BLOG CATÓLICO PARA OS CATÓLICOS.

BLOG CATÓLICO, PARA OS CATÓLICOS.

"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

terça-feira, 26 de janeiro de 2021

SOBRE O CULTO E RESPEITO, QUE SE DEVE A DEUS NAS SUAS IGREJAS.

 

“Desolatione desolata est omnis terra,

quia nullus est, qui recogitet corde”.


Está todo mundo cheio de pecados,

porque não há quem atenda aos seus deveres,

e observe, como deve, a Lei do Senhor.1


Não pode o amor estar encoberto dentro do coração humano; mas havendo verdadeiro amor, se deixa ver: com muita razão disse um Santo Padre, que o amor não pode estar ocioso, obra grandes coisas, se é verdadeiro amor, e se deixa de obrar, deixa de ser amor; assim como a mina de materiais combustíveis, que abafada no interior da terra, apenas a choca o fogo logo estala; ainda melhor o fogo do amor de Deus, escondido por algum tempo dentro do coração humano, quando aparece ocasião rebenta em chamas, e em toda a parte dá ao mesmo Deus e ao próximo provas de quanto ama o seu Criador, rendendo-Lhe respeitoso culto que Lhe é devido. Em nossas casas, nos campos, nos montes e vales podemos e devemos dar testemunho deste amor e respeito ao nosso Deus; mas, nas suas igrejas em primeiro lugar.

Muitos são os atos da nossa Religião, pelos quais podemos amar e adorar a Deus em diversos lugares, porém, mais que tudo na sua Santa Casa; por muitos modos se pode dar culto ao nosso Criador e Benfeitor, dos quais vos falarei ainda em diferentes práticas; mas, o seu templo é o lugar mais singular por Ele destinado para que aí com maior respeito lhe darmos sinais de quanto O amamos, tributando o respeito devido a tão Soberana Majestade no seu Divino Palácio; mas o mundo está cheio de maus cristãos, de falsos adoradores que não dão culto a Deus, nem ainda nas Suas igrejas, nem aí Lhe mostram estes sinais de amor, porque não pensam no que fazem, nem no que devem – Desolatione desolata est omnis terra, quia nullus est, qui recogitet corde. O respeito com que se deve estar nas igrejas, é o que vou tratar. – Eu principio.

Se eu abro a Sagrada Escritura, aí encontro lições as mais importantes sobre o culto, e reverência que devemos a Deus nas suas igrejas; no livro do Gênesis2 nos diz o Espírito Santo: Terribilis est locus iste, hic domus Dei est, et porta Coeli: quer dizer, a igreja é lugar terrível, ela é a Casa de Deus e a Porta do Céu. Sim, irmãos meus, a igreja é lugar terrível, é a Casa de Deus; porque nela está realmente, ainda que encoberto, o mesmo Deus, que criou os Céus e a terra, e que nos criou também a nós; nela está o mesmo Deus, que no excesso da sua ira lançou fora do Paraíso Adão e Eva, porque O ofenderam, que fez chover um Dilúvio de água e outro de fogo sobre os pecadores que O injuriaram; nela está O mesmo Deus, que falava com Moisés no Monte Sinai entre relâmpagos e trovões, que tem castigado com severidade a quem O tem ofendido, e que ainda conserva na sua mão a espada da sua justiça para nos castigar quando quiser, se O ofendermos; sobre o que diz também São Bernardo: “O lugar da terra é verdadeiramente terrível, ninguém deve entrar nela senão penetrado do mais profundo respeito; é um lugar que Deus honra com a sua Real Presença, e onde os mesmos Anjos Lhe assistem cheios de reverência”. Finalmente, a igreja é lugar digno de respeito e temor santo, porque ela é a Porta do Céu; quem nela está com respeito, quem nela ora com verdadeira devoção se avizinha a Deus, se encaminha para o Céu, e por este meio alcança com mais facilidade, imensas graças para a salvação.

Oh! Quão bem conhecia isto mesmo, o mais sábio de todos os monarcas, o grande Salomão! Depois de ter concluído o respeitável templo de Jerusalém, depondo sua grandeza e majestade, misturado com seus vassalos; lançado por terra, levantando suas mãos ao Céu, louvava o mesmo Deus, que se dignava presidir nessa sua Casa, e cheio de respeito exclamava: “É crível, Deus meu, que Vos digneis habitar com os homens de uma maneira tal! Se os Céus, dizia ele mais, são pequeno espaço para conter Vossa imensidade, como é possível que Vos digneis habitar nesta pobre casa que Vos edifiquei!” Mas se tal era o respeito e reverência com que o maior monarca do mundo com o seu povo guardava nesse antigo templo de Jerusalém, qual deverá ser o nosso nas igrejas de Jesus Cristo!



Oh! Neste antigo templo só se percebia a Glória e Majestade do Senhor por figuras, mas agora nas nossas igrejas preside realmente em Corpo e Alma o mesmo Senhor de Soberana Majestade; naquele templo sacrificavam-se bois e rezes ao mesmo Deus, mas nas nossas igrejas se sacrifica, verdadeiramente, todos os dias o Cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo; naquele templo se guardavam as tábuas da Lei, a misteriosa vara de Moisés, e uma porção do Maná que chovera do Céu, mas, nas nossas igrejas há muito mais, nelas se conserva sempre vivo o nosso Deus e Divino Salvador no Sacramento do Altar, para O adorarmos e recebermos, e para nos encher de bens e graças; quanta maior reverência, pois, quanto mais respeito Lhe devemos nesta sua Casa! Oh! Todos, sem exceção de pessoa, Lhe devemos tributar o mais respeitoso culto; todos O devemos adorar com reverência da alma e do corpo; com reverência da alma, estando com toda a atenção a meditar nas suas verdades eternas; com reverência do corpo, estando com toda a modéstia, como pede um lugar tão santo e a presença da Divina Majestade, que nas suas igrejas preside como no seu Palácio.

Peca, pois, mais ou menos quem nas igrejas falta na reverência a Deus. Peca, quem na igreja está sem a devida atenção e devoção para com o mesmo Deus e seus Santos, e que não obstante ter o corpo na igreja, tem o coração e pensamento em casa, ou em coisas do mundo, alheias de Deus. Peca, quem se está rindo, mostrando assim o pouco respeito na Casa do Senhor. Peca, quem come ou bebe na igreja, fazendo dela estalagem ou taberna. Peca, quem nela escarra, porque a suja, e a faz indecente a seu Dono. Peca, quem nela está sem causa, com um joelho no chão, outro no ar, ou sentado com um joelho sobre outro (de pernas trançadas), ou sobre os altares, ou encostado como se estivessem em suas casas; e as mulheres que se sentam ou ajoelham no altar, onde o Sacerdote põe os pés quando diz Missa, além do pecado tem contra elas fulminada uma antiga excomunhão, a qual ainda que dizem alguns não está em uso, devem temê-la e evitar este abuso. Peca, quem entra na igreja com vaidade, com modas, com vestidos indecentes. Peca, toda a mulher que leva a cabeça descoberta ou quase descoberta, e até às vezes com enfeites no cabeça. Peca, todo o homem ou mulher, que na igreja está olhando com afeto para o diferente sexo, e até fazendo algum sinal para quem ama. E ainda mais, peca mortalmente, contra a santidade do lugar, se o chega a profanar com alguma brincadeira ou obra desonesta. Enfim, peca-se, toda a vez e hora que se falta ao respeito a Nosso Senhor na sua Casa, de qualquer modo que seja, ora mais, ora menos, conforme for a falta de reverência.

Porém, que se observa à vista desta explicação? Observa-se a mais escandalosa profanação da Casa do Senhor; vê-se ainda muita gente nas igrejas, principalmente nos dias festivos, mas muito poucas pessoas que nelas estejam como devem; estão na igreja com o corpo, mas o pensamento em casa e em outras coisas que não são de Deus. Porém, ó homem ou mulher, digo eu com Santo Agostinho: tu, que estás na igreja imaginando noutra coisa que não é Deus, sabe que não adoras a Deus, mas só adoras o que imaginas; se estás considerando na tua casa, nos teus filhos, nos teus animais, nos teus negócios, nos teus bens, nos teus luxos e enfeites, nos teus namoros, não adoras a Deus no seu templo, adoras a tua casa, os teus filhos ou parentes, os teus animais, os teus negócios, as tuas modas, os teus amores, finalmente, adoras o que lembra, mas não a Deus, em quem não cuidas.

Quantas pessoas estão também na igreja rindo e falando, sem urgente necessidade, e até algumas vezes murmurando, notando os defeitos do próximo, e outras vezes cumprimentando-se, como se estivessem em sua casa! Quantas pessoas estão na igreja, sentadas indecentemente, encostadas, e até às vezes dormindo! Quantos já comem e bebem na igreja! Quantos (Céus, que horror!), quantos estão namorando com os olhos, com o pensamento e até com sinais, e ainda pior, com brincadeiras, se há ocasião para isso! E que direi dessas mulheres vaidosas em toda a parte, e até nas igrejas, as quais nelas entram e nelas estão todas ufanas, procurando até o lugar do altar como mais limpo, e talvez para melhor serem vistas, vestidas a moda, e moda muitas vezes indecente e desonesta, como são vestidos decotados, vestidos de balão, cabeça de todo descoberta ou meia descoberta, e até com enfeites no cabelo! Direi que vão para a igreja cheias de pecados, e ainda com muitos mais saem para fora; com razão diz São João Crisóstomo, destas e de outras pessoas que profanam com irreverências a Casa do Senhor: “Seria melhor, diz ele, seria melhor muitas pessoas nunca entrarem na igreja, pois cometem assim mais pecados do que se nunca lá entrassem”. Non tam crimen fuisset non venire ad templum, quam sic venire.

Ah! Irmãos meus, as Casas de Deus estão convertidas em feiras; porque nelas se fala como no meio de uma praça, e se fazem cumprimentos como no meio da rua; as Casas de Deus estão convertidas em casas de namoros, porque nelas se namora, como nessas casas escandalosas; as Casas de Deus estão convertidas em casas de divertimento, porque nelas se vê tanta vaidade no vestir, tanta moda, tanta loucura, tanta imodéstia como nessas assembleias e nesses teatros; que cegueira, que maldade a de semelhantes cristãos! Ide falar, e conversar lá fora, pecadores; ides cumprimentar-vos na rua, ou em vossas casas; a Casa de Deus não é para falar, é para rezar, cantar os louvores Divinos, ou meditar em coisas santas; a Casa de Deus não é para fazerdes cumprimentos uns aos outros, é para cumprimentardes o Senhor e seus Santos; a Casa de Deus não é para namorar, é para adorar e louvar o mesmo Deus com todo o respeito.

Oh! Dizem alguns autores, que os turcos, quando se acham na presença do sepulcro de Mafoma, não falam, nem cospem, nem tossem, nem voltam os olhos para alguém; e quando saem para fora, não viram as costas para cima; e muitos cristãos que fazem nas igrejas? Falam, riem, cumprimentam-se, murmuram, namoram, empregam os olhos e pensamento no que não devem, perdem finalmente o respeito e temor ao Juiz dos Vivos e dos Mortos, que está no Santíssimo Sacramento. Ó meu Deus, como não se arrasam tantas igrejas por tantas irreverências para sepultar em suas ruínas tantos maus cristãos! Como não nos desampara Jesus Cristo à vista de tantos pecados cometidos até na sua Casa e na sua Real Presença!



Mas ainda isto não é tudo; muitas Casas do Deus Vivo estão hoje sendo as mais pobres e desprezíveis, que se veem na terra; tão mal telhadas e forradas, tão mal caiadas, tão mal varridas e tão sujas, que ninguém que goza alguns meios assim tem a sua; com verdade tem muitas pessoas as suas casas mais caiadas, varridas, lavadas e até às vezes alcatifadas, do que tem a Casa do Senhor dos Céus e da terra; tratam com mais cuidado das suas moradas, do que das igrejas, onde habita a Divina Majestade; dormem em lençóis mais lavados, e travesseiros mais engomados, do que os corporais, onde o nosso Divino Salvador reclina a sua Face; limpam-se as tolhas mais finas e mais brancas, do que aquelas que servem nos altares para o culto de Deus, e do que os mesmos sanguíneos com que se limpam algumas relíquias do Sangue de Jesus Cristo; trazeis os vossos vestidos mais compostos e asseados do que as alvas e vestimentas da vossa igreja.

Ai de quem deve tratar da decência e ornato da Casa do Senhor para o seu culto, e não o faz! Ai de tantos Párocos e Sacerdotes, que devendo ser os primeiros zeladores da Casa de Deus, não cuidam no que devem! Ai de tanto povo, que devendo esmerar-se em ter as suas igrejas limpas e ornadas, as tem tão desprezíveis e tão pobres, que causa escrúpulo dizer nelas o Santo Sacrifício da Missa, e celebrar aí os Divinos Ofícios, e tem os paramentos sagrados tão sujos, que causam nojo e até às vezes rotos e caindo em pedaços; tem mais cuidado em que não chova num palheiro, do que na igreja; iluminam os teatros, assembleias, ou sociedades com luzes e mais luzes, e deixam estar a Jesus Sacramentado com uma luz insignificante, e muitas vezes as escuras; tem para tudo, e até para muita coisa que devia escusar-se, e pouco ou nada tem para o culto de Deus na sua Casa; tem até muitas pessoas a sua cozinha mais varrida, do que a sua igreja.

Ai, Deus meus! Que culto Vos dão muitos cristãos nos Vossos templos! Quão pouco Vos respeitam, quão pouco Vos temem! Respeitam-se tanto as casas dos grandes, que nem nelas se escarra para não sujar-lhes-as, mas já não é assim nas Casas de Deus; muitas pessoas aí escarram, como se fosse numa esterqueira, e até nem por isso nelas se pode estar ou ajoelhar sem aborrecimento; escarrai num lenço, irmãos meus, ou num farrapo que leveis convosco para a igreja, e guardai mais limpeza na Casa do Senhor; Santo Ambrósio recomendava muito a sua mãe, que não escarrasse na igreja; São Gregório louvava muito a sua mãe, porque nunca voltava as costas aos altares, nem escarrava na igreja; e Santa Gregoriana é também muito louvada pela mesma razão; porém, muitos cristãos dos nossos dias obram de tal modo, como se nas igrejas não estivesse Deus! E nem sequer tem medo ao Dono da Casa, que tem vingado e, vingará sempre sua honra desacatada.

Ide, cristãos, ide a esses palácios reais, e os vereis mil vezes mais limpos do que o Palácio do Rei dos reis; vereis esses monarcas servidos, respeitados e temidos dos seus vassalos, e que ninguém lhes falta ao respeito com a mais leve ação ou palavra, quando um Deus no seu Santuário é tão desprezado e ofendido; ide a esses templos dos ingleses protestantes, e vereis o silêncio e respeito com que estão nas suas festividades; ide a essas mesquitas dos pagãos, e vereis estes com mais respeito diante dos seus falsos deuses, do que muitos católicos no Santuário do Deus Vivo. Ah! Quem não treme vendo tantas irreverências na Casa do Senhor! Os hebreus deram a morte a Jesus Cristo, mas foi em uma Cruz; porém, muitos católicos procuram dar-Lhe-a no altar, com muitas e diferentes irreverências e desacatos. Isaías viu cobrir a face aos Serafins diante do Santuário; à Moisés, mandou Deus descalçar-se para pisar a terra santa, onde ele estava; os israelitas não podiam chegar-se à Arca do Senhor por espaço de dois mil côvados; e muitos cristãos entram e estão nas igrejas sem respeito, nem temor diante do Senhor dos Céus!

Ainda vos direi mais, os gregos não se atreviam a cuspir ou escarrar, e nem sequer assoar-se enquanto duravam os sacrifícios aos seus simulacros; houve um turco tão fanático, que até arrancou os olhos e a língua depois de ver o corpo do maldito Mafoma, dizendo que não devia falar, nem ver coisa alguma quem teve a dita de ver tal objeto; os católicos, porém, estão na igreja diante do verdadeiro Deus, sem temor, ofendendo-O com pensamentos, palavras e obras, com tantas irreverências! Que cegueira e que maldade! O mesmo Senhor criou o mundo, e o entregou todo à nossa disposição; reservou, porém, para Si pequenos espaços das igrejas para ser aí mais adorado, respeitado, e temido; Ele mesmo parece-me dizer-nos: “Miseráveis criaturas, já que Me ofendeis em vossas casas, nos montes e nos campos, conversando, rindo, divertindo-vos e pecando, ao menos não Me trateis assim na minha igreja: guardai aqui silêncio, modéstia e temor; respeitai-Me e temei-Me ao menos no meu Santuário” – Pavete ad Sanctuarium meum. Ego Dominus;3 porém, muitos cristãos com as suas irreverências e pecados dizem o contrário: eu hei de falar, rir, namorar e pecar até na vossa Casa; hei de ofender-Vos em toda a parte, até nas vossas igrejas, até na vossa Real Presença.

Mas, ó ingratidão! Ó maldade a mais execranda! Deus escolhe lugar para aí ser adorado e mais respeitado, e aqui mesmo há de ser mais injuriado! Deus escolhe as igrejas para nelas melhor nos ouvir e despachar graças; e nas mesmas igrejas hão de muitos provocar mais a sua vingança! Ó pecadores, que fazeis com vossas irreverências nas Casas de Deus, senão desafiar a sua ira? Bem o mostrou Ele já no tempo em que andava no mundo; vivendo e morrendo cheio de paciência, não foi assim quando viu alguns judeus no templo de Jerusalém sem respeito; mas fazendo o mesmo Senhor uns açoites de uma corda, os espancou e lançou fora da igreja, dizendo: “A minha Casa é casa de oração, e vós a fazeis casa de ladrões!” E ainda aqui não parou o seu castigo; mas depois, foi arrasada aquela cidade com o seu templo, não ficando pedra sobre pedra, e morrendo milhares de pessoas.

Ai, como Deus castiga os profanadores do seu templo! Por causa de iguais irreverências caiu Constantinopla em poder dos turcos, e outros castigos têm vindo ao mundo; e vós, irmãos meus, não temeis que Deus vos castigue também! Eu vejo também coisas por essas igrejas, que fazem tremer; e vós, pecadores, culpados em tantas faltas na Casa do Senhor, não temeis! Ah! Talvez em castigo já muitas nos nossos dias estejam arrasadas ou demolidas, e outras fechadas, e daqui a alguns anos aquelas outras serão o mesmo. Refere Santo Afonso nas suas Instruções, que em certa igreja, onde se praticavam graves irreverências, aconteceu o seguinte caso: Enquanto o Sacerdote levantava a sagrada Hóstia, esta lhe fugiu das mãos, e se ouviu uma voz, dizendo: “Povo, eu vou-me”; e subindo a mesma Hóstia ao ar, segunda vez se ouviu: “Povo, eu vou-me”; chegando ao teto da igreja, foi repetida a mesma voz: “Povo, eu vou-me”; e logo desapareceu a sagrada Hóstia, e a igreja caiu em cima daquela gente, ficando sepultada debaixo das suas ruínas, em castigo de tantas irreverências e pecados. Ah! E como não temeis vós os mesmos castigos? Muitos cristãos merecem também que Jesus Cristo lhes fuja, e que as igrejas se arrasem em cima deles, pelas irreverências com que nelas estão; e talvez isto aconteça em muitas partes, ou ao menos que estejam inutilizados, fechados, ou destruídos tantos templos.

Ah! Parece-me estar ouvindo agora a Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento a dizer do mesmo modo, e todo agoniado por tantas irreverências: Povo, eu vou-me, eu vou-me daqui embora; eu fujo da tua companhia, porque me desprezas, porque me tratas muito mal até na minha Casa, na minha Real Presença; eu vou deixar tomar posse das minhas igrejas aos ímpios, aos protestantes e hereges, aos meus maiores inimigos; eu vou permitir que eles as arrasem, ou fechem, ou entreguem a usos profanos; eles não me consentirão aqui, nem sequer as minhas imagens, nem as de minha Mãe e de meus Santos; eles me lançarão fora deste Sacrário, e talvez pelo chão: tudo isto eu consentirei em castigo dos teus pecados, que até aqui mesmo cometes: tu falas, e até namoras na minha Casa, como se fosse numa praça; tu tratas-me na minha igreja como um rei de teatro, entrando, ou estando nela como se fosse para uma comédia; tu estás na minha Presença sem modéstia alguma, sem algum respeito; tu deixas-me estar muitas vezes às escuras; tu tens o meu Palácio tão pobre, tão sujo, e tão indecente, que não sofres ter assim a tua casa; tu tratas mais dos teus vestidos, do que dos meus ornamentos sagrados, deixando estar estes tão imundos e tão rotos, que causam nojo; tu choras uma esmola ou reclama, que te seja pedida para o meu culto; enfim, tu tratas-me com o maior desprezo até na minha Casa; tu não és meu amigo, e por isso eu vou-me embora daqui; eu deixo-te, eu fujo da tua companhia, e ficarás sozinho, sem teres quem te valha nas tuas aflições, viverás, e morrerás no pecado, e no meu desamparo.

Ó irmãos meus, já em muitas partes isto tem acontecido em castigo de tantas irreverências; já muita gente chora por não ter o Santíssimo Sacramento na sua freguesia, nem Pároco, nem Missas; já muitas igrejas foram destruídas, outras reduzidas a adegas de vinho, a casa de negócio, a teatros e a coisas profanas; e vós não temeis semelhantes castigos? Ai! Quanto eu os temo, e que brevemente venham sobre nós!!! Não tapeis os ouvidos a estes avisos de Deus; tratai-O com mais respeito na sua Casa daqui por diante; vinde dizer-Lhe como Santo Agostinho: “Agora sim, meu Senhor, conheço o mal, que tenho feito; pela dissolução dos meus costumes violei o vosso Santuário; tenho-Vos ofendido tanto na vossa Casa; mas perdoai-me, porque me arrependo, e proponho emendar-me. Maria Santíssima, valei-me e ajudai-me”. Amém.


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Fonte: Pe. Fr. Manoel da Madre de Deus, O.C.D., Práticas Mandamentais ou Reflexões Morais Sobre os Mandamentos da Lei de Deus e os Abusos que lhes são Opostos, Outras Práticas e Missões – Prática 4ª, pp. 28-38. 3ª Edição, Em Casa de Cruz Coutinho – Editor, Porto, 1871.

1.  Jer., 12, 11.

2.  Gên., 28, 17.

3.  Lev., 26, 2.


sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

FILOSOFANDO SOBRE A MODA FEMININA.


"Ó mulher mundana, que perdeste o pudor

e te apresentas ao público sem te envergonhar,

por que ages assim?"

(D. Giuseppe Tomaselli).



Escuta e Reflete!

Breves Pensamentos Morais


1º Ponto: Antes não existias. Dentro de 100 anos onde estarás... Ou no Paraíso ou no Inferno! Qual é o fim da tua vida?... Dar ao Criador a prova de amor, com a observância de sua Lei. A vida não é prazer; é luta contra as paixões, contra Satanás e as máximas perversas do Mundo. Para vencê-los precisamos da ajuda de Deus, que se obtêm com a Oração e com os Sacramentos. O fruto da vida cristã é a paz do coração, a resignação na dor, e depois, o Paraíso.

2º Ponto: No toca-discos ficam impressas as ondas sonoras... cantos delicados ou grosseiros... palavras santas ou inconvenientes... Assim, no livro da tua vida permanecem escritos: os bons pensamentos ou os maus, as conversas morais ou imorais, as obras boas ou as más. Depende de ti escrever somente o bem.

3º Ponto: O rio corre; a cada momento se avizinha do mar. A tua vida foge: cada dia que passa é um de menos que te fica sobre a terra; todo o dia é um passo em direção do cemitério. Não queres pensar nisto? És tola! Imita as virgens prudentes!

4º Ponto: Sabe que a alma vale mais que o corpo. Por que tanta solicitude com o mísero corpo e tanto desleixo com a alma? Aprende a ser mais sábia!



Ouve, ó Filha, o que Eu tenho para te dizer.


Ó mulher, lança um olhar para Mim, flagelado até o sangue e coroado de espinhos! Contempla as Minhas contusões e chagas!... Depois escuta e reflete!

Na vida terrena Eu me mostrei um manso cordeiro. Subi ao Calvário sem abrir à boca.

Tratei com doçura a Samaritana e a converti. Toquei o coração da pecadora de Magdala e fiz dela uma predileta Minha.

Ao longo das estradas da Palestina saiam da Minha boca, palavras de luz, de paz e de amor. Os Meus ensinamentos eram doces como o favo de mel.

Um dia, porém, lançando um olhar Divino sobre todos os séculos, à vista do mal que inundava o mundo, pronunciei palavras de fogo: "Ai do mundo por causa dos escândalos!..."

Ai de quem escandaliza um destes pequeninos que creem em Mim! Melhor seria que se pendurasse ao pescoço de quem dá escândalo uma mó de moinho e fosse precipitado no mar!

Quem pronuncia este "ai" é um Deus; sou Eu, Jesus, o Redentor, que tanto sofri para salvar as almas; sou Eu, o Juiz Supremo da Humanidade, Eu, que deverei pronunciar a sentença eterna para todas as almas: ou o Paraíso ou o Inferno!

Reflete, ó mulher, que segues a moda livre, reflete sobre o escândalo que dais a quem te olhar e sobre a tremenda responsabilidade de que te carregas!...

Podes iludir-te a ti mesma dizendo: Que mal há em seguir esta moda?... De resto, as outras mulheres fazem exatamente o mesmo!... − Esta ilusão vale para ti; mas a realidade é bem diferente!

Não podes enganar-me, que sou Bom, mas também sou Justo! Eu, o Legislador Divino, disse: Se alguém olhar para uma mulher com malícia, já pecou com ela no seu coração! − Todos os olhares lançados sobre ti com malícia, quer em casa, quer fora, são pecados que se cometem. Tais pecados são imputáveis a quem te olhar, mas antes de tudo a ti que és a causa voluntária deles.

Um dia, quando a morte te arrancar do mundo e compareceres diante de Mim para ser julgada, verás as culpas que os homens cometeram ao ver-te com vestido indecente e tu mesma ficarás horrorizada!... Que escusa Me apresentarás?... Ai de ti, ó mulher, pelos teus escândalos!

Ó mulher mundana, que perdeste o pudor e te apresentas ao público sem te envergonhar, por que ages assim?

Tu não crês que existe um Deus, que há uma outra vida após esta terrena e que há uma alma a salvar! Crês ser semelhante a qualquer animalzinho, o qual, quando estiver morto tudo acabou para ele! Enganas-te!...

És uma criatura de ordem superior. Há um Deus acima de ti, ao qual nada escapa, um Deus que é Justo punidor da culpa.

Escuta!

Quando talvez um dia estiveres presa ao leito, sem esperança de levantar-te... ou amassada entre duas máquinas, ensanguentada e próxima de morrer, ou quando o alarme de um germe maligno te disser que os espaços para ti terão acabado..., ou quando lutares com a morte, enquanto o teu corpo for atormentado na sala de operação... ou quando talvez tenhas um veneno perto ou uma arma para satisfazer ao desespero... lembra-te nesse instante que Deus está te pagando!... Deus não paga o sábado, mas paga sempre!

Disse ao paralítico de Betsaida, depois de tê-lo curado: Não peques mais, para que não te aconteça algo de pior... Aquele homem tinha ficado paralisado durante 38 anos por motivo dos seus pecados.

É verdade que às vezes Eu toco com dor o corpo dos meus prediletos, para se santificarem e salvarem as almas; mas frequentemente Eu toco o corpo dos que pecam para puni-los, na esperança de fazê-los compreender!

Eu possuía uma vinha numa fértil colina. Eu a rodeei de cercas, tirei dela as pedras e a enchi de videiras escolhidas. Edifiquei no meio uma torre, construí um lagar e esperei que produzisse uvas; mas não deu outra coisa senão labruscas (uma casta de uva preta).

Que coisa deveria ter feito pela Minha vinha e não fiz?... Agora darei a conhecer o que pretendo fazer à Minha vinha: arrancarei a sebe e esta será devastada... Deixá-la-ei no abandono!

A vinha da qual Eu falo és tu, ó mulher, que tens o nome de cristã, mas na realidade não és!

Eu te fiz nascer num país iluminado pela Fé e numa família cristã; foste instruída nas Verdades Divinas; muitas vezes te liberei dos perigos da alma e do corpo; te enriqueci de muitas graças espirituais.

Enquanto estavas na infância, prometias muito e Eu aguardava os bons frutos de ti, ó Minha vinha amada. Mas na juventude tu te deixavas arrebatar pela corrente mundana e também tu segues hoje a moda, se não totalmente escandalosa, certamente muito livre.

Houve tempo em que detestavas nas outras mulheres aquela moda de vestir, que apesar disso fizeste tua... Tu te tornastes imunda! Inutilmente os Meus sacerdotes levantam a voz e expõem os sagrados avisos no Templo.

Ó mulher, que te crês religiosa e trajas vestidos pouco decentes, reflete sobre o teu caso!

Ora, seja por hábito ou por conveniência social, às vezes te resolves a comungar. Sabendo que o sacerdote não te daria a Sagrada Partícula ao ver-te com os braços nus e muito decotada, no momento da Comunhão te cobriste o melhor que podias e assim recebeste-me no Santíssimo Sacramento.

Eu, que invisto contra o escândalo, entro no teu corpo. Quanta amargura experimento quando vens para receber-me!... Penso na tua moda!

Saída da igreja, eis que te vestes imodestamente de novo, e ages por motivo de vaidade para não parecer menos inconvenientemente vestida que as outras mulheres... mas apesar disso estás debaixo das vistas dos homens, os quais frequentemente não são simples em olhar e em pensar!

Na igreja o teu corpo que comunga se torna um Tabernáculo, e fora da igreja, ao longo das ruas, nos pontos de encontro, na praia e em casa, o teu corpo se torna instrumento de Satanás, incentivo do mal.

Que coisa poderia Eu fazer mais à Minha filha e não o fiz?... Não Me resta senão abandoná-la!

Lembra-te, ó mulher, que um dia Me darás conta dos pecados que os outros cometeram devido à ocasião que deste! Recorda-te também que não é a moda pouco decente que confere beleza à mulher, mas a modéstia no vestir e a seriedade da vida!




Pais e Mães de família, escutai!


Eu tinha posto um olhar amoroso sobre um homem, um certo Eli. Abençoei-o até quando se manteve fiel.

Tinha ele dois filhos, Ofni e Finéias; amava-os muito e, para não contristá-los, não os corrigia quando cometiam culpas, mesmo graves.

Em vão esperei que o pai abrisse os olhos. Depois de algum tempo enviei-lhes o jovem Profeta Samuel para dizer-lhes: Eis o que acontecerá aos teus dois filhos, Ofni e Finéias: morrerão ambos no mesmo dia! − E assim foi.

Sou Eu, Jesus, o Criador da Família! Eu abençoo o convívio do homem com a mulher! Sou Eu que alegro a Família com o sorriso dos inocentes! Toda a criança é um dom da Minha liberalidade, um tesouro que confio aos genitores, tesouro que constitui para eles uma responsabilidade muito grande.

Pais e mães, deveis ter cuidado antes de tudo da alma e depois do corpo dos filhos, educando-os segundo a Minha Lei. Deveis guiá-los especialmente na adolescência e na juventude com o exemplo e a palavra, com a vigilância e a prece, com o amor e às vezes com a vara.

Ai daquele que dá escândalo aos filhos! E ai de vós genitores, se permitis aos filhos dar escândalo em presença da sociedade! A responsabilidade maior da moda indecente pesa sobre vós, ó pais, ou porque dás o triste exemplo dela, ou porque a permitis sem remorso, ou porque sois demasiado débeis na educação dos vossos filhinhos.

Pais e mães de Família são estes os pecados dos quais vos pedirão estritas contas! Não são tanto as pequenas impaciências familiares os pecados a serem apresentados ao Meu ministro para serdes absolvidos deles! É a má conduta das vossas filhas que deve pesar fortemente sobre a vossa consciência... se não tiverdes feito o possível para impedir-lhe a moda má!

Pais, refleti sobre esta verdade: é responsável pelo pecado aquele quem o faz e quem devia impedi-lo e culpavelmente não o impede.

Permitindo a moda livre e provocante, vós não amais as vossas filhas, antes quereis o seu mal, porque a colocais na estrada da condenação eterna.

A liberdade de vestir leva à leviandade, tira o pudor natural, salvaguarda da pureza, põe a filha no fogo das más ocasiões e facilmente a dispõe aos maus caminhos, os quais farão chorar a filha e vós.

A filha ajudada pela mania da moda atual, torna-se incontentável, ira-se se é repreendida, não obedece e procura encrenca em casa. Tal moça alega sempre novos pretextos, corre de prazer em prazer e talvez depois... uma página de jornal acabará a sua história: "uma jovem se envenena..." "Enganada ela se joga do 5º andar..." "Disparou sobre o noivo e depois se matou".

São centenas de modos que diariamente acontecem e que não obstante não vos fazem abrir os olhos, ó pais!

Virá o dia do ajuste de contas no Meu Tribunal e então compreendereis o mal operado na vossa grave missão de genitores.

Quereis ficar com a consciência tranquila, conservar a família em paz e depois o prêmio eterno? Recordai-vos destas normas e das seguintes:

Tendes filhas? Vigiai sobre a sua pessoa e não lhes mostreis o rosto muito sorridente.

Vigiai atentamente sobre a filha imodesta, se não quiserdes que esta, encontrada a oportunidade, se perca.

Se amais as vossas filhas castigai-as frequentemente, para ter consolação com isso no futuro.

Não deixeis que a filha proceda a seu modo na juventude nem fecheis os olhos diante dos seus caprichos. Quem tem ouvidos para ouvir que ouça o que o Espírito Santo sugere!


Antes e depois


Pecado por Cooperação


Peca quem opera o mal e quem coopera com ele de qualquer modo.

E vós alfaiates, que confeccionais roupas pouco modestas, estais imunes da culpa?... Também vós não cooperais no mal?... Somente Eu, porque sou Deus, posso medir o grau da vossa responsabilidade. Recordai-vos que o vosso trabalho não pode atrair a Minha bênção.



A Imodéstia nas Praias


Todo o mundo está colocado debaixo do Maligno. A obra diabólica penetra em todo lugar. Mas um dos lugares preferidos por Satanás é a praia no período de verão. Aqui a imoralidade inunda, porque o mal aparece legalizado.

A veste indecente na praia é a ruína moral de muitas almas. Mas o que mais Me fere é ver na praia, com vestes livres, as mulheres que normalmente costumam acercar-se da Mesa Eucarística. Elas creem na sua cegueira, que a veste indecente seja lícita, pelo fato de que muitas pessoas a usam.

O mal é sempre mal. A conduta pouco correta de muitas mulheres não justifica a má conduta própria.

Satanás alegra-se em ver na praia as suas servas e já conta com vê-las consigo no Inferno. Eu, ao invés, Me aflijo ao ver aquelas almas, pelas quais derramei o Meu Sangue, tornadas em instrumentos do Demônio por motivo do nudismo descarado.

Minha Divina Justiça fez cair do Céu fogo e enxofre e destruiu as cidades imorais de Sodoma e Gomorra. Eu deveria fazer chover sobre as praias fogo e enxofre para incinerar os que, imodestamente vestidos, passam as horas e os dias em mole ociosidade!

Quem pedi conta até de uma única palavra ociosa, que conta exigirá das mulheres imodestas no dia do juízo?... Minha tremenda Justiça as tratará como tiverem merecido as suas obras perversas.



A Riqueza e a Imoralidade


Yves Saint Laurent
A riqueza iníqua, o dinheiro ganho ilicitamente, arrasta para toda a baixeza. Mulheres sem consciência se esquecem da sua dignidade, e pelo avultado lucro se prestam a se apresentarem através da tela da televisão ou do cinema de modo incorreto. São milhões e dezenas de milhões de olhos imodestos que se colocam sobre tais mulheres.

Eu, que sou o Criador, dei uma Lei Moral. Quem na terra está autorizado a anulá-la? Ninguém!... Apesar disto esta Lei é zombada, pisada. E Eu, Justiça eterna, ficarei indiferente a isto?

No Divino Tribunal Me darão contas os diretores, os artistas e os que assistem às cenas despudoradas. A responsabilidade pesa, além disso, sobre a consciência dos pais, que permitem aos filhos assistirem às indecências da televisão.

Almas que viveis no lodo moral e disseminais ruínas e mortes, olhai-me crucificado, refleti em vosso caso e meditai no Inferno, onde eternamente cumprem e cumprirão grandes penas multidões de almas as quais um dia também viveram sobre a terra como vós, na libertinagem!...

Hubert de Givenchy
Enquanto Eu caminhava para o Calvário, uma piedosa mulher teve compaixão de Mim e veio enxugar-me o rosto, sujo de sangue. Agradou-me muito aquele gesto piedoso. Enquanto agonizava na Cruz, Eu era confortado pela Minha Dolorosa Mãe e pelas santas mulheres.

Enquanto a Humanidade é peregrina sobre a terra, continuo a cumprir o ofício de Redentor. Procuro conforto e reparação. Volto-me a vós, almas fiéis! Escuta! A Minha Alma está triste até a morte!

Hoje, ao ver os escândalos da moda, renovo o Meu lamento: Estou triste... tão triste! Confortai-me vós, ó caras almas! Vesti sempre com modéstia. Não permitais na vossa família a moda indecente. Repreendei a juventude feminina com caridade e fortaleza, para o bem. Ao ver pelo caminho ou em qualquer outro lugar, mulheres mal vestidas, rezai por elas, recitando uma Ave Maria, a fim de que a Minha Mãe interceda por elas. Acrescentai esta invocação: Piedade, Jesus, destas servas de Satanás!

Cristian Dior
No verão comungai, acrescentando às outras intenções também esta: reparar os escândalos da moda.

Mandai celebrar alguma Santa Missa em reparação dos pecados do nudismo.

Oferecei no verão algum sacrifício, por exemplo, limitando-vos no beber ou renunciando a algum refresco. Qualquer mortificação repara a Divina Justiça e atrai a sua Misericórdia.

Bem-aventurado quem escuta a Minha palavra e a põe em prática!


Fim


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Fonte: D. Giuseppe Tomaselli, "Moda Femminile − A Moda Feminina", Messina, 1966; Traduzido do italiano pelo Prof. João Carlos Cabral Mendonça.


O SANTO SACRIFÍCIO DA MISSA E O PURGATÓRIO.

 

O Seguinte exemplo nos mostrará a dupla utilidade da Santa Missa, para nós e para as Almas do Purgatório.

Maria, jovem e virtuosa costureira, mandava celebrar, todos os meses, uma Missa pela alma que estivesse mais próxima de libertar-se do Purgatório. Deus prova aqueles que O amam: Maria passou por uma longa série de provações. Uma penosa moléstia a reteve no leito durante um ano, fazendo-lhe perder todos os fregueses. Para escapar à miséria, foi-lhe preciso procurar uma colocação de criada. Tristemente ocupada com este pensamento, a jovem, a primeira vez que saiu, dirigiu-se à igreja. Pelo caminho, lembrou-se de não ter cumprido sua promessa em favor das Almas do Purgatório. Que fazer? A doença esgotara-lhe as modestas economias. Restava-lhe apenas uma única moeda de prata, justamente o necessário para mandar celebrar uma Missa. Maria não hesitou e decidiu-se a mandar celebrá-la. Chegando à igreja, viu um Padre dispor-se a subir ao altar e perguntou-lhe se podia ter a intenção de sua Missa. À resposta afirmativa, Maria entregou-lhe a modesta espórtula, assistiu ao Santo Sacrifício e comungou, em favor da alma que primeiro devesse voar para o Céu. Ao sair da igreja, um jovem de nobre aspecto, saudou-a e disse-lhe:

– “Está procurando uma colocação, não é verdade?”

– “Sim, senhor; porém, como pode saber disto se ainda não falei a pessoa alguma, e além do mais, não me conhece?”

– “Não importa, respondeu o desconhecido, com um sorriso nos lábios, vá, nesta rua, em tal número, achará uma senhora que a tomará a seu serviço, e com a qual será perfeitamente feliz”, e desapareceu incontinenti.

Maria foi à casa indicada que tinha um belo aspecto: uma venerável senhora abriu a porta.

– “É verdade, disse ela, depois de ter ouvido a jovem, é verdade, procuro uma criada e ia sair por este motivo. Como, porém, soube? Ontem, à noite, foi que dispensei minha criada, por sérios e graves motivos; ninguém o sabe. Não posso compreender como veio a sabê-lo”.

Maria não pôde resistir ao desejo de narrar o seu encontro com o moço, cuja pessoa inspirava confiança. Ao entrar no quarto de sua nova patroa, o olhar de Maria caiu sobre um belo retrato de tamanho natural.

– “Senhora, exclamou ela, eis aí o senhor que me indicou vossa morada, e do qual nunca poderei esquecer a angélica beleza”.

A senhora empalideceu e deixou-se cair num sofá:

– “Que está dizendo? É o retrato de meu filho, falecido há quatro anos!”

Maria compreendeu logo a misericordiosa bondade de Deus para com ela, ajoelhou-se ao lado da pobre mãe, debulhada em lágrimas, e contou-lhe sua história: sua doença, a última moeda oferecida à alma do Purgatório, pela qual os méritos de uma só Missa libertassem, seu abandono à Providência.

– “Minha filha, exclamou então a senhora, devo-te a felicidade eterna de meu filho! Morreu tão piedosamente! Ah, julgava-o no Céu, há tanto tempo! E, sem ti, seu Purgatório duraria ainda; é ele quem te manda! Bendito seja Deus! Ficarás sempre comigo, não como criada, mas como amiga e irmã!”

Ah, se pudesses contemplar, com teus olhos mortais, os rios de graças que do altar se derramam sobre o Purgatório, com que pressa procurarias, para as almas exiladas, este divino benefício! Não objetes tua pobreza. É verdade, a pobreza pode privar-te do prazer de mandar celebrar os divinos Mistérios; porém, não já te explicamos que a simples audição da Santa Missa é por si muito meritória? Assiste-a e, para aumentar tua caridade, pede a teus amigos que ouçam também uma ou mais Missas, na intenção das Almas do Purgatório.

Era o conselho de um homem de Deus a uma pobre viúva que lamentava não poder mandar celebrar Missas por seu defunto marido. “Assisti, frequentemente, ao Santo Sacrifício por ele; deste modo será mais prontamente libertado do que por uma ou duas Missas celebradas em sua intenção”. Este excelente conselho o damos de bom grado aos pobres; não que seja menos vantajoso fazer celebrar a Missa, quando se pode, porém, é uma consolação para a alma do Purgatório ver-te oferecer, por ela, nosso Senhor a seu Pai. Então o precioso Sangue a inunda como orvalho celeste. Não jamais um doente devorado pela febre foi tão aliviado por um copo de água fresca, como os nossos caros defuntos, quando, na Santa Missa, derramamos, misticamente, sobre eles algumas gotas deste Sangue divino.

No interesse dos nossos defuntos, deixa-nos acrescentar ainda: Quando se incensam os túmulos ou se aspergem com água benta, as pobres almas sentem alívio. As gotas de água benta, na verdade, não molham senão a terra, mas a virtude que lhes concedem a bênção e as orações da Igreja, chegam, como um refrigério, até o Purgatório. Asperge, pois, muitas vezes os túmulos daqueles que choras, para consolá-los e aliviá-los.


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Fonte: “Explicação da Santa Missa”, pelo Venerável Martinho de Cochem, O.F.M.Cap., Cap. XXII, pp. 260-263. 2ª Edição, Typ. de S. Francisco, Bahia, 1914.


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