BLOG CATÓLICO PARA OS CATÓLICOS.

BLOG CATÓLICO, PARA OS CATÓLICOS.

"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

NO DIA DE PENTECOSTES, OS APÓSTOLOS FALARAM OU NÃO, EM VÁRIAS LÍNGUAS?


Respostas Contrárias à Revelação

"O primeiro dom que se manifestou foi o de línguas. Em Pente­costes, os discípu­los, junto com Maria, ficaram cheios do Es­pírito Santo e começaram a orar, louvar, a cantar numa língua nova, a lín­gua do Espírito. Alguns interpretaram o aconteci­mento e disseram: ‘Eles lou­vam a Deus, estão cantando as glórias de Deus, e nós estamos entendendo com o cora­ção’. Ou­tros estavam ali como curiosos, brin­cando, zombando, dizendo que os discípulos esta­vam bêba­dos. Pedro explicou: ‘Não estamos bêbados; pelo contrá­rio, está se cumprindo a profecia de Jo­el’. O primeiro dom criou confusão”. (R. Pe. Jonas Abib, “Aspirai aos Dons Espirituais”, Cap. V, P. 53; 7ª Edição, janeiro de 2004)

► “Frequentemente menciona-se hoje o falar em línguas, ou xenoglossia ... Em realida­de, amiu­dadas vezes, a xenoglossia tem sido como a ‘isca’ que tem le­vado muitas pessoas para os grupos de ora­ção.

Ainda que em numerosa literatura pentecostal se cite este Caris­ma como um ver­dadeiro falar noutros idiomas, nós discordamos dessa opi­nião, baseados na análise dos textos bíblicos e em muitos comentários elabora­dos ao largo da História da Igreja. Na­quilo em que nós cremos é na ora­ção em línguas...

O primeiro texto que se costuma mencionar encontra-se no Livro dos ‘Atos dos Apósto­los’, e cor­responde aos 13 primeiros versículos do Capitulo Se­gundo... Há dois episódios no Pen­tecostes: louvor em línguas e pregação de Pe­dro. Não se trata no primeiro do fato de pre­gar em línguas, pois, antes que os ju­deus acorressem já os Apóstolos estavam falando nou­tras línguas (At. 2, 4)...

A História da Igreja Primitiva não menciona em nenhum capítu­lo, fora do texto que agora estamos analisando, que os Apóstolos tivessem desfru­tado do Carisma da Xenoglossia ... Em toda a História da Igreja, muitos pen­saram que, neste Segundo Capítu­lo dos Atos, se trata de falar ver­dadeiras línguas... Outros exegetas, atualmente a grande maioria, identificam o que sucedeu no Pentecostes com a ‘Glossolalia’ ou oração em línguas... Al­fred Wilkenhauser, por exemplo, no seu li­vro sobre os Atos dos Apóstolos, fala as­sim:

Não se trata do uso de diversas línguas efetivamente faladas (Grego, Latim, Cop­ta, etc.), desconhecidas até então pelos Discípulos e aprendidas no momento, mas de um modo de falar em atitude extática que brota da alma impregnada do Espírito Santo; trata-se de um modo de falar que não se ser­ve das formas correntes da linguagem. Este linguajar que eles empregam é algo novo, obra do Espírito Santo, que não emprega pala­vras nem frases próprias de uma linguagem humana normal. Contudo, o Cristia­nismo Pri­mitivo via neste modo de falar não o tartamudeio in­certo de um extático que, até certo pon­to, perde a capacidade de elocução, mas antes uma lingua­gem para além do huma­no, ce­lestial, que busca e logra exprimir algo; uma lingua­gem que, é certo, só compreen­dem aqueles a quem o Espírito lhes concede tal dom’ (Alfred Wilkenhauser, “Os Atos dos Apósto­los”, Herder, Barcelona, pp. 59-62, 1967).

A opinião do teólogo holandês Piet Schoonenberg é semelhante (Piet Schoonen­berg, em Revista “Concilium”, edição em honra de Eduardo Schillebee­ckx, Ed. Cristiandad, Madrid, 1974)...

De tudo quanto fica dito, parece que podemos concluir que o Carisma da Xe­noglosia não se deu na História da Igreja, ou pelo me­nos não se comprovou sua existência. Quanto muito se pode admitir que certos textos de valor duvido­so lhe fazem referência, embora sem suficiente cla­ridade. Nos Atos dos Apósto­los faz-se alusão a um Caris­ma de ‘falar em línguas’, mas parece ser de índole di­ferente da Xe­noglosia. Por isso, o denominamos ‘Glossolalia’ ou ‘Orar em lín­guas’... A Glossola­lia de que falam os Atos serviu na Literatura Cristã Primitiva e Medieval, não para ser es­tudada em si mesma, mas para fazer refletir sobre algu­mas ideias eclesiais” (R. Pe. Diego Jaramillo Cuartas, em “O Dom das Línguas”, da Coleção “Novo Pente­costes”, Nº 4, Part. III, PP. 35-39, 41, 61, 3ª Edição, Ed. Loyola, 1979).


Respostas dos Ensinamentos Tradicionais da Igreja Católica

Não somente falaram, como também o foi ensinado que falaram, e isto desde a Era Apostólica até os nossos dias, e o continuará a sê-lo até o fim do mundo; pois assim o foi revela­do e ensinado pelo Divino Espírito Santo à Sua Igreja. Vejamos alguns poucos exemplos incon­troversos:

Sagrada Escritura: “E quando se completaram os dias de Pente­costes, estavam to­dos juntos num mesmo lugar; e, de repente, veio do Céu um estrondo, como de vento que so­prava impetuoso, e en­cheu toda a casa onde es­tavam sen­tados. E apareceu-lhes repartidas umas como línguas de fogo, e pou­saram (uma) sobre cada um deles. E foram todos cheios do Espírito Santo, e come­çaram a fa­lar em vá­rias línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falas­sem...” (At. 2, 1-18).

Diário da Peregrina espanhola Etéria: “Tendo chegado a tercei­ra hora, já to­dos estão em Sião, onde apenas chegam, se lê a passagem dos Atos dos Apóstolos quando des­ceu o Espírito para que compreendessem todas as línguas faladas” (“Peregrinação de Eté­ria”, 43, 3).

Santo Ireneu: “Em seguida, depois que o Espírito Santo desceu sobre os Discípu­los e como todos profetizassem e falassem línguas diversas...” (“Contra as Heresias”, Liv. III, Part. II, Art. 12, 1). “To­dos os Discípu­los louvavam a Deus em todas as línguas...” (“Adv. Haer”., 3, 17, 1-3).

Tertuliano (quando era ainda católico):Eles (os Apóstolos) recebe­ram a força prometida do Espírito Santo para realizarem milagres e fa­larem as várias lín­guas...” (“Da Prescrição contra os Hereges – A Regra de Fé”).

Santo Ambrósio: “... Queres saber por que o Espírito desceu? Ou­viste que Ele des­ceu como uma pomba(no Batismo de Nosso Senhor). Por que como pomba? Para que os in­crédulos fossem cha­mados à Fé. No princípio, devia haver um sinal; em seguida era neces­sário que houvesse perfeição.

Escuta outra coisa. Depois da morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, os Apóstolos esta­vam reuni­dos e oravam no dia de Pentecostes. De repente, ouve um grande ruído, como se um vento soprasse for­temente e foram vistas como lín­guas de fogo espalhadas (At. 2, 1-3). O que significa isso, senão a desci­da do Es­pírito Santo, que quis se manifestar corporalmente por um sinal, espiritu­almente pelo Sacramen­to? Portanto, o seu Advento teve um testemunho manifes­to; a nós, já foi oferecido o privilégio da Fé, en­quanto no princípio eram feitos si­nais para os incrédulos; a nós, que já estamos na plenitude da Igreja, a verdade é alcan­çada não pelo sinal, mas pela Fé” (“Sobre os Sacramentos”, Liv. II, NN. 14-15).

Santo Agostinho: “... Depois, durante 40 dias, conviveu na terra com os Discípu­los e perante seus olhos subiu aos Céus; 10 dias mais tarde envi­ou, se­gundo prometera, o Es­pírito, cuja vinda sobre os fiéis se manifesta por este sinal soberano e soberanamente ne­cessário: cada um deles fala as lín­guas de todos os povos, figurando, assim, a futu­ra Uni­dade da Igreja Cató­lica, que se espalha por todas as nações e fala todas as lín­guas” (“A Cidade de Deus contra os Pagãos”, Part. II, Liv. XVIII, Cap. XLIX).

► “No princípio existia a Igreja numa única nação e nela fala­va as línguas de todas. Sinal do que haveria de acontecer: que, uma vez espalha­da por todas as na­ções, chegaria a falar as lín­guas de todas elas” (“Tratados sobre o Evangelho de São João”, 32, 7; em Obras Completas de Santo Agostinho, Tom. XIII, BAC, Madrid, P. 755, 1955).

► “A Igreja recebeu o Espírito Santo. Contava com poucos membros, mas já fala­va as lín­guas de todo o mundo. O significado deste fenômeno é o seguinte: aquela pe­quena Igreja nascen­te, que falava todos os idio­mas, era figura inequívoca da gran­de Igreja de hoje, desde o ocaso já difun­dida, que fala todas as línguas. Agora é o cum­primento daquela promessa” (“Ser­mão 267, 3”; em Obras Completas de Santo Agostinho, Tom. VII, BAC, Madrid, pp. 457-459, 1950).

► “Quando desceu o Espírito Santo sobre os Discípulos, estes fa­laram as lín­guas de to­dos e por todos foram entendidos” (“Enarraciones sobre los Salmos”, Tom. II, 54, BAC, Madrid, p. 344, 1965).

Um Bispo Africano do séc. VI: “Aquele vento não inflou, senão que alimentou; aquele fogo não queimou, senão que excitou. Cumpriu-se o que muito antes se tinha profetiza­do: não há discursos e palavras cuja voz deixe de ser ouvi­da (Salm. 18, 4). Para que depois, ao inici­ar-se a pregação do Evan­gelho, se cum­prisse o que segue: O seu pregão sai pela terra inteira e as suas palavras chegam aos con­fins do mundo (Salm. 18, 5). Que outra coisa profetiza o Espí­rito San­to... senão que todos teriam de crer no Evangelho, de forma que a prin­cípio cada um dos fiéis, e depois a Igreja inteira, falasse to­das as línguas?

Que dizem a isto os que não querem incorporar-se à Sociedade Cristã que frutifica e cresce por toda a parte? Podem acaso negar que vem tam­bém ago­ra o Espírito Santo sobre os Cristãos? Por que é que ninguém fala as línguas de todas as gentes (indício da vinda de en­tão), senão porque agora se cum­pre o que então era apenas significado? Naquela oca­sião um só fiel falava todas as línguas e agora a Comunidade dos fiéis as falam tam­bém. Assim, portanto, hoje também são nossas todas as línguas, porque todos so­mos Membros do Corpo que as possui” (“Sermão 269, 1”, atribuído por muito tempo a Santo Agosti­nho; PL. 38, 1234).

► “Porque assim como então, ao receber o Espírito Santo, um só ho­mem fala­va as lín­guas e todos, assim agora, fala todas as línguas a mes­ma Unidade à qual per­tenceis, e na qual re­cebeis o Espírito Santo” (“Sermão 271”; PL. 38, 1245).

São Leão Magno: “Atesta a História dos Apóstolos: ‘Ao chegar o dia de Pentecos­tes, acha­vam-se todos eles reunidos no mesmo lugar, e veio subitamen­te do Céu um ruído se­melhante a um sopro de vento impetuoso, que en­cheu toda a casa onde eles habitavam. E apa­receram-lhes línguas divididas à ma­neira de fogo, e repousou uma sobre cada um deles; e fica­ram todos eles cheios do Espíri­to Santo e começaram a falar em outras línguas, segundo o Espír­ito San­to lhes concedia que se exprimissem’ (At. 2, 1-4).

Como é veloz a Palavra da Sabedoria! Quão depressa se apren­de o que é ensinado quan­do Deus é o Mestre! Não foi preciso ha­ver tra­dução para ser enten­dida, nem prática para ser utili­zada, nem tempo para ser estudada. O Espírito da Verdade soprou onde quis (S. Jo. 3, 8), e as lín­guas próprias de cada povo, torna­ram-se comuns, nos lábios da Igreja.

Foi nesse dia, pois, que começou a ressoar a trombeta da pregação evan­gélica; desde então houve a chuva de Carismas e rios de Bênçãos a irrigarem o deserto e a terra árida por­que a fim de reno­var a face da terra ‘o Espírito de Deus sobre as águas adejava’ (Gên. 1, 2) e para dissipar as antigas tre­vas corus­caram os fulgores de uma nova luz, quando pelo esplen­dor das línguas brilhantes, foi concebido o Verbo luminoso do Senhor, Palavra de fogo, possui­dora de eficá­cia para iluminar e de força para quei­mar, despertando o entendimento e consu­mindo o pe­cado... Alegrem-se os corações de todos os fiéis, porque no mundo in­teiro é louva­do e confessa­do por todas as línguas o Deus Único, Pai, Filho e Espí­rito Santo...” (“1º Sermão de Pentecostes – LXXV Sermão”).

► “Quando os 12 Apóstolos, depois de terem recebido, por ação do Espírito Santo, o Dom de falar as línguas de todos, distribuíram entre si as partes da terra para ensina­rem ao mundo o Evange­lho...” (São Leão Magno, “Sermão no Natalício dos Apósto­los S. Pedro e S. Paulo – Ser­mão LXX­XII”).

São Cirilo de Jerusalém: “Galileus, Pedro e André falavam per­sa ou medo, João e os demais Apóstolos falavam em todos os idiomas aos Genti­os... Que mestre é tão ex­periente que, de uma só vez, ensine a todos os seus ou­vintes o que ignoram? Tantos anos gastos no estudo da gramática e das artes só lhes permitiriam falar grego corretamente, ainda que nem todos o falem com per­feição; se por acaso o retórico ensina a bela linguagem, o gramá­tico não o conse­gue; saber o alfabeto não é conhe­cer a filosofia.

O Espírito ensina ao mesmo tempo numerosas línguas, que nunca aquelas gen­tes tinham aprendido. Que força enorme! Que poder Divi­no! Que comparação entre a ig­norância daqueles e a força ativa das línguas, univer­sal, diversificada, desusada, impro­visada” (“Catéchèses Baptismales et Mysta­gogiques”; ed. Du Soleil Levant, Namur, p. 402, 1962).

Santo Tomás de Aquino: “... E também por este motivo, quan­do foi neces­sário que pou­cos homens pregassem a Verdade da Fé a muitos povos, alguns foram divinamen­te instruídos para ‘falarem várias línguas’, como está dito: ‘Todos foram cheios do Espírito Santo e começaram a falar várias lín­guas, segundo o Espírito Santo lhes dava’ (At. 2, 4)” (“Suma Contra os Gentios”, Vol. II, Liv. III, Cap. CLIV, N. 3261 – trad. Portugue­sa por Alexan­dre Cor­rêa).

Santo Tomás escreveu assim, ao comentar a Carta aos Coríntios: “O que se chama aqui ‘língua’ quer o Apóstolo que se compreenda como idio­ma desconhecido e não tradu­zido; como se, em alemão, falasse a um fran­cês e não se traduzisse, isto cha­ma-se ‘língua’”.

São Gregório Magno: “Pensemos quem encontrou os nossos San­tos Pre­gadores e quem os fez. Efetivamente, aqueles que por medo dos ju­deus estavam reuni­dos numa casa fecha­da, cada qual conhecia a língua pró­pria de seu país e, no entanto, nem nessa mesma língua que lhes era conhec­ida, se atreviam a falar publicamente de Cristo; veio o Espírito Santo e lhes ensi­nou a falar diversas línguas e reanimou a valen­tia de suas almas e os que antes temiam falar de Cristo ainda mesmo em seu próprio idio­ma, co­meçaram logo a falar Dele até nas línguas desco­nhecidas...” (“Homilias sobre os Evan­gelhos”, Liv. II, 9 (30, 9), p. 690, Hom. Sobre São João; Obras Completas, BAC, Madrid, 1958).

Luís de Granada: “Desceu o Espírito em forma de um vento forte e em fu­gazes línguas de fogo, pousando sobre as cabeças de seus Discípu­los. E foi tão intensa a cla­ridade e o amor, a suavi­dade e o conhecimento que ali recebe­ram de Deus, que não se pude­ram conter sem sair a público e pro­clamar em altas vozes e em todas as línguas, as grande­zas e maravi­lhas do Senhor... Parece que se naquela oportunidade não tivessem proferido es­tas vozes, es­tourariam e se fariam em pedaços, como os odres novos quando fervem com o vi­nho novo” (“De la Vida Gloriosa de Nuestro Salvador”, Liv. 3, Cap. 42, BAC, Madrid, pp. 889-890, 1952).

São João Bosco: “Haviam passado 50 dias após a Ressurreição do Se­nhor e preci­samente naquele dia celebrava-se a Festa de Pentecostes, quando os Apóstolos e os Dis­cípulos estavam ainda no Cenáculo, reunidos em oração. Pelas nove horas da manhã, de re­pente ouviu-se um ruído, como de ven­to impetuoso. Ao mesmo tempo, apareceram umas pe­quenas chamas, como lín­guas de fogo, as quais vi­sivelmente foram colocar-se sobre a cabeça de cada um dos que estavam naquele Santo lugar. Todos fi­caram cheios dos Dons do Espírito Santo, de tal for­ma que começaram a falar muitas línguas que an­tes desconheciam” (“His­tória Sa­grada”, 7ª Época, Cap. XI; cfr. “História Eclesiástica”, 1ª Época, Cap. III).

Santo Antônio de Pádua: “’E foram todos cheios do Espírito San­to, e começa­ram a falar vári­as línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que fa­lassem’ (At. 2, 4). Eis o sinal da plenitude. O vaso cheio transborda; o fogo não pode ocultar-se. Falavam em todas as lín­guas; ou então, exprimin­do-se na própria língua, a hebraica, eram entendidos por todos como se falassem nas línguas de cada um dos ouvintes... Nota que se observam aqui qua­tro coi­sas. Primeiro, o fim da quinquagésima, ao começar-se: ‘Quando se completa­ram’ etc. Segun­do, a inspiração do Espírito Santo, ao ajuntar-se: ‘E de repente veio do Céu um estron­do’ etc. Terceiro, o aparecimento de línguas de fogo: ‘E aparece­ram-lhes repartidas umas como línguas de fogo’. Quarto, a fala dos Apóstolos em todas as línguas: ‘E enche­ram-se todos do Espí­rito Santo’ etc.” (“Obras Com­pletas – Sermões Dominicais e Festivos”, Vol. I, I – II, “Sermão do Domingo de Pentecostes”, Porto, 1987).

D. Antônio de Macedo Costa: “... E ficaram todos cheios do Es­pírito Santo, e co­meçaram a falar várias línguas...” (“Resumo da História Bíblica – Histó­ria do Novo Testamen­to”, Part. II, N. 98, 1873).


Mons. E. E. Cauly: “... Era a terceira hora do dia; de repente, ou­viu-se o ruído de um vento impetuoso que encheu a casa, e viram-se, no mesmo tempo, línguas de fogo que des­cansavam sobre cada um dos Apóstolos. Logo, to­dos fo­ram cheios do Espírito Santo e en­traram a falar diversas línguas. Este favor extra­ordinário era o sinal exterior das muitas e precio­sas Graças interiores que lhes tinham sido deparadas... De agora em diante o Es­pírito Santo há de rea­lizar as mesmas maravilhas invisí­veis, porém reais, na alma dos cristãos que re­ceberem da mão dos Apóstolos ou dos seus Suces­sores a Graça da Con­firmação” (“Curso de Instrução Religiosa – História da Religião e da Igreja”, Part. II, Cap. I, Art. I, I – II).

R. Pe. Berthe, C.Ss.R.: “... enquanto as 120 pessoas reunidas no Cená­culo esta­vam orando com a Virgem Maria, de súbito caiu um grande pé como de vento violento que com grande ruído encheu toda a sala onde estavam sentados; apareceram depois línguas de fogo, semelhantes a chamas arden­tes, que se divi­diram em breve para ir pousar sobre cada um dos membros da Assembleia. Sob aquele emblema do fogo, vinha o Espírito Santo comu­nicar-lhes todos os Dons do Céu, a inteligência para inter­pretarem as Escrituras, a força para ar­rostarem com os seus inimigos e o Dom das Línguas para ensi­narem a todos os povos. Transforma­dos num momento, com aquela efusão miraculosa da Gra­ça, co­meçaram para logo os Apóstol­os a formular em diversas línguas os pensamentos que o Espírito Santo lhes dita­va no coração” (“Jesus Cristo – Sua Vida, Sua Paixão, Seu Triunfo”, Liv. VIII, Cap. V).

R. Pe. Teodoro Ratisbonne: “... O Espírito Santo, que instantaneam­ente transfor­mou os Apóstolos, produz nas almas cristãs, gradualmente, transfor­mação análoga... Encarre­gados de ensinar o Evangelho a todas as na­ções da ter­ra, receberam os Apóstolos, com o Dom das Línguas, todas as ou­tras Gra­ças necessárias ao desempenho de sua Missão Di­vina... O Espírito Santo, que desceu so­bre os Apóstolos no dia de Pentecostes, dá-se às al­mas fiéis pelo Sa­cramento da Confirmação...” (“Miga­lhas Evangélicas”, pp. 230-235).

Mons. José Quinderé: “... Os Apóstolos, na incontida ânsia de comunic­arem o fogo que os abrasava, aparecem ao povo ali reunido. Foi grande o pasmo que causou verem-se po­bres pescadores ignorantes, que mal falavam a própria língua, pregarem Jesus Cristo com tal in­trepidez e unção que a to­dos co­moveu. E a admiração tocou ao auge quando cada um notou que, sendo to­dos de procedên­cia diversa e diferentes os idiomas que falavam, compreen­diam a Pedro, cuja língua nativa não combinava com a de nenhum dos presentes...” (“Pala­vra de Vida Eterna”, Sermão sobre a vinda do Espírito Santo).

Luís Augusto Rebello da Silva: “... Logo se lhes infundiu a virtu­de do Espírito San­to, e co­meçaram a falar diversas línguas, Dom que por Ele lhes era concedido... escu­tando entendia na sua própria língua quanto pre­gavam os Apóstolos. Atônitos e olhando exclamavam uns para os outros: ‘Não são estes galileus? Como falam, pois, na língua em que (nós) nos cria­mos? ... ouvi­mos, e entendemos nos idiomas da nossa pá­tria os louvo­res e maravilhas de Deus, atestados por eles. O que significa isto?’” (“Fastos da Igreja – Vida de Jesus Cristo”, Liv. IV, Part. II, Cap. IV).

Ven. Pe. Manuel Bernardes, Orator.: “... Acha-te presente em espírito no Ce­náculo, que era a Mística Arca de Noé, onde estavam então guarda­das as Sementes da Reli­gião Cristã, que se haviam de difundir pelo mundo uni­verso. Vê como todos aqueles cora­ções, cada qual conforme a sua medi­da, ficaram cheios do Dom Celestial, e começaram a bro­tar pelas línguas os pre­gões das grande­zas de Deus...” (“Luz e Calor”, Part. II, Medit. XXXI, Pont. III).

R. Pe. Leonardo Goffiné, Premonst.: “... Cabe aqui notar que, em ponto de lín­guas, dava-se duplo milagre nos Apóstolos; o primeiro, que fala­vam cada qual a sua lín­gua, fosse grego ou persa, ou romano, etc.; o segun­do, que todos os entendiam quan­do falavam a todos em geral, ainda que só usassem então da sua própria língua...” (“Gof­finé – Manual do Cristão”, Sermão da Do­minga de Pentecostes).

Dr. João Alzog: “... O Espírito Santo desce sobre os Apóstolos e todos os Discípu­los reunidos (At. 2, 4), sob a forma de línguas de fogo, símbolo do Dom das Línguas, que lhes é concedido, que também não é senão um sinal do fogo divino que os purifica, aquece e ani­ma. Desde esse momento fa­lam a to­dos os homens, que a Solenidade trou­xera a Jeru­salém, e são de todos mila­grosamente compreendidos” (“História Universal da Igreja”, Tom. I, 1º Pe­ríodo, Part. I, Cap. II, Art. XLIII).

R. Pe. Fr. Manuel da Madre de Deus, O.C.D.: “... Saindo logo para fora da casa onde esta­vam, sem medo algum levantam sua voz contra os ju­deus que tinham crucifica­do o Messias prometido, Jesus Cristo, verdadeiro Deus e ver­dadeiro Homem, que os tinha vin­do re­mir do pecado. Eles sendo pes­cadores tão grosseiros e ignorantes, que nem ainda sabi­am ler, citam a Sagrada Escritura, apontam mui­tas das suas profecias, formam discursos lógi­cos e ad­miráveis, e de tal modo e com tantos milagres, que estando então em Jerusalém uma grande multidão de povo de muitas partes do mundo, todas as pesso­as de diferentes lín­guas os ouviam e enten­diam...” (“Práticas Mandamentais ou Reflexões Morais so­bre os Man­damentos da Lei de Deus e os Abusos que lhe são opostos”, Prát. X – sobre a Vinda do Espí­rito Santo).

R. Pe. Pedro Cerruti, S.J.: “... as línguas de fogo, que descan­saram sobre cada um dos presentes; - o Dom das Línguas: ‘começaram a fa­lar em várias línguas, confor­me o Espírito Santo lhes concedia que falas­sem’ (At. 2,4), de modo que a multi­dão... cada um estava atônito e admira­do, ouvindo-os falar a sua própria língua de ori­gem (At. 2, 6-11)... Foi uma tem­pestade, que infun­diu de repente nos Apóstolos a capaci­dade de fala­rem as várias línguas dos ouvintes? Se fosse um conhecimento natural, como se explica toda aquela admiração da multidão presente?” (“Síntese da Teologia Ca­tólica – O Cristianis­mo em sua Origem Histórica e Divina”, Tom. II, Part. II, Cap. III, Art. VI, Tese XVI, n. 356, a. 1).

RR. PP. Pablo Arce e Ricardo Sada, Opus Dei: “No dia de Pente­costes, os Após­tolos rece­beram o Espírito Santo e começaram a pregar em dife­rentes línguas” (“Curso de Teologia Dogmática”, Part. XIV, Cap. III, Art. I).

R. Pe. Luís Bronchain, C.Ss.R.: “Apenas os Apóstolos recebe­ram o Espírito San­to, conhece­ram todos os Mistérios a revelar ao mundo. Ignoran­tes até então, encheram-se da ci­ência das Escrituras e falaram diversas lín­guas sem as haver aprendido. A Lei da Gra­ça ficou como que inscrita em seus corações; amavam-na e sentiam-se constrangidos a obser­vá-la. O ardor da Caridade tornou-os capazes de sacrificar mil vidas para a glória e o serviço do caro Mestre. Daí o zelo da salvação das almas, que os dispersava para todos os países” (“Medita­ções para todos os dias do ano”, Tom. II, Cap. “Domingo de Pen­tecostes”, Art. 2º).

R. Pe. Robaldo, S.S.P.: “Cada um ouvia-os falar na sua própria lín­gua: O Es­pírito San­to desceu sobre eles e encheu suas almas. Cada um dos presentes, individual­mente, falava as lín­guas de todos os povos. Este fato de um homem só que fala lín­guas de muitos, além de ser uma Graça Ex­traordinária, para tornar fácil e rápida a prega­ção do Evangelho, era também símbolo de que a Igreja devia chegar a todos os povos e uni-los numa só Fé, sob um só Pastor, o escolhido por Jesus Cristo, isto é, S. Pedro e seus Su­cessores, os Sumos Pontífices. Semelhante fato não se viu nunca no início das outras reli­giões e das outras igrejas fundadas por homens. Após o Dilú­vio, a soberba im­piedade dos homens mereceu a confusão da única lingua­gem falada; mas a humilde pie­dade dos fiéis mereceu reunir as línguas pri­meiro numa só pessoa e depois na Igreja Ca­tólica, que fala agora todas as línguas do mundo (S. Agostinho)” (“O Evangelho da Juven­tude”).

J.C.M. Colombo, Barnab.: “Queixas-te, acaso, que o mesmo Espíri­to Santo não mais produza os efeitos visíveis de Pentecostes? Entre­tanto, se rareiam os Dons exte­riores menos ne­cessários, sempre persistem os Dons interiores mais fecundos” (“As Epís­tolas Dominicais – Domingo de Pente­costes”).

João Leopoldo Sarto: “Dez dias depois, na Festa de Pentecos­tes, pela manhã ou­viu-se um ruído como de vento muito forte, e sobre as cabe­ças das pessoas reunidas na sala apareceram línguas de fogo. No mesmo instante pu­seram-se todos a falar línguas estrangei­ras. Ao mesmo tempo com­preenderam que o Reino de Deus se estabelece não como os reinos da terra mas nas almas pela Graça... Em muitas outras ocasiões, também foi eviden­te a ação do Espírito Santo, não só nas decisões de São Pedro e dos Apóstolos quan­do cuida­vam de organi­zar a Igreja, como em pessoas que os ajuda­vam e que, como eles, recebiam vá­rios Dons Extra­ordinários: falar línguas estrangeiras sem as ter apren­dido, anunciar acontecimentos futuros, fazer milagres, e sobre­tudo o zelo no apostolado e a cora­gem para enfren­tar as perseguições e a morte. Todos estes prodígios eram necessários para provar aos judeus e aos pagãos que a nova Doutrina vinha realmente de Deus... Quanto às pessoas, não são mais neces­sárias as mani­festações milagrosas, e o Espírito Santo vem de modo invisível, primeiro no Batis­mo e na Cris­ma ou Confirmação...” (“Quero viver a verdadeira Vida”, Part. III, Cap. 39).

Mons. Ronald Knox: “...E se vos aproximásseis, reconhece­ríeis Pe­dro a fa­lar a língua da Capadócia, ou Tomé a falar fluentemente o idioma dos Partos, ou Mateus a repe­tir trechos do seu Evangelho no dialeto dos Berbe­res do Norte da África. E o con­tágio do seu exemplo alastrou-se. As pessoas repetiam o que ouviam, quase sem o en­tenderem, numa autênti­ca Babilônia de lín­guas estranhas. Desse tohu e bohu de nacionali­dades, aque­la resposta do Espírito Santo surgia, uma vez mais, em desejos de amor por Aque­le Deus que ti­nha feito com que todas as nações habitassem a face da terra. Que significou tudo aqui­lo? Significou, falando de um modo geral que, naquele dia, nasceu a Igreja Católica” (ob. cit., Cap. XVIII).

S.S. o Papa João Paulo II: “No dia de Pentecostes, ... sobre os Apósto­los congre­gados no Cenáculo em oração, juntamente com Maria, Mãe de Jesus, desceu o Espírito Santo prometido, como le­mos nos Atos dos Apóstolos: ‘Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começ­aram a falar em outras lín­guas, segundo o Espírito lhes concedia que se exprimissem’ (2, 4), ‘reconduzindo, des­se modo, à Unidade as raças dispersas e oferecendo ao Pai as primí­cias de todas as nações’ (cfr. S. Irineu, “Adversus Haere­ses”, III, 17, 2; SC 211, pp. 330-332)” ( Car­ta Encíclica “Dominum et Vivificantem”, Part. II, n. 30; de 18-05-1986 ).

D. Helder Câmara: “Oh! Pedro, teu primeiro sermão ouvido por ho­mens de lín­guas muito di­versas, foi traduzido miraculosamente por Deus na língua própria de cada um de seus ouvintes (At. 2, 8). Não sei se é mais fácil ou mais difícil o milagre que eu desejo. Que eu saiba falar os mil dialetos modernos, os pa­tuás sem conta que surgiram entre os ho­mens de le­tras. E que falando como os de hoje falam consiga traduzir não só a Palavra Eterna, o Verbo Di­vino e Imortal!” (R. Pe. Helder Câmara, “Em tor­no da Psicologia da Fé”, excerto da Re­vista “A Or­dem”; cfr. Revista do Clero, Anno XIX, outubro de 1938, nº 10).

► “Os Apóstolos recebem o Espírito Santo no Pentecostes e anunci­am 'as maravi­lhas de Deus' ( At. 2, 11)” (Compêndio do Catecismo da Igreja Cató­lica, 2ª Parte, 2ª Seção, Questão 265, pp. 91/92, ed. Loyola, 2005).

"Antiga Tradição narra que essas chamas se difundiram antes sobre a cabe­ça de Maria para daí fragmentar-se em forma de línguas so­bre os Apóstolos e Discípulos" (R. Pe. R. Plus, "Maria em nossa História Divi­na", p. 107, Lisboa, 1948).

"Só os Discípulos as viram (as línguas de fogo) como enorme globo de fogo chamas luminosas que se repartiam sobre cada uma das pes­soas presentes" (R. Pe. Alfred Barth, "Enci­clopédia Catequética", Vol. I, Part. I, Liç. XXXIX).

► “Fueron elegidos los primeros discípulos de Cristo para que recorrie­sen el mundo pre­dicando la fe en El, según aquello que leemos en San Mateo: 'Id y en­señad a todas las gentes' (28, 19). Ahora bien, no era razonable que quienes eran enviados para instruir a otros, necesitaran ser por éstos instruí­dos sobre cómo habían de entender lo que por otros se les de­cía. Sobre todo, que estos en­viados eran de uma sola nación, a saber, judíos, conforme lo que había predicho Isaías: 'Vendrá un día en que sai­drán con ímpetu de jacob y llenará su descen­dencia toda la tierra' (27, 6). Eran, además, los enviados po­bres y sin poder, los cuales no era fácil que encontrasen al princípio quienes interpretasen fielmente sus palabras o les declara­sen las de otros, máxime siendo enviados a gentes infie­les. Por esta razón, fué ne­cesario que Dios proveyese a esta necesidad medi­ante el don de lenguas, a fin de que, como se había in­troducido la diversidad de las lenguas cuando los hombres comenzaron a darse a la idolatría, así se diese el remedio a esta diversidad cuando habían de ser reducidas al culto de un solo di­os. De ambas maneras pudo suceder, a saber, que, hablando uma sola lengua, fuesen de to­dos entendidos o que ellos hablasen las lenguas de todos. Y era esto lo más conveniente, por­que tocaba a la perfección de la ciencia de aquellos que así no sólo podían hablar, sino enten­der lo que otros les decían. Si todos entendie­sen la úni­ca lengua de los predicadores, esto se­ría, o por la ciencia de los oyentes, que podían entender a los que hablaban, o sería uma ilu­sión, pues perci­bían con sus oídos palabras muy distintas de aquellas que profe­rían los que les hablaban. Por esto dice la Glosa que 'fué mayor milagro que ellos hablasen las lenguas de to­dos' (1. c. not. 2). Y San Pablo dice: 'Doy gracias a Dios de que hablo las lenguas de todos vo­sotros' (I Cor. 14, 18)” (São Tomás de Aquino, “Suma Teológica”, 2-2 q. 176 a. 1; BAC, Madrid).


E por fim, cantemos com toda a Igreja:


► “... Já todos falam línguas
de todas as nações,
que embriaguez presumem
as santas efusões...”

(Ofício Divino – Liturgia das Horas: segundo o Rito Romano,
Liv. II, “Hino de Laudes do Domingo de Pentecostes”, p. 928, 1995).


Eis alguns fragmentos de Doutrina Católica no Protestantismo:

No dia de Pentecostes, os discípulos falaram línguas. A multi­dão en­tendeu o que eles di­ziam. Cada um do povo os entendia falando na sua pró­pria língua. Ali eram idiomas ou dialetos conhecidos... Qualquer que seja a in­terpretação dada às línguas de Co­rinto, não se pode negar que Paulo exi­ge or­dem, o que parece não acontecer nesses movi­mentos modernos... Este ca­pítulo 14 que muitos adotam como modelo para um dom de lín­guas hoje, na reali­dade é uma restrição ao uso des­sas línguas, e uma colação delas em oposição inferior a outros dons”. (Revista de Jovens e Adul­tos da Convenção Batista Flu­minense, “Palavra & Vida”, Lição 12, p. 73, Ja­neiro-Fevereiro-Março de 2005)


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Fonte: Acessar o ensaio "Elucidário sobre o Dom das Línguas".

Kateri Tekakwitha, a primeira santa indígena norte-americana


Canonizada uma pele-vermelha convertida em 1676


ROMA, quarta-feira, 21 de dezembro de 2011 (ZENIT.org) – Ela é a primeira nativa norte-americana beatificada. Em breve, também será a primeira santa. Entre os decretos de canonização que o papa Bento XVI assinou ontem, chama especial atenção o de Catarina Tekakwitha, uma indígena “pele-vermelha” que viveu no século XVII.

Nascida em Osserneon, perto da atual Nova Iorque, em 1656, Catarina era filha de um iroquês pagão e de uma algonquina cristã. Aos quatro anos de idade, seu rosto ficou desfigurado pela varíola, que lhe causou ainda um grave enfraquecimento da visão.

Órfã, acabou confiada aos cuidados de um tio que lhe deu o nome de Tekakwitha, que significa "aquela que põe as coisas em ordem".

Foi batizada quando adulta, aos 20 anos, no domingo de Páscoa de 1676, depois de um encontro com um grupo de missionários franceses que lhe deram o nome de Kateri, versão do nome Catarina. Sua conversão provocou a ira do tio, o que a obrigou a fugir para a região da atual cidade canadense de Montreal, sob a proteção da Missão de São Francisco Xavier.

Antes ainda do batismo, Kateri havia consagrado o seu corpo a Deus, fazendo um voto de castidade que, pouco antes de sua morte, tornou-se um voto de virgindade.

Pelo resto de sua curta vida, a beata se submeteu a penitências, passando longas horas em oração, inclusive ao ar livre nos dias mais gelados do longo inverno canadense. Sua conversão ao cristianismo não foi compartilhada pela sua tribo originária. Por esta razão, Kateri sofreu discriminação e perseguições de todos os tipos.

No dia de sua morte, em 17 de abril de 1680, desapareceram milagrosamente os sinais da varíola e seu rosto foi descrito como “belíssimo”. Suas últimas palavras, pouco antes de morrer, foram: "Jesus, eu te amo". Muitos doentes ficaram inexplicavelmente curados depois de assistir ao seu funeral.

Kateri, ou Catarina Tekakwitha, foi beatificada pelo papa João Paulo II no dia 22 de junho de 1980, após um processo canônico que durou 96 anos.

ZP11122105 - 21-12-2011
Permalink: http://www.zenit.org/article-29413?l=portuguese

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

CITAI ALGUM EXEMPLO DE VERDADEIRO DOM DAS LÍNGUAS.


As Palavras tocam
os Exemplos arrastam.



Êxtase de São Francisco, 1437-44.

"Andava um dia por Assis o homem de Deus, mendigando óleo para as lâmpadas da igreja de São Damião, no tempo em que a estava reparando. Encontrando uma multidão de pes­soas a se diver­tir na porta da casa em que queria entrar, ruborizou-se e se afastou. Mas, dirigin­do seu nobre espírito para o Céu, repreendeu sua própria fraqueza e soube julgar a si mesmo. Voltou imediatamente para a casa e expôs livremente, diante de to­dos, as causas de sua vergo­nha. Como que ébrio de espírito, pe­diu óleo em francês e o con­seguiu. Animou com muito fervor a todos para a obra daquela igreja e profe­tizou em francês, com todo mundo ouvindo, que naquele lugar haveria no futuro um Mos­teiro de Vir­gens. Falava sempre em francês quan­do se sentia tomado pelo ar­dor do Espírito Santo, profe­rindo palavras ardentes, como se conhe­cesse desde então que haveria de ser cul­tuado de maneira toda especial por esse povo”. (S. Francisco de Assis; 2C 13; cfr. 3S 23). Obs: parece ser Dom das Lín­guas, contudo, não podemos afirmá-lo.


São Vicente Ferrer “embora falasse corretamente 7 ou 8 línguas, ao pregar, ser­via-se uni­camente do seu dialeto valenciano e dirigia-se nele à gente de todas as na­ções, e que todas as na­ções o compreendiam, tanto pela expressão do rosto, gesto e entono, como mesmo, pelo próprio entendi­mento, que a santidade do pregador tinha o condão de abrir. Assim o ates­tam, entre outras pessoas, vários senhores da Bretanha, como João Ho­dierne” (“São Vicente Ferrer, Santo Prodigioso”, Sel Editora, Rio de Janeiro, PP. 44-45).


"Não pode duvidar-se que Deus lhe concedeu o Dom das Línguas. O prodigioso núme­ro de judeus, mouros, sarracenos, turcos e escravos, que arrebatou da infidelida­de, sem falar nos milhares de hereges, cismáticos e pecadores obstinados, que conver­teu na Espanha, França, Itá­lia, Alemanha, Países-Baixos e Inglaterra, prova concludente­mente que sem milagre não era possí­vel fazer-se entender de povos tão diferentes" (R. Pe. Croi­set, S.J., "Ano Cristão", Vol. IV, pp. 75-80, 5 de Abril, Festa de São Vicente Ferrer; Tra­dução do Francês pelo R. Pe. Matos Soares, Porto, 1923).


► “São Francisco Solano tinha o Dom das Línguas. Aprendeu mila­grosamente em 15 dias o dialeto de uma tribo indígena (Tucumanos)... falan­do em castelhano a índi­os de tribos diferentes, sendo entendido como se es­tivesse expressando-se no dialeto de cada um.

Uma vez, por exemplo, estando em San Miguel del Estero durante as Ce­rimônias da quinta-feira Santa, veio uma terrível notícia: milhares de índios de di­versas tribos, armados para a guerra, avançavam para atacar a cidade. A balbur­dia foi geral. Só frei Francisco Solano, calmo, saiu ao encontro dos selva­gens. Es­tes, que o respeitavam, pararam para o ouvir. E cada um o entendeu em sua própria língua. Ficaram tão emocionados, que um número enorme deles pediu o Batismo. No dia seguinte, viu-se essa coisa espantosa: ao lado dos es­panhóis, esses índios convertidos participavam da procissão da sexta-fei­ra Santa, flagelando-se por causa de seus pecados” (R, Pe. João Batista Lehmann, S.V.D., “Na Luz Per­pétua”, Vol. II, 23 de julho; cfr. Lês Petits Bollandistes, Bloud et Barral, Paris, 1882, Tom. IX, pp. 8 ss; En­riqueta Vila, “Santos da América”, Coleção Pa­noramas de la História Universal, Ediciones More­ton, S. A., Bilbao, 1968, PP. 88, 93 ss).


São Francisco Xavier, S.J.: “Como os Apóstolos, possuía o Dom das Lín­guas. Sem ter aprendido o idioma hindu, com os múltiplos diale­tos, pregava a Doutrina Cristã e todos o compre­endiam perfeitamente. Esta cir­cunstância, bem como os numerosos e estupen­dos milagres que fazia quase dia­riamente, chamou a atenção dos povos circunvizi­nhos, que vi­nham em chus­mas, para conhecer o homem extraordinário e ouvir-lhe a Doutrina” (R. Pe. João Batista Lehmann, S.V.D., ob. cit., Vol. II, 3 de dezembro).


São Luís Bertrand (Beltrão): “A biografia do Santo afirma que, ape­sar de ter sido senhor de um só idioma, todos os povos que o ouviam fa­lar, o compreendiam perfei­tamente” (R. Pe. João Batista Lehmann, S.V.D., ob. cit., Vol. II, 11 de outubro).


► “O rumor das maravilhas que Santo Antônio operava com a sua prega­ção, che­gava até à corte romana. Ele granjeou tanto a estima dos Príncipes da Igreja, que o Soberano Pon­tífice e todos os Cardeais corriam a seus sermões, com um zelo extraordinário e uma de­voção que não se poderia des­crever. Desde que o Papa Gregório IX saboreou uma vez a pala­vra de Santo Antônio, não pode mais pri­var-se deste maná celeste, e fez-se um dos seus assí­duos ouvintes. Ad­mirava a sua ciência das Sagra­das Escrituras, e como lhes possuía a Letra e o Sentido, e com que rara felicidade os aplicava às almas. Contemplava essa Abe­lha Mística que percorria, como a recrear-se, os prados balsâmicos da Revelação sobre os quais o Espíri­to Santo derramou tantos perfumes e imprimiu tantas co­res; tomando um pouco por toda parte que formava os materiais de suas admirá­veis instruções. Não foi sem razão que o Sumo Pontífice lhe deu o nome de ‘a Arca do Testamento’; o texto dos dois Testamentos estava, de fato, gravado tão profunda­mente em sua memória, que, a exemplo de Es­dras, sozinho com as suas recorda­ções seria capaz de restabelecer integral­mente as Escrituras, dado o caso de que todas as cópias Delas se perdessem. É o que ates­tam todos os homens que vive­ram longo tempo com ele, e que o conheceram mais de perto. Além disto, possuía um maravilhoso talento para in­terpretar as Divinas Escrituras, e para ex­por com clareza e solidez os seus diversos sentidos. Não havia na Bíblia um só li­vro que lhe fosse estranho. A Concordância Moral da Santa Escritura, e o Comen­tário Místico sobre o Antigo Testamento, no qual não deixa um só trecho sem o acom­panhar de notas cheias de erudição e de piedade, são a prova de que São Antô­nio não havia usurpado esta reputação.

Aproximavam-se as Festas de Páscoa. O Papa fez promulgar a grande in­dulgência que atraía à Cidade Eterna imensos concursos de estrangei­ros, vindos de todos os pontos da Cristandade. No ano em que Santo Antônio de Pádua pre­gou a Quaresma, a afluência foi inu­merável. As multidões apinhavam-se com avi­dez em torno do Apóstolo: cada um estava mais desejoso de vê-lo e de ouvi-lo. Para muitos, não era ele um desconhecido; tinham-no encon­trado noutros pontos da Itália e da França; a lembrança de sua eloquência e de seus milagres ainda aumentava neles o entusiasmo geral de que eram testemunhas. Santo Antônio estava colocado no centro desta pequena humanidade na qual todas as nações se acha­vam repre­sentadas. Ele as trazia todas em seu coração; elevava-as todas até à verdade, até Deus. As­sim este vaso de eleição, que fora predesti­nado para anunciar aos povos e aos reis o Nome de Cristo bendi­to, se tornara em Roma ‘um vaso Católico’, segundo a bela expressão de que a Antiguidade se ser­viu para ex­primir a extensão de seu zelo, a profundeza de suas vistas, e a univer­salidade de sua glória. O Papa encarregou-o de explicar aos peregrinos a nature­za dos favo­res espirituais de que abrira o Tesouro, o valor incalculável que lhes deveriam ligar e as condições em que poderiam consegui-los. Santo Antônio obe­deceu a esta or­dem suprema; e, no dia da Ressurreição, sua pregação foi acom­panhada de um mila­gre que lembrou o aconte­cimento em Jerusalém no dia de Pentecostes, e cuja narração se encontra nos Atos dos Após­tolos. Ei-lo tal, como é referido nos Fioretti de São Francisco de Assis: ‘O maravilhoso vaso do Espírito Santo, monsi­or Santo Antônio de Pádua, um dos discípulos escolhidos e compa­nheiro de São Francisco, ao qual, São Francisco chamava seu Vigário. Pregando uma vez em Con­sistório, diante do Papa e dos Cardeais (no qual Consistório havia homens de diversas nações, isto é, gregos, latinos, fran­ceses, alemães, eslavos, ingleses e de outras diversas línguas do mundo); inflamado do Espírito Santo tão eficazmen­te, tão devotamente, tão sutilmente, tão do­cemente e tão claramente e intuitiva­mente expôs e falou Palavras de Deus, que todos os que estavam em Consistó­rio, conquanto usassem línguas diver­sas, claramente lhe entendiam as palavras distintamente como se ele tivesse falado na língua de cada um, e todos estavam es­tupefactos e lhes parecia que se havia renovado o antigo milagre dos Após­tolos no tem­po de Pentecostes, os quais falavam por virtude do Espírito Santo em todas as lín­guas, e diziam (os Cardeais) juntos, um para o outro com admiração: ‘Não é de Espanha este que prega? E como ouvimos nós em seu falar o nosso idioma?’ O Papa, semelhante­mente, conside­rando e maravilhando-se da profundeza das palavras dele, disse: ‘Este é verdadeira­mente a Arca do Testamento e o Armário da Escritura Divina’. Em louvor de Cristo. Amém’ (Fior. 39).

Assim é que se aprazia Deus em glorificar a seu Servo diante de to­das as tribos da ter­ra. Com isto mereceu ele ser comparado aos Apóstolos, pois que, como estes, recebera o Dom precioso das Línguas” (R. Pe. Antônio At, C.S.C., “História de Santo Antônio de Pá­dua”, Cap. XI).

Dom das Línguas (Poema)

*Roma. Século treze. Eis o Papa exultante
Na sublime assembleia – onde luz e reluz
Frei Antônio – pregando o sermão cintilante
Da semana pascal. Porta-voz de Jesus,
*Frei Antônio – falando aos romanos – perante
Outros povos – reluz – como o sol – luz a flux:
Sua voz foi ouvida em francês, em vibrante
Espanhol, em inglês... Como a todos seduz!
*Dom das Línguas! Ali se repete a passagem
Da Sagrada Escritura – o milagre, a mensagem
- De outras línguas de fogo – a inflamar tanta gente!
*Porta-voz de Jesus! Tua língua sagrada
Continua a pregar – sempre, sempre escutada,
Numa Casa-de-Deus, o sermão mais luzente!

(José A. Machado Filho, “Clarões”, P. 548).


► “Todos os sentidos de Teresa Neumann – já o afirmei – e não so­mente a vista, es­tão ativos durante as suas visões, que abrangem todos os tem­pos, in­clusive os períodos ante-his­tóricos mais recua­dos e todos os países do mundo. Estende-se até muito para além dessas épocas longínquas, pois, foi-lhe dado já, por exemplo, assistir ao combate dos Anjos bons con­tra os Anjos maus, que ter­minou com a der­rota de Lúcifer e a criação do Inferno. Des­se espe­táculo, por si­nal, conserva uma recordação de tal forma emocionante que evitam recor­dar-lhe, porquan­to a lembrança dele já chegou a fazer-lhe perder os senti­dos.

Teresa Neumann ouve os personagens que vivem sob os seus olhares tão claramente como os vê, e a sua memória é de tal forma que repete, especial­mente no estado de arrouba­mento, as palavras pronunciadas por eles. Foi assim que notaram, a princípio com espanto, que repetia, com pronúncia exata e acento correto (sendo ela alemã), quase todas as lín­guas antigas e modernas e em especial certas línguas orientais, hoje mortas, nos seus dife­rentes dia­letos.

Diversos orientalistas e particularmente o Prof. Bauer, da Universida­de de Halle, o sábio Jesuíta Leiber, o Doutor Kiefer e, sobretudo o Prof. Wutz, afirmaram que ela re­petia com grande exatidão conversas trava­das na língua de Cristo, o aramaico.

Por exemplo, quando Pilatos mostra Jesus à multidão, esperando que esta se compa­deça à vista do seu lastimoso estado, resultante da Flagelação e da Coroação de Espinhos. Teresa ouve distintamen­te o grito: ‘Schalapa’, que em aramaico, significa: ‘Crucifica-O’. Quan­do contempla a Agonia do Calcifica­do so­bre a Cruz, ela ouve dizer: ‘Es-che ... Abba, Chaboc, Lehon ... Eloïm, Zabakhtani ... Abba Bejadakh, afked, Roukhi, Chalem ... Coulekti ...’, que signi­fica: ‘Tenho sede... Pai perdoai-lhes... Meu Deus, por que Me abandonastes? ... Pai entre­go o Meu espírito nas tuas mãos... Tudo está consumado’. Es­tas são na verdade as pala­vras de Cristo na Cruz, citadas pelos Evangelistas.

Quando dos meus primeiros inquéritos, tive o privilégio de travar lon­gas conversas com o Prof. Wutz, na sua casa de Eichstaett. Foi uma das teste­munhas diretas dos fatos de Kon­nersreuth que mais utilidade teve para mim. Pos­suía um ‘Dossier’ precioso do qual faziam par­te impressionantíssima pelícu­las de certos êxtases de Teresa.

A sua indignação atingira o auge quando quiseram insinuar que havi­am sugerido à es­tigmatizada as palavras e frases em aramaico que ela repetia. A ver­dade, porém, era exata­mente o contrário. Teresa não falara aramaico porque o Prof. Wutz estava em Konnersreuth, mas, sim, este fora ali chamado, aliás, de­pois de vários outros especialistas, porque Teresa fa­lava aramaico. Tomaram aqui o efeito pela causa. E acrescentava que, ao invés do que se dis­sera, era ele que tinha aprendido, ao escutar Teresa, e até modificara o seu ensino após haver reconhecido que ela tinha ou devia ter razão em pontos onde certas formas de aramaico, repe­tidas por ela, diferiam das que ele próprio conhecia. Quando, por exemplo, Te­resa contava que Cristo, sobre a Cruz, dissera: ‘Es-che’, o Prof. Wutz sustentava que ‘Tenho Sede’ se deve dizer ‘Sachana’. Mas Teresa insistia afir­mando que ouvira distintamente ‘Es-che’, sem possibi­lidade de erro. Por fim, de­pois de haver estudado o assunto, reconheceu ser ela quem tinha ra­zão e que essa expressão era de uso corrente no tempo de Cristo.

É curioso notar que, quando Teresa vê São Pedro a dirigir a palavra à multidão, no dia de Pente­costes, ouve-o a falar em dialeto bávaro, pois, cada pes­soa após a descida do Espíri­to Santo, o escutou na própria língua. Foi assim que se tornou possível conhecer o texto exato do Discurso de São Pedro aos pa­gãos, gravado em disco por um irmão de Teresa, (chamado) Fernando" (“Thérése Neu­mann – la stig­matisée”, por Ennemond Boniface; Trad. Por Aníbal de Castro, Cap. II, PP. 174-177).


► “Na vida de São Domingos se conta havê-lo recebido (o Dom das Lín­guas) em certa oca­sião para conversar com alguns peregrinos ale­mães” (Fr. Alberto Colunga, O.P., “Introduccion a la Cuestion 176 – Sobre el Don de Len­guas”, Suma Teológica de São Tomás de Aquino, Ed. BAC, Madrid, 1955).


"O biógrafo mais ilustre, que em dois alentados volumes melhor estudou a vida de Santo Antônio Maria Claret, o Pe. Cristovão Fernández, diante da dificul­dade de enumerar os mi­lagres do Bem-aventurado, depois de falar-nos do Dom especial de ler nas consciências, procura catalogar os milagres mais extraordinári­os, sob a epígrafe que nos lembram os mila­gres opera­dos pelos Apóstolos: '... Super aegros manus imponent,... si mortiferum quid biberint' ... '... in nomine meo daemonia ejicient' ... '... linguis loquentur novis', etc." (R. Pe. Geraldo Fer­nandes, C. M. F., "Santo Antônio Maria Claret", Cap. VI, p. 40, Vozes, 1953).


► “Em 1912, o Padre Agostinho de San Marco in Lamis, diretor espiritual do Padre Pio, conce­beu uma ideia original. Quis pôr à prova a santidade do Padre Pio e infligir novos desaires ao Demônio. Com esse fim, porque não escrever ao Padre Pio em línguas estrangeiras que ele desconhecia? Assim, estabeleceu-se entre o confessor e o seu discípulo, uma correspondência em francês e em grego! Mas, o Padre Pio aguentou magnificamente essa experiência, porque tinha junto de si al­guém, o seu Anjo da Guarda, que se encarregava da tradução! Existem provas irrefutáveis desse fa­to. Quando ele manteve essa correspondência muito particular, o Padre encontrava-se em Pietrelcina e o seu diretor imediato era o arcipreste Don Salvatore Mannullo. Ora, na margem de uma dessas cartas, en­contra-se um certificado escrito pela mão desse Padre, que declara, em consciência, que quando o Padre Pio recebia do seu confessor uma carta escrita em grego, lhe revelava o seu conteúdo. 'Eu lhe pergun­tava, diz o Padre, como é que ele podia ler e explicar a carta, visto que ele não conhecia nem se­quer o alfabeto grego'. Mas ele me respondia: 'Saiba que o meu Anjo da Guarda me explicou tudo!' Declaração esta, confirmada pelo próprio Padre Pio.

A uma pergunta formal do Padre Agostinho, o Padre Pio respondeu por estas palavras de Jere­mias: 'Ah!... nescio loqui, eu não conheço as línguas estrangeiras e portanto não as sei falar'. E numa carta de 20 de Setembro de 1912, o Padre Pio revela quem o instruía, declarando: 'Os seres ce­lestiais fazem-me visitas continuamente e, se a missão do Anjo é grande, a do meu é ainda mais importante, visto que tem de me ensinar e explicar as línguas estrangeiras'.

Esta afirmação corresponde inteiramente a uma nota do Padre Agostinho: 'O Padre Pio não sabe nem grego nem francês. O Anjo da Guarda explica-lhe tudo e é só assim que ele as pode compreender'.

A ajuda do seu professor sobrenatural foi tão eficaz, que o Padre Pio conseguiu escrever nessas línguas. Encontramos um exemplo nos escritos do Padre (76 e 96), duas cartas que ele escreveu em francês com a ajuda do seu Anjo...

No confessionário, o Padre Pio compreendia cada um e vice-versa. Falava tão bem o francês como o inglês e a maior parte dos dialetos, os mais raros, da América, da China e mesmo do Japão não representavam para ele qualquer dificuldade. No seu belo livro, Del Fante põe em dúvida este fato, o que é compreensível, porque cada escritor conta o que experimentou por si mesmo; ora, Del Fante era italia­no e não podia, portanto, ter a experiência desse dom do Padre Pio. Portanto, quando me confessei pela primeira vez ao Padre Pio, o fiz em francês e ele respondeu-me nesta língua. Foi só quando deixei o con­fessionário que me dei conta disso. Quando Mary Pyle perguntava aos soldados americanos como é que eles se confessavam ao Padre, eles respondiam a rir: 'Ele compreende-nos e nós o compreendemos'. Uma húngara contou-me: 'Ele falou-me em húngaro! E porque não? Quanto a mim ele não precisava de palavras, falava a língua do coração e a língua do coração é, para os místicos, o esperanto do Céu. Nos últimos anos, todavia, devia-se saber ou o italiano ou o latim, para se confessarem. Essa regra foi tomada para limitar o número de penitentes por causa dos inúmeros e insistentes pedidos...

Na história lendária do Padre Pio, encontram-se inúmeros fatos pitorescos dizendo respeito a soldados. Assim, um soldado negro da força naval veio num 'jeep' de Tarento, para se confessar ao Padre. Este falou com ele o dialeto dos 'dockers' de Nova York com a desenvoltura de um carrega­dor. Cada soldado que teve contato com ele, tinha a sua história a contar” (Rev. Pe. Fr. Arni Decorte, F.M., ob. cit., pp. 59-60, 198, 213-214, edição brasileira, 1995).


► “Teria Maria possuído, também, o dom das línguas? Em todas as circunstân­cias da vida em que teve necessidade dele, como, por exemplo, na visita dos Magos, na fuga para o Egito, Deus lho terá certamente concedido. Deve ter-lhe concedido o dom das línguas, a seguir, especialmente no dia de Pen­tecostes, tanto mais que Ela teria de falar muito frequentemente com pessoas de língua diferente. Não te­ria sido uma verdadeira decepção para os fiéis da primitiva Igreja, que falavam língua estrangeira, não conseguirem fazer-se compreender pela Mãe comum de todos?” (Rev. Pe. Gabriel Roschini, O.S.M., “Ins­truções Marianas”, Instrução XVII, Ponto II, 2, pp. 194-195, Ed. Paulinas). 

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Fonte: Acessar o ensaio "Elucidário sobre o Dom das Línguas". 


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