BLOG CATÓLICO PARA OS CATÓLICOS.

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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Aquela “visita” do Padre Pio à cela do Cardeal Mindszenty.


No novo guia para a Igreja do Santo foi publicado, pela primeira vez, um testemunho completo do processo canônico que revela a bilocação do frade e seu encontro com o primaz da Hungria enquanto ele se encontrava na prisão.

Por Andrea Tornielli – Vatican Insider| Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com - A figura de São Pio de Pietrelcina, o frade estigmatizado que é venerado por milhões de devotos, nunca deixa de surpreender. Um novo elemento acaba de ser adicionado à coleção de episódios misteriosos que acompanharam sua vida.  Dessa vez trata-se de um testemunho publicado em um livro apresentado ontem, por ocasião do décimo aniversário da dedicação do novo santuário de San Giovanni Rotondo, onde está sepultado o corpo do frade, e diz respeito a um fenômeno de bilocação que teria levado Padre Pio a uma cela em Budapeste, onde estava encarcerado o cardeal Jozsef Mindszenty, Primaz da Hungria. O episódio, já conhecido, foi imortalizado em um dos mosaicos que decoram a cripta do Santuário dedicado ao Padre Pio, mas o depoimento que o descreve em detalhes nunca tinha sido publicado antes.

st-padre-pioO livro que traz o título «Padre Pio. La sua chiesa, i suoi luoghi, tra devozione storia e opere d’arte» ["Padre Pio: a sua igreja, os seus lugares, entre a devoção, história e arte", tradução livre] (Edições Padre Pio de Pietrelcina) foi escrito por Stefano Campanella, diretor da Teleradio Padre Pio e autor de inúmeros ensaios sobre a figura do santo de Gargano.

Cardeal Mindszenty tinha sido preso pelas autoridades comunistas em dezembro de 1948 e condenado à prisão perpétua na Hungria no ano seguinte, depois de um processo falso em que o acusavam de conspirar contra o governo. Depois de oito anos passados no cárcere e em prisão domiciliar, foi libertado durante a revolta popular em 1956, e se refugiou na Embaixada dos EUA em Budapeste, onde permaneceu até 1973, quando o Papa Paulo VI o liberou de sua liderança naquela diocese.

Exatamente naqueles anos mais difíceis ​na prisão é que teria acontecido o fenômeno da bilocação, que teria transportado Padre Pio até lá para levar conforto ao cardeal. Uma das testemunhas diante dos juízes do processo de beatificação de Padre Pio é um dos homens que sempre esteve muito próximo ao frade, Angelo Battisti, diretor da Casa Alívio do Sofrimento e datilógrafo da Secretaria de Estado do Vaticano.

Cardeal Mindszenty
Cardeal Mindszenty
Eis como é descrita a cena da visita do Padre Pio ao Cardeal Mindszenty no livro: “O Capuchinho estigmatizado, enquanto se encontrava em San Giovanni Rotondo, foi até ele para levar-lhe o pão e o vinho destinados a se tornarem o corpo e o sangue de Cristo, isto é, a realidade do oitavo dia; nesse caso, a bilocação adquire ainda mais o significado da antecipação do oitavo dia, ou seja, da Ressurreição, quando o corpo é liberado dos limites do espaço e do tempo. Simbólico é também o número de registro do detento impresso em seu pijama de presidiário: 1956 é o ano da libertação do Cardeal.

“Como é sabido – conta Battisti em seu testemunho nas atas do processo canônico –, o cardeal Mindszenty foi preso, colocado na cadeia e vigiado o tempo todo. Com o passar do tempo, crescia fortemente o seu desejo de poder celebrar a Santa Missa. Uma certa manhã, apresentou-se diante dele o Padre Pio, com tudo que ele precisava. O Cardeal celebra sua Missa e Padre Pio lhe serve [como acólito]; depois se falaram e, no final, Padre Pio desaparece com tudo que havia levado. Um padre vindo de Budapeste me falou confidencialmente sobre o fato, perguntando se eu poderia obter uma confirmação do Padre Pio. E eu disse a ele que se eu tivesse perguntado uma coisa dessas, Padre Pio teria me expulsado aos xingos”.

Mas, numa noite de março em 1965, no final de uma conversa, Battisti pergunta ao frade estigmatizado: “Padre, o Cardeal Mindszenty reconheceu Padre Pio?” Depois de uma primeira reação de irritação, o santo de Gargano respondeu: “Que diabos, nós nos encontramos e conversamos, e você acha que não teria me reconhecido?” Confirmando assim a bilocação ao cárcere que teria acontecido alguns anos antes. “Então — acrescenta Battisti — ele tornou-se triste e acrescentou: O diabo é feio, mas o haviam deixado mais feio que o diabo”.

O que demonstra que o Padre o havia socorrido desde o início de sua prisão, porque não se pode conceber, humanamente falando, como o Cardeal foi capaz de resistir a todo o sofrimento a que foi submetido e que ele descreve em suas memórias. O Padre então concluiu: “Lembre-se de orar por esse grande confessor da fé, que tanto sofreu pela  Igreja.”

* * *

Sobre o Cardeal Mindszenty, leia nossa série de 2008-2009:


sábado, 5 de julho de 2014

DA ILÍCITA E PERIGOSA ATITUDE DE INQUIRIR OS MISTERIOSOS DESÍGNIOS DE DEUS.



OS SECRETOS JUÍZOS DE DEUS

Santo Agostinho em cem lugares ensina esta mesma prática. Diz ele: 

“Ninguém vem ao Salvador senão sendo atraído. Quem é que Ele atrai, e quem é que Ele não atrai, por que é que Ele atrai este e não aquele, não queiras ajuizar disto, se não queres errar. Escuta uma vez e ouve. Não és atraído? Reza a fim de seres atraído. De certo, ao cristão que ainda vive da Fé e que não vê o que é perfeito, mas sabe apenas em parte, basta saber e crer que Deus não livra ninguém da condenação senão por misericórdia gratuita, por Jesus Cristo Nosso Senhor, e que Ele não condena ninguém senão pela Sua equidosíssima verdade, pelo mesmo Jesus Cristo Nosso Senhor. Mas saber por que é que Ele livra este de preferência àquele, sonde quem puder tamanha profundeza dos Seus juízos, mas resguarde-se do precipício, pois os Seus decretos não são por isso injustos, ainda que sejam secretos (I Tract. XXVI in Joan.). Mas, por que então livra Ele estes de preferência àqueles (Ep. 105)? Dizemos outra vez: Ó homem! Quem és tu para responderes a Deus? (De bono persever., c. XII). Incompreensíveis são os Seus juízos (Rom. 11, 20). E acrescentemos isto: Não inquiras das coisas que estão acima de ti (Rom. 11, 33), e não investigues o que está além de tuas forças (Ecli. 3, 22). Ora, Ele não faz misericórdia àqueles a quem, por uma verdade mui secreta e muito afastada dos pensamentos humanos, julga não dever conceder Seu favor ou misericórdia (Quaest. II, ad Simplic.).

Vemos às vezes crianças gêmeas das quais uma nasce cheia de vida, e recebe o Batismo; a outra, nascendo, perde a vida temporal antes de renascer para a eterna; uma, por conseguinte, é herdeira do Céu, a outra é privada da herança. Ora, por que será que a Divina Providência dá desfechos tão diversos a tão semelhante nascimento? De certo, pode-se dizer que a Providência de Deus ordinariamente não viola as Leis da Natureza; de tal sorte que, sendo um desses gêmeos vigoroso e o outro demasiado fraco para suportar o esforço da saída do seio materno, este morreu antes de poder ser batizado, e o outro viveu; não havendo assim a Providência querido impedir o curso das causas naturais, que, nessa ocorrência, terão sido a razão da privação do Batismo naquele que o não teve. E certamente esta resposta é bem sólida”. 


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Fonte: São Francisco de Sales, “Tratado do Amor de Deus”, Liv. IV, Cap. VII, pp. 226-227; 2ª Edição, Ed. Vozes, Petrópolis, 1996.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

O Batismo dos Recém-nascidos







Papa Pio XII


Se o que até dissemos diz respeito à proteção e ao cuidado da vida natural, com muito mais forte razão deve isso valer para a vida sobrenatural que o recém-nascido recebe pelo Batismo.

Na ordem presente, não há outro meio de comunicar essa vida à criança que ainda não tem o uso da razão. E, no entanto, o estado de graça, no momento da morte, é absolutamente necessário à salvação. Sem isso, não é possível chegar à felicidade sobrenatural, à Visão Beatífica de Deus. Um ato de amor pode bastar ao adulto para adquirir a Graça Santificante, e para suprir à ausência do Batismo. Mas, para aquele que ainda não nasceu, ou para o recém-nascido, esse caminho não está aberto. Portanto, se se considerar que a Caridade para com o próximo impõe assisti-lo em caso de necessidade; se esta obrigação é tanto mais grave e urgente quanto maior é o bem a proporcionar ou o mal a evitar e quanto menos facilidade aquele que dela precisa tem para se ajudar e se salvar por si mesmo, então, fácil é compreender a grande importância de prover ao Batismo de uma criança privada de todo uso da razão e que se acha em grave perigo ou diante de uma morte certa. Sem dúvida, esse dever obriga em primeiro lugar aos pais; porém, nos casos de urgência, quando não há tempo a perder e não é possível chamar um Padre, a vós é que é atribuído esse sublime dever de conferir o Batismo. Não deixeis, pois, de prestar esse serviço de caridade e de exercer esse ativo apostolado da vossa profissão. Possais achar conforto e incentivo na Palavra de Jesus: 'Bem-aventurados os misericordiosos, pois, obterão misericórdia' (Mat. 5, 7). E haverá misericórdia maior e mais bela do que a de assegurar à alma da criança – entre o limiar da vida, que ela apenas transpôs, e o limiar da morte, que ela vai em breve passar – assegurar-lhe a entrada na gloriosa e bem-aventurada eternidade?” (Pio XII, Alocução “Sobre o Apostolado das Parteiras”, II, 19; cfr. Coleção de Documentos Pontifícios, Tomo V, Documento 82, 2ª Edição, Ed. Vozes, Petrópolis, 1957).

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