BLOG CATÓLICO PARA OS CATÓLICOS.

BLOG CATÓLICO, PARA OS CATÓLICOS.

"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

segunda-feira, 17 de outubro de 2022

REPARAÇÕES A FAZER.


Todos nós somos obrigados a reparações, sob um duplo aspecto: como indivíduos e como membros da sociedade. Quem já praticou muito mal deve produzir muito bem; quem deu grandes escândalos, está obrigado a grandes exemplos. É a lei inexorável da reparação, a imperar sobre todos os descendentes de Adão. Queira pois ou não queira, incumbe-me o ofício de reparador; mas, em assunto tão vasto, é forçoso que fixe a atenção numa só ideia, – o lugar próprio das minhas reparações. E qual será ele? Sem dúvida, assim como em todos os lugares posso errar, ser tentado e delinquir, também em todos posso corresponder à graça, condoer-me das faltas cometidas e alcançar merecimentos. Há todavia, um lugar privilegiado que se me afigura ser o mais próprio para as minhas reparações: é o Templo, é a Casa do Senhor. Ó, como se está bem nesta casa, aos pés do Sagrado Tabernáculo!

Quando Jacó, a caminho da Mesopotâmia, despertou do sono, em que Deus lhe revelara as Suas futuras grandezas, não se conteve que não exclamasse: “Na verdade o Senhor está neste lugar, e eu não o sabia”.1 Que gratíssima surpresa para uma alma, quando a luz da fé a ilumina, obrigando-a a confessar ao mesmo tempo: eis o Senhor aqui, junto de mim, ao meu alcance, e eu não o sabia! Lamenta-se então mui sinceramente a ignorância própria e a alheia: olha-se como perdido o tempo em que não se gozou de tamanha ventura, e sente-se sinceramente o infortúnio dos que O não conhecem.

Entrar na Casa de Deus não é uma ação indiferente, porque todos nela temos a fazer, pelo menos, o que fez o bom publicano que não ousava sequer levantar os olhos ao Céu e feria o peito, dizendo: ó Deus, tende misericórdia deste pecador. Quem entra na Casa de Deus deve dizer de si para si: não é esta casa como as outras, desta ou sairei melhor do que entrei, como aconteceu ao publicano, que desceu a sua casa justificado, ou terei a sorte do fariseu orgulhoso.

É próprio das coisas mais salutares tornarem-se as mais nocivas, desde que se abuse delas. Assim o Templo, que é a porta do Céu para uns, é porta do Inferno para muitos; porque a perversão humana o converte em teatro de abominações sacrílegas. Sacrilégios, profanações, irreverências, e impiedades… que vasto campo às minhas reparações! Mas, antes de lançar os olhos para o que os outros fazem, importa-me abaixá-los para mim: quantas reparações individuais tenho eu a fazer com respeito ao zelo em frequentar a Casa de Deus, e em atrair a ela os outros com o meu bom exemplo!

Preocupado com as coisas do mundo, por vezes tenho entrado no lugar Santo e saído dele, sem experimentar sentimento algum de respeito e piedade, diante do Senhor Supremo! Meu Deus, tende compaixão deste miserável, que tão facilmente se esquece de si próprio e de Vós. Amém.


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Fonte: Mons. Marinho, “Diante do Santíssimo Sacramento”, para os adoradores eclesiásticos e leigos, Cap. XXI, pp. 71-74. Tipografia Fonseca, Porto, 1923.

1.  Gên. 28, 16.


quarta-feira, 12 de outubro de 2022

Oração e Consagração a Nossa Senhora da Conceição Aparecida.

(Serve para uma Novena)1


Ó Virgem Maria, abençoada sois Vós pelo Senhor Deus Altíssimo, entre todas as mulheres da terra. Vós sois a glória de Jerusalém, Vós sois a alegria de Israel, Vós sois a honra do nosso povo.

Salve, ó Virgem, honra de nossa terra, a quem rendemos um culto de piedade e veneração, a quem chamamos com o belo nome de APARECIDA.

Quem poderá contar, ó doce Mãe, quantas graças, durante tantos anos, Vós dispensastes ao Povo Brasileiro, compadecida de nossos males?

Quisemos cingir vossa Cabeça sagrada com uma coroa de ouro, que Vos é devida por tantos títulos; continuai a dobrar-Vos benignamente às nossas preces.

Quando erguemos ao Céu nossas mãos suplicantes, ouvi clemente os nossos rogos, ó Virgem; conservai nossas almas afastadas da culpa, e, por fim, conduzi-nos ao Céu.

Salvação, honra e poder Àquele que, Uno e Trino, nos fulgores de Seu trono celeste, governa e rege todo o universo. Amém.


V. A vossa Imaculada Conceição, ó Virgem de Deus.

R. Anunciou a alegria ao mundo todo.


Oremos: Deus que, por intermédio da Mãe Imaculada de vosso Filho, multiplicastes os dons de vossa graça em favor de nós, vossos servos: concedei-nos propício que, celebrando na terra os louvores da mesma Virgem, pelas Suas maternas preces mereçamos alcançar o prêmio eterno no Céu. Pelo mesmo Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.


Consagração

a Nossa Senhora Aparecida.2


Ó Maria Santíssima, que em vossa imagem milagrosa de Aparecida, espalhais inúmeros benefícios por todo este país, eu N…, embora indigno de pertencer ao número dos vossos servos, mas cheio do desejo de participar dos benefícios de vossa misericórdia, prostrado aos vossos pés, consagro-Vos o meu entendimento, para que sempre pense no amor que mereceis; consagro-Vos a minha língua, para que sempre Vos louve e propague vossa devoção; consagro-Vos meu coração, para que, depois de Deus, Vos ame sobre todas as coisas.

Recebei-me, ó Rainha incomparável, no ditoso número de vossos servos, acolhei-me debaixo de vossa proteção, socorrei-me em todas as minhas necessidades espirituais e temporais, e sobretudo, na hora de minha morte.

Recebei-me, ó Mãe celestial, e com a vossa poderosa intercessão, fortalecei minha fraqueza, a fim de que, servindo-Vos fielmente nesta vida, possa louvar-Vos, amar-Vos e render-Vos graças no Céu, por toda a eternidade. Amém.


1 Pai Nosso, 3 Ave Maria e 1 Glória ao Pai.


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1.  Manual dos Congregados Marianos, Edição Oficial, V Parte, pp. 225-226. Editora Vozes – Petrópolis/RJ. 1938.

2.  Com Aprovação Eclesiástica.


sexta-feira, 7 de outubro de 2022

A PRIMEIRA SEXTA-FEIRA DO MÊS DE OUTUBRO.


Coração de Jesus, Centro dos corações.

O Coração de Jesus é todo caridade. Deus charitas est. Também Ele quer que todos os cristãos se amem mutuamente: esta era a recomendação em que mais insistia, antes de deixar este mundo: Amai-vos uns aos outros, como Eu vos amei.1

Pode-se dizer que este é o grande Mandamento do Coração de Jesus. São Jerônimo refere de São João Evangelista, que, quando seus discípulos lhe perguntaram porque tantas vezes lhes recomendava o amor fraterno, respondeu-lhes: Porque é o Preceito do Senhor: se for cumprido em toda a sua extensão, basta para a salvação.2 Também nada fere tanto a Jesus Cristo como a violação deste Preceito; aquele que falta na caridade, fere-O na pupila dos olhos, mete-Lhe um espinho no Coração.

Para evitar esta desgraça, consideremos que amar o próximo é amar a Jesus. Santa Catarina de Gênova dizia um dia ao Senhor: Meu Deus, Vós me ordenais amar meu próximo e eu não posso amar senão a Vós só. Mas nosso Salvador lhe respondeu: Minha filha, aquele que Me tem amor, ama tudo o que Eu amo. Com efeito, quando se ama uma pessoa, amam-se também seus parentes, seus servos, seus retratos e até suas vestes, porque estes objetos são amados por ela. A razão então que deve nos levar a amar nosso próximo, é que ele é amado do Coração de Jesus. Também o Apóstolo São João declara mentiroso aquele que ousa dizer, que ama a Deus, tendo ódio a seu irmão.3

Por outro lado, fazer bem ao próximo, é regozijar o Coração de Jesus; porque Ele prometeu considerar como feito a Si o bem que fazemos ao menor de seus irmãos, isto é, a nosso próximo.4 Santa Catarina de Gênova concluía daí que, para ver quanto se ama a Deus, basta ver quanto se ama o próximo.

No Coração de Jesus Cristo é que se reúnem os corações caridosos; Ele é o centro dos corações. Ó, quão bom é, quão agradável habitarem os irmãos juntamente,5 diz o salmista. São Lucas faz um elogio perfeito dos primeiros cristãos, dizendo que eles tinham um só coração e uma só alma: Cor unum et anima una.6

Num corpo bem constituído, não pode haver senão um coração; ora, a Igreja não é, conforme São Paulo, o Corpo Místico e Espiritual de Jesus Cristo?7 Os membros da Igreja devem, pois, ter um só coração em Jesus Cristo. A santa caridade é o fruto da oração que o Salvador fez a Seu Pai, na vigília de Sua morte, pedindo que Seus discípulos fossem um, pela caridade, como Ele é Um com Seu Pai.8 Este é um dos principais frutos da Redenção, predito por Isaías: O lobo habitará em paz com o cordeiro, e o leopardo com a cabra; um não fará mal ao outro;9 isto é, que os discípulos de Jesus Cristo, apesar da diversidade dos países, dos gênios, dos costumes, deviam viver em deliciosa paz entre si, por meio da caridade divina que os animaria.

O Apóstolo nos ensina em poucas palavras, como é necessário conservar a caridade: Revesti-vos, diz ele, como os eleitos de Deus, de entranhas de misericórdia.10 Como a gente traz sempre consigo o vestuário e cobre-se com ele, assim em todos os nossos pensamentos, palavras e ações, devemos trazer conosco a caridade, e ser inteiramente cobertos por ela.

Ó, quanto é agradável ao Coração de Jesus a alma verdadeiramente caridosa! Ao contrário, que espinho é para o Coração de Jesus a alma que fere a caridade!



Prática

Examinar-me-ei muitas vezes sobre a virtude da caridade; sondarei meus pensamentos, para ver se não faço juízos temerários; meus sentimentos, para ver se não tenho contra alguém antipatia voluntária; minhas palavras, para ver se não resvalo em maledicências e injúrias; minhas ações, para ver se presto a meu próximo os serviços que posso, segundo meu estado, fortuna e talentos.



Afetos e Súplicas

Ó Coração de meu terno Redentor, quão longe estou de parecer convosco! Vós fostes caridade para com vossos perseguidores, e eu sou cheio de rancor e ódio para com meu próximo; Vós orastes com tanto amor em favor daqueles que Vos crucificavam, e eu só penso em vingar-me quando me causam algum desgosto. Perdoai-me, Coração de meu Jesus; não quero ser mais o que fui no passado; dai-me a força de amar a quem me ofende, e de fazer-lhe o bem. Não me abandoneis à força de minhas paixões; fazei que nunca mais me separe de Vós. Ai, que inferno seria para mim, se, após todas as graças que me tendes feito, eu me visse de novo separado de Vós e privado de vossa amizade. Não o permitais, ó meu amor, eu Vos suplico pelo Sangue que derramastes do Coração de Jesus, livrai-me de cair fora de vossa graça; se prevedes que ainda Vos hei de ofender, antes fazei-me morrer agora que penso estar na vossa graça. Ó Deus de amor, dai-me vosso amor. Ó poder infinito, socorrei-me. Ó misericórdia infinita, compadecei-Vos de mim. Ó Bondade infinita, atraí-me inteiramente a Vós. Eu Vos amo, ó amabilidade suprema. Ó Maria, Mãe de Deus, rogai a Jesus por mim; o poder maternal que tendes sobre seu Divino Coração, constitui minha esperança. Amém.

Oração Jaculatória

Coração de Jesus, dai-me o verdadeiro amor do próximo.



Exemplo

Aquele que não tem zelo, não tem amor, diz Santo Agostinho. Para prová-lo, necessário nos é ainda voltar ao capitão Marceau, de quem já falamos. Apenas convertido, fez-se apóstolo. Começou por levar para Deus sua mãe, que tinha a desgraça de viver na incredulidade. “Ó minha mãe, escrevia-lhe ele, escutai-me, escutai a vosso filho, outrora incrédulo… Tendes um coração tão bom; é possível que ele não seja de Deus? Com a oração tudo se alcança”. Sua mãe amava a leitura dos romances e folhetins de certo jornal. O filho, ontem ainda ímpio, incrédulo, pouco comedido em seu procedimento, dissuadiu-a de continuar essas leituras: “Não tenhais a menor dúvida, boa mãe; estas leituras são más, excitam as paixões”. A mãe não tardou a render-se. Esta conquista tão cara não bastava ao capitão. Ele queria ser apóstolo de todos aqueles com quem conversava. Pode-se dizer incalculável, o bem que ele fez a seus amigos. Encontrando um dia certo oficial convertido na mesma época que ele, perguntou-lhe se frequentava a Confissão. “Sim, respondeu o oficial, nas grandes festas”.

– “Mas, vosso diretor não vos fixa a época?”

– “Não, confesso-me, absolvem-me, e nada mais”.

– “Mas, meu caro, é necessário pedir a vosso Confessor, que vos determine a época da volta. Na vida espiritual tudo deve ser regulado como num navio”.

E Marceau conduziu seu amigo a outro Padre. Este, descobrindo no oficial uma alma de eleição, determinou-lhe que se confessasse de quinze em quinze dias, depois de oito em oito dias, e pouco depois, mais vezes por semana. Marceau sabia que o homem não pode nada por si mesmo, e por isso, fez-se apóstolo principalmente da oração. Neste fim, distribuía profusamente um opúsculo de Santo Afonso de Ligório, intitulado: O Grande Meio da Oração. Ele trazia sempre consigo muitos exemplares desta obra. Devorado do zelo das almas, ele quis contribuir para a propagação da fé até nos países longínquos. Não contente de oferecer, cada ano, para isto, largas esmolas, chegou a oferecer sua pessoa mesma, para transportar Missionários para a Oceania. O navio comprado para este fim, foi denominado a Arca da Aliança, em honra da Mãe de Deus. Na direção deste navio, Marceau desenvolveu zelo inteiramente apostólico. Oração em comum, cânticos, celebração do Santo Sacrifício, distribuição do pão da palavra divina, conversações edificantes, tudo falava de Deus na Arca da Aliança. Marceau tinha até obtido o favor de possuir no navio a Santa Eucaristia, ante a qual ele passava todos os dias longas horas de adoração. Quando chegou o Mês de Junho, consagrado ao Coração de Jesus, ele o fez celebrar por exercícios espirituais, e nesta ocasião, puderam ver o cumprimento das Promessas feitas à Bem-aventurada Margarida Maria. Houve belas conversões, edificantes comunhões, e o comandante não cessava de dizer nos transportes de sua alegria: “Bendito seja o Sagrado Coração de Jesus!” No mesmo tempo, a fim de satisfazer a sede ardente que tem da salvação das almas o Sagrado Coração de Jesus, ele fazia sacrifícios e penitências para este passageiro ou aquele marinheiro, que lhe parecia mais separado de Deus. Como ele tinha especial devoção à Paixão de Jesus Cristo e às Dores de Maria, viam-no frequentemente ocupado em fazer o caminho da Cruz (Via-Sacra), para a conversão das almas. “Eu não faço assim senão para Deus, dizia ele, e para o bem das Missões”. E com esta piedade, Marceau era sempre afável, sempre amável e sempre amado. Um parisiense, que tinha vivido com ele quatro anos, dizia: “Marceau é o que vi de mais belo na minha vida”. Um Sacerdote, arrebatado pelo fogo divino que animava esta alma, chamava-lhe o missionário dos Missionários.


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Fonte: O Sagrado Coração de Jesus, segundo Santo Afonso de Ligório, ou, Meditações para o Mês do Sagrado Coração, a Hora Santa e a Primeira Sexta-feira do Mês; coligidas das Obras do Santo Doutor pelo Padre Saint-Omer, C.Ss.R., “A Primeira Sexta-feira do Mês de Outubro”, pp. 351-356. 5ª Edição Portuguesa, Tipografia de Frederico Pustet, Impressores da Santa Sé. Ratisbona/Alemanha, 1926.

1.  Jo. 18, 34.

3.  I Jo. 4, 20.

4.  Mat. 25, 40.

5.  Ps. 132, 1.

6.  Act. 4, 32.

7.  Col. 1, 24.

8.  Jo. 17, 11.

9.  Is. 11, 6.

10.  Col. 3, 12.


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