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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Todo Cristão Deve Trabalhar para Propagar a Boa Doutrina



“Desinteressar-se pelos irmãos constitui, já, uma falta grave; é, certamente, incorrer no extremo castigo e numa punição inelutável. Prova de que assim é realmente, é o homem que enterrou o talento que lhe foi confiado. Nada havia de repreensível no seu modo de proceder, ele não tinha errado na conservação do depósito, visto que o devolveu integralmente. Mas se ele não errou pelo abuso, errou pelo uso, pois não duplicou o que lhe fora confiado; e, por isso, foi punido. Pelo que se vê que, para que sejamos salvos, não basta que sejamos fervorosos, instruídos, cheios do desejo de ouvir as Santas Escrituras; precisamos duplicar o depósito que recebemos; e fazemos isto todas as vezes em que, realizando nossa própria salvação, impomos a nós mesmos a obrigação de cuidar do próximo…

Examinai comigo quão leves são as ordens do Senhor. Aqueles que, entre os homens, emprestam dinheiro do seu senhor, são considerados responsáveis pela sua recuperação. A eles é dito: empregastes capital; cabe-vos agora tê-lo de volta; quanto a mim, nada tenho a ver com aquele que o recebeu. Deus, todavia, não age assim: Ele, simplesmente, nos manda empregar; quanto à recuperação, Ele não nos considera responsáveis. Pois o conselho depende de quem tem a palavra, mas não o persuadir. Eis porque Deus vos diz: é vossa obrigação empregar, mas não recuperar. Que há de mais fácil? Empreguemos a doutrina entre nossos irmãos, quer eles nos escutem ou não. Se nos escutarem, haverá proveito para ambas as partes. Se não nos es­cutarem, atrairão sobre si inexorável castigo, mas não poderão causar-nos o menor prejuízo. Fizemos a nossa obrigação aconselhando-os; se eles se mos­trarem indiferentes, isto em nada nos afetará. A falta não consiste em não persuadir, mas em não aconselhar. Depois que tivermos advertido e aconse­lhado com perseverança e continuidade, já não somos nós, mas eles que terão de prestar contas a Deus.

Nós devemos ser úteis, não apenas a nós, mas também ao próximo. O Cris­to assim nos ensinou, comparando-nos ao sal, ao fermento, à lâmpada, todas as coisas que são úteis e proveitosas aos outros. A lâmpada não brilha para si mesma, mas para os que se acham nas trevas; vós sois uma lâmpada, não para desfrutardes da luz sozinhos, mas para reconduzirdes aquele que estava perdido; de que serve uma lâmpada, se não brilha para aquele que está nas trevas? De que serve um cristão, se ele não ga­nha ninguém, se não reconduz ninguém à virtude? A função do sal não consiste em manter-se unicamente a si mesmo, mas em conservar as matérias que se corrompem, impedindo-as de se decomporem e se estragarem; assim vós, de quem Deus fez um sal espiritual, deveis manter, conservar os membros que se corrompem, isto é, aqueles entre vossos irmãos que são indolentes e descuidados, libertá-los da negligência, que é uma espécie de corrupção, reuni-los ao resto do Corpo da Igreja. Por um motivo semelhante, o Senhor vos chamou de fermento; o fermento não se fermenta a si mesmo; ele fermenta, apesar de sua exiguidade e de seu pequeno volume, a massa enorme do resto da pasta; vós também, se vosso número e restrito, multi­plicai-vos, sedes fortes pela fé e pelo zelo divino; assim como o fermento é podero­so apesar de seu pequeno volume, assim como ele faz crescer a massa por causa do calor que está nele e de sua qualidade superior, vós também, se o quiserdes, podereis con­verter ao zelo que vos anima um número muito maior de pessoas”.[1] (São João Crisóstomo, Sermão Contra os que não vão à Assembleia…, 1, 2).



[1]     O Esplendor Cristão, Vol. 1, “São João Crisóstomo”, 2ª Parte, Cap. VI, “A Esmola Espiritual”, pp. 85-86; Ação Carismática Cristã – Fundação São João Crisóstomo, Rio de Janeiro, 1978.

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