BLOG CATÓLICO PARA OS CATÓLICOS.

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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

segunda-feira, 26 de outubro de 2020

“IDE, E APRENDEI O QUE QUER DIZER: QUERO MISERICÓRDIA E NÃO SACRIFÍCIOS...”. (Mat. 9, 13; Os. 6, 6; I Sm. 15, 22-23)

 


Parábola dos Servos Devedores

(Evangelho segundo S. Mateus, 18, 23-35)1


Este Domingo chama-se o Domingo dos devedores, ou do perdão das injúrias, porque no Evangelho se lê a parábola dos devedores segundo S. Mateus, a qual nos ensina a perdoar de coração a nossos irmãos as ofensas que deles temos recebido, se queremos que Deus nos perdoe a nós os pecados que cometemos contra a sua divina Majestade.

Naquele tempo: Disse Jesus aos seus discípulos esta parábola: Por isso, o reino dos céus é comparado a um rei que quis fazer as contas com os seus servos. E, tendo começado a fazer as contas, foi-lhe apresentado um que lhe devia dez mil talentos. E, como não tivesse com que pagar, mandou o seu senhor que fosse vendido ele, e sua mulher e seus filhos, e tudo o que tinha, e se saldasse a dívida. Porém, o servo, lançando-se-lhe aos pés, lhe suplicava, dizendo: Tem paciência comigo, e eu te pagarei tudo. E o senhor, compadecido daquele servo, deixou-o ir livre e perdoou-lhe a dívida.

Mas este servo, tendo saído, encontrou um dos seus companheiros, que lhe devia cem dinheiros, e, lançando-lhe a mão, o sufocava, dizendo: Paga o que me deves. E o companheiro, lançando-se-lhe aos pés, lhe suplicava, dizendo: Tem paciência comigo, e eu te pagarei tudo. Porém, ele não quis, mas retirou-se, e fez que o metessem na prisão, até pagar a dívida.

Ora, os outros servos seus companheiros, vendo isto, ficaram muito contristados, e foram, e referiram ao seu senhor tudo o que tinha acontecido. Então, o senhor chamou-o, e disse-lhe: Servo mau, eu perdoei-te a dívida toda, porque me suplicaste; não devias tu logo compadecer-te também do teu companheiro, como eu me compadeci de ti? E o seu senhor, irado, entregou-o aos algozes, até que pagasse toda a dívida.

Assim também vos fará meu Pai celestial, se não perdoardes do íntimo dos vossos corações cada um a seu irmão.

Moral da história: Tornarmo-nos duros e implacáveis por causa de uma injúria que recebemos, e negarmos a reconciliação a quem nos ofendeu com uma simples palavra menos delicada, não será condenarmo-nos a nós mesmos?

Propósitos: 1. Sê generoso, ativo, pronto em perdoar todo o mal, e todas as injúrias que te houverem feito, lembrando-te de que tua liberalidade e generosidade neste ponto deve ser a medida da que Deus há de usar contigo. 2. Perdoa generosamente as injúrias, perdoando de coração com sinceridade, e sem que te fique o menor resquício de ressentimento.



O Culto Externo

e a Lei da Liberdade.


“E Samuel disse: Porventura quer o Senhor holocaustos e vítimas, e não quer antes que se obedeça à voz do Senhor? A obediência vale mais que as vítimas; e é melhor obedecer do que oferecer a gordura dos carneiros. Porque o desobedecer é como um pecado de magia, e o não querer submeter-se é como um crime de idolatria. Porque, pois, tu rejeitaste a palavra do Senhor, o Senhor te rejeitou a ti, para que não sejas rei”.2

“Porque o que eu quero é a misericórdia e não o sacrifício, e o conhecimento de Deus mais que os holocaustos”.3 Isso tudo quer dizer que:

O exercício da caridade tem mais valor diante de Deus do que os próprios sacrifícios.

“E se vós soubésseis o que quer dizer: Quero a misericórdia e não o sacrifício, jamais condenaríeis inocentes”.4 Ensina Nosso Senhor que:

É mais agradável a Deus a misericórdia, a bondade para com o próximo, do que o culto externo (sacrifício) sem a caridade, como era o culto dos fariseus orgulhosos.

Portanto cristão: “Falai, pois, de tal sorte e de tal sorte procedei, como estando para ser julgados pela lei da liberdade. Porque o juízo (será) sem misericórdia para aquele que não usou de misericórdia; mas a misericórdia triunfa do juízo”.5

O julgamento (juízo) pertence somente a Deus, autor da Lei. Ele sancionará a prática da Lei, condensada na misericórdia.

“Sede, pois, fazedores da palavra e não ouvintes somente, enganando-vos a vós mesmos. Porque, se alguém é ouvinte da palavra e não fazedor, este será comparado a um homem que contempla num espelho o seu rosto nativo; porque considerou-se, e, tendo-se retirado, logo esqueceu como era. Mas, quem fixar a sua vista na (doutrina do Evangelho que é a) lei perfeita da liberdade, e perseverar nela, não sendo ouvinte esquecido, mas executor da obra, este será bem-aventurado no que fizer”.6



Oremos: “Converte-te, ó Israel, ao Senhor teu Deus, porque pela tua iniquidade é que caíste. Tomai convosco palavras (de arrependimento), convertei-vos ao Senhor, e dizei-lhe: Tira-nos todas as nossas iniquidades, aceita este bem (ou bom desejo que temos); e nós te ofereceremos (em vez de) novilhos, os louvores dos nossos lábios”.7 Por Jesus Cristo Nosso Senhor. Amém.



Oremos: Senhor, guardai vossos servos, usando continuamente de misericórdia com eles, para que por vossa proteção sejam livres de todos os males, e não busquem em suas boas obras senão a vossa glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo... Amém.


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1.  XXI Domingo Depois de Pentecostes.

2.  I Sm. 15, 22-23.

3.  Os. 6, 6.

4.  Mat. 12, 7.

5.  Tg. 2, 12-13.

6.  Tg. 1, 22-25.

7.  Os. 14, 2-3.


sexta-feira, 23 de outubro de 2020

SOBRE A MULHER CRISTÃ: COMO SALVAR-SE E COMO CONDENAR-SE.


“Ora, se alguém não tem cuidado dos seus,

e principalmente dos de sua casa, negou a fé,

e é pior do que um infiel”.1

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"Contudo, (a mulher)

salvar-se-á pela educação dos filhos,

se permanecer na Fé e na Caridade e na Santidade,

unidas à Modéstia".2


Meditação sobre a

Fugida de Maria para o Egito.


Para sujeitar-nos a vontade (divina), dá-nos quase sempre a Providência um modo de viver diferente daquele que desejamos. Alegra-se Maria com a vida retirada, e pela terceira vez a vemos apartar-se de seu modesto domicílio.

A primeira vez, porque instava-lhe a amizade, que fosse visitar sua prima Isabel; a segunda por obedecer às ordens do soberano (Imperador Augusto), e a terceira, porque o amor materno lhe põe diante dos olhos o perigo a que estava exposto seu inocente Filho: um tirano O ameaça de morte; os céus lhe revelaram, e Maria foge para o Egito, deixando a pátria, a família, e a modesta morada; mas acha-se rica, porque leva consigo o seu tesouro; Jesus repousa em seu regaço.

Se em todos os acontecimentos e mudanças porque passamos no decurso de nossa peregrinação, pedíssemos a Deus que nos acompanhasse, andaríamos sempre seguros e sem inquietações. Atravessa Maria áridos desertos, nos quais padece sedes ardentes; mas sofre-as com paciência, como quem sabia que à voz do Altíssimo faria rebentar, para as saciar, de áridas penhas fontes puras e límpidas; se as feras acudiam em ação de a quererem devorar, Ela as olhava com desassombrado semblante, e sentia-se com forças para lutar com elas, e defender seu Filho; porém, essa serenidade que lhe assistia na presença do perigo, sabia a Santíssima Virgem, que a devia ao Senhor do universo que trazia nos braços, e serena ria-se para os tigres, que vinham lamber-lhe os pés. Os áridos desertos são para nós o mundo, as feras são as nossas próprias paixões: tais são os inimigos que nos levam de vencida, quando por imprudência nos adiantamos numa estrada que a Providência não nos havia destinado.

Quem se ocupa presentemente de consultar a sua vocação, não segundo o instinto por vezes falível da natureza, mas sim em conformidade com as ordens imutáveis da Divindade? Maria continuamente submissa, não se opôs nunca à vontade da Providência com desejos contrários a seus decretos, ou por um mero espírito de independência. Ama a solidão por gosto e inclinação, mas Deus lhe destina uma vida agitada; obedece, parte, e não vacila nunca entre a sua obrigação, e suas inclinações: salvar seu divino Filho, é o seu único pensamento, e seu voto, o mais ardente, o não afastar Dele nunca os olhos.

Vós que sois mães, inteirai-vos agora do grande, do nobre ministério de que sois encarregadas. Os prazeres frívolos, a vida independente deve cessar, desde que Deus vos ilumina com um filho. Desde este momento cessais de ser senhoras de vós mesmas, e a vossa salvação dependerá, do modo com que educardes esta criança que a Providência vos confiou. Deus vos há de pedir conta de sua alma, e a vossa há de responder por ela, se por ventura por vossa culpa se perder. Uma mãe deve à imitação de Maria não arredar-se nunca do filho, e dar-lhe com suas virtudes um bom exemplo. Se ela lhe ensina a ser devoto, e o não é; se lhe recomenda de ser assíduo em seus deveres, e falta ao mais sagrado de todos, desamparando a casa e os filhos, para se entregar a vãos prazeres, destrói com suas ações os bons efeitos de suas palavras. Deste dever não estão desobrigados os pais, e aquele que desdenha de cumpri-lo, pagá-lo-á bem cruamente.

Sim, dizem as ações mais que as palavras, e nas famílias que vivem bem e religiosamente não por ostentação, mas por zelo e fidelidade, o amor da virtude penetra sem custo na alma dos filhos, e nela se grava docemente, e se fortifica com o hábito de bem realizar.

A mulher que objetar que é duro que, sendo moça e rica, a obriguem a privar-se dos divertimentos, e a passar uma vida solitária e monótona, não é verdadeira e de coração mãe. Se o fosse, não acharia ocupação mais deleitosa que a de velar junto ao leito do filho, e ensinar-lhe a pensar, e a amar. Ao princípio um sorriso dele, e depois o seu amor seriam a sua recompensa, e passados anos as virtudes do filho serão a glória da mãe, e cada qual admirando-o se inclinará com respeito, vendo passar aquela que fez que naquela alma tão nova brotasse o entusiasmo da piedade e do dever, e quem sabe se seu esposo, talvez leviano e pouco temente a Deus, admirado, e confundido com o admirável exemplo de sua mulher, não se converterá a Deus, de quem emanam todas as graças e virtudes.

Grande é por certo a recompensa, e superior a quantas honras confere o mundo, porém, para merecê-la cumpre, à imitação de Maria, peregrinarmos pelo deserto, lutar com mil obstáculos, e pelejar com a gente mundana que não cessará de bradar: “Quereis converter vossa vida em um contínuo tormento, e fazer vosso filho santo?…”. Si, responderá a mãe verdadeiramente cristã: quero fazer uma vida sisuda e ocupada com austeros deveres, e por mais árdua que ela vos pareça, eu a prefiro às festas estrondosas; por isso, que assim desfrutarei da alegria e paz de alma, e da aprovação de minha consciência; e quando meus dias forem cheios, serei respeitada em minha velhice, e venerada por meus filhos: vê-los-ei crescerem à minha sombra como arbustos vigorosos, cujas flores odoríferas se derramarão sobre minha velhice.

E vós, mundanos, que entregais ao capricho do acaso a vossa salvação, e a de vossos filhos, qual será o vosso interior doméstico em vossa velhice? Um inferno antecipado; mal com vossos filhos destituídos de virtude e de ternura, e ainda mais mal com vossa própria consciência, amaldiçoareis uma vida que não vos causa senão amarguras, e tereis medo da morte, terrível precursora do castigo dos maus.

Se Maria nos oferece um perfeito exemplar dos deveres de uma mãe, vejamos por outra parte como o nosso divino Salvador nos ensina a cumprir com os deveres do filial reconhecimento. Na vida de Jesus Cristo tudo é ensino; a antiga lei dizia: Honra teu pai, e tua mãe. Nosso Senhor ensina-nos ainda melhor com seu exemplo. Ele fica escondido na paterna morada por espaço de trinta anos, obedecendo à sua Mãe, e a seu pai putativo, e o dominador do universo cumpre com os deveres de um filho obediente, e acha um prazer indizível em passar os dias junto Àquela Mãe do céu bendita, e que não tardará que o seja também da terra. Quem nos revelará as grandes e sublimes conversações que o Deus-Homem tinha com seus pais? Que maravilhas se passaram no modesto domicílio de Nazaré! Se a dita de Maria nos causa inveja, quem nos tolhe de nos tornarmos dignos de iguais graças? Deus se dá àquele que a Ele se entrega. Mas será por ventura no bulício do mundo que poderemos entregar-nos a Deus? Colocamo-Lo em esquecimento e Ele nos desampara. Maria fugiu do mundo para de todo se entregar a Deus, e Deus durante trinta anos disseras que viveu unicamente para sua Mãe. Quem não dobrará os joelhos diante da Virgem Santa, vendo que o Salvador do mundo amou, e respeitou Aquela que escolhera para ser sua Mãe?

Na ordem moral tudo se enfraquece, quando a religião se apaga nos corações: desta verdade vemos uma triste prova no pouco respeito, e por conseguinte no pouco amor que os filhos tem aos que lhes deram o ser. Uma educação efeminada, carinhos demasiados da parte dos pais fazem que os filhos se acostumem a fazerem todas as suas vontades, e a não conhecerem o freio da obediência, e de um temor acompanhado de amor e de respeito. Sim, o amor é sempre acompanhado de certo temor; porque aquele que ama teme de ofender, ou de afligir o objeto de seu amor, e receia de não fazer por ele quanto o dever e o amor que lhe tem, requerem.

Que triste deve ser o resultado desta educação efeminada, que se dá aos meninos nos primeiros anos, a qual, passados anos, desperta em suas almas paixões as mais terríveis! Apenas lhes nascem as asas, ei-los que se deitam a voar, deixando o paterno ninho, e se engolfam com certa espécie de furor nos mares da independência, onde deparam com maus costumes, e com a perda da alma. Os pais que durante vinte anos os deixaram correr à rédea solta no verdor da mocidade, em vão as colhem e pretendem fazerem-se obedecer; rebela-se o mancebo como o potro, que nunca conheceu freio; donde se geram rompimentos, escândalos, cessação de toda a felicidade doméstica, total esquecimento de todos os princípios da religião, e isto de geração em geração; porque um filho mal criado deve necessariamente ser um mau pai, pelo mesmo teor que foi mau filho.

Vós que tendes a dita de ter pais virtuosos, amai-os com toda a ternura, e obedecei-lhes como a Deus. Que podeis vós fazer que seja mais conforme com a razão? Eles vos desejam ver felizes, mais do que vós mesmos o podeis desejar; e sua experiência vos aponta a estrada por onde o podeis conseguir. Amai-os pois, tende cuidado deles na velhice; não vos esqueçais de que eles gastaram quantas forças tinham em ter cuidado de vossa infância, de vigiar e tremer sobre vossa mocidade; que viveram 20 e 30 anos somente para vós; vivei pois para eles alguns dias.


Práticas

Para que se possa bem julgar do quanto cada um deve à sua mãe, pondere-se nos desvelos que Maria prodigaliza a Jesus, em seu amor constante, em seus temores extremos, e na inteira abnegação que de Si mesma faz. Por Ele afronta Ela todos os perigos, e é insensível a todas as fadigas: assim é que ama uma mãe cristã. Ela não vê, tirando o que deve a Deus, outra coisa mais que o que deve a seus filhos: seu amor se eleva acima da terra, e não são as delícias dela que deseja, mas sim a felicidade eterna: por isso, sente-se com forças para resistir a suas fogosas paixões, e para ensinar-lhes a amar a vida grave e retirada, a qual faz que conservemos sempre a persuasão de que Deus nos está vendo, o que não tolhe o desfrutarmos dos prazeres inocentes, que são próprios de nossa idade.


Glória ao Pai… Ave Maria…


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Fonte: Madame Tarblé des Sablons, Mês de Maria ou Nova Imitação da Santíssima Virgem, Undécimo Dia, pp. 195-206. Traduzido do Francês por Caetano Lopes de Moura, Publicado por J. P. Aillaud, Editor, Paris, 1845.

1.  I Tim., 5, 8.

2.  I Tim., 2, 15.


segunda-feira, 19 de outubro de 2020

SÃO PEDRO DE ALCÂNTARA, 1º COOPERADOR DA REFORMA DO CARMELO.

 

São Pedro de Alcântara foi o primeiro cooperador da ilustre Madre na Reforma do Carmelo. Tendo, certa vez, a Religiosa consultado o Santo sobre se as casas da reforma deveriam ter rendas, ele declarou que, o Carmelo fosse fundado sem rendimento, segundo as regras da pobreza completa. A Santa carmelita encontrou, porém, tenaz oposição para realizar tal coisa. Inquieta com essas contradições, dirigiu-se novamente a São Pedro, que lhe escreveu em resposta esta carta magnífica:

“Reverenda Madre, que encha o Espírito Santo a vossa alma.

Recebi a carta que me mandastes por intermédio de Dom González de Aranda. Estou mesmo admirado com a vossa atitude, chamando doutos para resolver uma questão que não é de sua competência. As controvérsias e os casos de consciência podem ser da alçada dos canonistas e dos teólogos; mas, as questões com relação à vida perfeita não são tratadas senão por aqueles que professam este gênero de vida.

Para tratar-se de uma matéria é preciso conhecê-la. Não cabe a um sábio decidir se eu, ou se vós, devemos observar, ou não, os Conselhos Evangélicos. Questionar sobre este assunto seria já um princípio de infidelidade. O conselho de Nosso Senhor é sempre bom, e só parece irrealizável à incredulidade ou à prudência humana.

Quem deu o conselho dará também os meios. Os homens, se dão um conselho, querem ser atendidos.

A Suma Sabedoria teria dado aos seus Discípulos conselhos irrealizáveis?

Se estiverdes resolvida a seguir a via mais perfeita, nada vo-lo impedirá. O conselho de Jesus Cristo é para as mulheres como para os homens, e dará bom resultado em vós como em todos aqueles que vos precederam.

Os abusos nos Mosteiros que renunciaram às rendas dependem do seguinte: a pobreza aí é suportada, em vez de ser desejada por amor de Jesus Crucificado. Nisto, como em tudo, creio firmemente e constantemente na palavra do Mestre; considero os Conselhos Evangélicos excelentes, porque são divinos, e, embora reconheça que não obrigam sob pena de pecado, acho mais perfeito e mais agradável a Deus observá-los.

Apoiado na palavra do Salvador, considero felizes os pobres de espírito e os pobres voluntários. Poderia alegar nesta matéria a minha experiência pessoal, se não tivesse mais fé na palavra de Deus que na minha vã experiência.

Que o Senhor vos ilumine, vos faça compreender esta verdade e vos dê a coragem de segui-la. Os que não praticam os Conselhos Evangélicos se salvam, é certo, com a observância dos Mandamentos, mas em geral não têm bastante entendimento e julgam mal das coisas elevadas. Será, portanto, sabedoria preferir aos conselhos deles os de Nosso Senhor, que com o conselho dá o meio de pô-lo em prática e recompensa eternamente aquele que, renunciando às coisas terrenas, pôs Nele toda a sua esperança”.

Esta carta produziu profunda impressão no espírito da Santa Reformadora, que seguiu os sábios conselhos do seu venerável cooperador, e nada foi capaz de demovê-la.


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Fonte: Pe. Leone, ex-provincial franciscano [4º volume, 1900], “Auréola Seráfica”. Cfr. São Pedro de Alcântara, “Tratado da Oração e Meditação”, Notícias Biográficas, de Edite Machado, pp. 32-35. Editora Vozes Ltda., Petrópolis/RJ, 1951.


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