BLOG CATÓLICO PARA OS CATÓLICOS.

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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

SANTA TEREZINHA DO MENINO JESUS ENSINA, QUE A VIRGINDADE É UM TESOURO.



"Senhor, se a pureza do Anjo Tu amas, desse espírito brilhante, no Céu a esvoaçar, não amas também, erguendo-se da lama, o lírio que puro teu amor dignou-se conservar?

Se o Anjo de asas de prata dourada é feliz, meu Deus, aparecendo perante Ti branco de pureza, desde este mundo meu trajar é semelhante ao seu, porque tenho da virgindade a riqueza!"1


"Celina, façamos de nosso coração um canteirinho de delícias, no qual Jesus venha descansar... Não plantemos senão lírios no nosso jardim, sim, lírios e não admitamos outras flores, que outros podem cultivar... mas os lírios só as virgens podem oferecer a Jesus.

"A virgindade é um silêncio profundo de todos os cuidados da terra", não só dos cuidados inúteis, mas de todos os cuidados... Para ser virgem, em nada se deve pensar a não ser no Esposo, que não consente nada à sua volta que não seja virgem, "visto ter querido nascer de uma Mãe Virgem, ter tido um Precursor virgem, um Tutor virgem, um Discípulo predileto virgem, e enfim, um túmulo virgem".2


"A castidade me torna irmã dos Anjos, esses espíritos puros, vitoriosos a valer; espero um dia voar em suas falanges, mas no exílio, como eles, devo combater.

Sem repouso e sem tréguas devo lutar por meu Esposo, o Senhor das nações; a castidade é minha espada singular que pode Lhe conquistar os corações.

A castidade é minha arma invencível; por ela meus inimigos abaterei, por ela, eu me torno, ó felicidade invencível, esposa de Jesus, meu Rei!"3


E a Santíssima Virgem? Ah! Celina, esconde-te bem à sombra de seu manto virginal, para que Ela te virginize!... A pureza é tão bela e tão cândida! "Bem-aventurados os corações puros, porque eles verão a Deus.4

Celina, os corações puros são muitas vezes cercados de espinhos, muitas vezes estão nas trevas, então, os lírios creem ter perdido a sua brancura, pensam que os espinhos que os cercam conseguiram rasgar a sua corola! Compreendes, Celina? Os lírios no meio dos espinhos são os prediletos de Jesus, é no meio deles que Ele tem as suas delícias! "Bem-aventurado aquele que foi achado digno de sofrer a tentação!5".6


Pedi, ainda, a Nossa Senhora das Vitórias, que desviasse de mim tudo o que poderia manchar minha pureza. Não ignorava que, numa viagem como esta para a Itália, aconteceriam muitas coisas suscetíveis de me perturbarem, mormente porque, ignorando o mal, receava descobri-lo, pois não sabia ainda por experiência que "tudo é puro para os puros",7 e que a alma simples e reta não vê o mal em coisa alguma, uma vez que o mal não existe efetivamente senão nos corações impuros e não em objetos insensíveis...8


Jamais ficaremos separados, jamais. Tu sabes, só o lírio amarelo9 teria podido afastar-nos um pouco, digo-te isso, porque estou certa de que o Lírio branco será sempre a tua parte, visto que o escolheste e Ele te escolheu primeiro. Compreendes os lírios?...

Algumas vezes me perguntava a mim mesma por que razão Jesus me escolheu em primeiro lugar. Agora compreendi: tu sabes, a tua alma é um Lírio-Perpétua,10 Jesus pode fazer dele tudo o que quiser. Pouco importa que ele esteja num lugar ou no outro. Será sempre: Perpétua.11


É esta graça que Jesus nos concede, Ele quer que sejamos suas esposas, e depois promete-nos ainda sermos sua mãe e suas irmãs, porque Ele o diz no seu Evangelho: "Aquele que faz a vontade de meu Pai, esse é minha mãe, meu irmão e minha irmã".12 Sim, aquele que ama Jesus é toda a sua família; esse acha neste Coração único que não tem semelhante, tudo o que deseja, n'Ele encontra o Céu!...13


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1. Poesia 33.

2. Carta 102.

3. Poesia 30.

4. S. Mat. 5, 8.

5. S. Tiag. 1, 12.

6. Carta 85.

7. Tit. 1, 15.

8. Manuscritos Autobiográficos, A 57. (À Madre Inês).

9. Símbolo com que Teresa indicava o Matrimônio.

10. Aqui, ao símbolo do lírio - pureza virginal - Teresa une o da perpétua, flor sempre-viva que não murcha nunca.

11. Carta 32.

12. S. Mat. 12, 50.

13. Carta 109.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

SERMÃO DE NATAL.


(P.L. 52, 585-588)1


Seríamos levados antes a adiar nosso sermão, tal a sublimidade e o Mistério do Nascimento de Cristo. A Virgem deu à luz; quem o explicará? O Verbo se fez carne; quem explanará este Mistério? Se o Verbo de Deus vagiu na boca de uma criança, como poderá falar dele o homem cheio de imperfeição? Mas como a estrela iluminou os Magos em busca da Luz, assim a palavra do pregador deve dar a conhecer a seus ouvintes o Nascimento de Deus, a fim de se regozijarem com o encontro de Cristo e, mais que perscrutarem seus divinos segredos, honrarem com dádivas o Menino-Deus. Orai, irmãos meus, para que se digne crescer, pouco a pouco, em minha palavra, Àquele que aceitou crescer num corpo como o nosso.

O evangelista diz ter o Anjo falado assim: “Não temas, Maria, pois achaste graça diante de Deus”. Não temas, Maria. E por quê? Porque achaste graça. Temer não é próprio de quem recebe, é próprio de quem perde. Recebeste, concebendo, a graça do divino germe, e não perdeste o brilho de tua virgindade, ao entregá-lo à luz. “Não temas, Maria”. Que pode temer a que concebe a segurança do mundo, a alegria dos séculos? Temor não existe, onde se trata de algo divino, não humano; onde há consciência de virtude, não de impureza. Que pode temer a Mãe Daquele a quem temem até os que infundem temor? Que pode temer Àquela cujo Assessor é o juiz da própria causa, e que tem sua integridade como testemunho de sua inocência? “Não temas, Maria, pois achaste graça diante de Deus”.

A Virgem acolheu em seu seio o Verbo divino, o qual, desde a eternidade, coexistia com Deus. Fez-se grandioso templo da Divindade, Ela, morada humilde e humana. Aquele que não podia ser contido na pequenez do corpo humano, ei-Lo na estreiteza do ventre virginal. “Eis que conceberás no ventre”. Bastaria ter dito: “conceberás”,; por que acrescentou: “no ventre”? Para indicar ser real a concepção, não aparente; para atestar que o Nascimento seria real, não fictício; para demonstrar que assim como Cristo, enquanto Deus, procede do verdadeiro Deus, enquanto homem tem um corpo que é fruto bendito de verdadeira concepção. É, pois, herético afirmar que Cristo tomou um corpo etéreo e apenas tenha aparentado a forma de homem. “Eis que conceberás no ventre e darás à luz um filho, ao qual chamarás Jesus”.

Em hebraico, “Jesus” significa “Salvador”. Com razão, pois, tudo está salvo na Virgem, quando Ela gerou o Salvador de tudo. “Chamá-lo-ás Jesus”. Porque com este Nome é adorada a Majestade Augusta da Divindade; todos os que habitam os Céus, os que povoam a terra, os que gemem nas profundezas do Inferno prosternam-se ante esse Nome e O adoram. Ouvi as palavras do Apóstolo: “Ao nome de Jesus se dobrará todo joelho, no Céu, na terra e nos Infernos”.2 É o Nome que deu vista aos cegos, ouvido aos surdos, curou os coxos, deu fala aos mudos, vida aos mortos, libertou os possessos do Demônio. Mas se o Nome é tão sublime, quanto não o será o poder de seu dono? O mesmo Anjo diz quem seja Aquele que detém esse Nome: “Ele será chamado Filho do Altíssimo”. Vede: o que a Virgem concebe não é germe da terra, mas do Céu. A Virgem deu à luz e seu Filho é o Filho de Deus! Portanto, os que pretendem encontrar algo de apenas humano nesse Nascimento estão injuriando ao Altíssimo!

E o Senhor lhe dará o trono de Davi, seu pai, e reinará eternamente na casa de Jacó, e seu reino não terá fim”. São palavras que o herege procura toldar em favor de seu erro. “Eis, diz aqui, é o Anjo quem fala: o Senhor Deus lhe dará… Então, não é maior Aquele que dá do que aquele que recebe? E o que recebe, acaso já possuía o que recebe?”

Nós, porém, irmãos, escutemos tais palavras do Anjo, não como os pérfidos hereges, mas como verdadeiros fiéis; sejam-nos fundamento para a fé, não pretexto para o erro. “O Senhor Deus lhe dará”. Que Deus? O próprio Verbo, que era, no princípio, Deus.3 A quem dará? Ao que se fez carne e habitou entre nós. Ouçamos ao Apóstolo, que diz: “Deus estava em Cristo, reconciliando o mundo conSigo”.4 Consigo, não com outro. Portanto, Deus, que estava em Cristo, se dava a Si mesmo o reino, em Cristo, conferindo ao corpo assumido o que desde sempre possuía na Divindade.

Dar-lhe-á o Senhor Deus a sede de Davi, seu pai”. Veja-se: quando recebe, chama-se filho de Davi; quando dá, Filho de Deus. Ele mesmo disse: “tudo o que o Pai tem é meu”.5 De onde, pois, vem essa necessidade de receber, se existe a posse de tal poder? “Tudo o que o Pai tem é meu”. Quem recebe o que já é seu? Porventura é graça de um doador aquilo que o receptor já possui? Confessemos que houve um receptor, mas foi o que nasceu, o que assumiu a carne e a infância, o que sofreu o presépio e os trabalhos da vida, o que sentiu fome e sede, o que não fugiu às injúrias, o que subiu à Cruz e padeceu a morte, o que ingressou no sepulcro; a este atribui, ó herege, a recepção de algo! Por que pensas que Deus despreza receber a honra, se recebeu injúrias? Pensas que lhe aborrece receber do Pai um reino, Ele que dos inimigos recebeu afrontas e até a morte? Herege, tudo o que é injúria, temporal, recebido, tudo o que importa diminuição e inclui a morte, entende não dizer respeito à Divindade e sim ao corpo! Assim não farás injúria ao Filho, não colocarás distâncias na Trindade.

Mas voltemos ao nosso tema: “Dar-lhe-á o trono de Davi, seu pai”. Aquele, pois, que no Céu se assenta junto do Pai, na terra recebe o trono de Davi. Aquele que reinou sempre, reina com relação a nós, na herança de Davi, que assume para sempre. Alegremo-nos, amados irmãos, pois quem é, em Si, o Rei, se digna reinar em nós. Regozigemo-nos, pois, vem reinar na terra a fim de que nós possamos reinar no Céu. Sim, escutai o Apóstolo: “se com Ele sofrermos, com Ele reinaremos”.6 Nasceu para nós e vem a nós precisamente para isso: para nos dar um reino! Ele mesmo o prometeu, com as palavras: “Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do reino que vos está preparado desde a origem do mundo”.7 Preparado para vós, disse Ele, não para mim. Virá para ficar sempre entre nós, para estar sempre ante nossos olhos Aquele que agora só está em nosso coração. Virá trazer a confiança de sua familiaridade aos que participarão de seu reino. “E seu reino não terá fim!”

Alegrai-vos os que credes em sua vinda, porque vos prometeu um reino, onde os cargos são irremovíveis e as dignidades perpétuas. Quem não ambiciona o infinito? Quem prefere o perecível? Quem, comprando por ouro as honrarias passageiras, não deseja receber gratuitamente as eternas?

Irmão meus, trata-se aí de cargos, de postos, de dignidades, sim, mas se não se der crédito à verdade do Evangelho não se obterão tais prêmios eternos. Se nos agrada o serviço de Cristo, se aspiramos militar sempre sob as suas ordens, armemo-nos com as armas de Cristo, vigiemos, sejamos sóbrios, vençamos o Demônio, detestemos os vícios. Para podermos alcançar os prêmios e coroas de Jesus Cristo Nosso Senhor, que com o Pai reina agora e sempre, pelos séculos dos séculos. Amém.


_________________

1.  São Pedro Crisólogo, Bispo de Ravena e Doutor da Igreja.

2.  Fil. 2, 11.

3.  Jo. 1, 1s.

4.  2 Cor. 5, 19.

5.  Jo. 17, 10.

6.  2 Tim. 2, 12.

7.  S. Mat. 25, 34.

domingo, 15 de dezembro de 2019

HINOS: A SOLIS ORTUS CARDINE, E HOSTIS HERODES IMPIE.


(P.L., 19, 753-770)

Desde o raiar da aurora
até o sol se pôr,
da Virgem-Mãe nascido,
saudemos o Senhor!

O Criador do mundo
um corpo vil tomou;
a Carne salva a carne:
não perca os que criou!

Da Virgem-Mãe no seio
o sol do céu penetra;
presença preciosa
carrega em Si, secreta.

Da Mãe o puro peito
templo do Céu se faz.
Homem desconhecido,
o próprio Deus nos traz!

Por Gabriel predito,
já nasce o Onipotente;
à luz é dada a Luz
que João, na treva, sente.

Presépio não desprezas.
(Ó palhas tão suaves!)
De leite quis nutrir-se
o que alimenta as aves.

Anjos do Céu começam
seus cantos de louvor:
pastores reconhecem
de todos o Pastor!

Por que, Herodes, temes
chegar o rei que é Deus?
Não rouba os reis da terra
quem o reino dá no Céu.

Os Magos, ei-los vindo,
buscar na luz, a Luz;
a estrela vão seguindo;
ao Rei dos reis conduz.

Nas águas é lavado
o celestial Cordeiro:
o que não tem pecado
nos lava do primeiro.

As águas, ó prodígio,
já ficam cor de aurora;
não deixam mais vestígio
pois jorram vinho agora.


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1.  Célio Sedúlio (séc. V).

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