BLOG CATÓLICO PARA OS CATÓLICOS.

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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

terça-feira, 16 de junho de 2026

INÍCIO DA IDOLATRIA E APOSTASIA EM ISRAEL, NO TEMPO DO REI ACAB.

 

INÍCIO DA IDOLATRIA E APOSTASIA DE ISRAEL

NO TEMPO DO REI ACAB


A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

A SERVIÇO DO CATOLICISMO


Quando se deu início a idolatria e a apostasia de Israel, na época do rei Acab, e por qual motivo?


A idolatria e a apostasia de Israel no tempo do rei Acab, não surgiu de modo repentino. Ela foi o ponto culminante de um longo processo de infidelidade religiosa, que vinha desde a divisão do reino após a morte de Salomão. Contudo, a Escritura apresenta o reinado de Acab (c. 874–853 a.C.), como um momento particularmente grave, porque o culto a Baal não apenas foi tolerado, mas oficialmente promovido pelo próprio rei.


1. As Raízes da Apostasia:

a Divisão do Reino.

Após a morte de Salomão, o reino dividiu-se em dois:


  • Judá, ao sul, com Jerusalém e o Templo.

  • Israel, ao norte, governado por Jeroboão I.


Temendo que seus súditos continuassem peregrinando a Jerusalém, Jeroboão criou santuários rivais em Betel e Dã e estabeleceu bezerros de ouro para o culto (1 Rs 12, 26-33).

A Escritura considera esse ato, o início oficial da corrupção religiosa do Reino do Norte: “Jeroboão fez Israel pecar”.

Assim, muito antes de Acab, Israel já havia se afastado da plena fidelidade à Aliança.

2. O Agravamento sob Acab.

A situação tornou-se muito mais grave, quando Acab subiu ao trono.

O Texto Sagrado afirma: "Acab, filho de Amri, fez o que é mau aos olhos do Senhor, mais do que todos os seus predecessores" (1 Rs 16, 30).

E acrescenta: “Tomou por esposa Jezabel, filha de Etbaal, rei dos sidônios (na Fenícia); passou a servir Baal e a adorá-lo” (1 Rs 16, 31).

Aqui encontramos, a causa imediata da grande apostasia.

Motivos principais:

a) Aliança Política com os Fenícios.

O casamento de Acab com Jezabel, foi uma aliança diplomática.

A Fenícia era uma potência comercial importante. A união matrimonial prometia:


  • Estabilidade econômica;

  • fortalecimento militar;

  • ampliação do comércio.


Mas a aliança política trouxe consigo, a influência religiosa pagã.

b) Influência de Jezabel.

Jezabel não era apenas uma princesa estrangeira.

Ela era filha de Etbaal, rei de Tiro e sacerdote de Astarte.

Trouxe para Israel:


  • sacerdotes de Baal;

  • sacerdotes de Aserá;

  • culto oficial aos deuses cananeus.


A Escritura relata: “Ergueu um altar a Baal, no templo que lhe edificou em Samaria” (1 Rs 16, 32).

Pela primeira vez, o culto a Baal, recebeu apoio institucional da Monarquia Israelita.

c) Prosperidade Material e Acomodação Espiritual.

Muitos estudiosos observam, que o reinado de Acab foi economicamente próspero.

Quando uma sociedade prospera, surge frequentemente a tentação de confiar:


  • na riqueza,

  • na política,

  • no poder humano,

mais do que em Deus.


Baal era considerado o deus:


  • da fertilidade;

  • das chuvas;

  • das colheitas.


Para muitos israelitas, parecia vantajoso cultuá-lo, juntamente, com Javé.

Assim nasceu um fenômeno muito perigoso: o Sincretismo religioso.

3. O Verdadeiro Problema:

a Ruptura da Aliança.

A questão não era apenas a existência de ídolos.

O pecado consistia, em abandonar a exclusividade do Culto ao Deus de Israel.

O Primeiro Mandamento exigia: “Não terás outros deuses diante de mim
(Ex 20, 3).

Mas Israel começou a pensar, que poderia servir simultaneamente:


  • ao Senhor;

  • e a Baal.


É exatamente contra essa duplicidade, que Elias se levanta.

No Monte Carmelo ele proclama: “Até quando coxeareis dos dois lados? Se o Senhor é Deus, segui-O; se Baal é deus, segui-o” (1 Rs 18, 21).

Esta frase resume, toda a crise religiosa da época.

4. A Resposta Divina:

a Missão de Elias.

Deus suscita Elias, para combater essa apostasia.

Há um profundo simbolismo no castigo da seca:

Baal era considerado, o senhor das chuvas.

Por isso, Deus fecha os Céus durante três anos e meio (1 Rs 17, 1), demonstrando que:


  • Baal não controla a natureza;

  • Javé, é o Único Senhor do Céu e da terra.


O Monte Carmelo torna-se então, o Grande Julgamento entre o Deus Verdadeiro e os falsos deuses.


Leitura Patrístico-Mística.

Os Padres da Igreja viram em Acab e Jezabel, figuras espirituais permanentes.


  • Santo Agostinho vê em Baal, a imagem de todos os bens terrenos que, competem com Deus no coração humano.

  • São Gregório Magno interpreta Jezabel, como símbolo da sedução do mundo que, procura corromper a alma fiel.

  • São Beda, o Venerável, vê Elias, como figura dos pregadores, que restauram a fé em tempos de decadência.

  • A Tradição Carmelitana contempla Elias, como o defensor da pureza do culto divino e da absoluta soberania de Deus.


Por isso, a apostasia de Israel não é apenas um acontecimento histórico. Ela representa a luta constante entre a fidelidade a Deus e a tentação de substituir Deus por qualquer realidade criada.

Em última análise, a queda de Israel começou, quando a confiança na Aliança foi substituída pela confiança nas conveniências políticas, na prosperidade material e nas falsas seguranças humanas. Foi para restaurar o Primado absoluto de Deus, que o Senhor levantou o Profeta Elias, cuja voz continua ecoando através dos séculos: “Se o Senhor é Deus, segui-O (1 Rs 18, 21).

Isto quer dizer que, Jezabel exercia proeminente influencia sobre o rei Acab, ou seja, ela querendo ou não, governava o Reino de Israel, e com isso ela se torna, a fonte mesma da idolatria.


Em grande medida, sim. O relato bíblico apresenta Jezabel, como uma figura de enorme influência sobre Acab e sobre a vida religiosa do Reino de Israel. Contudo, é importante fazer uma distinção teológica e histórica: Jezabel foi uma poderosa promotora da idolatria, mas não a única causa dela, nem Acab pode ser absolvido de sua responsabilidade.

A Escritura destaca o papel singular de Jezabel: “Não houve realmente ninguém como Acab, que se vendeu para fazer o mal aos olhos do Senhor, porque Jezabel, sua mulher, o impelia” (1 Rs 21, 25).

Este versículo é particularmente importante. O Autor Sagrado afirma que, Jezabel incitava, estimulava e pressionava Acab para o mal. Sua influência não era meramente doméstica; ela se estendia à política, à religião e à administração do reino.

Vemos isso claramente em vários episódios:


  • Ela sustenta centenas de profetas de Baal e de Aserá (1 Rs 18, 19).

  • Ela promove a perseguição aos Profetas do Senhor (1 Rs 18, 4; 19, 2).

  • Ela organiza a trama que leva à morte de Nabot (1 Rs 21).

  • Ela parece agir com autoridade própria, utilizando inclusive o selo real de Acab (1 Rs 21, 8).


Sob esse aspecto, muitos exegetas observam, que Jezabel exerce uma influência extraordinária, chegando em certos momentos a agir como a força dominante por trás do trono.

Todavia, a Bíblia não transfere para ela toda a culpa. Acab continua sendo o rei legítimo e responsável diante de Deus. O Texto Sagrado condena diretamente Acab: “Acab fez mais para irritar o Senhor, Deus de Israel, do que todos os reis de Israel que o precederam” (1 Rs 16, 33).

Portanto, Acab não foi uma vítima passiva. Ele consentiu, apoiou e participou da idolatria.


A Interpretação dos Padres da Igreja.

Muitos Padres viram em Jezabel, uma figura simbólica da sedução espiritual.

Santo Ambrósio e São Gregório Magno, entre outros, enxergam nela a imagem das paixões desordenadas, da falsa doutrina e da sedução mundana que procura dominar a alma. Acab, por sua vez, representa a vontade enfraquecida que cede à influência do erro.

Nesse sentido espiritual:


  • Jezabel simboliza aquilo que, tenta ocupar o lugar de Deus.

  • Acab simboliza a alma que, consente com essa usurpação.

  • Elias simboliza a consciência iluminada pela graça, que chama à conversão.


Uma Perspectiva Carmelitana.

A Tradição Carmelitana costuma contemplar o conflito entre Elias e Jezabel, como um combate entre dois reinos:


  • o Reino da fidelidade à Aliança;

  • o reino da idolatria e da autossuficiência humana.


Jezabel aparece, como a principal representante da religião de Baal em Israel, tornando-se, de fato, a grande promotora da apostasia nacional. Contudo, a raiz última da idolatria não está nela, mas no coração humano que prefere a criatura ao Criador.

Por isso, o drama de Israel não foi apenas a influência de uma rainha estrangeira. Foi também a fraqueza de um rei, a complacência de muitos líderes e a adesão de uma parte significativa do povo. Jezabel foi a principal fomentadora da crise, mas a apostasia tornou-se possível porque encontrou receptividade em Acab e em Israel. É precisamente contra essa infidelidade coletiva, que Deus suscita o Profeta Elias.

E, como encerrou essa influência maligna de Jezabel sobre o reino de Israel, e como se deu o final desta promotora do mal.


A influência de Jezabel sobre Israel não terminou de forma imediata, após o episódio do Monte Carmelo. Embora Elias tenha derrotado os profetas de Baal e levado o povo a reconhecer o Senhor (1 Rs 18), Jezabel permaneceu viva, poderosa e hostil ao Deus de Israel. Seu fim só ocorreu anos mais tarde, durante a revolução conduzida por Jeú.

1. O Julgamento Profético Anunciado por Elias.

Após o assassinato de Nabot, Jezabel e Acab atingem o auge de sua corrupção moral.

Nabot, havia se recusado legitimamente a vender sua vinha ao rei. Jezabel então, arquitetou uma falsa acusação de blasfêmia, levando-o à morte (1 Rs 21).

Foi então, que Elias recebeu de Deus uma das mais severas profecias de julgamento do Antigo Testamento: “Os cães devorarão Jezabel junto ao muro de Jezrael” (1 Rs 21, 23).

A sentença divina não se limitava à pessoa de Jezabel, mas atingia toda a dinastia de Acab.


2. A Ascensão de Jeú.

Anos depois, Deus ordenou ao profeta Eliseu que, enviasse um discípulo para ungir Jeú como rei de Israel (2 Rs 9, 1-13).

Jeú recebeu uma missão específica:


  • Destruir a casa de Acab;

  • punir os crimes de Jezabel;

  • erradicar o culto oficial a Baal.


Assim, Jeú tornou-se instrumento do Juízo Divino contra a apostasia, que havia dominado o reino.

3. O Encontro Final entre Jeú e Jezabel.

Quando Jeú se aproximou de Jezrael, Jezabel soube que ele vinha.

A Escritura descreve uma cena impressionante: “Jezabel, ouvindo isso, pintou os olhos, adornou a cabeça e pôs-se a olhar pela janela” (2 Rs 9, 30).

Os Padres e comentaristas veem nesse gesto, um símbolo de sua persistência no orgulho e na sedução até o último instante.

Ao ver Jeú, ela o insultou: “Correu tudo bem a Zambri, assassino de seu senhor?” (2 Rs 9, 31).

Mas Jeú, levantou os olhos para a janela e perguntou: “Quem está comigo?” (2 Rs 9, 32).

Dois ou três eunucos se inclinaram para ele.

Então, Jeú ordenou: “Lançai-a abaixo” (2 Rs 9, 33).

Eles a precipitaram da janela.

Seu sangue respingou no muro e nos cavalos.

Jeú passou por cima dela.


4. O Cumprimento Literal da Profecia.

Mais tarde, quando foram sepultá-la, encontraram apenas:


  • o crânio;

  • os pés;

  • as palmas das mãos.


O restante havia sido devorado pelos cães.

Assim se cumpriu a palavra pronunciada por Elias: “No campo de Jezrael, os cães devorarão a carne de Jezabel” (2 Rs 9, 36).

A Escritura apresenta esse acontecimento, como uma manifestação solene da Justiça Divina.


5. O Significado Espiritual,

Segundo os Santos Padres.

Os Padres da Igreja veem nesse episódio, mais do que uma punição histórica.

São Jerônimo

São Jerônimo considera Jezabel, uma imagem da soberba que, se rebela contra Deus e procura seduzir os fiéis para a idolatria.

Sua queda da janela simboliza, a queda inevitável do orgulho humano.


São Gregório Magno

São Gregório observa que, o mal pode parecer triunfar por muito tempo, mas permanece sempre sob o julgamento divino.

Jezabel perseguiu profetas, manipulou reis e dominou uma nação, mas não conseguiu escapar da sentença de Deus.


Santo Beda, o Venerável.

Para S. Beda, os cães que devoram Jezabel, representam a completa ruína de tudo aquilo que se opõe ao Reino de Deus.

Nada permanece, da glória aparente da impiedade.


6. A Leitura Carmelitana.

Na espiritualidade carmelitana, Jezabel frequentemente aparece, como a grande adversária de Elias.

Ela simboliza:


  • a idolatria;

  • a sedução do mundo;

  • a falsa religião;

  • a perseguição aos fiéis;

  • a tentativa de substituir Deus, pelos ídolos do poder e da prosperidade.


Elias, por sua vez, representa a fidelidade absoluta ao Deus vivo.

Por isso, o fim de Jezabel possui um profundo valor simbólico: não importa quão poderosa pareça a oposição a Deus, ela é passageira. O triunfo final pertence ao Senhor.

O Livro do Apocalipse retomará essa figura, ao falar da "mulher Jezabel" (Ap 2, 20), transformando-a em símbolo permanente das falsas doutrinas e da corrupção espiritual que, procuram seduzir o povo de Deus.

Assim, a morte de Jezabel, não é apenas o fim de uma rainha. Ela é apresentada pela Escritura, como o julgamento de um sistema de idolatria, perseguição e rebelião contra Deus. O mesmo Deus que suscitou Elias para denunciar o mal, suscitou Jeú para executar o juízo anunciado, mostrando que a palavra profética jamais cai por terra.

Por que "Eunucos", para lançarem fora a Rainha Jezabel pela janela. Existe alguma explicação mística para isso?


Sim. Há, antes de tudo, uma explicação histórica, e depois os Padres e Autores Espirituais, extraíram algumas interpretações místicas e alegóricas desse episódio.


1. O Sentido Histórico: Por Que Eunucos?

Na antiguidade oriental, os eunucos eram frequentemente oficiais da corte real. Eles serviam nos palácios e eram considerados particularmente confiáveis, para funções ligadas à casa real.

Quando Jeú chegou a Jezrael, Jezabel ainda se encontrava em seu palácio. Os homens mais próximos dela naquele momento, eram justamente os servos palacianos, entre os quais havia eunucos.

A narrativa é muito significativa: "Jeú levantou os olhos para a janela e disse: 'Quem está comigo? Quem?' Dois ou três eunucos olharam para ele" (2 Rs 9, 32).

Até aquele instante, eles pertenciam à casa de Jezabel. Porém, quando Jeú aparece como executor do julgamento divino, eles abandonam sua lealdade à rainha e se colocam ao lado do novo rei.

Historicamente, isso demonstra que o poder de Jezabel já estava desmoronando. Nem mesmo, os seus servidores mais próximos a defendem.


2. O Sentido Espiritual:

a queda da falsa soberania.

Muitos comentaristas antigos observam, que Jezabel não é derrubada por generais, profetas ou nobres, mas por servos da própria casa.

Há aqui um simbolismo profundo: Deus frequentemente humilha os soberbos, por meio daqueles que eles consideram insignificantes.

Lembra o Cântico de Nossa Senhora: “Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes” (Lc 1, 52).

Aquela que dominava reis e aterrorizava profetas, acaba derrubada por seus próprios servidores.


3. Interpretação Patrística:

as paixões voltam-se contra o pecado.

Alguns Autores Espirituais veem nos eunucos, uma figura das faculdades da alma, libertadas do domínio das paixões.

Jezabel simboliza:


  • a soberba;

  • a sedução do mundo;

  • a idolatria.


Enquanto a alma está escravizada pelo pecado, suas forças interiores servem a Jezabel.

Mas quando chega Jeú — figura do juízo de Deus ou da conversão — essas mesmas forças se voltam, contra o pecado que antes serviam.

Nesse sentido, os eunucos representam tudo aquilo que, pela graça, deixa de servir ao mal e passa a cooperar com Deus.


4. Uma Leitura Carmelitana.

Na Tradição Espiritual ligada a Elias, Jezabel é frequentemente vista como símbolo do “homem velho”, das paixões desordenadas e da falsa religião.

Os eunucos possuem uma característica peculiar: são homens que não geram descendência.

Alguns Autores Místicos enxergaram nisso, uma imagem da alma desapegada, da fecundidade das paixões mundanas.

Em linguagem simbólica:


  • Jezabel gera idolatria.

  • Os eunucos, não geram nada para ela.


Por isso, tornam-se instrumentos de sua queda.

Essa interpretação não é o sentido literal do texto, mas uma leitura espiritual, desenvolvida ao longo dos séculos.


5. O Simbolismo da Janela.

Há ainda, outro detalhe místico.

Jezabel é lançada da janela.

Diversos Padres associam a janela, aos sentidos pelos quais a alma olha para o mundo.

Jezabel aparece na janela adornada, pintada e altiva (2 Rs 9, 30), ainda confiando em sua própria beleza, influência e poder.

Mas é precisamente dessa posição de orgulho, que ela cai.

São Gregório Magno comenta frequentemente que, a soberba eleva o homem apenas, para torná-lo mais vulnerável à queda.

Assim, a janela torna-se símbolo da falsa exaltação do mundo; a queda, símbolo do juízo divino.


Síntese Mística.

Numa leitura espiritual, inspirada pela Tradição Patrística e Carmelitana:


  • Jezabel representa, a soberba, a idolatria e a sedução do mundo.

  • Jeú representa, o juízo de Deus e a conversão radical.

  • Os eunucos representam as forças da alma, que deixam de servir ao pecado.

  • A janela representa, a falsa elevação do orgulho.

  • A queda representa, a derrota inevitável de tudo o que se opõe a Deus.


O fato de serem eunucos a lançá-la, não parece possuir um significado explícito, no sentido literal da Escritura. Contudo, no plano espiritual, muitos Autores viram nisso, uma bela imagem da derrota da soberba por instrumentos humildes e inesperados, mostrando que Deus pode derrubar os poderes mais arrogantes, por meio daqueles que o mundo considera pequenos e sem importância.

E, quanto aos cães devorando o corpo de Jezabel, o que os Grandes Autores Místicos comentaram?


A cena dos cães devorando o corpo de Jezabel (2 Rs 9, 35-37), impressionou profundamente os Padres da Igreja, os Comentaristas Medievais e os Autores Espirituais. Embora nem todos tenham comentado diretamente cada detalhe do episódio, a Tradição Cristã viu nesse acontecimento, um símbolo poderoso do juízo divino contra a soberba, a idolatria e a corrupção espiritual.


1. O Sentido Literal:

sinal de maldição e desonra.

No mundo bíblico, não receber sepultura era considerado uma das maiores humilhações possíveis.

Para os israelitas, a sepultura junto aos antepassados, era um sinal de honra. Ser abandonado aos animais significava, uma manifestação pública da maldição divina.

Por isso, quando Elias profetiza: “Os cães devorarão Jezabel no campo de Jezrael” (1 Rs 21, 23), não se trata apenas de anunciar sua morte, mas sua completa desonra diante do povo.

A rainha que desejava perpetuar seu nome, desapareceria sem deixar sequer um túmulo digno.


2. São Jerônimo:

a ruína da glória mundana.

São Jerônimo vê frequentemente nos castigos dos ímpios, uma lição sobre a fragilidade da glória terrena.

Jezabel possuía:


  • Riqueza,

  • poder,

  • prestígio,

  • influência política.


Entretanto, nada disso permaneceu.

Sua beleza, cuidadosamente adornada diante da janela, não impediu que seu corpo, se tornasse alimento para os cães.

A lição espiritual é clara: tudo o que não está fundado em Deus, acaba reduzido ao pó.


3. São Gregório Magno:

a soberba consumida pela corrupção.

São Gregório Magno interpreta muitos episódios semelhantes, como imagens da corrupção interior produzida pelo pecado.

Segundo sua visão espiritual, os cães simbolizam frequentemente aquilo que é baixo, terrestre e ligado à decomposição moral.

Jezabel viveu para alimentar:


  • a idolatria,

  • a violência,

  • a mentira,

  • a perseguição dos justos.


No fim, aquilo que ela cultivou espiritualmente manifesta-se exteriormente.

A corrupção que dominou sua alma, torna-se visível na destruição de seu corpo.


4. Santo Beda, o Venerável:

a memória dos ímpios perece.

S. Beda observa que, quase nada resta de Jezabel: “Encontraram apenas o crânio, os pés e as palmas das mãos” (2 Rs 9, 35).

Para ele, isso simboliza o cumprimento do Salmo: “A memória dos ímpios perecerá” (Sl 112, 6).

Aqueles que edificam sua grandeza contra Deus, podem parecer invencíveis durante algum tempo, mas sua memória acaba consumida pelo próprio juízo divino.


5. A Interpretação Moral dos Autores Medievais.

Diversos Autores Medievais enxergaram nos cães, uma figura das paixões desordenadas.

Jezabel passou a vida, alimentando os apetites do poder:


  • Ambição,

  • sensualidade,

  • domínio,

  • crueldade.


No final, essas mesmas forças, simbolicamente, a devoram.

É uma imagem espiritual muito forte:

O pecado que alimentamos

acaba por consumir aquele que o alimenta.


6. A Leitura Mística Carmelitana.

Na Tradição Espiritual inspirada por Elias, Jezabel representa tudo aquilo, que se opõe à pureza do coração exigida pelo Deus Vivo.


Ela simboliza:


  • a idolatria;

  • a autossuficiência;

  • a manipulação religiosa;

  • a perseguição da Verdade.


Os cães podem ser vistos, como símbolo da completa derrota dessas forças.

O que é significativo, é que nada resta de sua beleza, de seu prestígio ou de sua autoridade.

Apenas o juízo de Deus permanece.

Os Carmelitas, frequentemente contemplam aqui, o contraste entre Elias e Jezabel:


  • Elias desaparece misteriosamente num carro de fogo e é elevado ao Céu.

  • Jezabel cai da janela e é consumida pelos cães.


Um, é elevado por sua fidelidade.

A outra, é abatida por sua rebelião.


7. Uma Interpretação Profundamente Espiritual.

Alguns Místicos veem ainda, um simbolismo nos restos encontrados:

O crânio: Representaria, os pensamentos orgulhosos e os projetos contrários a Deus.

Os pés: Representariam, os caminhos percorridos no mal.

As mãos: Representariam as obras praticadas.

Tudo o mais desaparece.

É como se a Escritura estivesse mostrando que, diante do juízo divino, permanecem apenas as obras realizadas e a direção que a pessoa deu à sua vida.

Conclusão Mística.

Para os Grandes Autores Espirituais, os cães que devoram Jezabel não são apenas um detalhe macabro da narrativa. Eles representam a manifestação visível de uma verdade eterna: o mal contém em si mesmo, o princípio de sua própria destruição.

Jezabel procurou destruir os Profetas, corromper a Aliança e substituir o Culto do Deus Vivo pelo culto dos ídolos. Contudo, ao final, não foi Elias quem a destruiu, nem um exército estrangeiro, mas o próprio juízo de Deus, anunciado pela palavra profética.

A Tradição Mística contempla essa cena, como um aviso solene: toda soberba, toda idolatria e toda oposição consciente à Verdade, podem parecer triunfar por um tempo, mas, diante de Deus, estão destinadas a desaparecer. Somente aqueles que, como Elias, vivem consumidos pelo zelo do Senhor permanecem para a eternidade.

Fazei-me um Sermão Teológico

e profundo sobre este Estudo.


Sermão Teológico-Místico.


Elias e Jezabel:

O Combate entre o Reino de Deus

e o Reino dos Ídolos.


“Tenho sido consumido de zelo

pelo Senhor Deus dos Exércitos”

(1 Rs 19, 10).


Amados irmãos e irmãs,

A história de Elias e Jezabel não pertence apenas ao passado de Israel. Ela é uma das mais profundas revelações do combate espiritual, que atravessa toda a história da salvação, da luta que se trava no coração de cada homem, na vida da Igreja e no destino das nações.

Não estamos diante de uma simples disputa política entre um Profeta e uma rainha. Estamos diante do confronto entre duas cidades espirituais: a Cidade de Deus e a cidade do homem; o Reino de Cristo e o reino dos ídolos.

Jezabel é mais que uma pessoa histórica. Elias é mais que um Profeta histórico. Ambos se tornam figuras permanentes de uma realidade espiritual que continua até os nossos dias.

I. O Mistério da Apostasia.

A apostasia de Israel, não começou quando o povo passou a adorar Baal.

Ela começou, quando o povo deixou de amar a Deus acima de todas as coisas.

Toda idolatria, nasce primeiro no coração.

Antes de existir um altar a Baal, existiu um coração dividido.

Antes de existir uma imagem pagã, existiu uma confiança deslocada.

Antes de existir um falso culto, existiu uma falsa segurança.


Israel começou a confiar mais:


  • na diplomacia do que na Providência;

  • nas alianças humanas do que na Aliança divina;

  • na fertilidade prometida por Baal, do que na fidelidade do Senhor.


Eis, o mecanismo de toda apostasia.

O homem, nunca abandona Deus de uma só vez.

Primeiro, ele diminui Deus.

Depois, ele relativiza Deus.

Finalmente, ele substitui Deus.

Foi isso, que aconteceu com Israel.

II. Jezabel:

o Espírito da Sedução.

Jezabel aparece, como a encarnação de uma força espiritual, que percorre toda a Escritura.

Ela não chega, com violência inicial.

Ela chega com promessas.

Promete prosperidade.

Promete estabilidade.

Promete progresso.

Promete sucesso.

Assim age, o espírito da idolatria.

Nunca se apresenta como inimigo de Deus.

Apresenta-se como complemento de Deus.

Baal, não foi introduzido para substituir imediatamente Javé.

Foi introduzido, para coexistir com Javé.

Mas Deus não aceita concorrentes.

O coração humano, foi criado para um único Senhor.

Por isso Elias pergunta: “Até quando coxeareis entre dois pensamentos?” (1 Rs 18, 21).

Esta pergunta, continua ecoando pelos séculos.

Até quando?

Até quando, servir a Deus e ao mundo?

Até quando, servir ao Evangelho e aos ídolos modernos?

Até quando, servir a Cristo e ao próprio ego?


III. Acab:

a Tragédia da Vontade Fraca.


Acab, é uma das figuras mais trágicas da Escritura.

Não porque fosse o mais perverso dos homens.

Mas porque, tinha autoridade e não a exerceu para o bem.

A Escritura afirma: “Jezabel o impelia”.

Mas não diz que o obrigava.

Acab consentiu.

Acab permitiu.

Acab colaborou.

Aqui, existe uma lição terrível para todos os tempos.

O mal, raramente triunfa sozinho.

Ele triunfa, porque os bons se tornam passivos.

Triunfa, porque aqueles que deveriam defender a Verdade, preferem o conforto.

Triunfa, porque aqueles que receberam autoridade, a utilizam para si mesmos.

Acab, representa toda consciência que conhece a Verdade, mas não possui coragem para segui-la.


IV. Elias:

o Homem do Absoluto.


No meio da corrupção geral, Deus levanta Elias.

Um único homem.

Sem exército.

Sem riqueza.

Sem poder político.

Mas cheio do Espírito de Deus.

A força de Elias não está nele.

Está na sua total pertença ao Senhor.

Ele não busca popularidade.

Não busca consenso.

Não busca aprovação.

Busca apenas, a glória de Deus.

Por isso a Tradição Carmelitana sempre viu nele, o modelo da alma contemplativa.

A alma que vive diante de Deus, torna-se livre diante dos homens.

Quem teme a Deus, já não teme Jezabel.

Quem vive para Deus, já não vive para agradar ao mundo.

Quem contempla a eternidade, não se curva diante dos poderes passageiros.


V. A Queda de Jezabel.


Chega o dia do juízo.

A rainha aparece na janela.

Adornada.

Pintada.

Orgulhosa.

Até o último instante confia em sua aparência e em seu poder.

Mas a Escritura é implacável.

Os próprios servos a lançam abaixo.

Os eunucos, que antes a serviam, se tornam instrumentos de sua queda.

Que mistério profundo!

Deus não precisa de grandes exércitos, para derrubar os soberbos.

Aquele que domina os reis, pode ser derrubado por servos.

Aquele que parecia invencível, pode cair num instante.

A soberba sempre termina assim.

Ela sobe, para depois despencar.

Ela se exalta, para depois ser humilhada.

Ela se engrandece, para depois desaparecer.


VI. Os Cães e o Juízo de Deus.


Então vem a cena terrível dos cães.

Os Padres viram nela, mais do que um castigo corporal.

Viram um símbolo.

Jezabel passou a vida alimentando a idolatria.

No fim, é consumida.

Aquela que devorava espiritualmente o povo de Deus, é devorada.

Aqui está uma das leis espirituais mais profundas da Escritura:


O pecado que alimentamos,

acaba por nos consumir.


A avareza, consome o avarento.

A luxúria, consome o impuro.

A soberba, consome o orgulhoso.

A idolatria, consome o idólatra.

O homem acaba se tornando semelhante, àquilo que adora.

Se adora Deus, torna-se santo.

Se adora os ídolos, torna-se escravo deles.

VII. O Combate Continua.


Não pensemos que, Jezabel morreu definitivamente em Jezrael.

O Apocalipse mostra que seu espírito continua agindo:


Toleras essa mulher Jezabel...” (Ap 2, 20).


Jezabel reaparece sempre que:


  • a Verdade, é relativizada;

  • a Fé, é adulterada;

  • o Pecado é chamado de bem;

  • os fiéis, são seduzidos pelo mundo.


Ela reaparece, em cada forma de idolatria.

Ela reaparece, em cada cultura que tenta expulsar Deus de seu trono.

Ela reaparece, sempre que o homem quer ocupar o lugar do Criador.

Mas Elias, também continua vivo.

Ele vive na Igreja.

Vive nos Santos.

Vive nos Mártires.

Vive em cada alma que, ousa permanecer fiel, quando todos abandonam a Verdade.


Conclusão:

Escolher entre Elias e Jezabel.


No fundo, toda esta história nos conduz a uma escolha.

Não existe neutralidade.

Ou estamos com Elias.

Ou estamos com Jezabel.

Ou adoramos o Deus Vivo.

Ou adoramos os ídolos.

Ou seguimos Cristo.

Ou seguimos o espírito do mundo.

O Monte Carmelo continua erguido, diante de cada geração.

E a voz do Profeta continua ressoando:


“Até quando coxeareis dos dois lados?

Se o Senhor é Deus, segui-o!”

(1 Rs 18, 21).


Que o Espírito Santo nos conceda o coração de Elias: firme na Verdade, ardente na Caridade, inabalável na Fé e totalmente consumido pelo Zelo da glória de Deus.

E que a Virgem Santíssima, contemplada pela Tradição Carmelitana, como a pequena nuvem vista por Elias sobre o Carmelo, nos conduza ao triunfo definitivo de Cristo, diante do qual toda Jezabel será derrotada e todo ídolo cairá por terra.

Amém.

Fazei-me uma Oração Final sobre este Assunto.


Oração Final

Pela Fidelidade ao Deus Vivo e pela Vitória sobre os Ídolos.


Ó Senhor Deus dos Exércitos,

Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó,

Deus de Elias, Vosso Servo e Profeta,

nós Vos adoramos, bendizemos e glorificamos,

porque somente Vós sois Deus,

e fora de Vós, não existe outro Senhor.


Vós que fizestes descer o fogo sobre o Monte Carmelo,

Vós que confundistes os falsos profetas,

Vós que sustentastes Elias na solidão,

fortalecei também a nossa alma

nos combates desta vida.


Livrai-nos, Senhor,

de toda idolatria visível e invisível.


Guardai-nos do culto do ego,

da vanglória, que busca aplausos,

da avareza, que confia nas riquezas,

da sensualidade, que obscurece a alma,

do orgulho, que resiste a Vossa graça

e de tudo aquilo que, pretende ocupar em nosso coração,

o lugar que pertence somente a Vós.


Ó Deus Santo,

não permitais que o espírito de Jezabel,

espírito de sedução, de mentira e de rebelião,

encontre morada em nós.


Purificai os nossos pensamentos,

santificai os nossos afetos,

ordenai os nossos desejos,

e fazei que toda a nossa vida,

seja um altar erguido para a Vossa glória.


Concedei-nos o zelo ardente do Profeta Elias,

para amarmos a Verdade sem temor,

para defendermos a Fé sem respeito humano,

para permanecermos fiéis quando muitos vacilam,

e para Vos servirmos com coração indiviso.


Quando o mundo nos convidar aos seus ídolos,

fazei-nos recordar que,

somente Vós, tendes palavras de vida eterna.


Quando a perseguição vier,

sede a nossa fortaleza.


Quando a solidão nos visitar,

sede a nossa companhia.


Quando as trevas parecerem triunfar,

fazei-nos recordar, que Vossa Palavra jamais falha

e que nenhum poder da terra,

pode prevalecer contra Vossos desígnios.


Ó Senhor,

derrubai em nós tudo aquilo,

que se opõe a Vossa vontade.


Que caiam os ídolos ocultos,

que sejam destruídos os altares da vaidade,

que sejam consumidas pelo fogo do Espírito Santo,

as raízes da soberba, da tibieza e da infidelidade.


Concedei à Vossa Igreja,

nestes tempos tão necessitados de testemunhas,

muitos filhos e filhas de Elias:

contemplativos na oração,

fortes na Verdade,

ardentes na Caridade,

e inteiramente entregues ao Vosso serviço.


Ó Bem-aventurada Virgem Maria,

Senhora do Carmelo,

pequena Nuvem bendita,

contemplada profeticamente por Elias,

Refúgio dos fiéis e Terror dos Demônios,

guardai-nos sob o vosso Manto Materno.


Ensinai-nos a dizer "sim" a Deus,

em todas as coisas,

a conservar a pureza da Fé,

a perseverar na Esperança

e a permanecer firmes junto de Cristo até o fim.


E quando terminar a nossa peregrinação terrestre,

conduzi-nos ao Monte Santo da Jerusalém Celeste,

onde não haverá mais combate,

nem idolatria,

nem lágrimas,

mas somente a eterna contemplação

do Rosto glorioso do Pai,

do Filho

e do Espírito Santo.


A Vós, Trindade Santíssima,

seja dada toda honra,

toda glória,

todo louvor

e toda adoração,

pelos séculos dos séculos.


Amém.


“Vive o Senhor, Deus de Israel,

em cuja presença estou”

(1 Rs 17, 1).


“Tenho sido consumido de zelo,

pelo Senhor Deus dos Exércitos”

(1 Rs 19, 10).


“Se o Senhor é Deus, segui-O”

(1 Rs 18, 21).


Santo Elias, Profeta do Deus Vivo, rogai por nós.

Nossa Senhora do Carmo, rogai por nós.

Todos os Santos e Santas do Carmelo, intercedei por nós.


Amém.


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