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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Eloquentíssimo Panegírico Sacerdotal


Ó Sabedoria eterna
e Encarnada

Os meus leitores – se os tenho – façam o favor de me acompanhar até o fim destas linhas. Católicos ou não, velhos ou moços, senhoras e senhoritas, homens de imprensa e de letras, leiam, desapaixonados, as ligeiras reflexões que se vão seguir.

HIPPÓLITO TAINE, historiador e crítico francês, não morria de amores pela Igreja Católica e foi sempre livre pensador. Entretanto, o notável político escreveu em sua História da Communa:

“Todos os malvados, foragidos, petroleiros, todos os ébrios, todos os maus, toda a gente merecedora de presídio são inimigos do Sacerdote. O fato é inegável. Por outro lado, a gente de bem, a gente honrada, as pessoas decentes, caritativas, estimáveis, delicadas, tem para com ele respeito”.

Acham fortes e enérgicas as palavras do filósofo?

Queixem-se, então, de Taine. O testemunho é esmagador e eloquentíssimo.


Do Ódio Eterno ao Padre

Ódio eterno ao Padre – é o começo do hino infernal, cantado pela boca da impiedade furiosa, tresloucada, infame e traidora.

Ódio eterno ao Padre – é o plano infamíssimo, organizado nas trevas e nas noites de agonias intermináveis, pelo supremo esforço dos Judas modernos, na campanha hedionda de cobrir de lama ao Ministro de Deus no cumprimento do dever e da honra.

São Pio V
Ódio eterno ao Padre – é o desejo insaciável dos infelizes sem ideal e sem crença que, em ânsias demoníacas blasfemam dia e noite, contra o Céu e a terra.

Ódio eterno ao Padre – é a sentença proferida pelos corifeus da incredulidade hodierna, sentença acolhida com ódio entranhável pela turba multa dos inconscientes e dos nulos.

Ódio eterno ao Padre – é a história profundamente triste da soberba humana, história cujas páginas são um eterno gemido de lágrimas.

Ódio eterno ao Padre – é a voz de todos os vícios hediondos, em coro infernal porejando rancor.

Ódio eterno ao Padre – é a campanha inglória da ciência ímpia e bastarda, desta ciência infamíssima que se envergonha de confessar o Nome de Deus, escrito na extensão dos mares, na vastidão do espaço, nas montanhas alterosas, nas florestas seculares, nas campinas “verdes e alegres”, nos rochedos indestrutíveis, nos monumentos, na consciência dos povos e no bronze da História.

Ódio eterno ao Padre – é o desafio atirado em pleno dia, pelo sorriso dos céticos e pela audácia dos ignorantes.

Beato Pio IX
Ódio eterno ao Padre – é a palavra mater, dirigida às sociedades humanas pela voz do modernismo ímpio e anarquizador, cujo fim é exterminar o reino da virtude e do amor, com o desterro do Sacerdócio.

Ódio eterno ao Padre – é o desejo insaciável de todos os perversos, em cujos corações nunca penetrou um raio de luz.

Ódio eterno ao Padre – é a mais ardente paixão dos condenados que, em transes dolorosíssimos, se cobrem de lama e de pus, atormentados pelo remorso terrível e acabrunhador, justo castigo do Eterno Deus de justiça.

Ódio eterno ao Padre – é a história dos grandes perseguidores e tiranos, cujos nomes já receberam as maldições dos povos e o desprezo soberano da humanidade sofredora.

Ódio eterno ao Padre – é o tema antigo e sempre novo de todas as literaturas, de todas as escolas, de todos os sistemas, de todos os livros, de todas as publicações e de toda a imprensa, quando, por um desígnio insondável da Providência, todas estas maravilhas do engenho humano se acham em poder dos grandes adoradores do deus-matéria.

São Pio X
Ódio eterno ao Padre – é, sem dúvida, a mesma continuação do ódio de morte a Jesus Cristo, ódio cuja duração já vai por vinte séculos, atestando, deste modo, toda a grandeza e indestrutibilidade do Sacerdócio Eterno de Cristo.

Ódio eterno ao Padre – é a última palavra pronunciada, em sua linguagem, pela boca da impiedade, cuja demência já chegou ao ponto de pretender apedrejar as estrelas, atirando salpicos de sangue para a altura incomensurável do Céu.

O único privilégio, que o nosso século, ébrio de sangue, oferece ao Padre, é o privilégio do ódio e das perseguições.

Há, contudo, no segredo deste ódio profundo uma luz deslumbrantíssima. É um reflexo do sol da eterna verdade, derramando catadupas de luz por toda a parte, abrindo os olhos dos cegos voluntários e espancando as trevas do erro e da ignorância.

É a eterna poesia do Amor divino.

Em presença de um espetáculo tão grandioso, vem, insensivelmente, ao espírito humano, esta pergunta misteriosa e quase celeste: Por que, ó homens de pouca fé, ó filósofos da incredulidade, por que tanto rancor ao Padre? Por que tanto ódio e desejo insaciável de morte contra o Ministro de Deus?

Venerável Pio XII
Ainda mais: que força misteriosa é esta que, a milhares e milhares de anos, tem sustentado o Sacerdote Católico em todo seu esplendor e grandeza, apesar dos choques de todos os séculos coligados contra ele? Como explicar, em face do mundo e dos povos abismados, cena tão grandiosa e nunca vista em todas as obras humanas? Como explicar a vida e a força do Sacerdócio Católico através de todas as perseguições e de todas as épocas, se, como narra a história, já tem caído por terra as maiores instituições, os impérios mais poderosos, e as coroas dos grandes e poderosos reinos? Como encontrar o segredo desta força sem igual?!

– Ah! Míseros mortais! O homem, em sua cegueira deplorável e na dolorosa agonia de sua inteligência desvairada não quer ver o Dedo de Deus agindo em Seu Sacerdócio!

O segredo, a incógnita deste problema insolúvel para a grande multidão dos infelizes é exclusivamente – Deus e só Deus.

Eis a força misteriosa, eis a força sobrenatural que dá vida ao Sacerdote Católico, cujo extermínio da face da terra realizar-se-á no último dia dos tempos ou, melhor, na consumação dos séculos, segundo as promessas de Jesus Cristo, escritas nos Livro das Verdades Eternas.

Donde nasce, porém, este rancor contra o Ministro de Jesus?

Beato João Paulo II
– Nasce pura e simplesmente, diz o bom senso, da vida austera e irrepreensível do Padre, quando ele se compenetra verdadeira e profundamente, da sua missão e cumpre, humilde e desassombradamente, o seu dever, praticando todas as virtudes, a começar pela virtude raríssima da intransigência em matéria de consciência e de fé.

Só o Padre, portanto, é o alvo do ódio da impiedade tripudiante, porque possui a coragem cristã e o heroísmo das fortes energias, para propagar o reinado da virtude e do bem e perseguir dura e fortemente, todos os vícios e todas as perversidades humanas, no chamado século das luzes, ou, para falar cristãmente, em pleno século das mentiras deslavadas e de todas as infâmias e torpezas vomitadas pelo Inferno.

É a época da máxima desvergonhada e do nojo.

Um homem que se levanta contra as ondas furiosíssimas das paixões ardentes de todos os gozos bestiais, tem, por isso mesmo, atraído todo o rancor dos “miseráveis grandes”, na expressão verdadeira de um grande poeta.

O Padre que, cônscio do seu dever, zela até à morte a sotaina preta que traz sobre o corpo, é,  aos olhos dos maus, a reprovação viva, o ferro em brasa aplicado impiedosamente na ferida mortal de todos os vícios e misérias humanas. Daí, o ódio eterno ao Padre. Daí a guerra sectária contra ele movida, a cada passo, pelos gênios do mal.

Mas, altos e insondáveis desígnios de Deus!

Papa João Paulo I
O Sacerdócio não morre!

O mundo tem assistido, de olhos abismados, toda a história da humanidade, e é testemunha desta verdade belíssima.

Vinte séculos já se foram, levando, em sua passagem, os maiores monumentos e as mais soberbas construções de que haja memória entre os filhos dos homens.

Tudo já voltou ao pó, o tempo já destruiu as obras mais admiráveis e grandiosas, levantadas pelo orgulho humano, durante 20 séculos continuados.

No entanto, homens de pouca fé, ainda permanece, em toda a sua vitalidade, o Sacerdócio eterno de Cristo, para confusão do mundo, desesperação dos maus e alegria dos bons e puros de coração.

O ódio eterno ao Padre, ódio de morte pela grande multidão inconsciente, continuará sempre impotente até o fim dos tempos.

O Sacerdócio de Cristo não morre!

***

Papa Emérito Bento XVI
Levantem-se os sistemas; venham os ardis do filosofismo ímpio e anarquizador; apareçam os sofismas da “grande” ciência; blasfemem os ímpios; riam-se os condenados; organizem-se os maus; fale a incredulidade; caluniem miseravelmente; persigam a inocência e a verdade; jurem ódio de morte à virtude; cumpram o programa do mal; executem os planos tenebrosos; ponham em prática as resoluções tomadas nas noites de agonia e dos gemidos eternos; atirem salpicos de sangue homicida para o Céu; cubram de pus e de lama a honra das almas sadias e fortes; derramem lágrimas de sangue; pervertam as multidões em delírio; profanem o santuário das consciências; vomitem blasfêmias e torpezas; prostituam a justiça, escarneçam do direito e das leis; anarquizem as sociedades modernas; enfraqueçam os governos; façam as grandes revoluções; revoltem os exércitos; propaguem as calúnias mais infames; entreguem-se aos gozos impuros, em pleno delírio das febres sensuais; procurem sufocar a consciência, ataquem desapiedadamente os sentimentos mais puros e generosos; reprovem as virtudes benéficas; prestem homenagens ao vício triunfante; dirijam o punhal assassino ao coração angélico das virgens; crucifiquem novamente ao doce e eterno Jesus; mas fiquem sabendo, ó pérfidos e traidores, que, apesar de toda esta campanha de sangue, de lágrimas e de gemidos, ficará sempre com o sopro da vida, o Ministro de Deus, para levar a luz da verdade santa e salvadora a todos os povos e nacionalidades.

É a história eterna do Sacerdócio de Cristo.

Papa Francisco
Continue, portanto, o soldado de Cristo, a cumprir corajosamente sua missão, sofrendo tudo por amor da verdade e da justiça. Na defesa das Verdades da Fé salvadora, o sacrifício da vida é pouco.

Continue o Padre no caminho rigoroso do dever, reprove sempre o vício tripudiante, dê mão forte e amiga aos fracos, dê ânimo e mais energia aos bons e puros de coração e perdoe a todos os inimigos de sua fé, a exemplo do Divino Mestre.

Faça assim o Padre, cumpra o magno Mandamento da Caridade evangélica, conserve pura a sua alma, ame desinteressadamente aos homens, odiando profundamente os vícios e, deste modo, terminará sua missão com as bênçãos de Deus e dos homens de boa vontade...    


Fonte: Côn. Mello Lula, “Vozes de Páscoa”, pp. 83-84 e 143-150; Escolas Profissionais Salesianas, Niterói, 1930.



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