DEXTERA DOMINI –
A MÃO DIREITA DO SENHOR
(PSALMO 117, 16)1
Chama-se Cristo, nosso Bem nas Sagradas Letras frequentemente,2 Mão Direita de Deus; e isto por muitas razões de semelhança. 1. Porque da mão procede o dedo: e do Filho de Deus, Jesus Cristo, procede o Espírito Santo, que é o Dedo desta Mão Direita: Digitus Paternae desterae. 2. Porque pela mão direita figura-se a felicidade eterna, e esta é para nós o mesmo Cristo, como Ele disse: Haec est autem vita aeterna, ut cognoscant te solum Deum verum, et quem misisti Filium Jesum Christum.3 3. Pela mão direita correm os dons: e por seu Filho nos deu Deus todas as coisas: Quomodo non etiam cum illo omnia nobis donavit?4 até chegar a dar-nos o Espírito Santo, que é por excelência o Dom. 4. Porque a mão direita é o principal instrumento de obrar, e sustentar as coisas de peso: e por seu Filho Jesus Cristo, fez e sustenta Deus, todas as coisas: Omnia per ipsum facta sunt.5 Portansque omnia verbo virtutis suae.6
Pondera nesta última analogia, como Cristo Salvador nosso, depois de subir ao Céu, enviou à terra o Espírito Santo, para promulgar a Nova Lei da Graça, confirmar os Sagrados Apóstolos, ensinar a toda a Igreja, e acender em nossos corações o Divino Fogo, que purifica dos pecados, e transforma os homens em filhos de Deus. Acha-te presente em espírito no Cenáculo, que era a Mística Arca de Noé, onde estavam então guardadas as sementes da Religião Cristã, que se haviam de difundir pelo mundo universo. Vê como todos aqueles corações, cada qual conforme a sua medida, ficaram cheios do Dom Celestial, e começaram a brotar pelas línguas os pregões das grandezas de Deus. Estima, e agradece muito este Dom, que Cristo desde a Terra dos vivos envia à sua Esposa, a Igreja Santa. Deixa escrever nas tabuas de teu coração por esta Mão, e Dedo a Lei Real da Caridade, com a qual andam anexas todas as virtudes, e que produz os frutos da vida eterna.
_____________________________________
1 Pe. Manoel Bernardez, “Luz e Calor”, Segunda Parte, Opúsculo III, Meditação XXXI, III Ponto, Pág. 398. Nova Edição. Lisboa – 1871.
2 Gregor., lib. 12, Mor. 8 c. 11. Hieron. In Psalm. 115. August. Enarrat. In Psalm 117, 10. S. Brun. Herbip. In Psalm 117.
3 Ioan. 17, 3.
4 Rom. 8, 32.
5 Ioan. 1, 3.
6 Hebr. 1.

Nenhum comentário:
Postar um comentário