Blog Católico, para os Católicos

BLOG CATÓLICO, PARA OS CATÓLICOS.

"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

sexta-feira, 5 de março de 2021

A Primeira Sexta-feira do Mês de Março

 


Meio de nos unirmos

ao Sagrado Coração:

a boa intenção.


A boa intenção é tão agradável a Jesus Cristo, que tem o poder de nos introduzir no seu Coração. Feliz aquele que se serve dela para ir habitar esta morada de amor!

Quando Deus criou nossos primeiros pais, Adão e Eva, não pôs os olhos sobre suas mãos, mas sobre seus corações, diz o Eclesiástico.1 Porque todas as obras exteriores, que não procedem do coração e não são acompanhadas de boa intenção, não têm valor algum diante de Deus. Toda a glória de uma alma consiste em ser inteiramente unida pelo coração ao Coração de Jesus.2

Nossa intenção nos atos de virtude que praticamos, pode ser boa de três maneiras: a primeira, quando as fazemos para obter de Deus os bens temporais, como quando damos esmolas, mandamos dizer Missas ou jejuamos, para sararmos de alguma doença; esta intenção é boa, contanto que seja acompanhada de resignação à vontade de Deus; mas é pouco perfeita, porque seu objeto não passa a terra. A segunda, quando as fazemos para satisfazer à justiça divina, e diminuir as penas que merecem nossas faltas, ou para obtermos de Deus os bens espirituais, como as virtudes, os merecimentos, a maior glória no Paraíso; esta intenção é muito melhor do que a primeira. A terceira, é a mais perfeita: é quando, em nossas ações, só temos em vista o beneplácito de Deus e o cumprimento de Sua santa vontade. Esta intenção é também a mais meritória; porque, quanto mais nos esquecemos no bem que fazemos, mais o Senhor se lembrará de nós e nos encherá de graças, como disse um dia à Santa Catarina de Sena: Minha filha, pensa em Mim e eu pensarei em ti. Estas palavras significam: pensa unicamente em Me agradar, e Eu cuidarei de teus progressos nas virtudes, de tuas vitórias contra teus inimigos, de tua perfeição e de tua glória no Céu. Eis aqui justamente o que dizia a esposa sagrada: Eu sou para meu Amado, e seu Coração se volta para mim.3 Isto é imitar o amor dos Bem-aventurados, cuja felicidade consiste toda em agradar a Deus, porque eles se regozijam mais da felicidade de Deus do que da deles, como ensina Santo Tomás, e assim entram na alegria do seu Senhor, conforme se lê na Escritura.4 Nossa intenção nos introduza, pois, no Coração de Jesus; aí é que iremos achar a alegria mais verdadeira que se pode gozar neste mundo. O olhar que fere o Coração do Esposo divino,5 e O inflama de amor, não é senão a intenção de agradar a Deus em tudo o que se faz.

Eis aqui a maneira prática de tornar agradáveis ao Coração de Jesus todas as ações do dia. De manhã, apenas acordados, nosso primeiro pensamento seja oferecer-lhe tudo o que fizermos e padecermos durante o dia, rogando-Lhe que nos ajude com Sua graça. Façamos em seguida, os outros atos marcados para a manhã, atos de agradecimento, amor, reparação, bons propósitos, tomando a resolução de passar o dia, como se fosse o último de nossa vida. O Padre Saint-Jure aconselha a fazer com o Senhor esta convenção, que cada vez que se fizer um certo sinal, como levar a mão ao coração, ou levantar os olhos para o Céu, etc., ter-se-á a intenção de Lhe exprimir o amor, o desejo de O ver amado de todos os homens, etc. Depois dos atos supraditos, coloquemo-nos no Sagrado Coração de Jesus, e sob o manto de Maria, pedindo ao Eterno Pai, por amor de Jesus e Maria, que nos guarde durante o dia. Procuremos fazer, quanto antes e primeiro que outra qualquer ação, nossa oração ou meditação, seja sobre as verdades eternas, seja sobre a Paixão, quer sobre o Santíssimo Sacramento, quer sobre a Santa Virgem, e façamos nesse precioso momento muitos atos de amor e oferenda de nós mesmos ao Coração de Jesus. Um ato de amor, feito com grande fervor de manhã, basta para conservar a alma no fervor durante todo o dia, dizia o Venerável Padre Vicente Caraffa. Durante o dia, não esqueçamos o Santo Sacrifício da Missa, nem o terço, nem a leitura espiritual, nem a visita ao Santíssimo Sacramento, à Santíssima Virgem e a São José. De tarde, façamos o exame de consciência. Ao deitarmo-nos, pensemos que deveríamos estar no fogo do Inferno; adormeçamos dizendo: Sob a proteção e no Coração de meu Jesus, dormirei e repousarei em paz.6


Prática

Quero habituar-me a renovar, cada vez que ouvir dar as horas, a intenção de agradar ao Coração de Jesus.



Afetos e Súplicas

Meu Deus, eu sou a árvore estéril de que fala o Evangelho; desde muito que mereço ouvir a sentença pronunciada contra ela: Cortai esta planta, que não dá fruto, lançai-a no fogo; para que deixá-la ocupar inutilmente o lugar?7 Desgraçado de mim! Há tantos anos que me favoreceis com graças imensas para me santificar! E até ao presente, Senhor, que frutos recebestes de mim? Mas Vós não quereis que eu desespere, que eu cesse de ter confiança em vosso Coração infinitamente misericordioso: não dissestes: Pedi e recebereis? Pois sim! Como quereis que Vos peça graças, a primeira que solicito, é o perdão de todas as minhas faltas; delas me arrependo do fundo da alma, vendo que feri vosso Coração tão amante e benfazejo, por tantas ofensas e ingratidões. A segunda graça que peço, é o dom de vosso amor; possa eu Vos amar de agora em diante, não com a frieza que Vos testemunhei no passado, mas de todo o meu coração, evitando dar-Vos o menor desgosto e fazendo tudo o que Vos for agradável. A terceira graça que Vos peço, é a santa perseverança na vossa amizade: prefiro vosso amor a todos os reinos do mundo. Vós me quereis todo para Vós, para poderdes me estreitar mais ternamente sobre vosso Coração: eis-me aqui, pronto para Vos pertencer. A mim Vos destes todo na Cruz e no Sacramento do Altar; eu me dou todo a Vós sem reserva alguma. Agradeço-Vos me terdes dado o pensamento de Vos fazer esta oferenda; pois que a me inspirais, é sinal que a aceitais. Ó Coração de meu Jesus, tão cheio de generosidade e ternura, eu sou vosso e espero que sereis minha recompensa durante toda a eternidade. Ó Maria, minha Mãe, uni-me ao Coração de vosso divino Filho e obtende-me a graça de O amar sempre.


Oração Jaculatória

Amado seja por toda parte, o Coração de Jesus! (Indulgenciada, 20 de Setembro de 1860)



Exemplo

Em 1866 morreu em Orvieto (Estado da Igreja) uma pobre senhora, chamada Marietta. Os quarenta anos de sua existência, foram um longo martírio e longa série de atos de virtudes. Ela tinha a mais terna devoção para com Jesus e Maria. Ó meu Jesus, exclamava Marietta um dia na sua linguajem simples e singela, ó Jesus, não me peçais mais meu coração; há muito tempo que já vo-lo dei; mas agora quero o vosso; sim, quero vosso Coração divino, ó meu Jesus, ao contrário morro de dor aqui a vossos pés. Dignai-Vos cumprir vossas promessas; Vós dissestes: Minha filha, dá-Me teu coração, e Eu te darei o Meu. Pois bem! Eu cumpri a condição: eu Vos dei meu coração; ele é impuro, bem sei, mas Vós o purificareis no fogo sagrado de vosso amor. Ó Maria, minha Mãe, dizei a Jesus que me dê seu Coração quanto antes; sim, sim, quero seu Coração, Ele me deve seu Coração, porque eu Lhe dei o meu desde a minha mais tenra infância”. Marietta punha todo o cuidado em proceder com a pura intenção de agradar a Jesus Cristo: “Se recebi a existência, dizia ela, devo-a a meu Jesus; por conseguinte, todo o tempo que eu viver, não quero viver senão para meu Jesus. Jesus me resgatou por seu Sangue; eu não sou, pois, mais para mim, mas para Jesus; tudo o que eu amar, amarei para Jesus; tudo o que eu fizer, farei para Jesus”. Em meio de suas dores, ela imaginava Jesus na Cruz, e Maria com o Coração transpassado por uma espada. Durante a noite, como não podia dormir, Marietta assistia em espírito às Missas que se celebram em todas as igrejas do mundo, e unindo-se então ao divino Cordeiro imolado sobre os altares, oferecia-se como vítima à justiça de Deus, ora para o livramento das Almas do Purgatório ou para a salvação dos pecadores.

Nas crises terríveis que a torturavam, ela dizia: “Eu não trocaria minha sorte pela da mais feliz princesa”. Já quase a expirar, exclamou, cheia de alegria: “Oh! Quanto é doce morrer!… Eu venho, meu Jesus, eu venho!”8



Fonte: O Sagrado Coração de Jesus, segundo Santo Afonso de Ligório, ou, Meditações para o Mês do Sagrado Coração, a Hora Santa e a Primeira Sexta-feira do Mês; coligidas das Obras do Santo Doutor pelo Padre Saint-Omer, C.Ss.R., “A Primeira Sexta-feira do Mês de Março”, pp. 302-307. 5ª Edição Portuguesa, Tipografia de Frederico Pustet, Impressores da Santa Sé. Ratisbona/Alemanha, 1926.


__________________________

1.  Eclo. 17, 7.

2.  Salm. 44, 14.

3.  Cânt. 7, 10.

4.  Mat. 25, 21.

5.  Cânt. 4, 9.

6.  Salm. 4, 9.

7.  Luc. 13, 6.

8.  Mensageiro do Coração de Jesus.


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