BLOG CATÓLICO PARA OS CATÓLICOS.

BLOG CATÓLICO, PARA OS CATÓLICOS.

"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

segunda-feira, 1 de maio de 2023

PATROCÍNIO DE SÃO JOSÉ.


(Quarta-feira dentro da 2ª semana

depois da Oitava da Páscoa)


Nos primeiros séculos da Igreja, apesar de se celebrar, por instituição dos Apóstolos e dos Prelados que lhes sucederam, a memória da Virgem Maria e dos Mártires, que derramavam o seu sangue pela confissão de Jesus Cristo, não encontramos que se tributasse veneração alguma ao glorioso São José. Sem dúvida, as mesmas causas que moveram o nosso Deus a levar da terra o Santo Patriarca antes que o Filho de Deus manifestasse ao mundo a Sua doutrina e operasse na terra a nossa salvação, moveram-No também a que Seu pai putativo estivesse sem o culto dos fiéis durante muitos anos. A causa da Divindade de Jesus Cristo, que tantos hereges impugnaram, e a da Virgindade Perpétua da sua Sacratíssima Mãe, pediam que não se expusesse então aos olhos dos fiéis, ainda rudes e tenros na fé, a festividade de um justo com o nome de esposo da Virgem e de Pai de Jesus. Fortalecidos os cristãos na doutrina do Evangelho, e bem instruídos nos seus dogmas, a Igreja proveu-os de todos os auxílios que lhes podia subministrar a religião em seus trabalhos, e indicou-lhes quais as fontes onde podiam beber consolações dulcíssimas nas suas tribulações. Ensinou-lhes que os Bem-aventurados são, no Céu, uns poderosos intercessores para com o Pai das Misericórdias, por cujos merecimentos Lhes concede liberalissimamente o tesouro das Suas graças.

Embora se encontre o nome de São José em algumas liturgias gregas e latinas de tempos muito remotos, consta que a sua festividade não foi ordenada na Igreja latina antes da determinação do Papa Gregório XV, acomodando-se sem dúvida ao espírito da mesma Igreja, que celebrava já a memória deste grande Santo, desde tempo imemorial, como se deduz dos breviários Mosárabe, de Milão e de muitos outros. E é digno de notar-se que o fervor e cuidado do seu culto se encontra sempre com especialidade na Sagrada Ordem Mendicante dos Carmelitas, que tanto no Oriente, quando ali florescia a Cristandade, como no Ocidente, conservaram sempre uma devoção particular a São José, celebrando com sumo esmero a sua festividade. A experiência fez conhecer aos fiéis quão proveitosa lhes era a intercessão do esposo de Maria; e assim, para desafogarem os seus corações, pediram para que tivesse uma festividade própria o seu Patrocínio. Os intérpretes dos seus votos foram os CARMELITAS descalços que, seguindo fielmente o espírito de sua Santa Mãe Teresa de Jesus, dirigiram ao Sumo Pontífice os seus humildes rogos, para que concedesse a celebração da Festa do Patrocínio de São José. Com efeito, no dia 6 de Abril do ano de 1682, concedeu benignamente o Papa Inocêncio XI, que na terceira Dominga depois da Páscoa da Ressurreição, pudessem celebrar esta festividade, dando a todos os cristãos a consolação espiritual de enviar ao Céu os seus votos, alegrando-se com o poderoso patrocínio que desfrutam no santíssimo e virginal esposo da Mãe de Deus e Mãe dos pecadores.

Que os Santos que reinam com Cristo, dirigem a Deus as suas orações pelos homens, que é bom e útil invocá-los humildemente, e acolhermo-nos aos seus rogos, ao seu favor e auxílio para alcançar benefícios de Deus pelos merecimentos de seu Filho Jesus Cristo Nosso Senhor, que é o nosso único Redentor e Salvador, é um dogma de fé, conhecido sempre na Igreja, estabelecido nos Concílios, e particularmente no de Trento, ao qual pertencem estas palavras: (Sess. 25). Ignoramos o grau de glória e valimento que junto de Deus tem cada um dos Bem-aventurados; mas conjecturando prudentemente pelas suas virtudes e dignidade, que nos são notórias, podemos afirmar que o patrocínio de São José é dos mais poderosos que temos no Céu. De dois princípios podemos deduzir esta verdade: o poder e a vontade que o Santo tem de nos favorecer. Ambos estão afiançados na sua grande santidade, na dignidade de Pai putativo do Filho de Deus, à qual o destinou a eterna Sabedoria, e na prerrogativa de esposo da Rainha dos Anjos. Que dignidade não contém em si o ser esposo de Maria? Se o discípulo amado do Senhor é muito elogiado, só por ter tido a dita de A receber a seu cuidado, qual será a dignidade daquele que foi seu verdadeiro marido; que teve sobre Ela legítimo domínio e poder; que foi seu senhor e cabeça; que cuidou d’Ela, alimentou-A e teve-A na sua companhia até à sua ditosa morte? Se o Batista foi santificado no ventre de Santa Isabel logo que Maria a saudou, quanta graça, quantos dons, quanta santificação causaria a São José a conversação contínua de sua esposa? Se é grande a dignidade do discípulo amado porque lhe chamou mãe, quanta será a de São José, a quem a Virgem chamaria senhor e esposo? “Oh! É sumamente admirável a sublimidade de José! Oh, dignidade incomparável, que a Mãe de Deus, Rainha do Céu e Senhora do mundo, não se dedignasse chamar-lhe senhor!” Assim exclama o devotíssimo João Gérson. Esta dignidade manifesta-se com novo brilho de grandeza e de poder, se atendermos a que foi o próprio Deus que com uma particular providência o destinou para esposo de Maria. O mesmo Deus disse que a mulher havia de ser uma auxiliar do homem, feita à sua semelhança, daqui podemos fazer a seguinte reflexão: se Maria é semelhante a José, e é ao mesmo tempo a criatura, que mais graça, dignidade e poder teve e terá até a consumação dos séculos, quanta será a dignidade, a graça e o poder deste Santo, para dizer-se com verdade que é semelhante a sua esposa? E se a semelhança é causa de amor, quanto seria amado da Senhora, quem tanto se parecia com Ela nas virtudes e na graça?

“Maria, diz São Bernardino de Sena, sabia que São José lhe tinha sido dado pelo Espírito Santo por seu esposo, por guarda fiel da sua virgindade, e para ser participante no amor de caridade e solicitude da prole divina, que havia de nascer de seu seio; portanto, amava-o ternamente com todas as veras do seu Coração virginal. Além disso, pertencendo ao marido tudo o que pertence à esposa, creio que a Bem-aventurada Virgem Maria comunicava a seu esposo todo o rico tesouro do seu Coração, estendendo-se a sua liberalidade até onde chegava a capacidade do Santo”. Até aqui são palavras de São Bernardino; delas pode inferir-se qual a dignidade, grandeza e esclarecidos merecimentos do Bem-aventurado esposo. Se a mulher prudente é o modelo da sua família, como se diz nos Provérbios;1 se é Bem-aventurado o varão fiel que possui uma mulher honesta e virtuosa, e esta é o prêmio que o Senhor lhe concede em paga das suas boas obras, como diz o Eclesiástico,2quanta será a ventura, o mérito e a dignidade de quem mereceu a mais prudente, a mais santa de todas as mulheres, de quem mereceu a própria Mãe de Deus? Quanto será o seu poder, a sua virtude e o seu valimento? Meça-o aquele Deus de bondade, que soube e quis dar-lhe tanta graça; que a nós, os mortais, só nos é permitido admirá-lo sem chegar a compreendê-lo; e o melhor modo de chegar a conhecer a dignidade de São José, é a simplicidade com que fala São Gregório Nazianzeno das virtudes do marido de sua irmã Gorgônia. “Quereis saber, diz este Santo, quem foi este grande varão? Eu vo-lo direi em poucas palavras: Foi um digno marido de Gorgônia”. Da mesma maneira podemos dizer, e com muito mais razão: “Quereis saber quem é José? É um digno esposo de Maria; e com isto parece estar dito tudo quanto pode dizer-se para se fazer ideia da sua alta dignidade e da grandeza do seu patrocínio”.

Esta consideração ganha nova força, atendendo ao título que São José tem de Pai de Jesus Cristo. Prescindamos da glória e dignidade que poderia resultar-lhe de lhe convir este título de Pai, sem a adição de putativo. O sábio Cornélio à Lápide prova com muita erudição e acerto, que a São José convém com propriedade o título de Pai de Cristo, e, como prova do seu modo de pensar, cita muitos teólogos de reputação, e o grande Santo Agostinho. As razões que para tal fim apresenta são deduzidas da família e genealogia de Cristo, do legítimo direito com que o Santo possuía o Corpo Santíssimo da Virgem, e por conseguinte, aquele puríssimo Sangue de que foi formado o que tomou e uniu a Si o Verbo divino, do direito de posse comum ao esposo e à esposa acerca dos bens legitimamente adquiridos durante o Matrimônio, e do fato de Jesus ter o direito filial relativamente a São José, em virtude do qual lhe pertencia o Reino de Judá, e por conseguinte também São José havia de ter o direito paterno, são razões bem fundadas e que nenhum teólogo prudente poderá considerar frívolas. Mas sem recorrer a elas, o título de São José de Pai de Cristo, é suficiente para deduzir dele uma dignidade e um poder quase imenso, que tornam admirável o seu patrocínio.

Por este título estava Cristo sujeito a São José, como diz São Lucas;3 e assim como no Senhor acusa esta sujeição uma humildade infinita, diz Gérson, assim no Santo denota uma dignidade incomparável. Com razão exclama o grande Santo Agostinho:4 “Alegrai-vos, São José, alegrai-vos, com a virgindade de Maria, pois só vós merecestes possuir, juntamente, com as honras e privilégios do Matrimônio, a glória de um afeto virginal; pois por amor a esta virtude angélica, vos separastes por tal modo dos direitos que tínheis sobre a vossa Santíssima Esposa, que em prêmio sois chamado Pai do Salvador”. Quantos favores poderemos pensar que fazia Jesus a seu Pai putativo! Que dom, que privilégio lhe reservaria! Se encheu de graças o Discípulo amado só por se reclinar uma vez sobre o seu amoroso peito e porque o chamou filho de sua Mãe Santíssima; José, que lhe falava continuamente, que O tinha em seus braços, que O estreitava ao seu peito, e desfrutava os Seus dulcíssimos beijos, que privilégios, que dons não receberia! Por isso, diz João Gérson na oração da Natividade da Virgem, que pregou no Concílio de Constança, que se pode crer piedosamente que este Santo foi santificado no ventre de sua mãe; e afirma que assim se diz no Ofício Jerosolimitano deste Santo; e que não só este benefício, mas também o de haver subido em corpo e alma ao Céu, juntamente com Jesus Cristo. E na verdade, prossegue este piedoso varão, se o mesmo Cristo afirmou que, onde Ele estivesse, ali havia de estar o seu servo e ministro, sem dúvida que São José está em corpo e alma no Céu, e tanto mais próximo do trono da Majestade, quanto foi mais assíduo e esmerado no Ministério, com que O serviu na terra depois de Maria”.

De tudo quanto fica dito, se infere qual é o poder que São José tem de nos favorecer. E pode formar-se o seguinte raciocínio: Se o pai tem justo domínio sobre os bens do filho, pode dizer-se que este Santo Patriarca tem de certo modo ao seu arbítrio e nas suas mãos, todo o poder de Jesus Cristo, para favorecer os seus devotos; logo, tem um poder, a cuja extensão não pode pôr limites a necessidade ou calamidade que não seja inferior à sua beneficência; um poder, enfim que, junto a uma grande vontade com que está sempre pronto para escutar as nossas misérias, forma um patrocínio completo e perfeitíssimo, um patrocínio com tanta segurança e poderio, que as suas súplicas a Jesus e a Maria, se podem considerar quase como preceitos de um marido a sua esposa e de um pai a seu filho. Assim o diz o seu devoto João Gérson, na admirável obra que compôs sobre São José, poema precioso em verso latino, que dedicou ao seu herói.

Não basta que um indivíduo possa favorecer-nos e libertar-nos inteiramente de calamidades e de misérias, se a sua vontade não se inclinar a tão piedosa ação; assim como também não basta a qualquer, querer proteger a outro e dar-lhe auxílio em seus incômodos, se lhe falta poder e forças para pôr em obra o que quer.

Havendo pois mostrado quão grande é o poder e valimento do Patriarca São José, resta agora dizer qual a prontidão da sua vontade, para que se possa deste modo formar a ideia da grandeza do seu patrocínio e da razão com que a Santa Mãe Igreja o propõe em festividade especial aos fiéis, seus filhos, para a sua consolação e aproveitamento. Muitas razões se poderiam aqui apresentar para fazer ver que este Santo tem uma vontade sincera e decidida de favorecer os seus devotos; mas basta tomar em consideração a piedade do Santo Patriarca, para nos convencermos desta consoladora verdade.

A medida das nossas misérias, é que regula a sua generosidade para conosco.

Não quer isto dizer, que seja absolutamente necessário vivermos desditosos, para receber os benefícios do patrocínio de São José; não, o seu generoso Coração rege-se por motivos mais nobres. O assemelhar-se a sua Esposa sacratíssima, o seguir as pegadas d’Aquele que não se dedignou ser reputado seu filho e que colocou no nome de Jesus ou Salvador, todo o timbre de sua glória; o concorrer para que o Sangue, por Jesus Cristo derramado em nosso favor, logre toda a sua eficácia, e que não nos seja estéril a sua Paixão; a Sua mesma Alma, ricamente adornada de todas as virtudes e dons do Espírito Santo, são o motivo mais poderoso para termos segura garantia de seu patrocínio. Será possível que ele veja a sua dulcíssima Esposa tão pródiga em misericórdia, derramando o fruto da sua proteção ainda sobre os mais remissos em solicitar-lha, e permaneça contemplando tal piedade com rosto indiferente e entranhas de endurecido? Verá ele o seu Santíssimo Filho Jesus, oferecer-Se como Vítima pelo homem, tomá-Lo, como solícito Pastor, sobre seus ombros para o livrar da perdição, saltar montes e vales para o socorrer, e dar-lhe seu Sangue, esquecendo a suas ingratidões e seus erros, e não abrirá o cofre de suas misericórdias? E poderia o silêncio impedir-lhe a voz de interceder em nosso favor? Será possível que ele veja a nossa perdição, que veja desperdiçado em nós o precioso Sangue que alimentou com o seu trabalho, que pelo Céu lhe foi confiado como sendo de um valor infinito, e depois disto permaneça sem precaver, na medida do possível, os nossos precipícios, se nos socorrer em nossas misérias e sem mostrar o valor do seu patrocínio? Bem ao contrário, pois, segundo São Bernardo, é ele próprio que abre o seu peito, para que todos largamente se utilizem das suas liberalidades.

Dificultosa tarefa seria querer esgotar o assunto, ele por si mesmo se recomenda; além do mais, a experiência abona-o por tal forma que, ainda quando faltassem razões, ou estas não fossem bastantemente concludentes, supriria ela em milhares de casos. Homens, mulheres, velhos e novos podereis porventura negar, que não tem sido pronto o patrocínio de São José, se a ele recorrestes confiadamente? Todos os que são verdadeiros devotos deste Santo confessam, que muitas vezes os arrancou do precipício, os livrou da necessidade, lhes remediou as suas misérias, as suas desgraças e preveniu a sua total ruína. Os encarecimentos de Santa Teresa de Jesus, e suas recomendações sobre este ponto, são de tamanho peso, que bastará citar esta grande Santa, e não menor mestra do espírito, para que fique suficientemente provado com a autoridade e com os exemplos, tudo o que fica dito dito sobre o poderoso patrocínio de São José, sobre a solicitude com que favorece os que se lhe encomendam, e quanto é proveitosa para os males do corpo ou da alma a devoção a este Santo.

No capítulo sexto da vida de Santa Teresa de Jesus, escrita por ela mesma, depois de ter falado da necessidade, em que se encontrava, prossegue desta maneira e com estas eloquentíssimas palavras: “Tomei por Advogado e senhor o glorioso São José, e encomendei-me muito a ele; vi claramente que assim desta como de outras maiores necessidades, de apertos de reputação e perigos da alma, este Pai e senhor meu, me tirou com mais aumentos, do que eu lhe podia pedir.

Não me lembro até agora, de lhe haver feito um pedido, que não me haja concedido; é coisa pasmosa as grandes mercês que Deus me tem feito por intermédio deste Bem-aventurado Santo, dos perigos de que me têm livrado, assim no corpo como na alma. A outros Santos parece que Deus lhes deu poder para acudir a certas necessidades; a este glorioso Santo, tenho-o por experiência, deu o poder de socorrer em todas, e quer o Senhor dar-nos a entender que, assim como lhe foi sujeito na terra, assim no Céu faz tudo quanto Lhe pede… Quereria eu persuadir a todos que fossem devotos deste Santo, pela grande experiência que tenho dos bens que alcança de Deus.

Não conheci ainda pessoa, que seja verdadeiramente devota e faça particulares serviços a São José, que não a veja mais aproveitada na virtude.

Há alguns anos para cá, que em cada ano em seu dia, lhe tenho pedido uma coisa, e sempre a vejo cumprida; se a intenção é menos reta, ele a faz justa para meu maior bem. Só peço pelo amor de Deus que o experimente quem não me acreditar, e sentirá por experiência o grande bem, que é encomendar-se a este glorioso Patriarca e ter-lhe devoção. Especialmente as pessoas de oração sempre lhe deveriam ser afeiçoadas…

Quem não tiver mestre, que lhe ensine a orar, tome este glorioso Santo para mestre, e não errará no caminho”.

Todas as sábias e eloquentes obras desta grande Santa estão a recomendar a mesma devoção, com palavras semelhantes às que ficam aqui referidas, que não podem ser nem mais sólidas, nem mais sinceras, nem mais vivas, nem mais afetuosas, para recomendar o patrocínio de São José. A mesma Santa refere em diversos lugares de suas obras os particulares benefícios, que recebeu de Deus por intercessão deste grande Santo; mas entre todos, merece uma particularíssima atenção, o que ela refere em uma carta, que escreveu a um seu irmão, do cárcere de Toledo, onde se achava presa por ordem do Núncio, que a considerava uma mulher feiticeira, enganadora, como se explica a mesma Santa. Ali experimentou toda a delicadeza, com que este Santo Patriarca socorre os seus afeiçoados e devotos; ali, entre os horrores do cárcere, viu a Santa que se abriam os Céus e baixava São José, cercado de resplendores e de glória, a consolá-la e a dar-lhe a notícia do dia em que haviam de ter fim os seus trabalhos e em que começariam as suas prosperidades, como efetivamente se cumpriu; e em agradecimento de tamanho benefício, dedicou a Santa o Convento de Monjas Carmelitas de Toledo ao glorioso Patriarca São José. De tudo isto se conclui que, ou se atenda às razões, ou se consulte a autoridade e a experiência, sempre resulta para consolação dos cristãos, que São José é seu protetor, seu amparo e seu refúgio; que o seu patrocínio não só é seguro, mas é poderosíssimo. Demos pois infinitas graças a Deus, que quis preparar-nos em Seu pai putativo um protetor em nossas misérias e trabalhos. Demos graças a nossa mãe, a Santa Igreja, que, solícita e amorosa, nos propõe esta festividade para que dela tiremos copiosos frutos, não só para o corpo, senão também para a alma. E por último, procuremos aproveitarmo-nos da generosidade com que o Céu manifesta as suas misericórdias e beneficência conosco, bem seguros de que, se não recebemos em vão a graça de Deus, como admoesta o Apóstolo São Paulo, serão tão excelentes e copiosos os frutos, auferiremos do patrocínio de São José, que nem os assaltos do Inimigo comum poderão envolver-nos em seus laços, nem os passatempos e falsidades do mundo cativarão os nossos corações, nem o fogo da concupiscência enegrecerá com seu fumo pestífero as nossas almas, nem nos abaterão os trabalhos, misérias e desventuras, nem as prosperidades e boa fortuna nos encherão de vaidade e soberba. Numa palavra, com o patrocínio de São José seremos verdadeiramente venturosos, verdadeiramente felizes e verdadeiramente cristãos.


Oração

Ó Deus, que por uma providência inefável Vos dignastes escolher o Bem-aventurado José para esposo da Santíssima Virgem, concedei-nos que, já que na terra o veneramos como protetor, mereçamos tê-lo nos Céus como nosso intercessor. Vós que viveis e reinais com Deus Pai em união do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. Amém.


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Fonte: Pe. Croiset, S.J., “Ano Cristão”, Vol. IV, pp. 428-434, 30 de Abril, Festa do Patrocínio de São José; Tradução do Francês pelo Pe. Matos Soares, Porto, 1923.

1.  Prov. 14, 1.

2.  Eclo. 26, 3.

3.  Luc. 2, 51.

4.  Serm. 24 de Nativ. Dom.


domingo, 30 de abril de 2023

SANTA CATARINA DE SENA, VIRGEM E DOUTORA DA IGREJA.


Célebre pelas grandes graças de que Deus a cumulou, quase desde o berço, Santa Catarina era filha de um tintureiro de Sena, na Toscana, chamado Tiago Benincasa. Nasceu no ano de 1347. Sua mãe Lapa, que não pudera resolver-se a alimentar nenhum dos outros filhos que tinha tido, quis amamentar, levada por um sentimento de predileção, esta menina, a mais nova.

Catarina, a quem a sua alegria natural e bom humor fizeram dar o sobrenome de Eufrosina, manifestou desde os seus primeiros anos tanto pendor para a virtude, que desde a idade de cinco anos era conhecida pelo nome de pequena santa. Pode dizer-se que a sua piedade preveniu a sua razão. Apenas aprendeu a Saudação Angélica, muitas vezes se punha de joelhos para a recitar. Dir-se-ia que tinha nascido com a devoção mais terna pela Mãe de Deus. E Jesus Cristo inspirou-lhe desde a infância um desejo tão ardente de se consagrar logo aos oito anos.

As graças foram desde logo mais abundantes, e viram-na fazer em cada dia novos progressos na virtude. Uma visão, que se crê que tivera de Jesus Cristo, abrasou-a de tal sorte no amor divino, que desde esse dia se transformou em vítima Sua. A sua predileção era pela solidão e pela oração; a abstinência, o jejum e outras mortificações que escondia das vistas de seus pais, tornaram-se-lhe familiares; todo o seu empenho consistia em agradar cada vez mais ao seu Divino Esposo.

Uma ligeira complacência custou-lhe caro. Sua mãe, vendo que de todas as suas filhas, nenhuma possuía qualidades que prometessem mais vantajoso enlace do que Catarina, obrigou-a a vestir com menos negligência, e a cultivar com cuidado as graças naturais que recebera de Deus. Uma de suas irmãs casada não lhe dava descanso; e foi para se eximir a esta vexação doméstica, que consentiu em frisar os cabelos; mas, tendo conhecido na oração quanto esta condescendência tinha desagradado a Deus, tão vivo arrependimento concebeu por isso, que daí em diante nunca deixou de se acusar desse pequeno delito com abundância de lágrimas, como do maior pecado de toda a sua vida.

No entanto, esta grande inclinação que tinha pelo retiro desagradou a seus pais. Pensavam em casá-la; um jovem, encantado com sua virtude e com suas belas qualidades, desejava-a para esposa. Toda a sua família aplaudia este partido; mas, instada importunamente para dar o seu consentimento, a nossa Santa cortou os cabelos, e para fazer saber a todos que não queria outro esposo além de Jesus cristo, pôs um véu sobre a cabeça. Este procedimento melindrou seus pais; resolveram fazer-lhe perder todos os pensamentos de devoção; e para o conseguir sobrecarregaram-na, sozinha, com todo o serviço da casa.

Posto que esta laboriosa humilhação a indenizasse em parte do que perdia em orar a Deus, ainda assim, foi-lhe muito sensível a perda do seu doce retiro. Queixando-se um dia disso ao Salvador, uma voz interior lhe ensinou o segredo de encontrar o recolhimento entre o cansaço do trabalho doméstico.

Desde então, não mais perdeu a Deus de vista. A multiplicidade de suas numerosas ocupações não pode interromper a sua oração; estava tranquila; a sua perseverança desarmou seus pais. Seu pai, vendo a firmeza da sua virtude, não mais duvidou de que fosse deus o Autor de seus desígnios. Sua mãe, encantada com a sua paciência e doçura, resolveu não mais se opor às vistas de Deus; e um e outro lhe deixaram liberdade para seguir os movimentos da graça.

Catarina aproveitou-se desta indulgência para se ensaiar nos prelúdios da vida austera, que se propunha encetar na Congregação das Irmãs da Penitência. Absteve-se absolutamente de vinho e carne, alimentando-se somente de ervas cruas com pão. Duas tábuas sem palha nem colchões, serviam-lhe de leito e de mesa.

Uma cadeia de ferro armada de pontas, que nunca largou senão por obediência, poucas horas antes de sua morte, fazia as vezes de um rude cilício; também se impôs a proibição do uso de linho na idade de dezoito anos, e desde então a sua vida não foi mais que um jejum contínuo e um prodígio de penitência. Apenas dormia uma hora durante a noite; todo o resto do tempo era empregado na oração.

Confessou ao seu Diretor, que nada lhe tinha custado tanto a combater, como a necessidade de dormir. Tomava três vezes ao dia a disciplina com uma inocente crueldade. Custa a compreender, como uma donzela de dezoito anos, de uma saúde delicada, de uma compleição fraca, pudesse sustentar tão espantosas austeridades. Toda a tarefa do seu Diretor, era moderar o ardor extremou que a impelia a macerar o corpo.

Caiu doente. Sua mãe que tão fortemente a provara, mas que a amava mais do que as suas irmãs, ficou consternada. Catarina declarou-lhe que sua saúde dependia da sua entrada na Ordem Terceira de São Domingos, o que obrigou a mãe, embora contrária a esta resolução, a solicitar das irmãs o hábito para sua filha.

Recebeu-o com efeito, e com esta preciosa libré de Jesus Cristo, recebeu essa abundância extraordinária de Dons Sobrenaturais, que dela fizeram uma das maiores Santas dos últimos séculos. Livre já dos obstáculos, que até então tinham impedido o seu fervor e as suas devoções, prescreveu-se um silêncio de três anos, durante os quais não falava senão ao seu Confessor, e não saía de sua cela senão para ir à igreja. Uma outra lei se impôs bem árdua: a de passar em oração todo o tempo da noite, em que os religiosos não estivessem no coro. O pouco repouso que tomava em seguida sobre as tábuas ou na terra nua, dificilmente impedia a sua oração.

Invisível ao resto das criaturas, esta santa donzela gozava à vontade essas doçuras espirituais, que são uma prelibação das alegrias do Céu, quando o Inferno, cioso e irritado de sua inocência, excitou em sua alma uma horrível tempestade. Esta alma pura foi atacada por mil fantasmas abomináveis e por imundas representações, e no coração por tentações as mais vergonhosas e humilhantes.

Tanto mais se alarmou com isso, quanto a sua pureza era mais delicada e mais perfeita. Pouco importou que redobrasse de austeridade e de súplicas, que fizesse esforços heroicos para extinguir estes fogos com suas lágrimas; Deus quis provar a sua virtude por esta humilhante tribulação, fazer-lhe sentir a força e a necessidade da graça e prepará-la para os favores mais extraordinários, por estas aflitivas humilhações.

Uma aparição da Santíssima Virgem e do Salvador, veio anunciar-lhe a vitória e trouxe a calma. Daí em diante, os êxtases foram contínuos, frequentes as revelações; viram-na dias inteiros em êxtases numa íntima comunicação com Deus. Eram ordinários os colóquios com os Santos; mas nada mais admirável, do que a sua familiaridade com a Santíssima Virgem, a quem chamava sua mãe e com Jesus cristo, seu celestial Esposo.

O Padre Raimundo de Cápua, Geral dos Dominicanos, seu Confessor, que escreveu a vida desta Santa, assegura que, redobrando as suas orações e penitências nos últimos dias de carnaval, se sentiu impelida no fervor da oração a pedir instantemente a Jesus Cristo uma fé tão viva, que nunca pudesse enfraquecer, e uma fidelidade a toda a prova para ser uma esposa eternamente agradável a Seus divinos olhos.

O divino Salvador, acrescenta este historiador, apareceu-lhe com a Santíssima Virgem, São João e São Domingos e outros Santos, declarou-lhe que tinha atendido a sua súplica, que lhe concedia o que Lhe pedira, que se dignava considerá-la como esposa; como sinal sensível desta graça traria no resto dos seus dias um anel no dedo. Durante esta visão, Deus derramou graças abundantes em sua alma; pareceu-lhe que Jesus cristo lhe dava um rico anel, e assegurou muitas vezes a seu Confessor, que este anel miraculoso, invisível a qualquer pessoa, ela o tinha continuamente no dedo.

Até aqui, sepultada em seu retiro, esta santa donzela não aparecia senão junto dos altares.

Depois deste insigne favor, Deus fez-lhe conhecer que os exercícios de caridade reclamavam que ela se mostrasse um pouco mais no mundo. Começou por servir duas pobres mulheres enfermas. Uma delas chamada Teca, estava por tal forma tocada de lepra, que ninguém ousava aproximar-se dela, e já se tratava de a por fora da cidade. A Santa, vendo-a abandonada de todos, quis tomar cuidado dela por si própria. Ia visitá-la todos os dias duas vezes, para lhe fazer todo o serviço. Esta mulher em vez de lhe ser grata, não a recebia senão com desgosto, não lhe dizia senão injúrias; parecia que a Santa era sua escrava. Uma conduta tão selvagem, aumentou-lhe a caridade; serviu-a até à morte com um zelo e uma assiduidade espantosa. Tratou de outra mulher, chamada Andria, que sofria de um cancro no peito, não podendo ninguém suportar-lhe o mau cheiro.

Nos primeiros dias parecia tocada, e mesmo confundida de ver a caridade da Santa; mas, acostumando-se insensivelmente ao seu trato, chegou ao ponto de denegrir a reputação da sua benfeitora com atrozes calúnias, publicando que tinha seus amores, e que empregava neles todo o tempo que fingia em segredo dar à oração.

Uma outra caluniadora, chamada Palmerina, se lhe agregou, e soube dar tais cores aos seus embustes, que os fez acreditar não só dos libertinos, mas de muitas pessoas de bem. Por muito sensível que fosse a Santa a uma calúnia tão infamante, nunca disse uma palavra para se justificar; redobrou as suas visitas à doente e a sua caridade. Sentindo um dia repugnância em servi-la, colou a boca em sua chaga horrível, para se vencer, e só repelia tão atrozes calúnias por novos benefícios. Estas infelizes reconheceram a sua falta, publicaram a inocência e a santidade de Catarina, que tinha sofrido menos com suas calúnias, do que sofria agora com suas retratações.

A sua caridade para com os pobres teria esgotado todo o patrimônio que encontrara em sua família, se Deus não tivesse suprido por milagres. O próprio Jesus cristo, disfarçado em trajes de pobre, pareceu querer impelir ao extremo a sua paciência e as suas liberalidades.

Depois de lhe ter dado tudo o que tinha podido mendigar, rogou-lhe que aceitasse ainda o que era para seu sustento. Na noite seguinte o Salvador apareceu-lhe e fez-lhe conhecer de uma maneira bem consoladora, que fora a Ele próprio que ela tinha dado a esmola no dia anterior.

A sua caridade era imensa, e o seu zelo pela salvação das almas excessivo, poucos infelizes havia, a quem não assistisse e não convertesse. A vida desta grande Santa não é mais do que uma cadeia de maravilhas, toda ela é um prodígio. Perdeu o gosto e o uso dos alimentos; só vivia da Eucaristia; este Pão dos Anjos foi o seu único alimento; não podia suportar os outros; passou desde o princípio da Quaresma até ao dia da Ascensão sem tomar coisa alguma.

A Comunhão diária alimentava-a. Disse um dia ao seu Confessor, que o seu divino Esposo lhe tinha tirado o seu coração para pôr o d’Ele no lugar do dela, e que por um favor singular, o Senhor lhe tinha imprimido os Estigmas de Suas Chagas, cuja dor sentia continuamente, mas que obtivera de Jesus Cristo que nada aparecesse aos olhos do mundo.

A todas estas graças extraordinárias, deus acrescentara o Dom da Inteligência e da Sabedoria, que a fez considerar como o Oráculo do seu século. Diversas obras que possuímos com o seu nome, e singularmente muitas cartas que escreveu ao Papa, aos Cardeais e aos Príncipes, são excelentes provas da sublimidade do seu engenho.

Tendo-a obrigado o bem público da Igreja a sair do seu retiro, mostrou bem que a santidade não é ociosa e que os Santos sabem deixar as doçuras tranquilas da solidão, quando a Deus apraz servir-se deles.

Tendo-se levantado os florentinos contra a Igreja Romana, e tendo sido excomungados pelo Papa Gregório XI, reconheceram que ninguém seria mais próprio para negociar a sua reconciliação do que Catarina.

Foi ter com o Papa, que estava então em Avinhão. Foi recebida pelo Santo Padre e pelos Cardeais com todo o respeito que merecia a sua virtude. Não teve dificuldade em abrandar o espírito do Papa, que teve tanta deferência para com ela, que quis que fosse o árbitro da paz, que devia conceder aos florentinos. Ela, porém, não tinha menos a peito um outro negócio ainda mais importante: era o da volta dos Papas para Roma, donde estavam ausentes havia setenta anos. O Papa Gregório, repreendendo um dia um Bispo, porque não residia na sua Diocese, ouviu esta resposta: “É a exemplo dos Papas, que há setenta anos estão ausentes de Roma”.

Posto que esta resposta fosse menos respeitosa, não deixou de surtir efeito; o Soberano Pontífice fez voto imediatamente de restabelecer a Santa Sé em Roma. Tendo pedido o parecer à nossa Santa: Ah, Santo padre, respondeu, para que consultar sobre o que Vossa Santidade já prometeu a Deus?” O Papa, surpreendido com este conhecimento que só Deus lhe podia ter dado, não hesitou um momento. Partiu de Avinhão a 13 de Setembro de 1375, e fez a sua entrada em Roma a 17 de Janeiro do ano seguinte.

Não tardou em chamar para ali a Santa; aproveitou-se dos seus conselhos, e muito confiou na eficácia das suas orações.

À morte do Papa, que sucedeu dois anos depois, seguiu-se um funesto cisma. Urbano VI, sucessor de Gregório, não honrou menos Santa Catarina de que seu predecessor. A Santa, convencida de que era este o legítimo Pastor da Igreja, trabalhou com todas as forças para que todos o reconhecessem por tal.

O Papa estava resolvido a enviá-la à Rainha de Nápoles e da Sicília; Catarina por sua fé, caridade, zelo e valor, prestava-se a desempenhar essa missão para maior glória de Deus, quando se sentiu acometida de grande enfermidade. Durante quatro meses padeceu dores tão vivas e tão extraordinárias, que ninguém duvidou de que semelhante enfermidade não fosse sobrenatural. Mostrou no meio dos seus padecimentos uma virtude heroica.

Foi a sua preciosa morte em tudo conforme com sua santa vida; suspiros, êxtases, incêndios do divino amor, foram toda a sua agonia. Gasta pelo rigor de suas incompreensíveis penitências, consumida de trabalhos, cumulada de graças e merecimentos, expirou em Roma no dia 20 de Abril de 1380, aos 33 anos de idade, deixando não só às suas irmãs, de quem fora Superiora, mas a todos os fiéis, admiráveis exemplos de todas as virtudes.

Esteve por alguns dias exposto o sagrado corpo à veneração pública, e depois foi enterrado solenemente na igreja de Minerva, onde não tardou que o Senhor confirmasse com novos milagres a opinião de santidade, que em vida alcançara. No ano de 1461, foi canonizada pelo Papa Pio II com toda a solenidade e pompa, que mostrava a singular veneração e confiança que sempre têm colocado os povos e nações nesta insigne Santa.

Venera-se em Sena o seu crânio e no Convento dos Dominicanos de São Sisto de Roma uma das mãos inteira, como também um pé inteiro em Veneza, no Convento das Monjas Dominicanas.

É certo que muito tempo antes de Santa Catarina de Sena, florescia já em todo o Orbe Cristão a Terceira Ordem da Penitência do Patriarca São Domingos, pela vida exemplar de inumeráveis pessoas piedosas que, sem deixarem o mundo, nem se encerrarem em clausura, mostravam evidentemente que se podia viver no século, e viver praticando os primores da perfeição cristã pela observância da regra que deixou o Santo Patriarca.

Mas não sofre dúvida, que a eminente reputação de Santa Catarina acrescentou um grande e brilhante esplendor a esta Congregação, a qual continua a edificar o mundo com as grandes virtudes que praticam os que têm a dita de se alistarem nela. Por decreto de 13 de Abril de 1866, Pio IX declarou Santa Catarina de Sena, a segunda Padroeira de Roma.


_________________________

Fonte: Pe. Croiset, S.J., “Ano Cristão”, Vol. IV, pp. 414-421, 30 de Abril, Festa de Santa Catarina de Sena, Virgem; Tradução do Francês pelo Pe. Matos Soares, Porto, 1923.


quinta-feira, 27 de abril de 2023

OU A SANTIDADE, OU O DIABOLISMO.


"O MUNDO PEDE SANTOS. 

SE OS CATÓLICOS NÃO LHE DÃO O QUE PEDEM, 

TANTO PIOR PARA ELES E PARA TODOS; 

O MUNDO VINGAR-SE-Á, 

E PROCURARÁ A SUA CONSOLAÇÃO 

NO DIABO"


(Jacques Maritain, "Primauté du spirituel" 

- Prioridade do Espiritual, Capítulo Terceiro, 1927).


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