BLOG CATÓLICO PARA OS CATÓLICOS.

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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

sábado, 24 de julho de 2021

A EUCARISTIA – BOSSUET. 12ª PARTE.


Deus amou tanto o mundo!

As consequências desse amor.

Creiamos nesse amor e imitemo-lo.


Deus amou tanto o mundo que deu seu Filho único, a fim de que aquele que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna”.1

Que quer dizer: que deu seu Filho único? É que o deu à morte, assim como Ele dissera antes: “Assim como Moisés elevou a serpente no deserto, cumpre também que o Filho do homem seja elevado”, quer dizer que seja elevado e posto na Cruz. Foi, pois, assim que Deus deu seu Filho único: deu-O à morte, e à morte de Cruz.

Mas como foi que Deus fez para dar seu Filho único à morte? O Filho de Deus, em quem está a vida, e que é Ele próprio a vida, pode morrer? A fim de que Ele pudesse morrer, Deus fê-Lo homem, fê-Lo Filho do homem de uma maneira admirável, incompreensível, veracíssima, realíssima, singularíssima, que admira toda a natureza; e por esse meio cumpriu-se o que Deus queria, que o Filho do homem, que é ao mesmo tempo Filho de Deus, fosse elevado na Cruz, e dado à morte pela vida do mundo.

Deus, portanto, amou tanto o mundo que lhe deu seu Filho único, Deu-O primeiro ao mundo quando Ele se fez homem; e deu-O em segundo lugar ao mundo quando O deu para ser a Vítima dele. A mesma Carne que Ele tomara, para tornar-se semelhante a nós e unir-se a nós, no-la dá Ele de novo dando-A por nós em Sacrifício.

Eis aí duas coisas do nosso Salvador: uma, que o Filho de Deus devia vir em carne, para se unir a nós e ser-nos semelhante; outra, que o mesmo Filho de Deus devia imolar-se na mesma Carne que tomara, e oferecê-la por nós em Sacrifício. Uma terceira deve realizar-se nessa Carne imolada: cumpre ainda que Ela seja comida para consumação desse Sacrifício, em penhor certo de que foi por nós que o Filho de Deus a tomou e ofereceu, e de que Ela é inteiramente nossa. É uma terceira maravilha que deve realizar-se na Carne de Jesus Cristo.

Como o fará Ele? Teremos que devorar-Lhe a Carne, ou viva ou morta, na sua própria espécie de natureza? E já que é preciso que seu Sangue nos seja tão dado a beber quanto a sua Carne a comer, a fim de que, assim dado, nos seja em penhor de que foi para a remissão dos nossos pecados que ele foi derramado, haverá que engolir esse Sangue em sua própria forma? Livre-nos Deus! Deus achou o meio de, sem nada perder da substância de seu Corpo e de seu Sangue, os tomarmos apenas de maneira diferente daquela por que eles são naturalmente expostos aos nossos sentidos. Por esse meio, temos toda a substância de uma e de outro; e Deus, dando-no-los sob uma forma estranha, poupa-nos o horror de comer carne humana e de beber sangue humano na sua própria forma.

E como foi que Ele fez isso? Tomou pão e disse: Isto é meu corpo, meu verdadeiro corpo, mas sob a figura de pão; tomou uma taça de vinho e disse: Isto é meu sangue, meu verdadeiro sangue, sob a figura deste vinho de que enchi a taça que vos apresento. Portanto, assim como Ele fez seu Filho eterno e imortal o Filho do homem, para que Ele pudesse morrer, assim também, para que pudéssemos comer essa Carne e beber esse Sangue, fez Ele esse Corpo pão de certo modo, visto que revestiu seu Corpo da espécie e da forma do pão; quis que seu Sangue fosse vertido nas nossas bocas, e corresse em nós sob a forma e figura do vinho. Temos, pois, toda a substância de uma e de outro; as figuras antigas se cumprem, a nossa fé fica contente, o nosso amor tem o que pede: tem Jesus Cristo todo, na sua própria e verdadeira substância; e a Igreja O come, a Igreja O recebe; como esposa, goza-Lhe do Corpo; está-Lhe unida corpo a corpo, para Lhe estar também unida coração a coração, espírito a espírito.

Como é que tudo isso pode fazer-se? Deus amou tanto o mundo! O amor pode tudo; o amor faz, por assim dizer, o impossível; para se contentar, e para contentar o seu caro objeto. Deus também fez para nós o impossível; digo para nós, porque, para Ele não há impossível, tudo Lhe é possível. Mas aquilo que era impossível à natureza fazer, e ao senso humano compreender, Ele o fez; seu Filho tornou-se filho do homem, e aproximou-se de nós; a natureza humana, que Ele pôs de alguma forma entre Ele e nós, não impediu que fosse Ele próprio em pessoa que viesse a nós, mesmo como Deus; ao contrário, Ele a nós veio pelo próprio homem, e a Carne que Ele tomou foi o nosso vínculo com Ele. Do mesmo modo, quando o o Filho do homem foi dado à morte, foi verdade que o próprio Filho de Deus morria, na natureza que havia tomado. Se em seguida se faz mister comer Carne dada por nós em Sacrifício, o seu amor achará meios para isso: Tomai, comei; isto é meu corpo; não vos informeis do modo, é a substância que vos é preciso, pois é à substância que está unida a Divindade e a vida. Sob a figura deste pão, está o meu próprio Corpo; sob a figura deste vinho, está o mesmo Sangue que foi derramado por vós. Comei, bebei; tudo é vosso, não penseis no que os sentidos vos apresentam; é à vossa fé que falo; é a ela que digo: Isto é meu Corpo. Lembrai-vos, pois, de que sou Eu que o digo. Ninguém mais senão Eu, nenhum outro senão um Deus, nenhum outro senão o Filho de Deus, por quem tudo foi feito, poderia falar deste modo. Lembrai-vos de que, sob a figura deste pão e deste vinho, está meu Corpo, está meu Sangue, que Eu vos dou, este Corpo dado à morte, este Sangue derramado por vossos pecados.

E como foi que tudo isso se fez? Deus amou tanto o mundo! Só nos resta crer, e dizer com o discípulo bem-amado: “Havemos crido no amor que Deus teve a nós”.2 Bela profissão de fé! Belo símbolo! Que credes, cristãos? Creio no amor que Deus tem a mim. Creio que Ele me deu seu Filho; creio que Ele se fez homem? Creio que se fez minha Vítima; creio que se fez meu alimento, e que me deu seu Corpo a comer, seu Sangue a beber, tão substancialmente quanto tomou e imolou um e outro. Como, porém, o credes? É que eu creio no seu amor, que pode por mim o impossível, que o quer, que o faz. Perguntar-Lhe outro como, é não crer no seu amor e no seu poder.

Se cremos nesse amor, imitemo-lo. Quando se trata da glória de Deus e do seu serviço, o nosso zelo não deve achar nada impossível. “Se podeis crer, diz Ele, tudo é possível àquele que crê”. Notai; se podeis crer; toda a dificuldade é crer; mas se uma vez crerdes bem, tudo vos é possível. Deus entra nos desígnios do vosso zelo, e o seu poder vos vem em auxílio. O obstáculo que tendes a vencer não está nas coisas que tendes a executar por Deus; está em vós mesmo, está na vossa fé; se puderdes crer. Porém, Deus nos ajuda a crer. “Creio, Senhor! Ajudai a minha incredulidade”.


_________________________

Fonte: Jacques-Bénigne Bossuet, Bispo de Meaux, “Meditações sobre o Evangelho” – Opúsculo A Eucaristia”, Cap. XII, pp. 59-64. Coleção Boa Imprensa, Livraria Boa Imprensa, Rio de Janeiro/RJ, 1942.

1.  Jo., III, 16.

2.  Jo., IV, 16.


sexta-feira, 23 de julho de 2021

ORAÇÃO MUITO EFICAZ PARA TODOS OS DIAS, À NOSSA SENHORA DO CARMO E DAS GRAÇAS.


Ó Maria, Senhora do Carmo, pelo amor que o vosso Coração de Mãe tem a nós, pobres homens, obtende-nos e a todos aqueles por quem Vos invocamos, vossas graças gerais e especiais: aos justos, perseverança; às almas tristes, consolação; aos corações desanimados, coragem e confiança; aos enfermos, cura e saúde; aos pecadores, arrependimento e perdão. Às Almas do Purgatório, alívio e livramento; enfim, a cada um de nós, as graças particulares que Vos imploramos, neste momento, mas especialmente, o socorro de vossa bondade maternal e de vosso poder.

Solicitamos sobretudo, ó boa e divina Mãe, vossa assistência na hora de nossa morte, a fim de que, neste derradeiro momento, possamos ser achados dignos de participar da glória de Jesus vosso divino Filho, que, sendo Deus, vive e reina com o Pai e o Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. Amém.


N. Nossa Senhora das Graças, rogai por nós.

N. Nossa Senhora do Carmo, rogai por nós.


N. Nossa Senhora do Carmo:

Protegei-me na vida,

Amparai-me na morte,

Preservai-me do Inferno,

Livrai a minha alma quanto antes

do Purgatório.

Amém.


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Fonte: Fr. Estêvão Roettger, O.F.M., “O Santo Escapulário – Breves Instruções e Diversas Orações”, pp. 45-46. 12ª Edição Revista, Editora Mensageiro da Fé Ltda, Salvador/BA, 1969.


UMA PROFECIA ATUALÍSSIMA SOBRE O PAPADO: O PAPEL DA IGREJA CATÓLICA.


Não faltava trabalho aos que ambicionavam trazer almas à Igreja de Cristo. Em fins de Outubro, chegou a Pisa Dorato Barbadori, designado por Florença para convencer Piero Gambacorti a romper com a Santa Sé. Se a tentativa fracassou deve-se, sem dúvida, desta feita, à influência de Catarina. Entretanto, teve a Senense o grande desgosto de ver sua cidade natal, fiel às velhas tradições gibelinas, unir-se com Florença contra o Soberano Pontífice. Após ter deixado Pisa, também esta cidade filiou-se, em 12 de Março de 1376, à liga antipapal.

Considerava-se então a república das margens do Arno bastante forte para enfrentar a luta! Em Dezembro daquele ano, tendo o sobrinho do abade de Marmoutiers ultrajado a esposa de um conceituado cidadão de Perúgia, precipitou-se esta de uma janela ao tentar fugir, e teve morte instantânea. Revoltado com este fato, insurgiu-se a população contra o domínio pontifício. “Morte aos príncipes da Igreja”, gritavam pelas ruas da cidade. Uma enorme catapulta, a que deram o nome de “assassino de Padres”, foi colocada na entrada do castelo ocupado pelos eclesiásticos franceses, projetando no interior do forte pedras incandescentes.

Insurgiram-se ao mesmo tempo Città di Castello, Viterbo, Gubbio, Urbino, Todi e Forli. Em dez dias, aproximadamente, nada menos de oitenta cidades se haviam sublevado contra o papado. Em sinal de solidariedade, Florença enviou um estandarte a cada uma dessas cidades com a inscrição: Libertas. Toda a Itália encheu-se de um entusiasmo semelhante ao que Byron e Shelley exprimem nos seus versos quatro séculos e meio mais tarde, na época da Santa Aliança:

Yet, Freedom, yet thy banner, torn but flying,

streams like a thunderstorm against the wind.

Durante esta segunda estada em Pisa, hospedou-se Catarina num hospital situado nas proximidades da igreja de Santa Catarina, pertencente aos Dominicanos. Fra Raimundo e um de seus confrades, Fra Pietro de Velletri, aterrorizados com os últimos acontecimentos, foram procurar a Santa de Sena no dia 2 de Dezembro, para comunicar-lhe tão aflitivas notícias. Catarina tomou parte em seu desgosto, mas apressou-se em dizer:

É cedo ainda para chorar. Guardai vossas lágrimas para ocasião mais própria. O que deplorais presentemente é mel e leite, em comparação ao que nos reserva o futuro”. “Que poderá suceder-nos de pior?” Exclamou Raimundo, não achando nada consoladoras aquelas palavras. “Será a fé em Cristo publicamente renegada?” Respondeu-lhe então Catarina: “Por ora, são só os leigos que se revoltam. Não tardará, porém, a vez do Clero”. E em termos concisos, predisse-lhe o próximo Cisma.1

Pouco depois voltava Catarina a Sena com seus companheiros, para ali passar o Natal.2

E em outro lugar, profetiza a Santa:

Não digo que a Igreja venha a ser menos perseguida, mas tenho fé no porvir glorioso que lhe foi predito. O bem só triunfará quando a corrupção atingir o seu auge!”

Muitos consideram estas palavras de Santa Catarina como uma profecia, e de fato o é. Ela possuía a clara compreensão de encadeamento dos acontecimentos e o contato íntimo com a lei da história, que lhe permitia entrever e predizer o desenvolvimento de séculos vindouros.3


A Importância do Papado

e a Loucura dos seus Inimigos.4

Na resposta ditada por Catarina a Neri di Landoccio ela dá a Bernabò o título de “reverendíssimo Pai” e principia por demonstrar-lhe a vaidade e a fragilidade das honrarias e poderes terrenos. “ se me perguntardes: Não existe, pois, poder algum estável nesta vida? Eu vos responderei: Sim, existe um, é a cidade da nossa alma! Nós reinamos sobre ela e é tão forte, que nem os homens, nem o Diabo a podem conquistar, se a isto não dermos nosso consentimento”. Mas como teremos energia para não fraquejar na luta contra a carne e contra o príncipe do mundo e das trevas? É a obra de Jesus Cristo, o Cordeiro imaculado. “Por Sua morte deu-nos a vida; sofrendo os opróbrios e ultrajes, restituiu-nos a glória; Suas mãos pregadas na Cruz, libertaram-nos da escravidão do pecado; pela Sua nudez, revestiu-nos da graça; salvou-nos pelo Seu Sangue; Sua sabedoria, venceu a malícia do Demônio; Sua flagelação, a fraqueza de nossa carne; Sua humildade, triunfou do orgulho e dos prazeres do mundo. Nada mais temos, pois, a temer: Sua mão desarmada venceu nossos inimigos e nos outorgou o livre arbítrio”.

Fere em seguida Catarina o ponto que pretendia atingir: o papel da Igreja. “Pecamos todos os dias, diz ela, e todos os dias temos necessidade de receber o perdão dos nossos pecados, pela efusão de Sangue do Cordeiro, no Sacramento da Penitência. Ora, somente a Igreja administra este Sacramento, sendo a Única depositária das Chaves desse Sangue Divino! Insensato é, pois, aquele que se revolta e se afasta do Vigário de Cristo, que é o Guardião destas Chaves!” E, como São Francisco de Assis no seu testamento, ela acrescenta: “Fosse o Papa um Demônio revestido de carne, eu não deveria erguer contra ele a cabeça, mas inclinar-me sempre diante de sua autoridade e implorar-lhe o Sangue do qual, de outra forma, não me seria dado participar”. “Eis por que, (acrescenta ela, concretizando tais princípios), eu vos imploro, que não mais vos revolteis contra vosso Chefe. Desprezai as instigações do Diabo, que vos sugere ser vosso dever agir com rigor contra os maus Pastores da Igreja. Recusai dar-lhes crédito e não procureis julgar o que não vos compete. Deus o proíbe, afirmando que eles são ‘os ungidos do Senhor’5 e não quer que nenhuma criatura exerça a jurisdição que lhes pertence”. Catarina chega mesmo a ponto de exclamar: “Mesmo que os Padres nos despojassem de nossos bens, deveríamos preferir perder estes bens temporais aos bens espirituais e à vida da graça”. Esta não é a opinião de Lutero, de Wiclef ou dos Huguenotes. Não é a heresia ou a revolta que falam assim, é a santidade que é “doce e humilde de coração”, obediente até a morte, até a morte da Cruz...


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1.  Leg. II, 10, 8-10. Cronaca di Perugia, detta del Graziani, nos Arch. Stor. It, ser., I, t. XVI, 1, p. 220. A casa onde Catarina habitava em Pisa era, talvez, a atual Canonica da igreja de Santa Catarina (consagrada à padroeira da Senense, Santa Catarina de Alexandria).

2.  Johannes Joergensen, “Santa Catarina de Sena”, Terceira Parte, Cap. I, pp. 182-183. 2ª Edição, Editora Vozes Ltda, Petrópolis/RJ, 1953.

3.  Johannes Joergensen, ob. cit., Segunda Parte, Cap. IX, pp. 146-147.

4.  Johannes Joergensen, ob. cit., Segunda Parte, Cap. IX, pp. 150-151.

5.  I Sam., 10, 1; I Sam., 24, 1-22.


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