BLOG CATÓLICO PARA OS CATÓLICOS.

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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Congresso herético-libertário — latino-americano, claro! — na Unisinos.



no ano passado o Fratres in Unum tratava acerca deste congresso. Segue matéria da ACI e, abaixo, a famosa lista com os contatos da Cúria Romana.

BRASILIA, 08 Jun. 12 / 03:26 pm (ACI) – Teólogos e pensadores sancionados pela Igreja por difundir ideias contrárias à doutrina católica participarão de um congresso latino-americano que busca equiparar o Concílio Vaticano II com a teologia marxista da liberação em São Leopoldo (RS). O evento leva o nome de “Congresso Continental de Teologia: Aos 50 anos do Vaticano II e 40 anos da Teologia Latino-americana e Caribenha” e admite ademais promotores da ideologia de gênero.

O evento se realiza entre os dias 7 a 11 de outubro de 2012 na universidade jesuíta Unisinos, com o apoio da Pontifícia Universidade Javeriana da Colômbia (que há poucos dias apoiou a adoção de crianças por casais homossexuais) o grupo de pressão Amerindia e a agência informativa de cunho marxista Adital, que tem entre seus colunistas o frade dominicano brasileiro Carlos Alberto Libânio Christo, mais conhecido como “Frei Betto”, que promove a despenalização do aborto.

ACI Digital teve acesso ao programa oficial do evento que contará com a presença de teólogos como o espanhol Andrés Torre Queiruga, cujas obras foram recentemente consideradas incompatíveis com a doutrina da Igreja pela Conferência Episcopal Espanhola.

Outro participante do evento é o conhecido autor e conferencista Leonardo Boff, considerado um dos principais promotores da teologia marxista da liberação, quem na década de 90 abandonou o sacerdócio, casou-se, e se afastou da Igreja Católica para converter-se em “ecoteólogo de matriz católica” dedicado a escrever livros de ecologia e “espiritualidade”.

Jon Sobrino, sacerdote jesuíta e líder entre os teólogos marxistas, também se apresentará no congresso latino-americano apesar da que suas idéias “não estejam conformes com a doutrina da Igreja”, como opinou a Congregação para a Doutrina da Fé no ano 2007 através de uma notificação oficial.

O Bispo de Jales (SP), Dom Luiz Demétrio Valentini, conhecido por suas posturas favoráveis à teologia marxista da libertação também comparecerá ao evento da Unisinos. Dom Valentini causou repúdio dos católicos em abril deste ano ao dar uma palestra em uma loja maçônica e anteriormente por ter criticado Dom Luiz Gonzaga Bergozini, bispo emérito de Guarulhos, por ter defendido o direito à vida contra o aborto durante toda a campanha presidencial de 2010.

A teóloga María del Pilar Aquino, que qualificou o pontificado do hoje Beato Papa João Paulo II como autoritário, centralista, conservador e imperialista, dará uma exposição sobre “Teologia e Espiritualidade libertadora”.

O jesuíta espanhol e radicado na Bolívia, Víctor Codina, que em um escrito considerou a Igreja Católica como uma velha míope, surda e com Alzheimer, dará a conferência “As Igrejas no Continente 50 anos depois do Vaticano II: questões pendentes”.

Raúl Fornet Betancourt, filósofo que sustenta que para a realização da “opção pelos pobres” difundida pelos teólogos marxistas da libertação é necessária uma opção “por outro mundo, e por outra Igreja e por outro cristianismo”, participará do congresso com a exposição “Novos sujeitos e interculturalidade”.

Uma conferência aberta será dada pelo sacerdote Gustavo Gutiérrez, teólogo peruano considerado o pai da teologia marxista da liberação, no dia 9 de outubro.

O congresso, apesar de seu suposto caráter religioso, não prevê a celebração de Missa em nenhum dos seus cinco dias, neles apenas serão realizados “momentos de espiritualidade”, os quais estão baseados em temáticas como a entronização da Bíblia, o ecumênico e o indígena.

A programação do evento, divulgada sem os nomes dos palestrantes, pode ser vista em: http://www.unisinos.br/eventos/congresso-de-teologia/programacao/programa#

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http://fratresinunum.com/2012/06/11/congresso-latino-americano-claro-na-unisinos/


domingo, 10 de junho de 2012

Podemos Ainda Hoje Ser Cristãos?


Edith Stein

Mas, porque será tão importante raciocinar e aprofundar as nossas crenças? Per­guntará algum de meus leitores. Mais ainda. Não será perigoso indagar, pretender conhe­cer demasiadamente as razões da nossa Fé?

“A minha Fé! Também eu sou católico, e todos os meus antepassados o foram. Aprendi o Credo dos lábios de minha mãe, e desde então, guardo-o com piedoso amor, como uma herança que me legaram meus pais. Rezo-o com frequência, não nego um só artigo do Símbolo... Mas, temo! Temo, que se faço dele um estudo crítico, se o examino com toda a minuciosidade, se desfaço e analiso todos os seus ensinamentos, temo, que se desmorone! Os móveis que herdamos de nossos maiores colocamo-los com cuidado num canto da sala e guardamo-los piedosamente, sem os usar, sem nos sentarmos sobre eles...”

Creio que a muitos de meus leitores, especialmente aos homens, lhes veio o mesmo pensamento, ao ver que íamos ocupar-nos longamente do Credo. Seus escrúpulos vem dum fundo certamente respeitável, mas – não vos surpreendais se o digo de um modo claro e alto – ninguém tem mais necessidade de estudar o Credo, que, precisamente, os que assim objetam.

Por que necessitamos conhecer melhor a nossa Fé?

Em primeiro lugar, porque não havemos de considerá-la como móvel velho her­dado de nossos maiores, como jóia que guardamos esquecida, como carga que levamos sem alma, só por sentimento de piedade... Infelizmente, para muitos católicos, não signifi­ca outra coisa a Fé... Para nós, deve ser mais alguma coisa: devemos cultivá-la – ainda que herdada de nossos maiores – com esforçado trabalho espiritual, transformá-la em ri­queza própria, pessoal, consciente. Sou católico não somente porque meu pai também o foi e porque o foram também meus antepassados, senão também, porque conheço os Dogmas da minha Religião, e sei que estes ainda hoje são belos e encerram a Verdade, e sinto-me orgulhoso de poder chamar-me católico.

Mas, será possível, hoje, tanta convicção a respeito do Credo antigo? Não correrá perigo de fenecer?

Estes e semelhantes pensamentos podem ocorrer a qualquer homem instruído, que siga com espírito observador o caminhar da humanidade; e estes pensamentos, que se convertem em espinhos, não podemos deixá-los cravados nas almas.

Apresenta-se-nos esta questão. Podemos ainda hoje ser cristãos? - Não só “po­demossenão que devemos sê-lo! Ou seremos cristãos – e não só oficialmente, de pa­lavra, senão também na vida real – ou deixaremos de ser homens. Ou Cristianismo, ou manicômio. Ou Cristianismo, ou então veremos mulheres, que assassinam seus maridos com arsênico tirado do papel de apanhar moscas; ou Cristianismo, ou fi­lhos que levantam mão assassina contra seus próprios pais.[1]  

Não haverá nada a mudar na Fé de nossos pais? Não. O Cristianismo ainda hoje é capaz de dar satisfação completa a todos os espíritos necessitados. As formas ex­teriores da nossa vida mudaram, mas não mudou a alma humana. Antigamente os ho­mens benziam-se ao empreender uma longa viagem, hoje ainda há pilotos que antes de levantar voo se benzem. Há diretores de fábricas que vão com a mesma pontualidade à Missa Dominical, com que foram seus avós, com a única diferença que estes iam a pé e aqueles vão agora de automóvel. Há dramaturgos modernos que querem ser sepultados com o hábito franciscano, como Hugo von Hoffmanstal, morto ainda há pouco. Há operá­rios que permanecem fiéis a Cristo, mesmo no meio das mais veemente agitação vermelha.

Mas isto devemos sabê-lo todos de um modo consciente, e com uma consci­ência real devemos fazer mais e mais cristã a nossa alma e a nossa vida. Esta época clama por homens cristãos tão conscientes como o foi Estevão Széchenyi[2] que escreveu a seu filho bela as seguintes linhas: “Cumpri estritamente todas as práticas da Religião Católica, não para dar bom exemplo aos aldeões, ó não, porque tal proceder seria hipocri­sia. Fui à Missa, confessei-me... porque sou deveras católico”[3].

2º – Portanto, se me perguntarem porque devemos conhecer a nossa Fé, aí vai a resposta: A minha Fé não deve ser um móvel piedosamente guardado, como pano velho em que não se pode tocar.

Devo examinar a minha Fé de perto, com diligência, em seus fundamentos; não devo ter dela uma só dúvida, um só “quiçá” ou “talvez”. A minha Fé há de re­sistir com a firmeza de uma rocha a todos os críticos... Porquê? Porque a minha Fé exige-me muitos e grandes sacrifícios. Exige, que meu entendimento se incline ante a Verdade divina e minha vontade ante os Preceitos de Deus. Pois bem, não poderei cumprir com estas exigências, se não souber de ciência certa, que cada frase, cada palavra do Credo é uma verdade santa, inconcussa.

A nossa Religião não se contenta com que recitemos o Credo, sem que tire­mos do Credo graves consequências. A nossa Religião, quer orientar nossa vida diá­ria, nossos assuntos mais insignificantes e orientá-los com seus preceitos, que às vezes são muito difíceis, e penetram até ao mais íntimo de nossos particulares interesses.

A minha Fé, não só me acompanha na igreja, quando me concentro na oração, senão que está presente no escritório da minha oficina, no balcão da minha loja, no fogão da minha cozinha, no meio de meus negócios, no meio de meus prazeres, pe­netra no santuário mais íntimo da família, em tudo quer dispor e mandar.

E, como poderei cumprir esses preceitos rígidos, se não estou convencido da sua verdade completa, se não vejo que minha Fé tem realmente direito de exigir-me todos estes sacrifícios? Com uma Fé tímida, vacilante, débil, não podemos corres­ponder às severas exigências da Moral Cristã.

Sabes, que Fé necessitamos? Uma Fé vigorosa como a que vive hoje – para mencio­nar só um exemplo dos mais modernos – no peito de um dos escritores mais céle­bres, o atual embaixador de França em Washington, Paulo Claudel, que em sua juventu­de, era completamente incrédulo e levava uma vida frívola, mas depois de ouvir o chama­mento da graça, converteu-se e agora escreve de si mesmo: “Tenho mil vezes mais certe­za da verdade da Religião Católica que do sol que vejo no Céu”[4].

A confissão de fé deste célebre escritor, as palavras deste homem completamente moderno e profundamente instruído, devem ressoar em nossa alma: “Tenho mais certeza da minha Fé, que do sol que vejo no Céu!”

Certamente, podemo-nos queixar do mundo atual, mas também, não nos faltam mo­tivos para nos alegrarmos. Queixarmo-nos de que no último século, foram tantos os que perderam o laço espiritual da Fé de nossos pais; mas, alegrarmo-nos também de que nos últimos lustros dos século atual foram tantos, os que a conheceram e a ama­ram. Podem entristecer-nos os pagãos modernos, que fecham os olhos ao sol do Cristia­nismo; mas, deve encher-nos de júbilo, que a nossa Fé não tenha rival, ainda hoje, nos seus valores morais, educativos e culturais. Que seja ela que salva para a hu­manidade todos aqueles tesouros mais valiosos que o diamante, e sem ela perece­riam irremediavelmente, como, por exemplo, o Matrimônio, a Família, a Vida da Cri­ança, a Propriedade, o Princípio de Autoridade, a Honradez, o Domínio de si mes­mo.

Pois bem, desta Fé Cristã trataremos nos capítulos seguintes.

Bem-aventurado aquele em quem vive com vigor a Fé Cristã! Este quando sor­ri, sabe que chegará um tempo, em que o seu sorriso será eterno; e quando chora sabe, também, que virá tempo em que jamais chorará.

Portanto, ainda que o mundo atual se transformou por completo e já não se pareça ao de nossos maiores, eu, não obstante, persevero na Fé de meus pais!

Zune o avião... buzina o automóvel... atordoa com estrépido o rádio... Quanto mudou o mundo! E eu levanto a minha cabeça e exclamo no meio deste ruído caótico: Creio! Creio! Creio!


Fonte: “Creio em Deus – Fé e Existência de Deus”, Mons. Tihamer Tóth, pp. 15-20; Livraria Apostolado da Imprensa, Porto, 1952.


 

[1]   O autor alude a crimes que produziram grande sensação na época em que escreveu este livro (1929).
[2]   Estêvão Széchenyi a quem a posteridade agradecida designa com o nome honroso “o maior dos húngaros”, é uma das figuras que mais sobressaem na história cultural do reino de S. Estêvão. A nação húngara, contraiu com ele uma dívida perene de gratidão.
[3]   Széchenyi Isteván: Intelmei Béla fiához. Anotações a seu filho Béla.
[4]   Les Témoins du Renouveau Catholique.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Adoração e Sacralidade: “Uma interpretação unilateral do Concílio Vaticano II penalizou esta dimensão. A novidade cristã quanto ao culto foi influenciada por uma mentalidade mundana dos anos 60 e 70.”


junho 7, 2012

Antes de tudo, uma reflexão sobre o valor do culto eucarístico, em especial da adoração ao Santíssimo Sacramento. É a experiência que também esta noite nós viveremos depois da Missa, antes da procissão, durante sua realização e no seu final. Uma interpretação unilateral do Concílio Vaticano II penalizou esta dimensão, restringindo na prática a Eucaristia ao momento celebrativo.

[...] Com efeito, como muitas vezes acontece, para destacar um aspecto se acaba por sacrificar outro. Neste caso, a acentuação dada à celebração da Eucaristia foi em detrimento da adoração, como ato de fé e de oração dirigido ao Senhor Jesus, realmente presente no Sacramento do altar. Esse desequilíbrio teve repercussões também na vida espiritual dos fiéis. De fato, concentrando toda a relação com Jesus Eucaristia somente no momento da Santa Missa, corre-se o risco de esvaziar de Sua presença o restante do tempo e do espaço existenciais.

[...] Agora gostaria de passar brevemente para o segundo aspecto: a sacralidade da Eucaristia. Também aqui sofremos no passado recente com certa incompreensão da mensagem autêntica da Sagrada Escritura. A novidade cristã quanto ao culto foi influenciada por uma mentalidade mundana dos anos 60 e 70 do século passado. É verdade, e permanece sempre válido, que o centro do culto já não está mais nos ritos e nos sacrifícios antigos, mas no próprio Cristo, na sua pessoa, na sua vida, no seu mistério pascal.

E, todavia, desta novidade fundamental não se deve concluir que o sagrado não existe mais, mas que encontrou sua realização em Jesus Cristo, Amor divino encarnado. A carta aos Hebreus, que ouvimos esta noite na segunda Leitura, nos fala justamente da novidade do sacerdócio de Cristo, “sumo sacerdote dos bens vindouros” (Hb 9, 11), mas não diz que o sacerdócio acabou. Cristo “é mediador de uma nova aliança” (Hb9,15), estabelecida no seu sangue, que purifica “a nossa consciência das obras mortas” (Hb9,14).

Ele não aboliu o sagrado, mas o levou a cabo, inaugurando um novo culto, que é sim plenamente espiritual, mas que todavia, até que estejamos em caminho no tempo, se serve ainda de sinais e de ritos, que desaparecerão somente no fim, na Jerusalém celeste, onde não haverá mais nenhum templo. Graças a Cristo, a sacralidade é mais verdadeira, mais intensa, e, como acontece para os mandamentos, também mais exigente!

Não basta observar o rito, mas se requer a purificação do coração e o envolvimento da vida. Apraz-me sublinhar que o sagrado possui uma função educativa, e seu desaparecimento inevitavelmente empobrecerá a cultura, de modo particular a formação das novas gerações. Se, por exemplo, em nome de uma fé secularizada e não mais necessária de sinais sagrados, fosse abolida esta procissão urbana de Corpus Domini, o perfil espiritual de Roma resultaria “esvaziado”, e nossa consciência pessoal e comunitária se tornaria enfraquecida. Também pensamos em uma mãe e em um pai que, em nome de uma fé dessacralizada, privassem seus filhos de qualquer ritual religioso: na realidade terminariam por deixar o campo livre a tantos substitutos presentes na sociedade de consumo, e a outros ritos e a outros sinais, que mais facilmente poderiam se tornar ídolos.





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