A
Felicidade dos Justos
e
a Desgraça dos Ímpios.
Bem-aventurado
o homem que não se deixa levar pelo conselho dos ímpios e não anda
pelo caminho dos pecadores, e não se senta na reunião (dos maus);
antes põe as suas complacências na Lei do Senhor, e na Sua Lei
medita de dia e de noite.
Ele
é como a árvore que está plantada junto às correntes das águas,
que a seu tempo dá fruto, e cujas folhas não murcham e todas as
coisas que faz têm bom êxito.
Não
são assim os ímpios, não assim; mas são como a palheira que o
vento leva.
Por
isso, os ímpios não se sustentarão no (dia do) juízo, nem os
pecadores (estarão) na congregação dos justos; porque o Senhor
cuida do caminho dos justos, e o caminho dos ímpios perecerá.
Os
Dois Caminhos.
1ª
Parte
I
- Catequese
fundamental para aqueles que desejam viver e se comportar de modo
cristão.
Existem
dois caminhos: um é o caminho da vida, e o outro, o da morte. A
diferença entre os dois é grande.
O
Caminho da Vida II
II
- O
cristão deve fazer uma escolha fundamental, que definirá toda a sua
vida e destino. Não é possível andar com os pés em duas canoas.
Só há um caminho que produz vida e realização. Os outros caminhos
levam inevitavelmente para a morte em diversos sentidos e níveis.
Viver
é Amar. O caminho da vida é este: Em primeiro lugar, ame a
Deus, que criou você. Em segundo lugar, ame a seu próximo como a si
mesmo. Não faça a outro nada daquilo que você não quer que façam
a você.
O
ensinamento que deriva dessas palavras é o seguinte: Bendigam
aqueles que os amaldiçoam e rezem por seus inimigos, e ainda jejuem
por aqueles que os perseguem. Com efeito, se vocês amam aqueles que
os amam, que graça vocês merecem? Os pagãos não fazem o mesmo?
Quanto a vocês, amem aqueles que os odeiam, e vocês não terão
nenhum inimigo. III
III
- O
ponto de partida da vida cristã é o amor a Deus, a si mesmo e ao
próximo. A medida do amor ao próximo é a mesma do amor que se tem
para consigo mesmo. E todas as pessoas, até mesmo os inimigos, são
indistintamente o próximo. O amor aos inimigos mostra a
originalidade, a radicalidade e gratuidade do amor cristão. Isso não
significa que os cristãos não têm inimigos, e sim que eles não
são inimigos de ninguém.
A
violência do Amor. Não
se deixe levar pelos
impulsos instintivos. Se Alguém lhe dá uma bofetada na face
direita, ofereça-lhe também a outra face, e você será perfeito.
Se alguém o força a acompanhá-lo pelo espaço de um quilômetro,
acompanhe-o por dois; se alguém tira o seu manto, entregue-lhe
também a túnica. Se alguém toma alguma coisa que pertence a você,
não a peça de volta, pois você não poderá fazer isso. IV
IV
- O
cristão não age por simples impulso instintivo. Diante da
violência, ele não responde com outra semelhante, mas com a
violência maior do amor, que é capaz de desarmar o violento. A
proibição no final do versículo se refere ao empréstimo ao pobre,
que poderia passar necessidade se tivesse de devolver.
O
Amor de partilha. Dê a
quem pede a você e não peça para devolver, pois o Pai quer que os
seus bens sejam dados a todos. Feliz aquele que dá conforme o
Mandamento, porque será considerado inocente.
Ai de quem recebe: se recebe por estar necessitado, será considerado
inocente; mas se recebe sem ter necessidade, deverá prestar contas
do motivo e da finalidade pelos quais recebeu. Será posto na prisão
e interrogado sobre o que fez; e daí não sairá até que tenha
devolvido o último centavo.
A
esse respeito, também foi dito: Que a sua esmola fique suando nas
mãos, até que você saiba
para quem a está dando. V
V
- Deus
dá os bens da vida para serem repartidos entre todos. Por isso, o
cristão é capaz de partilhar seus bens com aqueles que não têm.
Quem recebe deve ter discernimento, pois o espírito de partilha não
deve ser usado como pretexto para acumular ou desperdiçar. Toda
contribuição social deve reverter em benefício do bem comum e não
em privilégio daqueles que manipulam a máquina social.
Não
basta ajudar materialmente o necessitado para desencargo de
consciência. É preciso entrar em comunhão, participando de toda a
situação do pobre, porque nem sempre a ajuda material é o aspecto
mais importante. O grande desafio é acabar com a pobreza, e não
simplesmente conservar os pobres como ocasião de fazer caridade.
Exigências
do amor ao próximo. O segundo
Mandamento da instrução é este:
Não
mate, não cometa adultério, não corrompa os jovens, não fornique,
não roube, não pratique magia, nem feitiçaria. Não mate a criança
no seio de sua mãe, nem depois que ela tenha nascido.
Não
cobice os bens do próximo, não jure falso, nem preste falso
testemunho. Não seja maledicente (que fala mal dos outros), nem
vingativo.
Não
seja duplo no pensar e no falar, porque a duplicidade é armadilha
mortal.
Que
a sua palavra não seja falsa ou vazia, mas se comprove na prática.
Não
seja avarento, nem ladrão, nem fingido, nem malicioso, nem soberbo.
Não planeje o mal contra o seu próximo.
Não
odeie a ninguém, mas corrija uns, reze por outros, e ainda ame aos
outros, mais do que a si mesmo. VI
VI
- É
uma espécie de recapitulação e ampliação das consequências do
Decálogo, retomando o Mandamento do amor ao próximo. O
relacionamento interpessoal é enfocado a partir da integridade e
veracidade em relação aos outros. As diversas normas podem ser
resumidas em três grandes linhas: o respeito à vida, aos bens e à
fama do próximo. Tais normas não devem ser compreendidas apenas em
si mesmas; elas pressupõem o clima fundamental da vida cristã, que
exige fraternidade e partilha. O que se requer em primeiro lugar não
é a bondade, mas a justiça.
As
raízes do mal e do bem. Meu
filho, procure evitar tudo o que é mau e tudo o que se pareça com o
mal.
Não
seja colérico, porque a ira conduz para a morte. Também não seja
ciumento, nem briguento ou
violento, porque os homicídios nascem de todas essas coisas.
Meu
filho, não seja cobiçoso de mulheres, porque a cobiça leva à
fornicação. Evite falar
obscenidades e olhar com malícia, pois os adultérios surgem de
todas essas coisas.
Meu
filho, não seja dado à adivinhação, pois a adivinhação leva à
idolatria. Também não pratique encantamentos, astrologia ou
purificações, nem queira ver ou ouvir sobre essas coisas, pois de
todas essas coisas provém a idolatria.
Meu
filho, não seja mentiroso, porque a mentira leva ao roubo. Não seja
sedento de dinheiro, nem cobice a fama, porque os roubos nascem de
todas essas coisas.
Meu
filho, não seja murmurador, porque a murmuração (ato de se
queixar) leva à blasfêmia. Não seja insolente (arrogante),
nem tenha mente perversa, pois as blasfêmias nascem de todas essas
coisas.
Seja
manso, porque os mansos receberão a terra como herança.
Seja
paciente, misericordioso, sem maldade, tranquilo e bom, respeitando
sempre as palavras que você tiver ouvido.
Não
se engrandeça a si mesmo, nem se entregue à insolência. Não se
junte com os “grandes”, mas converse com os justos e pobres.
Aceite
como boas as coisas que lhe acontecem, sabendo que nada acontece sem
o consentimento de Deus. VII
VII
– Princípio geral: evitar o
mal que, a seguir, é apresentado como consequência do egoísmo, da
falta de autocontrole e da ambição.
Homicídio
e adultério têm suas respectivas raízes na falta de autocontrole e
na cobiça. Cobiçar não é
simplesmente desejar, mas fazer planos e armadilhas para se apropriar
daquilo que se deseja.
Idolatria
é a manipulação do sagrado ou de alguma coisa que é apresentada
como sagrada, em vista dos próprios interesses. Essa
é a magia que as pessoas usam para conseguir poder e dominação
sobre os outros. A pessoa que tem poder acaba acreditando e fazendo
os outros acreditarem que ela é absoluta e divina. Essa é a raiz de
todo o processo de dominação e opressão religiosa ou política.
A
mentira oculta uma verdade, à qual o próximo tem direito. Essa
ocultação visa os interesses de alguém: dinheiro, prestígio,
fama. Ao lado do poder, a riqueza é o outro grande ídolo. Se o
poder-dominação é roubo da liberdade, a riqueza é roubo dos bens
a que todos têm direito.
Blasfêmia
é dizer que o projeto de Deus é mau. A murmuração, a insolência
e a mente perversa levam à dúvida, à reclamação e, por fim, à
blasfêmia.
Desde
o início de sua existência, a comunidade cristã é convidada a
optar pelos pobres, pois são eles que buscam e podem realizar a
justiça que Deus quer. Todas as qualidades aqui apresentadas
pertencem aos pobres e justos que acreditam no anúncio do Evangelho
e lutam pelo reino da justiça. Sua força não vem das armas, mas da
violência do amor que persevera, certos da promessa de que os mansos
receberão a terra como herança.
O
cristão sabe que a vida e a história obedecem em primeiro lugar ao
projeto de Deus, que quer a vida para todos. Por isso, ele é sempre
levado a buscar o significado profundo dos acontecimentos, para além
de seus caprichos e interesses imediatos.
A
pessoa inserida na comunidade.
Meu filho, lembre-se dia e noite daquele que anuncia a Palavra de
Deus para você e honre-o como se fosse o próprio Senhor, pois o
Senhor está presente onde é anunciada a soberania do Senhor. VIII
VIII
– Centralizada no amor a Deus
e ao próximo, a vida cristã é essencialmente uma realização
comunitária, onde tudo é partilhado fraternalmente.
As
comunidades ainda não conhecem os Evangelhos escritos. O Evangelho é
uma Palavra Viva, Preservada e Anunciada por pregadores itinerantes,
que servem as comunidades e, ao mesmo tempo, dependem delas.
Procure
estar todos os dias na companhia dos fiéis, para encontrar apoio nas
palavras deles.
Não
provoque divisão. Pelo contrário, reconcilie aqueles que brigam
entre si. Julgue de modo justo, corrigindo as culpas sem fazer
diferença entre as pessoas.
Não
fique hesitando sobre o que vai ou não acontecer.
Não
seja como os que estendem a mão na hora de receber e a retiram na
hora de dar.
Se
você ganha alguma coisa com o trabalho de suas mãos, odereça-o
como reparação por seus pecados.
Não
hesite em dar, nem dê reclamando, pois você sabe quem é o
verdadeiro remunerador da sua recompensa.
Não
rejeite o necessitado. Divida tudo com o seu irmão, e não diga que
são coisas suas. Se vocês estão unidos nas coisas que não morrem,
tanto mais nas coisas perecíveis. IX
IX
– Viver em comunidade supões
educação para isso. E o ponto fundamental é a instrução no temor
de Deus. Não se trata de ter medo de Deus, mas de reconhecer que
Deus é o Senhor e Doador da vida, e Seu projeto é que todos
repartam a vida entre todos. A educação cristã começa por aqui,
mostrando para as pessoas que elas não são auto-suficientes e
independentes, mas inter-dependentes, complementando-se mutuamente na
partilha do que cada um é e tem.
Não
dê ordens com rudeza ao seu servo ou à sua serva, pois eles esperam
no mesmo Deus que você, para que não percam o temor de Deus, que
está acima de uns e outros. Com efeito, Ele não virá chamar a
pessoa pela aparência, mas aqueles que o Espírito preparou.
Quanto
a vocês, servos, sejam submissos aos seus senhores, com respeito e
reverência, como à imagem de Deus. X
X
– O projeto de Deus é a
fraternidade, que desfaz toda e qualquer desigualdade entre as
pessoas, para formar a grande família humana. Isso não quer dizer
que as pessoas se tornem idênticas; cada um é original e tem sua
função própria dentro da sociedade, em proveito do bem comum.
Função diferente não quer dizer que uma pessoa seja mais que a
outra ou que tenha mais direitos e privilégios, em vista do que é,
do que faz ou produz. Todos são necessários e todos têm direito ao
necessário para viver dignamente. O versículo (“Quanto a vocês”)
acima, mostra que as comunidades nascentes ainda não tinham
consciência de que o Evangelho exige transformações estruturais
para acabar com a desigualdade e a exploração. Todos devem ser
respeitados, porque todos são imagem de Deus.
Deteste
toda hipocrisia e tudo o que não seja agradável ao Senhor.
Não
viole os Mandamentos do Senhor. Guarde o que você recebeu, sem nada
acrescentar ou tirar. XI
XI
– Defender
uma doutrina sem se preocupar com a prática é hipocrisia, um dos
grandes males que ameaçam a comunidade. Por outro lado, guardar os
Mandamentos não é simplesmente repeti-los de cor, mas fazer o que
eles ordenam. Trata-se certamente do Mandamento de amar a Deus e ao
próximo.
Confesse
as suas faltas na reunião dos fiéis, e não comece a sua oração
com má consciência. XII
XII
– A Confissão aqui não
aparece como Sacramento juridicamente estruturado. Provavelmente, os
cristãos declaravam seus pecados em comunidade, e esta era
responsável pelo perdão. Para que a comunidade esteja viva são
necessários a confissão e o perdão, que abrem sempre a
possibilidade de se converter ao projeto de Deus. A oração
autêntica é feita dentro do projeto de Deus e em vista da sua
realização.
Este
é o caminho da vida.
O
caminho da Morte. O caminho da
morte é este: Em primeiro lugar, é mau e cheio de maldições:
homicídios, adultérios, paixões, fornicações, roubos,
idolatrias, práticas mágicas, feitiçarias, rapinas, falsos
testemunhos, hipocrisias, duplicidade de coração, fraude, orgulho,
maldade, arrogância, avareza, conversa obscena, ciúme, insolência,
altivez, ostentação e ausência de temor de Deus.
Por
esse caminho andam os perseguidores dos bons, os inimigos da verdade,
os amantes da mentira, os que ignoram a recompensa da justiça, os
que não desejam o bem nem o julgamento justo, os que não ficam
atentos para o bem, mas para o mal. Deles está longe a calma e a
paciência; são amantes das coisas vãs, ávidos de recompensas, não
se compadecem do pobre, não se importam com os atribulados, não
reconhecem o seu Criador. São ainda assassinos de crianças,
corruptores da imagem de Deus, desprezam o necessitado, oprimem o
aflito, defendem os ricos, são juízes injustos com os pobres e, por
fim, são pecadores consumados. XIII
XIII
– Se o caminho da vida é
temer a Deus e amar a Deus e ao próximo; o caminho da morte é o
contrário: começa com a ausência do temor de Deus. Sem esse temor,
o homem se coloca no lugar de Deus e passa a se julgar como centro e
senhor da vida, dispondo de tudo e de todos sem a menor consideração
pela vida e liberdade de seus semelhantes. Quando o homem usurpa o
lugar de Deus, cria automaticamente o projeto da escravidão e da
morte. A lista de vícios e pecados testemunha a monstruosidade da
auto-suficiência.
Perfeição
é servir ao Senhor. Fique
atento para que ninguém o afaste deste caminho da instrução, pois
aquele ensinaria a você coisas que não pertencem a Deus.
Se
puder carregar todo o jugo do Senhor, você será perfeito. Se isso
não for possível, faça o que puder.
Quanto
à comida, observe o que você puder. Não coma nada do que é
sacrificado aos ídolos, porque esse é um culto a deuses mortos. XIV
XIV
– É a conclusão da primeira
parte, exortando ao discernimento para não desfigurar o caminho da
vida cristã. O jugo do Senhor é, provavelmente, o Evangelho vivo,
que está representado nesta primeira parte. Não se trata, porém,
de imposição, mas de proposta e convite a serem aceitos na medida
da possibilidade de cada um. A perfeição deve ser entendida aqui
como integridade. O versículo (“Quanto à comida”) acima, se
refere às disposições tomadas no Concílio de Jerusalém.
Os
Dois Caminhos.
2ª
Parte
Existem
dois caminhos de ensinamentos e autoridade: o da luz e o das trevas.
A diferença entre os dois é grande. De fato, sobre um estão
postados os Anjos de Deus, portadores da luz; e sobre o outro, os
anjos de Satanás. Um é Senhor de eternidade em eternidade, o outro
é príncipe do presente tempo da iniquidade.
O
caminho da luz. Este é o
caminho da luz: se alguém quer andar no caminho e chegar ao lugar
determinado, que se esforce em suas obras. Eis, portanto, o
conhecimento que nos foi dado para andar nesse caminho.
Ama
Aquele que te criou.
Teme
Aquele que te formou.
Glorifica
Aquele que te resgatou da morte.
Sê
simples de coração e rico de espírito.
Não
te ligues àqueles que andam no caminho da morte.
Odeia
tudo o que não é agradável a Deus.
Odeia
toda hipocrisia.
Não
abandones os Mandamentos do Senhor.
Não
te engrandeças a ti mesmo, mas sê humilde em todas as
circunstâncias.
Não
te arrogues glória.
Não
panejes o mal contra o teu próximo.
Não
te entregues à insolência.
Não
pratiques a prostituição, nem o adultério, nem a pederastia.
Não
divulgues a Palavra de Deus entre pessoas impuras.
Não
faças diferença entre as pessoas, ao corrigir alguém por sua
falta.
Sê
manso, tranquilo, respeitando as palavras que ouviste.
Não
sejas vingativo para com teu irmão.
Não
fiques hesitando sobre o que vai ou não acontecer.
Não
tomes em vão o Nome do Senhor.
Ama
o teu próximo mais do que a ti mesmo.
Não
mates a criança no seio da mãe, nem logo que ela tiver nascido.
Não
te descuides de teu filho ou de tua filha. Pelo contrário, dá-lhes
instrução desde a infância no temor do Senhor.
Não
cobices os bens do teu próximo.
Não
sejas avarento, não te juntes de coração com os grandes, mas
conversa com os justos e os pobres.
Aceita
como boas as coisas que te acontecem, sabendo que nada acontece sem o
consentimento de Deus.
Não
sejas dúplice no pensar e no falar, porque a duplicidade é
armadilha mortal.
Sê
submisso a teus senhores, com respeito e reverência, como à imagem
de Deus.
Não
dês ordens com rudeza ao teu servo ou à tua serva, pois eles
esperam no mesmo Deus que tu, para que não percam o temor de Deus,
que está acima de uns e de outros; com efeito, ele não vem chamar a
pessoa pela aparência, mas aqueles que o Espírito preparou.
Compartilha
tudo com o teu próximo, e não digas que são coisas tuas. Se estais
unidos nas coisas incorruptíveis, tanto mais nas coisas
corruptíveis.
Não
sejas loquaz, porque a boca é armadilha mortal.
O
quanto podes, sê puro com a tua alma.
Não
sejas como os que estendem a mão na hora de receber, e a retiram na
hora de dar.
Ama,
como a pupila do teu olho, todo aquele que te anuncia a palavra de
Deus.
Lembra-te,
noite e dia, do dia do julgamento. A cada dia, procura a companhia
dos Santos. Empenha-te com a pregação, exortando e preocupando-te
em salvar uma alma pela palavra, ou então em trabalhar com tuas
mãos, para resgatar teus pecados.
Não
hesites em dar, nem dês reclamando, pois sabes quem é o verdadeiro
remunerador da tua recompensa.
Guarda
o que recebeste, sem nada acrescentar ou tirar.
Odeia
totalmente o mal.
Julga
de modo justo.
Não
provoques divisão. Pelo contrário, reconcilia aqueles que brigam
entre si.
Confessa
os teus pecados.
Não
te apresentes em má consciência para a oração.
O
caminho das trevas. O caminho
das trevas é tortuoso e cheio de maldições. De fato, em sua
totalidade, ele é o caminho da morte eterna nos tormentos. Nele se
encontras as coisas que arruínam a alma dos homens: idolatria,
insolência, altivez do poder, hipocrisia, duplicidade de coração,
adultério, homicídio,
rapina, orgulho, transgressão, fraude, maldade, arrogância,
feitiçaria, magia, avareza e ausência do temor de Deus.
(São)
os que perseguem os bons,
odeiam
a verdade,
amam
a mentira,
ignoram
a recompensa da justiçam,
não
se ligam ao bem
nem
ao julgamento justo,
não
cuidam da viúva e do órfão,
não
vigiam para o temor de Deus, mas para o mal,
afastam-se
da mansidão e da paciência,
amam
as vaidades,
correm
atrás da recompensa,
não
têm misericórdia para com o pobre,
recusam
ajudar o oprimido,
difamam
facilmente,
ignoram
o seu Criador,
matam
crianças,
corrompem
a imagem de Deus,
não
se compadecem do necessitado,
não
se importam com os atribulados,
defendem
os ricos,
são
juízes injustos com os pobres,
e,
por fim, são pecadores consumados.
Os
Dois Caminhos.
3ª
Parte
Adoremos
a Jesus Cristo apontando-nos o caminho a seguir a fim de não nos
iludirem os falsos bens da terra e conseguirmos o Céu: “Entrai
pela porta estreita: pois larga e franca é a estrada que leva à
perdição…”.
I
Ponto
Considerai
qual é a estrada larga, qual a estreita. Estreita,
é a dos justos, porque a liberdade humana ao menos, aparentemente,
fica limitada pelos Mandamentos; porque nessa estrada há obstáculos,
lutas contra o Demônio, as paixões e o mundo.
A
estrada larga,
ao invés, é a em que as paixões não têm freio, a Lei de Deus é
posta de lado e assim, aparentemente, se caminha mais livremente.
A
primeira parece eriçada de espinhos, a segunda tapetada de rosas.
Por isso, diz Jesus, muitos seguem o caminho largo, poucos o
estreito. Dissemos aparentemente,
porque na verdade os que vão pela estrada do mal são escravos das
paixões e os que vão pela estreita gozam da liberdade dos filhos de
Deus.
Perdoai-me,
Senhor, que palmilhei a estrada larga, esquecido da vossa
advertência; agora quero emendar-me e acompanhar vossos servidores,
que pelo caminho estreito alcançaram o Céu.
II
Ponto
Considerai
a meta de cada uma das duas estradas. A
larga termina no abismo
da perdição e a estreita
na Bem-aventurança.
Portanto,
após as breves provações desta vida, os que servem a Deus podem
esperar a suprema felicidade; ao contrário, os que se dão aos
prazeres passageiros, se prazeres se podem chamar, sofrerão os
eternos tormentos.
Senhor,
venham sobre mim todas as tribulações, contanto que eu não perca a
eterna glória. Quero desprezar os bens caducos da terra e amar a
Cruz que salva.
III
Ponto
Considera
que Jesus cristo recomenda que façamos esforços para entrar pela
porta estreita.
Devemos, pois, violentar-nos
para conseguir uma vida de acordo com a Lei de Cristo. Com efeito, “o
reino dos céus padece violência e os que se violentam é que o
conquistam”.
Combatamos, pois, o mundo, o Demônio e as paixões e não nos
aflijamos com as suas investidas, pois com a graça de Deus nos é
fácil vencê-las.
Esforça-te
por trilhar esse caminho que Jesus Cristo seguiu. Confia nele, que te
dará forças e não te arreceies.
Exemplo
Pelágia
vivia entre as riquezas, vaidades e vícios do mundo. Corria a bom
correr pela estrada da perdição. Valeu-se Nosso Senhor de um Santo
Bispo, chamado Nono, para levá-la ao arrependimento e conversão
total. Fugiu disfarçada para junto de Jerusalém, para o Monte das
Oliveiras, onde em uma pequena cela se deu às mais austeras
penitências. Viveu,
disfarçada como monge, em contínua oração e penitência, e os
contemporâneos a conheciam e veneravam por frei Pelágio. Desde que
se converteu e recebeu o Batismo, pois era pagã, abandonou por
completo a estrada do mal e subiu rapidamente às alturas da
perfeição cristã. O Martirológio Romano registra a morte de Santa
Pelágia a 8 de Outubro pelo ano de 440. É um dos mais belos
exemplos de conversão. A dor dos pecados fez de uma pecadora uma
grande Santa.
Resolução
– Nas
minhas confissões me arrependerei
de toda a alma e me corrigirei dos meus pecados.
Ramalhete
Espiritual – Compadecei-Vos
de mim, Senhor, de acordo com a vossa grande misericórdia, e
inspirai-me grande horror ao pecado.
Conclusão
Que
afinidade pode haver entre a justiça e a impiedade? Que comunhão
pode haver entre a luz e as trevas? Que aliança pode haver entre
Jesus Cristo e Satanás? O que pode haver de comum entre o Templo de
Deus e o dos ídolos?
Que relação pode haver entre a Doutrina Católica e as Heresias e
os Erros do Paganismo? Com toda a convicção afirmo: Nenhuma e nunca
haverá!
O
justo continuará a justificar-se mais ainda;
a luz continuará a brilhar mais intensamente; Cristo continuará a
reinar gloriosa e eternamente; o fiel se tornará mais fiel; e os
escolhidos de Deus se santificarão ainda mais.
Ao
passo que o ímpio se tornará mais cruel, salvo as exceções do
mistério da graça; as trevas encherão a terra; Satanás, já
condenado, iludirá a muitas almas incautas que
se rebelam contra a vontade de Deus, principalmente, contra os Dogmas
da Eucaristia, contra os Dogmas Marianos, enfim, contra os Dogmas da
Fé Católica,
fazendo mais vítimas do que
a peste, a fome e as guerras.
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