BLOG CATÓLICO PARA OS CATÓLICOS.

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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

sábado, 23 de outubro de 2021

NOVENA DAS ALMAS. 1ª DIA.

 

Notas Introdutórias1

Sobre o Dogma do Purgatório


Existe o Purgatório, isto é, um estado de purificação moral, em que as almas ainda não completamente puras são purificadas mediante penas, tornando-se assim dignas do Céu.

(Qualificação – De fé)

Explicação: A Igreja definiu o Purgatório desde a Idade Média, porque, mesmo sem citar os ataques dos Albigenses e dos Valdenses, este ponto de doutrina era confuso e incerto na Igreja grega. Na profissão de fé do imperador Miguel Paleólogo, que foi aceita pelo II Concílio de Lião (1274), declara-se que “as almas separadas do corpo no arrependimento e na caridade, depois da morte, são purificadas com penas purificadoras.2 Essa declaração foi repetida pelo Concílio Florentino.3 Mais tarde, Leão X condenou a tese de Lutero, que afirmava que o Purgatório não se pode provar pelos livros canônicos da Escritura.4 O Concílio de Trento para combater as negações dos Protestantes, teve que afirmar ainda uma vez a existência do Purgatório. Fê-lo num decreto da última Sessão5; conferir também o Símbolo Tridentino.6

Adversários:7 Negaram a existência do Purgatório os Protestantes antigos; os modernos admitem-no, mas negam que seja possível socorrer com boas obras as almas que lá se encontram.



Provas

Tradição:

a) “Se alguém disser… que a todo o pecador arrependido é de tal maneira extinguido o reato da pena eterna, que não permanece reato algum de pena temporal, que tenha de expiar ou nesta vida ou na futura no Purgatório, antes de se lhe poder patentear a entrada no reino dos Céus, seja anátema”.8

b) Definimos que aqueles que… “morrerem em graça de Deus, antes de terem satisfeito (pelos seus pecados)… com dignos frutos de penitência, as suas almas são purificadas com as penas do Purgatório, depois da morte, e para os livrarem dessas penas, são-lhes proveitosos os sufrágios dos fiéis que ainda vivem”.9

Escritura Sagrada:

“É um pensamento santo e salutar orar pelos defuntos, a fim de que, se vejam livres dos seus pecados”.10

Esta passagem mostra que a Escritura supõe a existência do Purgatório, quer dizer, um estado em que as almas têm ainda alguma coisa que expiar pelos seus pecados, e podem ser socorridas com as boas obras dos fiéis.

Pelo Raciocínio:

A perfeição da Justiça divina, exige que às culpas veniais corresponda alguma pena. Como esta, muitas vezes não se sofre nesta vida, terá de se expiar no Purgatório.

Consequência: Segundo o Concílio de Florença, antes citado, e segundo a Escritura, os fiéis podem com boas obras livrar das penas do Purgatório as almas que lá se encontram. Estas obras devem ser feitas em graça de Deus, salvo o caso das indulgências...



Outras Explicações

Penas do Purgatório:11 A revelação que nos fala claramente da existência de um Purgatório não se explica tão claramente sobre o estado em que se acham as almas que precisam de purificar-se; não podemos, portanto, saber com exatidão nem onde elas sofrem, nem o que sofrem, nem de que modo sofrem.

Só podemos afirmar que as penas do Purgatório são extremamente graves e de duas espécies: a primeira, a mais insuportável, diz o Concílio de Florença, é a privação de Deus.

A necessidade de ver e possuir a Deus, que a alma, desprendida do corpo, compreende ser o objeto único de sua felicidade: essa necessidade se faz sentir a todas as nossas faculdades com uma força extraordinária.

É uma sede ardente, é uma fome devoradora, é um vazio medonho, uma espécie de asfixia produzida pela ausência de Deus, que é o alimento e o ar de nossa alma.

A segunda, é uma dor que põe a alma em torturas mais cruéis do que as que os tiranos infligiam aos Mártires.

A Igreja não definiu a natureza desta dor, mas permite ensinar-se geralmente que há no Purgatório, como no Inferno, um fogo misterioso que envolve as almas sem consumi-las; e, diz La Luzerne, conquanto não seja um artigo de fé, todas as autoridades dão tanto peso à doutrina de um fogo expiatório, que seria temeridade desprezá-la.

Causas do Purgatório: São duas as causas do Purgatório:

1ª A falta de satisfação suficiente pelos pecados remitidos. É de fé que Deus, perdoando os pecados cometidos depois do Batismo e a pena eterna devida a esses pecados quando são mortais (graves), deixa ordinariamente ao pecador já conciliado, a dívida de uma certa pena temporal que ele há de solver nesta vida ou na outra.

2ª Os pecados veniais de que os justos podem estar maculados quando partem deste mundo.

Estado das Almas do Purgatório: Conquanto padecendo os mais cruéis tormentos, não se abandonam as Almas do Purgatório à impaciência nem ao desespero: estão na graça e na caridade, e sua vontade tanto se conforma com a vontade divina, que elas querem com alegria tudo o que Deus quer. – Adoram a mão que as castiga e, por mais desejos que tenham de seu livramento, não o almejam senão na ordem dos decretos divinos. Consolam-se com a certeza que têm de não ofender mais a Deus e de ir um dia possuí-lO no Céu, por toda a eternidade.

Duração das penas do Purgatório: Essas penas durarão pouco em relação às penas do Inferno, que são eternas, mas, consideradas em si mesmas, podem durar muito tempo. A Igreja autoriza os sufrágios de aniversário por muitos anos e até durante séculos: o que faz supor, que as almas podem ficar todo esse tempo no Purgatório. Autores respeitáveis, entre outros, Belarmino, admitem que haja pecadores detidos no Purgatório até o fim do mundo.

Boas obras em favor das Almas do Purgatório: Há entre os fiéis vivos e os fiéis mortos, comunicação das boas obras.

“A Igreja Católica, esclarecida pelo Espírito Santo, aprendeu nas divinas Escrituras e na antiga Tradição dos Santos Padres e tem ensinado nos grandes Concílios, que há um Purgatório e que as almas detidas nesse lugar são socorridas pelos sufrágios dos fiéis e principalmente pelo precioso Sacrifício do Altar”.12

O Corpo Místico de Jesus Cristo se compõe de três Igrejas bem distintas: a Igreja Triunfante no Céu, a Igreja Padecente no Purgatório, a Igreja Militante na terra. Essas Igrejas, distintas em razão de sua situação diversa, compõem realmente um só Corpo, do qual Jesus Cristo é a Cabeça; e em virtude da Comunhão dos Santos, que professam no Símbolo, elas se prestam mútuo auxílio. Tal é a magnífica harmonia do Corpo da Igreja Católica.

Não poderíamos nunca, diz o Catecismo Romano, exaltar e agradecer devidamente a inefável bondade divina, que outorgou aos homens o poder de satisfazer uns pelos outros e pagar assim o que é devido ao Senhor.

As Orações das Almas do Purgatório: É certo que, as Almas do Purgatório não podem merecer para si, mas, ensinam comumente os Teólogos, diz Monsenhor Devie, que se lhes pode fazer súplicas e que Deus se digna atendê-las, quando elas exercem a caridade para conosco, pedindo o que é necessário. Os Santos no Céu, acrescenta esse Prelado, não podem merecer para si; entretanto, eles pedem por nós. É a doutrina de Belarmino, de Suarez, de Léssio e de Ligório.

“As almas que penam, diz Belarmino, são Santas, oram como os Santos; e são escutadas em razão de seus méritos anteriores”.

“A opinião de que as Almas do Purgatório oram por nós, diz Suarez, é muito pia e muito conforme à ideia que temos da bondade divina: não é em nada errônea”.

“Os mortos, observa ainda Belarmino, podem vir em nosso auxílio, porque os membros devem imitar a Cabeça, o Chefe Jesus Cristo… Há de se dar a reciprocidade entre os membros de um mesmo corpo: assim como na Igreja os vivos socorrem os mortos, os mortos devem socorrer os vivos, cada um a seu modo”.

Todavia, a Igreja em seu culto externo não pratica a invocação das Almas do Purgatório.



NOVENA

Pensemos que provavelmente se acham penando no Purgatório almas que esperam os nossos socorros com um direito especial, como a do nosso pai, mãe, irmãos, outros parentes e amigos. Ajuntemos que estas santas almas não podem socorrer a si mesmas, pois, ali estão para pagar pelas suas faltas; esta consideração mais que tudo nos deve vivamente excitar a irmos ao seu socorro com quantas forças pudermos. Nisto, não somente seremos muito agradáveis a Deus, mas, adquiriremos grandes merecimentos; e estas benditas almas não deixarão de nos obter do Senhor muitas graças, principalmente a salvação eterna.13

Orações Iniciais

Pelo † sinal, da Santa Cruz…


V. Abri, Senhor, os meus lábios.

R. E minha boca pronunciará o vosso louvor.

V. Meu Deus, em meu favor e amparo atende.

R. E dos meus inimigos me defende.


Oremos: Senhor, preparai e fortalecei nossos corações com a abundância de vossa graça, a fim de que, penetrando, em espírito de fé, caridade e compaixão, nas tristes prisões do Purgatório, possamos levar aos fiéis que nele sofrem os tesouros de sufrágios que dão alívio a seus padecimentos, glória à vossa divina Majestade, consolação e paz as nossas almas. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.


V. Vinde, † ó Deus, em meu auxílio.

R. Socorrei-me sem demora.

V. Glória ao Pai, e ao Filho e ao Espírito Santo.

R. Assim como era no princípio, agora e sempre, e por todos os séculos dos séculos. Amém.


V. Dai às almas dos fiéis defuntos o repouso, Senhor.

R. E da luz eterna o esplendor.

V. Descansem em paz.

R. Amém!



Orações a Jesus Cristo14

Para conseguir, pelas dores de sua Paixão,

se digne ter piedade das Almas do Purgatório.

1. Dulcíssimo Jesus, pelo suor de Sangue que vertestes no jardim de Getsêmani, tende compaixão dessas benditas almas. – Tende delas compaixão, Senhor, tende delas compaixão.

2. Dulcíssimo Jesus, pelas dores que sofrestes na vossa cruel Flagelação, tende compaixão dessas benditas almas. – Tende delas compaixão, Senhor, tende delas compaixão.

3. Dulcíssimo Jesus, pelas dores que sofrestes na vossa dolorosa Coroação de Espinhos, tende compaixão dessas benditas almas. – Tende delas compaixão, Senhor, tende delas compaixão.

4. Dulcíssimo Jesus, pelas dores que sofrestes levando a vossa Cruz ao Calvário, tende compaixão dessas benditas almas. – Tende delas compaixão, Senhor, tende delas compaixão.

5. Dulcíssimo Jesus, pelas dores que sofrestes na vossa Crucifixão crudelíssima, tende compaixão dessas benditas almas. – Tende delas compaixão, Senhor, tende delas compaixão.

6. Dulcíssimo Jesus, pelas dores que sofrestes na vossa amarguíssima Agonia sobre a Cruz, tende compaixão dessas benditas almas. – Tende delas compaixão, Senhor, tende delas compaixão.

7. Dulcíssimo Jesus, pela dor imensa que sofrestes rendendo a vossa bendita Alma, tende compaixão dessas benditas almas. – Tende delas compaixão, Senhor, tende delas compaixão.

Oração

Ó Santa e Augustíssima Trindade! Ó Jesus! Ó Maria! Anjos benditos; Santos e Santas do Paraíso, alcançai-me as seguintes graças que peço pelo Sangue de Jesus:

Fazer sempre a vontade de Deus;

Viver estreitamente unido com Deus;

Pensar incessantemente em Deus;

Amar sobre todas as coisas a Deus;

Fazer tudo por Deus;

Procurar só a glória de Deus;

Fazer-me santo por amor de Deus;

Reconhecer minha miséria e o meu nada;

Conhecer cada vez mais a vontade de meu Deus.

Santa Maria, oferecei ao Eterno Pai o Sangue precioso de Jesus Cristo pela salvação de minha alma, pelas Santas Almas do Purgatório, pelas necessidades da Santa Igreja, pela conversão dos pecadores, pelo mundo inteiro. Amém.



Meditação

As dores sofridas por essas benditas almas são numerosas; mas uma das maiores, é pensar que, pelos pecados que cometeram durante sua vida, são elas próprias a causa dos seus padecimentos. Ó Jesus, meu Salvador, quantas vezes mereci o Inferno! Ah! Que pena experimentaria agora, se estivesse no Inferno, pensando que eu mesmo era a causa da minha condenação! Graças Vos rendo pela paciência com que me tendes sofrido.

Ó meu Deus, pois, que sois a bondade infinita amo-Vos sobre todas as coisas, e pesa-me de todo o coração de Vos haver ofendido. Prometo-Vos antes morrer do que ofender-Vos de novo; dai-me a santa perseverança. Tende compaixão de mim, e tende também compaixão dessas benditas Almas que ardem no Purgatório. Ó Maria, Mãe de Deus, socorrei-as por vossas poderosas orações. Pai Nosso, Ave Maria, e Glória ao Pai.



Salve Rainha pelos Mortos

Salve, Rainha, Mãe de misericórdia, vida, doçura, esperança nossa, não só neste vale de lágrimas, porém, ainda no lugar de nossa expiação, salve! A Vós clamamos, Consoladora dos aflitos; a Vós suspiramos, gemendo e chorando por nossos irmãos que sofrem no Purgatório. Esses vossos olhos misericordiosos volvei a eles, Advogada nossa; e mostrai-lhes Jesus, bendito fruto do vosso ventre. Isto Vos rogamos encarecidamente por eles, ó Clemente, ó Piedosa, ó Doce Virgem Maria! Intercedei pelos mortos, Santa Mãe de Deus, para que entrem já no gozo das promessas de Cristo. Amém.

Oremos: Ó Jesus, abandonado de todos e até dos vossos Apóstolos no Jardim de Getsêmani, dignai-Vos lançar os olhos de misericórdia sobre as Almas do Purgatório, e em particular sobre as que não recebem orações nem consolações e que, pelo decurso do tempo ou efeito de irreligiosidade e negligência, estão esquecidas: fazei que participem das orações, Santos Sacrifícios, boas obras, cujo mérito não puder ser aplicado àqueles por quem a Igreja os oferta. Ah! Senhor, não terei eu abandonado, em um criminoso esquecimento, almas que tenham direito a meu reconhecimento, de parentes, de amigos, de benfeitores? Quero daqui em diante, reparar tão grande ingratidão… Se conhecesse algum meio eficaz, por mais penoso que me fosse, empregá-lo-ia para aliviar essas pobres almas, sem proteção, no meio de um oceano de sofrimentos. Entretanto, eu me proponho fazer todos os sacrifícios que puder, e todo o bem que ofereço-Vos à vossa glória e pelas Almas do Purgatório em consideração de sua fé e esperança em Vós, em consideração, principalmente, da Agonia mortal e cruel abandono que sofrestes: dignai-Vos, ó Jesus, remir-lhes as penas que ainda têm de sofrer, a fim de que, possam ter livre entrada no reino eterno a que aspiram e onde celebrarão a grandeza inefável de um Deus que não desampara a ninguém. Amém.

Ato Heroico de Caridade,

em favor das Almas do Purgatório.

Ó Santa e Adorável Trindade, desejando ajudar o livramento das Almas do Purgatório, cedo, em proveito delas, a parte satisfatória de todas as minhas obras e todos os sufrágios que me forem concedidos depois da minha morte, e os ponho nas mãos da Santíssima Virgem, para que Ela os aplique, como bem Lhe parecer, às Almas dos Fiéis Defuntos que Ela quer livrar das suas penas. Dignai-Vos, ó meu Deus, de acolher e abençoar a oferta que neste momento Vos faço. Assim seja.



Ladainha pelos Fiéis Defuntos15


Senhor, tende piedade de nós.

Jesus Cristo, tende piedade de nós.

Senhor, tende piedade de nós.


Jesus Cristo, ouvi-nos.

Jesus Cristo, atendei-nos.


Deus Pai dos Céus, tende misericórdia dos fiéis defuntos.

Deus Filho, Redentor do mundo, tende misericórdia dos fiéis defuntos.

Deus Espírito Santo, tende misericórdia dos fiéis defuntos.

Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende misericórdia dos fiéis defuntos.


Santa Maria, rogai pelos fiéis defuntos.

Santa Mãe de Deus, rogai pelos fiéis defuntos.

Santa Virgem das virgens, rogai pelos fiéis defuntos.

São Miguel, rogai pelos fiéis defuntos.

Todos os Santos Anjos e Arcanjos, rogai pelos fiéis defuntos.

São João Batista, rogai pelos fiéis defuntos.

São José, rogai pelos fiéis defuntos.

Todos os Santos Patriarcas e Profetas, rogai pelos fiéis defuntos.

São Pedro, rogai pelos fiéis defuntos.

São Paulo, rogai pelos fiéis defuntos.

São João, rogai pelos fiéis defuntos.

Todos os Santos Apóstolos e Evangelistas, rogai pelos fiéis defuntos.

Santo Estêvão, rogai pelos fiéis defuntos.

São Lourenço, rogai pelos fiéis defuntos.

Todos os Santos Mártires, rogai pelos fiéis defuntos.

São Gregório, rogai pelos fiéis defuntos.

Santo Ambrósio, rogai pelos fiéis defuntos.

Todos os Santos Pontífices e Confessores, rogai pelos fiéis defuntos.

Santa Maria Madalena, rogai pelos fiéis defuntos.

Santa Catarina, rogai pelos fiéis defuntos.

Todos Santos e as Santas de Deus, intercedei pelos fiéis defuntos.


Sede-nos propício, perdoai-lhes, Senhor.

Sede-nos propício, escutai-nos, Senhor.


De todo o mal, livrai-os, Senhor.

Da vossa ira, livrai-os, Senhor.

Do ardor do fogo, livrai-os, Senhor.

Da região das sombras da morte, livrai-os, Senhor.

Por vossa admirável Conceição, livrai-os, Senhor.

Por vosso Nascimento, livrai-os, Senhor.

Por vosso Nome dulcíssimo, livrai-os, Senhor.

Pela multidão de vossas misericórdias, livrai-os, Senhor.

Por vossa Paixão acerbíssima, livrai-os, Senhor.

Por vossas Chagas Sacratíssimas, livrai-os, Senhor.

Pela Morte ignominiosa com que, morrendo, vencestes nossa morte, livrai-os, Senhor.


Pecadores que somos, nós Vos rogamos, atendei-nos.

Vós que absorvestes a pecadora e escutastes o Bom Ladrão, nós Vos rogamos, atendei-nos.

Vós que salvastes gratuitamente todos os que estão salvos, nós Vos rogamos, atendei-nos.

Que absolvais de todos os seus pecados e penas aos nossos parentes, amigos e benfeitores, nós Vos rogamos, atendei-nos.

Que Vos digneis lembrar-Vos e compadecer-Vos de todos os fiéis defuntos que não são mais lembrados na terra, nós Vos rogamos, atendei-nos.

Que outorgueis a todos os que descansam em Cristo o lugar de refrigério, da luz e da paz, nós Vos rogamos, atendei-nos.

Que convertais sua tristeza e luto em alegria, nós Vos rogamos, atendei-nos.

Que Vos digneis coroar sua inspiração, nós Vos rogamos, atendei-nos.

Que os façais bendizer-Vos de tudo e Vos oferecer para sempre o sacrifício do vosso louvor, nós Vos rogamos, atendei-nos.

Que os eleveis ao grêmio dos vossos escolhidos, nós Vos rogamos, atendei-nos.

Filho de Deus, nós Vos rogamos, atendei-nos.

Fonte de piedade, nós Vos rogamos, atendei-nos.

Vós, que tendes a chave da Morte e do Inferno, nós Vos rogamos, atendei-nos.


Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, dai o repouso aos fiéis defuntos.

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, dai o repouso aos fiéis defuntos.

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, dai aos fiéis defuntos o repouso eterno.


Jesus Cristo, ouvi-nos.

Jesus Cristo, atendei-nos.


Senhor, tende piedade de nós.

Jesus Cristo, tende piedade de nós.

Senhor, tende piedade de nós.


Pai Nosso que estais no Céu…


V. Das portas do Inferno.

R. Salvai as suas almas, Senhor.

V. Descansem em paz.

R. Amém.

V. Senhor, escutai a minha oração.

R. E chegue até Vós o meu clamor.


Oremos: Ó Deus, que perdoais aos pecadores e quereis a salvação dos homens, de vossa clemência imploramos que, pela intercessão da Bem-aventurada e sempre Virgem Maria e de todos os vossos Santos, leveis à eterna Bem-aventurança os nossos irmãos, parentes e benfeitores que têm partido deste mundo. Por Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém.


________________________

1.  Pe. Bernardo Bartmann, “Teologia Dogmática”, Vol. III, Livro VII, § 214, pp. 448-449. 2ª Impressão, Edições Paulinas, São Paulo/SP, 1964.

2.  (poenis purgatoriis seu catharteriis, Denz. 464).

3.  Denz. 693.

4.  Denz. 777.

5.  Sessão 25, Denz. 983.

6.  Denz. 998.

7.  Pe. J. Bujanda, S.J., “Manual de Teologia Dogmática”, 2ª Parte, Tratado Décimo, Cap. Único, Art. 6º, Ponto 847 ss, p. 565. Livraria Apostolado da Imprensa, Porto, 1944.

8.  Concílio de Trento, sess. 6, Cân. 30, da justificação. D. 840.

9.  Concílio de Florença, decreto para os gregos. D. 693.

10.  II Macabeus, 12, 46.

11.  Mons. Dr. José Basílio Pereira, “Mês das Almas do Purgatório”, Introdução, Caps. II-VII, pp. 8-12. 12ª Edição, Editora Mensageiro da Fé Ltda, Salvador/BA, 1955.

12.  Conc. Trent. Sess. 25.

13.  Pe. Saint-Omer, CSSR, “As Mais Belas Orações de Santo Afonso de Ligório”, Parte IV, Art. 8, p. 679. Imprimé par les Etablissements Casterman, S.A. Tournai/Belgique, Belgium, 1921.

14.  Fazei cada ano uma Novena para as Almas. A este intento, cada dia: 1. Rezai esta oração; 2. Meditai num dos pontos seguintes; 3. Enfim, rezai outras orações em favor delas.

15.  Extraida do “Manual dos Ordenandos”.


sexta-feira, 22 de outubro de 2021

NOVENA A JESUS CRISTO, REI DO UNIVERSO. 2º DIA.


Segundo Dia

Jesus Cristo, Rei da Família.

Prostrados perante o Sacrário ou diante de uma imagem de Nosso Senhor, persignar-se e rezar: Senhor meu Jesus Cristo. Deus e homem verdadeiro, Criador e Redentor meu, por serdes Vós quem sois, sumamente bom e digno de ser amado, e porque Vos amo e estimo sobre todas as coisas, pesa-me, Senhor, de todo o meu coração de Vos ter ofendido, pesa-me também, por ter perdido o Céu e merecido o Inferno, e proponho firmemente ajudado com o auxílio de vossa divina graça, emendar-me e nunca mais Vos tornar a ofender, espero alcançar o perdão de minhas culpas, pela vossa infinita misericórdia. Amém.



Oração ao Eterno Pai,

para todos os dias da Novena.

Eterno Pai, Pai das misericórdias e Deus de toda consolação! Vós gerastes o vosso Unigênito em vosso seio, antes da aurora, entre resplendores de santidade; Vós lhe dissestes: Tu és meu Filho. Pede-me, e Eu te darei as nações em herança e em tua possessão as extremidades da terra. Vós O constituístes herdeiro de todas as coisas e soberano Rei de toda a criação.

Infinitas graças Vos damos, Senhor, todos nós que fomos resgatados pelo seu preciosíssimo Sangue. Mas, ai! Muitos, muitíssimos homens não O reconheceram ainda por seu Rei; muitos indivíduos, muitos povos e nações se têm manifestado contra sua autoridade soberana. Senhor! Atendei aos direitos reais do vosso Divino Filho; ponde os seus inimigos como escabelo de seus pés. O seu império efetivo estenda-se de mar a mar; rojem a fronte no pó da terra os seus inimigos; ofereçam-Lhe presentes e adorem-No os reis de Tharsis e da Arábia, e todos os reis da terra e todas as nações Lhe prestem vassalagem

Fazei, Senhor, que em todos os confins da terra ressoe o hino jubiloso de triunfo: Christus vincit, Christus regnat, Christus imperat: Cristo vence, Cristo reina, Cristo impera para todo o sempre. Assim seja.



CONSIDERAÇÃO

Jesus Cristo é Rei não somente dos indivíduos particulares e isolados, mas ainda da família como tal. Jesus Cristo dignificou a sociedade conjugal, e para lhe dar base sólida instituiu um novo Sacramento e o declarou um e indissolúvel. Dignou-se presidir e abençoar as bodas de Caná da Galileia. Desde então, deve selar com sua presença, por intermédio dos seus Sacerdotes, corroborar e santificar com sua graça a celebração do Matrimônio. Se este se celebra entre católicos, prescindindo da Igreja, Esposa do divino Rei, não é verdadeiro Matrimônio. “O chamado matrimônio civil, é torpe concubinato”, declarou Jesus Cristo por meio do seu Vigário na terra, o Santo Padre Pio IX.

Por isso, deve Jesus Cristo presidir à formação de todo novo lar, e sua Lei santíssima deve regular as mútuas relações conjugais de marido e mulher. A eles cabe a gravíssima obrigação de alistar em seguida os seus filhos nas fileiras dos súditos do divino Rei, batizando-os, de os instruir na sua Santa Lei e de os educar em seu Santo Temor e Amor. Jesus Cristo é salvaguarda do lar; Ele há de confirmar com sua autoridade soberana a autoridade, as ordens dos pais, para que seja possível a verdadeira educação dos filhos e sólida a prosperidade de toda a família.

Esposos cristãos, quereis que as bênçãos do Céu desçam copiosas sobre as vossas famílias? Apenas formadas, consagrai-as ao Sagrado Coração de Jesus; em vossa casa dai o lugar de honra ao trono do divino Rei; entregai-Lhe sem reservas o vosso lar recém formado e tudo o que vos pertence; fazei da vossa casa uma cópia e imitação da sua humilde Casa de Nazaré. Jesus Cristo seja não somente o vosso Rei, mas ainda Pai e Chefe da família, confidente de vossas alegrias e de vossas tristezas, conselheiro nas vossas dúvidas, refúgio e amparo nas vossas tribulações. Em sua companhia e sob os seus olhares florescerão todas as virtudes domésticas e em vossa casa habitará Jesus com sumo agrado, como na Casa de Betânia.

Famílias cristãs, diz-vos o Santo Padre, vós preparastes em parte a declaração da nova festa de Cristo Rei, pela prática de consagrar-vos ao seu divino Coração. Vós haveis de propagar esta santa prática e consolidar assim o reinado do Coração de Jesus em todas as famílias.

E vós Famílias religiosas, Casas e Comunidades, que já reconheceis de bom grado os direitos soberanos do nosso Salvador, adorai-O e amai-O com sempre maior fervor e entusiasmo. Doutrinai e formai todos os vossos membros, alunos e alunas, todas as pessoas que de vós dependem, a fim de que, sejam sempre e em toda a parte valorosos e fidelíssimos súditos do divino Rei Jesus Cristo.



Oração

Amabilíssimo Salvador nosso, Jesus Cristo! Humildemente prostrados diante do vosso trono de amor, queremos prestar-Vos juramento de fidelidade e obediência. Vós mesmo proclamastes a vossa divina Realeza perante o presidente romano: É verdade o que dizes: Rex sum ego – Eu sou Rei. De boa mente reconhecemos os vossos direitos reais: Ave, Rex Judeorum! – Salve, Rei dos Judeus, de todos os homens e de toda a Criação! Hosana ao Filho de Davi! Bendito O que vem em nome do Senhor, o Rei de Israel! Hosana nas alturas! Ao insensato clamor dos ímpios: Não queremos que este reine sobre nós! Respondemos: Adveniat Regnum tuum! – Venha a nós o vosso Reino!

Reconhecemos em particular e proclamamos à face do mundo que sois Rei soberano da Família. Sede o centro do nosso coração e o belo ideal da nossa vida. Queremos amar-Vos e assinalar-nos em tudo o que for para vosso serviço e glória, ó Rei eterno e Senhor universal.

Senhor, Rei divino! O mais formoso filho dos homens, a graça se derramou nos vossos lábios: cingi a vossa espada, ó Rei poderosíssimo, e com a vossa Majestade e formosura caminhai, avançai prosperamente e reinai sobre todas e cada uma das famílias. Avassalai o mundo inteiro e reinai em nossa querida pátria com especialíssima veneração. Fazei, Senhor, que todas as gentes, tribos e nações, desfilem perante o vosso trono régio cantando: Tu solus sanctus, Tu solus dóminus, Tu solus Altissimus, Jesu Christe! – Vós sois o único Santo, o único Senhor, o único Altíssimo, Jesus Cristo nosso divino Rei. Assim seja.



RESOLUÇÃO APOSTÓLICA

Consagrar a nossa família ao Sagrado Coração de Jesus e procurar que a nossa casa seja sempre um pequeno reino seu, regido pelo Código de seus Preceitos. Desterrar dela todos os costumes, modas, periódicos e revistas que desagradem ao divino Rei. Propagar a salutar prática da Consagração das famílias ao Sagrado Coração de Jesus, nosso Rei.

– Rezar 3 Pai Nossos, 3 Ave Marias e 3 Glória ao Pai, em honra das três insígnias com que o amantíssimo Coração do nosso Rei se apresentou a Santa Margarida Maria entre esplendores de divina Realeza.



Oração à Rainha Imaculada,

para todos os dias.


Virgem Imaculada, Nossa Senhora, ao mesmo tempo que aclamamos a Jesus Cristo Rei, todos nós Vos aclamamos e veneramos também a Vós, sua augusta Mãe, sereníssima Rainha dos Céus e da terra. Compartilhais a sua realeza humano-divina e fostes constituída por Ele mesmo Rainha soberana dos Anjos e dos homens. Ocupais no Céu um trono especial à direita do trono do vosso divino Filho, vestida de sol, como manto luminoso, pisando a lua como régio escabelo de vossos pés, coroada de estrelas como de diadema real.

Promovei, Senhora, o reinado efetivo de Jesus Cristo sobre toda criatura; apressai o advento do vosso mesmo reinado neste mundo, para que se apresse também o do vosso Filho: o reinado universal, público e privado, individual e social do Santíssimo Coração de Jesus Cristo. Assim seja.



Oração Final,

para todos os dias.

Dábit illi Dóminus Deus sédem Dávid Patris ejus, et regnábit in domo Jácob in aetérnum, et regni ejus non erit finis. Alleluia.

V. Data est mihi omnis potestas.

R. In caelo et in terra.

Oremus: Omnípotens sempiterne Deus, qui in dilecto Filio tuo, universorum Rege, omnia instaurare voluisti, concéde propitius, ut cunctae familiae Gentium, peccati vúlnere disgregatae, ejus suavissimo subdantur imperio. Qui tecum vivit et regnat in unitate Spiritus Sancti, Deus per omnia saecula saeculorum. Amen.


– O Senhor Deus lhe dará o trono de Davi seu pai, e reinará eternamente na casa de Jacó e seu reino não terá fim. Aleluia.

V. Foi-me dado todo poder.

R. No Céu e na terra.

Oremos: Onipotente e sempiterno Deus, que quisestes restaurar todas as coisas em vosso querido Filho, Rei do universo, concedei-nos propício que todas as famílias das Gentes desagregadas pela ferida do pecado se submetam ao seu suavíssimo império. Que convosco e o Espírito Santo vive e reina, Deus por todos os séculos dos séculos. Assim seja.


quinta-feira, 21 de outubro de 2021

NOVENA A JESUS CRISTO REI DO UNIVERSO. 1º DIA.


Pelo Revmo. Padre

JOSÉ MARIA SÁENZ DE TEJADA, S.J.


Tradução do

Pe. Amando Adriano Lochu, S.J.


especialmente autorizada pelo autor


(Da 2ª edição)


1928


NIHIL OBSTAT:

Pe. Leonel Franca, S.J.

Flum. Jan. 8–5–1928.


__________


IMPRIMI POTEST

Ex commissione IIImi. et Revmi. Dni.

Archiepiscopi

Joannes Bapt. du Dreneuf, S.J.

Praepositus V. Prov. Bras. Centr.

Flum. Jan. 9–5–1928.

___________


NIHIL OBSTAT

S. Pauli, 26 Septembris 1928

Can. Dor. M. Ladeira

Censor

____________


IMPRIMATUR

Mons. Pereira Barros

V. Geral


Advertências

A suprema autoridade do Vigário de Jesus Cristo na terra, nosso Santo Padre o Papa Pio XI, assinalou novo astro no firmamento litúrgico da Santa Igreja, a saber: a Festa de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei, instituída para sempre pela sua Encíclica Quas primas, de 11 de Dezembro do Ano Santo de 1925, e a celebrar-se em data fixa, isto é, no último Domingo do mês de Outubro.

Querendo nós contribuir de algum modo para a celebração desta festa com o modesto tributo do nosso grãozinho de areia, apresentamo-nos reverentes, autor e tradutor, perante o trono do Divino Rei, por intermédio de Santa Margarida Maria, tão entusiasta pelo reinado do Coração de Jesus, e lhe oferecemos esta modesta Novena, que poderíamos chamar doutrinal, em vista das Considerações doutrinais que nela introduzimos, uma para cada dia. Secundamos assim os ardentes desejos do Sumo Pontífice de divulgar as ideias em que se baseia a Realeza de Jesus Cristo. Para a sua elaboração servimo-nos amplamente da mesma Encíclica de Sua Santidade e da Sagrada Escritura, cujos textos aparecem grifados.

Se a alguém parecer demasiado extenso o exercício marcado para cada um dos nove dias, poderá encurtá-lo à vontade, como lhe parecer melhor.

Em forma de Apêndice acrescentamos a fórmula da Consagração do gênero humano ao Sagrado Coração de Jesus, que se deve recitar no dia da festa de Cristo Rei, conforme estabeleceu o Papa na sua Encíclica, e a Ladainha do mesmo Divino Coração, que se deve também rezar ou cantar na mesma ocasião, segundo determinou a Sagrada Congregação dos Ritos (28 de Abril de 1926)...

Aos nossos queridos associados do Apostolado da Oração, a quem principalmente dedicamos esta Novena, recordamos que Sua Santidade o Papa Pio XI lhes concedeu, em Breve de 13 de Março de 1926, Indulgência plenária nesta festa, com as condições de costume.

Seja tudo para maior glória do Divino Rei!



NOVENA A JESUS CRISTO REI DO UNIVERSO


Primeiro Dia

Prostrados perante o Sacrário ou diante de uma imagem de Nosso Senhor, persignar-se e rezar: Senhor meu Jesus Cristo. Deus e homem verdadeiro, Criador e Redentor meu, por serdes Vós quem sois, sumamente bom e digno de ser amado, e porque Vos amo e estimo sobre todas as coisas, pesa-me, Senhor, de todo o meu coração de Vos ter ofendido, pesa-me também, por ter perdido o Céu e merecido o Inferno, e proponho firmemente ajudado com o auxílio de vossa divina graça, emendar-me e nunca mais Vos tornar a ofender, espero alcançar o perdão de minhas culpas, pela vossa infinita misericórdia. Amém.



Oração ao Eterno Pai,

para todos os dias da Novena.

Eterno Pai, Pai das misericórdias e Deus de toda consolação! Vós gerastes o vosso Unigênito em vosso seio, antes da aurora, entre resplendores de santidade; Vós lhe dissestes: Tu és meu Filho. Pede-me, e Eu te darei as nações em herança e em tua possessão as extremidades da terra. Vós O constituístes herdeiro de todas as coisas e soberano Rei de toda a criação.

Infinitas graças Vos damos, Senhor, todos nós que fomos resgatados pelo seu preciosíssimo Sangue. Mas, ai! Muitos, muitíssimos homens não O reconheceram ainda por seu Rei; muitos indivíduos, muitos povos e nações se têm manifestado contra sua autoridade soberana. Senhor! Atendei aos direitos reais do vosso Divino Filho; ponde os seus inimigos como escabelo de seus pés. O seu império efetivo estenda-se de mar a mar; rojem a fronte no pó da terra os seus inimigos; ofereçam-Lhe presentes e adorem-No os reis de Tharsis e da Arábia, e todos os reis da terra e todas as nações Lhe prestem vassalagem.

Fazei, Senhor, que em todos os confins da terra ressoe o hino jubiloso de triunfo: Christus vincit, Christus regnat, Christus imperat: Cristo vence, Cristo reina, Cristo impera para todo o sempre. Assim seja.



CONSIDERAÇÃO


Jesus Cristo, Rei dos Indivíduos.

O título oficial, profundamente significativo, da nova festa que nos preparamos a celebrar é: Festum Domini Nostri Jesu Christi Régis: a festa de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei. Nela veneramos em modo especial a régia soberania, divina e humana ao mesmo tempo, do mesmo Jesus Cristo. Três são os títulos da sua Realeza.

1. É Rei por direito de criação. Jesus Cristo é Filho Unigênito de Deus, o Verbo encarnado, nascido do Pai antes de todos os séculos, consubstancial com Ele, por quem foram feitos todas as coisas, dizemos no Credo da Missa. Se é o Criador, é também o Senhor, o Rei soberano de todas as criaturas.

Jesus Cristo é, pois, Rei por sua própria natureza: por ser Filho Unigênito de Deus, em virtude da União Hipostática, isto é, Pessoal, pela qual as suas duas naturezas, Divina e Humana, subsistem em uma só Pessoa Divina, a Pessoa do Filho de Deus.

2. É Rei por direito de herança. Neste seu Filho encarnado, Jesus Cristo, tem o Pai todas as suas complacências; e por isto, conforme nos dizem as Sagradas Escrituras, deu-Lhe em herança todas as nações, por isto O constituiu seu herdeiro universal, e ainda, em atenção a Ele fez os séculos e quer que todas as nações Lhe prestem vassalagem.

3. É Rei por direito de conquista. Jesus Cristo veio do Céu à terra para conquistar-se o seu reino e voltar então ao Céu.1 Desceu Jesus do Céu para nos remir da miserável escravidão de Satanás, por meio de sua vida santíssima e de sua acerbíssima Paixão e Morte. Entregou-se para o nosso resgate, e a poder de tormentos nos libertou do poder das trevas.

Todos os homens, portanto, somos o povo de sua conquista. Tal é, enfim, Jesus Cristo, que as suas mesmas qualidades pessoais, se fossem devidamente conhecidas, fariam com que os povos alvoroçados O aclamassem com entusiasmo por seu Rei, como outrora quiseram fazer durante a sua vida mortal.

Com quanta razão e quão acertadamente exclamava São Paulo: “Irmãos, rendamos graças a Deus Pai, que nos fez dignos de participar da sorte dos Santos na luz; que nos arrancou do poder das trevas, e nos fez passar para o reino do Filho de seu amor, no qual, pelo seu Sangue, temos a Redenção e a remissão dos pecados…”.2

Jesus Cristo é, portanto, Rei por nascimento, por herança e por conquista. Rei eterno e universal, Rei Divino e Humano, Rei dos indivíduos, das famílias e das sociedades. Rei de toda a Criação, que goza de toda a plenitude de prerrogativas e direitos reais. Foi-Lhe dado todo o poder no Céu e na terra3, como afirmou Ele mesmo pouco antes de tornar ao Céu.



Oração

Amabilíssimo Salvador nosso, Jesus Cristo! Humildemente prostrados diante do vosso trono de amor, queremos prestar-Vos juramento de fidelidade e obediência. Vós mesmo proclamastes a vossa divina Realeza perante o presidente romano: É verdade o que dizes: Rex sum ego – Eu sou Rei. De boa mente reconhecemos os vossos direitos reais: Ave, Rex Judeorum! – Salve, Rei dos Judeus, de todos os homens e de toda a Criação! Hosana ao Filho de Davi! Bendito O que vem em nome do Senhor, o Rei de Israel! Hosana nas alturas! Ao insensato clamor dos ímpios: Não queremos que este reine sobre nós! Respondemos: Adveniat Regnum tuum! – Venha a nós o vosso Reino!

Reconhecemos em particular e proclamamos à face do mundo que sois Rei soberano dos indivíduos. Sede o centro do nosso coração e o belo ideal da nossa vida. Queremos amar-Vos e assinalar-nos em tudo o que for para vosso serviço e glória, ó Rei eterno e Senhor universal.

Senhor, Rei divino! O mais formoso filho dos homens, a graça se derramou nos vossos lábios: cingi a vossa espada, ó Rei poderosíssimo, e com a vossa Majestade e formosura caminhai, avançai prosperamente e reinai sobre todos e cada um dos indivíduos. Avassalai o mundo inteiro e reinai em nossa querida pátria com especialíssima veneração. Fazei, Senhor, que todas as gentes, tribos e nações, desfilem perante o vosso trono régio cantando: Tu solus sanctus, Tu solus dóminus, Tu solus Altissimus, Jesu Christe! – Vós sois o único Santo, o único Senhor, o único Altíssimo, Jesus Cristo nosso divino Rei. Assim seja.



RESOLUÇÃO APOSTÓLICA

Empenhar-se em procurar que Jesus Cristo seja o Rei absoluto de nossas inteligências, sujeitando-as incondicionalmente à sua fé, por ser Ele a Verdade; de nossas vontades, obedecendo fielmente às suas leis, por ser o Caminho; de nossos corações, amando-O com todas as veras, por ser Ele a Vida.

– Rezar 3 Pai Nossos, 3 Ave Marias e 3 Glória ao Pai, em honra das três insígnias com que o amantíssimo Coração do nosso Rei se apresentou a Santa Margarida Maria entre esplendores de divina Realeza.



Oração à Rainha Imaculada,

para todos os dias.


Virgem Imaculada, Nossa Senhora, ao mesmo tempo que aclamamos a Jesus Cristo


Rei, todos nós Vos aclamamos e veneramos também a Vós, sua augusta Mãe, sereníssima Rainha dos Céus e da terra. Compartilhais a sua realeza humano-divina e fostes constituída por Ele mesmo Rainha soberana dos Anjos e dos homens. Ocupais no Céu um trono especial à direita do trono do vosso divino Filho, vestida de sol, como manto luminoso, pisando a lua como régio escabelo de vossos pés, coroada de estrelas como de diadema real.

Promovei, Senhora, o reinado efetivo de Jesus Cristo sobre toda criatura; apressai o advento do vosso mesmo reinado neste mundo, para que se apresse também o do vosso Filho: o reinado universal, público e privado, individual e social do Santíssimo Coração de Jesus Cristo. Assim seja.



Oração Final,

para todos os dias.

Dábit illi Dóminus Deus sédem Dávid Patris ejus, et regnábit in domo Jácob in aetérnum, et regni ejus non erit finis. Alleluia.

V. Data est mihi omnis potestas.

R. In caelo et in terra.

Oremus: Omnípotens sempiterne Deus, qui in dilecto Filio tuo, universorum Rege, omnia instaurare voluisti, concéde propitius, ut cunctae familiae Gentium, peccati vúlnere disgregatae, ejus suavissimo subdantur imperio. Qui tecum vivit et regnat in unitate Spiritus Sancti, Deus per omnia saecula saeculorum. Amen.


– O Senhor Deus lhe dará o trono de Davi seu pai, e reinará eternamente na casa de Jacó e seu reino não terá fim. Aleluia.

V. Foi-me dado todo poder.

R. No Céu e na terra.

Oremos: Onipotente e sempiterno Deus, que quisestes restaurar todas as coisas em vosso querido Filho, Rei do universo, concedei-nos propício que todas as famílias das Gentes desagregadas pela ferida do pecado se submetam ao seu suavíssimo império. Que convosco e o Espírito Santo vive e reina, Deus por todos os séculos dos séculos. Assim seja.


________________________

1.  Luc. 19, 2.

2.  Ad Colos. I, 12-14.

3.  Matt. 28, 18.


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