CONTINUAÇÃO IDOLÁTRICA,
APÓS O EMBATE NO MONTE CARMELO.
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A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
A SERVIÇO DO CATOLICISMO
A Bíblia narra-nos a história do Santo Profeta Elias (1 Reis 17 a 2 Reis 2), de forma autêntica e dramática, com vários momentos tensos, mas também gloriosos. A minha pergunta é esta: Depois do embate com os falsos profetas de Baal (no Monte Carmelo), Santo Elias foge e vai se queixar a Deus (no Monte Horeb), de ter ficado somente ele na fidelidade a adoração do Único e Verdadeiro Deus. Então, isso quer demonstrar que, o povo de Israel continuou idolatrando os falsos deuses estrangeiros?
Sim. A narrativa bíblica sugere claramente que, apesar da extraordinária vitória de Elias no Monte Carmelo (1 Rs 18), a conversão do povo não foi completa nem duradoura. O episódio do Horeb (1 Rs 19) mostra justamente a profunda crise espiritual de Israel e a dolorosa percepção de Elias de que a idolatria ainda persistia.
Vejamos isso em alguns níveis.
1. O Triunfo do Carmelo,
não Eliminou Imediatamente a Apostasia.
No Monte Carmelo, o povo testemunhou um milagre incontestável:
“Então caiu fogo do Senhor e consumiu o holocausto” (1 Rs 18, 38).
Diante disso:
“Todo o povo, vendo isso, caiu com o rosto por terra e disse: 'O Senhor é Deus! O Senhor é Deus!'” (1 Rs 18, 39).
Entretanto, uma profissão momentânea de fé não significa necessariamente, uma conversão profunda e permanente.
Logo depois da vitória, Jezabel continua exercendo enorme poder político e religioso:
“Jezabel mandou um mensageiro a Elias dizendo: 'Que os deuses me castiguem com todo o rigor, se amanhã, a esta hora, eu não fizer contigo o mesmo que fizeste com eles'” (1 Rs 19, 2).
Se a nação tivesse realmente retornado em massa ao Senhor, Jezabel dificilmente conservaria tamanho domínio.
2. A Fuga de Elias Revela, sua Desilusão.
Ao chegar ao Horeb, Elias apresenta sua queixa:
“Tenho sido zeloso pelo Senhor, Deus dos Exércitos. Os filhos de Israel abandonaram tua aliança, derrubaram teus altares e mataram teus profetas. Só eu fiquei, e procuram tirar-me a vida” (1 Rs 19, 10).
Elias não está simplesmente com medo.
Ele está profundamente decepcionado.
Ele vê:
a Aliança sendo violada;
a idolatria permanecendo;
os profetas do Senhor perseguidos;
a monarquia dominada por Acab e Jezabel.
Em sua percepção, toda sua missão parecia ter fracassado.
3. Elias Estava Parcialmente Enganado.
A resposta divina é muito significativa:
“Reservei para mim sete mil homens em Israel, todos aqueles que não dobraram os joelhos diante de Baal” (1 Rs 19, 18).
Deus corrige a visão de Elias.
O Profeta acreditava ser o único fiel restante.
Mas Deus revela a existência, de um “remanescente santo”.
Este é um tema fundamental da Bíblia:
Noé em meio à corrupção universal.
Os sete mil em Israel.
O “resto de Israel” anunciado por Isaías.
Os discípulos fiéis, em meio à incredulidade.
A Igreja fiel, em meio às perseguições.
A obra de Deus era muito maior, do que Elias conseguia enxergar.
4. A Idolatria Continuava Viva em Israel.
Os Livros dos Reis mostram, que o culto a Baal não desapareceu após o Carmelo.
Mesmo depois da morte de Acab:
a casa real continua marcada pela influência de Jezabel;
a idolatria persiste;
são necessárias novas intervenções proféticas;
posteriormente, Jeú deverá realizar uma grande purificação (2 Rs 9–10).
Portanto, o Carmelo foi uma vitória decisiva, mas não o fim da batalha.
5. Leitura Patrística:
o drama do Profeta diante da infidelidade do povo.
Os Padres da Igreja veem em Elias, a figura do verdadeiro Pastor, que sofre ao contemplar a infidelidade do povo de Deus.
Santo Ambrósio comentando a vida de Elias, observa que o Profeta não foge apenas por temor, mas por tristeza diante da dureza dos corações.
“Maior era a dor da impiedade do povo,
do que o medo da perseguição”.
O sofrimento de Elias, é o sofrimento do homem que ama a glória de Deus.
São João Crisóstomo, afirma que Elias experimenta uma tentação comum, aos grandes servos de Deus:
“Pensar que está sozinho, quando Deus trabalha silenciosamente em muitos outros”.
Por isso Deus lhe revela os sete mil fiéis.
São Gregório Magno, vê nos sete mil uma imagem da Igreja escondida:
“Muitos pertencem a Deus,
sem serem conhecidos pelos homens”.
O Profeta conhecia apenas o que via; Deus conhecia os corações.
6. Significado Espiritual.
A experiência de Elias ensina que:
Milagres não garantem conversão duradoura;
a idolatria pode sobreviver, mesmo após grandes manifestações divinas;
os servos de Deus, podem sentir-se sozinhos em tempos de crise;
Deus sempre conserva, um remanescente fiel;
a vitória de Deus, costuma amadurecer lentamente na história.
Por isso, o Horeb é tão importante quanto o Carmelo.
No Carmelo, Elias aprende o poder de Deus manifestado no fogo.
No Horeb, aprende a confiar na ação silenciosa de Deus:
“Depois do fogo, ouviu-se o murmúrio de uma brisa suave” (1 Rs 19, 12).
O Deus que respondeu com fogo no Carmelo, é o mesmo Deus que continua governando Israel silenciosamente, preservando os sete mil fiéis que Elias não conseguia ver.
Sob uma perspectiva Mística, muitos Autores Carmelitas enxergam aqui uma passagem da alma, do zelo exterior para a contemplação profunda. Elias vence os profetas de Baal no Carmelo, mas precisa ainda vencer a desolação interior no Horeb. Somente ali ele descobre que, a fidelidade da Igreja e do povo de Deus, não depende da força de um único Profeta, mas da Providência Divina, que sustenta seus eleitos através dos séculos.
✠
Componha-me uma Catena Patrística sobre este Estudo, com citações diretas e comentadas, tendo como base os Comentários dos Santos Padres, Doutores, Teólogos, Exegetas e os Autores Místicos da Igreja Católica.
CATENA PATRÍSTICA E MÍSTICA.
Elias no Horeb:
A Aparente Solidão do Profeta
e o Remanescente Fiel de Deus
(1 Reis 19, 1-18).
Tema: Após a vitória no Monte Carmelo, por que Elias lamenta diante de Deus? Israel continuava na idolatria? O que significa a revelação dos sete mil fiéis?
I. ELIAS CHORA DIANTE DA PERSISTÊNCIA DA APOSTASIA.
Santo Efrém da Síria (†373), comentando a missão dos Profetas em Israel, observa:
“Os Profetas foram enviados, para arrancar os espinhos da idolatria; mas o povo, curado por um momento, voltava novamente às suas enfermidades”.
Comentário.
Elias não se lamenta porque Deus falhou, mas porque o povo, embora testemunhe os prodígios divinos, frequentemente retorna aos seus antigos pecados.
O Carmelo manifestou a Verdade de Deus; entretanto, muitos corações permaneceram divididos.
São João Crisóstomo (†407), em suas homilias sobre os Profetas, ensina:
“Nada aflige tanto o justo, quanto ver a honra de Deus desprezada. Os sofrimentos pessoais são leves; pesada, é a visão de uma multidão, que se afasta da Verdade”.
Comentário.
A dor de Elias não é egoísta.
Ele sofre, porque ama.
Seu zelo pelo Senhor é tão intenso, que a infidelidade de Israel, lhe causa uma verdadeira paixão espiritual.
II. “SÓ EU FIQUEI”
(1 Rs 19, 10).
Santo Agostinho (†430), comentando a condição dos justos em tempos de corrupção:
"Às vezes os Santos julgam estar sozinhos, porque não conseguem enxergar aqueles que Deus conserva escondidos" (Enarrationes in Psalmos).
Comentário.
A declaração de Elias contém uma verdade e um equívoco.
É verdade que, a maioria havia se afastado.
Mas, é erro pensar, que Deus havia ficado sem servos.
A Providência Divina, trabalha silenciosamente.
São Gregório Magno (†604): “O Profeta julgava-se sozinho, porque via apenas os homens; Deus, porém, contemplava os corações” (Moralia in Job).
Comentário.
Elias enxerga a superfície da história.
Deus contempla o invisível.
Aquilo que parece derrota para os homens, pode esconder uma obra secreta da graça.
III. OS SETE MIL FIÉIS.
Orígenes (†253), comentando o remanescente de Israel:
“Deus nunca abandona a sua vinha. Mesmo quando parece devastada, preserva raízes ocultas para uma nova floração”.
Comentário.
Os sete mil representam, o princípio do “resto santo”, que atravessa toda a Escritura.
Quando a infidelidade se espalha, Deus conserva um núcleo de fiéis.
São Beda, o Venerável (†735): “Os sete mil simbolizam a perfeição daqueles que, em meio à corrupção geral, recusam dobrar os joelhos aos ídolos”.
Comentário.
O número possui forte significado simbólico.
Não fala apenas de uma quantidade, mas da plenitude da fidelidade, preservada por Deus.
São Paulo Apóstolo. O próprio Apóstolo interpreta este episódio:
“Também no tempo presente, existe um resto, segundo a eleição da graça” (Rm 11, 5).
Comentário Patrístico.
Os Padres veem nesta passagem, a prova de que Deus sempre conserva um povo fiel.
Jamais haverá um tempo, em que a Verdade desapareça completamente da terra.
IV. A TENTAÇÃO DOS GRANDES SERVOS DE DEUS.
São João Crisóstomo: “Os mais fortes combatentes de Deus, são às vezes atacados pelo desânimo, após as maiores vitórias”.
Comentário.
O Carmelo, foi seguido pelo Horeb.
A Glória, foi seguida pela provação.
Depois das maiores consolações, Deus frequentemente permite, purificações mais profundas.
São Gregório Nazianzeno (†390): “A alma que combate por Deus, conhece alternadamente o Tabor e o Getsêmani”.
Comentário.
Elias experimenta esta lei espiritual.
Primeiro, o fogo que desce do Céu.
Depois, a caverna escura do Horeb.
V. DEUS NÃO ESTÁ APENAS NO FOGO.
São Jerônimo (†420), comentando 1 Rs 19:
“Aquele que se manifestara no fogo do Carmelo, quis depois instruir o Profeta, pela suavidade da brisa”.
Comentário.
No Carmelo, Deus mostrou seu poder.
No Horeb, revela sua intimidade.
O Profeta precisava aprender, uma dimensão mais profunda da Ação Divina.
São Gregório Magno: “O Senhor não se encontrava no terremoto, nem no fogo, porque desejava ensinar, que frequentemente realiza suas maiores obras em silêncio”.
Comentário.
A história da salvação, não avança apenas por milagres extraordinários.
Muitas vezes, cresce escondida.
Assim, nasceu Cristo em Belém.
Assim, cresce a Igreja.
Assim, amadurece a santidade.
VI. INTERPRETAÇÃO CARMELITANA.
Santo Alberto de Jerusalém (†1214), na inspiração da Regra Carmelitana:
“Cada um permaneça em sua cela, meditando dia e noite na Lei do Senhor”.
Comentário.
Os Carmelitas sempre enxergaram no Horeb, um símbolo da contemplação.
Depois do combate exterior, Elias entra no silêncio, onde Deus fala ao coração.
Santa Teresa de Jesus (†1582): “Deus fala na alma não pelo estrondo, mas por uma delicadíssima notícia interior” (Castelo Interior).
Comentário.
A brisa suave do Horeb, prefigura a ação contemplativa da Graça, descrita pelos Grandes Místicos.
São João da Cruz (†1591): “O Pai pronunciou uma Palavra, que foi seu Filho; e esta Palavra fala sempre, em eterno silêncio” (Ditos de Luz e Amor).
Comentário.
A “voz de um silêncio suave” (1 Rs 19, 12), foi frequentemente associada pelos Místicos, ao modo pelo qual, Deus comunica sua presença à alma contemplativa.
VII. ELIAS COMO FIGURA,
DA IGREJA DOS ÚLTIMOS TEMPOS.
Santo Hilário de Poitiers (†367): “Elias é imagem daqueles que, permanecerão firmes, quando muitos abandonarem a Fé”.
Comentário.
Por isso, a Tradição Cristã frequentemente relaciona Elias, aos tempos de grande provação da Igreja.
São Roberto Belarmino (†1621): “A Igreja poderá parecer reduzida e humilhada, mas, jamais deixará de possuir filhos fiéis”.
Comentário.
O remanescente dos sete mil prefigura, a permanência da Igreja, através de todas as crises históricas.
VIII. SÍNTESE DOS MÍSTICOS.
Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein): "Deus conduz os seus, através das noites em que tudo parece perdido, para revelar que a esperança, repousa somente n'Ele".
Comentário.
A Noite Espiritual de Elias, não termina no desespero.
Termina, numa nova missão.
Santa Isabel da Trindade (†1906): “Quando tudo parece silencioso, Deus trabalha mais profundamente”.
Comentário.
A brisa suave do Horeb, continua soprando na vida da Igreja e das almas.
FLORILÉGIO FINAL.
A voz unânime dos Padres, Doutores e Místicos ensina:
O milagre do Carmelo, não extinguiu imediatamente a idolatria de Israel.
Elias sofreu, ao ver a persistência da apostasia.
Sua solidão era real, mas não absoluta.
Deus havia preservado, sete mil fiéis desconhecidos.
O Horeb revela uma dimensão, mais profunda da Ação Divina.
Deus governa a história, não apenas por prodígios visíveis, mas também por sua Providência escondida.
O remanescente fiel, atravessa toda a história da salvação.
Elias torna-se figura da Igreja perseguida, da alma contemplativa e dos fiéis, que permanecem firmes em tempos de crise.
Assim, a grande lição do Horeb é esta:
Quando o servo de Deus julga estar sozinho, descobre que o Senhor já preparou, no segredo dos corações, milhares de testemunhas, que não dobraram os joelhos diante dos ídolos. E quando o mundo parece dominado pela infidelidade, Deus continua preservando para Si, um povo santo, escondido, mas invencível pela Graça.
✠
Faça-me um Sermão Carmelita sobre este Estudo.
SERMÃO CARMELITA.
Elias entre o Fogo do Carmelo e o Silêncio do Horeb
“Reservei para mim sete mil homens em Israel,
todos os que não dobraram os joelhos diante de Baal”
(1 Rs 19, 18).
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.
Caríssimos irmãos e irmãs,
A história do Santo Profeta Elias, não é apenas a narrativa de um homem extraordinário do Antigo Testamento. É também a história da alma fiel, da Igreja peregrina e de cada Cristão, que deseja permanecer firme em meio às tempestades da história.
No Monte Carmelo, Elias aparece revestido de poder. Diante dele estão, os quatrocentos e cinquenta profetas de Baal; atrás dele, um povo vacilante; acima dele, o Céu aparentemente fechado. E, contudo, basta uma oração do Profeta, para que o fogo desça do alto e manifeste diante de todos, que somente o Senhor é Deus.
Aquele dia, foi um triunfo da Verdade.
Aquele dia, foi uma vitória da Fé.
Aquele dia, foi uma humilhação dos ídolos.
Mas a Escritura nos surpreende. Logo após sua maior vitória, Elias não sobe a um trono; sobe a um deserto. Não recebe aplausos; recebe ameaças. Não encontra repouso; encontra perseguição.
Jezabel, continua viva.
A idolatria, continua respirando.
O pecado, continua combatendo a Graça.
E o profeta, cansado e ferido, foge para o Horeb.
Aqui começa, uma das mais profundas lições, da Espiritualidade Carmelita.
O Desânimo do Profeta.
No Horeb, Elias abre seu coração diante de Deus:
“Os filhos de Israel abandonaram tua aliança, derrubaram teus altares e mataram teus profetas. Só eu fiquei” (1 Rs 19, 10).
Quantas vezes, esta é também a oração dos justos!
Quando vemos a Verdade combatida, a Fé ridicularizada, a Moral Cristã desprezada e os Valores Evangélicos abandonados, somos tentados a pensar como Elias:
“Senhor, restou alguém fiel?”
Esta tentação não é nova.
Ela acompanhou os Profetas.
Ela acompanhou os Mártires.
Ela acompanhou os Santos.
Ela acompanha a Igreja em todas as épocas.
Mas Deus responde a Elias, com uma correção cheia de ternura:
“Reservei para mim sete mil homens”.
Elias, acreditava estar sozinho.
Deus, revela que jamais esteve.
O Profeta, enxergava a superfície.
Deus, contemplava os corações.
Eis, uma das grandes consolações da Espiritualidade do Carmelo: quando tudo parece perdido, Deus continua trabalhando em segredo.
O Deus do Carmelo e o Deus do Horeb.
No Carmelo, Deus falou pelo fogo.
No Horeb, Deus fala pelo silêncio.
Primeiro, veio o vento impetuoso.
Depois, o terremoto.
Depois, o fogo.
Mas, o Senhor não estava neles.
Então veio:
“O murmúrio de uma brisa suave” (1 Rs 19, 12).
Os Santos Carmelitas, contemplaram durante séculos, este Mistério.
O mesmo Deus, que se manifesta com poder, também se manifesta com delicadeza.
O mesmo Deus, que faz cair fogo do Céu, também visita a alma em silêncio.
Santa Teresa de Jesus ensina que, Deus fala ao interior da alma, por uma comunicação tão suave que, nenhuma linguagem humana consegue descrever.
São João da Cruz afirma que, a Palavra Eterna, é pronunciada no silêncio.
E Santa Isabel da Trindade diz que, Deus habita no fundo da alma, como um hóspede silencioso.
Elias precisava aprender esta lição.
O Profeta do Fogo, precisava tornar-se também, o Profeta da Contemplação.
Os Ídolos de Ontem e os Ídolos de Hoje.
Israel, continuava marcado pela idolatria.
Baal, não era apenas uma estátua.
Era uma falsa promessa, de felicidade.
Era a tentativa de encontrar fora de Deus, aquilo que somente Deus pode dar.
Também hoje existem, muitos “Baal”.
O culto ao poder.
O culto ao dinheiro.
O culto ao prazer.
O culto à própria vontade.
O culto à opinião do mundo.
Os ídolos mudaram de nome, mas continuam exigindo adoração.
Por isso, o combate de Elias continua atual.
O Carmelo, não é apenas um monte da Palestina.
O Carmelo, é o coração humano.
Ali acontece diariamente, a batalha entre Deus e os ídolos.
Ali, devemos decidir:
“Se o Senhor é Deus, segui-O” (1 Rs 18, 21).
Os Sete Mil Fiéis.
A revelação dos sete mil, é um dos textos mais consoladores de toda a Escritura.
Deus sempre conserva, um remanescente.
Sempre.
Quando parecia que a fé desaparecera, havia sete mil.
Quando o mundo pagão perseguia a Igreja, havia Mártires.
Quando surgiam heresias, havia Confessores da Fé.
Quando as trevas pareciam avançar, Deus suscitava Santos.
Nunca houve uma época sem testemunhas.
Nunca houve uma geração sem fiéis.
Nunca haverá um tempo, em que Cristo abandone sua Igreja.
A Promessa permanece:
“As portas do Inferno, não prevalecerão contra ela” (Mt 16, 18).
A Missão do Carmelo Hoje.
A Ordem do Carmo nasceu, sob o olhar de Elias.
Por isso, sua vocação não consiste apenas em recordar o Profeta, mas em prolongar seu espírito.
O Carmelita — seja religioso, seja leigo — é chamado a viver entre o Carmelo e o Horeb.
Do Carmelo, recebe o zelo pela glória de Deus.
Do Horeb, recebe o amor ao silêncio contemplativo.
Do Carmelo, aprende a combater os ídolos.
Do Horeb, aprende a escutar a voz divina.
Do Carmelo, recebe coragem.
Do Horeb, recebe intimidade.
A verdadeira Alma Carmelita, une estas duas Montanhas em seu coração.
Conclusão.
Meus irmãos.
Talvez alguns se sintam como Elias.
Talvez olhem para o mundo, para a sociedade, para a própria Igreja, e perguntem:
“Senhor, ainda existem fiéis?”
A resposta de Deus continua a mesma:
“Reservei para mim sete mil”.
Existem almas escondidas.
Existem corações fiéis.
Existem santos desconhecidos.
Existem contemplativos que, sustentam o mundo pela oração.
Existem homens e mulheres que, não dobraram os joelhos diante dos ídolos modernos.
E, acima de tudo, existe Cristo.
Ele permanece, Senhor da história.
Ele permanece, Cabeça da Igreja.
Ele permanece, Rei do universo.
Por isso, quando o fogo do Carmelo parecer distante e o silêncio do Horeb parecer escuro, lembremo-nos da lição do Profeta Elias:
Deus continua agindo quando não O vemos, continua vencendo quando parece derrotado e continua conservando para Si um povo fiel, até o dia em que toda idolatria desaparecerá e somente o Cordeiro será adorado pelos séculos dos séculos.
Amém.
Oração Final.
Ó Deus de Elias, Senhor do Carmelo e do Horeb, concedei-nos a Graça de permanecer fiéis quando muitos vacilam, de perseverar quando tudo parece perdido e de reconhecer Vossa presença, tanto no fogo de Vossos prodígios, quanto na suavidade de Vossa voz interior.
Fazei de nossos corações, um altar onde somente Vós sejais adorado. Livrai-nos dos ídolos deste mundo e ensinai-nos a viver no santo recolhimento dos filhos de Maria, Rainha e Formosura do Carmelo.
Que o espírito de Elias arda em nossas almas; que a Contemplação dos Santos Carmelitas nos conduza à intimidade convosco; e que, unidos ao remanescente fiel de todos os tempos, possamos cantar eternamente:
“O Senhor é Deus! O Senhor é Deus!”
Por Cristo, Nosso Senhor.
Amém.
✠
Componha-me uma Oração Final sobre este Estudo.
ORAÇÃO FINAL
Ao Deus de Elias,
Guardião do Remanescente Fiel.
Ó Senhor Deus dos Exércitos,
Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó,
Deus Vivo e Verdadeiro,
que chamastes Vosso servo Elias
a defender a Vossa glória
em meio a um povo vacilante,
nós Vos adoramos,
Vos bendizemos
e Vos damos graças,
por Vossa Eterna fidelidade.
Vós sois o Deus do Carmelo,
que respondeis com fogo à oração dos justos;
e sois também o Deus do Horeb,
que falais no suave murmúrio do silêncio.
Vós sois o Deus das grandes manifestações de poder
e das secretas visitas da Graça;
o Deus que governa os séculos
e que habita no íntimo das almas.
Senhor,
ao contemplarmos a dor de Elias,
que julgava ter ficado sozinho
em meio à apostasia de Israel,
ensinai-nos a não desanimar
quando a Fé parecer enfraquecida,
quando a Verdade é rejeitada,
quando os ídolos deste mundo
parecerem triunfar sobre os Vossos altares.
Livrai-nos da cegueira espiritual
que nos faz enxergar apenas as trevas,
e concedei-nos a confiança dos Santos,
para acreditarmos que Vós sempre conservais,
mesmo nos tempos mais difíceis,
um povo fiel para a Vossa glória.
Assim como revelastes a Elias,
a existência dos sete mil,
que não haviam dobrado os joelhos diante de Baal,
fazei-nos recordar que a Vossa Igreja,
jamais será abandonada,
jamais será vencida,
jamais será privada da presença daqueles,
que Vos amam de coração sincero.
Ó Senhor,
guardai-nos dos ídolos antigos e modernos.
Livrai-nos da idolatria do poder,
da vaidade que obscurece a alma,
do apego desordenado aos bens passageiros,
da busca incessante dos aplausos humanos,
da confiança excessiva em nós mesmos,
e de tudo aquilo que tenta ocupar,
o lugar que somente Vós deveis possuir em nossos corações.
Que nenhuma criatura se torne para nós um deus.
Que nenhuma paixão reine sobre nossa vontade.
Que nenhuma mentira nos afaste de Vossa verdade.
Concedei-nos o espírito de Elias:
seu zelo ardente pela Vossa glória,
sua coragem diante dos inimigos da Fé,
sua pureza de intenção,
sua vida de oração,
seu amor à solidão santa
e sua escuta atenta da Vossa voz.
Fazei-nos subir espiritualmente ao Carmelo,
para renovar nossa fidelidade à Aliança;
e conduzi-nos ao Horeb,
para aprendermos o segredo da contemplação
e da confiança absoluta em Vossa Providência.
Ó Virgem Santíssima,
Rainha e Formosura do Carmelo,
Nuvem Bendita, contemplada profeticamente por Elias,
Mãe dos fiéis e Refúgio dos que perseveram,
envolvei-nos sob o vosso Santo Manto.
Ensinai-nos a guardar a Palavra de Deus no coração,
a permanecer firmes nas provações,
a esperar contra toda esperança
e a seguir vosso Filho até o fim.
Ó Santo Profeta Elias,
Pai Espiritual dos Contemplativos,
Guia dos que buscam a Deus,
intercedei por nós.
Obtende-nos a Graça,
de nunca negociar a Verdade,
de nunca pactuar com os ídolos,
de nunca abandonar a oração
e de nunca perder a Esperança
nas Promessas do Senhor.
E quando chegarem para nós
os dias da aridez,
do combate,
da perseguição
ou da aparente solidão,
fazei-nos recordar, que Deus continua reinando,
que Cristo continua conduzindo a Sua Igreja
e que o Espírito Santo continua santificando,
as almas que permanecem fiéis.
Então, unidos aos Profetas,
aos Apóstolos,
aos Mártires,
aos Doutores,
aos Santos Carmelitas
e ao remanescente fiel de todos os tempos,
cantaremos eternamente diante do Vosso trono:
Santo, Santo, Santo,
é o Senhor Deus dos Exércitos
a Ele pertencem a glória,
a honra,
o poder
e o domínio pelos séculos dos séculos.
Amém.
Santo Elias, Profeta de Fogo e de Contemplação, rogai por nós.
Nossa Senhora do Carmo, Rainha do Remanescente Fiel, rogai por nós.
Sagrado Coração de Jesus, triunfai em nossos corações e no mundo inteiro.
Amém.





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