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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Almas na Desgraça de Deus

“Muitos fiéis das nossas Paróquias vivem habitualmente em pecado mortal.

Bispos, Párocos, Missionários, Sacerdotes com curas de almas, e ótimos apóstolos leigos, concordam com esta afirmação.

O próprio Papa Pio XII a confirma: '... há de ser fomentada – com a ânsia de quem assiste a uma lamentável tragédia – a Vida da Graça em milhares de almas, cadáveres ambulantes pelas ruas que vós atravessais, pelos lugares que freqüentais'(Exortação aos sócios da Primária Associação Artístico – Operária: L'Osservatore Romano, de 9-10 de Dezembro de 1952).

E a 8 de Outubro de 1953 o mesmo Sumo Pontífice, ao dirigir-se aos Assistentes da Juventude Católica Italiana, lamentava com palavras cadentes a 'catástrofe espiritual' que dizima a primavera juvenil das almas. 'Conhece o Senhor – prossegue o Santo Padre – a nossa tristeza perante este espetáculo de morte... Desfila pelas nossas estradas como que um macabro cortejo de almas mortas ou moribundas'.
Bem semelhantes a estas são as palavras que o Senhor Cardeal Patriarca de Lisboa dirigiu aos catequistas da sua Diocese no dia 6 de Maio de 1956:

'Quando se passa por essas ruas, sobretudo a certas horas – e já não digo por essas praias, por esses lugares de divertimentos, por certas festas profanas – nós não podemos deixar de ter a impressão de que a maioria dos homens estão mortos – são cadáveres, espiritualmente falando. A Graça de Deus não está nessas almas...

E à Santa Igreja o que importa é comunicar um Deus Vivo não um Deus Morto. A Igreja é doadora do Deus Vivo, do Deus que quer ser a nossa vida, do Deus que se nos comunica para nos associar à Vida da Santíssima Trindade.

E se abrirmos os olhos diante do espetáculo que nos rodeia – não poderemos concluir que a maior parte dos 90% de católicos que há no Patriarcado estão mortos? ... Temos a impressão de estarmos assistindo a uma procissão de mortos a caminho do Inferno'.
'Macabro cortejo de almas mortas' e 'procissão dos mortos a caminho do Inferno', eis como duas autorizadíssimas vozes qualificam com força e incisão a população de uma Nação e de uma Diocese Católicas: Itália e Patriarcado de Lisboa.

Citemos ainda outros testemunhos do Episcopado:

'Quantos cristãos vivem em nossos dias na Graça de Deus, especialmente entre os homens?' - perguntava-se anos atrás o Episcopado da Sardenha. E respondia: 'Muitos, embora conheçam um pouco de Doutrina, na prática não a observam e vivem no pecado, sem se preocuparem com isso... A nossa tristeza é grande, pensando no estado miserável destes nossos filhos desgraçados. E ainda é maior quando nos damos conta de que a maioria dos cristãos de hoje, em muitíssimas Paróquias, é composta por almas... em pecado mortal...

Muitos cristãos, durante as Santas Missões, ou na Quaresma, aproximam-se dos Sacramentos. Mas a sua mentalidade está tão deformada, que crêem ter assim cumprido toda a sua obrigação e que podem ficar tranqüilos durante o ano inteiro, sem voltarem a confessar-se, embora acumulem pecado sobre pecado. É erro gravíssimo, contra o qual Sacerdotes e fiéis devem reagir, porque põem as almas em grande perigo de se perder...


Quem vive meses e anos com o pecado grave na alma, ou não compreende nada do Cristianismo, ou é um verdadeiro delinqüente e quer continuar a sê-lo...

Dirá alguém: − são povoações cheias de Fé, enfeitam a igreja e os altares, fazem festas tão lindas...


 Mas, que interessam a Nosso Senhor tão lindos altares, tão esplêndidas iluminações, cantos tão harmoniosos e estátuas tão artísticas, se as almas estão tão manchadas... se causam asco a seus olhos... se se aliaram aos Demônios para combatê-Lo e desonrá-Lo? O louvor das almas que vivem na sua Graça é o que glorifica ao Senhor. Se ele falta, tudo o mais vale menos do que zero. E aqueles que preparam grandes festas para Deus e, ao mesmo tempo, violam suas Leis, e vivem habitualmente em pecado mortal, são piores que os fariseus, são verdadeiros sepulcros caiados, que têm boa aparência no exterior, enquanto que no interior estão repletos de imundície. Provocam a ira de Deus, que os amaldiçoa'(“Viver na Graça de Deus”, Pastoral Coletiva do Episcopado Sardo na Quaresma de 1938, p. 21).

Afirmações graves, mas que infelizmente correspondem à realidade.

O Santo Padre Pio XI dizia: 'Também em países católicos... são demais aqueles que, embora sigam mais ou menos fielmente as práticas mais essenciais da Religião que se ufanam de professar, não se preocupam com que ao verniz exterior corresponda o esplendor de uma consciência reta e pura'(Carta Encíclica “Divini Redemptoris”, Oss. Rom., de 19 de Março de 1937).

Salientava-o o Santo Padre Pio XII: 'Longe de todo o pessimismo injustificado, que contrasta com a própria Esperança Cristã.. Nós não podemos, todavia, deixar de salientar a crescente maré de faltas particulares e públicas que procuram submergir as almas no lodo... '(L'Oss. Rom., de 27-28 de Março de 1950).



Mas há uma averiguação ainda mais dolorosa, frisada pelo Cardeal Dalla Costa quando, dirigindo-se aos membros de várias Confrarias, Congregações e Associações Religiosas, admoesta: 'Mesmo entre aqueles que freqüentam assiduamente a igreja, recebem os Sacramentos, e pertencem às nossas Associações Religiosas, são verdadeiramente muitos os que não vivem na Graça de Deus, ou perdem esta Graça tão freqüentemente, que a volta da Confissão à culpa, é quase um hábito de vida'(Pastoral Quaresmal de 1938).


Como somente quem está na Graça de Deus possui a Vida Cristã mesmo aquelas povoações que na aparência se apresentam superficialmente como centros irradiantes de vida, na realidade são o reino da morte. É Nosso Senhor quem desautoriza os nossos juízos e repudia as nossas apreciações, porque valem para tais povoações as palavras do Apocalipse: 'Conheço as tuas obras. És considerado vivo, mas estás morto'(3, 1).

Falando, desde o começo, do mau moral da sociedade de hoje, não se quer, com isso, ignorar ou negar quanto de bom se está fazendo ou amadurecendo...

'Mas essa onda de sereno otimismo não nos deve impedir de ver, para além dos pontos luminosos, as manchas escuras no quadro religioso da vida social hodierna'(R. Pe. Brambilla, “Realidade de almas e métodos de apostolado”, Civiltà Cattolica, 17 de Julho e 21 de Agosto de 1943).

Precisamos salvar as nossas populações do abismo, como fizeram todas as almas verdadeiramente apostólicas.

Uma das primeiras companheiras da Bem-aventurada Madalena Canossa, Teresa Pasciani, teve uma espécie de sonho que lhe entreabriu o futuro.
Viu 'um campo imenso que, a custo podiam seus olhos abraçar: estava cheio de povo, mas dissipado, irrefletido, gregário, que caminhava sempre para diante, sem pensar aonde chegaria.

Olhei – escreve – para os confins da comprida esplanada e percebi que, bordejando o lado esquerdo, a um certo ponto, todos se precipitavam numa espécie de voragem. Girando o olhar pela grande massa, vi um grupo de pessoas vestidas de preto, e deduzi que seriam Padres. Conversavam alegremente entre si, e só de vez em quando relanceavam os olhos para o lugar do abismo, sem comoção alguma. Queria lançar-me naquela direção. Uma força invencível tinha-me como que cravada ao solo. No paroxismo da dor lancei um grito, sufocado pelo pranto: − Compaixão! Compaixão! Não vedes a desgraça? Correi por amor de Deus!' A invocação perdeu-se no vazio.

Estando assim inquieta, cheia de terror, Teresa ouviu uma voz que falou distintamente: 'Não vês? São infelizes que vão diretamente para o Inferno por falta de guia'(La B. Madalena di Canossa, Isola dei Liri, p. 163, 1941)” (RR. PP. Mário Corti e G. M. Gardenal, S. J., ob. cit., cap. I, 2).

Pensando nestes lugares e nessa gente, voltam irresistivelmente à memória as palavras do Santo Fundador dos Trapistas:

“Ou o Evangelho se enganou,
ou esta é a ante-câmara
do Inferno”

Fonte: Acessar o ensaio "Reminiscência sobre a Modéstia no Vestir" no link "Meus Documentos - Lista de Livros".

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