Blog Católico, para os Católicos

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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

sábado, 22 de agosto de 2020

A Glória do Cristianismo


Coisa estranha! Todas as religiões têm inspirado a adoração da felicidade; só o Cristianismo tem suscitado a adoração do sofrimento. Os deuses do paganismo se apresentavam ao homem coroados de flores, circundados de amores e de risos; e eu pergunto a mim mesmo o que diziam ao pobre no seu casebre, ao escravo no seu cárcere, à viúva, ao órfão, à todos os que sofrem, à todos os que choram na terra. Assim, foi uma revolução profunda a que provocou essa Religião que dizia: “Eis o verdadeiro Deus! Está pregado numa Cruz. Os Seus pés e as Suas mãos estão transpassadas; a Sua fronte está torturada, o Seu Coração ferido, e o Seu Corpo todo não têm outra purpura além da purpura do Seu Sangue. Os deuses antigos eram os deuses do prazer. Eram os deuses falsos. O Deus verdadeiro é o Deus da dor!”

Ao ouvir essa linguagem estranha, a humanidade julgou sonhar. E disse: “Não é possível; se Ele é verdadeiramente Deus, como pode sofrer? Como morreu? Por que não fulminou os Seus inimigos? Por que suportou a dor? Não foi por fraqueza; Ele é Deus. Foi, pois, por amor. Como! Ele sofreu por amor?”

Isto causou um deslumbramento, que ainda não cessou.

Ergueram-se os sofistas e disseram: “É impossível; é inconveniente. Um deus não podia ter sofrido e morrido pelo homem!” Mas, a mãe, apertando o filho nos braços, fitou a Cruz e os sofistas, e lhes respondeu: Onde está o impossível? Para a nutrição de meu filho, eu lhe dou o meu leite; e para o salvar, eu lhe daria seguramente, o meu sangue”. E o homem jovem, nas castas alegrias do seu primeiro amor, e a mulher jovem nos seus sonhos de absoluta dedicação, fitaram a Cruz e os sofistas e disseram: “Causam-vos surpresas as humilhações e as dores de Jesus Cristo? Nunca amastes! Eu, para provar o meu amor, se me devesse abaixar, humilhar, sofrer, ser crucificado, não hesitaria”. Há dezoito séculos que a todos os sofistas a humanidade responde com esse grito do coração. Ao amor, ela responde pelo amor.

E isso foi apenas o começo. Depois de ter fixado o olhar na Cruz do Mestre, a humanidade contemplou a sua cruz e a achou mais leve. O escravo, duramente castigado, disse: “Ele foi flagelado!” O pobre na sua pobre casa, onde morria de fome, murmurou: “Ele teve sede e só lhe deram fel e vinagre”. O rei, não mais em seu trono, mas no cadafalso, recordou-se de que Jesus havia sido amarrado; e impondo silêncio ao sangue de 60 reis, que se revoltavam em suas veias, estendeu as mãos para ser atado. O gênio moribundo pediu que ante os seus olhos fosse colocado o crucifixo, e como lhe dissessem: “Não lhe podeis falar!”, ele respondeu: “Não, mas o contemplo!” E o próprio cético, vendo de repente o crucifixo, no momento em que, num acesso de ciúme e de cólera, ia apunhalar, surpreendendo-a em seu sono, aquela que ele julgava infiel, acalmou-se, atirou a faca, ajoelhou-se, beijou o Cristo e disse-lhe: “Ó Jesus, perdoai-me. Nasci num século ímpio e muito tenho a expiar. Pobre filho de Deus tão esquecido, não me ensinaram a amar-Te. Nunca Te procurei nos templos. Lembra-Te, porém, de que um desventurado não morreu de sua amargura, vendo-Te pregado à Cruz. Salvaste do mal esse ímpio; se ele fosse um crente, Tu o terias consolado!...”


Fonte: Mons. Bougaud, Bispo de Laval, “A Dor”, Cap. 2º, Art. VI, pp. 114-117. Extraído do Cristianismo e os Tempos Presentes, Tomo I e Tomo II. H. Garnier, Livreiro-Editor, Rio de Janeiro/RJ, 1931.



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