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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

sábado, 11 de novembro de 2017

Manifesto do Episcopado Brasileiro (Excertos)

D. Jaime de Barros Câmara

Regozijemo-nos no Senhor,
mas não Cruzemos os Braços.

Jesus Cristo, o Verbo de Deus, que se fez homem para salvar o homem, é hoje o que era ontem e o que será pelos séculos, a Luz do mundo, o Caminho, a Verdade e a Vida. Sem Cristo não haverá salvação, nem para os indivíduos nem para os povos. Longe d’Ele ou contra Ele, todos os esforços de construção serão baldados. E por haverem deliberadamente fechado os olhos à luz da mensagem evangélica, multiplicaram-se os erros políticos, sociais e morais, que desfecharam na catástrofe que ora enluta a humanidade… Cruzar os braços em face de ruínas, não é gesto cristão…

A Igreja a todos estende os benefícios de sua assistência espiritual; Ela não é nem pode ser partidária, e sua atividade, sempre indispensável às almas e às nações, não pode estar sujeita aos vai-vens da política de partidos. “Querer empenhar a Igreja”, já escrevia Leão XIII, “nas lutas de partido e pretender servir-se de seu apoio para triunfar com mais facilidade dos adversários, é abusar indiscretamente da Religião” (Carta Encíclica “Sapientiae Christianae”, Editions des Lettres Apostoliques de Léon XIII, Maison de la Bonne Presse, t. II, p. 289). A política divide, a religião une...

Aos fiéis (a Igreja) permite que, no desempenho de seus deveres cívicos, militem em partidos que não contrastem com as exigências superiores do bem comum e da consciência católica…

Na esfera das respectivas atribuições, lembremo-nos todos ainda da lição do grande Papa Pio XII, na sua Alocução de Natal de 1942: “Quem deseja que a estrela da paz nasça e se detenha sobre a sociedade… favoreça por todos os meios lícitos, em todos os campos da vida, aquelas formas sociais em que se torne possível e se garanta plena responsabilidade social” (Pio XII, “Problemas da Guerra e da Paz”, Lisboa, s. d., p. 351.

“Tudo quanto, nas instituições ou nos costumes, contribuir para desviar a família dos seus altos fins, representa uma vitória das paixões sobre a razão, do individualismo egoísta sobre os imperativos sociais do bem comum, e acarretará sobre um povo as mais calamitosas desgraças que poderão desfechar até na catástrofe fatal do suicídio… Aos fiéis e às próprias famílias recomendamos a solicitude vigilante e enérgica em combater as ideias, os costumes, as infiltrações insidiosas de mentalidades que possam atentar contra a dignidade tradicional e cristã da família brasileira.

A crença em Deus é o mais forte esteio da vida moral… Enquanto o ateísmo desfecha logicamente no amoralismo, a presença de Deus representa nas almas uma fonte inesgotável de fortaleza, de dedicação, de sacrifício, de energias sempre renovadas para o bem… A incredulidade trabalha para a ruína e desagregação dos povos; a religião é a base insubstituível de toda a vida social. Sem voltar sinceramente a Deus e a Jesus Cristo, a humanidade, desolada por tantas ruínas e dividida por tantos ódios, não encontrará os verdadeiros caminhos da paz.

Nós temos, por graça de Deus, na mensagem da nossa fé, uma doutrina de verdade e de vida. Esconder esta luz sob o alqueire seria omissão de incalculáveis responsabilidades. Nenhuma alma generosa pode resignar-se à cumplicidade de abstenções comodistas. O amor de Deus e das almas, o sentimento de justiça e de caridade, a piedade filial para com a Pátria condenam a inação, e impõem-nos uma atividade esclarecida, coesa e disciplinada.

Aos esforços da ação cumpre associar uma cruzada de orações. Se Deus não construir a casa, em vão trabalham os que a edificam; se Deus não guardar a cidade, frustrada será a vigilância dos que por ela velam (Salm. 126, 1). Levantemos os braços a Deus numa oração constante e humilde para que Ele proteja o Brasil e a humanidade, inspire propósitos de justiça e de paz aos que neste momento têm em mãos os destinos dos povos.

À Virgem Imaculada, que, da colina da Aparecida, estende o seu manto materno sobre a Terra de Santa Cruz, renovemos, com a consagração das nossas almas, a desta Pátria estremecida a Ela singularmente devotada.



Fonte: "Manifesto do Episcopado - Sobre o Problema Político e a Questão Social no Brasil"; Livraria Agir Editora, 1945.

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