BLOG CATÓLICO PARA OS CATÓLICOS.

BLOG CATÓLICO, PARA OS CATÓLICOS.

"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Milhares de olhos voltados para a menina de Deus



ZP12121003 - 10-12-2012


Testemunho extraordinário de Gianna Jessen 
numa paróquia romana

Por Gaia Bottino

ROMA, segunda-feira, 10 de dezembro de 2012 (ZENIT.org) - Gianna Jessen é uma figura bem conhecida nas realidades dos movimentos em favor da vida, e no encontro em que ela foi protagonista no passado dia 4 de dezembro na paróquia Gran Mãe de Deus no Ponte Milvio, estavam presentes mais de mil pessoas, na maioria jovens, desejosos de escutar a história desta pequena mulher com olhos iluminados de uma alegria fora do normal, de como conseguiu transformar a sua vida numa obra prima.

Gianna Jessen tornou-se o símbolo do movimento pro-vida nos Estados Unidos. A sua história pessoal, que inspirou o filme October Baby, tem o sabor de milagre: há 35 anos, nasceu Gianna viva em uma clínica de aborto ligada à associação Planned Parenthood; sua mãe, então 17 anos de idade e no sétimo mês de gravidez, tinha sido aconselhada para abortar por meio do aborto salino que consiste na injeção no útero de uma solução salina que corroe o feto e o leva à morte em 24 horas.

Apesar dos planos humanos, Gianna vê a luz como decidido pelos projetos da Providência: a técnica do aborto salino não funcionou com o bebê e nasceu viva depois de 18 horas, ainda que a falta de oxigênio dentro do útero tenha provocado nela uma paralisia cerebral e muscular. No entanto Gianna aprendeu a caminhar com tutores aos três anos, aos vinte anos conseguiu caminhar sem tutor até correr no 2006 na maratona de Nova York para sensibilizar a opinião pública sobre o tema do aborto.

Gianna perdoou a sua mãe por ter tentado abortá-la: a sua dor se transformou em esperança, a sua raiva em desejo de realizar uma missão que está se revelando a vocação da sua vida: obter a igualdade de direitos do nascituro, bem como para a mulher que o concebeu.

"Se o aborto é uma questão de direitos da mulher, onde estavam os meus? - Perguntou Gianna com voz firme diante dos milhares presentes no Ponte Milvio -. Não existe nenhuma feminista que protesta porque os meus direitos foram violados e a vida foi sufocada em nome dos direitos das mulheres?".

O único propósito de Gianna que se chama "a criança de Deus" é o de fazer sorrir o Criador: “Odiaram-me desde a concepção. Mas tenho sido amada por muitas outras pessoas e especialmente por Deus. Sou a sua menina. Eu não posso estar neste mundo sem dar todo o meu coração, a minha mente, a minha alma e a minha força para Cristo que me deu a vida”.

A Beata Madre Teresa de Calcutá, disse isso sobre o testemunho de Gianna Jessen: “Deus está usando Gianna para lembrar ao mundo que cada ser humano é precioso para Ele. É bonito ver a força do amor de Jesus derramado em seu coração. A minha oração por Gianna, e por todos aqueles que a escutam, é que a mensagem do amor de Deus coloque fim ao aborto com o poder do amor”.

Gianna mostra a sua fé através de suas palavras e ações: deu provas de como Deus pode manifestar-se através das obras de um ser humano; a tarefa mais elevada à qual um indivíduo pode aspirar.

(Trad.TS)

http://www.zenit.org/article-31936?l=portuguese




Gianna. Abortada... e Viva para Contar Sobre Isso.





quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

O PEQUENO NÚMERO DOS QUE SÃO SALVOS.

São Leonardo de Porto Maurício, O.F.M.


São Leonardo de Porto Maurício era um frade franciscano muito santo, que viveu no mosteiro de São Boaventura, em Roma. Ele foi um dos maiores missionários na história da Igreja. Ele costumava pregar para milhares de pessoas na praça de cada cidade e pequeno povoado, onde as igrejas não comportavam a quantidade de seus ouvintes. Tão brilhante e santa era a sua eloquência que uma vez quando ele estava em uma missão de duas semanas em Roma, o Papa e o Colégio dos Cardeais foram ouvi-lo. A Imaculada Conceição da Santíssima Virgem, a adoração do Santíssimo Sacramento e a veneração do Sagrado Coração de Jesus foram suas cruzadas. Ele foi um dos grandes responsáveis pela definição do conceito da Imaculada Conceição que somente apareceu pouco mais de cem anos após sua morte. Ele também nos deu o louvor Divino, que se diz no final da Bênção. Mas o trabalho mais famoso de São Leonardo foi sua devoção à Via Sacra. Ele teve uma morte santa em seu septuagésimo quinto ano, após 24 anos de pregação contínua.

Um dos sermões mais famosos de São Leonardo de Porto Maurício era "O pequeno número dos que são salvos." Foi o que ele empregou para a conversão de grandes pecadores. Este sermão, como seus outros escritos, foi submetido a exame canônico durante o processo de canonização. Nele, ele analisa os vários estados de vida dos cristãos e conclui com o pequeno número daqueles que são salvos, em relação à totalidade.

O leitor que meditar sobre este texto notável irá captar a solidez da sua argumentação, o que lhe conferiu a aprovação da Igreja. Aqui está o sermão vibrante e comovente do grande missionário.

Introdução

Graças à Deus, o número de discípulos do Redentor não é tão pequeno que a maldade dos escribas e fariseus seja capaz de triunfar sobre eles. Embora eles se esforcem para caluniar a inocência e para enganar a multidão com seus sofismas traiçoeiros por desacreditar a doutrina e o caráter de nosso Senhor, achando manchas mesmo sob o sol, muitos ainda o reconhecem como o verdadeiro Messias, e, sem medo de quaisquer castigos ou ameaças, aderem abertamente a sua causa. Será que todos aqueles que seguem a Cristo O seguirão até a glória? Oh, aqui é onde eu reverencio o mistério profundo, e em silêncio adoro os abismos dos decretos divinos, ao invés de, precipitadamente, decidir sobre um ponto tão importante! O assunto que será tratado hoje é muito grave; tem causado até mesmo tremores nos pilares da Igreja, encheu os maiores Santos como de terror e povoou os desertos com eremitas. O objetivo desta preleção é para decidir se o número de cristãos que são salvos é maior ou menor do que o número de cristãos que são condenados; ela irá, espero, produzir em você um medo salutar dos juízos de Deus.

Irmãos, por causa do amor que tenho por vocês, eu desejaria ser capaz de tranquilizá-los com a perspectiva da felicidade eterna, dizendo a cada um de vocês: Você vai para o paraíso; o maior número de cristãos é salvos, então você também será salvo. Mas como posso lhe dar essa garantia doce se você se revolta contra os decretos de Deus como se você fosse o seu pior inimigo? Observo em Deus um sincero desejo de salvá-lo, mas vejo em você uma inclinação decidida de ser condenado. Então o que eu faço hoje se falar claramente? Eu serei desagradável para você. Mas se eu não falo, eu serei desagradável para Deus.

Por isso, vou dividir esta preleção em dois pontos. No primeiro, para enchê-lo de medo, eu deixarei os teólogos e Padres da Igreja decidirem e declarar que o maior número de cristãos adultos são condenados, e, em adoração silenciosa desse terrível mistério, vou guardar meus sentimentos para mim mesmo. No segundo ponto tentarei defender a bondade de Deus versus a maldade, provando-lhe que aqueles que são condenados o são por sua própria maldade, porque queriam ser condenados. Então, aqui estão duas verdades muito importantes. Se a primeira verdade assusta você, não aponte-a contra mim, como se eu quisesse fazer o caminho do céu mais estreito para você, pois eu quero ser neutro nesta matéria; mas sim, aponte-a contra os teólogos e Padres da Igreja, que vão gravar esta verdade em seu coração pela força da razão. Se você ficar desiludido com a segunda verdade, dê graças a Deus por ela, pois Ele quer apenas uma coisa: que você dê o seu coração totalmente a Ele. Finalmente, se você obrigar-me a dizer-lhe claramente o que penso, vou fazê-lo para a sua consolação.

O ensinamento dos Padres da Igreja

Não é vã curiosidade, mas precaução salutar proclamar a partir da altura do púlpito certas verdades que servem maravilhosamente para conter a indolência de libertinos, que estão sempre falando sobre a misericórdia de Deus e sobre o quão fácil é converter, aqueles que vivem mergulhados em todos os tipos de pecados e estão profundamente dormindo na estrada para o inferno. Para desiludi-los e despertá-los de seu torpor, hoje vamos examinar essa grande questão: O número de cristãos que são salvos é maior que o número de cristãos que são condenados?

Almas piedosas, vocês podem sair; este sermão não é para vocês. Seu único objetivo é conter o orgulho dos libertinos que tiram o santo temor de Deus de seus corações e unem forças com o diabo que, de acordo com o sentimento de Eusébio, condena as almas tranquilizando-as. Para sanar esta dúvida, vamos colocar os Padres da Igreja, tanto os gregos quanto os latinos, de um lado; por outro lado, os mais doutos teólogos e historiadores eruditos, e vamos colocar a Bíblia no meio para que todos possam ver. Agora não ouçam o que eu vou dizer para vocês - porque eu já lhes disse que eu não quero falar por mim mesmo ou decidir sobre o assunto - mas escutem o que essas grandes mentes têm para lhes dizer, eles que são os faróis na Igreja de Deus para dar luz aos outros, para que eles não percam a estrada para o céu. Desta forma, guiado pela tripla luz da autoridade, fé e razão, seremos capazes de resolver esta grave questão com certeza.

Note bem que não há questão aqui da raça humana como um todo, nem de todos os católicos tomados sem distinção, mas apenas dos católicos adultos, que têm livre escolha e são, portanto, capazes de cooperar na grande questão da sua salvação. Primeiro, vamos consultar os teólogos reconhecidos como os que examinam as coisas com mais cuidado e não exageram no seu ensino: vamos ouvir dois mestres cardeais, Caetano e Belarmino. Eles ensinam que o maior número de cristãos adultos são condenados, e se eu tivesse o tempo necessário para apontar as razões em que baseiam-se, você mesmo convencer-se-ia disso. Mas vou limitar-me aqui a citar Suarez. Após consultar todos os teólogos e fazer um estudo diligente do assunto, ele escreveu: "O sentimento mais comum que se percebe é que, entre os cristãos, há mais almas condenadas do que almas salvas."

Adicionando a autoridade dos Padres gregos e latinos ao dos teólogos, descobre-se que quase todos eles dizem a mesma coisa. Este é o sentimento de São Teodoro, São Basílio, São Efrém, e São João Crisóstomo. Além do mais, de acordo com Baronius, esta era uma opinião comum entre os Padres gregos, pois esta verdade foi expressamente revelada a São Simeão Estilita, e que após esta revelação, para garantir a sua salvação, ele decidiu viver em pé em cima de um pilar por 40 anos, exposto ao tempo; um modelo de penitência e santidade para todos. Agora, vamos consultar os Padres latinos. Você vai ouvir São Gregório dizer claramente: "Muitos alcançam a fé, mas poucos o reino celestial". São Anselmo declara: "São poucos os que são salvos." Santo Agostinho afirma ainda mais claramente: "Portanto, poucos são salvos em comparação com os que são condenados." O mais terrível, porém, é São Jerônimo. No final de sua vida, na presença dos seus discípulos, ele disse estas palavras terríveis: "De cem mil pessoas cujas vidas sempre foram ruins, você vai encontrar provavelmente uma digna de indulgência".

As palavras da Sagrada Escritura

Mas por que buscar as opiniões dos Padres e teólogos, quando a Sagrada Escritura esclarece a questão de forma tão clara? Olhe para o Antigo e o Novo Testamento, e você vai encontrar uma infinidade de figuras, símbolos e palavras que apontam claramente para esta verdade: pouquíssimos são salvos. No tempo de Noé, toda a raça humana foi submersa pelo Dilúvio, e apenas oito pessoas foram salvas na Arca. São Pedro diz: "Esta arca é a figura da Igreja", enquanto Santo Agostinho acrescenta: "E estas oito pessoas que foram salvas significa que pouquíssimos cristãos são salvos, porque existem pouquíssimos os que sinceramente renunciam ao mundo, e aqueles que renunciam a ele apenas em palavras não pertencem ao mistério representado pela arca." A Bíblia também diz-nos que apenas dois hebreus de dois milhões entraram na Terra Prometida depois de sair do Egito; e que apenas quatro escaparam do fogo de Sodoma e das outras cidades ardentes, que com ela morreram. Tudo isso significa que o número de condenados, que será lançado no fogo como palha é muito maior que os que se salvarão, a quem o Pai celestial um dia ajuntará em Seus celeiros como o trigo precioso.

Eu não concluiria se tivesse que apontar todas as figuras pelas quais a Sagrada Escritura confirma esta verdade, vamo-nos contentar em escutar o oráculo vivo de Sabedoria encarnada. O que Nosso Senhor respondeu ao homem curioso do Evangelho, que perguntou-Lhe: "Senhor, são poucos somente os que serão salvos?" Ele manteve-se calado? Ele respondeu hesitante? Ele escondeu seu pensamento, com medo de assustar a multidão? Não. Questionado por um só, Ele dirige-se a todos os presentes. Ele diz-lhes: "Você me pergunta se somente poucos se salvarão?” Aqui está Minha resposta: "Esforce-se para entrar pela porta estreita, pois muitos, eu vos digo, procurarão entrar e não conseguirão." Quem fala aqui? Ele é o Filho de Deus, a Verdade Eterna, que em outra ocasião diz ainda mais claramente: "Muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos." Ele não diz que todos são chamados e que, de todos os homens, poucos são os escolhidos, mas que muitos são chamados, o que significa, como São Gregório explica, que, de todos os homens, muitos são chamados à verdadeira fé, mas de todos eles apenas alguns são salvos. Irmãos, estas são as palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo. São claras? Elas são verdadeiras. Diga-me agora se é possível para você ter fé em seu coração e não tremer.

Salvação nos vários estados da vida

Mas oh, eu vejo que ao falar desta forma de todos em geral, estou deixando de lado o meu ponto de vista. Por isso, vamos aplicar esta verdade a várias situações, e você entenderá que deve ou jogar fora a razão, experiência, e o senso comum dos fiéis, ou confessar que o maior número de católicos é condenado. Há alguma condição no mundo mais favorável à inocência onde a salvação parece ser mais fácil e de que as pessoas tenham em mais alta consideração do que a de sacerdotes, os tenentes de Deus? À primeira vista, quem não pensaria que a maioria deles não são apenas bons, mas mesmos perfeitos; ainda fico horrorizado quando ouço São Jerônimo declarando que, embora o mundo esteja cheio de padres, somente um em cada cem está vivendo de uma maneira que esteja em conformidade com a sua situação; quando eu ouço um servo de Deus testemunhando o que aprendeu por revelação, que o número de sacerdotes que cai no inferno a cada dia é tão grande que parecia impossível para ele que houvesse sido deixado algum sobre a terra; quando eu ouço São Crisóstomo exclamando com lágrimas nos olhos, "Eu não acredito que muitos padres são salvos; eu acredito o contrário, que o número daqueles que são condenados é maior."

Olhe mais longe ainda, e veja os prelados da Santa Igreja, os pastores que têm o encargo das almas. É o número daqueles que são salvos entre eles maior do que o número daqueles que são condenados? Ouça Cantimpré; ele vai relatar um evento, e você pode tirar as conclusões. Houve um sínodo realizado em Paris, e um grande número de prelados e pastores que tinham o encargo de almas estavam presentes; o rei e os príncipes também compareceram para acrescentar brilho aquela assembleia por suas presenças. Um famoso pregador foi convidado para pregar. Enquanto ele estava preparando seu sermão, um demônio horrível apareceu para ele e disse, "Deixe seus livros de lado. Se você quiser dar um sermão que será útil a estes príncipes e prelados, contente-se em dizer-lhes que da nossa parte, ‘Nós os príncipes das trevas, agradecemos aos príncipes, prelados, e pastores de almas, que, devido à sua negligência, o maior número de fiéis são condenados; também, estamos guardando uma recompensa para vocês, por esse favor, quando estiverem conosco no inferno.’


Ai de vós que comandam outros! Se tantos são condenados por sua culpa, o que vai acontecer com você? Se alguns dos que estavam na primeira Igreja de Deus estão salvos, o que vai acontecer com você? Pegue todas as situações, ambos os sexos, todas as condições: maridos, esposas, viúvas, mulheres jovens, homens jovens, soldados, mercadores, artesãos, ricos e pobres, nobres e plebeus. O que somos nós para falar de todas essas pessoas que estão vivendo tão mal? A seguinte narrativa de São Vicente Ferrer vai esclarecer o que você pode pensar sobre isso. Ele relata que um arquidiácono de Lyon desistiu de seu cargo e se retirou para um lugar deserto para fazer penitência, e que morreu no mesmo dia e hora que São Bernardo. Após sua morte, ele apareceu ao seu bispo e disse-lhe: "Sabe, Monsenhor, que na mesma hora em que eu morri, 33.000 pessoas também morreram. Desse total, Bernard e eu fomos para o céu sem demora, três foram para o purgatório, e todos os outros caíram no Inferno."

Nossas crônicas relatam um acontecimento ainda mais terrível. Um de nossos irmãos, bem conhecido por sua doutrina e santidade, estava pregando na Alemanha. Ele demonstrou a feiura do pecado da impureza de maneira tão forte que uma mulher caiu como morta de tristeza na frente de todos. Então, voltando à vida, ela disse, "Quando eu era apresentada perante o Tribunal de Deus, 60 mil pessoas chegaram ao mesmo tempo de todas as partes do mundo; desse número, três foram salvos por ir para o Purgatório, e todo o resto foi condenado."

Oh abismo dos juízos de Deus! De 30 mil, apenas cinco foram salvas! E de 60 mil, apenas três foram para o céu! Vocês pecadores que estão me ouvindo, em qual categoria vocês vão estar?... O que vocês dizem?... O que vocês acham?...

Vejo quase todos vocês abaixando a cabeça, cheios de espanto e horror. Mas vamos colocar nosso estupor de lado, e, em vez de lisonjear-nos, vamos tentar tirar algum proveito do nosso medo. Não é verdade que há duas estradas que levam ao céu: inocência e arrependimento? Agora, se eu mostrar-lhe que pouquíssimos tomam qualquer uma destas duas estradas, como pessoas racionais concluiremos que pouquíssimos são salvos. E para provar: em qual idade, emprego ou condição você vai notar que o número de ímpios é cem vezes maior que o das pessoas de bem, e sobre os quais pode-se dizer, "Os bons são tão raros e os ímpios são tão maiores em número"? Poderíamos dizer dos nossos tempos o que Salvianus disse do dele: é mais fácil encontrar uma multidão incontável de pecadores imersos em todos os tipos de iniquidades que alguns homens inocentes. Quantos servidores são totalmente honestos e fiéis em seus deveres? Quantos comerciantes são justos e equitativos em seu comércio; quantos artesãos exatos e verdadeiros; quantos vendedores desinteressados ​​e sinceros? Quantos homens da lei não se esquecem da justiça? Quantos soldados não pisam na inocência; quantos patrões não retém injustamente o salário daqueles que os servem, ou não procuram dominar os seus empregados? Em todos os lugares, os bons são raros e os maus são em grande número. Quem não sabe que hoje existe tanta libertinagem entre os homens maduros, a permissividade entre as jovens, a vaidade entre as mulheres, a libertinagem na nobreza, a corrupção na classe média, a separação no povo, o descaramento entre os pobres, que se poderia dizer o que David disse de sua época: "Todos os iguais se desencaminharam... não há mesmo quem faça o bem, nem um sequer."

Vá para a rua e a praça, para o palácio e a casa, para a cidade e o campo, ao tribunal e fórum, e até mesmo ao templo de Deus. Onde encontrará a virtude? "Ai de mim!" grita Salvianus, "exceto por um número muito pequeno que foge do mal, o que é a comunidade de cristãos senão um antro de vícios?" O que podemos encontrar em toda parte é o egoísmo, ambição,  gula, e luxo. Não está a maior parte dos homens contaminados pelo vício da impureza, e não está São João correto, dizendo: "O mundo inteiro - se algo tão sujo pode ser aplicado - "está sentado na maldade?" Eu não sou o único que está dizendo-lhe, a razão obriga você a acreditar que com exceção daqueles que vivem tão mal, pouquíssimos são salvos.

Mas você vai dizer: Não é possível a penitência reparar a perda da inocência? Isso é verdade, eu admito. Mas também sei que a penitência é tão difícil na prática, perdemos o hábito tão completamente, e é tão mal empregada por pecadores, que só isto deveria ser suficiente para convencê-lo que pouquíssimos são salvos por esse caminho. Oh, quão íngreme, estreito, espinhoso, horrível de se ver e difícil de escalar que é! Para todo lugar que olhamos, vemos vestígios de sangue e coisas fazem-nos lembrar de memórias tristes. Muitos enfraquecem-se a mínima possibilidade dela. Muitos se retiram no início. Muitos caem de cansaço no meio, e muitos desistem miseravelmente no final. E como são poucos os que perseveram nele até a morte! Santo Ambrósio diz que é mais fácil encontrar homens que mantém a sua inocência do que encontrar alguém que faça uma penitência de forma apropriada.

Se você considerar o Sacramento da Penitência, há tantas confissões distorcidas, tantas desculpas esfarrapadas, tantos arrependimentos fraudulentos, tantas falsas promessas, tantas resoluções ineficazes, tantas absolvições inválidas! Será que você considera como válida a confissão de alguém que se acusa de pecados de impureza e ainda guarda a ocasião deles? Ou alguém que se acusa de injustiças óbvias, sem a intenção de fazer qualquer reparação que seja para elas? Ou alguém que cai de novo na mesma iniquidade imediatamente após sair da confissão? Oh, abusos horríveis de tão grande Sacramento! Uns confessam para evitar a excomunhão, outros para ter uma reputação como um penitente. Uns livram-se de seus pecados para acalmar seus remorsos, outros esconde-os de vergonha. Uns acusam-se de forma imperfeita por má intenção, outros expõem-se por força do hábito. Uns não têm a verdadeira finalidade do sacramento em mente, a outros estão faltando a tristeza necessária, e para outros, ainda, o propósito firme. Pobres confessores, quais esforços vocês fazem para trazer o maior número de penitentes a estas resoluções e atos, sem os quais a confissão é um sacrilégio, absolvição uma condenação e a penitência uma ilusão?

Onde estão eles agora, aqueles que acreditam que o número dos que se salvam entre os cristãos é maior do que a dos condenados e aqueles que, para justificar suas opiniões, alegam que, portanto: a maior parte dos adultos católicos morre em suas camas armados com os Sacramentos da Igreja, portanto, muitos adultos católicos são salvos? Ah, que bom raciocínio! Você deve dizer exatamente o oposto. Muitos dos adultos católicos confessam mal na hora da morte, portanto muitos deles são condenados. Eu digo "de todas a mais certa", porque uma pessoa que está morrendo que não tenha se confessado bem quando estava bem de saúde, terá uma condição ainda mais difícil para fazê-lo quando estiver na cama com o coração pesado, a cabeça instável, a mente confusa; quando é confrontado, em muitos aspectos, por situações recentes, ocasiões ainda frescas, por hábitos adotados, e acima de tudo por demônios que estão buscando por todos os meios lançá-lo no inferno. Agora, se você adicionar a todos estes falsos penitentes todos os outros pecadores que morrem inesperadamente em pecado, devido à ignorância dos médicos ou por falha de seus familiares, que morrem de envenenamento ou soterrados em terremotos, ou de um acidente vascular cerebral, ou de uma queda, ou no campo de batalha, em uma luta, pego em uma armadilha, atingido por um raio, queimado ou afogado, você não é obrigado a concluir que a maioria dos adultos cristãos são condenados? Esse é o raciocínio de São Crisóstomo. Este Santo diz que a maioria dos cristãos anda na estrada para o inferno durante toda sua vida. Por que, então, você está tão surpreso que o maior número vai para o inferno? Para chegar a uma porta, você deve tomar a estrada que leva até lá. O que você tem para responder a uma razão poderosa?

A resposta, você vai me dizer, é que a misericórdia de Deus é grande. Sim, para aqueles que O temem, diz o Profeta, mas é grande a Sua justiça para aqueles que não O temem, e condena todos os pecadores obstinados.

Então você vai dizer para mim: Bem, então, para quem é o Paraíso, senão para os cristãos? É para os cristãos, é claro, mas para aqueles que não desonram seu caráter e que vivem como cristãos. Além disso, se ao número de cristãos adultos que morrem na graça de Deus, você adiciona o incontável número de crianças que morrem depois do batismo e antes de chegar à idade da razão, você não vai se surpreender com o que o Apóstolo João, falando daqueles que são salvos, diz: "Eu vi uma grande multidão que ninguém podia contar."

E é isso que engana aqueles que pensam que o número dos salvos entre os católicos é maior do que o dos condenados... Se a esse número, você adiciona os adultos que têm mantido o manto da inocência, ou que depois de terem sidos contaminados, se lavaram nas lágrimas da penitência, é certo que o maior número é salvo, e é o que explica as palavras de São João: "Eu vi uma grande multidão", e estas outras palavras de Nosso Senhor, “Muitos virão do oriente e do ocidente, e festejarão na mesa com Abraão, Isaac e Jacó no reino dos céus", e as demais figuras geralmente citadas a favor dessa opinião. Mas se você está falando de cristãos adultos, experiência, razão, autoridade, dignidade e das Escrituras, todos concordam em provar que o maior número é daqueles que são condenados. Não acredite que por causa disso, o paraíso é vazio, pelo contrário, é um reino muito populoso. E se os condenados são "tão numerosos quanto a areia do mar", os salvos são "tão numerosos quanto às estrelas do céu", isto é, tanto um quanto o outro são inúmeros, embora em proporções muito diferentes.

Um dia, São João Crisóstomo, pregando na catedral de Constantinopla e considerando essas proporções, não pode deixar de estremecer de horror e perguntar: "A partir desse grande número de pessoas, quantas vocês acham que serão salvas?" E, sem esperar por uma resposta, ele acrescentou, "Entre tantos milhares de pessoas, não encontraremos uma centena que são salvos, e eu ainda tenho minhas dúvidas quanto aos cem." Que coisa terrível! O grande Santo acredita que, de tantas pessoas, apenas cem seriam salvas, e, mesmo assim, ele não tinha certeza desse número. O que vai acontecer com vocês que estão me ouvindo? Grande Deus, não posso pensar nisso sem estremecer! Irmãos, o problema da salvação é um assunto muito difícil, pois de acordo com as máximas dos teólogos, quando um objetivo exige grandes esforços, apenas alguns o alcançam.

É por isso que São Tomás, o Doutor Angélico, depois de considerar todas as razões prós e contras em sua imensa erudição, finalmente, concluiu que o maior número de adultos católicos são condenados. Ele diz: Porque a bem-aventurança eterna supera a condição natural, especialmente se tiver sido privado da graça original, é o pequeno número que são salvos."

Então, retire a venda de seus olhos que está cegando-o com o amor-próprio, que está impedindo-o de acreditar tal verdade tão óbvia, dando-lhe ideias muito falsas sobre a justiça de Deus, "Pai justo, o mundo não te conheceu," disse Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele não disse "Pai Todo-Poderoso, Pai bom e misericordioso." Ele disse "Pai Justo", para que possamos entender que, de todos os atributos de Deus, nenhum é menos conhecido do que a Sua justiça; porque os homens se recusam a acreditar no que eles têm medo de passar. Portanto, remova a venda que está cobrindo seus olhos e diga entre lágrimas: Ai! O maior número de católicos, o maior número de pessoas que vivem aqui, talvez até mesmo aqueles que estão nesta comunidade, será condenado! Que assunto poderia ser mais digno de suas lágrimas?


Rei Xerxes, em pé sobre uma colina olhando para seu exército de cem mil soldados em ordem de batalha, e considerando que de todos não haveria nenhum homem vivo em cem anos, foi incapaz de segurar as lágrimas. Pode este pensamento não fazer que os nossos olhos jorrem rios de lágrimas, ou ao menos produza em nosso coração o sentimento de compaixão como o sentido pelo irmão agostiniano, Venerável Marcellus de São Domingos? Um dia, enquanto ele estava meditando sobre as dores eternas, o Senhor mostrou-lhe quantas almas iam para o inferno naquele momento e permitiu-lhe ver uma estrada muito ampla aonde 22 mil reprovados iam correndo em direção ao abismo, colidindo um no outro. O servo de Deus estava estupefato com a visão e exclamou: "Oh, quanta gente! Quanta gente! E ainda mais estão por vir. Ó Jesus! Ó Jesus! Que loucura!"  Deixe-me repetir com Jeremias: "Quem vai dar água à minha cabeça, e uma fonte de lágrimas aos meus olhos? E eu chorarei de dia e de noite os mortos da filha do meu povo."

Pobres almas! Como vocês podem correr tão apressadamente em direção ao inferno? Por amor de misericórdia, parem e ouçam-me por um momento! Ou vocês entendem o que significa se salvar e se condenar por toda a eternidade ou não. Se vocês entendem e, apesar disso, não decidem mudar de vida hoje, fazendo uma boa confissão e ignorando o mundo, em uma palavra, empregando todos os seus esforços para serem contados entre o menor número daqueles que são salvos, eu afirmo que vocês não têm a fé. Vocês são mais desculpáveis, se não compreendem o que se está falando, pois então alguém pode dizer que vocês estão fora de si. Ser salvo por toda a eternidade, ser condenado por toda a eternidade, e não aplicar todos os seus esforços para evitar um e certificar-se de conseguir o outro, é algo inconcebível.

A Bondade de Deus

Talvez você ainda não creia nas terríveis verdades que acabei de lhe ensinar. Mas foram a maioria dos teólogos altamente considerados, os mais ilustres Padres que têm falado com você através de mim. Então, como você pode ter justificativas para resistir diante de tantos exemplos e palavras das Escrituras? Se você ainda hesita, apesar disso, e se a sua mente está inclinada para a opinião contrária, então, todas as considerações não foram muito suficientes para fazer você estremecer? Oh, isso mostra que você não se importa muito com a sua salvação! Nesta importante questão, um homem sensato é atingido mais fortemente pela menor dúvida do risco que ele corre que pela evidência de ruína total em outros assuntos em que a alma não está envolvida. Um dos nossos irmãos, o Beato Giles, tinha o hábito de dizer que se apenas um homem fosse condenado, ele faria todo o possível para ter certeza que ele não fosse aquele homem.

Então, o que devemos fazer, nós que sabemos que o maior número será condenado, e não apenas de todos os católicos? O que devemos fazer? Tome a decisão de pertencer ao pequeno número daqueles que são salvos. Você diz: Se Cristo quisesse condenar-me, então por que Ele me criou? Silêncio, língua imprudente! Deus não criou ninguém para condenar, mas quem quer que seja condenado, é condenado porque quer ser. Portanto, agora vou lutar para defender a bondade de meu Deus e absolvê-la de toda a culpa: este será o assunto do segundo ponto.

Antes de continuar, vamos reunir de um lado todos os livros e todas as heresias de Lutero e Calvino, e do outro os livros e as heresias dos pelagianos e Semi-pelagianos, e vamos queimá-los. Alguns destroem a graça, outros a liberdade, e todos estão cheios de erros, por isso vamos lançá-los no fogo. Todos os condenados têm em seu rosto o santuário do Profeta Oséias, "Tua condenação vem de ti," de forma que eles possam entender que quem é condenado, o é por sua própria maldade e porque quer ser condenado.

Primeiro, vamos considerar estas duas verdades inegáveis ​​como base: "Deus quer que todos os homens sejam salvos", "Todos precisam da graça de Deus". Agora, se eu lhe mostrar que Deus quer salvar todos os homens, e que para este propósito Ele dá a todos a Sua graça e todos os outros meios necessários para obter-se esse efeito sublime, você será obrigado a concordar que quem está condenado deve imputar essa consequência a sua própria maldade, e que se o maior número de cristãos são condenados, é porque eles querem ser. "Tua perdição vem de ti; tua ajuda está apenas em mim."

Deus deseja que todos os homens sejam salvos

Em uma centena de lugares na Sagrada Escritura, Deus nos diz que é realmente Seu desejo salvar todos os homens. "É minha vontade que um pecador morra, e não que ele se converta de seus caminhos e viva?... Eu vivo, diz o Senhor Deus. Eu não desejo a morte do pecador. Mas, que ele se converta e viva." Quando alguém quer muito algo, diz-se que está morrendo de desejo, é uma hipérbole. Mas Deus quis e ainda quer a nossa salvação tanto que Ele morreu de desejo, e Ele sofreu a morte para nos dar a vida. Esta vontade de salvar todos os homens é, portanto, não uma vontade fingida, superficial e aparente de Deus, é uma vontade real, eficaz e benéfica; pois Ele nos fornece todos os meios mais adequados para sermos salvos. Ele não os dá a nós para que não funcionem; Ele os dá a nós com uma vontade sincera, com a intenção de que eles realizem seus efeitos. E se eles não conseguem o efeito desejado, Ele Se mostra humilde e ofendido por isso. Ele ordena, inclusive, os condenados ao inferno a usar de tais meios a fim de que sejam salvos, Ele exorta-os a empregá-los; Ele obriga-os a isso, e se eles não o fazem, eles pecam. Portanto, eles podem fazê-lo e, assim, serem salvos.

Além do mais, porque Deus vê que não poderíamos até mesmo fazer uso da Sua graça sem a Sua ajuda, Ele nos dá outros meios; e se eles permanecem, por vezes, ineficazes, é culpa nossa, pois com estes mesmos meios, uns podem abusar deles e serem condenados, enquanto outros podem fazer o certo e serem salvos; pode-se até ser salvo com recursos menos potentes. Sim, pode acontecer que abusemos de uma maior graça e somos condenados, enquanto outro coopera com uma graça menor e é salvo.

Santo Agostinho exclama: "Se, portanto, alguém se desvia da justiça, ele é conduzido por sua livre vontade, levado por sua concupiscência, enganado por sua própria convicção." Mas para aqueles que não entendem a teologia, aqui é o que eu tenho a dizer-lhes: Deus é tão bom que quando vê um pecador correr para sua ruína, Ele corre atrás dele, o chama, suplica e acompanha-o até os portões do inferno; o que Ele não fará para convertê-lo? Ele envia-lhe boas inspirações e pensamentos santos, e se ele não aproveitá-los, Ele torna-se irritado e indignado, Ele persegue-o. Ele vai atacá-lo? Não. Ele bate no ar e perdoa. Mas o pecador ainda não está convertido. Deus envia-lhe uma doença mortal. É certamente tudo para ele. Não, irmãos, Deus cura-o; o pecador torna-se obstinado no mal, e Deus em Sua misericórdia procura outra maneira; Ele dá-lhe mais um ano, e quando esse ano acabar, Ele concede-lhe ainda outro.

Mas se o pecador ainda quer lançar-se no inferno, apesar de tudo isso, o que faz Deus? Ele o abandona? Não. Ele o leva pela mão, e enquanto ele tem um pé no inferno e outro fora, Ele ainda prega, implora-lhe que não abuse de Suas graças. Agora eu lhe pergunto, se esse homem é condenado, não é verdade que ele é condenado contra a Vontade de Deus e porque ele quer ser condenado? Venha e pergunte-me agora: Se Deus quisesse condenar-me, então por que Ele me criou?

Pecador ingrato, aprenda hoje que se você for condenado, isto não é culpa de Deus, mas culpa sua e com a sua própria vontade. Para convencê-lo disso, desça até as profundezas do abismo, e lá trar-vos-ei uma daquelas almas infelizes condenadas queimando no inferno, para que ela possa explicar essa verdade para você. Aqui está uma agora: "Diga-me, quem é você?" "Eu sou um pobre idólatra, nascido em uma terra desconhecida; eu nunca ouvi falar de céu ou inferno, nem do que eu estou sofrendo agora." “Pobre desgraçado! Vá embora, você não é o que eu estou procurando. Outro está vindo; aí está ele . "Quem é você?" "Eu sou um cismático desde os confins da Tartária; eu sempre vivi em um estado não civilizado, mal sabendo que existe um Deus." "Você não é o que eu quero, volta para o inferno." Aqui está outro. "E quem é você?" "Eu sou um pobre herege do Norte. Nasci sob o Polo e nunca vi nem a luz do sol ou a luz da fé." "Não é você que eu estou procurando, também, retorna para o inferno." Irmãos, meu coração está partido ao ver esses miseráveis ​​que nunca sequer conheceram a verdadeira fé entre os condenados. Mesmo assim, sabendo que a sentença de condenação foi pronunciada contra eles e foi-lhes dito: "Tua perdição vem de ti." Eles foram condenados porque quiseram ser. Eles receberam tanta assistência de Deus para serem salvos! Nós não sabemos o que eles foram, mas eles sabem muito bem, e agora eles gritam: "Ó Senhor, tu és justo... e os teus juízos são corretos."

Irmãos, vocês devem saber que a crença mais antiga é a Lei de Deus, e que todos a temos escrita em nossos corações; que Ela pode ser aprendida sem qualquer professor; e que é o suficiente ter a luz da razão, a fim de que se conheça todos os preceitos desta Lei. É por isso que até mesmo os bárbaros escondiam-se quando cometiam pecado, porque eles sabiam que estavam fazendo algo errado; e eles são condenados por não terem observado a lei natural inscrita em seu coração; se eles tivessem observado isso, Deus teria feito um milagre, em vez de deixá-los serem condenados; Ele tê-los-ia enviado alguém para ensiná-los e tê-los-ia dado outros auxílios, dos quais fizeram-se indignos por não estarem em conformidade com as inspirações da sua própria consciência, que nunca deixou de avisá-los do bem que devem fazer e do mal que devem evitar. Por isso, foi suas consciências que acusou-os no Tribunal de Deus, e dizem-lhes constantemente no inferno, "Tua condenação vem de ti." Eles não sabem o que responder e são obrigados a confessar que eles são merecedores de seu destino. Agora, se esses infiéis não têm desculpa, haverá alguma para um católico que tem tantos Sacramentos, tantos Sermões, tantos meios à sua disposição? Como se atreve a dizer: "Se Deus vai condenar-me, então por que Ele me criou?" Como se atreve a falar desta maneira, quando Deus lhe dá tantos meios para ser salvo? Então, permita-nos acabar confundindo-o.

Você que está sofrendo no abismo, responda-me! Há algum católico entre vós? "Certamente que há!" Quantos? Deixe um deles vir aqui! "Isso é impossível, eles estão longe demais, e para fazê-los chegar mais perto deixaria todo o inferno de cabeça para baixo; seria mais fácil parar um deles quando estiver caindo". Então, eu estou falando para você que vive o hábito do pecado mortal, no ódio, na lama do vício da impureza, e que está se aproximando do inferno todos os dias. Pare, e vire-se, é Jesus que vos chama e quem, com Suas feridas, como acontece com tantas vozes eloquentes, Clama por você: "Meu filho, se você for condenado, você tem apenas a si mesmo para culpar”: ‘Tua condenação vem de ti.  Levanta os seus olhos e veja todas as graças com as quais tenho enriquecido você para garantir a sua salvação eterna. Eu poderia ter feito você nascer em uma floresta na Barbaria; isso Eu fiz para muitos outros, mas Eu fiz você nascer na Fé Católica; Fiz você crescer sob um pai tão bom, com uma mãe excelente, com as mais puras instruções e ensinamentos. Se você for condenado apesar disso, de quem será a culpa? Será sua própria, meu filho, sua própria: Tua condenação vem de ti.

"Eu poderia ter lançado você no inferno após o primeiro pecado mortal que cometeu, sem esperar pelo segundo: Eu fiz isso para tantos outros, mas Eu fui paciente com você, Eu esperei por você durante longos anos. Ainda estou à sua espera em penitência. Se você for condenado, apesar de tudo isso, de quem é a culpa? Sua própria, meu filho, sua própria: "Tua perdição vem de ti." Você sabe quantos morreram diante dos seus olhos e foram condenados: isto foi um aviso para você. Você sabe quantos outros pus de volta no caminho certo para lhe dar o bom exemplo. Você se lembra do que aquele excelente confessor disse para você? Eu sou o único que permitiu que ele dissesse-lhe aquilo. Ele não impôs a você mudar de vida, a fazer uma boa confissão? Eu sou o único que o inspirou. Lembra aquele sermão que tocou seu coração? Eu sou Aquele que levou-o até lá. E o que aconteceu entre você e Eu no segredo do seu coração,... que você nunca pode esquecer.”

"Aquelas inspirações interiores, aquele claro conhecimento, aquele remorso constante de consciência, você se atreve a negá-los? Todos esses foram os muitos recursos de minha graça, porque eu queria salvá-lo. Recusei-me a dá-los a muitos outros, e Eu dei-lhes a você porque Eu te amava ternamente. Meu filho, meu filho, se Eu falei a eles tão carinhosamente como estou falando com você hoje, quantas outras almas retornaram ao caminho certo! E você... você virou-Me as costas. Ouça o que Eu vou dizer, pois estas são as minhas últimas palavras: Você Me custou o Meu Sangue; se você quer ser condenado apesar do Sangue que derramei por você, não Me culpe, você têm apenas a si mesmo para acusar; e por toda a eternidade, não se esqueça de que se você for condenado a despeito de Mim, você será condenado, porque você quer ser condenado: Tua condenação vem de ti.’"

Ó meu bom Jesus, as próprias pedras fendem-se ao ouvir tais palavras doces, expressões tão tenras. Há alguém aqui que quer ser condenado, com tantas graças e auxílio? Se houver alguém, que escute-me, e depois resista se puder.


Baronius relata que após a apostasia infame de Juliano, o Apóstata, ele manifestou ódio tão grande contra o Santo Batismo, que dia e noite, ele procurava uma maneira em que pudesse apagar o seu próprio batismo. Para esse propósito, ele preparou sangue de cabra e banhou-se nele, querendo que este sangue impuro de uma vítima consagrada a Vênus apagasse o caráter sagrado do Batismo de sua alma. Esse comportamento parece abominável para você, mas se o plano de Juliano tivesse sido bem sucedido, é certo que ele estaria sofrendo muito menos no inferno.

Pecadores, o conselho que eu quero dar-lhes, sem dúvida, parece estranho para vocês, mas se entendê-lo bem, é, ao contrário, inspirado pela terna compaixão para com você. Eu imploro-lhes de joelho, pelo Sangue de Cristo e pelo Coração de Maria, mudem a sua vida, voltem-se para a estrada que leva ao céu, e façam de tudo que puderem para pertencer ao pequeno número daqueles que são salvos. Se, em vez disso, você quiserem continuar andando na estrada que leva ao inferno, ao menos, encontrem uma maneira de apagar o seu batismo. Ai de vocês, se levarem o Santo Nome de Jesus Cristo e do caráter sagrado dos Cristãos gravado em sua alma para o inferno! Seu castigo será ainda maior. Então façam o que eu aconselho-os a fazer: se não desejam a conversão, vão neste mesmo dia e solicitem ao seu pastor que apague os seus nomes do registro batismal, de modo que não haja qualquer lembrança de que tenham sido um cristão; implorem ao seu Anjo da Guarda para apagar de seu livro de graças às inspirações e as ajudas que ele lhes deu sob as ordens de Deus, pois, ai de vocês se ele se lembrar delas! Digam ao Nosso Senhor para pegar de volta Sua fé, Seu batismo, Seus Sacramentos.

Está horrorizado com tal pensamento? Bem, então, lance-se aos pés de Jesus Cristo e diga a Ele, com olhos cheios de lágrimas e coração contrito: "Senhor, eu confesso que até agora eu não vivi como um cristão. Eu não sou digno de ser contado entre Seus eleitos. Eu reconheço que mereço ser condenado; mas sua misericórdia é grande e, cheio de confiança em Sua graça, eu digo a Vós que eu quero salvar minha alma, mesmo se eu tiver que sacrificar minha fortuna, minha honra, minha vida saudável, para ser salvo. Se eu tenho sido infiel até agora, eu me arrependo, lamento, eu detesto a minha infidelidade, peço-Lhe humildemente que me perdoe por isso. Perdoe-me, bom Jesus, e fortalecei-me também, para que eu possa ser salvo. Peço a Vós não pela honra, riqueza ou prosperidade; eu peço-lhe apenas uma coisa, para salvar minha alma".

E Vós, Ó Jesus! O que diz? Ó Bom Pastor, veja a ovelha perdida que volta para Vós; abrace este pecador arrependido, bendizei os seus suspiros e lágrimas, ou melhor, abençoe essas pessoas que estão decididas e que não querem nada, apenas a sua salvação. Irmãos, aos pés de Nosso Senhor, vamos protestar que queremos salvar a nossa alma, custe o que custar. Vamos todos dizer a Ele com lágrimas nos olhos, "Bom Jesus, eu quero salvar minha alma", Ó benditas lágrimas, Ó benditos suspiros!


 Conclusão

Irmãos, eu quero que voltem para suas casas confortados hoje. Então, se vocês me perguntarem sobre o meu sentimento a respeito do número daqueles que são salvos, aqui está: Se há muitos ou poucos que são salvos, eu digo que quem quiser ser salvo, será salvo; e que ninguém pode ser condenado se não quer ser. E se é verdade que poucos são salvos, é porque são poucos os que vivem bem. Quanto ao resto, compare estas duas opiniões: a primeira afirma que o maior número de católicos são condenados, o segundo, ao contrário, aponta que o maior número de católicos são salvos. Imagine um anjo enviado por Deus para confirmar a primeira opinião, chegando para dizer-lhe que não só muitos católicos são condenados, mas que de toda esta congregação aqui presente, um só será salvo. Se você obedecer aos Mandamentos de Deus, se você detesta a corrupção deste mundo, se você abraçar a Cruz de Jesus Cristo em um espírito de penitência, você será aquele que sozinho salvar-se-á.

Agora imagine o mesmo Anjo retornando para você e confirmando a segunda opinião. Ele diz que não só a maior parte dos católicos são salvos, mas que, de todos os que estão neste encontro, só um será condenado e todos os outros salvos. Se depois disso, você continuar com as suas usuras, suas vinganças, suas ações criminosas, as suas impurezas, então você será o único a ser condenado.

Qual é a utilidade de saber se poucos ou muitos são salvos? São Pedro nos diz: "Esforce-se por boas obras para assegurar-se que será escolhido" Quando a irmã de São Tomás de Aquino lhe perguntou o que ela devia fazer para ir para o céu, ele disse: "Você será salva se você quiser ser." Eu digo a mesma coisa para você, e aqui está a prova de minha declaração. Ninguém é condenado a não ser que cometa o pecado mortal: que é de fé. E ninguém comete o pecado mortal a menos que queira: que é uma proposta teológica inegável. Portanto, ninguém vai para o inferno, a menos que queira; a consequência é óbvia. Será que isso não é suficiente para te confortar? Chore por pecados do passado, faça uma boa confissão, não peques mais no futuro, e todos vocês serão salvos. Por que atormentarem-se assim? Pois é certo que vocês têm que cometer o pecado mortal para ir para o inferno, e que para se cometer pecado mortal é preciso querer, e que, consequentemente, ninguém vai para o inferno, a menos que queira. Isto não é apenas uma opinião, é uma verdade inegável e muito reconfortante; que Deus lhe dê o entendimento, e que Ele o abençoe. Amém.

Nas primeiras regras sobre o discernimento dos espíritos, Santo Inácio mostra que é típico do espírito do mal tranquilizar os pecadores. Portanto, devemos sempre pregar e gerar confiança e o dever de esperança no perdão infinito do Senhor e em Sua misericórdia, para a conversão é fácil e Sua graça é todo-poderosa. Mas também devemos lembrar que "não se zomba de Deus", e que alguém que está vivendo habitualmente em estado de pecado mortal está no caminho para a danação eterna.

Há milagres de última hora, mas a menos que afirmem que os milagres são o caminho natural das coisas, somos obrigados a concordar que para a maioria das pessoas que vivem em estado de pecado mortal, a impenitência final é a eventualidade mais provável.

As razões de São Leonardo de Porto Maurício nos convenceram. Vale a pena ouvi-las. Com eloquência e clareza, elas desenvolveram uma consideração ao Pe. Lombardi em seu debate público com o líder comunista italiano Velio Spano, em Cagliara, em 4 de dezembro de 1948. "Estou horrorizado ao pensar que se você continuar dessa maneira, você será condenado ao inferno", disse o Padre Lombardi ao marxista Spano. Spano respondeu: "Eu não acredito no inferno." E Padre Lombardi respondeu: "Exatamente, e se você continuar, você será condenado, pois para evitar ser condenado, deve-se acreditar no inferno."

Poderíamos generalizar a resposta do Padre Lombardi. Talvez seja exatamente essa falta de fé sobrenatural que está impedindo as pessoas de chegar a uma profunda apreciação da transcendência pastoral da pregação à maneira de São Leonardo de Porto Maurício na sua aplicação à nossa vida contemporânea. De qualquer forma, não é porque a moral é melhor agora do que no tempo do missionário famoso. Nenhuma ocasião pode ser melhor para nós para aplicar este opróbrio do Cardeal Pie: "Eu vejo a prudência em todos os lugares; em breve não veremos coragem em qualquer lugar; com certeza, se continuarmos assim, vamos morrer de um ataque de sabedoria." Não a sabedoria divina, certamente; pois apenas a prudência carnal e mundana dá origem ao conhecimento vão, que zomba do sermão de São Leonardo.

A doutrina de São Leonardo de Porto Maurício salvou e vai salvar inúmeras almas até o fim dos tempos. Aqui está o que a Igreja diz na oração do Ofício Divino, sexta lição, falando da eloquência celestial de São Leonardo: Ao ouvi-lo, até mesmo os corações de ferro e de bronze são fortemente inclinados à penitência, em razão da eficácia surpreendente do sermão e zelo ardente do pregador. E na oração litúrgica que pedimos ao Senhor, que Ele dê o poder de dobrar os corações dos pecadores endurecidos pelas obras da pregação.

Este sermão de São Leonardo de Porto Maurício foi pregado durante o reinado do Papa Bento XIV, que tanto amou o grande missionário.


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domingo, 2 de dezembro de 2012

CARTA PROFÉTICA DO BEATO FRANCISCO PALAU - COMPLETA (C. 115 – I-II-III).



115. Al P. Pascual de Jesús María[1]: Roma
Vedrá (Ibiza), 1 agosto de 1866

Para el Rdo. P. Pascual de Jesús María,
Comisario Apostólico y Procurador General
de la Congregación esp. Em Roma

J. M. J. Viva Jesús

1. Rdo. Padre: Recibí un año ha una carta de V. R. Y fue para mí motivo de grande satisfacción. Varias veces tomé la pluma con el objeto de contestar, pero siendo la contestación una reseña de lo que pasaba en nuestra ermita de Barcelona, que tocaba intereses los más sagrados de nuestra orden y de la Iglesia, al verificarlo sentí tal repugnancia, que no obstante toda la confianza y plena libertad que me inspiraba y me inspira V. R., no pude vencerme. Lo efectúo ahora desde esta soledad porque pienso retardar un poco mi venida a Roma.

2. Escribo desde el desierto más completo que he hallado desde que sigo la vida religiosa. Este monte es un islote al oeste de Ibiza, separado de la isla, que se levanta desde el profundo de las aguas hasta el cielo: no hay aquí más habitantes que yo. Tengo la ermita a dos leguas al mediodía de la isla y los hermanos que tienen en ella una barca pesquera, me traen aquí, me dejan solo y se vuelven. En la cima del monte hay una fuente, y las aberturas de las peñas son mis celdas. Aquí me retiro diez años ha y hallo cuanto un solitario puede desear. Mi celda está custodiada abajo por las aguas del mar, y las peñas están tan cortadas que nadie puede subir a ellas sin ser muy práctico de este terreno; la soledad está defendida por el mismo monte y por los mares.

3. Ahí va, pues, la contestación a lo que le escribí un año ha, de que habría en Roma un cambio radical en política y en religión. Escribiré con libertad de lo que me ha pasado en esta soledad y V. R. juzgará si es o no de Dios, o del diablo... aparezca recibiréis vosotros sus hijos su espíritu, y en el espíritu de Elías lanzaréis al infierno los demonios que visibles en los cuerpos humanos provocan, cual Goliat a la lucha, al poder eclesiástico. La caída de los demonios al infierno será el signo del triunfo de la Iglesia. Ahora vas tú a entrar en lucha con ellos, marcha y preséntate en Barcelona al Obispo (Montserrat) y dile «esto nos manda Dios»: «demones effugate, infirmos curate» [Mt 10,8].

4. ¿Quién eres tú? –Yo soy –contestó– el ángel que custodia en Roma el trono del sumo pontificado, y los muros de la ciudad; de mi habla el capítulo XX del Apocalipsis; vosotros, en el cumplimiento de mi misión, sois mi dedo y el dedo de Dios visible, y sin vuestro ministerio yo no encadenaré a Satán. Dirás al obispo de Barcelona y al Pontífice Pío IX: «la hora de la batalla ha sonado ya, esto manda Dios, lanzad los demonios y curad los estragos y enfermedades causadas por ellos; y si no te creen, te retirarás, obedece a sus mandatos, si no oyen mi voz, yo me retiraré de Roma y entregaré la ciudad en poder de los demonios pésimos que la rodean. –Cumple esta misión y marcha a tu ermita de Barcelona. Yo conduciré allí todos los príncipes infernales del país que, visibles en los cuerpos humanos desafían visiblemente a la lucha al poder de la Iglesia. Lanza tú los demonios al infierno y «infirmos curate».

5. –¿Yo? No, este ministerio está reservado al obispo. –¿Eres tú exorcista? –Lo soy. –Pues si lo eres, tú darás cuenta de la sangre de las víctimas que gimen y perecen entre las uñas del dragón infernal; cumple tu deber, que consiste en delatar a la autoridad eclesiástica los demonios que visibles en los cuerpos humanos, provocan a la lucha los exorcistas... No hay fe en esta parte y demonios y el mundo, todo en peso y en masa, se levantará en contra. –Yo estaré contigo, yo barrí los cielos de los ángeles malos y sabré defenderte contra los hombres. Antes de retirarme de Roma y abando- narla al furor de los demonios, yo quiero tentar y probar su fe, quiero revelar y descubrir la incredulidad, quiero sepa el mundo hasta dónde llegan las tinieblas... ¿Acaso no ha sido dado a la Iglesia, representada en los exorcistas, plenitud de poder sobre todos sus enemigos?: «ecce ego dedi vobis potestatem super omnem virtutem inimici» [Lc 10.19]. ¿Qué uso se hace de esta autoridad? Ya lo verás luego....

Fr. Francisco Palau


II

(Carta fragmento)

1. […] Los que predicarán la divinidad de la religión de Jesucristo. ¿Quién eres tú? «Yo soy el ángel de quien habla el capítulo XX del Apocalipsis; a mí está encargada la prisión y encadenamiento de los demonios; yo custodiaré las casas de asilo que Dios ordena edificar». Yo no podía dudar, reverendo padre, de que era el ángel de Dios el que así me hablaba, porque en los desiertos me había defendido muchas veces contra los demonios, y em varias ocasiones de mi vida me había salvado del furor de los hombres malos. La voz de Dios es de tal carácter que no deja vacío alguno en el alma, la llena y no vacila. Yo preví de un solo golpe de vista todas las consecuencias del cumplimiento de esta misión y, a pesar de tener un corazón de bronce, mi alma vaciló y retrocedió ante las dificultades que traía em sí este encargo, y en mi debilidad y miseria contesté: «no, yo no admito esta misión».

2. –Lo que te digo está en el orden de las cosas eclesiásticas. ¿No se reconoce la existencia de un mal en la sociedad humana tal como el estado de un energúmeno? –Sí, para mí es una situación tan triste, tan lamentable y tan horrible que no hay otra de igual, pero o no se cree que exista, o se cree que estos casos son raros. –«Yo voy a demostrar a la faz de todos los pueblos que éstos no son casos raros sino que hay un número mayor de lo que tú mismo crees. Yo voy a confundir la ciencia humana que califica de enfermedades puramente físicas las causadas por los demonios a los cuerpos humanos. Prepara para estos enfermos casas de asilo, cuidadas y dirigidas por el poder eclesiástico exorcista; esto nada tiene en si de extraordinario para que temas hablarlo y tratarlo con los superiores de tu orden y con el obispo de la diócesis donde resides».

4. –Dices verdad: esto está en el curso regular de las cosas, puesto que creemos en la existencia de estas enfermedades, pero yo no me atrevo a abordar esta cuestión ni iniciarla. –Lo que te manda Dios es que propongas el proyecto al obispo de Barcelona y a los superiores de tu orden. Si se cumple, has salvado tu alma y, si no se ejecuta, también. Propuesto el proyecto, está ya la responsabilidad a cargo de otros. –Me dirán que soy un visionario y un delirante y que mi imaginación se exalta en los desiertos, etc., etc. Yo no me atrevo y es tal la confusión, que temo lo sepa la pluma. –Ya que no la admites, yo voy a acreditar con signos la misión que te doy y si, a la vista de los signos que yo te daré, no obedeces, darás cuenta a tu Dios de las víctimas que perecen cada día entre las uñas del dragón infernal, abandonadas por el ministerio eclesiástico. A mis manos están las llaves del abismo y las cadenas con que se encarcelan los demonios, pero yo necesito para obrar contra ellos las manos y el ministerio eclesiástico. Vas a ver luego la divinidad de mi palabra: «lanzad los demonios, curad las enfermedades causadas en los cuerpos humanos por su malicia; Dios os lo manda, cumplid vuestro ministerio. Salvar un energúmeno del poder de los demonios es la obra de la redención humana y esto está confiado al ministerio vuestro».

5. Rvdo. Padre, al pronunciar estas últimas palabras manifestó tanta autoridad y tanta gloria que lleno de horror, de terror y de espanto me resolví a comunicar este asunto con el obispo de Barcelona. Fui a palacio con este intento y me sobrecogió tal flaqueza y repugnancia que no me atreví a hablar y me volví. Pero al bajar las escaleras, me dijo: «yo voy a cumplir lo que te he prometido; esto es lo que te dice, manda y ordena Dios: en mi nombre lanzarás los demonios, impondrás las manos sobre los enfermos y quedarán curados». Esta misión la cumpliré yo por tu ministerio hasta que hayas dado cuenta al obispo de lo que Dios te manda. Cumplido tu encargo, si el obispo no autoriza, cesará tu misión porque la responsabilidad recae sobre otro; y si autoriza, harás lo que te mande y yo estaré con él.

6. La historia que acompaño refiere los hechos con que el ángel acreditó su palabra. En vista de estos signos me vi em el amargo compromiso de comunicarlo al obispo de Barcelona. El obispo en esta materia ha procedido con el peso, gravedad y prudencia que le caracterizan y, en su sabia previsión, ha juzgado prudente que yo cesara de todo acto religioso sobre energúmenos. Así convenía en los altos designios de la providencia de Dios. Yo he cumplido mi misión y por ahora la he terminado. Yo ya no puedo hacer más ni pasar más adelante; este es asunto que ya no me pertenece a mí sino a las autoridades superiores de la Iglesia y de la religión nuestra. El oficio que me pasó el señor obispo, disponiendo cesara de todo acto religioso sobre energúmenos, ha sacado de mi alma una carga y un peso enorme. Escribo en el mismo sentido a N. P. General de España, Maldonado, y al darle cuenta a él y a V. R. de mi encargo, queda terminada mi misión. Yo obedeceré a las órdenes de los superiores y haré lo que me manden. Rvdo. Padre, el ángel, al darme la misión de probar com los hechos que van consignados en la adjunta historia, desencadenó contra mí todos los príncipes infernales y me acometieron con tal furor y rabia que he vivido en medio del infierno noche y día sin un momento de reposo. Recibido el oficio del obispo, han desaparecido todos y he quedado solo con Dios. ¡Qué cambio! Decía uno de los primeros príncipes tenebrosos con gran soberbia: «¡Hemos vencido, hemos hecho frente a los sacerdotes y han retrocedido! ¡No tengo sobre la tierra enemigo que me rinda! ¡Somos libres, adelante nuestra obra!», gritaba otro. Consulte con Dios y con las personas de consejo en esta materia y disponga de este su rendido hijo.

Fr. Francisco Palau, Pbro.


III

Carta al Rdo. P. Pascual de Jesús María Procurador
General en Roma, de la Orden del Carmen.

1. Rvdo. Padre: Recibí a su debido tiempo la carta de V. R. y fue para mí un consuelo muy grande, pues que vi en ella, en tiempo de tanta ruina, espíritu y vida. No contesté porque esperaba ver el desenlace de una misión la más azarosa que haya tenido en mi vida, la cual no ha terminado hasta ahora. Para interés mío y de la Orden, voy a dar cuen ta a V. R. de todo lo que me ha sucedido. Hablaré con libertad y nada ocultaré de cuanto pueda servir al bien de nuestra Orden y de la Iglesia.

2. Desterrado en 1854 «propter verbum Dei» a las islas Baleares, la providencia me tenía en ellas preparado un desierto tal cual mi corazón lo deseaba. Tenemos al oeste de la isla de Ibiza una ermita situada sobre el borde de precipicios que tocan los mares, y una legua adentro las aguas, el mapa marca bajo el nombre de Vedrá un islote que tiene una legua de circuito. Sus cúspides, basadas sobre lo más profundo del Mediterráneo, se levantan hasta los cielos y, para que nada faltara al solitario, abrió Dios una fuente sobre la cima de este monte; el cual da hospitalidad a todas las aves que vienen por las noches a recogerse entre las aberturas de sus peñas. Separado de la isla de Ibiza, nadie puede acercarse a él sino con barca; y sus columnas se levantan tan a plomo sobre las aguas, que no pueden subir a él sino los peritos del país. Aquí es donde a temporadas me retiro para mi vida solitaria. La ermita tiene un bote, los ermitaños son pescadores, me dejan sobre peñas y yo quedo solo, solitario, seguro de no ver ni ser visto de persona humana. El clima es magnífico y el sitio es tan pintoresco cual puede apetecer un solitario.

3. Diez años ha que en los veranos vengo a este monte a dar cuenta a Dios de mi vida y a consultar los designios de su providencia sobre la Orden a que pertenezco. Ahí va la historia sobre lo pasado, presente y porvenir de la Orden del Carmen. El año 1864, habiéndome retirado a este monte, una voz grande, que 20 años había me hablaba en los desiertos sobre los destinos de nuestra Orden y la cual no sabía de dónde procedía, me dijo con gran fuerza lo que sigue: «Yo soy el ángel de quien habla el capítulo XX del Apocalipsis; a mí está confiada la custodia del pendón del Carmelo y la dirección de los hijos de esta Orden. Yo guardo el trono pontificio de Roma y los muros de esta ciudad, frente a los demonios y la revolución que la circuye. Vengo a ti enviado por Dios para instruirte sobre el porvenir de la Orden a la que perteneces para que sepas la misión que has de cumplir y su forma». «Yo voy a abandonar a Roma. Levantaré de ella el trono pontificio y la ciudad será entregada en poder de los demonios y de la revolución. Roma no será más el centro de la religión de Jesús; degollará a sus sacerdotes y religiosos y otra vez se constituirá enemiga de Cristo y de su Iglesia. El trono del Sumo pontificado no volverá más a ella, porque será trasladado a otra parte».

4. No pudiendo yo apenas creer lo que veía, añadió: «Roma será severamente castigada y el día está muy cerca, día de llanto y de luto, de sangre y de fuego y, para que veas cuán justas son las venganzas celestes, ven, sube a la cima de este monte y desde allí verás las abominaciones introducidas en el lugar santo, predichas por Daniel profeta». Lleno yo de terror y espanto, erizados los cabellos, horripiladas mis carnes, yo subí a la cima de este monte: «Mira y observa bien lo que hay en el santuario, observa, calla y guarda el secreto; el misterio de iniquidad está ya consumado, yo voy a castigar a los culpables y la sangre de los justos aplacará la ira de Dios».

5. Yo oraba con grandes instancias por la Iglesia y contestó: «Las súplicas y oraciones por la Iglesia santa son acogidas a los oídos de Dios. No ores por Roma porque el decreto de Dios es irrevocable, el castigo de los culpables y la paciencia de los mártires volverá a la Iglesia santa su libertad, sus glorias y su esplendor».

6. Elías, profeta grande, y los hijos de su Orden sois, y en adelante seréis, mi dedo y el dedo de Dios y mi brazo em las batallas contra los demonios y contra la revolución, y para que vuestra fe en el día de las batallas no falte, Dios me há enviado a ti que vives en los desiertos, atento a mi voz para instruirte acerca y sobre la materia y objeto del exorcistado. Yo soy el ángel que tiene en las manos las cadenas y las llaves del abismo. A mí están sujetos todos los demonios del infierno y, para que sepáis el modo de presentaros en las batallas, debo manifestarte un misterio. Y es el siguiente:

7. Creados los ángeles y puestos en el empíreo, Dios nos propuso a Cristo, Dios humanado, por rey, cabeza y príncipe. El supremo de todos los ángeles no quiso sujetarse ni adorarle. Le siguieron en la rebelión una multitud, más de lo que nadie pueda figurarse y fueron todos precipitados a los infiernos. Dios, para confusión suya y por orden de su providencia, los dejó en este aire y sobre la tierra, y sirven de azote contra los crímenes y de prueba a la fidelidad del justo. Es tan grande su poder y tal su malicia contra los hombres, que Dios nos ha mandado custodiarlos para ser salvos de su perversidad. Sin nosotros, no hay hombre que pueda resistir a sus embustes y engaños y malicia. Nuestra batalla contra los demonios empezó en el empíreo, prosiguió en el paraíso y, dividiendo las familias, los pueblos, las naciones y todas las generaciones en dos campos, sigue y seguirá hasta el fin de los siglos. Los demonios guardan en las batallas contra Cristo y su Iglesia un orden, y éste no debe serte desconocido. Si Dios ha instituido el sacerdocio para que fuese medianero y ministro de sus gracias ante los pueblos, los demonios han instituido la magia y por ésta tiene comercio, trato y relación con los hombres, y se ha hecho y hace visible, combatiendo públicamente la obra de Dios. Cuando vino Jesucristo, por el ministerio de éstos (mágicos) se hacía adorar en todo el mundo.

8. Jesús los venció muriendo. Entiende el misterio: Jesús ofreció su cuerpo y su sangre sobre la cruz y, aceptada la ofrenda por la justicia de Dios, quedó salvo el hombre del poder de los demonios, y esto es lo que se llama la redención. Ordenó Jesucristo que la redención fuese aplicada por mano apostólica y al efecto, dio y comunicó como Dios todo poder sobre los demonios a los apóstoles y discípulos, y en virtud de este poder los demonios quedaron vencidos y esclavos y sujetos a la mano apostólica. Los apóstoles, llenos de fe en este poder sobre los demonios, se repartieron todas las naciones del mundo y, encadenados los demonios y vencidos por su fe, éstas se convirtieron a Dios. Vengamos a Roma.

9. Pedro se dirigió a Roma y puso allí el trono del sumo pontificado. Lleno de fe en el poder que Jesús le había dado sobre los demonios, los venció y lanzó de esta capital donde estaban los príncipes tenebrosos que dirigían la idolatría del pueblo e imperio romano. La batalla se prolongó tres siglos enteros y venció por fin la fe de los apóstoles en el poder que Jesucristo les había dado sobre el infierno.

10. Triunfante la Iglesia en Constantino emperador, comunicó todo su poder a los sacerdotes y ordenó los exorcistas; y éstos fueron nuestro dedo y nuestro brazo para mantenerlos ligados y encadenados; y a no ser así, si los demonios hubiesen quedado libres y desencadenados, pocos adelantos hiciera la religión. Corriendo los siglos por su carrera, la fe sobre la existencia de los demonios, sobre su poder, malicia e influencia en los destinos del mundo, sobre el poder comunicado a los exorcistas sobre ellos, sobre la necesidad e importancia del ministerio de éstos, fue disminuyendo porque en estas batallas a la fe ha de acompañar el ayuno, penitencia y oración. Entibiándose el fervor de la caridad, también se oscureció aquella luz que descubre a los exorcistas y manifiesta los demonios y sus obras de maldad; y al paso que se oscureció la fe sobre todo lo que es materia y objeto del exorcistado, cesó el ejercicio de este ministerio, y a proporción que éste cesó, los demonios tomaron libertad y fuerza, poder y dominio sobre la tierra.

Fr. Francisco Palau


Carta ao Revmo. Pe. Pascual de Jesus Maria
Procurador Geral em Roma, da Ordem do Carmo

Índice: Razões do atraso de um ano em responder. Descrição de Vedrá e de sua vida ali. História, em tom e estilo figurados, de sua missão (junto) ao exorcistado. Vinculação do mesmo na missão do Profeta Elias e da Ordem do Carmelo.

Nota do Editor: Existem várias redações desta Carta, na qual, ao que parece, incluía uma longa exposição sobre sua atividade de exorcista. Dos 3 fragmentos (cfr. Ed. Completa, pp. 382-391) publicamos aquele que oferece um texto mais seguro, contínuo e correto (a de N-III da Carta 115, da citada Edição).


Ilha de Vedrá - Ibiza


Texto

Vedrá, 1 de Agosto de 1866.

1) Revmo. Padre: Recebi em seu devido tempo a carta de V. Revcia. e foi para mim um consolo muito grande, pois vi nela, numa época de tanta ruína, Espírito e Vida. Não respondi porque esperava ver o desenlace de uma missão, a mais conturbada que tenha tido em minha vida, a qual não terminou até agora. Por interesse meu e da Ordem, vou dar conta a V. Revcia. de tudo que me sucedeu. Falarei com liberdade e nada ocultarei de quanto possa servir ao bem de nossa Ordem e da Igreja.

2) Desterrado em 1854 “propter Verbum Dei” às ilhas baleares, a Providência divina tinha-me preparado nelas um deserto tal qual meu coração desejava. A oeste da ilha de Ibiza temos uma ermida situada sobre as extremidades de penhascos que tocam os mares, e, uma légua adentro das águas, o mapa marca, sob o nome de Vedrá, uma ilhota que tem uma légua de circunferência. Seus picos, que saem do mais fundo do Mediterrâneo, levantam-se até os céus e, para que nada faltasse ao solitário, abriu Deus uma fonte sobre o cimo deste monte, o qual dá hospitalidade a todas as aves que vem à noite recolher-se entre as aberturas de suas penhas. Separada da ilha de Ibiza, ninguém pode se aproximar sem um barco; e suas colunas sobem tão verticalmente sobre as águas, que não o podem escalar senão os peritos da região. É onde me retiro para minha vida solitária. A ermida tem um bote, os ermitãs são pescadores, deixam-me sobre as penhas e permaneço só, solitário, seguro de não ver e nem ser visto por pessoa alguma. O clima é magnífico e o lugar é tão pitoresco quanto o possa desejar um solitário.

3) Há 10 anos que nos verões venho a este monte dar conta a Deus de minha vida e consultar os desígnios de Sua Providência sobre a Ordem a que pertenço. Aí segue a história sobre o passado, presente e o porvir da Ordem do Carmo.


No ano de 1864, tendo-me retirado a este monte, uma grande voz, que há 20 anos me tem falado nos desertos sobre os destinos de nossa Ordem, e a qual não sabia de onde procedia, disse-me com grande força o que segue:

“Eu sou o Anjo de que fala o Capítulo XX do Apocalipse; a mim está confiada a custódia do pendão do Carmelo e a direção dos filhos desta Ordem. Eu guardo o Trono Pontifício de Roma e os muros dessa Cidade face aos Demônios e a Revolução que a circundam. Venho a ti, enviado por Deus, para instruir-te sobre o porvir da Ordem a que pertences, para que saibas a missão que hás de cumprir e sua forma.

Eu vou abandonar Roma. Tirarei dela o Trono Pontifício e a Cidade será entregue ao poder dos Demônios e da Revolução. Roma não será mais o centro da Religião de Jesus; degolará seus Sacerdotes e Religiosos e outra vez se constituirá em inimiga de Cristo e de Sua Igreja. O Trono do Sumo Pontifício não voltará mais a Ela, porque será transladado a outra parte”.

4) Não podendo crer no que via, acrescentou: “Roma será severamente castigada e o dia está muito próximo, dia de pranto e luto, de sangue e fogo, e, para que vejas quão justas são as vinganças celestes, vem, sobe ao cume deste monte e dali verás as abominações introduzidas no lugar Santo, preditas por Daniel, o Profeta”.

Cheio de terror e espanto, eriçados os cabelos, horripiladas minhas carnes, subi ao cume do monte: “Olha e observa bem o que há no Santuário, observa, cala, guarda o segredo; o Mistério da Iniquidade está já consumado, eu vou castigar os culpados e o sangue dos justos aplacará a ira de Deus”.

5) Eu orava com grandes instâncias pela Igreja e ele contestou: “As súplicas e orações pela Igreja Santa são acolhidas aos ouvidos de Deus. Não rezes por Roma, porque o Decreto de Deus é irrevogável, o castigo dos culpados e a paciência dos Mártires restituirão à Igreja Santa sua liberdade, suas glórias e seu esplendor.

6) Elias, Profeta grande, e os filhos de sua Ordem sois, e adiante sereis, meu dedo e o Dedo de Deus e meu braço nas batalhas contra os Demônios e contra a Revolução, e para que vossa fé no dia das batalhas não falte, Deus enviou-me a ti que vive nos desertos, atento à minha voz, para instruir-te acerca e sobre a matéria e objeto do Ministério do Exorcistado. Eu sou o Anjo que tem nas mãos as cadeias e as Chaves do Abismo. A mim estão sujeitos todos os Demônios do Inferno e, para que saibais o modo de vos apresentar nas batalhas, devo manifestar-te um mistério. E é o seguinte:

7) Criados os Anjos e postos no empíreo, Deus nos propôs Cristo, Deus Encarnado, por Rei, Cabeça e Príncipe. O supremo de todos os Anjos não quis sujeitar-se nem adorá-lO. Seguiram-no na rebelião uma multidão, mais do que ninguém pode imaginar, e foram precipitados nos Infernos.

Deus, para confusão sua e por ordem de Sua Providência, deixou-os neste ar e sobre a terra, e servem de açoite contra os crimes e de prova à fidelidade dos justos. É tão grande seu poder e tal sua malícia contra os homens, que Deus nos tem mandado custodiá-los, para serem salvos de sua perversidade. Sem nós, não há homem que possa resistir a seus embustes, enganos e malícias. Nossa batalha contra os Demônios começou no empíreo, prosseguiu no paraíso e, dividindo as famílias, povos, nações e todas as gerações em dois campos, segue e seguirá até o fim dos séculos. Os Demônios guardam nas batalhas contra Cristo e Sua Igreja uma ordem, e esta não deve ser desconhecida. Se Deus constituiu o Sacerdócio para que fosse medianeiro e ministro de Suas graças juntos aos povos, os Demônios instituíram a magia e por esta têm comércio, trato e relação com os homens, e têm-se feito e se fazem visíveis, combatendo publicamente a Obra de Deus. Quando veio Jesus Cristo, os Demônios, pelo ministério desses mágicos, faziam-se adorar em todo o mundo.

8) Jesus os venceu morrendo. Entende o Mistério: Jesus ofereceu Seu Corpo e Seu Sangue sobre a Cruz e, aceita a oferenda pela Justiça de Deus, foi salvo o Homem do poder dos Demônios, e isto é o que se chama Redenção. Ordenou Jesus Cristo que a Redenção fosse aplicada por Mão Apostólica, e para isto deu e comunicou como Deus todo o poder sobre os Demônios, aos Apóstolos e Discípulos, e em virtude deste poder, os Demônios foram vencidos, escravos e sujeitos à Mão Apostólica. Os Apóstolos, cheios de neste poder sobre os Demônios, dividiram entre si todas as nações do mundo e, encadeados os Demônios e vencidos por sua , elas se converteram a Deus. Venhamos à Roma.

9) Pedro se dirigiu à Roma e pôs ali o trono do Sumo Pontificado. Cheio de no poder que Jesus lhe havia dado sobre os Demônios, venceu-os e lançou-os desta Capital onde estavam, os príncipes tenebrosos que dirigiam a idolatria do povo e do Império Romano. A batalha prolongou-se por 300 anos inteiros e venceu por fim a dos Apóstolos no poder que Jesus lhes havia dado sobre o Inferno.

10) Triunfante a Igreja em Constantino Imperador, comunicou todo seu poder aos Sacerdotes e ordenou os Exorcistas; e estes foram nosso dedo e nosso braço para mantê-los (os Demônios) ligados e encadeados; e se não fosse assim, se os Demônios tivessem ficado livres e desencadeados, poucos progressos teria feito a Religião.

Com o curso dos séculos, a sobre a existência dos Demônios, sobre seu poder, malícia e influência nos destinos do mundo, sobre o poder comunicado aos Exorcistas sobre eles, sobre a necessidade e importância do Ministério destes, foi diminuindo, porque nestas batalhas a de acompanhar o jejum, a penitência e a oração. Entibiando-se o fervor da caridade, também se obscureceu aquela luz que descobre e manifesta aos Exorcistas os Demônios e suas obras de maldade; e à medida em que se obscureceu a a respeito de tudo quanto é matéria e objeto do Exorcista, cessou o exercício desse Ministério, e na proporção em que este cessou, os Demônios adquiriram liberdade e força, poder e domínio sobre a terra”.

Fr. Francisco Palau.


Assim termina, de uma maneira misteriosa e sem despedida, esta carta extraída do livro “Obras Selectas del Beato Francisco Palau”.


[1]   Existen varias redacciones de esta carta, en la que al parecer, incluía una larga exposición sobre su actividad de exorcista. Se publican los tres fragmentos conservados. El Carmelo descalzo en 1866 estaba gobernado por el P. Pascual de Jesús María, Urbiola, como Procurador General con residencia en Roma, y por el P. Juan de Santo Tomás de Aquino, Maldonado, con residencia en Alcalá de Henares. Los dos desempeñaron sus respectivos oficios hasta la fusión de las Congregaciones española e italiana el 12 febrero de 1875.


A Importância do Ministério do Exorcismo

O Bem-aventurado Padre Francisco Palau, fundador dos Irmãos Carmelitas Eremitas, dedicou grande parte de sua vida para tentar convencer os Prelados da Igreja do seu tempo da importância do Exorcismo. O Papa Pio IX havia declarado na abertura do Concílio Vaticano I: “O Diabo tem investido contra a Santa Igreja com raiva e furor constituindo-se a cabeça de uma enorme propaganda de ímpios.” O Papa Leão XIII havia determinado que se rezasse a oração de São Miguel Arcanjo no fim de cada missa, pois, previa os estragos que Satanás armava para a grei de Deus nestes últimos tempos. Não obstante isso, pouco se fez para levar adiante este combate espiritual. Infelizmente, não foram atendidas as reivindicações que o Padre Palau fez para se estabelecer uma grande rede de exorcistas que, em todas as partes do mundo, estariam disponíveis numa função permanente, para lutar contra os estragos do demônio nas almas e na sociedade. Foi em virtude disto que ele estabeleceu em Barcelona um periódico semanal sob o título de El Ermitaño. Dizia num destes artigos (El Ermitaño n.76 - 1870): “Temos impugnado e atacado, como católicos, à Revolução, porque a cremos obra do diabo que deseja por ela, reconstruir, sobre as ruínas do catolicismo, o paganismo moderno. Tudo isto é comandado pelos anjos maus que levantaram a bandeira de rebelião contra nosso Criador, liderados por Lúcifer. Devemos buscar sua cabeça para decapitá-la ou esmagá-la. Nesta batalha, cremos ter ao nosso lado a ajuda do céu e, na terra, de todas as criaturas que não estão infectadas deste crime de rebelião. Cristo, com sua vinda, reprimiu e destruiu o poder dos demônios. Entretanto, a Igreja sempre ensinou que devemos continuar a luta contra o inimigo: cui resistite fortes in fide.(I Pe. 5,8) Há uma necessidade suprema, urgente e alarmante de reprimir a audácia dos demônios e de socorrer as pessoas que estão sob o jugo de sua opressão e que pedem o auxílio da Religião. Esta calamidade não respeita classe, idade, sexo ou condição. Por toda parte há marcas de destruição e ruína. Atinge o mais idoso, como a criança que amamenta e não está livre nem sacerdote ou a religiosa que vive no claustro. É um quadro tão horripilante que inspira compaixão e lástima! É preciso que a Santa Mãe Igreja acolha os seus filhos e filhas que acodem a seu amparo. Não é lícito abandonar um energúmeno até vê-lo salvo. É um grave crime um pastor abandonar a ovelha ao furor do lobo. Seria preciso que houvessem lugares próprios para cuidar desses casos, onde os energúmenos pudessem ser amparados espiritual e materialmente. Seria necessário que se constituísse, pela autoridade eclesiástica, um corpo de exorcistas que tivessem recursos necessários para sua atuação, que tivessem tempo e solidão para rezar, e os demais meios que a religião dispõe para proceder os exorcismos. Se este ministério fica reservado aos bispos, já que eles não podem se dedicar a esta ação, a luta está exposta a uma segura derrota! É preciso que, sob a dependência direta do Papa, se constitua um exército de sacerdotes que desempenhem livremente este ministério em toda parte, pois a necessidade é urgente e não pode ser prorrogada! Sob a luz da fé entendemos que são os malefícios e invocações satânicas a causa radical desta anarquia e ruína universal que a passo acelerado conduz a sociedade para uma catástrofe espantosa. O Reino de Deus e a vitória da Igreja só acontecerão pelo exorcismo: Si in digito Dei eicio Demonia, prefecto pervenit in vos regnum Dei, disse o Senhor. Se for suspenso este “Dedo de Deus” que expulsa os demônios, a sociedade humana será entregue como escrava à tirania do inimigo. Pedimos que a autoridade do Papa se manifeste e arme novamente sua Igreja deste poder: Demones ejicite! Expulsai os demônios! Eis a ordem que Cristo nos deu! Mas, infelizmente, nos nossos tempos a apostasia encontrou apoio na doutrina da psicologia e já não acredita na ação do demônio nas almas. Generatio prava et perversa! Nenhum sinal será dado ao “católico” incrédulo! Mas declaramos que este anti-cristianismo se afundará nos abismos, com toda sua incredulidade e, sobre suas ruínas, a fé católica levantará novamente sua obra”. Que estas palavras proféticas produzam frutos em nossos dias, já que chegamos ao ápice desta crise da Igreja e do mundo!


Fonte: El Ermitaño n. 76 - 1870.


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