, mas porque, associada como Nova Eva ao Novo Adão” (Ad Caeli Reginam).


IV. ELIAS E MARIA.


Há uma relação espiritual profundíssima, entre Elias e Maria na Tradição Carmelita.


1. Elias Prepara a Pureza do Culto.


No Carmelo:


  • Elias combate Baal;

  • restaura o altar;

  • faz descer o fogo.


Maria:


  • Torna-se o verdadeiro Altar vivo;

  • porta o próprio Fogo Divino Encarnado.


2. A “Pequena Nuvem”.


Os Santos Padres e os Carmelitas, frequentemente viram na pequena nuvem de 1 Rs 18:


  • A figura de Maria;

  • da qual viria a chuva da Graça.


São João da Cruz.


Os Carmelitas contemplam Maria como:


  • Fruto perfeito do espírito de Elias;

  • Plenitude da contemplação carmelita.


V. “DEVEMOS SEGUIR SUAS ORDENS?”


A resposta precisa ser cuidadosamente formulada.


Sim — se entendermos corretamente.


A Igreja nunca ensina uma obediência paralela ao Evangelho ou acima do Magistério.


Maria nunca conduz:


  • Fora da Igreja;

  • fora dos Sacramentos;

  • fora da Revelação Pública;

  • fora da Obediência legítima.


O verdadeiro papel de Maria é repetir: “Fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2, 5).


Toda autêntica devoção mariana:


  • Aumenta a fidelidade a Cristo;

  • aumenta a Obediência à Igreja;

  • aumenta a Vida Sacramental;

  • aumenta a Pureza da Fé.


VI. O QUE SIGNIFICA “SEGUIR MARIA”

NOS TEMPOS FINAIS?


Segundo os Santos:


1. Viver em Estado de Conversão.


Maria em Fátima:


  • Penitência;

  • Oração;

  • Reparação;

  • Rosário.


Nada de sensacionalismo.


Nada de curiosidade mórbida.


2. Permanecer Fiel à Doutrina.


Maria nunca legitima:


  • Rebeldia doutrinal;

  • desobediência Eclesial;

  • fanatismo apocalíptico.


3. Vida Contemplativa.


A vitória da Igreja nasce da Santidade.


Maria é:


  • Silêncio;

  • escuta;

  • adoração;

  • perseverança junto à Cruz.


VII. A RESISTÊNCIA FINAL SERÁ MARIANA?


Em profundo sentido espiritual: Sim!


Porque a resistência ao espírito do Anticristo será:


  • Fidelidade;

  • pureza;

  • humildade;

  • maternidade espiritual;

  • adoração do verdadeiro Deus Encarnado.


Tudo isso é eminentemente mariano.


VIII. O “RESTO FIEL”.


Apocalipse 12 diz: “O dragão foi fazer guerra ao resto da descendência da Mulher” (Ap 12, 17).


Os Padres frequentemente interpretam:


  • a Mulher = Maria e Igreja;

  • o resto = os fiéis perseverantes.


Portanto:


a dimensão mariana da Igreja, torna-se particularmente luminosa em tempos de perseguição.


IX. O TRIUNFO FINAL.


O triunfo não será:


  • Político;

  • ideológico;

  • meramente cultural.


Será:


  • Triunfo de Cristo;

  • através da Cruz;

  • manifestado na fidelidade dos Santos.


Maria participa dessa vitória porque: Ela permaneceu de pé junto à Cruz, quando quase todos fugiram.


Conclusão.


Segundo a Tradição Católica:


  • Maria possui papel central na luta espiritual da Igreja;

  • Ela é a Mulher profetizada desde Gênesis e contemplada em Apocalipse 12;

  • sua Missão é formar os fiéis, para permanecerem unidos a Cristo na grande tribulação;

  • a espiritualidade mariana, é profundamente importante nos tempos de apostasia e confusão.


Mas é essencial compreender:


Maria nunca substitui Cristo.


Ela conduz radicalmente a Cristo.


Seguir Maria” significa:


  • Obedecer ao Evangelho;

  • permanecer na Igreja;

  • viver os Sacramentos;

  • Rezar;

  • fazer Penitência;

  • perseverar na Caridade;

  • manter-se fiel até a Cruz.


Como dizia São Luís de Montfort: “Maria é o caminho mais seguro, mais curto e mais perfeito para chegar a Jesus Cristo” (Tratado da Verdadeira Devoção a Maria Santíssima).


Formulai-me uma Oração Final sobre todo este Estudo, tendo como base a Missão Escatológica de Elias e da Virgem Maria no Triunfo Glorioso da Igreja e de Jesus Cristo.


ORAÇÃO FINAL.


Ó Deus Eterno e Todo-poderoso,

Senhor dos exércitos celestes,

Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo,

que conduzis a história dos homens

através dos abismos, das tribulações,

até o esplendor do vosso Reino Eterno,

nós Vos adoramos

e reconhecemos:

somente Vós sois o Santo,

somente Vós sois o Rei,

somente Vós sois o Vencedor do Dragão antigo,

da mentira e da morte.


Em meio às trevas deste mundo vacilante,

quando tantos corações se deixam seduzir

pelo espírito da soberba,

pela confusão das falsas doutrinas

e pelo fascínio das imposturas anticrísticas,

levantai novamente em vossa Igreja

o espírito ardente do Profeta Elias.


Dai-nos o zelo santo

daquele homem abrasado pelo fogo divino,

que permaneceu firme

quando os altares da Verdade eram profanados,

quando os poderosos perseguiam os justos,

e quando quase toda a terra

parecia curvar-se diante dos ídolos.


Fazei-nos ouvir novamente,

no silêncio do coração purificado,

o suave murmúrio da vossa Presença,

para que não sejamos vencidos

nem pelo medo,

nem pelo engano,

nem pela sedução deste século.


Ó Santo Elias,

profeta do Carmelo,

Pai dos Contemplativos,

Defensor da glória do Deus Vivo,

ensinai-nos a permanecer de pé

diante da apostasia,

firmes na Verdade Católica,

constantes na Oração,

austeros na Penitência,

e inflamados de Amor por Jesus Cristo.


Guardai a Igreja peregrina

na hora da derradeira provação,

para que jamais troque

a Cruz do Cordeiro

pelas promessas ilusórias do mundo.


E Vós,

ó Virgem Santíssima,

Mulher revestida de sol,

Rainha do Carmelo,

Nova Eva,

Arca da Nova Aliança,

Terror dos Demônios

e Mãe da Igreja fiel,

acolhei-nos sob vosso Manto Imaculado.


Vós que esmagastes a antiga Serpente

pela humildade perfeita,

levantai um povo santo

inteiramente consagrado ao vosso Filho,

puro na Fé,

firme na Esperança

e ardente na Caridade.


Ó Maria,

Estrela da evangelização

e Consoladora dos aflitos,

sustentai os Sacerdotes,

fortalecei os Mártires ocultos,

protegei os pequenos,

reuni os dispersos,

iluminai os confundidos

e despertai os adormecidos.


Fazei florescer novamente

na Igreja dos últimos combates

as almas interiores,

adoradoras,

silenciosas,

penitentes,

consumidas de Amor pelo Crucificado.


Que jamais procuremos

um triunfo humano sem Cruz,

uma glória sem purificação,

um reino terrestre sem eternidade.


Antes,

concedei-nos permanecer fiéis

até o fim,

mesmo nas noites mais densas,

certos de que o Cordeiro Imolado

já venceu o mundo.


Então,

quando vier o grande Dia do Senhor,

e a Esposa descer ornada do Céu,

possamos cantar com todos os Santos,

com Elias,

com os Apóstolos,

com os Mártires,

com os Profetas,

e convosco, ó Mãe Santíssima:

Ao que está sentado no trono

e ao Cordeiro,

louvor, honra, glória e poder

pelos séculos dos séculos”.


Vinde, Senhor Jesus.


Amém.


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