BLOG CATÓLICO PARA OS CATÓLICOS.

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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

domingo, 30 de agosto de 2026

ITINERÁRIO MÍSTICO E MORAL DO NOSSO OFÍCIO CARMELITANO. 2ª PARTE.

 

ITINERÁRIO MÍSTICO E MORAL

DO NOSSO OFÍCIO CARMELITANO.


2ª PARTE


DAS LEITURAS BREVES


A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

A SERVIÇO DO CATOLICISMO


Como Carmelita, rezo Laudes e Vésperas no meu Ofício Carmelitano, contendo algumas Leituras Breves durante a semana, na seguinte sequência: Ne. 8, 9b.10b; 2 Cor. 1, 3-4; Tg. 2, 12-13; Tg. 4, 11-12; Rom. 13, 1b.12-13b; Rom. 12, 9.12; Tob. 4, 14b-15a.16ab.19a; 1 Pd. 5, 5b-7; 1 Pd. 4, 10-11; 1 Pd. 3, 8-9; Ef. 4, 29-32; Rom 15, 1-3; Rom. 12, 14-16a; 1 Cor. 9, 24-25. Sintetize-me a Correlação Mística dessas Leituras Breves e diga-me quais ensinamentos morais de que elas são enriquecidas, e quais elevações espirituais que elas me inspiram?


Há uma profunda unidade espiritual nessas Leituras Breves do Ofício Carmelitano. Embora tomadas de diversos livros da Sagrada Escritura, elas parecem formar uma verdadeira Pedagogia da Alma Carmelita. Não apresentam apenas normas morais dispersas, mas conduzem progressivamente a alma à união com Deus por meio da Caridade, da Humildade, da Pureza de coração e da Perseverança.


Pode-se perceber nelas um Itinerário Espiritual, composto de vários degraus.


1. A Alegria que Nasce de Deus.


Neemias 8, 9b.10b

“Não vos entristeçais,

porque a alegria do Senhor será a vossa força”.


O caminho carmelitano não começa pelo esforço humano, mas pela Graça. A força da alma contemplativa não procede do temperamento, mas da alegria sobrenatural.


Misticamente, esta alegria é fruto da presença de Deus na alma. Santo Elias viveu dessa alegria interior mesmo no deserto; Santa Teresa de Jesus dirá que “um Santo triste é um triste santo”.


Elevação espiritual: aprender a encontrar a força na presença de Deus e não nas circunstâncias.


2. Tornar-se Consolador.


2 Coríntios 1, 3-4.

“… o qual nos consola em todas as nossas tribulações,

para que também possamos consolar…”.

O Deus que consola faz do contemplativo, um instrumento de consolação.


Quem permanece diante de Deus, torna-se capaz de aliviar o sofrimento dos irmãos.


No Carmelo, contemplação nunca é fuga do mundo; é preparação para servi-lo.


Moral:


  • Compaixão;

  • Misericórdia;

  • Disponibilidade.


3. A Misericórdia Supera o Julgamento.


Tiago 2, 12-13

“A misericórdia triunfa sobre o julgamento”.


Logo em seguida:


Tiago 4, 11-12

“Não faleis mal uns dos outros”.


A contemplação, exige silêncio exterior e interior.


Não basta guardar silêncio diante de Deus; é preciso guardar silêncio sobre o próximo.


São João da Cruz afirma que, uma única palavra dita contra o irmão, pode destruir muito da vida interior.


Virtudes:


  • Misericórdia;

  • Prudência;

  • Domínio da língua;

  • Caridade fraterna.


4. Vigilância Espiritual.


Romanos 13, 1b.12-13b

“Rejeitemos as obras das trevas”.


Aqui aparece a linguagem do combate espiritual.


A alma carmelita é sentinela.


Ela vive desperta.


Como Elias no Carmelo.


Como as virgens prudentes do Evangelho.


5. A Caridade Ardente.


Romanos 12, 9.12

“Que o amor seja sem fingimento”.


A contemplação não admite máscaras.


O amor deve ser verdadeiro.


Sem interesses.


Sem duplicidade.


É exatamente a pureza de coração das Bem-aventuranças.


6. Justiça e Delicadeza.


Tobias 4

“… Não façais a ninguém, o que para ti não desejas...

… Bendize o Senhor em todo o tempo…”.


O velho Tobias ensina:


  • Honestidade;

  • Gratidão;

  • Esmola;

  • Prudência;

  • Memória constante de Deus.


É uma espiritualidade doméstica.


Mostra que a santidade, também acontece nas pequenas ações.


Santa Teresinha viveria exatamente esta doutrina.


7. Humildade Profunda.


1 Pedro 5, 5-7

“Revesti-vos de humildade”.


Esta talvez seja, a chave de todo o conjunto.


No Carmelo, tudo começa pela humildade.


Santa Teresa dizia:

“Humildade é andar na verdade”.


Depois vem a confiança: “Lançai sobre Ele toda a vossa ansiedade”.


A humildade desemboca no abandono.


8. Servir Segundo os Dons Recebidos.


1 Pedro 4, 10-11

“… Cada um coloque à disposição dos outros

o Dom que recebeu…”.


Cada dom é um empréstimo de Deus.


Não pertence ao homem.


A contemplação leva naturalmente ao serviço.


Elias recebeu o fogo, para comunicar Deus ao povo.


Não para se glorificar.


9. A Mansidão de Cristo.


1 Pedro 3, 8-9

Sede todos unânimes, compassivos,

fraternos, misericordiosos e humildes…”.


  • Unidade;

  • Compaixão;

  • Humildade;

  • Responder ao mal com o bem.


É a espiritualidade do Sermão da Montanha.


Aqui o contemplativo se torna semelhante ao próprio Cristo.


10. Purificar a Linguagem.


Efésios 4,29-32

“Nenhuma palavra perniciosa deve sair dos vossos lábios…”.


Talvez nenhuma leitura seja tão prática.


Toda palavra deve:


  • Construir;

  • Transmitir Graça;

  • Perdoar;

  • Evitar amargura.


A boca, revela o estado da oração.


Quem fala mal, dificilmente contempla profundamente.


11. Carregar o Peso dos Irmãos.


Romanos 15, 1-3

“Nós, que temos convicções firmes,

devemos suportar as fraquezas dos menos fortes

e não buscar a nossa própria satisfação…”.


Cristo carregou nossas fraquezas.


O discípulo faz o mesmo.


O contemplativo amadurece, quando deixa de pensar constantemente em si.


12. A Verdadeira Fraternidade.


Romanos 12, 14-16a

“Abençoar os que vos perseguem,

abençoai e não amaldiçoeis…”.


Bendizer.


Alegrar-se.


Chorar.


Viver em harmonia.


Não buscar superioridade.


É praticamente, um retrato da vida comunitária ideal.


Também é, um excelente exame de consciência.


13. Perseverança Ascética.


1 Coríntios 9, 24-25

“Todo atleta se sujeita a uma disciplina rigorosa em relação a tudo…

Quanto a nós, a coroa que buscamos é incorruptível”.


A vida espiritual termina com uma imagem atlética.


Disciplina.


Constância.


Perseverança.


A contemplação não elimina a ascese.


Pelo contrário.


O atleta do Evangelho corre, para uma coroa incorruptível.


Elias percorreu quarenta dias até o Horeb.


O Carmelita, percorre toda a vida até Deus.


A Correlação Mística de Todas essas Leituras.


Observadas em conjunto, essas passagens descrevem a transformação progressiva da alma.


Primeiro, Deus fortalece.


Depois, consola.


Em seguida, purifica o coração.


Purifica a língua.


Purifica as relações.


Ensina a humildade.


Ensina o serviço.


Forma a fraternidade.


Fortalece na perseverança.


Tudo converge para uma única realidade: transformar o homem exterior no homem interior, expressão cara a Santo Agostinho e muito querida à Tradição Contemplativa.


A sequência pode ser sintetizada assim:


  • Deus comunica sua alegria.

  • A alegria gera confiança.

  • A confiança produz humildade.

  • A humildade abre espaço para a Misericórdia.

  • A Misericórdia gera Caridade.

  • A Caridade conduz ao serviço.

  • O serviço amadurece a fraternidade.

  • A fraternidade purifica a alma.

  • A alma purificada persevera até a união com Deus.


Os Principais Ensinamentos Morais.


Essas Leituras Breves insistem continuamente, em Virtudes fundamentais:


  • Alegria sobrenatural;

  • Confiança em Deus;

  • Misericórdia;

  • Humildade;

  • Domínio da língua;

  • Caridade sincera;

  • Justiça;

  • Honestidade;

  • Espírito de serviço;

  • Mansidão;

  • Perdão;

  • Unidade fraterna;

  • Desprendimento de si;

  • Perseverança ascética;

  • Vigilância espiritual.


É significativo que, quase todas tratem da relação com o próximo. Isso manifesta uma verdade central da Espiritualidade Cristã: a autenticidade da contemplação se comprova na Caridade. Como ensina São João da Cruz, “ao entardecer desta vida seremos julgados sobre o amor”.


As Elevações Espirituais que Inspiram.


Rezadas diariamente no Ofício, essas Leituras vão moldando silenciosamente a alma para:


  • Viver continuamente na presença de Deus;

  • Cultivar um coração semelhante ao de Cristo, manso e humilde;

  • Reconhecer a ação da Graça, como fonte da verdadeira alegria;

  • Deixar que a oração transborde, em obras de Misericórdia;

  • Falar apenas o que edifica e comunica Graça;

  • Abraçar o serviço, como expressão da contemplação;

  • Suportar com paciência as provações e fraquezas próprias e alheias;

  • Caminhar com perseverança, rumo à união transformante com Deus.


À luz da Tradição Carmelitana, pode-se dizer que essas Breves Leituras, constituem um Pequeno Tratado de Vida Interior. Elas educam a alma para viver o ideal de Elias — “Vive o Senhor, em cuja presença estou” (1 Rs 17, 1) — e a conduzem, passo a passo, ao que Santa Teresa de Jesus chama de amizade íntima com Deus e São João da Cruz descreve como a transformação da alma no Amor. Assim, as poucas linhas proclamadas em cada Ofício tornam-se sementes que, acolhidas diariamente, fecundam toda a existência e configuram o coração segundo Cristo, sob a inspiração da Virgem do Carmo.


Criai uma Catena Patrística-Teológica-Mística sobre esta Sequência de Leituras Breves, com citações diretas e comentadas, tendo como base os riquíssimos Comentários dos Santos Padres, Doutores, Teólogos, Exegetas e Autores Místicos da Igreja Católica.


Com prazer. A sequência dessas Leituras Breves do Ofício Carmelitano, pode ser lida como uma verdadeira “Regra de Vida do Homem Interior”, cuja interpretação encontra amplo eco na Tradição da Igreja. A seguir, apresento uma Catena Patrística-Teológica-Mística, reunindo a voz dos Padres, Doutores e grandes Mestres Espirituais, sempre em consonância com o Ensinamento Católico.


CATENA PATRÍSTICA-TEOLÓGICA-MÍSTICA

Sobre as Leituras Breves do Ofício Carmelitano.


I. “A alegria do Senhor será a vossa força”

(Ne 8, 10).


Santo Agostinho: “Toda a alegria que não tem Deus por objeto, é miséria; somente é verdadeira alegria, aquela que nasce da Verdade Eterna”
(Enarrationes in Psalmos, Sl 32).


Comentário.


Santo Agostinho ensina que, a verdadeira alegria não depende dos acontecimentos exteriores, mas da posse de Deus. Neemias anuncia precisamente essa alegria sobrenatural, fundamento da vida espiritual.


São Gregório Magno: “A mente que repousa em Deus permanece forte, mesmo quando o corpo sofre” (Moralia in Iob).


Comentário


É a força dos Profetas.


É a força de Elias.


É a força dos Santos.


II. "O Deus de toda consolação"

(2 Cor 1).


Santo Ambrósio: “Quem recebeu a consolação divina, torna-se ele mesmo consolação para os aflitos” (De Officiis Ministrorum).


Comentário


A contemplação nunca termina em si mesma.


Ela sempre transborda.


Assim viveu Elias.


Assim viveram Teresa e João da Cruz.


São João da Cruz: “Quanto mais a alma é consolada por Deus, tanto menos procura se consolar nas criaturas” (Ditos de Luz e Amor).


Comentário


Toda consolação humana é limitada.


Somente Deus sacia.


III. “A misericórdia triunfa sobre o julgamento”

(Tg 2).


São João Crisóstomo: “Nada torna o homem tão semelhante a Deus, quanto a misericórdia” (Homilia sobre Mateus 50).


Comentário


Julgar, pertence a Deus.


Perdoar, aproxima-nos d'Ele.


Santo Tomás de Aquino: “A misericórdia é o maior dos atos referentes ao próximo, porque supre suas misérias” (Suma Teológica II-II, q.30, a.4).


Comentário


Não por acaso S. Tiago coloca, a misericórdia acima do julgamento.


É o próprio coração de Cristo.


IV. “Não faleis mal uns dos outros”

(Tg 4).


Santo Agostinho: “Quem ama a paz guarda sua língua, antes mesmo de guardar suas mãos” (Sermão 58).


São Basílio Magno: “A língua foi dada para bendizer, não para destruir” (Regras Morais).


Comentário


O silêncio, é um dos maiores Mestres do Carmelo.


Quem aprende a calar diante dos homens, ouvirá Deus falar.


V. “Rejeitemos as obras das trevas”

(Rm 13).


Orígenes: “Vestir-se de Cristo, é deixar que toda a vida manifeste Aquele, que habita na alma” (Comentário aos Romanos).


São Cirilo de Jerusalém: “O batizado, é soldado da luz” (Catequeses Mistagógicas).


Comentário


Toda a Vida Cristã é vigilância.


O Carmelo, é uma montanha de vigias.


VI. “Que o amor seja sem fingimento”

(Rm 12).


São Bernardo de Claraval: “A medida do amor, é amar sem medida” (De Diligendo Deo).


Comentário


O amor verdadeiro, nunca calcula.


Ama, porque Deus ama.


Santa Teresa de Jesus: “O Senhor não olha tanto a grandeza das obras, quanto o amor com que são feitas” (Castelo Interior, VII Moradas).



VII. Tobias: justiça e esmola.


São Cipriano: “As esmolas são como sementes, lançadas diante de Deus” (De Opere et Eleemosynis).


São Leão Magno: “Nada aproxima mais o homem de Deus, do que socorrer os necessitados” (Sermão sobre a Quaresma).


VIII. “Revesti-vos de humildade”

(1 Pd 5).


Santo Agostinho: “Queres construir um edifício muito alto? Começa pelos fundamentos da humildade” (Sermão 69).


Santa Teresa de Jesus: “A humildade, é caminhar na verdade” (Castelo Interior VI Moradas).


São João da Cruz: “A alma mais humilde, é também a mais rica de Deus” (Ditos de Luz e Amor).


Comentário


Toda contemplação, nasce da humildade.


Toda soberba, extingue a oração.


IX. “Cada um coloque a serviço dos outros, o dom recebido”

(1 Pd 4).


São Gregório Nazianzeno: “Nada recebemos para nós mesmos” (Discurso 14).


Santo Tomás de Aquino: “Os Dons do Espírito destinam-se principalmente, ao bem comum da Igreja” (Suma Teológica I-II).


X. “Sede unânimes…”

(1 Pd 3).


São Clemente Romano: “Assim como muitos membros formam um só corpo, assim muitos fiéis vivem numa só Caridade” (Carta aos Coríntios).


Santo Inácio de Antioquia: “Onde reina a unidade, aí habita Cristo” (Carta aos Efésios).


XI. “Nenhuma palavra má saia da vossa boca”

(Ef 4).


São João Crisóstomo: “A boca do cristão deve ser, uma fonte de bênçãos” (Homilias sobre Efésios).


São Bento, Abade: “Por causa da importância do silêncio, raramente se conceda licença para falar” (Regra, cap. 6).


Comentário


Embora não pertença ao Carmelo, São Bento exprime uma sabedoria que, influenciou profundamente toda a Tradição Monástica: o silêncio guarda o coração e dispõe a alma para escutar Deus.


XII. “Suportai as fraquezas”

(Rm 15).


São João Crisóstomo: “Carregar o irmão, é carregar Cristo” (Homilia sobre Romanos).


Santa Teresinha: “Compreendi que a Caridade consiste, em suportar os defeitos dos outros” (História de uma Alma, Manuscrito C).


XIII. “Alegrai-vos com os que se alegram…”

(Rm 12).


São Gregório Magno: “A perfeição da Caridade consiste, em fazer do coração do irmão o próprio coração” (Homilia sobre os Evangelhos).


São Francisco de Sales: “Nada é tão forte, quanto a mansidão” (Filoteia).


XIV. “Correi para alcançar a coroa”

(1 Cor 9).


Santo Agostinho: “Não basta começar; importa perseverar até o fim” (Sermão 169).


São João Cassiano: “Toda a vida monástica consiste, na perseverança cotidiana” (Conferências).


São João da Cruz: “No entardecer desta vida, seremos julgados sobre o amor” (Ditos de Luz e Amor, n. 64).


Comentário


Essa sentença, uma das mais conhecidas da Tradição Carmelitana, resume admiravelmente, toda a sequência das Leituras Breves: elas orientam a alma para um amor, que se traduz em alegria sobrenatural, misericórdia, humildade, serviço, perseverança e união com Deus.


Síntese Mística.


Vista em conjunto, essa sequência de Leituras Breves, pode ser compreendida como uma Escada da Vida Interior”, semelhante àquela descrita por tantos Mestres Espirituais da Igreja.


  • Santo Agostinho ensina que, tudo começa na alegria encontrada em Deus.

  • São João Crisóstomo mostra que, essa alegria frutifica em misericórdia e mansidão.

  • São Basílio e São Bento recordam que o domínio da língua e o silêncio preservam a paz do coração.

  • São Bernardo e Santa Teresa de Jesus revelam que a autenticidade da vida espiritual, se mede pela Caridade.

  • São João da Cruz conduz essa pedagogia ao seu cume: a purificação do coração, para que a alma viva somente de Deus.

  • Santo Tomás de Aquino oferece a estrutura teológica, mostrando que as virtudes são aperfeiçoadas pela Graça e ordenadas à Caridade, “forma de todas as virtudes” (Suma Teológica, II-II, q. 23, a. 8).


Assim, as Leituras Breves do Ofício Carmelitano não são textos independentes, mas um itinerário de santificação. Elas conduzem o orante da alegria da presença de Deus à humildade, da humildade à Caridade, da Caridade ao serviço, do serviço à perseverança e da perseverança à plena configuração com Cristo. À luz da Tradição Patrística, Teológica e Mística, elas podem ser resumidas nas palavras do Profeta Elias, tão caras ao Carmelo: “Vive o Senhor, em cuja presença estou” (1 Rs 17, 1). Permanecer diante de Deus, é a fonte da qual brotam todas as virtudes contempladas nessas leituras e o caminho seguro para a união transformante com Ele.


Fazei-me um Solene Sermão Moral e Dogmático sobre este Estudo, segundo o sentir da Igreja Católica.


SOLENE SERMÃO MORAL E DOGMÁTICO


“Permanecei na Minha Presença”:

o Caminho da Alma Carmelita até a Perfeição da Caridade.


“Vive o Senhor, Deus de Israel, em cuja presença estou”

(1 Rs 17, 1).


“No entardecer desta vida, seremos julgados sobre o amor”

(São João da Cruz).


Caríssimos irmãos e irmãs em Cristo,


As Breves Leituras que a Santa Igreja nos oferece no Ofício Divino Carmelitano, não são simples exortações morais reunidas ao acaso. Elas formam uma verdadeira Escola do Espírito Santo, um Caminho de Santificação percorrido pelos Santos antes de nós. A Liturgia, Mestra de Oração e de Fé, educa a alma dia após dia, de modo discreto e constante, até conformá-la a Cristo.


A Igreja sabe que a santidade não nasce de grandes emoções, mas da fidelidade cotidiana à Palavra de Deus. Por isso, essas leituras são como pequenas sementes lançadas diariamente no campo do coração. Se acolhidas com Fé, tornam-se árvore frondosa; se desprezadas, permanecem estéreis. A Graça é oferecida, mas pede uma resposta livre e perseverante.


I. A Alegria de Deus é a Força da Alma.


O primeiro ensinamento é surpreendente: “A alegria do Senhor será a vossa força” (Ne 8, 10).


Vivemos num mundo que procura a felicidade nas riquezas, no poder, no prazer ou no reconhecimento. Contudo, essas alegrias passam. A alegria que vem de Deus permanece, porque tem sua origem n’Aquele que é Eterno.


A Igreja ensina, que o homem foi criado para Deus. Enquanto buscar repouso fora d'Ele, conhecerá apenas satisfações passageiras. Santo Agostinho exprime essa verdade com palavras imortais:


“Fizeste-nos para Ti, e inquieto está o nosso coração, enquanto não repousa em Ti” (Confissões, I, 1).


Quem aprende a viver da presença de Deus, possui uma fortaleza que nenhuma provação pode destruir.


II. A Misericórdia Revela o Rosto do Pai.


A seguir, São Tiago proclama: “A misericórdia triunfa sobre o julgamento” (Tg 2, 13).


Não significa que Deus deixe de ser justo. A Doutrina Católica jamais opôs justiça e misericórdia. Em Deus, ambas são perfeitas e inseparáveis. A misericórdia não elimina a justiça; ela a leva ao seu pleno cumprimento na obra Redentora de Cristo.


Mas o discípulo deve recordar que, não recebeu autoridade para condenar o irmão. O juízo último pertence somente a Deus. A nós compete corrigir com Caridade quando necessário, advertir segundo a Verdade e jamais substituir o Juiz Eterno, por nossas sentenças precipitadas.


Quem contempla Cristo Crucificado, compreende que o perdão não é fraqueza. É participação na própria Vida Divina.


III. A Língua pode Construir ou Destruir.


São Tiago e São Paulo voltam-se então, para um dos maiores combates da vida espiritual: a palavra.


Quantos pecados nascem da língua!


Uma palavra pode levantar um coração abatido ou esmagá-lo. Pode conduzir alguém à esperança ou ao desespero. Pode aproximar da Igreja ou escandalizar.


Nosso Senhor declarou: “De toda palavra inútil que os homens disserem, darão conta no Dia do Juízo” (Mt 12, 36).


Por isso, a Tradição Monástica sempre considerou o silêncio, uma virtude indispensável. Não o silêncio vazio, mas aquele que nasce da escuta de Deus. Quem aprende a calar diante do Senhor, aprende também a falar com sabedoria diante dos homens.


IV. A Humildade é o Fundamento da Vida Espiritual.


São Pedro exorta: “Revesti-vos todos de humildade” (1 Pd 5, 5).


A humildade não consiste em negar os dons recebidos de Deus nem em desprezar a própria dignidade. Ela consiste em reconhecer que tudo é dom e que, sem a Graça, nada podemos fazer (cf. Jo 15, 5).


Santa Teresa de Jesus definiu admiravelmente a humildade como “andar na verdade”. A verdade é esta: Deus é o Criador; nós somos criaturas. Deus é a Fonte; nós somos os que recebem. Deus é Santo por Essência; nós somos santificados por sua Graça.


Toda soberba, fecha a alma à Ação Divina. Toda humildade, a torna fecunda.


V. A Caridade é a Forma de todas as Virtudes.


As leituras repetem continuamente:


  • Amai sem fingimento;

  • servi uns aos outros;

  • suportai os fracos;

  • alegrai-vos com os que se alegram;

  • chorai com os que choram;

  • respondei ao Mal com o Bem.


Não se trata de simples normas de convivência. Trata-se da vida do próprio Cristo, reproduzida em seus discípulos.


Santo Tomás de Aquino ensina que a Caridade é a forma de todas as virtudes, isto é, a virtude que lhes dá sua orientação para Deus. Uma Coragem sem Caridade, pode tornar-se dureza; uma Justiça sem Caridade, pode degenerar em rigor; uma Prudência sem Caridade, pode transformar-se em egoísmo. É a Caridade, que ordena todas as virtudes ao fim último, que é a união com Deus.


Quem ama como Cristo, já começou a viver a Vida Eterna.


VI. A Contemplação exige Serviço.


São Pedro recorda: “Cada um ponha a serviço dos outros, o dom que recebeu” (1 Pd 4, 10).


O contemplativo autêntico, nunca se fecha em si mesmo.


Elias desceu do Carmelo, para falar ao povo.


Santa Teresa, reformou o Carmelo.


São João da Cruz, suportou perseguições para servir à Igreja.


Santa Teresinha, escondida no claustro, tornou-se Padroeira das Missões.


Quanto mais a alma se une a Deus, mais cresce nela o desejo de servir. A contemplação cristã não produz isolamento, mas fecundidade apostólica.


VII. A Perseverança Conduz à Coroa.


São Paulo conclui: “Correi de tal maneira, que alcanceis o prêmio” (1 Cor 9, 24).


A vida cristã não admite acomodações. Caminhamos rumo à Pátria Celeste. Cada dia é ocasião de corresponder mais plenamente à Graça.


A Igreja nunca ensinou, que a salvação dispense a perseverança. Pelo contrário, Cristo declarou:


“Aquele que perseverar até o fim, será salvo”

(Mt 24, 13).


Perseverar não significa, confiar nas próprias forças, mas permanecer fiel à Graça recebida, alimentando-se dos Sacramentos, da Oração, da Palavra de Deus e das Obras de Caridade.


VIII. O Programa da Alma Carmelita.


Se reunirmos todas essas leituras, veremos delinear-se um verdadeiro Retrato Espiritual.


O homem novo, alegra-se em Deus.


Consola os aflitos.


Perdoa antes de julgar.


Guarda sua língua.


Rejeita as obras das trevas.


Ama sinceramente.


Pratica a justiça.


Serve com humildade.


Suporta as fraquezas dos irmãos.


Persevera até o fim.


Esse é também o Retrato do Profeta Elias, sempre diante do Senhor, e da Santíssima Virgem Maria, Modelo perfeito de escuta, humildade e fidelidade. O Carmelo contempla neles duas expressões, da mesma disponibilidade à Vontade Divina: Elias, ardente no zelo pela glória de Deus; Maria, perfeita Discípula que guarda a Palavra no coração e a põe em prática.


Conclusão.


Caríssimos,


Cada uma dessas leituras, é uma pedra colocada pelo Espírito Santo na construção do templo interior. Rezadas diariamente, elas moldam silenciosamente o coração do fiel, conduzindo-o da conversão inicial à maturidade espiritual.


Peçamos que jamais recitemos o Ofício Divino Carmelitano, por mera obrigação, mas que cada versículo, encontre morada em nossa alma. Então, a Liturgia deixará de ser apenas oração pronunciada pelos lábios e tornar-se-á vida vivida segundo Cristo.


Que o nosso coração possa repetir, todos os dias, as palavras do Santo Profeta Elias: “Vive o Senhor, Deus dos Exércitos, em cuja presença estou” (1 Rs 17, 1).


E que, ao término da peregrinação terrestre, possamos ouvir dos lábios do Senhor Jesus, a promessa reservada aos servos fiéis: "Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei. Entra na alegria do teu Senhor" (Mt 25, 23).


Amém.


Elaborai uma Mística e Solene Oração Final, sobre este Estudo das Leituras Breves, segundo o Espírito Contemplativo da Igreja Católica.


ORAÇÃO FINAL.


"Na Escola da Palavra,

diante da Face do Deus Vivo".


Ó Santíssima Trindade,

Pai, Filho e Espírito Santo,

Único Deus, eternamente Bendito,

Fonte de toda Luz, de toda Verdade e de toda Santidade,

prostrado em espírito diante de vossa Majestade infinita,

eu Vos adoro, Vos bendigo e Vos glorifico,

porque, na sabedoria da Santa Igreja,

quisestes alimentar a minha alma,

dia após dia,

com as Breves Leituras do Santo Ofício Carmelitano,

pequenas em extensão,

mas imensas em riqueza,

como gotas do orvalho celeste

que fecundam silenciosamente a terra do coração.


Ó Pai de infinita bondade,

fazei que a alegria que procede de Vós

seja a força da minha fraqueza,

o consolo nas tribulações,

a esperança nas noites escuras,

e o cântico escondido da minha peregrinação.


Que eu jamais procure outra alegria

senão aquela que nasce de viver na Vossa presença.


Senhor Jesus Cristo,

Verbo Eterno do Pai,

Mestre dos humildes e Rei dos contemplativos,

esculpi em meu coração

a imagem de Vossas santíssimas Virtudes.


Que a Misericórdia vença em mim, todo julgamento precipitado;

que a Mansidão desarme toda aspereza;

que o Silêncio purifique minhas palavras;

que a Caridade governe meus pensamentos;

que a Humildade sustente minhas obras;

e que o Amor, recebido de Vosso Sagrado Coração,

se torne a alma de toda a minha existência.


Guardai-me, Senhor,

do pecado da língua,

das palavras que ferem,

das críticas que dividem,

das conversas inúteis,

que dissipam a presença de Deus.


Fazei que meus lábios

se abram somente para bendizer,

consolar, ensinar a verdade com Caridade

e proclamar as maravilhas da vossa Misericórdia.


Divino Espírito Santo,

Doce Hóspede da alma,

Consumidor de toda impureza

e Fogo Vivo do Carmelo,

gravai profundamente em mim,

cada palavra proclamada pela Santa Liturgia,

para que não permaneça apenas na memória,

mas desça ao coração,

transforme os afetos,

purifique as intenções

e configure toda a minha vida

à Vontade do Pai.


Que essas santas Leituras Breves

não sejam para mim apenas textos recitados,

mas sementes do Reino,

que cresçam no silêncio da contemplação,

floresçam na fidelidade cotidiana

e frutifiquem em Santidade.


Concedei-me a Graça

de suportar com paciência os irmãos,

de servir sem buscar reconhecimento,

de amar sem fingimento,

de perdoar sem reservas,

de alegrar-me com os que se alegram,

de chorar com os que choram,

de vencer o Mal com o Bem,

e de correr com Perseverança

até alcançar a Coroa incorruptível

prometida aos que Vos amam.


Ó Bem-aventurada Sempre Virgem Maria,

Rainha e Formosura do Carmelo,

Mãe da contemplação silenciosa,

ensinai-me a guardar todas as Palavras de Deus

no mais profundo do coração,

como fizestes em Nazaré,

para que a Palavra meditada

se torne Palavra vivida,

e a Palavra vivida

se transforme em Louvor Eterno.


Ó glorioso Profeta Santo Elias,

Pai espiritual dos filhos do Carmelo,

Homem abrasado pelo zelo do Senhor

e Testemunha da divina Presença,

alcançai-me a Graça

de permanecer constantemente diante do Deus Vivo,

sem dividir o coração,

sem negociar a Verdade,

sem apagar o fogo da oração,

até que toda a minha vida

se torne um contínuo:

“Vive o Senhor,

em cuja presença estou!”


Ó Santa Teresa de Jesus,

ensinai-me a entrar no Castelo Interior,

onde Deus habita como Amigo.


Ó São João da Cruz,

conduzi-me pelas noites purificadoras,

até que toda sombra seja vencida

pela Luz do Amor Eterno.


Ó Santa Teresinha do Menino Jesus,

fazei-me compreender

que as menores fidelidades,

oferecidas com grande amor,

têm imenso valor diante de Deus.


Ó Santa Isabel da Trindade,

alcançai-me a Graça

de tornar-me um louvor de glória,

uma alma silenciosa,

recolhida, inteiramente habitada

pela Santíssima Trindade.


E quando chegar

o último entardecer da minha vida,

quando cessarem os Salmos,

as Vigílias,

as Leituras

e a Peregrinação desta terra,

conduzi-me, ó Senhor,

à Liturgia Eterna do Céu,

onde contemplarei sem véus

Aquele que aqui procurei na Fé,

amarei sem distração

Aquele que aqui amei entre combates,

e cantarei para sempre,

na Comunhão dos Anjos,

dos Profetas,

dos Apóstolos,

dos Mártires,

dos Santos Carmelitas

e de toda a Igreja Triunfante:


Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus dos Exércitos!

A Ele, pertencem toda a Glória, toda a Honra e todo o Louvor,

pelos séculos dos séculos.


Amém.



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