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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

sábado, 9 de outubro de 2021

A EXISTÊNCIA DA SANTÍSSIMA TRINDADE

O Dogma da Trindade em si1


Na única essência divina há três Pessoas,

e estas três Pessoas são o Único Deus” – (De Fé).


Explicação: O dogma da Trindade foi exposto de modo formal pela primeira vez no Símbolo de Santo Atanásio, em torno do ano 400, ao encerrarem-se as controvérsias trinitárias: “Fides catholica haec est, ut unum Deum in Trinitate, et Trinitatem in unitate veneremur = A fé católica é esta: que veneremos um só Deus na Trindade e a Trindade na Unidade”. 2


Quando, na Idade Média, a doutrina de Deus Uno e Trino foi deturpada por Roscellino e Gilberto de la Porrée, imediatamente refutados,3 e por Joaquim da Fiore,4 o IV Concílio Lateranense formulou de novo a antiga fé. 5 E os Concílios para a união, com o fim de advertir os Gregos, os quais acerca do “Filioque” se afastavam da doutrina comum, repetiram o decreto do IV Concílio Lateranense. O dogma da Trindade foi depois examinado com cuidado particular sob todos os seus aspectos no XI Concílio de Toledo. 6


A Divindade do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. 7


Tese: A Escritura e a Tradição falam de três Pessoas – Pai, Filho e Espírito Santo – e afirmam, que são Deus.



Qualificação: É doutrina de fé a Divindade do Pai, do Filho e do Espírito Santo.


Explicação: Na tese, provaremos que, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, segundo a Tradição e a Escritura Sagrada, são Deus.


Adversários: Negavam a Divindade do Filho os arianos, afirmando que era obra ou criatura do Pai; do Espírito Santo, os macedonianos, dando-O como obra do Filho.




PROVAS


1. Tradição: “Esta é a fé católica, que veneremos um só Deus na Trindade, e a Trindade na Unidade (de Deus)…, porque, uma é a Pessoa do Pai, outra a do Filho, outra a do Espírito Santo; mas do Pai, do Filho e do Espírito Santo uma (só) é a Divindade, igual a glória, e co-eterna a Majestade… O Pai é Deus, o Filho é Deus e o Espírito Santo é Deus, e no entanto, não são três deuses, mas um (só) Deus”. 8


2. Escritura Sagrada:


a) Textos referentes ao Pai. “Os judeus procuravam matá-lO (a Jesus), porque não só não observava o sábado, mas também, porque chamava a seu Pai Deus, fazendo-se igual a Deus”. 9 Há um só Deus (Deus Pai, segundo o contexto), um só mediador entre Deus e os homens, o homem Cristo Jesus”. 10 “Subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus”,11 anuncia Jesus, aos Apóstolos, antes da sua Ascensão.


b) Textos referentes ao Filho. Cristo, que está acima de todas as coisas, Deus bendito pelos séculos, amém”. 12 “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava em Deus e o Verbo era Deus…, e se fez carne (quer dizer, homem) e habitou entre nós”,13 narra São João no prólogo do seu Evangelho.


c) Textos referentes ao Espírito Santo. 1. “Ananias, porque te seduziu Satanás a mentir ao Espírito Santo?… Não mentiste aos homens, mas a Deus”. 14


2. Jesus Cristo mandou aos Apóstolos: “Ide e ensinai a todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo…”. 15 Se, pois, o Pai e o Filho são Deus, deduz-se que o Espírito Santo também o é, por ser colocado no mesmo plano.


3. “Não contristeis o Espírito Santo de Deus”, recomenda São Paulo. 16



Dois Textos Conciliares17


I. Cremos firmemente e confessamos candidamente, que é um só o verdadeiro Deus, eterno, imenso e imutável, incompreensível, onipotente, inefável, Pai, Filho e Espírito Santo: Três Pessoas realmente, e uma só essência – ou substância ou natureza – absolutamente simples.


O Pai de nenhum outro se origina; o Filho provém somente do Pai; o Espírito Santo, de ambos conjuntamente – sem começo, sem continuação e sem fim; – o Pai gera; o Filho nasce e o Espírito Santo procede; – consubstanciais e co-iguais, co-onipotentes e co-eternos; – Princípio único de todos os seres, Criador de todas as coisas, visíveis e invisíveis, espirituais e corporais; – por sua força onipotente, produziu do nada, simultaneamente, no começo do tempo ambas as criaturas, isto é, a espiritual e a corporal, ou seja, o Anjo e o mundo, e ao depois o homem, como termo médio, composto de espírito e de corpo (Satanás e os outros Demônios foram criados por Deus, bons por natureza, tornando-se, porém, maus; e o homem pecou sob insinuação de Satanás).


Esta Santíssima Trindade, indivisa segundo a comunidade da essência e distinta segundo a propriedade das Pessoas, concedeu ao gênero humano a doutrina da salvação. Finalmente, o Filho único de Deus, Jesus Cristo, encarnado pela operação comum de toda a Trindade – a tota Trinitate communiter incarnatus – concebido de Maria sempre Virgem, por obra do Espírito Santo, feito verdadeiro homem, composto de alma racional e carne humana, Pessoa única em duas naturezas, ensinou-nos mais abertamente o caminho da vida.


(A continuação refere-se à vida terrestre do Salvador, à Igreja e aos Sacramentos; julgamos, todavia, não ser lícito omitir, no que procede, os ensinamentos relativos à operação da Santíssima Trindade na criação e na Encarnação). 18


II. Cremos e confessamos com a aprovação do Santo Concílio… que existe uma Realidade suprema, por certo incompreensível e inefável, que é, entretanto, verdadeiramente Pai, Filho e Espírito Santo; Três Pessoas juntas, existindo, porém, separadamente, e por isto há em Deus uma única Trindade, e não uma quaternidade; com efeito, cada uma das Três Pessoas é esta mesma Realidade, isto é, a substância – essência ou natureza divina; e só Ela é o princípio único de todas as coisas, não havendo outro além deste.


Ora, esta Realidade nem é geradora nem gerada, nem procedente, e sim é Ela o Pai que gera, o Filho que é gerado e o Espírito Santo que procede; assim, as distinções referem-se às Pessoas e a Unidade à natureza.


Desta sorte, embora, quanto às Pessoas, uma seja o Pai, outra o Filho e outra o Espírito Santo, como realidade (coisa), todavia, não são diversas; assim, o Ser que é o Pai, é também o Filho e outrossim o Espírito Santo; daí, segundo a fé ortodoxa e católica, cremo-los consubstanciais.


De fato, o Pai gerando ao Filho de toda a eternidade comunica-Lhe sua substância, conforme o mesmo Filho afirmou: O que o Pai me deu é maior que todas as coisas. 19 Não é lícito, entretanto, dizer que o Pai Lhe tenha dado parte da própria substância, retendo para Si outra parte, visto ser a substância do Pai indivisível, como absolutamente simples que é; – nem tampouco se poderá dizer que, ao gerar o Filho, Lhe haja o Pai transferido a própria substância, como que dando-a sem a reter para Si, porquanto, desta forma deixaria de ser substância. Resta, pois, que sem diminuição alguma da substância do Pai, recebe-a o Filho ao nascer, e assim Pai e Filho possuem uma mesma substância.


A mesma Realidade é, portanto, Pai, e Filho e também Espírito Santo, procedendo este dos outros dois... 20




O Mistério21


Importa que o Mistério do Filho de Deus feito homem e o Mistério da Santíssima Trindade, que fazem parte das verdades principais da Revelação, iluminem com a pureza da verdade a vida dos Cristãos”. 22


As palavras “natureza” e “pessoa” não se tomam aqui no sentido corrente dos termos, mas sim, de acordo com a linguagem filosófica, que é mais precisa. A essência ou natureza dos seres é aquilo que faz com que as coisas sejam o que são, o princípio que lhes permite atuar como tal (por exemplo, a natureza do homem é ser animal racional, composto de alma e corpo). A pessoa, por sua vez, é o sujeito que atua (por exemplo, um homem concreto, com um nome: Sancho Brochado Teles, que atua de acordo com a sua natureza: pensa, quer, trabalha, etc.). Assim, é claro que em cada homem há uma só natureza e uma só pessoa. Em Deus, pelo contrário, não é assim: uma só Natureza sustenta uma Trindade de Pessoas.


No Antigo Testamento, há várias alusões a este Mistério, mas Deus não o quis ensinar de modo claro, talvez porque os Judeus, propensos à idolatria, tivessem podido considerar como se fossem três deuses as três Pessoas divinas. No Novo Testamento, é-nos ensinado de maneira precisa.




Louvor em Forma de Ladainha

à Santíssima Trindade

(Aprovada para uso particular)23


Senhor, tende piedade de nós.

Jesus Cristo, tende piedade de nós.

Senhor, tende piedade de nós.


Jesus Cristo ouvi-nos.

Jesus Cristo, atendei-nos.


Deus Pai do Céu, tende piedade de nós.

Deus Filho, Redentor do mundo, tende piedade de nós.

Deus Espírito Santo, tende piedade de nós.

Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.


Deus, simples quanto à substância, tende piedade de nós.

Deus trino quanto às Pessoas, tende piedade de nós.

Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo, tende piedade de nós.

Deus Pai, Criador onipotente, tende piedade de nós.

Deus Filho, Medianeiro e Redentor, tende piedade de nós.

Deus Espírito Santo, Paráclito e Santificador, tende piedade de nós.

Deus Santo, Deus Santo e Forte, Deus Santo e Imortal, tende piedade de nós.

Deus, que éreis, sois e sereis, tende piedade de nós.

Deus, de quem, por quem e em quem tudo existe, tende piedade de nós.

Deus, que os Céus dos céus não podem conter, tende piedade de nós.

Deus, Princípio e Fim de todas as coisas, tende piedade de nós.

Deus, cuja Majestade enche o Céu e a terra, tende piedade de nós.

Deus, cujo poder chamou todas as coisas do nada à existência, tende piedade de nós.

Deus, cuja sabedoria governa poderosa e tudo ordena suavemente, tende piedade de nós.

Deus, cujo amor e bondade cumulam de bênção todos os viventes, tende piedade de nós.


Sede-nos propício, perdoai-nos, Senhor.

Sede-nos propício, ouvi-nos, Senhor.


De todo o mal, livrai-nos, Senhor.

De todo o pecado, livrai-nos, Senhor.

De vossa ira, livrai-nos, Senhor.

Da descrença e da superstição, livrai-nos, Senhor.

Da pusilanimidade e temeridade, livrai-nos, Senhor.

Da desconfiança em vossa amável Providência, livrai-nos, Senhor.

De murmuração contra vossos sábios desígnios, livrai-nos, Senhor.

De todo agravo a vossa Majestade suprema, livrai-nos, Senhor.

Da transgressão de vossos Preceitos, livrai-nos, Senhor.

Por vosso poder e sabedoria infinitos, livrai-nos, Senhor.

Pela superabundância de vossa bondade, livrai-nos, Senhor.

Pela grandeza de vosso amor e de vossa misericórdia, livrai-nos, Senhor.

Por vossa paciência e longanimidade inesgotáveis, livrai-nos, Senhor.

Por vossa eterna fidelidade e verdade, livrai-nos, Senhor.

No dia do Juízo, livrai-nos, Senhor.


Ainda que pecadores, ouvi nossos rogos.

Para que todos os homens creiam em Vós, Verdade eterna, ouvi nossos rogos.

Para que todos Vos reconheçam e adorem como seu Criador, ouvi nossos rogos.

Para que todos louvem e bendigam vosso Nome, ouvi nossos rogos.

Para que todos confiem em vosso amor e bondade, ouvi nossos rogos.

Para que todos cumpram fielmente vossa santa verdade, ouvi nossos rogos.

Para que todos Vos amem de todo o coração, como a seu Sumo Bem, ouvi nossos rogos.

Para que jamais abusemos dos tesouros de vossa paciência e longanimidade, ouvi nossos rogos.

Para que Vos consagremos nosso corpo como holocausto santo, vivo e agradável a Vós, ouvi nossos rogos.

Para que nos conduzais ao reino, que preparastes aos vossos desde o princípio do mundo, ouvi nossos rogos.


Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos, Senhor.

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos, Senhor.

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós.


Jesus Cristo, ouvi-nos.

Jesus Cristo, atendei-nos.


Senhor, tende piedade de nós.

Jesus Cristo, tende piedade de nós.

Senhor, tende piedade de nós.


V. Bendigamos ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.

R. Louvemo-lO e exaltemo-lO por todos os séculos.

V. Senhor, ouvi a minha oração.

R. E o meu clamor chegue até Vós.


Oremos: Deus onipotente e eterno, destes a vossos servos a possibilidade de reconhecer a Trindade gloriosa e eterna na confissão da verdadeira fé, e de adorar uma Unidade em seu poder e Majestade. Dai-nos a graça da perseverança nesta fá e de assim nos preservarmos de todo o mal. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.24


______________________

1.  Pe. Bernardo Bartmann, “Teologia Dogmática”, Vol. I, Liv. I, 2ª Parte, 1ª Seção, Cap. I, § 44, p. 265. 2ª Impressão, Edições Paulinas, São Paulo/SP, 1964.

2.  Denz. 39; cfr. 48-51, 54, 78-82, 85-87, 213, 254, 275-281, 343-346, 389-391, 420, 432, 462-463, 703-705, 1596, 1655, 1915.

3.  Denz. 389, ss.; cfr. § 25.

4.  Denz. 389, ss.; cfr. § 47.

5.  Denz. 428, 431 ss.

6.  Denz. 275-281.

7.  R. Pe. J. Bujanda, S.J., “Manual de Teologia Dogmática”, 2ª Parte, Tratado Quinto, Cap. I, Art. 1º, Ponto 188 ss., pp. 167-169. Livraria Apostolado da Imprensa, Porto, 1944.

8.  Símbolo Quicumque ou Atanasiano, Denz. 39.

9.  Jo. 5, 18.

10.  I Tim. 2, 5.

11.  Jo. 20, 17.

12.  Rom. 9, 5.

13.  Jo. 1, 1.14.

14.  At. 5, 3-4.

15.  Mat. 28, 19.

16.  Ef. 4, 3.

17.  Pe. Frei Valentin-Maria Breton, O.F.M., “A Santíssima Trindade – História, Doutrina, Piedade”, 2ª Parte, Introdução, pp. 87-89. Editora Vozes Ltda, Petrópolis/RJ, 1954.

18.  IV Concílio de Latrão (12º Ecumênico), realizado em 1215 sob a presidência de Inocêncio III, Cap. I. De fide catholica, Firmiter; Ench. Dogm. 428.

19.  Jo. 10, 29.

20.  Cap. 2, De errore Abbatis Joachim, E. D., 432.

21.  Pablo Arce e Ricardo Sada, “Curso de Teologia Dogmática”, Cap. V, pp. 83-84. Rei dos Livros Editor, Lisboa, 1992.

22.  S. C. para a Doutrina da Fé, Decl. Para defender a fé contra alguns erros atuais acerca dos Mistérios da Encarnação e da Santíssima Trindade, de 21/2/1972; A.A.S. 64 (1972), pgs. 237-246, n. 1.

23.  “Vademecum” – Orações cotidianas para uso comum das educandas das Missionárias “Servas do Espírito Santo” e membros da “Obra Auxiliar do Espírito Santo”, editadas pela Direção Geral da mesma Congregação, 2ª Parte, pp. 237-240. Tip. Do “Lar Católico”, Juiz de Fora/MG, 1958.

24.  Pela recitação da oração final, ganha-se indulgência.


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