Blog Católico, para os Católicos

"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

domingo, 17 de março de 2013

Gravíssimas Verdades sobre o Adultério



É proibido severamente
pela Lei divina


“Não cometerás adultério”[1] (Ex. 20, 14; Deut. 5, 18).

“Não te unirás com a mulher do teu próximo, nem te mancharás com semelhante união” (Lev. 18, 20).

“Se algum (homem) se tornar réu de fornicação com a mulher de outro, e cometer adultério com a mulher do seu próximo, sejam punidos de morte, assim o adúltero como a adúltera...” (Lev. 20, 10-11).

“E o Senhor falou a Moisés, dizendo: Fala aos filhos de Israel, e lhes dirás: O homem cuja mulher cair em falta, e, desprezando o marido, tiver dormido com outro homem... Mas, se tu te apartaste do teu marido, e te manchaste, e dormiste com outro homem, cairão sobre ti estas maldições. O Senhor te faça um objeto de maldição e de exemplo para todos no seu povo; faça apodrecer a tua coxa, e que teu ventre, inchado, arrebente. Estas águas malditas entrem no teu ventre, e, inchando-te o útero, apodreça a tua coxa...” (Núm. 5, 11-31).

“Se um homem dormir com a mulher de outro, morrerão ambos, isto é, o adútero, e a adúltera; e tirarás o mal (do meio) de Israel” (Deut. 22, 22).

“Se a sabedoria entrar no teu coração, e a ciência agradar a tua alma, a reflexão te guardará, e a prudência te conservará, a fim de seres... livre da mulher alheia (ou dissoluta), da estranha que usa de palavras lúbricas (lisonjeiras), e que abandona o (esposo) guia da sua juventude, e que esquece a aliança do seu Deus. A sua casa declina para a morte, e as suas veredas para os infernos... os ímpios serão exterminados da terra, e os que procedem iniquamente serão arrancados dela” (Prov. 2, 10-22).

“Meu filho, atende à minha sabedoria, e inclina o teu ouvido à minha prudência, a fim de observares os (Meus) conselhos, para que os teus lábios conservem a (Minha) instrução. Não te deixes ir atrás dos artifícios da mulher, porque os lábios da prostituta são como o favo que destila o mel, e as suas palavras são mais suaves do que o azeite; porém, o seu fim é amargo como o absinto, e cortante como uma espada de dois gumes. Os seus pés encaminham-se para a morte, e os seus passos penetram até aos infernos...” (Prov. 5, 1-23).

Observa, meu filho, os preceitos de teu pai, e não abandones a lei de tua mãe... para que te guardem da má mulher, e da língua lisonjeira da estranha. Não cobice o teu coração a sua formosura, nem te deixes prender dos seus olhares. Porque o preço da meretriz é apenas de um pão, mas a mulher (adúltera) cativa a alma preciosa do homem. Porventura pode um homem esconder o fogo no seu seio, sem que ardam os seus vestidos? Ou pode andar por cima das brasas, sem que se queime a planta de seus pés? Assim o que chega à mulher  do seu próximo não ficará limpo, depois de a tocar... o que é adúltero, perderá a sua alma, por causa da loucura do seu coração. Acumula para si a infâmia e a ignomínia, e o seu opróbrio não se apagará...” (Prov. 6, 20-35).

“Meu filho, guarda as Minhas palavras, e esconde no teu coração os Meus Preceitos. Filho, observa os Meus Mandamentos, e viverás; (guarda) a Minha Lei como a menina dos teus olhos. Traze-a ligada aos teus dedos, escreve-a nas tábuas do teu coração... para que te guarde da mulher estranha, e da alheia que tem palavras lúbricas... Não se deixe arrastar o teu espírito pelos caminhos desta mulher, nem sigas, seduzido, as suas veredas. Porque a muitos feriu e derribou, e os mais fortes foram mortos por ela. A sua casa é o caminho do Inferno que penetra até as entranhas da morte” (Prov. 7, 1-27).

“... feliz a estéril, e a incontaminada, que não conheceu um tálamo ilegítimo; ela terá o seu fruto, quando Deus visitar as almas santas” (Sab. 3, 13).

“Porém, os filhos dos adúlteros ficarão por acabar, e a descendência dum tálamo iníquo será exterminada. E ainda que tenham larga vida, serão reputados por nada, e a sua mais avançada velhice será sem honra. E, se morrerem mais depressa, não terão esperança, nem quem os console no dia do juízo. Porque os fins da descendência iníqua são funestos” (Sab. 3, 16-19).

“Porém, a numerosa prole dos ímpios de nada servirá, e os renovos bastardos não lançarão profundas raízes, nem assentarão sobre uma base estável. E, se com o tempo brotarem em ramos, como não se acham firmes serão abalados pelo vento, e desarraigados pela impetuosidade dos furacões. Pelo que serão quebrados os seus ramos, antes de terem atingido o seu crescimento, e os seus frutos serão inúteis e ásperos para comer, e para nada bons. Porque os filhos, que nascem de uniões ilícitas, quando se interrogam, são testemunhas (que depõem) contra seus pais” (Sab. 4, 3-6).

“... Afasta os teus olhos da mulher enfeitada, e não olhes com curiosidade para a formosura alheia... Muitos, por terem admirado a formosura da mulher alheia, se tornaram réprobos; porque a sua conversação queima como o fogo. Não te assentes jamais com a mulher alheia, nem te recostes com ela à mesa sobre o cotovelo; e não disputes com ela, bebendo vinho, para que não suceda que o teu coração se converta para ela, e que a tua paixão te faça cair na perdição” (Eclo. 9, 1-13).

“... Todo o homem que desonra o seu tálamo conjugal, despreza a sua alma... Assim (perecerá) também toda a mulher que deixa o seu marido, e que lhe dá por herdeiro o fruto duma aliança adúltera. Porque primeiramente ela foi desobediente à Lei do Altíssimo; em segundo lugar, pecou contra o seu marido; em terceiro lugar, cometeu um adultério, e deu-se a si filhos doutro, que não era seu esposo. Essa mulher será levada à assembleia pública, e ali se fará uma exata inquirição sobre seus filhos. Os seus filhos não lançarão raízes, e os ramos dela não darão fruto. Deixará uma memória maldita, e nunca se apagará a sua infâmia. E os que vierem depois dela conhecerão que não há coisa melhor, do que o temor de Deus e que nada há mais doce, do que observar os Mandamentos do Senhor. É uma grande glória seguir o Senhor; porque é dEle que se receberá larga vida” (Eclo. 23, 21-38).

“Porventura não é um mesmo o pai de todos nós? Não foi um mesmo Deus que nos criou?... Judá prevaricou, e a abominação foi cometida em Israel e em Jerusalém; porque Judá contaminou o povo consagrado ao Senhor, o qual ele amava, e casou-se com a filha de um deus estranho. O Senhor exterminará das tendas de Jacó o homem que fizer isto... Ainda fizestes mais isto: Cobristes de lágrimas, de prantos e de gemidos o altar do Senhor, de modo que Eu não olharei mais para os vossos sacrifícios, nem receberei da vossa mão coisa que Me possa aplacar. E dissestes: Por que causa? Porque o Senhor foi testemunha entre ti e a esposa da tua juventude, a qual desprezaste, sendo ela a tua companheira e a esposa da tua aliança. Porventura não a fez aquEle (Senhor) que é Uno, e não foi o Seu sopro que a animou? E que pede este Único (Autor) senão que saia de vós uma linhagem de Deus? Guardai, pois, o vosso espírito, e não desprezeis a mulher que recebestes na vossa mocidade... Guardai, pois, o vosso espírito, e não desprezeis (as vossas esposas)” (Mal. 2, 10-16). 

O adúltero é execrado e expulso
do Reino de Deus

“... Não é aquilo que entra pela boca, que mancha o homem, mas aquilo que sai da boca, isso é que torna imundo o homem... Mas as coisas que saem da boca, vem do coração, e estas (são as que) mancham o homem; porque do coração saem os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, as fornicações, os furtos, os falsos testemunhos, as palavras injuriosas. Estas coisas são as que mancham o homem...” (S. Mat. 15, 10-20).

“Ouvistes o que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério. Eu, porém, digo-Vos que todo o que olhar para uma mulher, cobiçando-a, já cometeu adultério com ela no seu coração...” (S. Mat. 5, 27-30).

“Também foi dito: Qualquer que deixar sua mulher, dê-lhe libelo de repúdio. Eu, porém, digo-Vos: Todo aquele que repudiar a sua mulher, a não ser por causa de fornicação, a faz ser adúltera; e o que desposar a (mulher) repudiada, comete adultério” (S. Mat. 5, 31-32; 19, 1-9; S. Marc. 10, 1-12; S. Luc. 16, 18).

“Porventura não sabeis que os injustos não possuirão o Reino de Deus? Não vos enganeis: Nem os fornicadores, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os que se dão à embriaguez, nem os maldizentes, nem os roubadores possuirão o Reino de Deus” (1ª Cor. 6, 9-10).

“Quanto àqueles que estão unidos em matrimônio, mando, não eu, mas o Senhor, que a mulher não se separe do marido; e, se ela se separar, fique sem casar, ou reconcilie-se com seu marido. E o marido igualmente não repudie sua mulher” (1ª Cor. 7, 10-11).

“(Seja) por todos honrado o Matrimônio, e o leito conjugal sem mácula. Porque Deus julgará os fornicadores e os adúlteros” (Heb. 13, 4).

O sentir unânime da
Tradição da Igreja Católica

“Foge das profissões desonestas. Além disso, faze homilia contra elas. Dize às minhas irmãs que amem o Senhor e se contentem com seus maridos física e espiritualmente. Recomenda também aos meus irmãos, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, que amem suas esposas, como o Senhor ama a Igreja” (S. Inácio de Antioquia à S. Policarpo, 107-110 d.c.).

“... Não pratiques a prostituição, nem o adultério, nem a pederastia... O quanto podes, sê puro com a tua alma... Odeia totalmente o mal... Não te apresentes em má consciência para a oração” (Carta de Barnabé, “Os dois Caminhos”, 134-135 d.c.).

“Ele me disse: 'Eu te ordeno guardar a castidade e que não entre em teu coração o desejo de outra mulher, nem de qualquer fornicação, nem de qualquer outro vício semelhante. Porque, se fizeres isso, cometerás grande pecado. Lembra-te sempre de tua esposa, e jamais pecarás. Se esses desejos entrarem em teu coração, pecarás; e se entrarem outras coisas igualmente más, também cometerás pecado, pois tal desejo é grande pecado para o servo de Deus. Se alguém realiza esse ato vicioso, prepara a morte para si mesmo. Portanto, estejas atento. Evita esse desejo, pois onde habita a santidade, no coração do homem justo, a iniquidade não deve entrar'. Eu lhe disse: 'Senhor, permite a mim apresentar algumas questões'. Ele respondeu: 'Enquanto ele não sabe, não comete pecado. Mas se fica sabendo do pecado de sua mulher e que ela, ao invés de se arrepender, persiste no adultério, o marido, vivendo com ela, se torna cúmplice de sua falta e participa no adultério dela'. Então perguntei: 'Se a mulher persiste nesta paixão, o que o marido deverá fazer?' Ele respondeu: 'Deve repudiá-la e viver sozinho. Contudo, se depois de ter repudiado sua mulher, ele se casar com outra, então ele  também comete adultério'. Eu disse: 'Senhor, e se a mulher depois de ter sido repudiada, se arrepender e quiser voltar a seu marido, ele deverá acolhê-la?' Ele continuou: 'Sim. E se o marido não a receber, ele cometerá pecado e carrega-se de grande culpa. É preciso acolher aquele que peca e se arrepende, mas não muitas vezes. Para os servos de Deus existe apenas uma conversão. É em vista dessa conversão que o homem não deve se casar de novo. Essa obrigação vale tanto para a mulher como para o homem. O adultério não é apenas macular o corpo. Quem vive como os pagãos, também comete adultério. Portanto, se alguém persiste nessa conduta sem se converter, afasta-te e não vivas mais com ele. Caso contrário, serás cúmplice do seu pecado. A razão por que se ordena permanecer sozinho, tanto o homem como a mulher, é porque em tal caso é possível o arrependimento. Contudo, não quero dar tal pretexto para que alguém faça isso, e sim impedir que o pecador recaia no pecado. Para quem pecou antes, existe quem pode curá-lo: é aquEle que tem poder sobre todas as coisas'” (Hermas, “O Pastor”, 150 d.c.).

“Como temos esperança na vida eterna, desprezamos as coisas da vida presente e até os prazeres da alma, tendo cada um de nós por mulher aquela que tomou conforme as leis estabelecidas por nós e com a finalidade de procriar filhos. Assim como o lavrador, que jogando a semente na terra, espera a colheita e não continua semeando, do mesmo modo, para nós, a medida do desejo é a procriação de filhos. E até é fácil encontrar muitos dentre nós, homens e mulheres, que chegaram celibatários à velhice, com a esperança de um relacionamento mais íntimo com Deus. Se o viver na virgindade e castração aproxima mais de Deus e só o pensamento e o desejo separa, se fugimos dos pensamentos, quanto mais não recusaremos as obras? Nossa Religião não se mede pelos discursos cuidadosos, mas pela demonstração e ensinamento de obras: ou se permanece como nasceu, ou não se contrai mais do que um Matrimônio, pois o segundo é um adultério decente. A Escritura diz: 'Quem deixa sua mulher e casa com outra, comete adultério', não permitindo deixar aquela cuja virgindade desfez, nem casar-se novamente. Quem se separa de sua primeira mulher, mesmo quando morreu, é adúltero dissimulado, transgredindo a mão de Deus, pois no princípio Deus formou um só homem e uma só mulher, desfazendo a comunidade da carne com a carne, segundo a unidade para a união dos sexos.

Nós que somos assim (por que devo falar o que não pode ser dito?), temos que ouvir o provérbio: 'A prostituta para a casta'. Com efeito, os que fazem mercado de prostituição e constroem para os jovens prostíbulos para todo prazer vergonhoso; os que não perdoam nem aos homens, cometendo atos torpes homens com homens; os que ultrajam de mil modos os corpos mais respeitáveis e mais formosos, desonrando a beleza feita por Deus (pois a beleza não nasce espontaneamente da terra, mas é enviada pela mão e desígnio de Deus); esses nos atiram na cara aquilo de que tem consciência, o que eles chamam de deuses, adúlteros e pederastas insultando aos virgens e monógamos. Eles que vivem como peixes (pois devoram quem lhes cai na boca, o mais forte atacando o mais fraco – isso sim é alimentar-se de carnes humanas – e que, tendo leis estabelecidas por vossos antecessores após maduro exame para toda a justiça, violentam-se os homens contra elas, de modo que não são suficientes os governadores mandados por vós para os julgamentos); esses, dizíamos, acusam os que não podem deixar de se apresentar aos que os golpeiam nem de abençoar os que os amaldiçoam. Para nós não basta ser justos – a justiça consiste em dar o mesmo aos iguais – mas nos é proposto que sejamos bons e pacientes” (Atenágoras de Atenas, “Petição em favor dos cristãos”, 177 d.c.).

“Se o marido, depois de se separar de sua mulher, se aproximar de outra mulher, se torna adúltero, porque faz essa mulher cometer adultério; e a mulher que habita com ele é adúltera, porque atraiu a si o marido de outra” (S. Basílio, “Moral”, regra 73: PG 31, 849D – 853B).

“Quando a vontade se volta para uma coisa de per si contrária à caridade pela qual estamos ordenados ao fim último, há no pecado, pelo seu próprio objeto, matéria para ser mortal... quer seja contra o amor a Deus, como a blasfêmia, o perjúrio, etc., quer seja contra o amor ao próximo, como o homicídio, o adultério, etc.” (S. Tomás de Aquino, Suma Teológica, I – II, 88, 2).

O Magistério da Igreja Católica adverte:

“A íntima comunhão de vida e de amor conjugal que o Criador fundou e dotou com suas leis é instaurada pelo pacto conjugal, ou seja: o consentimento pessoal irrevogável. O próprio Deus é o Autor do Matrimônio dotado de vários bens e fins (S. Agostinho, “De bono conjugali”: PL 40, 375-376 e 394; S. Tomás de Aquino, “Suma Teológica”, q. 49, a. 3 ad. 1; Decreto para os Armênios: Dz-Sch. 1327; S. S. Pio XI, Enc. “Casti Connubil”: A.A.S. 22 (1930), pp. 543-555; Dz-Sch. 3703-3714), que são todos de máxima importância para a continuação do gênero humano, para o aperfeiçoamento pessoal e a sorte eterna de cada um dos membros da família, para a dignidade, estabilidade, paz e prosperidade da própria família e da sociedade humana inteira. O instituto do Matrimônio e o amor dos esposos estão pela sua índole natural ordenados à procriação e à educação dos filhos em que culminam como numa coroa. Por isso, o homem e a mulher, que pelo pacto conjugal 'já não são dois, mas uma só carne' (S. Mat. 19, 6), prestam-se mutuamente serviço e auxílio, experimentam e realizam cada dia mais plenamente o senso de sua unidade pela união íntima das pessoas e das atividades. Essa união íntima, doação recíproca de duas pessoas, e o bem dos filhos exigem a perfeita fidelidade dos cônjuges e sua indissolúvel unidade” (S. S. Pio XI, “Casti Connubil”: A.A.S. 22 (1930), pp. 546-547; Dz-Sch. 3706; Constituição Pastoral “Gaudium et Spes”: parág. 350-351).

“... Esse amor, firmado pela fé mútua e, principalmente, consagrado pelo Sacramento de Cristo, é indissociavelmente fiel quanto ao corpo e à alma nas circunstâncias prósperas e adversas e por conseguinte alheio a toda espécie de divórcio e adultério... O Concílio sabe que os esposos encontram muitas vezes obstáculos na organização harmoniosa da vida conjugal por certas condições modernas de vida. Podem achar-se em circunstâncias em que, ao menos por certo tempo, o número de filhos não deve crescer; é nelas que com dificuldade se conservem o cultivo do amor fiel e a plena intimidade de vida. Mas onde se rompe a intimidade da vida conjugal, não raramente a fidelidade pode entrar em crise e o bem da prole pode ser comprometido pois, então, correm perigo a educação dos filhos e a coragem de ter nova prole” (Constituição Pastoral “Gaudium et Spes”, parágs. 355, 360).

“... Nos primeiros séculos, a reconciliação dos cristãos que haviam cometido pecados particularmente graves depois do Batismo (por exemplo: a idolatria, o homicídio ou o adultério)... são numerosos hoje, em todos os países, os católicos que recorrem ao divórcio segundo as leis civis e que contraem civilmente uma nova união. A Igreja Católica, por fidelidade à palavra de Nosso Senhor Jesus Cristo (“Todo aquele que repudiar a sua mulher e desposar outra comete adultério contra a primeira; e se essa repudiar o seu marido e desposar outro comete adultério” – S. Marc. 10, 11-12), mantém-se firme em não reconhecer válida uma nova união, se o primeiro casamento foi válido. Se os divorciados tornam a casar-se no civil, ficam numa situação que contraria objetivamente a Lei de Deus. Portanto, não podem ter acesso à comunhão eucarística, enquanto perdurar esta situação. Pela mesma razão não podem exercer certas responsabilidades na Igreja... Existem atos que por si mesmos e em si mesmos, independentemente das circunstâncias e intenções, são sempre gravemente ilícitos em virtude de seu objeto: a blasfêmia e o perjúrio, o homicídio e o adultério. Não é permitido praticar um mal para que dele resulte um bem... O adultério. Esta palavra designa a infidelidade conjugal. Quando dois parceiros, dos quais ao menos um é casado, estabelecem entre si uma relação sexual, mesmo efêmera, cometem adultério. Cristo condena o adultério, mesmo de simples desejo (S. Mat. 5, 27-28). O sexto Mandamento da Lei de Deus e o Novo Testamento proscrevem absolutamente o adultério (S. Mat. 5, 32; 19, 6; S. Marc. 10, 11; 1ª Cor. 6, 9-10). Os profetas denunciam sua gravidade. Vêem no adultério a figura do pecado de idolatria (Os. 2, 7; Jer. 5, 7; 13, 27).

O adultério é uma injustiça. Quem o comete falta com seus compromissos. Fere o sinal da Aliança que é o vínculo matrimonial (união moral), lesa o direito do outro cônjuge e prejudica a instituição do Casamento, violando o contrato que o fundamenta. Compromete o bem da geração humana e dos filhos que tem necessidade da união estável dos pais... O ato sexual deve ocorrer exclusivamente no Casamento; fora dele, é sempre um pecado grave e exclui da comunhão sacramental” (Catecismo da Igreja Católica, parágs. 1447, 1649-1650, 1756, 2380-2381, 2390).

“... Se pedimos com um coração dividido, 'adúltero' (Tiag. 4, 4),
Deus não nos pode ouvir, porque deseja nosso bem, nossa vida...”
(Catecismo da Igreja Católica, parág. 2737).


Pequena Catequese

“O Pecado Mortal destrói a caridade no coração do homem por uma infração grave da Lei de Deus; desvia o homem de Deus, que é seu fim último e sua bem-aventurança, preferindo um bem inferior.

Para que um pecado seja mortal requerem-se três condições ao mesmo tempo: 'É Pecado Mortal, todo pecado que tem como objeto uma matéria grave, e que é cometido com plena consciência e deliberadamente' (Reconciliatio et Poenitentia 17).

A matéria grave é precisada pelos Dez Mandamentos, segundo a resposta de Nosso Senhor Jesus Cristo ao jovem rico: 'Não mates, não cometas adultério, não roubes, não levantes falso testemunho, não defraudes ninguém, honra teu pai e tua mãe' (S. Marc. 10, 19)... O pecado por malícia, por opção deliberada do mal, é o mais grave.

O Pecado Mortal acarreta a perda da caridade e a privação da Graça Santificante, isto é, do Estado de Graça. Se este estado não for recuperado mediante o arrependimento e o perdão de Deus, causa a exclusão do Reino de Cristo e a morte eterna no Inferno, já que nossa liberdade tem o poder de fazer opções para sempre, sem regresso...” (Catecismo da Igreja Católica, parágs. 1855, 1857-1861).

O Adultério segundo
o Código de Direito Canônico

O adultério é reconhecido no Código como causa de separação perpétua. Mas deve tratar-se de um adultério verdadeiro, formal, certo, não consentido, nem perdoado, nem compensado pelo cônjuge inocente.

Cânon 1152 – parág. 1: Embora se recomende vivamente que o cônjuge, movido pela caridade cristã e pela solicitude do bem da família, não negue o perdão ao outro cônjuge adúltero e não interrompa a vida conjugal; no entanto, se não tiver expressa ou tacitamente perdoado sua culpa, tem o direito de dissolver a convivência conjugal, a não ser que tenha consentido no adultério, lhe tenha dado causa ou tenha também cometido adultério.

Cânon 1152 – parág. 2: Existe perdão tácito se o cônjuge inocente, depois de tomar conhecimento do adultério, continuou espontaneamente a viver com o outro cônjuge com afeto marital; presume-se o perdão, se tiver continuado a convivência por seis meses, sem interpor recurso à autoridade eclesiástica ou civil.

Cânon 1152 – parág. 3: Se o cônjuge inocente tiver espontaneamente desfeito a convivência conjugal, no prazo de seis meses proponha a causa de separação à competente autoridade eclesiástica, a qual, ponderadas todas as circunstâncias, veja se é possível levar o cônjuge inocente a perdoar a culpa e a não prolongar para sempre a separação.



Extra Ecclesia Nulla Salus

“Fora da Igreja Católica, Apostólica, Romana,
ninguém pode salvar-se,
assim como ninguém pode salvar-se
do Dilúvio fora da Arca de Noé,
figura desta Igreja”

(Catecismo de São Pio X, nº 170).



[1]   Bíblia Sagrada, traduzida da Vulgata e anotada pelo Pe. Matos Soares, 10ª Edição; Edições Paulinas, São Paulo, 1959.

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