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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

A Abominação no Templo Santo

Três inimigos porfiam nesta tentativa sacrílega (de expulsar Deus da socie­dade hu­mana como um Hóspede importuno): a falsa ciência, a falsa política e a falsa reli­gião. Um guerreia a Deus nos domínios da criação materi­al; outro O guerreia no regime e governo das sociedades humanas; e o terceiro O guerreia dentro do próprio Templo! Um nega o Dogma da Criação do Mundo por Deus, e, já para uma multidão de homens, o Mundo é eterno, não teve princípio nem terá fim! Outro nega o Dogma da Providência Divina na marcha das socieda­des humanas, e já para uma multidão de homens Deus nada tem que ver com as Leis, os Códigos, a Educa­ção, o Ensino, nem mesmo com o Casamento, o Lar do­méstico e a Família! O terceiro não res­peita e despre­za o que importa negar prati­camente, o Dogma da Eucaristia, isto é, a Presença Real de Jesus Cristo no Tem­plo, e já para uma multi­dão de falsos devotos, o Templo não é ver­dadeiramente a Casa de Deus!

Três abominações! Três grandes calamidades da nossa época! E como são absur­das! ..."

Falaremos apenas do terceiro inimigo mortal de Deus.

"Sem dúvida, o universo inteiro é um templo cheio da glória de Deus, pre­sente em to­dos os lugares (como Criador e Provedor), tendo direito a receber as homenagens do ho­mem! Impossí­vel ao homem, onde quer que esteja, evitar a Pre­sença de Deus!
A Presença de Deus, de tal modo consagra o universo que, em todos os lu­gares, por toda a parte, devemos estar puros e isentos de toda mácula, certos de que o olhar di­vino está fixo so­bre cada um de nós, e pecar não podemos sem pro­fanar o universo. Há no universo, en­tretanto, lugares especialmente consagra­dos à Divindade, e onde o Deus Redentor quer habi­tar verdadeira­mente no Mistério inefá­vel da Eucaristia, que responde e perpetua a Vida de Je­sus Cristo dando-se aos homens, em todas as suas prodigalidades, tão realmente como se deu nos 33 anos da vida Humana na Judéia.
Belém, Egito, Nazaré, Cafarnaum, Tabor, Betânia, Jerusalém, Getsêma­ni e Calvário, não são para os que penetram num Templo Católico, cidades ou luga­res remotos; são episódi­os vivos que devemos contemplar; Mistérios, de que po­demos nos utilizar; conti­nuações mís­ticas, porém, reais, do Verbo Divino, por­que a Eucaristia reproduz realmente a Sua Encarna­ção, e, reproduzin­do-a, de novo Ele nasce, de novo cresce, de novo se de­senvolve, de novo prega, de novo se imo­la e se crucifica, de novo morre e de novo ressus­cita.
Ó! Como é bela, como é sublime esta Verdade da Fé! Também a Euca­ristia é a Gló­ria da Igreja! E se dos nossos Templos tirardes o Deus oculto, mas Real, que reside nos Taberná­culos, esses Templos não serão mais do que casas de pedra, vazias como as ca­sas de oração dos Pro­testantes...
À beleza e à sublimidade da verdade eucarística corresponde necessaria­mente um de­ver, cuja infração não pode deixar de ser a Abominação do Tem­plo: o dever da reve­rência que, se em todo o universo é devido a Deus, no Templo o é de um modo especial, e não se pode compre­ender que se realize sem uma disposi­ção de Inocência, ou ao me­nos, de Penitên­cia, sem o Recolhimento do espírito, sem a Decência ou a Modéstia exteri­or.
Quanto à Inocência ou à Penitência, quantos homens atualmente freqüen­tam os Tem­plos com esta disposição?! A Igreja não repeli nenhum peca­dor, mas quer que o peca­dor, vin­do ao Templo, comparecendo perante a Majestade do Deus Redentor, traga ao me­nos desejos de justiça e de penitência, quer que compreenda que, sentir-se culpado de pecados e não pen­sar nos meios de resga­tá-los; ter o co­ração corrompido e não querer os remédios, que o po­dem regene­rar; sepa­rar-se de Jesus Cristo, e nem no lugar onde Ele re­side aceitar a União que a Igreja lhe propõe, é desprezar Jesus Cristo, insultar o seu amor, e zombar do Mi­nistério de seus Sacerdotes.
Quanto ao Recolhimento, é preciso que ele se traduza em adoração, ação de gra­ças e sú­plica. Quantos homens, dos que frequentam atualmente os Templos da Cristanda­de, verda­deiramente se prostram diante do Deus Redentor?! Como compreender que tan­tos homens es­tejam nos Templos sem nenhum sinal de ani­quilamento perante a Majesta­de de Deus, sem consciência da miséria de que es­tão cheios, sem nenhum sinal, nem in­dício em sua conduta, em seus atos, de que compreendem as grandezas e as maravilhas da Redenção?!
É no Templo que se reproduz incessantemente a Morte de um Deus, não sendo o altar, no Sacrifício da Missa, senão um outro Calvário, e a Missa, a mesma Imolação da mesma Víti­ma. É no Templo que está patente, como um poço de abun­dância, o poço Sa­cramental em que se lavam as máculas do pecado, e de onde o pecador sai mais puro e mais brando que a neve. É no Templo que o ban­quete das almas é servido à humanidade com uma simplicidade que disfarça a opulên­cia, pois que o manjar desse banquete é a Carne, e o vinho desse banquete é o Sangue de um Deus. É no Templo que, rivalizando com os Sacramentos, a pala­vra do Pa­dre, seja nas alturas do discurso sublime, seja nas simples efusões de uma prática familiar, repro­duz os Ensinos do Divi­no Mestre! Desprezar tudo isto não é verda­deiramente profanar o Tem­plo?!
Quanto à Decência e à Modéstia exterior, não são profanações sem nome fazer do luxo uma arma de guerra contra o Deus dos Pobres, mas que o é também dos Ricos?! Aparecer nos Templos não só com fausto e vaidade, mas tam­bém com imodéstia e impru­dência, opondo aos ge­midos e às lágrimas, que a Igreja pede pe­los pecados, o brilho lou­co dos diamantes que deslum­bram o mundo?! Fa­zer dos vestuários que não têm por fim senão o recato do corpo hu­mano, mei­os, pelo con­trário, de expor o corpo humano, como uma carne pública, às cobiças da luxúria?! Vir aos Templos disputar com Jesus Cristo os olhares e as homenagens que so­mente a Ele são devi­dos?!
Dança durante adoração ao Ss. Sacramento
 
Ah! Os católicos que vêem ao Templo, não para humilhar-se, mas para saci­ar os ver­mes da consciência, esses profanam o Templo! E o seu proceder é, sem dúvida algu­ma, muito pior, muito mais abominável do que o orgulho da falsa ciên­cia e a incapaci­dade da falsa políti­ca!
Ó! De todos os crimes desta época, o maior de todos e o que mais ul­traja a Majes­tade Divi­na é a profanação do Templo, donde hoje, como de todos os outros lugares da terra, pare­ce que O querem expulsar até mesmo aqueles que fa­zem pro­fissão de piedade.
O Templo! Eis a última cidadela que resta a Jesus Cristo! Pouco falta, po­rém, que lhe seja arrancada; e, arrancada que seja, sitiada como já está pelo exér­cito inimigo, cujas legiões são os Protestantes, os Espí­ritas, os Positivistas e os Maçons, entrará nele, arro­gante, altivo, sober­bo, esse que todas as línguas cha­mam o Anticristo!”(R. Pe. Júlio Ma­ria, C. Ss. R., "A Se­gunda Vinda de Jesus Cristo", Cap. X, Estabelecimento de Artes Gráficas C. Mendes Júnior, 1932).

Fonte: Acessar o ensaio "Reminiscência sobre a Modéstia no Vestir" no link "Meus Documentos - Lista de Livros".

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