Blog Católico, para os Católicos

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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

Que se Há de Evitar os Juízos Temerários.


1. Põe os olhos em ti e guarda-te de julgar as ações alheias. Julgando os outros, o homem trabalha em vão, erra o mais das vezes e facilmente peca; julgando e examinando a si mesmo, trabalha sempre com proveito.

Julgamos frequentemente das coisas conforme nos falam ao coração; porque o amor-próprio turva facilmente a verdade dos nossos juízos. Se Deus fosse sempre o único objeto de nossos desejos não nos perturbaríamos tão depressa quando contrariam a nossa vontade.

2. Há, porém, muitas vezes, alguma razão oculta ou algum motivo externo que também em nós influi.

Muitos, no que fazem, buscam secretamente a si mesmos, sem o saberem. Parecem também estar em perfeita paz quando as coisas lhes correm à medida dos desejos; mal, porém, não lhes sucedem à vontade logo se perturbam e entristecem.

Por causa da diversidade de sentimentos e opiniões, nascem frequentes discórdias entre amigos e vizinhos, entre religiosos e pessoas piedosas.

3. É coisa difícil, deixar um costume antigo e ninguém de boa mente renuncia a seu modo de ver.

Se confias mais em tua razão e habilidade do que na virtude que nos submete a Jesus Cristo, tarde e raras vezes terás a alma iluminada; Deus quer que a Ele nos sujeitemos perfeitamente, e, inflamados no Seu amor, nos elevemos acima de toda a razão humana.1



1ª Reflexão2


Por fraqueza nossa, quando se trata de culpas e defeitos, vemos melhor ao longe que ao perto; os defeitos dos nossos irmãos estão longe e vemo-los; os nossos estão mais perto – estão em nós mesmos – e não os vemos, ou vemo-los muito mal. Por isso, nos sentimos inclinados a pensar e falar pouco favoravelmente dos nossos irmãos; queremos toda a indulgência para os defeitos próprios e todo o rigor da justiça para os alheios.

Com referência, pois, à disposição do nosso espírito para com o próximo, podemos distinguir quatro estados: dúvida, suspeita, opinião e juízo. Dúvida temerária – é o estado em que o nosso espírito, sem fundamento razoável, fica suspenso, nada afirmando nem negando de bom a respeito do próximo. Suspeita temerária – é o estado em que o nosso espírito, sem motivo razoável, se inclina a pensar mal do próximo. Opinião temerária – é o estado em que o nosso espírito julga mal do próximo, mas com algum receio de errar. Finalmente, Juízo temerário – é o estado em que o nosso espírito, sem motivo suficiente, julga mal do próximo com assentimento seguro e certo. Este pode chegar a ser culpa mortal. Se olharmos a sério para a nossa consciência, muito encontraremos que censurar e corrigir. Ora, a caridade bem ordenada deve começar por nós: se não emendamos os nossos defeitos, por que motivo nos preocupamos com os alheios?

A caridade não pensa mal”.3 “Sede misericordiosos assim como o vosso Pai é misericordioso”.4 Não pode negar misericórdia a seus irmãos quem necessita dela para si: se queremos que Deus seja indulgente para conosco, justo é que sejamos também indulgentes para com o próximo.5

Meu Deus, que sois todo amor, inflamai o meu coração nas doces chamas da caridade, e fazei que eu ame cada vez mais o meu próximo por amor de Vós.



2ª Reflexão6


Há em nós uma secreta malícia que se compraz em descobrir as imperfeições



de nossos irmãos, e eis aqui porque somos tão propensos a julgá-los, esquecendo que a Deus só pertence julgar os corações.

Em lugar de pesquisar tão curiosamente a consciência alheia, metamos a mão na nossa, ali acharemos bastante motivos para sermos indulgentes com o próximo e não menos inquietações a nosso respeito.

Quem não é Superior ou Prelado, nenhum encargo tem de vigiar seu semelhante; cada um somente de si responde: “Não julgues, portanto, para que não sejas julgado”.7

Não cuida o malicioso, que se fazem as coisas com santa intenção e julga o bem que vê pelo mal que se lhe imagina.

Livrai-me, Deus meu, desta propensão maligna; refreai minha língua, para que nunca fale contra meu próximo, moderai meus pensamentos, para que em tudo sejam conformes à Lei Santa de vosso amor e dilatai meu coração com os ardores da caridade, para que sempre siga vosso Divino Filho, que na agonia do Calvário Vos pediu perdão para os que O crucificavam.



3ª Reflexão8


Não julgueis e não sereis julgado, diz o Salvador de nossas almas; não condeneis e não sereis condenados”.9 “Não”, diz o Santo Apóstolo, “não julgueis antes do tempo, até que venha o Senhor, que revelará o segredo das trevas e manifestará os desígnios dos corações”.10 Oh! Quão desagradáveis a Deus são os juízos temerários! Os juízos dos filhos dos homens são temerários, porque são juízes uns dos outros e julgando, usurpam o ofício de Nosso Senhor; são temerários, porque a principal malícia do coração depende da intenção e conselho do coração, que é o secreto das trevas para nós; são temerários, porque cada um tem bastante que fazer em julgar-se a si mesmo; pois, como Nosso Senhor nos proíbe um, o Apóstolo nos manda o outro julgamento, dizendo: “Se nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados”.11

Mas, ó Deus! Fazemos o contrário; pois, o que nos é proibido, não cessamos de o fazer, julgando o próximo a todo propósito; e o que nos é mandado, que é julgarmo-nos a nós mesmos, nunca o fazemos.12



Oração13


Meu Senhor Jesus Cristo, que quisestes, ainda que inocente, ser condenado por amor de mim ao suplício da Cruz, dai-me a força de suportar a sentença de uma morte cruel por vosso amor, e de não temer os falsos juízos dos homens e de não julgar a ninguém injustamente.


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1.  Imitação de Cristo, nova tradução portuguesa pelo Pe. Leonel Franca, S.J., Livro I, Cap. XIV, pp. 28-29. 4ª Edição, Livraria José Olympio Editora, Rio de Janeiro/São Paulo, 1948.

2.  Imitação de Cristo, novíssima edição, confrontada com o texto latino e anotada por Monsenhor Manuel Marinho, Livro I, Cap. XIV, pp. 33-34. Editora Viúva de José Frutuoso da Fonseca, Porto, 1925.

3.  I Cor. 13, 4-7.

4.  Luc. 6, 36.

5.  Tiag. 2, 12-13.

6.  Imitação de Cristo, Presbítero J. I. Roquette, Livro I, Cap. XIV, pp. 40-41. Editora Aillaud & Cia., Paris/Lisboa.

7.  Mat. 7, 2.

8.  Imitação de Cristo, Versão portuguesa por um Padre da Missão, Livro I, Cap. XIV, p. 35-36. Imprenta Desclée, Lefebvre y Cia., Tornai/Bélgica, 1904.

9.  Luc. 6, 37.

10.  I Cor. 4, 5.

11.  I Cor. 11, 31.

12.  São Francisco de Sales,“Introdução à Vida Devota”, Parte III, Cap. XXVIII.

13.  S. Francisco de Sales, Opusc. III.


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