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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Visão Profética de São João Bosco




Paris, Igreja, Itália.

(05/01/1870)


Aos 5 de janeiro de 1870 Dom Bosco teve um sonho profético a respeito dos acontecimentos futuros da Igreja e do mundo. Ele mesmo, pessoalmente, escreveu o que viu e ouviu e no dia 12 de fevereiro o comunicou ao Papa Pio IX.

É uma profecia que, como todos os vaticínios, tem seus pontos obscuros. Dom Bosco deixou bem claro como era difícil comunicar aos outros com sinais externos e sensíveis aquilo que tinha visto. Segundo ele, tudo quanto havia narrado era tão só “a Palavra de Deus, acomodada à palavra do homem”. Mas os muitos pontos claros mostram que realmente Deus tenha revelado ao seu Servo segredos desconhecidos por todos, para que fossem revelados para o bem da Igreja e para o conforto dos cristãos.

A exposição começa com uma afirmação explícita: “Encontrei-me perante a consideração de coisas sobrenaturais”, difíceis de comunicar.

Segue a profecia, em três partes distintas:

1ª) A respeito de Paris: será punida porque não reconhece seu Criador;

2ª) A respeito da Igreja: Atribulada por discórdia e divisões internas. Definição do Dogma da Infalibilidade Pontifícia vencerá o inimigo;

3ª) A respeito da Itália e de Roma em particular, que soberbamente despreza a Lei do Senhor. Por causa disso tornar-se-á vítima de grandes flagelos.

Finalmente, a “Augusta Rainha”, em cujas mãos está o poder de Deus, fará resplandecer de novo o arco-íris da paz.

O anúncio começa com o tom dos antigos profetas:

“Só Deus tudo pode, conhece tudo, vê tudo. Deus não tem nem passado nem futuro, mas diante dEle tudo está presente como se estivesse em um só ponto. Diante de Deus não há nada de escondido, nem para Ele existe distância de lugar e de pessoa. Só Ele, na sua infinita misericórdia e para a sua glória pode manifestar as coisas futuras dos homens.

Na vigília da Epifania do corrente ano de 1870, desapareceram os objetos materiais de meus aposentos e me encontrei diante da consideração de coisas sobrenaturais. Foi coisa de breves instantes, mas se pôde ver muito. Embora de forma, de aparências sensíveis, todavia não se podem senão com grande dificuldade comunicar aos outros com sinais externos e sensíveis. Pode-se ter uma ideia a partir do que se segue. Aí se acha a Palavra de Deus adaptada à palavra do homem.

Do sul vem a guerra, do Norte vem a Paz.

As leis da França não reconhecem mais o Criador e o Criador far-se-á conhecer e a visitará três vezes com a vara do Seu furor.

Na primeira, abaterá sua soberba com as derrotas, com o sangue e com a destruição das colheitas, dos animais e dos homens.

Na segunda, a grande Prostituta de Babilônia, aquela que os bons, suspirando, chamam de Prostíbulo da Europa, será privada do seu Chefe, invadida pela desordem.

- Paris! Paris! Em vez de te armar com o Nome do Senhor, te circundas de casas de imoralidade. Elas serão por ti própria destruídas; o teu ídolo, o Panteon será incinerado a fim de que se verifique que mentita est iniquitas sibi (a iniquidade mentiu para si mesma). Os teus inimigos te atirarão em meio às angústias, à fome, ao espanto e ao abomínio das nações. Mas ai de ti se não reconheceres a Mão que te flagela! Quero punir a imoralidade, o abandono, o desprezo da Minha Lei – diz o Senhor.

Na terceira, cairás na mão estrangeira, os teus inimigos de longe verão teus palácios em chamas e tuas habitações transformadas num monte de ruínas banhadas pelo sangue de teus heróis que já não existem mais.

Mas, eis um grande guerreiro do Norte, que transporta um estandarte. Sobre a destra que o segura está escrito: Irresistível Mão do Senhor. Nesse instante o Venerando Ancião do Lácio foi ao seu encontro empunhando e fazendo esvoaçar um facho luminosíssimo. Então, o estandarte se ampliou e de negro que era se tornou branco como a neve. No meio do estandarte, em caracteres de ouro, estava escrito o dAquele que tudo pode.

O guerreiro com os seus, fez uma profunda inclinação diante do Ancião e se apertaram as mãos.

Agora a voz do Céu é para o Pastor dos pastores. Tu te encontras na grande conferência com teus Assessores (Concílio Vaticano I), mas o inimigo do bem não fica quieto um instante sequer, ele estuda e põe em prática todas as artimanhas contra ti. Semeará a discórdia entre os teus Assessores, suscitará inimigos entre os Meus filhos. As potências do século vomitarão fogo e quereriam que Minhas palavras fossem sufocadas na garganta dos que são os guardas da Minha Lei. Isso não vai acontecer. Farão o mal, o mal a si próprios. E tu, apressa-te: se não se resolverem as dificuldades, que sejam cortadas. Se estiveres em meio às angústias, não pares, mas prossegue até que seja decepada a cabeça da hidra do erro (com a definição da Infalibilidade Pontifícia). Esse golpe fará tremer a terra e o Inferno, mas o mundo se sentirá reassegurado e todos os bons haverão de exultar. Reúne, portanto, ao teu redor nem que sejam só dois Assessores, mas aonde quer que fores, continua e termina a obra que te foi confiada (o Concílio Vaticano I). Os dias correm velozes, os teus anos vão chegando ao número estabelecido; mas a grande Rainha será teu auxílio e, como nos tempos passados, assim também pelo futuro afora será sempre magnum et singulare in Ecclesia praesidium (grande e singular defesa [proteção] na Igreja).

Mas tu, Itália, terra de bênçãos, quem te mergulhou na desolação?... Não digas que foram teus inimigos, mas sim os teus amigos. Não ouves teus filhos que pedem o pão da Fé e não encontram quem lho reparta? Que farei? Ferirei o pastor, dispersarei o rebanho a fim de que os que se sentam na cátedra de Moisés procurem boas pastagens e a grei escute docilmente e se alimente.

Mas, por sobre o rebanho e por sobre os pastores pesará a Minha mão; a carestia, a pestilência, a guerra farão com que as mães venham a prantear o sangue dos filhos e dos maridos mortos em terra inimiga.

E de ti, ó Roma, o que há de ser? Roma ingrata, Roma efeminada, Roma soberba! Chegaste a tal ponto que não procuras outra coisa, nem outra coisa admiras no teu Soberano a não ser o luxo, esquecendo-te de que a tua glória e a dele se acham no Gólgota. Agora ele está velho, decaído, inerme, despojado; todavia, com sua palavra, mesmo escrava, faz tremer o mundo inteiro.

Roma!... Por quatro vezes Eu virei a ti.

-        Na primeira atingirei tuas terras e teus habitantes.

-        Na segunda, levarei a destruição e o extermínio até junto de teus muros. Não abres ainda teus olhos?

-        Virei pela terceira vez, abaterei as defesas e os defensores; e em lugar da autoridade do Pai, entrará o reino do terror, do espanto e da desolação.

-        Mas os Meus sábios fogem, a Minha Lei continua a ser pisada e, por isso, farei a quarta visita. Ai de ti se a Minha Lei for ainda para ti uma palavra vã! Acontecerão prevaricações nos doutos e nos ignorantes. O teu sangue e o sangue de teus filhos lavarão as nódoas que atiras à Lei de Deus.

A guerra, a peste, a fome, são os flagelos com os quais será vergastada a soberba e a malícia dos homens. Onde estão, ó ricos, vossas magnificências, as vossas vilas, os vossos palácios? Tornaram-se o lixo das praças e dos caminhos.

Mas vós, ó Sacerdotes, por que não correis para chorar entre o vestíbulo e o altar, invocando a cessação dos flagelos? Por que não tomais o escudo da Fé e não subis ao cimo dos tetos e não ides às casas, às ruas, às praças, a qualquer outro lugar, mesmo inacessível, para levar a semente da Minha Palavra? Ignorais que Ela é a terrível espada de dois gumes, que abate os meus inimigos e quebra a ira de Deus e dos homens?

Essas coisas terão de vir, inexoravelmente, uma depois da outra.

As coisas vão se sucedendo mui lentamente.

Mas a Augusta Rainha do Céu está presente.

O poder do Senhor está em Suas mãos; dispersa Seus inimigos como ao nevoeiro. Reveste o Venerando Ancião de todos os seus antigos trajes.

Aparecerá ainda um violento furacão.

A iniquidade se consumou, o pecado verá seu fim, e, antes que transcorram dois plenilúnios do mês das flores, o arco-íris da paz aparecerá por sobre a terra.

O grande Ministro verá a Esposa do seu Rei vestida festivamente.

Em todo o mundo aparecerá um sol tão luminoso como nunca existiu, desde as chamas do Cenáculo até hoje, sem haverá igual até o último dos dias” (MB IX, 779).

________________________

O Boletim salesiano de 1963, em três tópicos, nos números de outubro, novembro e dezembro, fazia um interessante comentário a respeito desta visão. Nós aqui nos limitamos a citar o abalizado juízo da Civiltà Cattolica de 1872, ano 23, vol. VI, série 8ª, págs. 299 e 230. Transcreve literalmente alguns períodos precedidos por este testemunho: “É-nos grato relembrar um vaticínio recentíssimo que jamais foi impresso e é também desconhecido pelo público; proveniente de uma cidade da alta Itália, foi comunicado a determinado personagem em Roma a 12 de fevereiro de 1870. Nós desconhecemos de quem ele provenha. Mas podemos certificar que o tivemos em mãos antes que Paris fosse bombardeada pelos alemães e incendiada pelos comunistas. E diremos que nos causou maravilha ver aí preanunciada também a queda de Roma na ocasião em que não se julgava deveras nem próxima, nem provável”.[1]      


[1]   Veja também Dom Bosco, una biografia nuova, de Teresio Bosco, editrice Elle Di Ci pp. 345-346 (Trad. Port. Editora Dom Bosco).

Fonte: Os Sonhos de Dom Bosco, coletânea organizada por Pietro Zerbino e traduzida pelo Pe. Júlio Bersano, pp. 139-144, Profecia de nº 33 desta coletânea; Editora Salesiana Dom Bosco, São Paulo, 1988.


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