BLOG CATÓLICO PARA OS CATÓLICOS.

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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

DA IMPORTÂNCIA QUE TEM PARA O CATÓLICO, DE CONSAGRAR-SE A NOSSA SENHORA DO CARMO.



Pode-se dizer que o hábito ou o Escapulário seja um meio de Consagração a Maria?

O hábito do Carmo foi desde o início de sua história um meio de consagração a Deus e Nossa Senhora. Os primeiros eremitas do Monte Carmelo consagravam as suas vidas a Deus e à Mãe Santíssima e entregavam-se à contemplação para A honrarem. O Pontífice Pio XII, pediu a todos que vissem no hábito ou Escapulário, um sinal de Consagração ao Imaculado Coração de Maria (Carta pela Comemoração do VII Centenário do Escapulário, em 1950).

Como sinal da Consagração a Maria, deve-se preferir o hábito (Escapulário), ou a medalha?

Quem estiver familiarizado com o simbolismo antigo do vestuário, não pode ter dúvida de que o Hábito ou Escapulário ser preferível à medalha; porque o Hábito, tal como um uniforme ou libré, cobre toda a pessoa e mostra a sua pertença a outrem. A medalha, é aliás frequentemente, um mero substituto do Hábito ou Escapulário. Além disso, está prescrito aos Terceiros, o uso do Escapulário.

O que é que se entende, por Consagração por meio do Hábito?

Por consagração, entende-se que uma pessoa, um local ou uma coisa, deixa de ser posse de homem, para se tornar, de uma maneira especial, propriedade de Deus. Assim, o Padre é escolhido entre os homens, para se tornar Ministro de Deus, e, o Cálice, taça vulgar, é retirado do uso profano, para servir somente no altar. Dessa maneira, na consagração pelo hábito ou Escapulário, tornamo-nos, se assim se pode dizer, propriedade de Maria; tornamo-nos Seus de uma maneira especial e comprometemo-nos a servi-lA sempre.

Poderá a própria vida de Maria servir-nos de Modelo de Consagração?

Maria tinha continuamente a consciência da sua pertença a Deus, e de estar na terra para realizar a Sua Vontade como ela se realiza no Céu. As suas palavras: “Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua Palavra” mostram que era para servir e praticar a Verdade na Caridade que Ela vivia. O Terceiro deve estar repleto dos mesmos sentimentos de espírito e coração em veneração a Nossa Senhora. Embora a nossa dependência d’Ela seja essencialmente diferente da nossa dependência de Deus, sabemos que Ela é a Mãe da Divina Graça e que todos os favores de Deus, mesmo a vida eterna, vem até nós através d’Ela. Servi-lA é reinar.

Deve o Terceiro renovar com frequência a sua consagração a Nossa Senhora?

O Terceiro deverá renovar se possível diariamente a sua consagração a Ela, a fim de alcançar uma dependência amorosa, viva e duradoura.

O que é que se entende por Consagração Total a Maria?

Por consagração total entende-se que a nossa vida inteira deve ser vivida para Maria e que Ela em troca a oferecerá a Deus, enriquecida com os seus próprios méritos e doçura do seu amor.

Para nos consagrarmos a Nossa Senhora serão necessários os dois votos prescritos pela Regra?

Em virtude do Hábito ou Escapulário ser um sinal de consagração a Maria, sua simples imposição, mesmo sem os votos, é já de per si um ato de consagração a Ela.

Sendo assim, qual é o valor dos votos?

O fato de se prestar os votos fortalece a nossa vontade para dar algo a Deus corroborando o motivo. Além disso, dá às nossas boas ações um valor e um mérito particular, tornando-os atos de virtude de religião. Os dois votos da Regra da Ordem Terceira tornam também a nossa consagração a Nossa Senhora mais íntima e mais perfeita.

Espera-se do Terceiro Carmelita que ele ore mais do que o simples Católico?

Sendo a oração o fim primário de toda a vocação Carmelita deverá o Terceiro torná-la a ocupação principal da sua vida. Mais do que qualquer outro católico, deverá ele aprender a arte da oração contínua.1




A Devoção ao Escapulário Carmelitano
é a Síntese Sincronizada
da Mensagem de
Nossa Senhora de Fátima

Nas aparições de Nossa Senhora de Fátima, estão contidas as duas principais devoções marianas que resistiram à dura prova do tempo: A do Rosário e a do Escapulário. Dadas aos homens na Idade Média, trazem-nos ambos privilégios inestimáveis relacionados com a perseverança, a salvação da alma e a conversão do mundo. Sempre foram importantes e atuais, mas com as revelações de Fátima estas devoções tornaram-se ainda mais necessárias e urgentes.

No auge das aparições, no dia 13 de Outubro, enquanto transcorria o grande milagre do Sol visto por mais de 50 mil pessoas, a Mãe de Deus mostrou-se aos pastorzinhos sob a invocação de Nossa Senhora do Monte Carmelo, apresentando-lhes nas mãos o Escapulário. Certamente que, transcorrendo no momento mais alto entre todos os fenômenos passados na Cova da Iria, esta aparição não é um detalhe sem importância. Pode-se concluir até que os privilégios inestimáveis ligados ao Escapulário são parte integrante da Mensagem que nos deixou a Mãe de Deus em Fátima, juntamente com o Rosário e a devoção ao Imaculado Coração de Maria.

De facto, as referências ao Inferno, ao Purgatório, à necessidade de penitência e à intercessão de Nossa Senhora contidas na Mensagem estão em inteira consonância com as promessas anexas ao Escapulário.

Quem deitar atenção sobre o verdadeiro sentido das aparições concluirá naturalmente que o atendimento completo dos pedidos de Nossa Senhora de Fátima impõe que se conheça a importância do dom do Escapulário, e que este seja difundido o mais amplamente possível. Concluirá também, certamente, que o paulatino abandono em que caiu a devoção ao Escapulário deu-se paralelamente ao crescente desconhecimento do sentido profundo da Mensagem da Mãe de Deus.

Assim, na comemoração dos 750 anos da entrega do Escapulário a São Simão Stock, não poderia haver melhor ocasião para os devotos de Nossa Senhora de Fátima trabalharem com denodo a fim de restabelecer o uso deste sacramental que a incomensurável bondade da Mãe de Deus nos legou. Será um grande passo no cumprimento da missão que a Santíssima Virgem confiou a todos os portugueses: estabelecer no mundo a devoção ao Imaculado Coração de Maria.

No ápice das aparições em que Nossa Senhora proclama a verdade da sua realeza, sob a forma do triunfo do Imaculado Coração de Maria, Ela aparece revestida do traje da sua mais antiga devoção – a do Carmo. E, desse modo, realiza uma síntese entre o historicamente mais remoto (O Monte Carmelo), o mais recente (A devoção ao Imaculado Coração de Maria) e o futuro glorioso, que é a vitória e o reinado desse mesmo Coração.

É sinal inequívoco de que o católico zeloso do cumprimento dos pedidos da Mãe de Deus encontrará nesta devoção uma fonte abundante de graças para a sua conversão pessoal e para o seu apostolado, especialmente nestes dias de profunda descristianização da nossa sociedade. Este “Vestido de Graça” fortalecerá a sua certeza de que, ao fechar os olhos para esta vida e ao abri-los para a eternidade, encontrará o seu fim último, Cristo Jesus, na Glória Eterna.2



Carmelita,
Ir. Lúcia de Fátima,
garantiu que o Escapulário e o Rosário,
são inseparáveis.

REDAÇÃO CENTRAL, 13 Jul. 19 / 08:00 am (ACI).- Uma das videntes das aparições da Virgem em Fátima foi Lúcia, que mais tarde se tornou religiosa Carmelita e revelou que Nossa Senhora do Carmo esteve na última aparição, em 13 de outubro de 1917, mostrando que “o Escapulário e o Rosário são inseparáveis”.

Conforme relato recolhido pelo site da ‘Ordem do Carmo em Portugal’, em 13 de outubro de 1917, a Mãe de Deus cumpriu a promessa que tinha feito aos três pastorinhos no mês anterior. Assim, após a aparição da Virgem, apareceram também São José e o Menino Jesus, depois, Nossa Senhora das Dores e, em seguida, Nossa Senhora do Carmo.

Este episódio foi contado pela própria Ir. Lúcia ao Pe. Donald O’Callaghan, O. Carm., em setembro de 1949. Em testemunho à ‘Ordem do Carmo em Portugal’, o sacerdote contou que na visita feita à religiosa, “estava particularmente interessado em saber qual o lugar do Escapulário do Carmo nas aparições de Fátima”.

Ao sacerdote carmelita, Ir. Lúcia contou que Nossa Senhora não lhe falou nada sobre o Escapulário, porém, “dissera-lhe que viria como Nossa Senhora do Carmo, e a sua interpretação era que a devoção do Escapulário agradava a Nossa Senhora, e que Ela desejava que fosse propagada”.

Em seguida, Pe. O’Callaghan narrou ter perguntado à vidente “se ela pensava que a devoção do Escapulário fazia parte da Mensagem de Fátima”, ao que Lúcia respondeu que, certamente, “o Escapulário e o Rosário são inseparáveis”, pois “o escapulário é o sinal da consagração a Nossa Senhora”.

O sacerdote disse ter pedido que a carmelita escrevesse tais palavras, mas, ela afirmou que “só o faria com a permissão do Santo Padre”.

No ano seguinte, em 11 de fevereiro de 1950, o Papa Pio XII convidou a “colocar em primeiro lugar, entre as devoções marianas, o Escapulário que está ao alcance de todos”.

Mais tarde, na festa da Assunção de Nossa Senhora em 1950, Ir. Lúcia voltou a falar sobre a aparição de Nossa Senhora do Carmo e sobre o escapulário ao Pe. Howard Raffterty, O. Carm.

Segundo narrou o sacerdote, Ir. Lúcia ressaltou que, “em muitos livros sobre Fátima, os autores não dão o Escapulário como parte integrante da Mensagem”. “Ah, fazem mal; Nossa Senhora quer que todos usem o Escapulário”, completou a religiosa.

Pe. Raffterty contou ter insistido sobre a questão, por considerar que aquela declaração “não fosse talvez suficientemente claro”. Assim, perguntou novamente: “Mas Nossa Senhora nada disse quando apareceu como Senhora do Carmo. Podemos ter a certeza que Ela queria o Escapulário como fazendo parte da Mensagem, só pelo fato de trazer o hábito vestido e segurar o Escapulário?”.

Ir. Lúcia, então, garantiu que “sim” e afirmou: “Agora já o Santo Padre o confirmou a todo o mundo, dizendo que o Escapulário é sinal de consagração ao Imaculado Coração. Ninguém pode discordar”.

Além disso, a religiosa reforçou que, “sem dúvida, o terço e o Escapulário são inseparáveis”.3




Consagração
a Nossa Senhora do Carmo4


Ó Maria, Rainha e Mãe do Carmelo, venho hoje consagrar-me a Vós.

Tudo o que sou e tudo o que tenho entrego em Vossas mãos!

Vós olhais com especial bondade os que estão revestidos do Vosso Escapulário.

Suplico-vos que fortaleçais com o Vosso poder a minha fraqueza, iluminai a escuridão da minha mente com a Vossa sabedoria.

Aumentai em mim a fé, a esperança e a caridade, para que possa render-vos todos os dias a minha homenagem.

Que o Santo Escapulário atraia sobre mim o Vosso olhar misericordioso.

Traga-me a Vossa especial proteção nas lutas diárias, para que eu possa ser fiel a Vós e ao Vosso Divino Filho.

Possa o Santo Escapulário afastar-me de tudo que é pecaminoso e me lembre sempre o dever de imitar-vos e revestir-me com Vossas virtudes.

Desde já me esforçarei para viver em Vossa presença, ser na vida um espelho da Vossa humildade, caridade, paciência, mansidão e empenho!

Mãe querida, apoiai-me com Vosso constante amor, para que eu, Vosso filho pecador, possa um dia trocar o Vosso Escapulário pela veste celestial e viver convosco e os Santos do Carmelo no Reino do Vosso Filho. Amém!


______________________________

1.  Fr. Kiliano Liynch, O. Carm., “Catecismo da Ordem Terceira do Carmo”, pp. 4-5.

4.  Manual do Terceiro Carmelita – Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo, Sodalício de Campos dos Goytacazes – RJ, Província Carmelitana de Santo Elias, Cap. Orações, p. 273. Assistente Espiritual: Pe. Everaldo Bon Robert, 2010.

sábado, 16 de novembro de 2019

A Piedade na Vida da Mãe de Santa Teresinha


Santa Zélia Martin
e o Amor à Igreja,
e a Eficácia da Oração.1


A nossa Mãe tinha verdadeiro culto pela Igreja, pelo Papa e pelo Sacerdócio em geral. Afligia-se muito por saber que o Santo Padre estava exposto a perseguição e prisioneiro no Vaticano. Do mesmo modo, ficou sobressaltada quando lhe narraram os acontecimentos da Comuna de Paris com o massacre dos reféns. As suas orações pela Igreja e pela França eram então muito frequentes.

Nunca minha mãe criticava o Clero. Em nossa casa não se pensava sequer em falar dos defeitos dos Sacerdotes.

Como já disse, ela seguia à letra os Preceitos da Igreja. Evitava por isso, de comprar e de viajar ao Domingo. Tomava a peito o alívio da Igreja padecente e mandava celebrar Missas pelas Almas do Purgatório. À morte de seu Pai, encomendou imediatamente cento e cinquenta, propondo-se mandar dizer mais.

Quando faleceu sua irmã Maria Dositeia, apressou-se a enviar dinheiro à Visitação para que se mandassem dizer Missas o mais breve possível.

O seu amor pela Igreja levava-a a interessar-se pela Propagação da Fé, para a qual, de acordo com o nosso Pai, dava todos os anos uma esmola generosa. Todas as manifestações de Fé católica a faziam vibrar e os esforços da franco-maçonaria para descristianizar as almas em França, indignavam-na imensamente.

O seu grande desejo teria sido o de dar um Sacerdote ao Senhor, sobretudo um Missionário. Assim, qual não foi a sua alegria quando o seu primeiro Maria José Luís nasceu a 20 de Setembro de 1866! Escrevia ela “julgo completa a minha felicidade”, e dizia a nosso Pai, com admiração: “Oh, como são bem feitas as suas mãos! Como será bonito quando subir ao altar ou quando pregar!”. Pensava já no seu orgulho maternal, na alva em Ponto d’Alençon que havia de bordar para ele.

A criança morreu, e a Mamãe teve o pensamento de lhe pedir a cura de sua irmãzinha Helena, que sofria de uma otite resistente a todos os remédios. A sua petição foi imediatamente atendida como testemunham estas linhas dirigidas a sua cunhada, cinco anos mais tarde: “Um dia, vindo com ela do doutor, que nada me disse de bom, vendo a impotência de todos, tive a inspiração de me dirigir a meu pequeno José que morrera há cinco semanas. Tomo pois a pequena e mando-a rezar a seu irmãozinho. No dia seguinte, o ouvido estava perfeitamente curado. A purgação tinha passado imediatamente e a criança nunca mais sentiu nada. Obtive ainda várias outras graças, mas menos sensíveis que esta”.2

Depois da morte de seu primeiro filho, a nossa Mãe fez uma Novena a São José para ter um outro padrezinho. Nove meses mais tarde, dia a dia, realizou-se o seu desejo, mas para pouco depois perder também este filho querido.

Maria conta nas suas notas íntimas: “Quando a nossa Mãe me levava com Paulina à Visitação de Mans, no momento em que o comboio passava diante do cemitério, ela levantou-se para ver de longe o túmulo de seus anjinhos. Quando não estava ninguém na carruagem, rezava-lhes alto”.

Foi uma graça, obtida do Céu, que não é menor que a relatada mais acima, embora de outra ordem, mas da qual não viu os admiráveis efeitos. Em 1873, escreve às suas filhas mais velhas: “Conto que comungareis ambas em 8 de Dezembro, dia da Imaculada Conceição. Não vos esqueçais de rezar por Leônia”.3

Sabemos como terminou a vida desta criança e como os duros combates foram coroados de magnífica vitória…

Apesar das suas grandes decepções oferecidas a Deus com heroica conformidade à sua santíssima vontade, a nossa Mãe desejou, pelo menos, oferecer os seus filhos à vida religiosa. Lendo a biografia da senhora Acarie, cujas três filhas entraram para o Carmelo, ela deixou escapar este grito de entusiasmo: “Todas as suas filhas Carmelitas! É possível que uma Mãe tenha honra tão grande?”.

Contudo, ela abstinha-se de exercer neste sentido pressões indiscretas, mas criava, em casa, um clima, ao mesmo tempo de piedade e de respeito por tudo o que se referia a Deus. As almas eram espontaneamente orientadas para Ele.

Com Paulina, sua íntima, ela falava disso muitas vezes, confidencialmente, como a uma superiora. Esta recorda-se sempre de suas conversas sobre a coroa branca reservada só às virgens que, seguirão o Cordeiro para onde quer que Ele vá, cantando um cântico novo que as outras não poderão cantar”.4

A nossa Mãe tendo pensado um instante que Maria seria religiosa, abre-se a Paulina e escreve-lhe: “… Não lhe digas isso. Ela julgaria que o desejo e na verdade não o desejo, se não for a vontade de Deus. Ficarei satisfeita contanto que siga a vocação que Ele lhe der”.5

Uma carta, a sua cunhada, faz-nos penetrar a fundo os seus sentimentos acerca disso: “… Apesar do meu vivo desejo de as dar a Deus, se Ele mo pedir, desde agora, estes dois sacrifícios faço-os da melhor vontade, mas não sem custo!”.6

_____________________
1A Mãe de Santa Teresa do Menino Jesus, pela Irmã Genoveva da Sagrada Face e de Santa Teresa, O.C.D., Cap. I, pp. 61-65. Tradução Portuguesa do Prof. Bret Júnior, Livraria Apostolado da Imprensa, Porto, 1960.
2Carta de 17 de Outubro de 1871.
3Carta de 30 de Novembro de 1873.
4Apoc. XIV, 3-4.
5Carta de 5 de Dezembro de 1875.
6Carta de 9 de Julho de 1876.

sábado, 2 de novembro de 2019

A ORAÇÃO PELOS MORTOS.



Saudade e Oração

Não julguemos que lembrar nossos mortos é ter apenas deles uma saudade que aos poucos vai decrescendo em intensidade, à medida que passam os anos. Chorar nossos mortos e perpetuar-lhes a lembrança no mármore, na tela, no livro é permitido, sim. Porém, não fiquemos só nisto. Juntemos à saudade a oração. Não basta chorar, precisamos orar. E nunca se precisa tanto de oração como depois da morte. No Purgatório as pobres almas estão como o paralítico da piscina que dizia a Jesus: Hominem non habeo! Senhor, eu não tenho um homem que me lance na piscina para ser curado.

Dependem aquelas almas santas de nossos sufrágios, de nossas orações e sacrifícios. Deus as entregou à nossa caridade. Sempre é eficaz a nossa oração pelas almas.

É infinitamente mais útil e eficaz a oração pela libertação dos defuntos que padecem no Purgatório, que a oração pelos pecadores da terra, cuja perversidade e más disposições paralisam os esforços para os salvar. As santas almas não põem obstáculos algum à eficácia das orações que por elas fazemos”. Tal é a opinião do piedoso oratoriano Pe. Faber.

Juntemos à nossa imensa saudade dos mortos nossos queridos, a oração e sempre a oração.

Escreveu o Pe. Sertillanges: “A lembrança dos mortos sem a oração, é uma lembrança fria, um triste pensamento. É uma exploração do nada. Porém, com a oração, é um vento que sopra em direção a Deus, é uma ascensão nas asas da esperança”.1

Oremos pelas almas benditas que padecem no Purgatório! Demos-lhe a esmola de nossas preces fervorosas e da riqueza das indulgências do tesouro da Igreja.

Dizia São Francisco de Sales: “Vós que chorais inconsoláveis a perda de vossos entes queridos, eu não vos proíbo de chorar, não! Chorai, mas procurai adoçar vossas lágrimas com o suave bálsamo da oração que muito mais do que todas as demonstrações exteriores de pesar, pode concorrer para aliviar as almas que a morte vos arrebatou”.

Esta é também a linguagem da Igreja, nossa Mãe. Não proíbe nossas lágrimas. É tão humano chorar! Todavia não fiquemos tão só num pranto nossas orações. Saudade e oração. Choremos nossos mortos como cristãos verdadeiros.

Meio Fácil

Sim, é o mais fácil dos meios de socorrer os mortos, a oração. Alguns podem achar difícil o jejum, ou a mortificação, podem se queixar da pobreza que não lhes permite dar esmolas, mas quem pode se escusar e desculpar-se de não poder orar?

A mais curta oração feita com as devidas disposições é um alívio para os fiéis defuntos. Quem não pode bradar: dai-lhes, Senhor, o descanso eterno!

Fez Nosso Senhor tantas promessas à oração! “Pedi e receberei, batei e se vos há de abrir. É preciso sempre orar”. A oração de Marta e Maria leva Jesus a ressuscitar Lázaro. Nossas preces pelos defuntos hão de tirar as pobres almas daquele estado de morte em que se encontram.

As lágrimas, as flores, os mausoléus pomposos nada aproveitam aos mortos. É melhor rezar por eles. “Poupai vossas lágrimas, dizia São João Crisóstomo, pelos defuntos e dai-lhes mais orações”. Escreve Santo Ambrósio numa das suas cartas a Faustino, que acabava de perder a irmã: “É preciso assistí-la com orações mais do que chorá-la, e convém recomendar a sua alma muito a Deus na oração. Chora menos e reza mais”.

Repitamos também esta recomendação a tantos que choram seus mortos sem se lembrarem de uma prece, de uma Santa Missa, de uma obra de caridade para sufragar-lhes as pobres almas. Quantas orações tão belas e eficazes e poderosas para o sufrágio dos nossos mortos! O Padre Nosso, a Ave Maria, o De Profundis, o Ofício dos mortos. A Igreja, nossa Mãe, nos dá exemplo de oração pelos defuntos. Termina muitas vezes as suas preces litúrgicas como as Horas canônicas pela súplica tocante: “Fidelium animae per misericordiam Dei requiescant in pace”. E as almas dos fiéis pela misericórdia de Deus descansem em paz! Desde os tempos primitivos, e já nas catacumbas, a prece pelos defuntos era conhecida e praticada na Igreja. Encontram-se nas pedras inscrições como estas: Vitório, que Deus refrigere o teu espírito! Antônia, doce alma, que Deus te dê o refrigério! Que Cristo te ponha na paz! Que tua alma repouse em Deus! Sempre as súplicas a Deus pedindo refrigério, luz e paz para os mortos. É muito agradável a Deus a oração pelos mortos.

Um dia, Santa Gertrudes rezava com fervor pelos defuntos, quando Nosso Senhor lhe fez ouvir estas palavras: “Eu sinto um prazer todo especial pela oração que Me fazem pelos fiéis defuntos, principalmente quando vejo que à compaixão natural se junta a boa vontade de a tornar mais meritória. A oração dos fiéis desce a todo instante sobre as almas do Purgatório como um orvalho refrigerante e benéfico, como um bálsamo salutar que adoça e acalma suas dores e ainda as livra das suas prisões mais ou menos rapidamente, conforme o fervor da devoção com que é feita”. Noutra ocasião, disse Nosso Senhor a sua serva querida: “Muitíssimo grata Me é a oração pelas almas do Purgatório, porque por ela tenho ocasião de libertá-las das suas penas e introduzi-las na glória eterna”.


Oremos pelos fiéis defuntos!

Sim, já que a oração é tão poderosa para socorrer os mortos, aliviar as penas das pobres almas, vamos em socorro do Purgatório! “A oração da alma fervorosa, diz São Bernardo, sobe até o Céu e de lá não desce sem ser ouvida. Se pede amor de Deus, vem dele cheia; se pede humildade, esta logo a vem adornar; se pede a libertação das almas do Purgatório, tem igualmente todo poder para alcançá-la”.

São João Damasceno escreve: “Não vos poderia narrar tantos testemunhos encontrados na vida dos Santos pelos quais se provam claramente as vantagens da oração que se fazem pelos defuntos! Não é em vão que se reza pelos mortos”.

Todas as orações são úteis para as almas, mas algumas mais do que outras. Por exemplo, as orações canônicas do Breviário ou Divino Ofício são muito mais valiosas e eficazes. Que valor não terá uma prece oficial da Igreja pelos mortos! Depois, aproveitemos o tesouro da Via Sacra, acompanhando os Mistérios Dolorosos da Paixão do Salvador e oferecendo o Preciosíssimo Sangue para refrigério do Purgatório. Que dizer do Rosário? Que tesouro da Igreja padecente!

Apliquemos todas as indulgências do Rosário pelas almas. Uma jovem libertada do Purgatório pelo Rosário de São Domingos, apareceu a este servo da Virgem e lhe disse: “Em nome das almas do Purgatório eu vos conjuro, pregai por toda parte e fazei conhecer a toda gente a devoção do Rosário. Que os fiéis apliquem às pobres almas as indulgências e os outros favores espirituais desta devoção tão santa. A Santíssima Virgem e os Anjos e Santos se alegram com o Rosário, e as almas libertadas por ele rezam no Céu pelos seus libertadores”.

Façamos Novenas e orações em comum pelos mortos, principalmente logo depois que deixarem eles este mundo. Há o piedoso costume de se fazer uma Novena pelo falecido, começando logo no dia seguinte ao da morte ou do enterro. Durante nove dias se reúne a família em torno de um altarzinho para implorar a misericórdia do Senhor pelo defunto. Multipliquemos fervorosas preces pelos nossos mortos queridos e pelas almas mais abandonadas. “Minha filha, dizia certa vez Nosso Senhor a Santa Lutgarda, não posso resistir às tuas súplicas. A alma pela qual pedes logo estará livre dos seus sofrimentos”. Ó, não será esta a resposta que nos dará Nosso Senhor também, se orarmos com todo fervor de nossa alma, com toda caridade pelos defuntos?

Um santo Bispo, conta Rossingnolli em suas Maravilhas do Purgatório, um santo Bispo teve um sonho. Viu uma criança que com um anzol de ouro e uma linha de prata retirava uma mulher de um profundo poço. Acordou, abriu a janela e viu no cemitério, que lhe estava no fundo da casa e vizinho, um menino tal como o que viu em sonho, ajoelhado junto a um túmulo, em oração.

Que faz aí, menino? Perguntou-lhe o Bispo.

Eu rezo um Padre Nosso e um De Profundis pela alma de minha mãe, que aqui está sepultada.

Entendeu logo o santo Prelado que a oração singela do pequenino era o anzol de ouro e o Padre Nosso e o De Profundis o fio misterioso que vira em sonho. Tal é a nossa oração pelos mortos.


EXEMPLO

Santa Margarida de Cortona
e as Almas do Purgatório

A grande pecadora que foi Margarida de Cortona e que convertida veio a ser a Madalena dos últimos tempos, pela admirável penitência e a grande santidade a que chegou, era uma grande devota das santas almas do Purgatório. Desde que se converteu dedicou-se, cheia de caridade, a socorrer as almas sofredoras. Nosso Senhor lhe permitiu ver muitas vezes a triste condição destas almas para lhe excitar a compaixão e interceder por elas. Dois negociantes foram assassinados, e por misericórdia de Maria Santíssima, da qual eram fervorosos devotos, alcançaram uma contrição perfeita na hora derradeira e se salvaram. Apareceram à Santa e lhe disseram:

– “Escapamos da eterna condenação pela especial proteção de Maria Santíssima. Mas teremos que padecer um horrível Purgatório para expiar nossas injustiças e mentiras e pecados. Ó Serva de Deus, nós vos pedimos que mandeis avisar nossos amigos e parentes que façam restituições de nossos maus negócios e deem muitas esmolas aos pobres em paga de nossas injustiças. Ajudai-nos, Margarida, com vossos sufrágios”.

A Santa se empenhou muito com orações e penitências em socorrer estas pobres almas. E assim fazia sempre que Nosso Senhor lhe revelava a necessidade e as aflições de algumas almas do Purgatório. Quando faleceu o pai da Santa penitente, ofereceu ela por aquela alma querida muitas orações e toda sorte de sufrágios, penitências e santas Comunhões.

Deus Nosso Senhor lhe fez conhecer que as suas orações aliviaram as almas do seu pai e da mãe, e que tiveram muito abreviados dias de Purgatório.

Também ao saber da morte de uma criada, Gillia, que durante muito tempo ficou com ela, Margarida não cessou de recomendar esta alma da pobrezinha a Nosso Senhor. Foi-lhe revelado que a criada ficaria no Purgatório apenas até a festa da Purificação de Nossa Senhora e logo seria levada ao Céu pelos Anjos.

Na hora da morte, Santa Margarida de Cortona viu uma multidão de almas com esplendor da glória do Céu que vinham ao encontro da sua benfeitora, cheias de gratidão. Era a recompensa da sua dedicação e devoção às Almas do Purgatório.



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Fonte: Mons. Ascânio Brandão, “Tenhamos Compaixão das Pobres Almas! – 30 Meditações e Exemplos Sobre o Purgatório e as Almas”, 14 de Novembro, pp. 109-115. 2ª Edição, Editora Ave Maria Ltda, São Paulo/SP, 1956.

1.  Le probléme de la prière. Revue de Jeunes – Nov. 1915.


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