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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

sábado, 3 de abril de 2021

Meditação para o Sábado Santo.


Maria assiste à morte

de Jesus na Cruz.

1. “Estava, porém, junto à Cruz de Jesus sua Mãe”.1 Consideremos nesta Rainha dos Mártires uma espécie de martírio mais cruel que todo outro martírio, uma mãe vendo morrer um filho inocente, justiçado num patíbulo infame: “Estava em pé”. Desde a hora em que Jesus foi preso no horto, os discípulos O abandonaram; não, porém, sua Mãe: Ela O assiste até vê-lO expirar diante de seus olhos. “Estava junto Dele”. As mães fogem quando veem seus filhos padecendo e não os podem socorrer: estariam prontas a sofrer as dores em lugar dos filhos, mas quando os veem padecer sem poder auxiliá-los, não suportam tal pena e por isso fogem e vão para longe. Maria, não; Ela vê o Filho no meio dos tormentos, vê que as dores Lhe roubam a vida, mas não foge, nem se afastam, antes se encosta à Cruz na qual o Filho está morrendo. Ó Mãe das Dores, não me desdenheis e permiti que Vos faça companhia na morte do vosso e do meu Jesus.



2. “Estava junto à Cruz”. A Cruz e, pois, o leito em que Jesus deixa de viver: leito de dores, em que a aflita Mãe vê Jesus todo ferido pelos açoites e pelos espinhos. Maria observa que seu pobre Filho, pendente daqueles três cravos de ferro, não encontra repouso nem alívio: desejaria procurar-Lhe algum alívio; desejaria, já que Ele tem de morrer, que ao menos expirasse em seus braços; nada disso, porém, lhe é permitido. Ah, Cruz, diz, restituí-me o meu Filho: és o patíbulo dos malfeitores; meu Filho, porém, é inocente.

Não Vos aflijais, ó Mãe: é vontade do Eterno Pai que a Cruz não Vos restitua Jesus senão depois de morto. Ó Rainha das Dores, alcançai-me a dor de meus pecados.



3. “Estava junto da Cruz sua Mãe”. Considera, minha alma, como ao pé da Cruz Maria está olhando para o Filho! E que Filho, meu Deus! Filho que era ao mesmo tempo seu Filho e seu Deus; Filho que desde a eternidade A tinha escolhido para sua Mãe, e a havia preferido no Seu amor a todos os homens e a todos os Anjos; Filho tão belo, tão Santo, tão amável como nenhum outro; Filho, que Lhe fora sempre obediente; Filho, que era seu único amor, pois que era Filho de Deus. E esta Mãe teve de ver morrer de dores, diante de seus olhos, um tal Filho! Ó Maria, ó Mãe a mais aflita entre todas as mães, compadeço-me de vosso Coração, especialmente quando vistes vosso Jesus inclinar a cabeça, abrir a boca e expirar. Por amor deste vosso Filho, morto por minha salvação, recomendai-Lhe a minha alma. E Vós, ó meu Jesus, pelos merecimentos das Dores de Maria, tende piedade de mim e concedei-me a graça de morrer por Vós, como morrestes por mim. Com São Francisco de Assis Vos direi: Morra eu, Senhor, por amor de Vós, que por amor de meu amor Vos dignastes morrer.



Fonte: Santo Afonso Maria de Ligório, A Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, II Volume, 15 Meditações sobre a Paixão de Jesus Cristo, para o tempo que medeia entre o Sábado da Paixão e o Sábado Santo, XV Meditação, pp. 166-167. Editora Vozes Ltda, Petrópolis/RJ, 1940.


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1  Jo. 19, 25.


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