BLOG CATÓLICO PARA OS CATÓLICOS.

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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

domingo, 3 de janeiro de 2021

A EUCARISTIA – BOSSUET. 7ª PARTE.

 

Promessa da Eucaristia. O que Nosso

Senhor nos dá, o fruto que devemos tirar,

e o meio de tirar esse fruto. Sua Carne

e seu Sangue, fontes de vida.


Para compreender todo o desígnio do Filho de Deus na Eucaristia, cumpre escutar o que Ele diz dela em São João. Acharemos que Ele faz aí três coisas. Primeiramente explicamos o que nos dá; segundo, o fruto que devemos tirar dela; terceiro, o meio de tirar dela esse fruto.

O que Ele nos dá é a Si próprio, e é sua Carne e seu Sangue; e mal Ele fala disso, os homens exclamam: – “Como é que este homem pode dar-nos sua carne a comer?” O homem argumenta sempre contra si próprio e contra as bondades de Deus. Quando Jesus, para preparar-nos para o Mistério que Ele devia deixar à sua Igreja no dia da ceia, disse que nos daria sua Carne a comer e seu Sangue a beber, os Judeus caíram em três erros. Acreditaram que Ele lhes falava da carne de um puro homem, do filho de José, eis o seu primeiro erro; de uma carne semelhante àquela com que os homens alimentam o corpo, eis o segundo; de uma carne, enfim, que eles consumiriam comendo-a, eis o terceiro.

Contra o primeiro: – “Eu sou, diz Ele, o pão vivo descido do céu”. A carne que comemos não é, pois, a carne do filho de José; é a Carne do Filho de Deus, uma carne concebida do Espírito Santo, e formada do Sangue de uma Virgem. “O Espírito Santo virá sobre vós, e a virtude do Altíssimo vos cobrirá com sua sombra; e a criança santa que nascerá de vós terá o nome do Filho de Deus”.1

QUOD NASCETUR EX TE SANCTUM. SANCTUM, no substantivo, para os que sabem um pouco de gramática, e que entendem a força desse neutro, quer dizer uma coisa substancialmente santa: modo de falar que faz ver que a santidade é substancial em Jesus Cristo. Por quê? Porque sua Pessoa é Santa por Si mesma, pela santidade essencial e substancial do Filho de Deus.

“E eis porque, continua o Anjo, ele será chamado Filho de Deus”. Que quer dizer Ele será chamado? É que Ele não o será essencialmente, e que lhe darão esse nome por alguma figura? Livre-nos Deus! Pelo contrário, Ele o será chamado por excelência. O Pai, que O gera na eternidade, gera-lo-á no seio de Maria, a virtude do Altíssimo cobri-la-á da sua sombra, insinuar-se-lhe-á no seio, e a Carne que o Filho de Deus tomará no seio dessa Virgem será formada pelo Espírito Santo. Será, pois, uma Carne santa, da santidade do Filho de Deus, que a une a Si; será cheia de vida, fonte de vida, viva e vivificante por Si mesma. Assim, o primeiro erro é destruído.

Para refutar o segundo, que consistia em imaginar que a vida, que Jesus Cristo prometia por sua Carne seria essa vida comum e mortal, Ele repete, inculca, em todo o seu discurso, que é a vida eterna, tanto da alma quanto do corpo, que Ele nos quer dar: “A vontade de meu Pai, é que não perca nenhum daqueles que Ele me deu, e que os ressuscite no último dia… Quem comer deste pão, desta vianda celeste, da minha carne, que eu darei pela vida do mundo, viverá eternamente”.2

Para destruir o terceiro erro dos Judeus, que imaginavam uma carne que consumiríamos comendo-a, diz-lhes Ele: “Isto vos escandaliza? Muito mais admirados ficareis então quando virdes o Filho do homem subir ao lugar donde veio”. Como se dissesse: Comerão a minha carne, disse-o Eu; mas nem por isto ficarei menos vivo e menos inteiro. Donde Ele conclui: Não imagineis, pois, que Eu vos fale de uma carne humana comum, ou da carne do filho de José; nem que vos fale de uma carne que vos deva ser dada para manter essa vida mortal, nem por conseguinte, de uma carne que deva ser posta em pedaços e consumida comendo-a: “A carne, nesses sentidos, de nada serve; é o espírito que vivifica; as palavras que eu vos digo são espírito e vida”. Posto que só tenha falado, por assim dizer, da sua carne, do seu sangue, de comer aquela, de beber este, tudo o que Ele disse é espírito; quer dizer manifestamente que na sua Carne, no seu Sangue, tudo é espírito, tudo é vida, tudo está unido à vida e ao espírito; porque sua Carne e seu Sangue são a Carne e o Sangue do Filho de Deus.

Tanto, pois, quanto desejamos a vida, devemos desejar essa Carne que nô-la dá, que a contém, que é a própria vida. “Saiu de mim uma virtude; senti-a sair”. Era uma virtude para curar os corpos: quantas mais sairão para vivificar as almas? Aproximemo-nos, pois, dessa carne, toquemo-la, comamo-la: sairá dela uma virtude que trará a vida às nossas almas, e que a seu tempo a dará aos nossos corpos.

O mesmo sucede com o Sangue de Jesus; esse Sangue é cheio de virtude para nos vivificar; pois, é o Sangue do Filho de Deus, o Sangue do Novo Testamento, como o chama Ele próprio; e quer dizer, como o interpreta São Paulo, “o sangue do Testamento eterno, pelo qual o grande Pastor das ovelhas foi torado da morte”. Ele próprio ressuscitou, pois, dos mortos pela virtude de seu Sangue, porque devia entrar na glória pelos seus sofrimentos. É por esse mesmo Sangue, por esse Sangue do Testamento e da Aliança eterna, que devemos também herdar o seu reino e ter a vida eterna. Comamos, bebamos, vivamos, alimentemo-nos, unamo-nos à vida por essa Carne, por esse Sangue vivificador. Ele os tomou para se aproximar de nós. “Não foi aos anjos que ele quis unir-se; foi a natureza humana que ele quis tomar. E por isto, que os homens são compostos de carne e de sangue, ele quis também ser composto de uma e de outro”,3 é desse modo que Ele se une a nós, e é por essa forma que nos salva.

Temo-lo dito muitas vezes, e não nos devemos cansar de dizer: essa Carne e esse Sangue tornaram-se o vínculo da nossa união com Ele, o instrumento da nossa salvação, a fonte da nossa vida, porque Ele os tomou para nós, porque os ofereceu pela nossa salvação, porque nô-los dá ainda para nos vivificar. Vamos com santa avidez a essa vianda celeste; tudo nela é espírito e vida.


_______________________________

Fonte: Jacques-Bénigne Bossuet, Bispo de Meaux, “Meditações sobre o Evangelho” – Opúsculo “Eucaristia”, Cap. VII, pp. 40-44. Coleção Boa Imprensa, Livraria Boa Imprensa, Rio de Janeiro/RJ, 1942.

1.  Luc., 1, 25.

2.  Jo., 6, 30 segs.

3.  Heb., 2, 14.16.


sábado, 2 de janeiro de 2021

A PRIMEIRA SEXTA-FEIRA DO MÊS DE JANEIRO.


A Devoção ao Sagrado Coração,

seta reservada.


Santo Agostinho diz que Deus, para conquistar o amor dos homens, lançou-lhes nos corações diversas setas de amor. Quais são elas? São, primeiro, as criaturas, depois o Verbo Encarnado, e enfim, a devoção especial ao Sagrado Coração, reservada para estes últimos tempos. Todas as criaturas que vemos, são setas de amor; Deus as fez para o homem, a fim de ganhar seu coração.

Por esta razão Santo Agostinho parecia ouvir as vozes com que elas lhe pregavam o amor divino. Parecia-lhe que o sol, a lua, as estrelas, as montanhas, os campos, os mares, os rios, as flores, os frutos, os pássaros e os peixes lhe bradavam, uns após outros: Agostinho, ama a Deus; Agostinho, ama a Deus; porque Deus nos criou para ti, para te atrair ao seu amor.

Todos estes objetos são então outras tantas setas de amor, que devem inflamar o coração do homem; mas, como se não bastassem, o Pai Eterno chegou ao extremo de nos dar seu próprio Filho, seu Filho muito amado. Deus amou tanto o mundo, diz Jesus a Nicodemos, que lhe deu seu Filho único!1 Oh! Que seta de fogo Jesus Cristo! Como suas qualidades divinas são capazes de arrebatar todos os corações! Quando as filhas de Jerusalém perguntavam a esposa dos Cânticos pelas qualidades do seu Amado: “Qualis est dilectus tuus?”,2 ela respondia com amorosa pressa: Meu Amado é escolhido entre mil; é de uma beleza que excede todas as belezas. Sua cabeça é brilhante como o ouro puro; seu rosto é como um lírio branco e vermelho… E assim continua, empregando os emblemas mais expressivos para descrever a Jesus Cristo, até que, não sabendo mais que dizer, termina por estas palavras: Enfim, meu Amado é todo desejável; Ele não é como os outros filhos dos homens: entre todos se distingue pela beleza;3 é tão perfeito, que não lhe falta perfeição nenhuma: é, em tudo, o mais belo. Com efeito, em qualquer situação de sua vida que Jesus Cristo se apresenta ao nosso olhar, parece-nos todo desejável, todo amável, seja como Menino na Lapa, seja como simples operário na oficina de São José, quer como solitário no deserto, quer como pregador do Evangelho, percorrendo a Judeia e a Galileia; mas em lugar algum nos parece mais amável do que sobre a Cruz, onde O vemos com o Coração transpassado, e na Eucaristia, onde se digna dar-se a nós como Vítima, Companheiro e Alimento: Totus desiderabilis, talis est dilectus meus.

Esta seta ardente abrasou muitas almas que se consumiram de amor para com Deus; mas ai! Muitos corações, contudo, ficaram endurecidos. Que fez o Senhor? Apareceu à Bem-aventurada Margarida Maria, dizendo-lhe: Eis aqui o Coração que tanto amou os homens! O caçador reserva a sua melhor flecha para o último arremesso, a fim de melhor assegurar a presa que persegue; assim, Jesus Cristo, entre todos os seus benefícios, guardou a devoção especial para com seu Sagrado Coração, como uma seta de reserva, até estes últimos tempos: e agora, Ele quer que ela se propague por toda parte, como para dar o último golpe, e ferir com seu amor os corações dos homens: Possuit me sicut sagittam electam, in pharetra sua abscondit me.4

É agora então, alma cristã, é agora o tempo de amar: É agora a época do amor: Ecce tempus tuum, tempus amantium.5 E qual será a prova de amor que ides dar a Jesus Cristo? Ah! Ides procurar-Lhe agradar; ides tomar por vossa divisa: Agradar a Deus e morrer!… Oh! Quanto é belo agradar a Deus! Se quereis saber o que se entende por agradar a Deus, escutai o que escreveu o Padre Antônio Torres: “Significa agradar a esse Coração cheio de amor, ao qual devemos tanto; ser agradável aos divinos olhos sempre cheios de solicitude para nosso bem; satisfazer a esta vontade divina, sempre ocupada em nos amar. Agradar a Deus, é o fim para que fomos criados, o fim a que devem tender todos os nossos desejos, a regra que deve dirigir todo o nosso proceder. Agradar a Deus, é o que os Santos buscam antes de tudo; é o que levou tantas virgens a se consagrarem ao Senhor nos claustros; é o que tornou insensíveis às calúnias e às injúrias os que foram perseguidos; é o que tornou doces aos Mártires os tormentos e a morte mesma. Agradar a Deus, é uma coisa tão excelente, que se deve preferi-la a todos os interesses, a todas as felicidades… Eis aí o que quer dizer: Agradar a Deus”.

Aquele que deseja agradar a Deus perfeitamente, deve tomar as resoluções seguintes:

1º. Evitar toda falta venial voluntária.

2º. Despir-se de todo afeto às coisas da terra.

3º. Nunca deixar seus exercícios ordinários de oração e mortificação, quaisquer que sejam o nojo e desgosto que neles ache.

4º. Meditar todos os dias na Paixão de Nosso Senhor.

5º. Submeter-se à vontade de Deus em todas as contrariedades.

6º. Pedir sem cessar a Deus o dom de seu Santo amor.


Prática

Tomarei por divisa: Agradar ao Coração de Jesus, e morrer. Seu amor para comigo é sem limites! Não chegarei a amá-Lo também sem reserva? Isto alcançarei, se puser em prática os meios acima indicados.



Afetos e Súplicas

Meu Senhor, meu Deus, meu amor, meu tudo, sei que só Vós me podeis tornar feliz, nesta vida e na outra; mas não quero Vos amar para minha própria satisfação; todo meu desejo, no amor que Vos consagro, é contentar vosso divino Coração: quero que minha paz, minha felicidade, durante toda a minha vida, consista unicamente em unir minha vontade à vossa Santa vontade, ainda que me fosse preciso sofrer para isto todos os males. Vós sois meu Deus, e eu sou vossa criatura; ah! Que posso desejar senão agradar a meu Soberano Senhor, a meu Deus, que me consagra amor de predileção? Ó meu Jesus, Vós descestes do Céu para levardes cá na terra vida pobre e mortificada por amor de mim; renuncio a tudo e não quero mais viver senão para Vos amar; todo meu prazer será Vos agradar. Eu Vos amo, ó meu amável Redentor, eu Vos amo com todas as minhas forças. Para que me permitais Vos amar, tratai-me como Vos agradar! Estou resolvido a Vos satisfazer quanto me for possível. Ó Mãe de Deus, tornai-me semelhante a Vós, não na glória, que não posso merecer no mesmo grau que Vós, mas na graça de agradar ao Senhor e de fazer como Vós sua divina vontade. Amém.


Oração Jaculatória

Dulcíssimo Coração de Jesus, feri meu coração com vosso Santo amor.



Exemplo

A Madre Mélin tinha privado da comunhão a Bem-aventurada Margarida Maria na primeira sexta-feira do mês. O Senhor, para a punir, ameaçou-a com o tirar-lhe uma jovem professa de grande esperança: era a irmã Rosália Verchère. Ainda na flor da idade, pois tinha apenas dezoito anos, caiu de repente perigosamente enferma, e em poucos dias corria risco de vida. Margarida Maria se tinha posto em oração para pedir a Nosso Senhor seu restabelecimento, e foi-lhe respondido que esta irmã continuaria enferma, até que a Superiora tirasse a proibição quanto à comunhão da primeira sexta-feira do mês. Não podendo resolver-se por si mesma a fazer conhecer as graças que recebeu do Coração do seu Amado, a Bem-aventurada recorreu a uma irmã antiga, Maria Madalena, em quem tinha grande confiança. Escreveu-lhe, pois, o bilhete seguinte: “No Sagrado Coração de Jesus Cristo é que vos escrevo este bilhete, minha querida irmã, pois Ele assim o quer. Não vos surpreendais que me dirija a vós na extrema pena que padeço por causa de minha irmã Verchère. Esta manhã, levantando-me, pareceu-me ouvir distintamente estas palavras: Dize a tua Superiora, que ela Me dá grande desgosto… proibindo-te a comunhão que Eu te tinha mandado fazer nas primeiras sextas-feiras de cada mês, a fim de satisfazer, oferecendo a meu Eterno Pai os merecimentos de meu Sagrado Coração, a sua divina justiça pelas faltas que se cometem contra a caridade. Visto como te escolhi para seres a vítima expiatória destas faltas, e ela te proibiu cumprir minha vontade nisto, estou resolvido a sacrificar para Mim, como vítima, a irmã que está enferma”. A irmã Madalena não hesitou em aconselhar-lhe que declarasse tudo à Superiora; a Bem-aventurada o fez, apesar de sua extrema repugnância. A Madre Mélin respondeu que lhe permitiria a comunhão na primeira sexta-feira do mês, mas contanto que ela rogasse a Jesus pelo restabelecimento da irmã Verchère. Margarida obedeceu, e a enferma, cuja morte parecia inevitável, saiu logo do perigo. Entretanto, a Bem-aventurada, que tomou as palavras da Superiora como simples promessa, não ousava ainda recomeçar suas comunhões. Também a irmã Verchère, saída das portas do túmulo, continuava com grandes dores. Durante os cinco ou seis meses que ela esteve na enfermaria, a Bem-aventurada lhe fez frequentes visitas, e ao mesmo tempo conjurava ao Coração de Jesus que acabasse a cura que tinha começado. Mas Nosso Senhor declarou positivamente que ela não seria atendida, senão quando tivesse recomeçado suas comunhões da primeira sexta-feira do mês. Pelo que Margarida resolveu-se a falar de novo à Superiora; esta não quis resistir mais tempo a uma vontade do Céu tão claramente manifestada. Logo a irmâ Verchère ficou completamente sã.


________________________

Fonte: O Sagrado Coração de Jesus, segundo Santo Afonso de Ligório, ou, Meditações para o Mês do Sagrado Coração, a Hora Santa e a Primeira Sexta-feira do Mês; coligidas das Obras do Santo Doutor pelo Padre Saint-Omer, C.Ss.R., “A Primeira Sexta-feira do Mês de Janeiro”, pp. 288-294. 5ª Edição Portuguesa, Tipografia de Frederico Pustet, Impressores da Santa Sé. Ratisbona/Alemanha, 1926.

1.  Jo., 3, 16.

2.  Cânt., 5, 10.

3.  Psal., 41, 3.

4.  Is., 49, 2.

5.  Ez., 16, 8.


quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

EXERCÍCIO DE AÇÃO DE GRAÇAS PARA O DIA DE ANO BOM.

 


Orações Iniciais


V. Pelo sinal † da Santa Cruz, livrai-nos, Deus † Nosso Senhor, dos nossos † inimigos.

R. Em nome do Pai † e do Filho e do Espírito Santo. Amém.1


Súplica ao Divino Espírito Santo


V. Vinde, Espírito Santo, encheis os corações dos vossos fiéis; e acendei neles o fogo do vosso amor.2


V. Enviai o vosso Espírito e tudo será criado.

R. E renovareis a face da terra.


Oremos: Ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, concedei-nos que pelo mesmo Espírito conheçamos tudo o que é reto, e gozemos sempre as suas consolações. Por Cristo, Nosso Senhor. Amém.



Reflexão3


Neste dia 1º de Janeiro, começa o ano civil, como o Eclesiástico na 1ª Dominga do Advento. Agradeçamos a Deus o ter-nos concedido iniciar mais este ano que é de graça e de misericórdia, como todos os da presente vida nossa; ponderemos que talvez não lhe vejamos o fim, e firmemos a resolução de reparar o passado e preparar o futuro, fazendo todo bem que está em nossas mãos, fugindo do pecado e das ocasiões de pecado, conforme a experiência adquirida, talvez bem cara, nos anos passados.

São louváveis os cumprimentos e votos que se costumam oferecer mutuamente os Cristãos neste dia, com tal, porém, que sejam cordiais e sinceros sinais de afeto e caridade, sem o que não passariam de cerimônia pagã, sem préstimo algum.


V. Vinde, ó Deus, em meu auxílio.

R. Senhor, apressai-Vos em me socorrer.

V. Glória ao Pai, e ao Filho, e ao Espírito Santo.4

R. Assim como era no princípio, agora e sempre, e por todos os séculos dos séculos. Amém.



Sequentia Aurea:

Veni Sancte Spiritus5


Veni, Sancte Spíritus,

et emitte caelitus

lucis tuae radium.


Veni, pater pauperum,

veni, dator munerum

veni, lumen cordium.


Consolator optime,

dulcis hospes animae,

dulce refrigerium.


In labore requies,

in aestu temperies

in fletu solatium.


O lux beatissima,

reple cordis intima

tuorum fidelium.


Sine tuo numine,

nihil est in homine,

nihil est innoxium.


Lava quod est sordidum,

riga quod est aridum,

sana quod est saucium.


Flecte quod est rigidum,

fove quod est frigidum,

rege quod est devium.


Da tuis fidelibus,

in te confidentibus,

sacrum septenarium.


Da virtutis meritum,

da salutis exitum,

da perenne gaudium.

Amen. Alleluia.

Em Português

Vinde, Espírito Criador,

visitai as almas dos Vossos,

enchei de graça celestial,

os corações que criastes.

Sois o Divino Consolador,

o dom do Deus Altíssimo,

fonte viva, o fogo, a caridade,

a unção dos espirituais.

Com os Vossos sete dons,

sois o dedo da direita de Deus,

Solene promessa do Pai,

Inspirando nossas palavras.

Acendei a luz nos sentidos;

insuflai o amor nos corações,

amparai na constante virtude

a nossa carne enfraquecida.

Afastai para longe o inimigo,

Trazei-nos prontamente a paz;

Assim guiados por Vós

Evitaremos todo o mal.


Por Vós explicar-se-á o Pai,

E conheceremos o Filho;

Dai-nos crer sempre em Vós

Espírito do Pai e do Filho.


Glória ao Pai, Senhor,

Ao Filho que ressuscitou

Assim como ao Consolador.

Por todos os séculos. Amém.


V/ Enviai, Senhor, o vosso espírito e tudo será criado.

R/ E renovareis a face da terra.


Oremos: Ó Deus, que ilustrastes os corações dos fiéis com as luzes do Espírito Santo, dai-nos, pelo mesmo Espírito, procurar o que é reto, e nos alegrarmos sempre com a sua consolação. Por Jesus Cristo Nosso Senhor. Amém.



Oração para o Início do Ano6


V. Deus Trino e Uno, sois meu Criador, Redentor e Santificador. Adoro-Vos humildemente e confesso que sois meu Senhor Supremo. Consagro-Vos este novo ano: sou todo vosso; para Vós eu vivo, só vosso quero ser para sempre.

R. Ó Santíssima Trindade, graças vos rendo por todos os vossos benefícios e em particular pela graça de poder iniciar este novo ano. Acrescentai ainda a este favor o de saber aproveitar-me bem desta dádiva.

V. Ó Jesus, que no dia de hoje derramastes as primeiras gotas de vosso Sangue, proponho-me viver muito fielmente durante este novo ano. Espero que seja verdadeiramente um Ano Bom e assim vos possa preparar muitas alegrias.

R. Ofereço-Vos tudo o que este novo ano consiga trazer; ponho em vosso Coração adorável todos os meus trabalhos, orações, fadigas, penas e alegrias. Abençoai cada uma de suas horas e cada um de seus dias, preservai-me do pecado e aumentai em mim o amor e o zelo por vossa glória.

V. Dai-me todas as graças corporais e espirituais que me forem necessárias, a fim de que possa aproveitar conscienciosamente este ano.

R. Abençoai meu corpo, conservai-me puro e casto em vosso santo serviço. Abençoai minha alma com todas as suas potências; iluminai meu entendimento, dirigi minha vontade e dai-me zelo e fidelidade na prática do bem.

V. Rogo-Vos também por toda a humanidade: por meus parentes, por todos os membros da Congregação, tanto os que se acham aqui como os que trabalham nas Missões, por todos os nossos benfeitores, amigos e inimigos, pelos gentios e pelas Almas do Purgatório. Que este ano seja rico em bênçãos para todos!

R. Finalmente, me coloco e a todos os que vos recomendei sob o patrocínio da Santíssima Virgem Maria, Mãe de Deus, de São José, nossos Santos Padroeiros e de todos os Anjos e Santos do Céu. Amém.

Glória ao Pai…



Hino7

Veni, Creator Spíritus.


Veni, Creator Spíritus,

mentes tuórum visita,

imple supérna grátia,

quae tu creásti péctora.

Qui díceris Paráclitus,

altíssimi donum Dei,

fons vivus, ignis, cáritas,

et spiritális únctio.

Tu septifórmis múnere,

dígitus paternae déxterae,

tu rite promíssum Patris,

sermóne ditans gúttura.

Accénde lumen sénsibus;

infunde amórem córdibus,

infírma nostri córporis

virtúte firmans pérpeti.

Hostem repéllas lóngius,

pacémque dones prótinus;

ductóre sic te praevio

vitemus omne noxium.


Per te sciámus da Patrem,

noscamus atque Filium;

teque utriúsque Spíritum

credamus omni témpore.

Deo Patri sit glória,

et Fillio, qui a mórtuis

surréxit, ac Paráclito,

in saeculórum saecula. Amem.


V/ Emítte Spíritum tuum, et creabúntur.

R/ Et renovábis fáciem terrae.


Oremus: Deus qui corda fidélium Sancti Spíritus illustratióne docuísti: da nobis in eódem Spíritu recta sápere; et de ejus semper consolatióne gaudére. Per Christum dominum nostrum. Amen.

Em Português

Vinde, Espírito Criador,

visitai as almas dos Vossos,

enchei de graça celestial,

os corações que criastes.

Sois o Divino Consolador,

o dom do Deus Altíssimo,

fonte viva, o fogo, a caridade,

a unção dos espirituais.

Com os Vossos sete dons,

sois o dedo da direita de Deus,

Solene promessa do Pai,

Inspirando nossas palavras.

Acendei a luz nos sentidos;

insuflai o amor nos corações,

amparai na constante virtude

a nossa carne enfraquecida.

Afastai para longe o inimigo,

Trazei-nos prontamente a paz;

Assim guiados por Vós

Evitaremos todo o mal.


Por Vós explicar-se-á o Pai,

E conheceremos o Filho;

Dai-nos crer sempre em Vós

Espírito do Pai e do Filho.


Glória ao Pai, Senhor,

Ao Filho que ressuscitou

Assim como ao Consolador.

Por todos os séculos. Amém.


V/ Enviai, Senhor, o vosso espírito e tudo será criado.

R/ E renovareis a face da terra.


Oremos: Ó Deus, que ilustrastes os corações dos fiéis com as luzes do Espírito Santo, dai-nos, pelo mesmo Espírito, procurar o que é reto, e nos alegrarmos sempre com a sua consolação. Por Jesus Cristo Nosso Senhor. Amém.


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1.  Concede-se indulgência parcial ao fiel que faça devotamente o Sinal da Cruz, proferindo as palavras costumeiras: Em nome do Pai e do Filho e do Espírito. Amém. Manual das Indulgências – Normas e Concessões, Concessão 55, p. 65. 2ª Edição, Editora Paulos, São Paulo/SP, 1990.

2.  Indulgência parcial. Manual das Indulgências, ob. cit., Concessão 62, p. 72.

3.  Goffiné… ob. cit., pp. 272-273.

4.  Indulgência parcial. Manual das Indulgências, ob. cit., Apêndice, p. 78.

6.  “Vademecum”… ob. cit., pp. 292-293.

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