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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Os Hereges Estão Mais Afastados da Fé do Que os Demônios


Vitória de Santo Tomás sobre os Hereges

Do livro “A Suma Teológica em Forma de Catecismo”, obra da qual escreveu o Santo Padre Bento XV, em carta ao autor, que este soube “acomodar ao alcance de sábios e ignorantes os tesouros daquele gênio excelso [São Tomás de Aquino], condensando em fórmulas claras, breves e concisas, o que ele com maior amplitude e abundância escreveu”.

P. Existe algum compêndio das verdades essenciais da fé?

R. Sim, senhor; o Credo o Símbolo dos Apóstolos. Ei-lo aqui conforme o reza diariamente a Igreja:

Creio em Deus Pai Todo Poderoso,
Criador do Céu e da terra;
e em Jesus Cristo seu único Filho, Nosso Senhor,
o qual foi concebido do Espírito Santo;
nasceu de Maria Virgem;
padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos,
foi crucificado, morto e sepultado;
desceu aos infernos;
ao terceiro dia ressuscitou de entre os mortos;
subiu aos céus
e está sentado à mão direita de Deus Pai, Todo Poderoso;
donde há de vir a julgar os vivos e os mortos.
Creio no Espírito Santo,
na Santa Igreja Católica,
na Comunhão dos Santos,
na remissão dos pecados,
na ressurreição da carne,
na vida eterna.
Amém.

P. É a recitação do Credo ou Símbolo dos Apóstolos o ato de fé por excelência?

R. Sim, senhor; e nunca devemos cessar de recomendar aos fiéis a sua prática diária.

P. Podereis indicar-me alguma outra fórmula breve, exata e suficiente para praticar a virtude da fé sobrenatural?

R. Sim, senhor; eis aqui uma, em forma de súplica: “Deus e Senhor meu; confiado em vossa divina palavra, creio tudo o que haveis revelado para que os homens, conhecendo-Vos, Vos glorifiquem na terra e gozem um dia de Vossa presença no Céu”.

P. Quem pode fazer atos de fé?

R. Somente os que possuem a correspondente virtude sobrenatural.

P. Logo, não podem os infiéis fazer atos de fé?

R. Não, senhor; porque não creem na Revelação, ou seja, porque ignorando-a, não se entregam confiadamente nas mãos de Deus, nem se submetem ao que deles exige, ou porque, conhecendo-a, recusam prestar-lhe assentimento.

P. Podem fazê-lo os ímpios?

R. Tampouco, porque, se bem que têm por certas as verdades reveladas, fundadas na absoluta veracidade divina, a sua fé não é efeito de acatamento e submissão a Deus, a Quem detestam, ainda que com pesar seu se vejam obrigados a confessá-Lo.

P. É possível que haja homens sem fé sobrenatural, e que creiam desta forma?

R. Sim, senhor; e nisto imitam a fé dos Demônios.

P. Podem crer os hereges com fé sobrenatural?

R. Não, senhor; porque, embora admitam algumas verdades reveladas, não fundam o assentimento na autoridade divina, senão no próprio juízo.

P. Logo, os hereges estão mais afastados da verdadeira fé, que os ímpios e que os mesmos Demônios?

R. Sim, senhor; porque não se apoiam na autoridade de Deus.

P. Podem crer com fé sobrenatural os apóstatas?

R. Não, senhor; porque desprezam o que haviam crido por virtude da palavra divina.

P. Podem crer os pecadores com fé sobrenatural?

R. Podem, contanto que conservem a fé, como virtude sobrenatural; e podem tê-la, se bem que em estado imperfeito, ainda quando, por efeito do pecado mortal, estejam privados da caridade.

P. Logo, nem todos os pecados mortais destroem a fé?

R. Não, senhor.

P. Em que consiste o pecado contra a fé chamado infidelidade?

R. Em recusar submeter o entendimento, por veneração e amor de Deus, às verdades sobrenaturalmente reveladas.

P. E sempre que isto acontece, é por culpa do homem?

R. Sim, senhor; porque resiste à graça atual com que Deus o convida e impele a submeter-se.

P. Concede Deus esta graça atual a todos os homens?

R. Com maior ou menor intensidade e em medida prefixada nos decretos de sua providência, sim, senhor.

P. É grande e muito estimável a mercê que Deus nos faz, ao infundir-nos a virtude da fé?

R. É em certo modo a maior de todas.

P. Por quê?

R. Porque, sem fé sobrenatural, nada podemos intentar em ordem à nossa salvação, e estamos perpetuamente excluídos da glória, se Deus não se digna conceder-no-la antes da morte.

P. Logo, quando se tem a dita de possuí-la, que pecado será, frequentar companhias, manter conversações ou dedicar-se a leituras capazes de fazê-la perder?

R. Pecado gravíssimo, fazendo-o espontânea e conscientemente, e de qualquer modo ato reprovável, que sempre o é, expor-se a semelhante perigo.

P. Logo, importa sobremaneira escolher com acerto as nossas amizades e leituras, para encontrar nelas, não embaraços, mas estímulos para arraigar a fé?

R. Sim, senhor; e especialmente nesta época, em que o desenfreio de expressão, chamado liberdade de imprensa, oferece tantas ocasiões e meios de perdê-la.

P. Existe algum outro pecado contra a fé?

R. Sim, senhor; o pecado da blasfêmia.

P. Por que a blasfêmia é pecado contra a fé?

R. Por ser diretamente oposta ao ato exterior da fé, que consiste em confessá-la por palavras, e a blasfêmia consiste em proferir palavras injuriosas contra Deus e seus Santos.

P. É sempre pecado grave a blasfêmia?

R. Sim, senhor.

P. O costume de proferi-las escusa ou atenua a sua gravidade?

R. Em vez de atenuá-la, agrava-a, pois o costume demonstra que se deixou arraigar o mal, em lugar de dar-lhe remédio.


Fonte: Rev. Pe. Thomás Pègues, O.P., “A Suma Teológica de Santo Tomás de Aquino em Forma de Catecismo”, 2ª Parte, 2ª Secção, Cap. II, pp. 91-94, da Edição Brasileira.

A Suma Teológica, principal documento, do Santo Angélico, foi resumida com a melhora da linguagem para iniciantes pelo Pe. Tomás Pègues, O.P. em francês em 1919 e traduzido ao português por anônimo em 1942 e reproduzido pela Editora SCJ, de Taubaté e já extinta, em forma de catecismo. Esta obra tem o beneplácito de Dom Gil Antônio Moreira e do Santo Padre Bento XV.


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