BLOG CATÓLICO PARA OS CATÓLICOS.

BLOG CATÓLICO, PARA OS CATÓLICOS.

"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

sábado, 19 de novembro de 2022

MATER DIVINAE PROVIDENTIAE.


Origens da Devoção a Nossa Senhora

Mãe da Divina Providência


1ª Parte


A história do culto prestado à Santíssima Virgem, sob o título tão suave de Mãe da Divina Providência, tem seu início nos primeiros anos em que os Barnabitas se estabeleceram em Roma – 1574.

Estes religiosos, como testemunho público de sua gratidão para com São Carlos Borromeu, o insigne amigo e protetor da sua nascente Congregação, logo após a Canonização do imortal Arcebispo de Milão (1610), empreenderam a construção de uma ampla e magnífica Igreja em honra dele. Em menos de um mês o local escolhido foi adaptado e ornamentado para se poder nele celebrar solenemente, oito dias consecutivos, as primeiras festas do novo Santo (3 de Novembro de 1611). As obras, logo iniciadas, adiantavam-se com rapidez e, oito anos depois, a majestosa cúpula erguia-se nos ares coroada por uma cruz brilhante que o arquiteto Pedro Rosati fizera enriquecer com preciosas relíquias.

As obras, porém, foram interrompidas porque escassearam os meios.

Em 1626, o Superior da Casa, Pe. Braz Palma, religioso de grande piedade e fé profunda, vendo-se privado de todos os socorros humanos e às voltas com dificuldades insuperáveis, resolveu fazer violência ao Céu e dirigir-se à Santíssima Virgem. A doce Providência de Maria, costumava dizer, velara por ele constantemente com uma ternura incomparável. À vista disso, logo após as festas de Páscoa, em companhia de um irmão leigo, fez a célebre peregrinação ao Santuário de Nossa Senhora de Loreto, a pé, na íntima persuasão de que sua oração seria mais facilmente ouvida nesse Santuário a que se dirigiam peregrinos do mundo inteiro e onde inúmeras graças eram incessantemente outorgadas aos piedosos fiéis.

Satisfeita a sua devoção, voltava para Roma, com o coração repleto das mais suaves consolações. Ao penetrar, porém, na cidade, pareceu-lhe ouvir uma voz interior que o impelia a ir visitar um Cardeal de que só conhecia o nome e em quem jamais pensara: João Batista Leni, Bispo de Ferrara e Arcipreste da Basílica de Latrão.

Embora intimamente persuadido que essa inspiração vinha da Virgem Santíssima, o Pe. Palma, prudente ao extremo e circunspecto, preferiu valer-se dos bons ofícios e da influência de um amigo, o Príncipe Carlos Barberini, sobrinho do Papa Urbano VIII. Prazerosamente o amigo serviu de intermediário, mas em vão; às primeiras palavras do Príncipe o Cardeal respondeu que lhe era impossível interessar-se pela construção da Igreja de São Carlos, porquanto sua fortuna se achava empenhada em outras boas obras.

O Pe. Palma não desanimou. Redobrou mesmo suas orações, insistindo junto a Maria Santíssima na convicção de que Ela devia ser sua Providência e que estava em jogo a glória d’Ela ouvindo os pedidos do seu servo. Um dia, passando diante do palácio do Cardeal Leni, sentiu mais forte ainda o impulso íntimo que o levava a apresentar-se imediatamente ao Príncipe da Igreja. A acolhida foi cortês; o pobre religioso falou com ingênua simplicidade. A resposta consistiu em algumas boas palavras… Nenhuma promessa, nenhuma esperança para o futuro.

No ano seguinte, 1627, em Outubro, o Cardeal Leni caiu gravemente doente. O Pe. Palma, que de vez em quando lhe fazia uma visitinha, imediatamente correu à casa do Cardeal, sendo recebido com particular benevolência. O doente não escondeu o prazer que lhe causavam essas visitas e declarou mesmo que era seu vivo desejo exalar o último suspiro nas mãos do Pe. Palma e que, vivo ou morto, estaria na igreja dos Barnabitas, na próxima festa de São Carlos, 4 de Novembro.

Com efeito, lá estava o Cardeal Leni, no dia de São Carlos, mas estendido num esquife, pois falecera piedosamente na Véspera da Festa do Santo Arcebispo de Milão. Os funerais solenes foram celebrados na Igreja de São Carlos, na presença de trinta Cardeais e de numerosa assistência. No mesmo dia abriu-se o testamento do extinto: deixava a maior parte de sua fortuna para o acabamento das obras da Igreja de São Carlos-ai-Catinari.

Graças a esse inesperado socorro, os trabalhos recomeçaram com entusiasmo. Novos benfeitores apareceram e, em 1650, ano do Jubileu, a Igreja estava terminada. A consagração, porém, só teve lugar em 1722, 19 de Março, presidida pelo Cardeal Lourenço Cursini, futuro Papa Clemente XII.

Para conservar a memória de um benefício tão extraordinário e, de certo modo, perpetuar o seu reconhecimento para com a Santa Mãe de Deus, o Pe. Palma escreveu minucioso relato de tudo quanto acontecera. Quase a cada página ele proclama Maria como sendo a doce e eficaz Providência de todos os que a ela recorrem com confiança. Convida a todos os que o lerem a solicitarem essa proteção, a fim de aumentar o culto e o amor de Mãe tão boa e compassiva.



2ª Parte


O relatório do Pe. Palma ficou longos anos desconhecido nos arquivos da Comunidade. Mais de um século depois, um religioso da mesma Casa, o Pe. Januário Maffetti, grande devoto da Santíssima Virgem, veio a encontrar por mero acaso ou, melhor diríamos, por determinação providencial, o precioso manuscrito. Leu-o de um só fôlego. E, à medida que seus olhos percorriam aquelas páginas embalsamadas de um amor tão confiante, de uma fé tão viva, de uma gratidão tão cordial para com a Mãe de Deus, sentia crescer dentro de si mesmo um desejo ardente de cooperar, com todas as suas forças, para o incremento do culto de Maria. Soara, com efeito, a hora em que devia ser manifestado ao mundo, sob um título ainda pouco conhecido, a misericordiosa bondade da Rainha do Céu. E foi bem maravilhoso o caminho escolhido pela Divina Providência para essa manifestação.

Tendo necessidade de ampliar a praça Colonna e o Palácio Chigi, o Papa Alexandre VII dera ordens de demolição para a igreja e a Casa dos Padres Barnabitas. (A primeira Igreja que os Padres Barnabitas tiveram em Roma foi a de São Paulo alla colonna).

Antes de abandonar essa Igreja, os Padres haviam feito remover de um dos muros um “afresco” representando a imagem da Mãe de Deus, famosa pela devoção e pelos benefícios que dispensar. Mas, quando se tratou de transportá-la, cinco anos depois, do nicho onde fora depositada para o altar definitivo, a imagem caiu desastradamente e quebrou-se em mil pedaços. Para compensar os Padres de uma perda tão importante, o arquiteto incumbido do transporte adquiriu, por elevado preço, uma bela pintura da Virgem Maria segurando nos braços o Menino Jesus. Era uma das mais belas telas de Scipione Pulzone, conhecido por “Gaetano” (de Gaeta, sua cidade natal) e considerado como o Van Dyck italiano. Essa pintura, medindo 54 cm por 42 cm, foi colocada no altar do Oratório situado no 1º andar da Casa, onde os Religiosos se reúnem habitualmente para a divina salmodia e outros exercícios de piedade.

Seria necessária a pena de um artista e de um santo para dar uma ideia exata da perfeição, da celeste beleza, da graça angelical que encerra essa tela, onde a pureza da Virgem se une tão bem à ternura da Mãe.

A Virgem Santa tem um vestido de púrpura e um manto azul celeste; um véu leve e transparente lhe cobre a cabeça e desce graciosamente sobre os ombros, inclinando-se um pouco à direita. Segura nos braços o Divino Menino, apertando-O amorosamente ao seio virginal, com os olhos docemente abaixados sobre a Face adorável do seu Filho, o mais belo dos filhos dos homens. Como são graciosas aqueles lábios tão puros da Virgem-Mãe, que esboça um sorriso celeste! E o arrebatamento que sentimos ao contemplar o encantador Menino, cujos olhos cintilantes, fixos na fisionomia de Sua terna Mãe, parece querer ler seus pensamentos e seus desejos! A mão do Menino na mão de Sua Mãe está a indicar-nos a fonte sagrada do poder de Maria, a confiança e abandono que deve animar-nos até Ela. Afeição recíproca, doce familiaridade entre Mãe e Filho, eis o que nos revela a atitude de Jesus e de Maria.

O Padre Maffetti disse, e com razão, que não fora sem um desígnio providencial, que essa encantadora imagem, venerada há mais de 70 anos por santos e doutos religiosos, havia sido confiada aos Barnabitas. Uma vez conhecida pelos fiéis, não deixaria de produzir uma benéfica impressão de piedade e devoção, fazendo crescer, sem dúvida, a confiança e o amor para com a poderosa Provedora. Mandou logo fazer uma fiel reprodução da Imagem. Mas, onde colocá-la? Não era fácil tarefa. Os altares todos da igreja já tinham seu particular destino. Escolheu, por fim, um pequeno corredor que servia de passagem aos religiosos que do Convento se dirigiam à igreja. O local pobre e sem adornos, mais se parecia com a gruta de Belém… e, no entanto, os desígnios admiráveis da Providência destinavam esta escura passagem para ser um farol escolhido pela Mãe de Deus, para levar ao longe o conhecimento do seu Divino Filho, um braseiro ardente cujas chamas de amor iriam aquecer e abrasar as almas. Alguns enfeites simples e rústicos foram colocados em torno do quadro e, embaixo, o piedoso barnabita escreveu este título que lhe brotou espontâneo do coração:



MATER DIVINAE PROVIDENTIAE”


Era o dia 13 de julho de 1732, assinalam as crônicas domésticas, 6º Domingo depois de Pentecostes, cujo Evangelho conta a multiplicação dos pães e dos peixinhos, com os quais o Salvador alimentou mais de quatro mil homens. Parecia que o Céu indicava aos fiéis que a misericordiosa Providência da Virgem Maria saberia prover, com igual bondade, às necessidades de todos os que viessem invocá-La.

Este título, novo para a população romana, não o era para os filhos de Santo Antônio Maria Zaccaria. As Religiosas Angélicas, fundadas também por Santo Antônio Maria, já veneravam, há longos anos, uma imagem de Maria cujo título era Mãe da Divina Providência.

Todos os anos as Religiosas faziam uma pequena procissão no 7º Domingo depois de Pentecostes, porque o Ofício do dia faz particular menção da Divina Providência.



3ª Parte


Aumentava o número de devotos de Nossa Senhora da Divina Providência. Eram, cada vez mais, numerosas as graças alcançadas aos pés de Maria, em prova do quanto lhe era grato ser honrada sob este título tão significativo.

Para tornar mais estável e, espiritualmente mais vantajosa, uma devoção tão do agrado dos fiéis, os Padres Barnabitas resolveram criar uma sociedade pia ou uma Confraria sob a invocação de Maria Mãe da Divina Providência. Organizaram um Regulamento e submeteram-no à aprovação do Soberano Pontífice.

A Cátedra de São Pedro era, então, ocupada pelo imortal Bento XIV, um dos maiores servidores de Maria. Esse Papa, cujo nome dispensa todos os elogios, conhecia de longa data e muito estimava os Barnabitas. Quando Arcebispo de Bolonha, associara-os a seus doutos trabalhos, e, feito Soberano Pontífice, escolhera um deles como Confessor e diretor de sua consciência. Destarte, recebeu com extrema benevolência um pedido que ia de encontro à sua peculiar devoção para com a Santíssima Mãe de Deus.

Pelo Breve de 25 de Setembro de 1744, ad perpetuam rei memoriam, Bento XIV estabeleceu na Igreja de São Carlos-ai-Catinaria, dirigida pelos Padres Barnabitas, uma piedosa Confraria sob a invocação de Bem-aventurada Virgem Maria Mãe da Divina Providência, concedendo-lhe inúmeras indulgências.

Além disso, o Papa quis mostrar, pessoalmente, o quanto apreciava o culto de Maria sob um título tão consolador, concorrendo com munificência para a ornamentação da Capela de Nossa Senhora.

Entre as datas mais célebres da história da devoção a Nossa Senhora da Divina Providência é necessário destacar a de 2 de Fevereiro de 1815. O pequeno Santuário de Maria, inteiramente renovado e ricamente ornamentado, presenciou inigualável solenidade. Durante nove dias os Padres Cardolini e Ungarelli pregaram um Retiro Paroquial, que produziu extraordinários frutos de salvação. Muito antes do amanhecer era grande o número de homens estacionados à porta da igreja, ansiosos por se confessarem. Dez Padres Barnabitas confessavam ininterruptamente, desde a manhã até o meio-dia; na Missa de Comunhão geral, celebrada pelo Superior Geral Pe. Fontana, mais de sete cibórios foram necessários para atender aos comungantes. Depois da Missa cantada, a Imagem da Virgem, carregada por quatro Barnabitas revestidos de ricas dalmáticas, percorreu as ruas engalanadas da Paróquia, em meio a um entusiasmo popular indescritível.

Tudo, no entanto, era apenas o prelúdio de outra manifestação ainda mais grandiosa. Uma hora antes do toque da “Ave Maria”, a Guarda Palatina (do Papa), enfileirada na Igreja, apresentava armas ao Sumo Pontífice, precedido de doze Cardeais. PIO VII, tendo-se revestido dos paramentos pontificais, entoou o hino de Ação de Graças: TE DEUM LAUDAMUS. Sete anos antes, o Papa fora indignamente expulso do seu trono, nesse mesmo dia, 2 de Fevereiro, e atribuía a sua libertação e volta à Cidade Santa, à PROVIDÊNCIA maternal de Maria Santíssima, e por isso, viera trazer o seu agradecimento no Santuário privilegiado de Maria.

Após a Bênção do Santíssimo, o Papa, deixando o Altar-mor, foi ajoelhar-se diante da imagem de Maria, orando longamente. Em seguida, como lembrança de sua visita e prova de sua gratidão, declarou o Altar de Nossa Senhora da Providência Privilegiado in perpetuum.

Em vista da maravilhosa difusão do culto de Maria, os Barnabitas pensaram em ampliar os benefícios espirituais concedidos aos fiéis romanos, através da Confraria de Nossa Senhora da Providência, estendendo-os fora de Roma. Mas era somente o Papa quem dava essa autorização. E isso foi feito por Gregório XVI, instituindo a Arquiconfraria de Nossa Senhora da Providência, Auxiliadora dos Cristãos. Autorizou, também, para sempre, o Superior Geral dos Barnabitas a agregar à Arquiconfraria de Roma, em todas as partes do Mundo, as Associações ou Confrarias que viessem a erigir-se sob o mesmo título. (Breve de Gregório XVI, de 16 de Julho de 1839).

Em 1849, o Papa Pio IX teve que se refugiar em Gaeta, por causa dos gravíssimos acontecimentos de Roma, onde fora traído pela própria Guarda. Forças francesas sitiaram a Cidade, que caíra sob o domínio de Mazzini.

A Paróquia de São Carlos achava-se na parte da cidade mais exposta aos projéteis dos sitiantes. O povo, em massa, pusera-se sob a proteção de Nossa Senhora da Providência. Essa confiança foi recompensada, porque em toda a Paroquial não houve a lamentar mortos nem feridos, apesar da proximidade do perigo.

Meses mais tarde, quando Pio IX voltava triunfante à sua boa Cidade, foi celebrado um Tríduo Solene para agradecer a Nossa Senhora, que fora realmente, a Providência do Pontífice.

A Santa Sé, reconhecendo que certos Santuários, são grandes centros de devoção e de culto, que tanto engrandecem o Nome de Maria, costuma dar a sua adesão e oficialmente consagra esse culto e devoção. Assim, é costume o Papa coroar, por Si ou por outrem, a imagem milagrosa, objeto de especial devoção arraigada no coração do povo cristão.

Em 1888, o Cabido Vaticano, atendendo favoravelmente o pedido formulado pelo Superior da Paróquia de São Carlos, Padre Inácio Picá, decretou a coroação solene de Nossa Senhora da Providência. E foi no Domingo, 1º de Novembro de 1888, que se verificou a coroação de Nossa Senhora da Providência.


(Pe. Alberto Dubois, Barnabita)


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Fonte: Manual da Arquiconfraria de Nossa Senhora Mãe da Divina Providência – Estatutos e Orações,1 pp. 1-12. Esc. Tip. Pio X (obra D. Orione), 1957.

1.  Ereta na Igreja de Nossa Senhora da Divina Providência, dos Padres Barnabitas, na Rua do Catete, 113, Rio de Janeiro.


quinta-feira, 17 de novembro de 2022

LADAINHA EM HONRA DE SANTA GERTRUDES MAGNA.


É composta dos títulos de honra

com que o Senhor mesmo distinguiu

a Santa Gertrudes.1


Senhor, tende piedade de nós.

Jesus Cristo, tende piedade de nós.

Senhor, tende piedade de nós.


Jesus Cristo, ouvi-nos.

Jesus Cristo, atendei-nos.


Deus Pai celestial, tende piedade de nós.

Deus Filho Redentor do mundo, tende piedade de nós.

Deus Espírito Santo, tende piedade de nós.

Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.


Santa Maria, rogai por nós.


Todos os Coros dos Santos Anjos, rogai por nós.

Todos os Santos e Eleitos de Deus, rogai por nós.


Santa Gertrudes, rogai por nós.

Virgem casta, rogai por nós.

Filha do Pai celeste, rogai por nós.

Esposa escolhida de Jesus Cristo, rogai por nós.

Templo do Espírito Santo, rogai por nós.

Jubilo da Santíssima Trindade, rogai por nós.

Florzinha aromática na mão de Cristo, rogai por nós.

Flor de primavera sempre viçosa, rogai por nós.

Rosa sem espinhos, rogai por nós.

Casta Pomba sem o fel do pecado, rogai por nós.

Serafim terrestre, rogai por nós.

Santuário de vida, rogai por nós.

Confiança forte de vossos veneradores, rogai por nós.


Jesus Cristo, Esposo de Santa Gertrudes, tende piedade de nós.

Por sua humildade, tende piedade de nós.

Por sua puríssima castidade, tende piedade de nós.

Por sua constante paciência, tende piedade de nós.

Por seu amor ardente, que tinha para conVosco, tende piedade de nós.

Pelo deleite que em seu coração sentiste, tende piedade de nós.

Pelo amor que tiveste para com ela, tende piedade de nós.

Pelo amor com que desde toda a eternidade a escolhestes, tende piedade de nós.

Pelo amor com que tão suavemente a atraístes a Vós, tende piedade de nós.

Pelo amor com que tão amigavelmente Vos unistes com ela, tende piedade de nós.

Pelo amor com que graciosamente moráveis em seu coração, tende piedade de nós.

Pelo amor com que rematastes sua vida por uma morte bem-aventurada, tende piedade de nós.

Pelo amor com que Lhe comunicais agora as alegrias eternas, tende piedade de nós.

Pelo amor com que amais a todos os Santos e Lhes agradais, tende piedade de nós.

Jesus Cristo, tende piedade de nós.


Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos, Senhor.

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, atendei-nos, Senhor.

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós.


À vossa intercessão sacratíssima e gloriosos merecimentos me recomendo, ó Santa Virgem Gertrudes, suplicando-vos devotamente, que vos digneis atender ao meu amor para convosco e à firmíssima confiança de meu coração em vosso patrocínio, e inscrevais o meu nome em vosso coração santificado, e me coloqueis no número daqueles que, singularmente amais e protegeis, a fim de que, por vossa valiosa intercessão e vossos abundante méritos, consiga viver de modo que, minhas obras sejam agradáveis a Deus e o deleitem. Amém.


V. Rogai por nós, Santa Gertrudes, Virgem amável.

R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.


Oremos: Jesus Cristo, Senhor de bondade, eu Vos peço, lembrai-Vos da afeição e do amor, que nutristes para com o coração virginal de Santa Gertrudes. Por esse mesmo amor, fostes impelido a prometer-lhe que pecador nenhum que a venerasse e amasse, morreria sem preparação. Por isso, rogo-Vos, que concedais a este indigno a graça de poder expiar todos os seus pecados e de se emendar, de Vos amar de todo o coração e de morrer em graça, na esperança e na fé em Vós. Amém.


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1.  Manual Gertrudiano ou Exercícios Espirituais de Santa Gertrudes Magna, Virgem da Ordem de São Bento, pp. 362-365. Edição Portuguesa. Typographia de B. Herder, Friburgo em Brisgau (Alemanha), 1914.


quarta-feira, 16 de novembro de 2022

SANTA GERTRUDES- ENSINAMENTOS.

 

Santa Gertrudes,  

Apóstola do Sagrado Coração de Jesus.


Lemos na vida de Santa Gertrudes1, que um dia foi arrebatada em altíssima contemplação, na qual lhe apareceu São João Evangelista. E perguntou-lhe a Santa, porque razão sendo ele o Discípulo da Caridade, a quem coube a fortuna de reclinar a cabeça sobre o peito de Jesus na última Ceia, e de sentir os movimentos daquele Coração, não escrevera no seu Evangelho uma palavra, ao menos, desse bendito Coração, para edificação dos fiéis; o Santo Evangelista respondeu-lhe com estas memoráveis palavras:

– Eu devia escrever para a Igreja nascente a Palavra do Verbo Divino Incriado, mas Deus se tinha reservado revelar nos últimos tempos do mundo a suavidade e o amor ardente desse Coração, e assim acender a Caridade quase apagada nos corações dos mortais.

Somos chegados aos tempos, de que fala o Discípulo predileto. O fogo da Caridade está apagado no coração de muitos cristãos. Como se poderá tornar a acender? Por meio desta santa devoção. Experimente vós também; e haveis de confessar esta verdade”.2



Do Segundo Livro das Revelações

de Nosso Senhor Jesus Cristo a Santa Gertrudes3


No Domingo seguinte, da Quinquagésima4, durante a Missa, Vós estimulastes e aumentastes os desejos de minha alma, para que ela quisesse favores mais sublimes que tínheis intenção de lhe conceder. Foi especialmente com estas duas palavras do Responsório: “Bendizendo, eu te bendirei”5, e o versículo do nono Responsório: “Darei esta terra a ti e à tua raça”6Então, com a Vossa venerável mão em Vosso Peito Sagrado, mostrastes onde se encontram essas regiões prometidas por Vossa infinita liberalidade.

Ó terra bem-aventurada, que encheis de felicidade todos os que em Vós habitam! Campo de delícias, da qual a menor partícula pode satisfazer abundantemente a fome de todos os eleitos e dar ao coração humano tudo o que lhe pode ser doce e agradável!

Eu considerava, com atenção talvez insuficiente, mas ao menos tanto quanto podia, esse espetáculo tão digno de atrair meu olhar. Então, apareceu-me a Bondade e a Humanidade de Deus Nosso Salvador, não por causa das obras de justiça pelas quais minha indignidade tivesse podido merecer esse favor, mas devido à Sua inefável misericórdia, que me justificava pela regeneração adotiva7 e me preparava para a união mais íntima convosco, ó meu Deus! União, em verdade, espantosa e temível, digna de admiração, celeste e inestimável!

Ó meu Deus! Em virtude de que méritos de minha parte e por que misterioso juízo, recebi tão grande favor? Certamente, o amor que esquece a dignidade do próprio sangue e se mostra cheio de condescendência, o amor que se precipita sem esperar a reflexão e o julgamento da razão, Vos inebriou até à loucura, se ouso assim falar, ó meu dulcíssimo Senhor, para que chegásseis a unir duas coisas tão diferentes. Ou melhor, para empregar linguagem mais respeitosa para com Vossa Majestade, essa suave bondade que é inata em Vós e faz parte de Vossa essência, foi abalada pelo contato da terna caridade que operou a salvação do gênero humano e em virtude da qual Vós não apenas amais, mas Sois o próprio Amor.

Será, pois, essa caridade, que Vos terá levado a tirar de Sua extrema indignidade uma miserável criatura, desprezível por sua vida e seus maus hábitos, para elevá-la à participação de Vossa real e divina grandeza? Vos quisestes com isto aumentar a confiança de todos os membros da Igreja, e é o que quero e desejo para todo o cristão, esperando que ninguém fará, como eu, tão mau uso dos dons de Deus nem dará tanto escândalo ao próximo.

Mas como as coisas invisíveis de Deus podem ser percebidas pela inteligência por meio de imagens sensíveis, pareceu-me que jorravam gotas de suor da parte do Peito Sagrado do Senhor em que Ele havia recebido minha alma, sob a forma de cera amolecida ao fogo, no dia da Purificação. Era como se a substância dessa cera tivesse sido inteiramente liquefeita pelo excesso do calor encerrado no Seio de meu Deus. O Divino Coração absorvia essas gotas com inefável e incompreensível virtude. Parecia que o amor, expansivo por natureza, encerrara sua força vitoriosa nas profundidades do Sagrado Coração.

Ó Solstício Eterno, Moradia segura que contém todas as delícias, Paraíso das alegrias eternas, Fonte de onde jorram indescritíveis deleites. Vós atraís, com abundantes flores de suave primavera; encantais, com as suaves notas de uma harmonia toda espiritual; reanimais, com uma brisa perfumada de vivificantes aromas; inebriais, com a doçura envolvente de sabores místicos; transformais, com as maravilhosas carícias de Vossos santos abraços.

Oh, três vezes feliz, quatro vezes bem-aventurado e, se posso dizer, mil vezes santo aquele que, dirigido pela graça, merece aproximar-se desse lugar abençoado com coração puro, mãos inocentes e lábios sem mancha! Como descrever o que ele vê, ouve, respira, prova e sente? Por que minha língua impotente se esforçaria por balbuciar algo disso? É verdade que, por efeito da Bondade divina, fui admitida a gozar desses favores. Mas, envolvida pelo espesso manto de minhas faltas e negligências, só podia recebê-los muito imperfeitamente, porque toda a ciência reunida dos Anjos e dos homens não poderia produzir uma só palavra que exprimisse, ainda que pouco, a supereminente grandeza de tão sublime união”.



Dos Exercícios Espirituais de Santa Gertrudes8


Exercício Primeiro: … Eu Vos saúdo, ó Santo Anjo de Deus, guarda de minha alma e de meu corpo. Pelo dulcíssimo Coração de Jesus Cristo, Filho de Deus, recebei-me sob a proteção de vossa fiel paternidade por amor Daquele que nos criou, e que no dia de meu Batismo me colocou sob a vossa guarda. Ajudai-me a atravessar sem manchar-me a torrente desta vida, até que seja admitida a contemplar convosco e como vós esta deleitável Face, esta Beleza cheia de delícias da Soberana Divindade, cuja vista excede infinitamente as mais doces felicidades (p. 116)... 

… Conservai no santuário de Vosso Coração, tão cheio de bondade, ó meu dulcíssimo Jesus, a pureza de minha inocência batismal e o juramento de minha fé, a fim de que estejam abrigados sob a Vossa fiel proteção, e que eu possa apresentar-Vo-los, em sua integridade, na hora de minha morte. Imprimi sobre meu coração o selo de Vosso Coração, a fim de que eu viva segundo Vossa Vontade, e que depois deste exílio chegue a Vós, sem obstáculo e cumulada de alegria (p. 127)...

Exercício Segundo: … Ocultai-me na rocha inquebrantável de Vossa paternal proteção. Recolhei-me longe de tudo, na abertura do Vosso Coração Dulcíssimo, oh! O mais querido dos amados (p. 131)!...

Exercício Terceiro: … Qual é a Vossa grandeza, ó Rei dos reis, Senhor dos senhores! Todo o exército dos astros está às Vossas ordens, e é ao homem que prendestes o Vosso Coração (p. 143)... Fonte da Luz Eterna, Trindade Santa, ó Deus! Sustentai-me com Vosso Divino poder; governai-me com Vossa Divina Sabedoria; e por Vossa Divina Bondade tornai-me conforme ao Vosso Coração (p. 145)...

Exercício Quarto: … Nesse túmulo de amor envolvei-me na mortalha da Vossa preciosa Redenção; embalsamai-me com os preciosos perfumes da Vossa morte; colocai-me no Vosso Coração lanceado como num sepulcro de mármore do mais alto valor (p. 197)... Agora pois, ó amor! Ó meu Rei e meu Deus! Agora, ó meu Jesus, recebei-me sob a guarda do Vosso Divino Coração. Ali me unireis a Vós por Vosso amor, afim de que para Vós viva inteiramente (p. 202)...

Exercício Quinto: … Oh! Abri-me, como um asilo de salvação, Vosso Coração tão amante. Quanto ao meu, já não o possuo mais; sois Vós, ó meu caro Tesouro, quem o tomastes e o guardais em Vós (p. 217)... Bem-aventurada a alma que Vos tem cativo pelo seu inseparável amor! Feliz o coração que sente imprimir-se nele o beijo do Vosso Sagrado Coração, penhor de indissolúvel aliança, ó Deus amor! (p. 236)... Ó Deus amor, Vós me adotastes por Vossa filha: nutri-me segundo o Vosso Coração (pp. 237-238)...

Exercício Sexto: … Abri-me o tesouro de Vosso misericordioso Coração; nele é que reside o objeto dos meus desejos (p. 240)... Ó amor! Encarrega-te de responder por mim a Jesus, meu Deus, Verbo de vida. Comove em meu favor este Coração Divino, no qual o Teu Poder se mostra com tanto brilho (p. 242)... Eis que a minha alma se enfraquece e desmaia por causa do tédio desta vida, e desejo ardentemente morrer e estar convosco, para que possa oferecer-Vos os doces holocaustos de alegria, no Céu, entre as multidões bem-aventuradas que jubilam em Vosso louvor. Aí queimarei sobre o altar de ouro do Vosso Coração Divino o incenso que Vos é agradável; isto é, o de minha alma e do meu espírito imolados, com delícias, em troca de tantos favores extraordinários com os quais me consolastes, ó meu Pai e Mestre, em todas as tribulações e angústias (p. 250)... Assentado à direita do Pai na minha própria natureza humana, ó meu Amado, aí demonstrais o poder do Vosso amor. Aí é que me trazeis escrita sobre as Vossas mãos9, sobre os Vossos pés e em Vosso dulcíssimo Coração, para nunca esquecerdes a minha alma que resgatastes por preço tão elevado (p. 253)... Deus do meu coração, objeto querido dos meus votos! Pelo Vosso poder infinito admiti, desde esta hora, nas melodias que emanam de Vosso Divino Coração, uma nova nota para exprimir o meu indigno louvor, a minha impotente ação de graças. Que esta nova nota, encerrada no Vosso harmonioso canto, seja a homenagem que Vos devo em troca dos Vossos benefícios, por me haverdes criado, resgatado, eleito e retirado do mundo (pp. 261-262)... Mas desde já lanço no turíbulo de ouro do Vosso Coração Divino (no qual arderá em Vossa glória o suavíssimo perfume do eterno amor) o meu coração, qual mínimo grão de incenso, ardentemente desejando que, não obstante a sua indignidade, o sopro de Vosso Espírito o acenda com a Sua vida, consumindo-o unicamente em Vossa glória (p. 270)... Alegria e jubilo a Vós, neste Coração amantíssimo e fidelíssimo que para mim foi aberto pela lança, para que o meu coração aí pudesse entrar e nele repousar. Alegria e jubilo a Vós, neste dulcíssimo Coração, meu único refúgio em meu exílio; esse Coração tão cheio de terna solicitude para comigo, tão alterado em Seu amor por mim; que jamais repousará até que nEle me haja recebido para a eternidade (pp. 274-275)... Fazei-me sentir os efeitos desta bondade que se mostrou tão misericordiosa para comigo, quando, quando para o meu resgate, o Vosso dulcíssimo Coração foi partido de amor sobre a Cruz! (p. 293)...

Exercício Sétimo: … O seio de Vossa misericórdia, ó amável Jesus, tornar-se-á minha doce prisão; sentir-me-ei presa em Vosso Coração Divino (p. 302)... E tu, ó amor, tu te atacas até ao próprio Coração do meu Jesus, e com tanto vigor que, em sua dedicação por nós, sucumbe transpassado, e não é mais do que um coração aniquilado (p. 321)... Essa dedicação, digna de um Deus, ó amor, me abriu a entrada do terno Coração do meu Jesus. Ó Coração cheio de doçura! Ó Coração transbordando de compaixão! Ó Coração superabundante de Caridade! Ó Coração de onde destilam como o orvalho a suavidade e a misericórdia! Ó Coração, objeto da minha ternura, dignai-Vos absorver meu próprio coração em Vós mesmo. Vós que sois mais caro ao meu coração do que a Peroba mais preciosa, convidai-me ao festim da vida (p. 324)... Ó amor, tomai este Divino Coração, este turibulo onde arde tão suave incenso, esta hóstia tão nobre: oferecei-O por mim sobre o altar de ouro onde está selada a reconciliação do homem; oferecei-O para suprir o que dia a dia me faltou em todo o curso da minha vida, durante a qual fui tão estéril para Vós. Ó amor! Mergulhai minha alma nas ondas que rebentam deste Coração tão cheio de bondade; sepultai toda a multidão de minhas iniquidades e negligências nas profundezas de Sua Divina Misericórdia... Ó Coração mais amado do que todas as coisas, o clamor do meu próprio coração chega até Vós. Lembrai-Vos de mim; que a doçura de Vossa caridade dê coragem a este culpado coração (pp. 325-326)... Na hora da minha morte abri-me sem demora a porta do Vosso Coração tão cheio de bondade, e dignai-Vos fazer com que nada retarde a minha entrada no santuário secreto de Vosso Coração, de Vosso Amor, onde gozarei de Vós, onde Vos possuirei, ó Vós que Sois a alegria verdadeira do meu coração! Amém (p. 338)... Levai-me prontamente a unir-me a Vós, ó encanto eterno de minha alma, único amor de meu coração! Vós cujas feições são tão amáveis e cujo Coração tão terno, longe de Vós minha alma está exilada. Deus de meu coração, meu espírito entregou-se à dissipação: dignai recolhê-lo em Vós. Meu Bem-amado, pela pureza de intenção que reinou sempre em Vossos Santos pensamentos, pelo ardente amor de Vosso Coração transpassado pelo ferro, purificai todos os perversos pensamentos do meu coração culpado. Que Vossa amargurada Paixão seja para mim um amparo no momento da minha morte; que o Vosso coração despedaçado pelo amor torne-se a minha eterna morada; pois Sois amado por mim acima de toda a criatura (pp. 340-341)...


_________________________

1.  Vita, I, 4, c. 3.

2.  Francisco Vannutelli, S.J., “O Mês de Junho Consagrado ao Santíssimo Coração de Jesus”, 3º Dia, pp. 28-29. 6ª Edição, Casa Duprat, São Paulo, 1934.

3.  “Segredos do Coração de Jesus – Revelações de Santa Gertrudes”, Livro II, Cap. VIII, pp. 33-36. Tradução de Celso da Costa Carvalho Vidigal, Artpres Indústria Gráfica e Editora Ltda, São Paulo, 2004.

4.  Esto mihi…, etc.

5.  Benedicens benedicam… Versículo do Responsório Locutus est, do mesmo Domingo.

6.  Tibi enim et semini tuo dabo has regions, do Responsório Movens, que não é citado textualmente.

7.  Tit. III, 4.

8.  Manual Gertrudiano ou Exercícios Espirituais de Santa Gertrudes Magna, Virgem da Ordem de São Bento. Edição Portuguesa. Typografia de B. Herder, Friburgo em Brisgau, Alemanha, 1914.

9.  Isaías 49, 16.


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