BLOG CATÓLICO PARA OS CATÓLICOS.

BLOG CATÓLICO, PARA OS CATÓLICOS.

"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

domingo, 4 de agosto de 2019

A Possibilidade e a Conveniência da Castidade






A Possibilidade e a
Conveniência da Castidade1


Almas, flores murchas; almas perturbadas; almas inocentes. O instinto santificado. Naquelas páginas tão simples e tão belas, tão elegantes e tão doces do Peril des sens,2 – páginas tão embaladoras, que nos parece, ao lê-las, ouvir ruflar asas de Anjos e sentir a suavidade acariciante de brisas frescas, cheias de aromas do Céu –, encontro uma nomenclatura de almas simpáticas, – algumas que por sinal subiram de muito baixo, do fundo de abismos negros e tumultuantes – ouro que andou enterrado em escórias – e provam exuberantemente que o exercício da castidade é possível em todos os estados, a todos os indivíduos e a todas as classes.

Há as almas aviltadas, flores murchas, a quem o mundo cospe os baldões do seu desprezo… e diante de quem se roja, numa incoerência e num cinismo revoltantes, a reclamar prazer…

Chegar um dia em que essas tristes almas – astros apagados no lodo – se desgostam entranhadamente de si mesmas, e, pouco a pouco, se sentem conquistadas pela beleza dominadora e irresistível de Deus.

Correm, então, pressurosas, como fez a Madalena, – almas resgatadas, carnes redimidas – e lançam-se aos pés do Redentor, banhando-os de lágrimas, ungindo-os de beijos e de perfumes, enxugando-os com os cabelos, – a oferecer humildemente a homenagem de um coração despedaçado pelo arrependimento, cheio da fidelidade garantida por muita desilusão, por muito desengano…

E permanecem, transformadas e fortes, não se afastando jamais da Cruz, – verdadeira âncora salvadora no mar proceloso em que eram náufragas.

Há outras almas, perturbadas pela sedução, pelo artifício do pecado. Sentem o atrativo estonteante do vício; e, sem se deixarem cair, são o ludíbrio constante das inquietações horrorosas, que o delírio da imaginação e dos sentidos produz. Suspensas entre Deus e o mal, são almas hesitantes.

Imitam constantemente a Pedro: juram agora fidelidade; e, logo, negam a Cristo, abraçando o partido dos seus inimigos… que são os inimigos da alma.

Mas, como Pedro, rapidamente encontram o olhar doloroso do Mártir divino; e, confundidas, horrorizadas na consideração do crime que andavam a cometer e das vergonhosas preferências a que desciam, acolhem-se ao terno abrigo dos braços da Misericórdia – sempre abertos ao Pródigo desenganado – e encontram delícias íntimas, – que são divinos reconfortantes – em partilharem dos Seus martírios: tentações diabólicas, solitárias agonias, injustiças, ingratidões, irrisões, desprezos, desamparos, privações horríveis: maceradas sempre de ultrajes e angústias; mas nesta via de amarguras, por vezes incomportáveis, erguem sempre o olhar para o alto, para a Cruz – única esperança firme que lhes resta, entre tantas ilusões desfeitas.

Finalmente, há almas felizes entre todas as almas, perfumadas e douradas sempre pelo brilho da inocência, consumidas constantemente pelo desejo de Deus, sem jamais ansiarem por outro objeto, que não seja o Amabilíssimo Senhor, que por elas foi crucificado.

Procuram vivamente corresponder-lhe, servindo-O em perpétuo holocausto de sacrifícios, consagrando-lhe todas as suas afeições, todas as suas energias, todas as faculdades e sentidos, sem restrição alguma.

São almas de fogo e como o fogo, subindo sempre, sem jamais se inclinarem para a terra.



“Tudo posso naquEle que me conforta”
(São Paulo aos Filip., 4, 13).

“Como é bela e esplendorosa
a geração casta!
… Ela triunfa perpetuamente coroada”
(Sabedoria 4, 1-2).

____________

Levantam-se clamores altivos, acusando a Igreja de impor uma legislação despótica contra o próprio direito natural, colocando aos ombros da humanidade um peso insuportável.

É a voz dos que deformam o ensino da Igreja, não distinguindo entre Conselhos e Preceitos de Cristo.

A Igreja não condena, jamais condenou o apetite natural, de que o sensualismo é a alteração e o abuso.

A Igreja não desconhece nenhuma das legítimas reclamações da fisiologia humana.

Para a Igreja, o instinto sexual torna-se mau, quando obedece como escravo as indisciplinadas tendências. Torna-se bom, quando se faz dele uso legítimo. E por uso legítimo a Igreja entende o que é regulado pelo Autor da Natureza e pela Razão com que o mesmo Autor nos dotou.

A Igreja eleva a função do instinto sexual a uma alta dignidade, santificando-a até. Reconhece no poder procriador uma honra e uma prerrogativa sagrada, visto que o homem é, por meio de tal poder, associado à Paternidade de Deus, tomando ativa parte nos desígnios da Providência sobre os destinos da espécie.

A Castidade é possível e é útil. E, de inteira harmonia com a ciência imparcial e austera, a Igreja afirma a possibilidade e alta conveniência da Castidade, – a virtude sublime que enobrece e angeliza as criaturas.

A afirmação contrária é um preconceito anticientífico, irreverente e blasfemo.

Não venham dizer, clama Gibergues, que a castidade é contra a natureza.

Também a obediência, a paciência, a caridade, a dedicação, o trabalho, a solidariedade, e a fraternidade, – todas estas admiráveis virtudes são contrárias à natureza, contrárias ao egoísmo de cada um. Mas são belas, convenientes e necessárias.

Utilizam aos outros e a nós próprios.

Combatem os gérmens viciosos e os princípios de morte, que existem entranhados na pobre natureza humana, e desenvolvem todas as aspirações nobres e generosas.

Assim a Castidade.

Só os surdos e os cegos voluntários negam a possibilidade da Continência. A ciência afirma tão peremptoriamente a possibilidade da virtude da castidade, que o sr. Dr. Georges Surbled sustenta que só “os surdos e os cegos voluntários” ousam negá-la.

Se abrirmos o seu magnífico, precioso livro La vie de Jeune homme, veremos, documentalmente provado, que só “os espíritos fortes” estão ainda agarrados às velhas ideias, às banalidades antigas, às calúnias e aos sofismas de um materialismo que passou de moda.

O sr. Dr. Cardia Pires, que foi Guarda-Mor de saúde, em Leixões, publicou, ainda não há muito, na revista do Porto A Medicina Moderna, muitos e bem fundamentados artigos, sustentando, calorosamente, a possibilidade da continência e as suas vantagens incalculáveis; mostrando que “há preceitos higiênicos que favorecem o domínio de nós mesmos na esfera genital” e que “o domínio da sensualidade é uma consequência lógica e necessária da educação da vontade”.

O Lente da Universidade de Coimbra Dr. Daniel de Matos, muitas vezes, na sua própria cátedra, preconizou a possibilidade, a conveniência e a necessidade da castidade.

O sr. Dr. Luís Antunes Serra disse, ainda há pouco, em Coimbra, diante de mestres e condiscípulos da Universidade, em uma conferência importante sobre o assunto: “A medicina não contradiz a verdade cristã; confirma-a até em nome dos clínicos”. E acrescentou… “posso afirmar-vos que não se lê em parte alguma da literatura médica, autenticamente científica, absolutamente nada que vá de encontro à castidade.

Os tratamentos e manuais médicos são, em geral, mudos neste ponto… Se algum diz alguma coisa, é para deitar asneira de pôr os ossos de Charcot em pé.

É o que acontece com o nosso professor Júlio de Matos...”

E referindo-se a um trabalho do sr. Egas Moniz sobre a vida sexual, esclareceu: “Seguiu este professor a sua época, caracterizada pelo ódio gratuito ao Catolicismo, ódio disfarçado com o nome de ciência, mais nada”.

E afirmou categoricamente: “A castidade é a mais sábia medida da higiene moral, social e médica e principalmente terapêutica”.

E concluiu que todo o homem, para cumprir a sua missão social, deve guardar a castidade própria do seu estado e nunca contra as leis da fisiologia humana”.

O Celibato. Em algumas nacionalidades, por exemplo na Holanda, as professoras de instrução primária são obrigadas ao celibato. E, ainda agora, o Conselho Municipal de Londres decidiu que as médicas não sejam admitidas nos hospitais de Inglaterra, desde que venham a contrair Matrimônio.3

E ninguém se escandalize, pois um sábio e ilustre Médico diz, que é necessário, não pode ser nem impossível nem perigoso. E ao mesmo tempo afirma que os males da incontinência são conhecidos e incontestados, mas que os resultantes da castidade são imaginários, são inventados.4

E Fonsagrives confirma, escrevendo que “as estatísticas despidas de toda a prevenção deixam ver que a continência voluntária, em vez de ser perigosa, é antes a origem de grande vigor físico e de grande energia moral”.

O celibato digno, íntegro é, portanto, fecundo em abnegações, em benefícios sociais de toda a ordem.

O Dr. Pedro Filipe Nery Pinto, na sua obra “O Casamento e o Celibato”, escreve a seguinte página muito interessante: “A frutificação das plantas, entre as herbáceas, é sinal da morte próxima e completa.

A frutificação dos vegetais vivazes causa-lhes a morte parcial. Se se promove, mediante bons adubos, a frutificação de plantas bisanuais durante o primeiro ano da sua existência, elas morrem no mesmo ano. Pelo contrário, a reseda de cheiro (minhonete) torna-se lenhosa e vivaz, se lhe cortam as flores antes da formação do grão. Os insetos vivem mais tempo, quando lhes seja embaraçada a união sexual; e muitos, como as borboletas másculas, morrem às vezes logo depois de executado o ato da procriação. O início das funções reprodutoras nos invertebrados, é o prenúncio da sua morte, ao passo que, os vertebrados, em que ela é mais tardia, vivem mais tempo. Nos animais e nos mesmos vegetais vemos, portanto, um – por assim dizer – estado celibatário conveniente para o prolongamento da vida, sem contudo, deixar de haver a reprodução da espécie em geral, para o que não é necessário que todos os seres exerçam as funções da geração.

Pelos dados que a Biologia nos oferece, vemos que a ausência do ato reprodutor parece prolongar a vida nos vegetais e nos animais, e o seu exercício encurtá-la. Como não deve suceder o mesmo com o homem, que pertence a um desses reinos, e havendo em ambos eles identidade de condições? Assim como o homem, apesar do natural instinto de conservação, sacrifica a vida a bem dos seus semelhantes, tornando-se imortal pelo seu heroísmo, até pelo martírio, igualmente pode vencer o instinto da propagação que também não é despótico, nem pode ter mais império que o outro”.

E prova assim, magnificamente, que o celibato não prejudica a vida do indivíduo.

Opinião sem argumento sério – Opinião falsa e perniciosa. O Dr. Dir. Leonel Beabe, professor no Colégio Real de Londres, ensina: “Aqueles que sustentam que, nos casos em que o Matrimônio se torna impossível por causas diversas, é indispensável, por motivos fisiológicos, substituí-lo por outras uniões, esses não baseiam a sua opinião sobre nenhum argumento sério.

Nunca se repetirá de mais que a abstinência e a pureza mais absolutas são perfeitamente compatíveis com as leis fisiológicas e morais, e que a satisfação dos desejos sexuais não se justifica mais pela fisiologia e pela psicologia do que pela moral e pela religião”5

O célebre Dr. Toulouse deseja que os jovens sejam bem educados na ideia de que podem permanecer castos sem perigo. E afirma que é falso e pernicioso dizer-lhes que a função sexual deve ser exercida, sob pretexto de que todos os órgãos têm um destino fisiológico.

E o Dr. Georges H. Napheys, no seu livro La transmission de la vie, calorosamente, energicamente condena as teorias que pretendem fazer derivar qualquer mal de um celibato castamente observado. Considera-as das mais perniciosas doutrinas, sustentadas para servir o mal e para fomentar a pior forma do vício.

Júlio Payot, nA Educação da Vontade, incisivamente chama a essas teorias “pretensos axiomas, que servem para legitimar o triunfo da besta humana sobre a vontade racional”. São palavras textuais da obra de Payot, traduzida pelo sr. Jaime Cortezão.

O mesmo autor diz que os chamados perigos da continência são apenas problemáticos, e que a Igreja tem razão em ver na castidade a garantia suprema da energia da vontade, energia que por sua vez garante ao Padre a possibilidade de todos os outros sacrifícios. Este depoimento é muito interessante e de valor qualificado, por vir de quem vem. Júlio Payot, não é católico, nem o sr. Jaime Cortezão, seu tradutor. São dele ainda estas preciosas considerações:

– “Quando, só em Paris, há dois hospitais para as doenças dessa origem, quando cada ano o número de pessoas atingidas de amolecimento da medula espinhal e de ataxia locomotriz, em consequência de excessos, vai aumentando, é pelo menos irrisório ver o autor de um enorme livro de 1.500 páginas, em 8º, sobre higiene, proclamar que a continência definha a saúde”.

E houve em Portugal um professor que afirmou isso…6

Mas, continuemos a ouvir Payot:

“Não é evidente que o prazer venéreo é ruinoso, e que, ao contrário, a continência dá ao organismo, à inteligência, um vigor, uma plenitude de energia admiráveis?

Ou será que o meio de triunfar dos nossos apetites consista em lhes ceder sempre? Não sabem, até mesmo os principiantes em psicologia, que o caráter essencial dos apetites, quaisquer que sejam, é uma espécie de insaciabilidade, que se exaspera tanto mais, quanto mais facilmente se lhes cede?

Curiosa maneira de reprimir a audácia do inimigo, essa de bater em retirada apenas ele aparece!

É principalmente dar provas de uma grande ignorância do eu, esperar dominar os apetites sexuais por meio de concessões.

Aqui, ceder não é apaziguar, mas exasperar”.7

Não há uma só doença produzida pela castidade, diz Paulo Good e Mantegazza. E, energicamente, o Dr. Paulo Good lança um repto audacioso aos contraditores desta doutrina salutar:

“Desafio-vos a que me encontreis, em toda a história da medicina, entre todos os povos, uma só doença, – ouvi bem! – uma só, que possa ser causada por uma vida continente, uma vida casta.

Os que dizem o contrário fazem pornografia médica, mas são indignos do nome de servidores da ciência”.

O Dr. Paulo Mantegazza, insuspeito de preocupações religiosas, diz que todos os homens e particularmente os rapazes podem fazer experiência dos benefícios imediatos da castidade. A memória é pronta e fiel, o pensamento vivo é fértil, a vontade enérgica, o caráter toma uma firmeza de que os libertinos não têm ideia alguma. Nenhum prisma nos mostra tudo o que nos rodeia sob cores tão celestes como o da castidade, que ilumina com seus raios os menores objetos do Universo e nos transporta às alegrias mais puras de uma felicidade constante, sem sombra e sem decadência.

E também garante que nunca viu uma só doença produzida unicamente pela castidade.

“A castidade não prejudica o corpo nem a alma. A sua disciplina é preferível a todas as outras”, afirma também o Doutor Sir James Paget.

A melhor salvaguarda dos jovens é a castidade. O Dr. Emílio Perier, o célebre fisiologista Dr. Krafft Ebing, o Dr. Acton e Oesterlen, higienista de fama universal proclamam, com sua reconhecida autoridade indiscutível, que a melhor salvaguarda física, moral e intelectual dos jovens é a integral observância da castidade.

O Dr. Oesterlen, com outros médicos afamados que cita, quer que se vulgarize entre a mocidade, a afirmação científica de que todo o rapaz auferirá da continência uma saúde florescente.

O Dr. Gramacho, lente da Faculdade de Medicina, do Porto, – casado, pai de bastantes filhos, faleceu há pouco, tendo mais de noventa anos. Perguntando-lhe alguém o segredo da sua longevidade e saúde constante, o venerando Professor de Medicina referiu ter sido moderado sempre no comer e beber, e também escrupuloso, austero observante da virtude da castidade, em qualquer estado da sua vida.

O Dr. Neisser, professor em Breslau, afirmando que é urgente levantar o nível moral da população, categoricamente propõe a todos que, por qualquer título, são encarregados da instrução e educação da juventude, mostrem a possibilidade da continência. E concluiu por estas palavras textuais:

“Esta científica reação em favor da sã higiene e da velha moral é salutar e preciosa”.

O Dr. Augusto Forel e o próprio Krafft Ebing subscrevem a mesma opinião, sendo esta, aliás, a de todos os clínicos sérios, comenta o prestigioso autor dos Sofismas da Mocidade.

Leão Tolstoi, na primeira página do seu livro Amor e Liberdade, deixou dito: “O homem, casado ou solteiro, deve ser sempre, em todas as ocasiões, o mais casto possível, e não considerar a união sexual como um gozo. Creio que nenhum homem sério e sincero pode pensar de outro modo”.

Barbier, Baudrillart, Agostinho Gemelli, e quantos outros, consagrados apóstolos da ciência e mestres consumados, – todos quantos não sacrificam a preconceitos sectários a verdade científica, proclamam a possibilidade, a conveniência e a necessidade manifesta da castidade.

Mozart e Vítor Hugo – Duas cartas. A necessidade da continência é evidente em todas as idades; mas impõe-se particularmente aos jovens, desde o início da puberdade ao casamento. É verdadeira garantia de uma união sã e fecunda; é simultaneamente a honra dos esposos e a condição da boa harmonia. É sobretudo, o meio de assegurar o desenvolvimento completo do organismo e de fazer atingir, sem dificuldades, a idade adulta, diz o citado autor de “La vie de Jeune homme”.

E, entre provas científicas e históricas, apresenta duas cartas de dois homens notabilíssimos, cartas que devem ser motivo de confusão e de vergonha para muitos.

Mozart, diz, chegou aos 26 anos sem violar a continência e pôde escrever a seu pai esta carta, que é uma honra:

“A natureza fala em mim tão alto como em todos os outros… no entanto, torna-se-me impossível regular a minha conduta pela de muitos rapazes do meu tempo. Por um lado, tenho o espírito muito sinceramente religioso… para me resolver a enganar alguma inocente criatura. Por outro lado, a minha saúde me é bastante preciosa para que a arrisque num comércio equívoco. Assim, posso jurar diante de Deus que, até hoje, não tenho a censurar-me nenhuma queda”.

Vítor Hugo também escrevia à sua noiva, em vésperas do casamento, esta carta em que palpita o sentimento puro, encantador:

“É o desejo de me tornar digno de ti, que me torna severo para com os meus defeitos.

Tudo te devo, e apraz-me repeti-lo.

Se eu mesmo me tenho preservado, constantemente, dos defeitos tão generalizados entre os meus contemporâneos e que o mundo tão facilmente desculpa, não é porque as ocasiões me tenham faltado, mas é porque a tua recordação me tem protegido continuamente.

Graças a ti, tenho conservados intactos os únicos bens que hoje posso oferecer-te: um corpo puro e um coração virgem”.

A Faculdade de Medicina de Cristiânia. A Faculdade de Medicina da Universidade de Cristiânia declara:

“A asserção, proferida recentemente por muitas pessoas e reproduzida nos jornais e nas assembleias públicas, de que uma vida de pureza e moralidade seria prejudicial à saúde, não repousa, segundo as nossas experiências, unanimemente averiguadas, sobre nenhum fundamento”.

A Conferência Internacional de Bruxelas. A Conferência Internacional de Bruxelas, por unanimidade de mais de 300 votantes, declarou:

“Nunca tivemos conhecimento de qualquer prejuízo que, para a saúde resultasse de uma vida absolutamente pura e absolutamente moral. É preciso sobretudo ensinar à juventude masculina que não só a castidade e a continência não são nocivas, mas ainda que essas virtudes são das mais recomendáveis, sob o ponto de vista puramente médico e higiênico”.8

O Dr. Good citando isto, nomeia vários sábios da Alemanha, Bélgica, Brasil, Bulgária, Chile, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Itália, Japão, Noruega, Países Baixos, Portugal, Romênia, Rússia e Suíça, que subscrevem a mesma opinião.

Dr. Serras e Silva. O sr. Dr. Serras e Silva, Professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, ilustradíssimo escritor, uma figura marcante, uma glória inconfundível, – para documentar a afirmativa de que a castidade é possível, altamente conveniente ao indivíduo, à família e à sociedade, baseia a sua argumentação em dados de ciência, – “não a dos sábios improvisados, mas a dos verdadeiros sábios e conscienciosos observadores”, diz S. Exª., e afirma: “Não é portanto, em nome da higiene, nem com os sufrágios da ciência, que se pretende sustentar a tese da castidade absurda e fisiologicamente impossível. Defenda-se, por motivos de sensualidade e de prazer, essa tese dissolvente, porque a ciência não a pode sustentar”.9

D. Antônio Forjaz. E o mesmo ensinou, em duas conferências notabilíssimas em Lisboa, o Lente da Universidade da Capital, sr. D. Antônio Pereira Forjaz, dizendo:

“Newton – a mais elevada produção do espírito humano – no conceito de Lagrange, diante do qual não há direito a ser-se invejoso, como dizia Voltaire, – Newton, irritável, orgulhoso, de forma alguma, cristão modelar, morreu alheio a qualquer impureza.

Podia citar-vos trechos numerosos, colhidos no estudo da correspondência particular dos homens célebres de todos os séculos, por exemplo, na dos insuspeitos d’Alembert e Lagrange, para vos mostrar como o simples grau de cultura é suficiente para anular, às vezes, as solicitações da carne.

Muitos conhecerão o que se passou com um filósofo virtuoso da Grécia – Xenócrates – da escola de Platão.

Laís, prodígio de formosura, que calcara aos pés Aristippes e Diógenes, que desprezara Demóstenes e deslumbrara a dissoluta Corinto, aceitou a aposta de fazer abalar a virtude filosófica de Xenócrates. Recorre aos mais ardilosos expedientes e é, friamente, altivamente derrotada.

Aque, cuja fascinadora beleza mereceu à exigente Grécia um sepulcro faustoso, nos campos da Thessália e um monumento na voluptuosa Corinto, fora vencida, com simplicidade e firmeza, por qualquer coisa de mais forte e de maior: a virtude”.

Xenócrates, entre os filósofos pagãos; Víctor Hugo, entre os homens de letras; Newton, entre os cientistas antigos; Edson, entre os intelectuais de superior engenho; Mozart, entre os artistas, provam exuberantemente a possibilidade da continência, afirmo e concluo com o prestigioso autor citado:

“Se tais figuras puderam resistir às solicitações da carne, como não considerar a tarefa mais leve, o combate menos rude, quando se tenha o Evangelho nas mãos e o crucifixo diante dos olhos…?10

O segredo da possibilidade da continência. A ciência dizendo hoje o que S. Agostinho dissera já no princípio do IV século. E aqui está, finalmente, o segredo da possibilidade da continência, – a mais elevada, a mais perfeita mesmo.

A pureza, é uma doce realidade – viva e reconfortante, porque o Sangue do Calvário purificou as almas e elevou-as, dando aos homens uma energia nova, energia prodigiosa, porque é sobrenatural, porque é divina.

Como disse um escritor, um dia: “César, talvez só com dificuldade encontrasse cem virgens em toda a vastidão do Império; se vivesse hoje, encontra-las-ia aos milhares me toda a redondeza da terra, onde reina o Sacrossanto lábaro da Cruz, o símbolo da Religião Augusta do Divino Crucificado”.11

A Igreja, ao fixar o esplendoroso cortejo dos seus filhos, que desveladamente cultivam a flor branca e mimosa da Pureza, pode cantar, em arroubos de entusiasmo, a saudação do livro da Sabedoria: Ó quam pulchra est casta generatio cum claritate…

– “Oh! Como é bela a geração dos castos, no esplendor da virtude! Imortal é a sua memória, porque é conhecida de Deus e dos homens. Quando ela está presente imitam-na; depois de perdida, deixa saudades; triunfa na eternidade, coroada com o prêmio dos seus combates sem mácula”.12

Uma blasfêmia. E os que, numa estólida soberba, em um orgulho obstinado, proclamam legítimas as reclamações desordenadas da natureza decaída, implicitamente consideram a Deus um monstro perverso, um tirano odioso, que oprime e tortura as suas criaturas, comprazendo-se no martírio delas, sarcasticamente, porque lhes impõe Mandamentos impossíveis de cumprir. Considerar assim a Deus Nosso Senhor um tal carrasco, é uma irreverência inaudita, é uma blasfêmia sem nome.

Por isso, o Concílio de Trento fulminou de anátema, a quem disser que os Preceitos de Deus são impossíveis de guardar, mesmo ao homem justificado e com o auxílio da Graça.

Os servos maus continuamente vão repetindo o non serviam, que é o brado sacrílego de Lúcifer; mas, em um amplexo admirável, surpreendente e majestoso, em uma perfeita harmonia empolgante com a Religião, a Ciência e as Letras proclamam a grandeza e a bondade de Deus para conosco, – afirmando hoje, pela alta palavra dos seus mais eminentes representantes, a verdade que Santo Agostinho, – o Grande Doutor da Igreja – enunciou há tantos séculos, isto é: que “Deus jamais ordena coisa alguma que não seja para o maior bem daqueles a quem transmite as suas ordens”.13

A Lei e a Graça. É certo que alguns esmorecem, desanimam, na consideração das forças próprias, – mesquinhas e falazes.

Mas o Santo Doutor explica ainda: “a lei foi dada para pedirmos a graça, e a graça nos é concedida para podermos observar a lei”. De modo que podemos concluir com S. Paulino: “Deus não impõe Mandamentos senão para nos conceder a graça de nos recompensar”.

A recompensa. A intuição de Deus. E, no sopé da montanha sobranceira ao Lago de Tiberíades, erguendo o olhar para o alto – para Jesus que fala à multidão, envolvido em aromas e em brisas suaves, escutamos atentamente a doçura meiga, infinita da voz divina:

Bem-aventurados os puros, os castos, porque verão a Deus.

Ah! Ver, gozar a intuição do resplendor da Luz Eterna de Deus! Mergulhar-se a alma naquelas torrentes de delícias inefáveis, – enebriada eternamente, absolutamente!…

É a promessa consoladora e bendita de Jesus, – a Verdade que jamais falta.

E o condicionamento da ventura suprema, – a eterna felicidade de ver a Deus – é a pureza, a castidade.

As almas sublimadas no exercício desta virtude incomparável, serão como lírios frescos, brancos, rescendentes, transplantados para o Céu.

E muitíssimas, – as que aparecerem “sem mácula diante do trono de Deus” seguirão por toda a parte o Cordeiro, cantando um hino tão suave e estranho – um cântico novo –14, de harmonia tão embaladora e alta, que as outras almas eleitas não poderão acompanhar, nem compreender.

Fonte: Ensaio intitulado "Sodomia - Pederastia - Homossexualismo", neste endereço: https://onedrive.live.com/?id=8278C2ED5B87800A%21206&cid=8278C2ED5B87800A

________________
1Rev. Pe. Silva Gonçalves, “Lutas do Espírito e da Carne”, Cap. I, pp. 57-81. Depositários Raúl Guimarães & Gualdino Correia, “Casa do Globo”, Braga/Portugal, 1926.
2A. M. Rouillon – Le Perit des sens, pág. 18.
3Nota do Compilador: Provavelmente nos dias atuais, essas Normas e Realidades não estejam mais em vigor.
4Celibat et mariage – Georges Surbled.
5Citado na “Higiene e Moral” do Dr. Paulo Good, p. 108.
6Foi o sr. Dr. Egas Moniz que, à mercê dos preconceitos da época, apostolizou incoerências impróprias de um verdadeiro homem de ciência, dando origem a muitas abjeções e torpezas inomináveis.
7Júlio Payot. – “A Educação da Vontade”, p. 121.
8Citadas estas declarações nos livros dos ilustres Médicos Georges Surbled – La vie de Jeune homme, e Panlo Good – Higiene e Moral, e em alguns outros por mim consultados.
9O Catolicismo e a Higiene, p. 27; 1922.
10Sofismas da Mocidade.
11Coleção “Ciência e Religião” – vol. XXXI, p. 65.
12Livro da Sabedoria IV, 1, 2.
13Apud Spirago, Catecismo Católico Popular, na 1ª pág. da 2ª Parte, na “versão feita sobre a tradução francesa do Padre N. Delsor, por Artur Bivar, Doutor em Filosofia pela Universidade Gregoriana.
14Apocalipse – XIV.

sábado, 20 de julho de 2019

LADAINHA EM LOUVOR DE NOSSO SANTO PAI ELIAS.



Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.

Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.

Deus, Pai celestial, tende piedade de nós.
Deus Filho, Salvador do mundo, tende piedade de nós.
Deus, Espírito Santo, tende piedade de nós.
Santíssima Trindade, que Sois um só Deus, tende piedade de nós.

Santa Maria, rogai por nós.
Santa Mãe de Deus, rogai por nós.
Santa Virgem das virgens, rogai por nós.
Rainha e Esplendor do Carmelo, rogai por nós.

Santo Profeta Elias, nosso Pai, rogai por nós.
Santo Pai Elias, primeira flor do Carmelo, Patriarca de toda Ordem do Carmo,
reconhecido pelos santos poderes como Modelo da perfeição religiosa, exímio exemplo de obediência, rogai por nós.
Santo Pai Elias, que, segundo os Santos Padres, guardastes a pureza original, rogai por nós.
Santo Pai Elias, egrégio amante da pobreza, rogai por nós.
Santo Pai Elias, extremado amante da solidão, rogai por nós.
Santo Pai Elias, que passastes vossa vida em rogar constantemente, rogai por nós.
Santo Pai Elias, perseverante na contemplação da Lei do Senhor, rogai por nós.
Santo Pai Elias, inflamado pelo zelo do glorioso Senhor, o Deus dos exércitos, rogai por nós.
Santo Pai Elias, que surgistes qual um fogo, e cuja palavra ardia como um facho, rogai por nós.
Santo Pai Elias, que reconhecestes na aparição da nuvenzinha, cujo orvalho havia de regar o mundo inteiro, o símbolo da Santíssima Virgem, cujo Filho havia de abençoar todos os povos, rogai por nós.
Santo Pai Elias, que fizestes a Deus um sacrifício agradável, rogai por nós.
Santo Pai Elias, favorecido com o dom dos milagres, rogai por nós.
Santo Pai Elias, que três vezes fizestes descer o fogo do Céu, rogai por nós.
Santo Pai Elias, que pela força de vossa oração, três anos e meio fechastes o Céu, e impedistes de cair chuva, rogai por nós.
Santo Pai Elias, alimentado por um corvo no tempo de fome, rogai por nós.
Santo Pai Elias, que multiplicastes a farinha e o azeite da viúva de Sarepta, rogai por nós.
Santo Pai Elias, que fostes o primeiro, que ressuscitou um morto, rogai por nós.
Santo Pai Elias, que fizestes descer do Céu o fogo que devorou o sacrifício e o altar, para confirmar a verdade e confundir os falsos profetas de Baal, rogai por nós.
Santo Pai Elias, constituído por Deus, como muro forte contra os serviços dos ídolos, rogai por nós.
Santo Pai Elias, ardente de zelo, para que se tornasse conhecido o verdadeiro Deus, rogai por nós.
Santo Pai Elias, que não trepidastes em dar a vossa vida pela causa do Senhor, rogai por nós.
Santo Pai Elias, que pela vossa oração de novo abristes o Céu e conseguistes chuva para a terra, rogai por nós.
Santo Pai Elias, que por vossa septenária prece pela chuva, nos ensinastes a perseverar na oração, rogai por nós.
Santo Pai Elias, que, perseguido, pela ímpia Jezabel, pelo próprio Deus, fostes consolado, rogai por nós.
Santo Pai Elias, que, por um Anjo do Senhor, fostes alimentado com um pão celeste, rogai por nós.
Santo Pai Elias, que por força deste alimento, jejuastes e caminhastes 40 dias e 40 noites, até o santo monte de Deus, o Horeb, rogai por nós.
Santo Pai Elias, que ali recebestes o aviso do Senhor, de aceitar Eliseu como Profeta, rogai por nós.
Santo Pai Elias, que separastes as águas do Jordão, com vosso manto, e a pé enxuto passastes por ele, rogai por nós.
Santo Pai Elias, que sempre dirigistes vossos súditos com sabedoria, e sempre lhes fostes um exemplo de perfeição, rogai por nós.
Santo Pai Elias, que fostes assunto ao Céu, num carro de fogo, e deixastes o vosso dobrado espírito de milagres e profecias, com vosso manto, a Eliseu vosso sucessor, eleito por Cristo, para com Moisés, amanhecer no monte Tabor, rogai por nós.
Santo Pai Elias, predestinado para aplacar a ira de Deus, que no fim do mundo voltareis, como Precursor do segundo Advento de Cristo na terra, rogai por nós.
Santo Pai Elias, que, então, fortalecido por Deus, fareis muitos milagres, rogai por nós.
Santo Pai Elias, que com Henoc, lutareis contra o ímpio Anticristo, rogai por nós.
Santo Pai Elias, que derramareis o vosso sangue em nome de Cristo, rogai por nós.
Santo Pai Elias, cujo corpo, insepulto por três dias nas ruas, surgirá da morte, rogai por nós.
Santo Pai Elias, que após vossa ressurreição, fortemente combatereis o gênio do Anticristo, rogai por nós.
Santo Pai Elias, destinado para eternamente reinar com Deus no Céu, rogai por nós.

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós.

Ant. Santo Profeta de Deus, Santo Pai Elias, recorremos a Vós, ouvi a oração dos vossos piedosos servos e servas, a fim de que, ajudados e sustentados pela vossa valiosa intercessão, fujamos dos pecados, inviolavelmente, conservemos a verdadeira fé, e uma vez, por toda a eternidade, cantemos os louvores do Senhor no Céu.

V. Rogai por nós, Santo Pai Elias.
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Oração

Rogamo-vos, Todo Poderoso Deus, que milagrosamente arrebatastes num carro de fogo, o vosso Santo Profeta Elias, nosso Pai, dai-nos pela sua intercessão, que durante a nossa vida, levantemos os nossos corações da terra ao Céu, e, afinal, no Céu, na companhia dos vossos Santos, eternamente, nos regozijemos. Por nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.

COMM. de nosso Santo Pai Elias

Ant. Eis que Eu vos enviarei o Profeta Elias, antes que venha o grande e horrível dia do Senhor. E ele converterá o coração dos pais para os filhos e o coração dos filhos para os pais deles.

V. Conteve o Céu pela palavra do Senhor.
R. E três vezes mandou cair fogo do Céu.

Oremos

Dai, Senhor, vo-lo pedimos, assim como antes da morte comum, levastes ao Céu num carro de fogo, o bem-aventurado Elias, vosso Profeta e nosso Pai; que por intercessão dele, nos façais elevar o espírito, das coisas terrestres para as celestes, e da mesma maneira regozijar-nos com ele na ressurreição dos justos. Por Jesus Cristo nosso Senhor. R. Amém.

Redes Sociais

Continue Acessando

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...