Blog Católico, para os Católicos

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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

sábado, 5 de março de 2022

São José Oferece Jesus no Templo.


São José, sendo pai de Jesus diante de Deus, que o constituiu Chefe da Sagrada Família, pai em face da Lei, que como tal o reconhecia, pai de Jesus perante os homens ignorantes do Mistério da Virgindade de Maria, e pai, enfim, diante da própria consciência, que sente todos os seus deveres e toda a sua responsabilidade, cumpre com paternal solicitude as prescrições da Lei Mosaica, referentes ao Menino e à sua Esposa Santíssima.

Naqueles tempos, estavam em vigor, entre os hebreus, dois preceitos referentes ao nascimento das crianças. Um dizia respeito à mãe e outro ao filho, quando primogênito.

As mães deviam oferecer um cordeiro em holocausto ao Senhor para agradecer-Lhe o feliz parto, e um pombo ou rola em expiação da impureza legal; sendo pobres, podiam substituir o cordeiro por outra pomba ou rola; depois dessa oferta ao Senhor pelo sacerdote, ficavam purificadas.

Os meninos varões primogênitos do povo de Israel deviam ser consagrados ao ministério dos altares; mas, como Deus escolhera para essa missão somente os filhos da tribo de Levi, ordenara que os primogênitos das outras tribos, fossem apresentados ao Senhor e depois resgatados por cinco ciclos.

Jesus e Maria não estavam sujeitos a essas leis, todavia, quiseram observá-las. Quando Jesus Menino chegou ao quadragésimo dia do Nascimento, Sua Mãe apresentou-se no Templo de Jerusalém, para purificar-se, e apresentou também o Seu Menino Jesus, como estava prescrito na Lei.

É certo que São José em tal ocasião, não só acompanhou Jesus e Maria ao Templo, mas, providenciou as duas rolinhas que Maria devia oferecer para Sua própria purificação. Foi ele quem levou o Menino nos braços de Belém até Jerusalém, para oferecê-lO com Maria a Deus, por intermédio do sacerdote. Foi esta a primeira vez que José compareceu publicamente como Pai de Jesus e Chefe da Sagrada Família.

Diz o Pe. Bianchi, no “Mês de Março a São José”: “José e Maria ofertaram duas rolas e dois pombinhos, não sendo compatível com a sua pobreza o preço de um cordeiro. Tinham consigo um Cordeiro Divino, mas demasiado jovem ainda – de 40 dias apenas – e demasiado tenro para os dentes daqueles sacerdotes! Mais tarde, porém, será arrebatado, mordido e esmagado por aqueles lobos do santuário, Caifás, Anás e sua raivosa companhia”.

Desta forma, São José, como em tudo o mais, mostra-se-nos perfeito modelo de justiça, não só em dar a Deus o que é de Deus, mas também, em dar ao Templo e aos sacerdotes de Deus e do Templo o que Lhe pertence.

Nos tempos de Herodes, o Grande, vivia em Jerusalém um velho chamado Simeão, homem justo e temente a Deus, o qual, convicto por certos sinais que surgiam, de que não podia estar muito longe a vinda do Salvador, consumia-se no desejo de vê-lO.

O bom velho sentia no íntimo da alma uma voz que lhe dava a certeza de não morrer sem antes ver com os próprios olhos o Cristo.

Havia longo tempo, portanto, vivia Simeão nessa feliz expectativa e, lembrando da profecia de Miqueias, dizendo que viria em breve ao Templo o Dominador, ia muitas vezes ao Templo de Jerusalém, na esperança de encontrar-se um dia com Ele.

E chegou o dia feliz. Um forte pressentimento o dominava naquele dia, ao dirigir-se ao Templo, no átrio reservado à purificação, o velho Simeão se encontra com eles e, ver o Menino, reconhecê-lO verdadeiro Messias Salvador do mundo, tomá-lO nos braços, foi para ele obra de um só instante.

Fora de si, de alegria e comoção, exclamou: “Agora, Senhor, deixai morrer em paz o vosso servo, porque os meus olhos viram o Salvador do mundo!”

Mas após os transportes de alegria, a fronte do bom velho se anuviou, e, prevendo quanto aconteceria à Divina Criança, exclamou: “Eis que este Menino está posto para ruína e salvação de muitos, e será um sinal de contradição”. Voltando-se depois para Maria, acrescentou: “Uma espada de dor transpassará a tua Alma”.

Às primeiras palavras do santo velho, José sentiu-se tomado por uma suave admiração, mas as últimas palavras proféticas de Simeão, lhe transpassaram o coração, que com imenso afeto amava a Jesus e Maria.

Voltaram-lhe à memória as lúgubres descrições feitas pelos Profetas sobre os maus tratos, escárnios, escarros, bofetadas, que Jesus devia sofrer. Recordou que haveria de tornar-se o vitupério dos homens e refugo da plebe mais vil, a ponto de ser sobrecarregado de injúrias e afrontas, de ter no fim da vida Suas carnes dilaceradas e despedaçadas pelos flagelos, de ter o corpo todo deformado, como um leproso coberto de chagas, e os ossos tão descobertos que se poderiam contar. Recordou que devia ser transpassado pelos cravos, colocado entre os malfeitores e, finalmente, suspenso na Cruz.

Uma santa mulher, chamada Ana, que assistira à cena no Templo, reconheceu também no Menino o Redentor prometido e, unindo-se ao júbilo de Simeão, não cessava de glorificar a Deus e de anunciar o Nascimento do Salvador a todos quantos se dirigiam ao Templo.

Enquanto todos exaltavam a glória do Messias, de certo causa surpresa não se achar registrada no Evangelho nem uma palavra de São José. Podendo manifestar Jesus Cristo e a glória da Virginal Maternidade de Maria, melhor que qualquer outro, ao contrário, guarda silêncio. São José não recebera a missão de pregar e manifestar Jesus, mas de nutri-lO, guardá-lO e defendê-lO; e, como servo fiel e prudente, soube conservar no silêncio os desígnios de Deus.

Os Apóstolos pregaram Cristo ao mundo; foram fachos ardentes para manifestar o resplendor de Jesus, e o Verbo de Deus era em seus lábios a palavra de salvação. Ao contrário, a São José, foi confiado Jesus para que O conservasse oculto; para que ocultasse e recobrisse a luz divina; e, enfim, nos braços de José, era Jesus a palavra de vida oculta em Deus. Eis o motivo pelo qual as almas santas, de vida interior e contemplativa, muito amam a São José e n’Ele encontram um manancial inexaurível de exemplos edificantes.

Terminadas as cerimônias prescritas pela Lei, São José resgatou a Vítima, mas resgatou-A para fazê-lA crescer, para guardá-lA e conservá-lA até imolar-Se pela salvação dos homens.

Através dos longos séculos da Lei Antiga, diz um célebre autor, jamais se vira no Templo uma vítima digna como Aquela que agora se oferecia; Seus esplendores iluminavam, não só o Templo, mas o mundo inteiro e todos os séculos, mostrando assim quão insuficiente e mísero era o culto antigo em confronto com esse. Era a magnificência que levara o Profeta Ageu a exaltar o novo Templo, predizendo que nele haveria de entrar o Messias.

Como já sucedera um dia, naquele Monte Moriá, a Abraão, pai dos viventes, apresentando em holocausto ao Altíssimo o próprio primogênito, agora outro Abraão, incomparavelmente mais Santo e agradável a Deus, oferecera o filho de seu coração, a Vítima santificadora de todas as vítimas, Aquela que atrai para este mundo os olhares do Onipotente, com benignidade infinitamente mais benfazeja, do que atraíam as numerosíssimas oblações do célebre Salomão na dedicação do primeiro Templo. O novo Abraão é São José, constituído por Deus Patriarca do Novo Testamento.

A profecia de Simeão deixou impressa nas almas delicadíssimas de José e de Maria a espada de dor que lhes devia causar uma pena contínua. A amabilidade de Jesus tornava-lhes cada vez mais doloroso o pensamento do sacrifício de uma vida tão cara e preciosa.

Exclama Santo Afonso: “Quantas vezes José e Maria choraram amargamente sobre as páginas dos Profetas que falam da acerbíssima Paixão e ignominiosíssima morte de Jesus Cristo entre malfeitores!” Aquele Menino tão belo e gracioso, amável, inocente e santo, tornar-se-á, diz o Profeta Isaías, o homem das dores e deverá morrer na Cruz.

Quantas vezes São José, opresso pela dor, estreitando fortemente ao coração o Menino e beijando-O com paternal afeto, não terá exclamado: ó meu único Bem, deverei criar-Te, ver-Te crescendo para tão espantoso e horrível sacrifício? Este Teu delicado Corpinho deverá um dia ser tão ferido pelos golpes, tão desfigurado pelos maus tratos, que se possam contar todos os ossos? E no entanto, derramando amargas lágrimas e cobrindo-O de beijos, abraçava-O cada vez mais estreitamente, como para defendê-lO de seus futuros inimigos.


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Fonte: Rev. Pe. Tarcísio M. Ravina, da Pia Sociedade de São Paulo, São José – na Vida de Jesus Cristo, na Vida da Igreja, no Antigo Testamento, no Ensino dos Papas, na Devoção dos Fiéis e nas Manifestações Milagrosas; 1ª Parte, pp. 63-68. Edições Paulinas, Recife, 1954.


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