BLOG CATÓLICO PARA OS CATÓLICOS.

BLOG CATÓLICO, PARA OS CATÓLICOS.

"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

sábado, 3 de abril de 2021

A VIRGEM MÃE, AO PÉ DA CRUZ DE JESUS.

 

Breves Considerações

1.1 “… Enquanto os príncipes dos sacerdotes, os doutores, os soldados e a populaça mofavam da Realeza de Jesus e se fartavam de O ver padecer, veio de súbito um espetáculo novo lançar o assombro no meio daqueles deicidas. À hora do meio-dia, quando o sol brilhava com todo o seu fulgor, o Céu, até então puro, tornou-se sombrio e ameaçador. As nuvens, cada vez mais espessas, cobriram o disco do sol, e pouco a pouco, difundiram-se as trevas pelo Gólgota, por Jerusalém e por toda a terra. Era a noite misteriosa profetizada por Amós: ‘Naquele dia extinguir-se-á o sol em pleno meio-dia e no meio da mais viva luz invadirão as trevas o mundo’.2 Deste modo respondia Deus aos insolentes reptos dos Judeus: o sol ocultava-se para não ver o crime deles; e a natureza inteira cobria-se com um véu de luto para chorar a morte do Criador.

Naquele mesmo instante, emudeceram os blasfemadores e sobre o Calvário começou a reinar um silêncio de morte. A turba, desvairada, fugiu a tremer; os próprios chefes do povo, entrevendo qualquer vingança divina, desapareceram uns após outros. E só ficaram no monte os soldados romanos incumbidos de guardar os supliciados, o centurião que os comandava, alguns grupos isolados que deploravam no íntimo da alma o crime cometido pela nação, e as Santas mulheres que rodeavam a Virgem Maria. Até àquele momento, os soldados tinham-nas contido a distância, mas então aproximaram-se da Cruz. Ao clarão sanguíneo do Céu meio velado, podia-se ver o Corpo lívido de Jesus e o seu rosto contraído pelo sofrimento. Os olhos permaneciam-Lhe fixos no Céu; e os lábios entre abertos murmuravam uma prece.

Junto de Maria, Mãe de Jesus, estavam João, o Apóstolo amado, Maria de Cléofas e Salomé, mulher de Zebedeu. Maria Madalena, toda submergida na sua dor, tinha-se lançado aos pés da Cruz e com ela abraçada derramava abundantes lágrimas. Baixou Jesus os seus divinos olhos para aqueles privilegiados do seu Coração. E os seus olhos encontraram-se com os da sua Mãe, que não se desviavam d'Ele um instante. Viu-Lhe o martírio interior e como a espada da compaixão, profetizada pelo Santo velho do templo, Lhe perpassava a alma até ao mais íntimo. E julgou-A digna de cooperar no ato da Redenção, como tinha cooperado no ato da Encarnação; e não contente com dar-Se a Si mesmo, levou a bondade ao ponto de nos dar sua Mãe.

João estava chorando aos pés da Cruz. Chorava ao seu Bom Mestre, pois, posto que tivesse ainda vivos os seus pais, sem Jesus, o Deus do seu coração, julgava-se órfão. Não pode Jesus ver, sem comover-Se, as lágrimas do Apóstolo misturados com as lágrimas de Maria. Dirigindo-Se pois à divina Virgem, disse-Lhe: ‘Mulher, eis aí o teu filho’. Aquele filho, que Ela dava à luz entre lágrimas, representava a humanidade inteira resgatada pelo Sangue divino. Jesus entregava-a à Nova Eva, encarregando-A de transmitir a vida a todos aqueles a quem a primeira dera a morte; e desde aquele momento sentiu Maria que o Coração se Lhe dilatava e enchia do mais misericordioso amor para com todos os filhos dos homens.

Dirigindo-Se depois Jesus a João, mostrando-lhe com a vista a Virgem desfeita em pranto: ‘Meu filho, disse, ei aí a tua Mãe!’ E desde aquele dia, João amou-A e serviu-A como a sua própria mãe. E desde aquele dia também, todos aqueles a quem Jesus iluminou com a sua graça, compreenderam que para ser verdadeiramente membros de Jesus Crucificado, é preciso nascer daquela Mãe espiritual que o Salvador criou no Calvário”.



2.3 De pé, junto à Cruz de Jesus, estavam Maria sua mãe, Maria, mulher de Cléofas e Maria Madalena.

Jesus, vendo sua mãe e junto dela o discípulo que amava, disse a Maria: Mulher, eis aí teu filho.

Depois, disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E desde aquela hora o discípulo tomou-a consigo.

E Jesus viu então que estava tudo consumado.4

Era a consumação da fidelidade da parte de João… Da parte de Deus, foi a consumação da munificência: dera tudo que Lhe restava. ‘Mas o que pode Ele ainda dar, interroga Bossuet, nu despojado como está, pobre escravo que nada mais tem de que possa dispor por testamento? De qualquer lado que volva os olhos, Jesus nada mais vê que Lhe pertença. Engano-me, vê Maria e São João, que aí estão para Lhe dizer: Nós Vos pertencemos! É isso tudo que Lhe resta, e Ele os dá um ao outro: Oh, João, eu te dou Maria e te dou ao mesmo tempo à Maria… Maria é de São João e João é de Maria… Tudo o que havia de respeitoso e terno no amor para com sua Mãe vai viver no coração de João. Aquele que desvia os corações como quer, cuja palavra é poderosa e opera neles tudo o que lhes diz, faz Maria mãe de João, e João filho de Maria’.5 Que honra, meu Deus, exclama Teofilato, João, o discípulo de Jesus, tornou-se seu irmão! Por isso, é bom chegar-se ao pé da Cruz, e ficar com Jesus Cristo quando Ele sofre!’6

Mas o legado divino não se limitava ao discípulo. Dirigia-se ao mundo, e com o nome de São João abrangendo toda a Igreja, dava Ele uma Mãe à família das almas, cujo Pai estava no Céu. João é o primogênito dessa família adotiva que há de contar tantos filhos; e quando em todos os pontos da terra cristã florescer a piedade filial para com a Mãe de Deus, da qual tem saído tantas graças virginais e tão fortes virtudes, ter-se-á que subir até João para achar o princípio e o modelo…

Os ricos na terra têm um amigo que, antes de morrer, designam para que, por seu intermédio, a herança chegue inteira a seus filhos. Quem será aqui escolhido para ser o testamenteiro de Jesus? Maria está também de pé ao lado desse altar da imolação, donde toma para Si todas as dores, todas as graças para nós. Mas a intercessora celeste da graça não é o ministro; é por disposição divina que Ela deve passar pelas mãos consagradas de um homem para chegar aos homens.

Este homem será o Sacerdote, e o Sacerdote aqui tem um modelo em São João. Tal é a ordem da salvação e a Hierarquia no serviço das almas. Nem uma gota de Sangue cairá de um altar, nem uma graça fluirá de um Sacramento divino, sem primeiro passar pelo Coração de Maria e pelas mãos do Sacerdote. Assim: a Cruz plantada na terra perto do Céu, nesta Cruz, Jesus; aos pés de Jesus, Maria; perto de Maria, São João; em São João, o Sacerdócio; depois mais em baixo, no vale, a multidão levantando os olhos ao Céu donde lhe deve vir o socorro: não há imagem mais completa da economia de nossa Redenção”.



3.7 Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste? Exclamou Jesus Cristo pendente da Cruz; exclamação de angústia, exclamação que abalou as abobadas do Céu, e fez em pedaços o Coração de Maria. Sucumbe seu caro Filho à dor moral (a mais cruel de todas as dores), porque se sente desamparado de Deus e dos homens. Onde estão os seus discípulos queridos, e que hão feito para salvá-Lo do furor dos Judeus? Se por serem fracos e em pequeno número O não puderam defender, porque O não acompanharam para morrer juntamente com Ele, ou pelos menos para rodear-Lhe o fúnebre leito, e suavizar-Lhe os últimos momentos com mil demonstrações de amor?

Fugiram, deixaram ao desamparo seu Pai e Redentor. Há, porem, duas pessoas que não se afastam de Jesus, primeira, sua Mãe e depois o discípulo amado. Maria ao pé da Cruz sofre mil mortes; a dor que Ela experimenta não é dessas que se exalam em palavras, em lágrimas e em delíquios, mas sim grande, profunda, e sublime como o era o seu amor. Pregam-se os olhos da aflita Mãe nos do Filho, e neles leem o extremo de sua dor, e dizem também o quanto sofre, e sua muda eloquência penetra a alma de Jesus; Ele a vê engolfada em mares de amargura. Sim, Jesus que se abrasava em amor pelos homens até no meio de sua agonia, olhava para toda a parte, e não deparava senão com ingratos, e com algozes. Talvez encontre no futuro motivos de consolação, vendo o universo sujeito as sua leis? Mas ai! A presciência do Homem-Deus evoca do nada em que jazia o deplorável porvir, e eis que Ele se lhe apresenta, e põe patente a seus olhos as gerações que a torrente dos séculos há de fazer passar de carreira pela terra. Deus meu! Que é o que haveis visto? Vossa Cruz triunfante bem que ensopada no Sangue de infindos Mártires, profanada e deitada por terra num acesso de furor pela impiedade, ou deixada ao desamparo pela indolente indiferença do nosso século. A morte do Justo não tem de ser útil à salvação senão de um pequeno número de homens, e uma multidão sem conta de ímpios e de pecadores hão de ser precipitados nos abismos que se dilatarão para poder recebê-los. Que pai poderia, sem se lhe abalarem as entranhas, ver o filho entregue às chamas eternas? Que boca eloquente deparará com termos enérgicos para pintar a desesperação do cristão, que vê que o Demônio lhe rouba o que ele mais que tudo neste mundo amava? Pelo mesmo teor vendo o nosso Redentor seus filhos gerados com tanto amor e com o seu Sangue resgatados estarem brincando nas bordas do precipício, sem se lembrarem das penas eternas senão quando elas os cercam, estremece e verte a última lágrima de envolta com a última gota de seu Sangue, e abrevia-lhe mais a vida o pesar que disto lhe assiste, que o suplício a que seus inimigos O entregaram.

Vendo o nosso divino Redentor abandonado dos seus, e negado por Pedro, quem há aí que não se sinta abrasado em uma justa indignação contra a covardia de seus discípulos? Esta falta expiaram-na eles com torrentes de lágrimas, e sacrificando quanto sangue tinham ao triunfo da Santa causa. Mas nós, cristãos covardes que desamparamos a causa de Deus com o primeiro motejo do ímpio; que não temos ânimo de proclamar publicamente a Cristo por nosso soberano e exemplar, que é o que fazemos para expiar tão longa apostasia? Que reparação oferecemos pela ofensa de uma indiferença que se converteu em hábito e passou a ser sistema? Ah, abrasemo-nos em cólera contra nós mesmos, e tenhamos inveja dos remorsos do Príncipe dos Apóstolos, de sua penitência, e de sua heroica morte.

Que confusão seria a nossa, se pudéssemos lembrar de todas às vezes que renegamos o nosso Redentor, já não nos atrevendo a trazer a sua libré, já envergonhando-nos de cumprir à risca com os seus Preceitos, já enfim, voltando as costas ao indigente, ou ao que se lastima, como se não soubéssemos que Jesus Cristo folga de se disfarçar em pobre trajo? Fugia por ventura dos desgraçados o Divino Mestre? Não parou enternecido à porta da viúva de Naim? Não se apressou de ir à casa de Marta e de Maria porque estavam consternadas da morte do irmão? Aproximando-se do jazigo onde dormia em eterno sono o caro amigo, não se sentiu profundamente comovido ao ponto de se lhe arrasarem em lágrimas os olhos?… Lágrimas preciosas, regai-me o coração, enternecei-o e ressuscitai-o a graça. Vós correis dos olhos do Salvador à vista do jazigo de um simples mortal, e os meus estão secos em presença da Cruz! Que causa motiva tão monstruosa indiferença? Já a descubro, não me tenho alimentado da imitação da vida de Jesus Cristo, e de sua morte tão cruel, como sublime. Pode-se por ventura amar aquele em quem nunca pensamos, e que imperfeitamente conhecemos? E nestas criminosas indolências se deslizam-me os dias. Sei vagamente que existe um Deus, e tributo-Lhe uma homenagem fria e puramente exterior. Deslumbrados com o vão esplendor do mundo mal, podem meus olhos ver a luz divina através das sombras em que se esconde para conhecer e adorar Àquele que por mim morreu. Não há de ser assim de hoje em diante, meu Salvador, e meu posto será ao pé da Cruz; dela aprenderei que é indispensável o sofrer, e convertido serei grande nas desgraças. Sim, farei glória de que me julguem digno de ter quinhão em vossas inefáveis dores, de carregar também com essa Cruz que é o cetro do mundo, a esperança do pecador que se arrepende, e o terror dos ímpios. Oh, nunca mais vos deixarei, Cruz augusta, banhada no Sangue de Deus, e iluminada com os raios de sua glória. Mas quão poucos são os que a seguem como Maria? Não sois vós, ó cobiçosos, que passais a vida cavando a terra em busca de ouro. Não sois vós, ó sibaritas, que repousais molemente em suntuosos leitos, e que apenas acordais, voais após novos prazeres. Não sois vós, desajuizadas mulheres, que esquecidas dos deveres de esposa e de mãe fazeis da vida um círculo de inutilidades; nem é tão pouco companheira da Cruz a mulher de semblante severo, de palavras duras e decisivas, que quer passar por virtuosa, conservando o seu orgulho e a acrimonia de seu gênio.

Ó Deus! Que sois desamparado de todos, e que a ninguém desamparais, dignai-Vos dar-me as forças de que hei mister para subir ao cume do Calvário, não obstante o árduo do caminho; em presença deste lugar venerado e da Mãe das Dores terei vergonha de correr após vãos prazeres, após grandezas e descanso neste vale de lágrimas, e ajoelhado nesta terra santificada com o vosso Sangue, amparado por vossa Mãe, consagrar-Vos-ei meu coração e a minha vida.



4.8 “… As piedosas mulheres ali estavam ante o sepulcro, vendo onde ficaria o Corpo de Jesus e chorando amargamente.9 A mais amargurada era a Virgem Mãe, que ficaria ali sempre junto ao Filho adorado. E no entanto, teve de ceder aos rogos dos Discípulos e das piedosas companheiras e voltar para casa.

Entretanto as almas dedicadas a Jesus imergem-se na dor. Os nove Apóstolos, fugitivos de um lado ou outro, depois da prisão de Jesus, ainda se acham aturdidos pelo que ouviram e talvez, um pouco, pelo que viram, no tocante à sua morte. Pedro lamenta ainda a grande queda; João traz na mente e no coração, dolorosas lembranças de Jesus; Madalena e outras piedosas mulheres, inconsoláveis, tentam aligeirar os sofrimentos providenciando aromas a fim de, no Sábado, voltar ao Calvário e espargi-los no sepulcro e no ataúde do Bom Mestre, ignorando o sigilo e a guarda que os rodeavam. Maria Santíssima, em companhia de São João, o Coração partido de dor, se havia retirado para aquela casa de onde saíra para o encontro com o Filho na subida do Calvário. Aí velava no pranto, na oração e em contínuo ato de resignação à vontade de Deus. A dor desta Virgem de Israel, desta Filha de Sião, não se pode igualar a qualquer outra; é imensa como o mar e não admite lenitivo.10 Mas os corações de todas essas almas lá estavam, naquele sepulcro, onde ensanguentados jaziam os restos mortais de Jesus.

Juntos a tantas almas aflitas, penetremos também nós, em espírito, naquela caverna sepulcral; levantemos delicadamente os véus que encobrem o Corpo ensanguentado do Salvador, ajoelhemo-nos, contemplemos e beijemos com fé viva aquelas Chagas Santíssimas, banhando-as com lágrimas de compaixão e de arrependimento. Oh, como é belo, como é edificante, como é comovente irromper então nessas doces palavras que a Igreja põe nos lábios de seus filhos reunidos ante a sepultura de Jesus: ‘Ó Jesus, meu doce amor, de Ti me aproximo como se Te visse com meus próprios olhos, e Te contemplo com afeto, recordando devotamente as tuas Santas Chagas. Oh, em que estado Te vejo, meu Jesus, envolto no fúnebre lençol, gélido, ferido, deformado! Salve, ó Cabeça dilacerada pelos espinhos, cujo semblante não mais tem aquele esplendor divino, diante do qual tremem os Anjos! Salve, ó Ferida Sagrada do Lado de meu Salvador, porta misericordiosa de amor, mais encarnada do que a rosa, refúgio para todos os males! E vós, ó Santas Mãos, ó Santos Pés, transpassados de pregos cruéis, recebei o meu tributo de afeto! Possa eu, ó divino Salvador, ficar sempre aqui em tua companhia e jamais de Ti me separar!’11



Prática

Ponderemos no quão necessário é o fazermos um sério estudo da vida, e da morte de Jesus Cristo: demos a cada dia algum tempo a tão santos pensamentos, a boas leituras, e sobretudo, à meditação; porque só ela nos identifica com Deus, e faz que n’Ele encontremos o Amigo necessário a quem se pode dizer tudo, e cuja lembrança se ajunta a todos os nossos pensamentos. Estas comunicações com Deus em sendo frequentes nos separarão do gosto dos prazeres mundanos. Quem vive uma vida espiritual não pode achar sabor nas futilidades dos prazeres e enfeites, nem nos sonhos da ambição. Que valem as coisas exteriores, as melodias mais feiticeiras do mundo para aquele que sentiu vibrar nas cordas de sua alma o som da voz suave e poderosa de seu Deus! Virgem Santa, sofrei-me ao pé de Vós, ao pé da Cruz. Dignai-Vos ensinar-me como se deve amar ao Filho vosso, e como se pode merecer de ter quinhão nos merecimentos de seu precioso Sangue. Amém.

Pai Nosso, Ave Maria e Glória ao Pai.


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1.  Pe. Augustin Berthe, C.SS.R., Jesus Cristo - Sua Vida, Sua Paixão, Seu Triunfo, Livro VII, Cap. VIII, pp. 398-400. Estabelecimentos Benziger & Co. S.A., editores e impressores da Santa Sé Apostólica, Einsiedeln, Suíça, 1925.

2.  Am. VIII, 9.

3.  Mons. Baunard, Reitor da Universidade Católica de Lille, O Apóstolo São João, Cap. VIII, III Ponto, pp. 123-126. 2ª Edição, Irmãos Pongetti – Editores, Rio de Janeiro/RJ, 1951.

4.  Jo. XIX, 25.

5.  Bossuet, Panegírico de São João, 11ª Parte.

6.  Theophylact. In hunc locum Joan.

7.  Madame Tarbé des Sablons, Mês de Maria – ou Nova Imitação da Santíssima Virgem, 23º Dia, pp. 323-331. Publicado por J. P. Aillaud, Editor, Paris, 1845.

8.  Pe. Luiz de S. Carlos, C.P., A Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo – Narrada ao Povo conforme os Santos Evangelhos e a Tradição, Cap. “A Sepultura”, pp. 186-190. Tip. “O Calvário”, São Paulo/SP, 1952.

9.  Mat. 27, 61; Antífona do “Benedictus” na Semana Santa.

10.  Thren., 2, 13.

11.  Tradução livre do hino “Jesu, dulcis amor meus”, que se recita nas Laudes do Ofício da S. Síndone.


MEDITAÇÃO PARA O SÁBADO SANTO.


Maria assiste à morte

de Jesus na Cruz.

1. “Estava, porém, junto à Cruz de Jesus sua Mãe”.1 Consideremos nesta Rainha dos Mártires uma espécie de martírio mais cruel que todo outro martírio, uma mãe vendo morrer um filho inocente, justiçado num patíbulo infame: “Estava em pé”. Desde a hora em que Jesus foi preso no horto, os discípulos O abandonaram; não, porém, sua Mãe: Ela O assiste até vê-Lo expirar diante de seus olhos. “Estava junto Dele”. As mães fogem quando veem seus filhos padecendo e não os podem socorrer: estariam prontas a sofrer as dores em lugar dos filhos, mas quando os veem padecer sem poder auxiliá-los, não suportam tal pena e por isso fogem e vão para longe. Maria, não; Ela vê o Filho no meio dos tormentos, vê que as dores Lhe roubam a vida, mas não foge, nem se afastam, antes se encosta à Cruz na qual o Filho está morrendo. Ó Mãe das Dores, não me desdenheis e permiti que Vos faça companhia na morte do vosso e do meu Jesus.



2. “Estava junto à Cruz”. A Cruz e, pois, o leito em que Jesus deixa de viver: leito de dores, em que a aflita Mãe vê Jesus todo ferido pelos açoites e pelos espinhos. Maria observa que seu pobre Filho, pendente daqueles três cravos de ferro, não encontra repouso nem alívio: desejaria procurar-Lhe algum alívio; desejaria, já que Ele tem de morrer, que ao menos expirasse em seus braços; nada disso, porém, lhe é permitido. Ah, Cruz, diz, restituí-me o meu Filho: és o patíbulo dos malfeitores; meu Filho, porém, é inocente.

Não Vos aflijais, ó Mãe: é vontade do Eterno Pai que a Cruz não Vos restitua Jesus senão depois de morto. Ó Rainha das Dores, alcançai-me a dor de meus pecados.



3. “Estava junto da Cruz sua Mãe”. Considera, minha alma, como ao pé da Cruz Maria está olhando para o Filho! E que Filho, meu Deus! Filho que era ao mesmo tempo seu Filho e seu Deus; Filho que desde a eternidade A tinha escolhido para sua Mãe, e a havia preferido no Seu amor a todos os homens e a todos os Anjos; Filho tão belo, tão Santo, tão amável como nenhum outro; Filho, que Lhe fora sempre obediente; Filho, que era seu único amor, pois que era Filho de Deus. E esta Mãe teve de ver morrer de dores, diante de seus olhos, um tal Filho! Ó Maria, ó Mãe a mais aflita entre todas as mães, compadeço-me de vosso Coração, especialmente quando vistes vosso Jesus inclinar a cabeça, abrir a boca e expirar. Por amor deste vosso Filho, morto por minha salvação, recomendai-Lhe a minha alma. E Vós, ó meu Jesus, pelos merecimentos das Dores de Maria, tende piedade de mim e concedei-me a graça de morrer por Vós, como morrestes por mim. Com São Francisco de Assis Vos direi: Morra eu, Senhor, por amor de Vós, que por amor de meu amor Vos dignastes morrer.



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Fonte: Santo Afonso Maria de Ligório, A Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, II Volume, 15 Meditações sobre a Paixão de Jesus Cristo, para o tempo que medeia entre o Sábado da Paixão e o Sábado Santo, XV Meditação, pp. 166-167. Editora Vozes Ltda, Petrópolis/RJ, 1940.

1.  Jo. 19, 25.


sexta-feira, 2 de abril de 2021

QUÃO PORTENTOSA E ADMIRÀVEL SEJA, A PAIXÃO DE JESUS CRISTO.


Amemos a Deus,

porque Deus morreu por nosso amor.


Poderá Deus, no caso que se determinou a baixar ao mundo em forma humana, obrar este Mistério em carne impassível, e imortal: porém, não quis senão ser homem mortal, e passível, semelhante a nós; e com efeito, comprar a nossa vida eterna à custa da Sua morte, e morte dolorosíssima e afrontosíssima, qual foi a de Cruz. Eis aqui, ó minha alma, outra nova e apertadíssima obrigação, em que Deus te pôs de O amares; tão excessiva e prodigiosa; que os Santos Doutores da Igreja não acham adequados termos para explicar ainda esse limitado conceito, que dela formam: e com ser estupendo o benefício da Encarnação do Verbo: é certo que este de Sua Paixão e Morte o sobrepuja muito. Si Trinitas Personarum (diz um Douto) hypostatice millies myriadibus infer homines se conjunxisset: non tantum amoris erga nos, tantaeque benevolentiae dedisset argumentum, quam dum in Cruce pro peccatoribus vitam ponit.1

Os mesmos Anjos se admiram, e estavam como atônitos, de ver que Deus para resgatar o servo entregou o Filho, e para perdoar os culpados justiçou a Inocência, e para sarar o frenético, se vazava todo o Sangue do Médico: Fusus est Sanguis Medici, et factus est medicamentum phrenetici.2 O insólito e imensurável desta demonstração de caridade fez alucinar e perder o tino aos Sacerdotes, Pontífices, Fariseus, e sábios da Lei, e ao mesmo Lúcifer, com todo o Conciliábulo de seus Demônios: e é o que ainda hoje dificulta ao Gentilismo o crédito do Mistério da Cruz. Porque os Judeus êmulos de Cristo nunca lhes pareceu que podiam concordar se estes dois extremos sumamente opostos, Ser Filho de Deus, e morrer; particularmente, morte cruel, afrontosa e violenta. E assim o seu discurso em perseguir e condenar à morte a Cristo foi este: Ou este homem é Filho de Deus, ou não: se o é, Ele se livrará das nossas mãos; por mais que O atormentemos, não pode morrer, nem ser vencido do poder humano, e leis da natureza: se o não é, justamente Lhe procuramos a morte, pois, usurpa para Si blasfemamente o que é próprio só do Altíssimo. Este foi o seu pensamento, como já muito de antes estava revelado no livro da Sabedoria: Gloriatur Patrem se habere Deus videamus ergó, si sermones illius veri sunt… si enim est verus Filius Dei, suscipiet illum, et liberabit eum de manibus contrariorum.3 Por isso também, clamavam com irrisão, quando o Salvador piedosíssimo estava na Cruz:4 Salvou aos outros e não pode se salvar a Si? Desça da Cruz, já que é Filho de Deus bendito e O creremos. E em outra ocasião, havendo dito o Senhor que importava fosse exaltado na Cruz, rompeu-lhe a multidão: Nós sabemos pela Lei, que Cristo é eterno: Como dizes agora, que importa ser levantado na Cruz? De sorte que a esta gente com ser de letras e criados nas doutrinas da Lei Santa, nunca lhes passou pela cabeça que Deus havia de entregar à morte a seu Unigênito Filho por amor dos homens. Suposto que esta ignorância neles foi grandemente culpável, cegando-os a sua malícia e inveja, com que perseguiam a um homem inocentíssimo e admirável em milagres, e não querendo investigar, nem entender as Escrituras: e na dúvida de se era ou não, Filho de Deus, abalançarem-se a dar-Lhe a morte, foi erro desmascarado e atrevimento formidável, e depravadíssima maldade.

Quase do mesmo modo Lúcifer, com toda sua infernal canalha, com serem espíritos de astúcia e sutileza, que excede toda humana capacidade, nunca chegaram a assentar que Cristo era Filho de Deus, uma vez que O viam tão pobre, desprezado, fraco, e sujeito às calamidades de filho de Adão, como os demais homens. E tanto que foram rastejando o Mistério por conjecturas, logo procuraram solicitamente impedir, e embargar a Paixão e Morte do Senhor: porém, já não puderam refrear da carreira começada a impiedade judaica e o mal que lhes tinham persuadido. E depois que caíram de todo na conta, deram por perdido o seu Reino do pecado, parecendo-lhes que uma demonstração tão poderosa, qual era morrer Deus por amor dos homens, os levaria todos a amá-Lo e a não empregar seus corações em outra coisa.

Realizado o prodígio, Mistério da Cruz, seguiu-se o pregarem-no os Apóstolos sagrados, para ser crido. Porém, a uns parecia matéria de escândalo, a outros de riso, como diz São Paulo: Judoeis quidem scandalum, gentibus autem stultitiam.5 Os daquele povo ingrato se envergonhavam e escandalizavam, de ouvir dizer que Deus morrera por eles em uma Cruz entre dois ladrões, e que eles O mataram: e ao Gentilismo, parecia-lhe tanto amor, vaidade, a qual está mui longe do ser Divino. Tanto assim; que ainda nos nossos tempos presentes, quando já o dia da Fé e Religião Cristã tem esclarecido em quase todo o mundo, foi proposto e perguntado à Santa Inquisição Geral de Roma, se podiam os Missionários da China encobrir aos que recebiam daqui escândalo e o reputavam por estultícia. Foi respondido, que de nenhum modo se devia encobrir ou reservar para depois do Batismo a doutrina da Paixão do Senhor:6 pois em seus abatimentos estava escondida a fortaleza e glória de Deus, e a vitória sobre o mundo, o Inferno e o pecado. Esta determinação aprovou a Congregação De propaganda: e à sua instância a confirmou o Papa Inocêncio X. E assim, a maior maravilha da graça do Senhor, foi render por meio da pregação Evangélica, a todo o mundo a crer e adorar por seu Deus um homem morto e pregado em um patíbulo.7

Nós os que em virtude da mesma Cruz já agora cremos nela, se nos parece este Mistério coisa bem ordenada e digna de Deus, é porque vivemos na região da luz da Fé, já feitos ao leite da doutrina de nossa Mãe a Santa Igreja Católica; mas, devemos muito advertir que diferente conceito faremos desta fineza de morrer Deus por nós, quando na pátria soubermos que coisa é Deus; porque impossível é tomarmos o peso a este abatimento, senão quando o tomarmos aquela sublimidade: e só quem vir a Cristo entre duas Pessoas Divinas no trono do Empíreo, poderá medir a distância que vai dali a pôr-se o mesmo Senhor entre dois ladrões no Calvário. O amoris vim! (exclama admirado S. Bernardo) Ita né summus omnium vilissimus factus est omnium? Quis hoc fecit? Amor dignitatis nescius, dignationedives, affectus potens, suasu efficax.8 Oh, força de amor! É possível, que a Pessoa mais alta de todas, se faz de todas a ínfima? Quem fez isto? O amor, que ignora dignidades e derrama dignações, valente no afeto, na persuasão eficacíssimo.



Logo se esta demonstração do amor Divino é a todas as luzes estupenda, singularíssima e infinita; que feia ingratidão será negar-lhe a correspondência do nosso pobrezinho amor? Algumas vezes tiveram os servos de Deus visões, em que lhes mostrou coisas inanimadas, em representação de figuras vivas: tenho para mim que se houvesse de representar-se uma figura desta ingratidão, quem visse sua fealdade feiíssima morreria de pavor. É possível, que não ao homem não haja de amar, a um Deus que morreu por ele de amor? Para Cristo nos mostrar o Coração, o abre por meio de uma cruel lançada; e nós os pecadores, amados de graça e à porfia recusarmos dar-Lhe o coração? Para nos abraçar consigo, estende os braços quanto pode, à custa de os fixar com cravos em um madeiro: e nós fugimos de abraçar este Senhor, sua lei e vontade, e vamos abraçar nossa perdição e opróbrio? Clama por tantas bocas quantas feridas, que nos ama, que nos quer, que não nos percamos, que acudamos a Ele e acharemos todo o bem: e nós duros, rebeldes e insensíveis, se o clamor nos entra por um ouvido, por outro nos sai? Não teremos com uma Pessoa infinitamente digna e soberana, aqueles bons termos, que se devem a qualquer outra que com seu amor nos obriga?

Conta-se que Tygranes Rei, sendo, juntamente, com sua mulher cativo por Ciro, Rei dos Persas, perguntando-lhe este, que daria pela liberdade de sua mulher, respondeu prontamente: Que daria a própria vida de boa vontade. Ciro se pagou tanto da resposta, que logo deu a ambos liberdade. Perguntou depois Tygranes a sua mulher, que lhe parecera da majestade e presença Del-Rei Ciro. Respondeu a prudente matrona com afeto enternecido: Não sei senhor dar razão disso: porque desde o ponto em que vos determináveis a comprar a minha liberdade com a vossa vida, nunca mais empreguei os olhos em pessoa alguma fora de vós, que tanta estimação fizeste de mim.

Quem há de agora, sem pedir primeiro licença e perdão a Deus, meter em comparação este caso com o nosso, de que vamos tratando? Este Rei era um homem, como os outros: Cristo é Rei da Glória e do Universo, Filho de Deus e o mesmo Deus. Este Rei estava pronto para dar a vida: Cristo a deu com efeito pela nossa liberdade. Este Rei dava a vida por sua esposa igual com ele no estado e nobreza: Cristo deu a vida por nós miserabilíssimos pecadores e seus inimigos. Este Rei dava a vida a mais não poder, para conseguir o seu intento: Cristo podendo livrar-nos por outros muitos meios, não o quis senão por morte de Cruz, escolhida e aceita livremente, para mais nos mostrar seu excessivo amor. Pois, por que há de haver alma, que depois de realizada esta portentosa fineza, ponha os olhos e empregue o coração na vaidade do mundo, no regalo da carne, na estimação da honra? Para alma, e considera. Para e toma o peso a este excesso do amor Divino e à tua obrigação.

Se um escravo nosso em uma briga de perigo e empenho nos mostrasse tal fidelidade e valor, que saísse dali crivado de estocadas, para nos salvar da morte: em que obrigação ficaríamos a este escravo? Como lhe poderíamos negar o amor? E quão estranha ingratidão seria tratá-lo mal e sem causa, açoitá-lo e vendê-lo? Pois acaso não cremos nós que muito maior e infinitamente maior fineza realizou por nós Cristo, dando a vida para nos salvar da morte eterna? Não o cremos assim? Acaso por ser Deus, O que tomou para este efeito a forma de servo, perdeu esta fineza o preço que tivera, obrada por qualquer outro homem, em matéria de muito menos importância, qual é a vida temporal? Que será isto, que aos mais dos homens não os penetram este amor, não os rende, não os obriga? Uma das principais causas é, porque O não consideram: e assim se ficam nos limites da natureza terrena e brutal, sem passar aos da racional e do espírito. Que importa ser a luz grande ou pequena, para quem tapa os olhos? Assim também: Que importa serem estas razões tão claras e fortes, senão aplicamos o entendimento? Mas isto mesmo é torpe ingratidão, digna de Inferno e Inferno muito mais grave que o dos infiéis, que suposto foram também remidos, não creem nesta dívida. Senhor (exclama a Deus seu servo Agostinho), quem não Vos serve, porque o criastes, merece o Inferno: mas, quem não Vos serve, porque o remistes, merece que se faça outro Inferno novo.

Hora pois, se a falta de consideração nos é causa de não advertirmos na grandeza desta dívida e nesta especial deformidade de nossos pecados, que daqui lhe acresce, não haja Cristão, que se lhe passe dia, em que não medite aos pés deste Senhor crucificado, o quanto lhe deve e o como poderá mostra-se agradecido. Ali chore, ali se confunda, ali proponha emendar a vida e lhe peça espírito amigo de padecer por seu amor, espírito de não amar coisa alguma, senão a quem com sua morte de Cruz, o livrou da morte eterna. Corra de vagar com os olhos por aquele retrato do amor, obra primorosíssima da mão do mesmo Deus, onde não há partezinha, nem circunstância mínima, que não esteja vertendo finezas e significando afetos. Adore a Majestade Divina ali humilhada, admire a profundeza de tantos Mistérios, abrace a bondade deste Senhor, que tão patente se manifesta, prove da suavidade que as amarguras de sua Paixão e Morte estão destilando e aproveite os inumeráveis bens, que desta fonte nos manaram. Estes, são cinco pontos (compreensivos dos mais), que um servo de Deus tinha escritos ao pé de um Crucifixo,9 para matéria e motivo dos afetos de seu espírito. 1. Adoro majestatem. 2. Stupesco profunditatem. 3. Amplexor bonitatem. 4. Libo suavitatem. 5. Suscipio utilitatem. Se assim o fizermos, entraremos em luz, teremos princípio de ser criaturas de Deus; que todo o que não O ama e serve, ainda (falando moralmente) não o começou a ser, pois ainda não foi gerado pela palavra interior, e vivificada da verdade; segundo aquilo do Apóstolo Santiago: Genuit nos verbo veritatis, ut simus initium aliquod creaturae ejus.10


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Fonte: Ven. Pe. Manoel Bernardez, Oratoriano, Luz e Calor, Segunda Parte, Opúsculo I, Estímulo VI, Pontos 270-272, pp. 251-256. Nova Edição, Lisboa, 1871.

1.  P. Penequin. ig. Isagoge, p. 1, cap. 16, n. 3.

2.  August. Lib. 5, contra haereses.

3.  Sap. 2.

4.  Matth., 27, 42.

5.  1 Cor., 1, 23.

6.  Verricelli de Apostolicis Missionibus tit. 1, de Fide q. 7, sect. 2. fine.

7.  Habac., 3, 1. cornua in manib. Ejus: ibi absc. Est fort. Ejus, &.c.

8.  Serm. 64 in Cant.

9.  O Padre Cláudio Aquaviva, Geral que foi da Companhia de Jesus.

10.  Jac., 1, 18.


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