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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

sábado, 4 de novembro de 2017

Conselhos aos Maridos Cristãos



“Dizei a vossa jovem mulher com a maior amabilidade do mundo: nós te tomamos, cara criança, como companheira de nossa vida, nós te chamamos a compartilhar conosco das tarefas mais dignas e necessárias, como a procriação dos filhos, o governo de uma casa. Que te pedimos, então? Antes de enunciá-lo, falai-lhe do vosso amor, pois nada dispõe tanto os que escutam a acolher favoravelmente o que se lhe diz, que saberem que tal atitude é inspirada por um ardente amor. Mas como lhe demonstrareis este amor? Dir-lhe-eis: eu poderia esposar muitas mulheres, ricas e de elevada classe social; mas não as escolhi, pois foi por ti que me apaixonei, pela maneira com que levas a tua vida, pela tua honestidade, pela tua doçura, pela tua moderação… E por quê? Não como quem age in­considerada e levianamente, mas ensinaram-me devidamente que a riqueza não constitui um bem, que é uma coisa desprezível que costuma estar associada aos ladrões, às mu­lheres de má vida, aos pilhadores de sepulturas. Renunciei, pois, a ela, e procurei a ti, cuja alma virtuosa prefiro a todo o ouro do mundo. Uma jovem sensata e nobre de cora­ção, praticante da piedade, vale pelos tesouros do mundo inteiro. Foi por isso que te es­colhi, eu te amo, e me uno a ti mais que à minha própria vida. A existência deste mundo não é nada; o objeto de minhas orações, de meus pedidos e de todos os meus esforços é que mereçamos levá-la de tal sorte, que na vida futura possamos estar juntos e sem te­mor. O tempo presente é curto, e a morte lhe dará um fim; se merecermos atravessá-lo sendo agradáveis a Deus, estaremos pela eternidade com o Cristo e um com o outro, na felicidade eterna. Coloco o teu amor acima de tudo, e nada poderia ser-me mais penoso e cruel do que vir a entrar em desentendimento contigo. Ainda que eu tivesse de perder tudo, tornar-me o mais pobre dos pobres, afrontar os piores perigos, sofrer seja lá o que for, tudo me seria tolerável, contanto que a minha afeição por ti fosse ditosa; e o nasci­mento de filhos cumulará meus desejos, contanto que me tenhas afeição. Tais deverão ser também teus sentimentos.

Juntai a vossos discursos as palavras dos Apóstolos, de onde resulta que a forma­ção de semelhante laço de ternura se faz segundo a vontade de Deus. Diz a Escritura que o homem deixará seu pai e sua mãe, e se unirá à sua mulher. Que nada seja para nós pretexto para mesquinharias; pereçam as riquezas, a multidão de escravos, as honras do mundo; o objeto do meu amor tem para mim mais valor que tudo. – Que ouro, que rique­zas causariam a vossa mulher tanto prazer quanto ouvir palavras como estas? Não te­mais que o vosso amor a torne orgulhosa; dizei-lhe francamente que a amais. Que as mu­lheres de má vida, que se unem ora a este ora àquele, tirem proveito contra seus amantes de tais declarações, é natural; mas uma mulher de boa estirpe, uma jovem bem-nascida não poderia envaidecer-se com tal atitude; muito pelo contrário, ela se torna submissa. Mostrai-lhe que a convivência com ela vos é preciosa, que por causa dela preferis viver em casa que na praça pública; ponde-a em primeiro lugar com relação aos amigos e aos filhos dela nascidos, e que estes últimos sejam amados por causa dela. Se ela cometer alguma boa ação, louvai-a, admirai-a; se cometer alguma tolice, como acontece com to­das as mulheres jovens, fazei uso de conselhos e advertências discretas. Reprovai sob todos os aspectos a riqueza e o luxo; ensinai-a a adornar-se de honestidade e decência; em todas as circunstâncias, instruí-a no que for para o seu bem.

Fazei vossas orações em comum; que cada um por seu lado tome a iniciativa de ir à Igreja; que o marido reclame de sua mulher a sua parte do que, naquele recinto, se tiver dito e lido diante dela, e a mulher proceda do mesmo modo com o marido. Se estais na pobreza, citai o exemplo dos Santos, de Paulo, de Pedro, que foram mais gloriosos que todos os reis e ricos do mundo; demonstrai como eles passaram a sua vida sofrendo a fome e a sede; ensinai a vossa mulher que nada se deve temer neste mundo, a não ser ofender a Deus. Se alguém se casar em tais circunstâncias, e com tais intenções, não será inferior aos Monges, e o estado de Casamento não cederá a palma ao Celibato…

Não interpeleis vossa mulher de qualquer maneira, mas com amabilidade, delicade­za, ternura. Sede atencioso para com ela, e ela não esperará que as atenções partam de outro homem; ela não procurará as homenagens dos outros homens, se receber as vos­sas. Ponde-a acima de todas as coisas, sob todos os pontos de vista, beleza, sabedoria e louvai-a sempre. Conseguireis, assim, que ela não volte sua atenção para nenhum estra­nho, mas despreze o mundo inteiro. Ensinai-a a temer o Senhor; o resto correrá como de uma fonte, e em vossa casa haverá abundância de bens” (São João Crisóstomo, XX Ho­milia sobre a Epístola aos Efésios, 8-9).[1]




[1]     O Esplendor Cristão, Vol. 1, “São João Crisóstomo”, 3ª Parte, Cap. III, “Deveres Próprios a Certas Condições”, pp. 157-159; Ação Carismática Cristã – Fundação São João Crisóstomo, Rio de Janeiro, 1978.


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