BLOG CATÓLICO PARA OS CATÓLICOS.

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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

OS DEVERES DOS FILHOS EM RELAÇÃO AOS PAIS.


"Honra teu pai e tua mãe, 
para que vivas longamente 
e te suceda tudo de bom nesta terra"
(Êx. 20, 12)



Do insigne Doutor da Igreja Santo Afonso Maria de Ligório (1696-1787):

Honrar pai e mãe -- Este Mandamento tem como principal objeto os deveres dos filhos para com os pais; mas ele compreende também os deveres dos pais para com os filhos, bem como os deveres recíprocos de senhores e servidores, de marido e mulher.

Um filho deve a seus pais Amor, Respeito e Obediência. Portanto, em primeiro lugar ele é obrigado a amá-los.

 Como se peca contra o Amor que se deve aos pais?

1. Comete pecado grave quem deseja o mal a seu pai ou a sua mãe em matéria grave. Peca até duplamente: contra a caridade e contra a piedade filial.

2. Peca quem fala mal dos pais. Comete então três pecados: um contra a caridade, outro contra a piedade filial e outro contra a justiça.

3. Peca quem não socorre os pais em suas necessidades, sejam temporais, sejam espiri­tuais. Assim, quando um pai está perigosamente doente, o filho é obrigado a adverti-lo e induzi-lo a receber os Sacramentos.


Quando o pai ou a mãe se encontram numa grave necessidade, o filho é obrigado a sus­tentá-los a suas expensas. Ajudai vosso pai em sua velhice, nos diz o Espírito Santo: Fili, suscipe senectam patris tui (Ecli. III, 14). Nossos pais nos alimentaram em nossa infância; é justo que nós os alimentemos em sua velhice.

Santo Ambrósio (Exam. L. 5, C. 16) diz das cegonhas que, quando veem seu pai e sua mãe na velhice e sem condição de procurar alimento, elas têm o cuidado de lho trazer. Que ingra­tidão num filho, beber e comer copiosamente, enquanto sua mãe morre de fome!

Exemplo de piedade filial

Escutai a narração de um admirável exemplo de piedade filial.

Havia no Japão, em 1604, três irmãos ocupados em obter um meio de sustentar sua mãe. Não conseguindo, o que fizeram eles? O imperador tinha ordenado que quem entregasse um ladrão nas mãos da justiça, receberia como recompensa uma soma considerável.

Os três irmãos combinaram que um dentre eles, designado à sorte, consentiria em pas­sar por ladrão, e seria entregue pelos dois outros. Desse modo obteriam a recompensa prometida e poderiam socorrer sua mãe.

A sorte caiu sobre o mais jovem que, fazendo-se passar por ladrão, teve que se resignar a morrer, pois o roubo era punido com a morte. Foi então atado e conduzido à prisão. Mas os cir­cunstantes notaram que os acusadores e o acusado, ao se despedirem, abraçavam-se vertendo lágrimas.

O juiz foi logo avisado e ordenou que se vigiassem os dois jovens, para saber aonde iam. Tão logo chegaram à casa, a mãe, tendo sabido o que se passara, declarou que preferiria morrer ela mesma a permitir que seu filho morresse por sua causa. "Devolvei o dinheiro, dizia ela, e resti­tuam-me meu filho".

O juiz, inteirado do fato, deu conhecimento do mesmo ao imperador. Este ficou de tal modo tocado, que concedeu uma larga pensão aos três generosos irmãos. Foi assim que Deus os recompensou pelo amor que tinham testemunhado à sua mãe.

Deus castiga os maus filhos

Ouvi, pelo contrário, como Deus quis punir um filho ingrato. O bispo Abelly (Vérités princ. instr. 28) cita um fato contado por outro autor, Thomas de Cantimpré, como acontecido em seu tempo na França.

Um homem rico, tendo um filho único, desejava casá-lo com uma moça de posição bem mais elevada. Mas os pais desta impuseram como condição para o casamento, que esse homem e sua esposa cedessem tudo o que possuíam ao filho, do qual receberiam depois a subsistência; o que foi aceito.

O filho começou por tratar bastante bem o pai e a mãe. Mas ao fim de algum tempo, para agradar à mulher, obrigou-os a se retirarem de casa e passou a lhes conceder um parco auxílio.

Certo dia convidou amigos para um banquete em sua casa. Tendo seu pai vindo-lhe pedir alguma assistência, despediu-o com palavras duras. Mas escutai o que lhe aconteceu.

Quando se sentou à mesa, apareceu um sapo hediondo que, de um salto, se fixou no seu rosto de tal maneira que foi impossível retirá-lo. Não se podia tocar nesse sapo, sem causar ao in­feliz uma dor insuportável.

Arrependeu-se então de sua ingratidão e foi confessar-se ao Bispo. Este lhe impôs, como penitência, percorrer todas as províncias do reino com a face descoberta, contando por toda a parte o que atraíra sobre si este castigo, a fim de que servisse de exemplo aos outros.

Thomas de Cantimpré diz ter tomado conhecimento desse fato por um religioso da Or­dem de São Domingos, o qual, estando em Paris, tinha visto ele próprio o culpado com o sapo co­lado ao rosto e o tinha ouvido narrar estas coisas.

Vossos filhos vos tratarão 
como tiverdes tratado vossos pais

Sede, pois, zelosos em amar vossos pais e, se eles são pobres, ou prisioneiros, ou doen­tes, tende cuidado em ajudá-los. Senão, preparai-vos para os justos castigos de Deus, que permi­tirá, pelo menos, que vossos filhos vos tratem como tiverdes tratado vossos pais.

Verme narra, em sua Instrução, que um pai, tendo sido expulso de casa por seu próprio filho, e encontrando-se doente, entrou num hospital, de onde mandou pedir a este mesmo filho dois lençóis. Este encarregou seu jovem filho de os levar, mas a criança não entregou senão um dos lençóis ao seu avô. Tendo seu pai lhe perguntado a razão disto, respondeu: "Guardei o outro para ti, quando fores para o hospital". -- Compreendeis o que isto significa: como os filhos tratam os pais, do mesmo modo serão tratados por seus filhos.

Como se peca contra o respeito devido aos pais

Deus quer que cada um honre seu pai e sua mãe, não lhes faltando jamais ao respeito, seja por atos, seja por palavras, e suportando seus defeitos com paciência inalterável: In opere et sermone, et omni patientia, honora patrem tuum (Ecli. III, 9).

É pois pecado falar a seus pais com aspereza ou com tom elevado. Pecado ainda maior é zombar deles, opor-se à sua vontade, amaldiçoá-los, ou proferir contra eles termos injuriosos, como os de louco, imbecil, ladrão, bêbado, bruxo, celerado, e outros deste gênero. Se palavras dessas são proferidas em sua presença, o pecado é mortal.

Sob a Antiga Lei, aquele que injuriava o pai ou a mãe era condenado à morte: "Qui male­dixerit patri suo vel matri, morte moriatur" (Ex. XXI, 17). Agora, se não é mais condenado à morte, é contudo amaldiçoado por Deus, que o condena à morte eterna: "Et est maledictus a Deo, qui exasperat matrem" (Ecli. III, 18).

O pecado seria ainda mais grave se erguesse a mão contra seu pai ou sua mãe, ou se ameaçasse agredi-los. Aquele que ousou pôr as mãos sobre seu pai ou sua mãe, deve esperar morrer logo; pois a Escritura promete uma vida longa e feliz para aquele que honra os pais: "Ho­nora patrem tuum et matrem..., ut longo vivas tempore, et bene sit tibi in terra" (Dt. 5, 16).

Assim, quem maltrata os pais viverá pouco tempo e será infeliz na terra.

São Bernardino de Siena (T. 2, s. 17, a. 3, c. 1) narra que um rapaz, tendo sido enforca­do, ficou com a face coberta por uma longa barba branca, como a de um velho. Foi revelado ao Bispo, que rezava por aquele infeliz, que ele teria vivido até a velhice se não tivesse merecido, por respeitar pouco seus pais, ser abandonado por Deus a ponto de ser levado a cometer os crimes que lhe causaram a morte.

Mas escutai um fato ainda mais horrível, citado por Santo Agostinho (De Civ. D. l. 22, c. 8).

Na província de Capadócia, uma mãe tinha vários filhos. Um dia, o mais velho, após ha­vê-la injuriado, começou a agredi-la, sem que os outros o impedissem como deviam. Então a mãe, irritada por este tratamento indigno, cometeu outro pecado: correu à igreja, e diante do batistério em que seus filhos tinham sido batizados, amaldiçou-os a todos, pedindo a Deus que lhes infligis­se um castigo que espantasse o mundo inteiro.

Imediatamente os filhos sentiram um grande tremor em seus membros e se dispersaram por todos os lados, levando consigo os sinais da maldição pela qual estavam atingidos. À vista desse castigo, a mãe foi tomada de tal dor que, entregando-se ao desespero, enforcou-se.

Santo Agostinho acrescenta que, encontrando-se numa igreja onde se veneravam as relí­quias de Santo Estêvão, viu chegar dois destes filhos amaldiçoados, que todos viam tremer. Po­rém, em presença das relíquias do glorioso Mártir, obtiveram por sua intercessão serem libertados do mal que os afligia.

Como se peca contra a obediência que se deve aos pais

Deve-se obedecer aos pais em tudo que é justo, segundo diz São Paulo: "Filii, obedite parentibus vestris in Domino" (Eph. VI,1): Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor.

Portanto, há obrigação de obedecer-lhes naquilo que diz respeito ao bem da família e so­bretudo aos bons costumes. Assim, peca o filho que não obedece aos pais quando eles o proíbem de se entregar ao jogo, ou de frequentar certa má companhia, ou de ir a uma casa suspeita.


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Fonte: SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO, Oeuvres Complètes -- Oeuvres Ascétiques, Casterman, Tournai, 1877, 2ª ed., t. XVI, pp. 463 a 470.

http://www.catolicismo.com.br/materia/materia.cfm/idmat/3391EE8C-3048-560B-1CC1C7B7D136C063/mes/Novembro1997

OS PAIS QUE SÃO TEMENTES A DEUS E OS QUE NÃO O SÃO.

 

Os pais que se ocupam em educar bem seus filhos não serão confundidos, no juízo particular e no juízo universal. Triste, porém, será o juízo de pais empenhados em apenas gozar a vida e despreocupados da educação de sua prole.

Neste sentido, é notório o conflito entre duas categorias de pessoas: os que desejam bem formar suas famílias de acordo com esses ensinamentos tradicionais; e aqueles que, devido às influências do neopaganismo atual -- como as provenientes da televisão, que invade incontáveis lares com suas telenovelas e programas de teor anticatólico --, procuram se adaptar às máximas da mentalidade moderna.

Como poderoso auxílio aos pais de família, transcrevemos alguns princípios que o grande Doutor da Igreja, Santo Afonso Maria de Ligório, fundador dos Redentoristas, proclamou em seus Sermões.

 
"Quando Deus abençoa os pais dando-lhes filhos, o que Ele tem em vista não é a vantagem da casa; mas que os filhos sejam educados no santo temor e formados para a salvação eterna. Daí estas palavras de São João Crisóstomo: ‘Olhemos os filhos como precioso depósito, velemos por eles com toda a solicitude possível'. Se os filhos fossem um dom oferecido apenas aos pais, estes poderiam dispor deles como quisessem; mas como são um simples depósito, os pais deverão prestar contas a Deus por cada filho que se perca por sua negligência”.

Consequências de uma boa ou má formação

"Para nos fazer compreender que os pais, vivendo segundo a vontade de Deus, atraem as bênçãos celestes sobre eles e sobre toda a casa, a Sagrada Escritura diz: `Para que suceda bem a ti e aos teus filhos depois de ti, tendo feito o que é agradável aos olhos do Senhor' (Dt. 12, 25). Quem quiser saber se a conduta de um pai de família é boa ou má, examine a conduta do filho. `Pelo fruto conhecereis a árvore' (Mt 12, 33), diz Nosso Senhor. Quando um pai de família morre, mas deixa um filho, é como se ele não tivesse morrido, pois este filho o perpetua, o continuará. `Este homem morre, mas é como se não tivesse morrido, pois ele deixa em seu filho um outro ele mesmo depois dele' (Ecl. 30, 4). Pelos filhos que blasfemam, que dizem palavras impuras ou roubam, pode-se perceber os vícios do pai. Pois, diz o Eclesiástico, `Um homem conhecesse pelos filhos que deixa' (Ecl. 11, 30).

Responsabilidade dos pais

"Tranquila e feliz será a morte dos pais e mães de família que formam seus filhos na vida cristã. `Aquele que se ocupa em bem educar seus filhos, no dia da morte não será consternado nem confundido' (Ecl. 30, 5). E diz São Paulo: `Elas serão salvas por causa de seus filhos' (1Tim. 2, 15). Graças à boa educação que lhes terão dado. Ao contrário, bem triste, e mesmo desesperada, será a morte desses pais que unicamente cuidam em aumentar a fortuna e o brilho de sua casa, para gozar a vida, sem se preocupar nem um pouco em educar seus filhos. `Se alguém -- diz ainda São Paulo -- não tem cuidado com os seus, e principalmente com os de sua casa, negou a fé, e é pior do que um infiel' (1Tim. 5, 8)....

"Se ao menos certos pais cuidassem de seus filhos tanto quanto por seus animais! Quanta solicitude para que nada falte a estes! Que atenção para que a comida seja dada no tempo certo! E, com a atenção inteiramente posta nisso, não se preocupam se seus filhos conhecem ou não o catecismo, se assistem à missa e se confessam. `Sim -- lamenta São João Crisóstomo – cavalos e animais de carga lhes tomam mais o coração que os próprios filhos!'.

Consequências da negligência dos pais

"É uma grande desgraça para os filhos terem maus pais, não somente incapazes de educá-los, mas, pior ainda, indiferentes às suas condutas: que veem seus filhos em más companhias, discutindo, divertindo-se em relacionamentos ruins, e, em vez de repreendê-los e puni-los, os escusam dizendo: `Não se pode fazer nada, são coisas da juventude'. Bela máxima... bela educação!....

"Assim como é fácil aos filhos, ainda crianças, adquirirem bons hábitos, é difícil ao homem maduro corrigir-se dos maus hábitos contraídos na mocidade”.

"Passaremos ao segundo ponto, e eu vos suplico, pais e mães de família, de reterdes bem isto que vos direi sobre a maneira de bem educar vossos filhos".

A disciplina compreende o ensinamento da religião e da moral

"No que consiste precisamente a boa educação dos filhos? São Paulo nos diz claramente em duas palavras: `Educai vossos filhos na disciplina e na correção do Senhor' (Ef. 6, 4).

"Em primeiro lugar, por disciplina, é preciso compreender tudo que os pais devem fazer para formar os filhos nos bons costumes. Consiste em instruí-los e dar-lhes o bom exemplo.

"Que os pais tenham antes de tudo o dever de ensinar aos filhos o temor de Deus e a fuga do pecado. Assim fazia o justo Tobias em relação a seu filho. Com efeito, lemos na Sagrada Escritura: `Ao qual ensinou desde a infância a temer a Deus e abster-se de todo o pecado' (Tob. 1, 10).

"Que consolações e que alegrias o Céu reserva em recompensa pela solicitude dos pais cristãos! Sim, diz o Sábio: `Educa bem o teu filho, e ele consolar-te-á e será as delícias da tua alma' (Prov. 29, 17). Mas, se o filho bem instruído é a alegria de seus pais, os filhos ignorantes os enchem de tristezas; pois, ignorar as regras da vida cristã e se conduzir mal, é uma só coisa.

"Conta Thomas de Cantimpré que, em 1248, um sacerdote foi encarregado de fazer um discurso ao clero de Paris reunido em Sínodo. Este sacerdote era muito ignorante e, estando na presença de seu auditório, se confundiu completamente. Então o demônio veio em sua ajuda e lhe sugeriu que pronunciasse as seguintes palavras: `Os príncipes das trevas saúdam os príncipes da igreja, e nós lhes agradecemos vivamente pela negligência em instruir ao povo. Pois, as almas estagnadas na ignorância, seguem o caminho do mal e chegam ao inferno'. Linguagem semelhante bem se poderia dirigir a certo pais".


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(Sermons de S. Alphonse de Liguori, Analyses, commentaires, exposé du système de sa prédication, par le R.P. Basile Braeckman, de la Congrégation du T. S. Rédempteur, Tome Second. Jules de Meester-Imrimeur-Éditeur, Roulers, pp. 464-472).

http://www.catolicismo.com.br/materia/materia.cfm/idmat/1D15A8DA-3048-560B-1C0363E7D0959E73/mes/Junho1998

domingo, 6 de novembro de 2011

NÃO QUERER TER FILHOS... A VOZ DA IGREJA. (Parte 2)


A Voz do Papa Pio XI

"O assunto precedente é de tanta importância e atualidade, que passo a estudá-lo com as palavras do Papa Pio XI (dirigida aos casados). A voz dele é voz do Bom Pastor. Quem a ouve, ouve a Deus. Quem a segue, segue o Divino Pastor. É ovelha Dele e por Ele será reconhe­cida. Deus garante pelo profeta que 'carregará nos ombros as ovelhas prenhes'. 

Ponhamos de um lado as desculpas e os princípios que se ouvem nas famílias e de ou­tro a decisão do Papa:

Desculpas das Famílias
A Decisão de Pio XI

► Famílias: Filhos é carga incômoda.

► Pio XI: Muitos 'ousam' chamar a prole de carga incômoda do Casamen­to, e afirmam dever ser cuidadosamente evitada pelos cônjuges. Mas isso, não já com a continência honesta permiti­da, também no Matrimônio, quando um e outro cônjuge nisso concordem, mas viciando o ato natural.

► Famílias: Os casados são livres na sua vida ín­tima!

► Pio XI: E alguns se arrogam esta criminosa li­cença, porque, tendo aversão aos cuidados da prole, pretendem somente satisfazer seus apetites, sem encargo algum.

► Famílias: É impossível a continência. E tam­bém a mulher não tem saúde, a família não tem recursos!

► Pio XI: Outros alegam para própria desculpa a incapacidade de observar continência, e a im­possibilidade de admitir a prole, por causa das dificuldades próprias, e da mãe, ou das condi­ções econômicas da família.

► Famílias: Tudo isso justifica que se evitem os filhos, porque assim procedendo nada se faz contra uma vida que começa a existir!

► Pio XI: No entanto, não pode haver razão algu­ma, embora gravíssima, que sirva para tornar conforme com a natureza e honesto o que é in­trinsecamente contrário à natureza.

► Famílias: Mas é um exagero chamar de deso­nestos os casados que, tendo relações, evi­tam as consequências!

► Pio XI: E, sendo que o ato conjugal, por sua 'própria natureza', tem em vista a geração da prole, os que, ao praticá-lo, o tornam conscien­temente incapaz dessa consequência, operam contra a natureza, e cometem uma ação tor­pe e intrinsecamente desonesta.

► Famílias: Mas Deus não pensa deste modo e sabe perdoar...!

► Pio XI: Pelo que, não é maravilha que a Majes­tade divi­na, segundo o atestam as próprias Es­crituras Sagradas, tenha em sumo ódio tão hor­rendo de­lito e o tenha, outrora, castigado com a pena de morte, como recorda Santo Agostinho: 'Porque se está desonestamente com a esposa legítima, quando se impede o fru­to da prole'.

► Famílias: E as causas mais do que justas que há para tantos casais?

► Pio XI: Os motivos que os levam a defender o uso perverso do Matrimônio são em geral imagi­nários ou exagerados, para não falar dos que são vergonhosos...

► Famílias: Não é por comodidade que evito. So­fro demais e quase morro com os partos re­petidos!...

► Pio XI: A Igreja, Mãe bondosa, compreende e conhece perfeitamente o que alegam a favor da saúde e do perigo de vida das mães. E quem poderá considerá-lo sem viva compaixão? Quem não se sentirá tomado de viva admiração ao ver uma mãe oferecer-se, com fortaleza heroica, a uma morte quase certa para poupar a vida à prole já concebida?

► Famílias: Mas se o marido não admite os fi­lhos e foge ao dever que lhe cabe?

► Pio XI: A Santa Igreja sabe, também, perfeita­mente que com frequência um dos cônjuges é mais vítima do que causa do pecado, quando, por motivos verdadeiramente graves, e sem que com isso concorde, permite a perversão da or­dem devida, da qual, portanto, não se torna réu, desde que se lembre das leis da caridade, procurando dissuadir e afastar o outro do peca­do.

► Famílias: Como vejo, não há concessão algu­ma no caso?

► Pio XI: Não pode dizer-se que procedam con­tra a ordem da natureza os cônjuges que usam do seu direito na forma devida e natural, ainda que, por causas naturais de tempo ou de outras circunstâncias defeituosas, não possam dar ori­gem a uma nova vida. – O Papa fala em segui­da dos fins secundários do Casamen­to, fins que aos cônjuges é lícito desejar, desde que respei­tem a natureza intrínseca do ato e, por con­seguinte, sua subordinação ao fim princi­pal...

► Famílias: Há ainda a pobreza dos casais!

► Pio XI: Igualmente chegam ao íntimo da nossa alma os gemidos daqueles cônjuges que, opri­midos duramente pela falta de meios, lutam com gravíssimas dificuldades para manter a sua pro­le. No entanto, é necessário estar bem vigilan­te, a fim de que, as deploráveis condições ma­teriais não induzam num erro bem mais fu­nesto, uma vez que não podem existir dificulda­des tão graves que sirvam para desobrigar dos Mandamen­tos de Deus, que proíbem todo o ato mau por sua própria natureza.

► Famílias: Pensando bem, há casos em que é impossível seguir semelhante doutrina e guardar Mandamen­to tão penoso.

► Pio XI: Em qualquer hipótese, os cônjuges, sustentados pela Graça de Deus, podem sempre cumprir fielmente a sua missão e conservar livre de toda a mancha a castidade no Matrimônio. Pois é uma verdade inconcussa da Fé cristã, expressamente declarada pelo Ma­gistério do Concílio de Trento, que 'ninguém deve seguir aquela opinião temerária, conde­nada pelos Padres, sob a ameaça de exco­munhão, que, para o homem justificado, não há possibilidade de cumprir os Mandamen­tos de Deus'. E isto, porque Deus não ordena coisas impossíveis, mas, ao ordenar, adverte que faças o que puderes e peças o que não puderes e ajuda-te a poder.

► Famílias: Estou sossegada, porque meu con­fessor nunca condenou meu procedimento!

► Pio XI: Se algum confessor ou pastor de al­mas, o que Deus não permita, induzisse ele próprio a tais erros os fiéis a si confiados ou neles os confirmasse, quer aprovando, quer calando-se culposamente, saiba que terá de prestar contas severas a Deus, Juiz Supre­mo, da traição à sua missão, e considere como dirigidas a si as palavras de Cristo: 'São cegos e guias cegos, e, se um cego serve de guia a outro cego, ambos caem no abismo'.

► Famílias: Posso ser religiosa, mesmo no caso de 'fazer como as outras'.

► Pio XI: Nossa palavra proclamada altamente e novamente decreta que, quando o uso do Ma­trimônio, devido à malicia humana, seja frus­trado da sua natural virtude procriadora, é contrário à Lei de Deus e da Natureza, e os que tal ousem praticar tornam-se réus de culpa grave.

► Famílias: Não gosto de ouvir os padres falar sobre isso...!

► Pio XI: Recomendamos, por isso, aos sacerdo­tes, que se ocupam na audição de confissões e a todos os outros, que têm cura de almas, não permitam que os fiéis entregues aos seus cuidados possam errar em ponto tão impor­tante da Lei de Deus, e principalmente insisti­mos em que se guardem a si mesmos dessas falsas opiniões e com elas jamais se tornem coniventes.

Então, leitora, estamos certos neste assunto: a voz do Pastor das almas é muito diferen­te das opiniões pronunciadas em rodas e palestras. Mesmo que no meio haja um senhor médico que, em nome da ciência, reclame liberdades, não vaciles. Fica com o Pastor da Cristandade! A ciência, há muito tempo, que já faliu perante a Fé, sustentando coisas hoje para desmenti-las amanhã. Parece ironia, mas é realidade. Em Paris, na mesma sala em que célebre professor exi­gia que se matasse o embrião, veio depois um seu discípulo, não menos célebre, ensinar que nunca se deve fazer isso. Palavras humanas são vãs, mas as vozes de Deus não passam nem desmerecem da verdade” (Rev. Pe. Geraldo Pires de Souza, C.Ss.R., “As Três Chamas do Lar”, Cap. IV, 25, pp. 55-59, 2ª Edição, Ed. Vozes Ltda, Petrópolis, 1939).


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Fonte: Acessar o ensaio "Em Defesa do Sacramento do Matrimônio" no link "Meus Documentos - Lista de Livros".

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