Blog Católico, para os Católicos

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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

segunda-feira, 30 de novembro de 2020

Salve Rainha Imaculada

 


O fiel rezará com alegria a Salve Rainha1; e querendo o devoto ou a devota, rezá-la em maior extensão, aqui lhe propomos na seguinte versificação:


Salve, ó doce amparo

Dos tristes mortais,

Virgem sempre pura,

Bendita sejais.


Salve Rainha,

Que Mãe Vos chamais,

De Misericórdia,

Bendita sejais.


Sois vida e doçura

Dos filhos que amais,

Esperança nossa

Bendita sejais.


Salve, a Vós bradamos,

Ouvi nossos ais,

Que a Vós se dirigem,

Bendita sejais.


Lembrai-Vos de nós,

Pois em perigos tais

Somos degredados,

Bendita sejais.


Os Filhos de Eva

Os aflitos mortais,

Por Vós suspiramos

Bendita sejais.


Gemendo e chorando

Vós nos consolais,

Em nosso desterro,

Bendita sejais.


Neste vale de lágrimas,

De penas fatais,

Sempre Vos cantamos,

Bendita sejais.


Mas lá nessa glória

Aonde nos chamais,

Alegre diremos,

Bendita sejais.


Eia, ó Mãe Benigna,

Que nos ilustrais,

Por tudo, Senhora,

Bendita sejais.


Advogada nossa,

Tanto Vos dignais,

De rogar por todos,

Bendita sejais.


Esses Vossos olhos,

Que não têm iguais,

Ponde em nós, Senhora,

Bendita sejais.


Misericordiosos

Como costumais,

A nós os volveis,

Bendita sejais.


E depois de acabar

Fadigas penais

De nosso desterro,

Bendita sejais.


Nos mostrais a Jesus,

Na glória aonde estais,

Para sempre o louvar,

Bendita sejais.


Bendito é o Fruto,

Que nos ofertais,

Para o possuirmos,

Bendita sejais.


Mostrai-nos os dons,

Que Vós nos guardais,

Bens do Vosso ventre,

Bendita sejais.


Que nunca os percamos,

Não o permitais,

Ó Virgem Clemente,

Bendita sejais.


Ó Mãe piedosa,

Que nos abrigais,

Ó doce Maria,

Bendita sejais.


Sempre Virgem bela,

Louvores gerais,

Vos deem Céus e terra,

Bendita sejais.


Bendita e Bendita,

Mil vezes e mais,

Ó Virgem Maria,

Bendita sejais.


Rogai Vós por nós,

Não Vos esqueçais,

Santa Mãe de Deus,

Bendita sejais.


Para sermos dignos,

Em instantes finais,

De cantarmos sempre,

Bendita sejais.


Das promessas de Cristo,

Vós nos segurais,

Soberana Rainha,

Bendita sejais.


Assim seja sempre,

Sempre e muito mais,

Amém Jesus,

Bendita sejais.


Oração


Ó amabilíssima Senhora, Mãe de Deus e Mãe nossa, nós Vos oferecemos estas Orações em obséquio de Vossa Conceição Puríssima, em honra e glória de Vosso Santíssimo Nome e da singular Coroa de Vossa Pureza Imaculada, e Vos pedimos que em virtude da mesma Coroa, que é a das Vossas virtudes e excelências, nos alcanceis de Vosso Santíssimo Filho a graça e favor, que Vos pedimos, e mereçamos por Vossa intercessão e piedade alcançar a Coroa da eterna glória. Amém.


____________________________

1“Cartilha ou Compêndio da Doutrina Cristã Ordenada por Perguntas e Respostas”, por Rev. Pe. Antônio José de Mesquita Pimentel, Cap. “Devoção”, pp. 168-172. 18ª Edição atualizada, Livraria Chardron, de Lello & Irmãos Ltda, Porto, 1872.


Ave Maria Imaculada, Vós sois a Soberana Rainha da Criação.

 


Poderá o devoto continuar os seus louvores à Senhora, com as cinco orações seguintes, em louvor do Santíssimo Nome de Maria, iniciadas pelas cinco letras.1


M


Mãe Soberana!… doce amor!

A minha alma enternecida

Vos canta glória e louvor

Por serdes aparecida

Com tanta graça e primor.

Quando a fé amortecida

Corria o risco maior,

Vendo-se quase extinguida:

Louvada sejais, Senhora,

Na vossa Conceição

Pois sois Mãe e protetora

Da brasileira Nação.

Ave Maria…


A


A Vós, Virgem sempre pura,

Senhora da Conceição

A minha alma com ternura,

E sincera devoção

Neste tempo Vos procura,

Para ter consolação,

De que Vós, Mãe de doçura,

Despacheis a Petição,

Que humilde aqui rendida

Vos vem suplicar, e implora

A Vós, Mãe Aparecida,

De todo o mal a melhora.

Ave Maria…


R


Rainha e Mãe amorosa,

Que no Vosso altar estais

Ouvindo tão carinhosa

Os tristes míseros mortais,

Ouvi, ó Mãe piedosa,

Meus rogos e tristes ais:

Livrai-me, ó Mãe portentosa,

De moléstias tão fatais,

Pois minha alma agradecida,

Sempre a Vossos pés prostrada,

Vos será reconhecida

Pela mercê alcançada.

Ave Maria…


I


Imaculada Senhora,

Pela Vossa Conceição,

Ouvi a quem Vos implora

Com vozes do coração:

Valei-me, ó Divina Aurora,

Nesta triste aflição,

Em que minha alma labora,

Sem ter outra proteção:

Mostrai que sois Mãe amante

Os meus rogos atendei,

E eu humilde suplicante

Mil louvores Vos darei.

Ave Maria…


A


Augustíssima Soberana,

Virgem pura e Imaculada,

Mãe Divina e Mãe humana

Em graça sempre exaltada,

Se a Nação brasiliana

Por Vós é Patrocinada

Desta moléstia tirana

Que me traz atenuado,

Livrai-me, excelsa Senhora,

Hinos de nova harmonia

Cantarei em toda a hora.

Ave Maria…


______________________________

1“Cartilha ou Compêndio da Doutrina Cristã Ordenada por Perguntas e Respostas”, por Rev. Pe. Antônio José de Mesquita Pimentel, Cap. “Devoção”, pp. 168-172. 18ª Edição atualizada, Livraria Chardron, de Lello & Irmãos Ltda, Porto, 1872.


Ó Maria Imaculada, Vós sois a Glória, a Alegria e a Honra do Céu e da Terra.

 


Tu és a Glória de Jerusalém,1

a Alegria de Israel

e a Honra do nosso Povo!”2


I – A vitória alcançada por Judite sobre os inimigos do povo de Deus era a figura profética do triunfo de Maria. Foi a Virgem quem, por sua Conceição Imaculada, lançou a confusão entre as legiões do Inferno. Somente Ela escapou ao contágio do Pecado Original, e realizou esta predição do Gênesis, que abre a história da humanidade: “Uma mulher esmagará a cabeça da Serpente”.3 Os profetas são unânimes em proclamar as maravilhas dessa mulher, na qual não há labéu4; a Ela é que se aplicam as aclamações gloriosas feitas à ilustre Judite. Mas a Virgem Imaculada acresceu de mérito pessoal sua inata perfeição; conservou-se humilde em meio as suas excelsas prerrogativas; mostrou-se vigilante, embora fosse inacessível aos perigos do pecado; aliou, finalmente, a penitência à sua inocência, porque participou voluntariamente de todas as humilhações da Cruz. Nós, que tão distanciados estamos da santidade de Maria, quanta razão temos para sermos humildes e vigilantes!


II – O Batismo, chamado por São Jerônimo: Sacramento de concepção espiritual, produz na alma um renascimento imaculado. Apaga o pecado e restaura a primitiva pureza. Conservando essa graça ou readquirindo-a, mediante uma penitência salutar, é que dignamente ostentaremos o título de filhos de Deus e da Virgem. Cultivemos em nós a vida nova, pela mortificação, desvencilhemo-la dos obstáculos que impedem seu progresso; alimentemo-la com o suco divino da oração e da comunhão, e fortifiquemo-la pelo exercício das virtudes evangélicas. Então o Mistério da Imaculada Conceição produzirá em nós seu fruto, fruto de vida santa e celestial!


Considerações sobre

a Imaculada Conceição5


O Dogma de Maria Imaculada nos lembra o momento feliz em que Nossa Senhora começou a existir, tendo sido concebida nas puras entranhas de Sant’Ana. O seu primeiro momento de vida foi todo puro e sem mancha: diferente do primeiro instante de vida de todos os demais descendentes de Adão. O Demônio que se apodera de toda a criatura humana desde o primeiro instante em que recebe a centelha da vida e a domina até que o Santo Batismo o desaloje daí; o Demônio não teve parte, não tomou nenhuma posse, não exerceu nenhuma influência sobre a Conceição da Virgem. Fica assim claramente explicado, em termos que todos podem compreender em que consiste a Conceição Imaculada de Nossa Senhora…


Maria, nascendo sem mancha original, não precisou do Batismo, como aconteceu a nós que somos irmãos pela natureza. Graça tão extraordinária, privilégio tão singular lhe foi conferido por Deus, em virtude e pela previsão dos méritos infinitos do Filho de Deus que Dela devia nascer mais tarde”.6


Doutrina


O Pecado Original, de que a Augusta Mãe do Divino Redentor ficou isenta, não é uma lenda, mas uma verdade revelada por Deus, motivo particular da vinda de Jesus Cristo a este mundo. Para nos livrar desta mancha, foi por Jesus instituído o Sacramento do Batismo, no qual recebemos a mesma graça divina que tornou Maria Santíssima Imaculada. Pelo Batismo a criança, de simples filha dos homens, se torna filha adotiva de Deus, de pura criatura humana torna-se criatura divina, participando quanto possível da natureza do próprio Deus.


Daqui se conclui a necessidade de receber o Batismo para se entrar no Céu. Achando-se alguém em perigo de morte, qualquer pessoa pode e deve batizá-lo, ainda que seja o pai ou a mãe do moribundo. Batiza-se derramando água natural sobre a cabeça do pagão e dizendo ao mesmo tempo: “Eu te batizo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”. Quem derrama a água é que deve pronunciar as palavras, sem mudar, omitir ou introduzir coisa alguma. Toda pessoa deve saber batizar. Quem não souber, deve aprender.


__________________________

1Judt. 15, 10.

2Migalhas Evangélicas, pelo Pe. Teodoro Ratisbonne, Suplemento, pp. 431-432. Editora Vozes Ltda, Petrópolis/RJ, 1941.

3Gên. 3, 15.

4Desonra.

5“Mês de Maria Brasileiro – Meditações, Exemplos, Orações para o Mês de Maio”, pelo Frei José de Monsano, O.F.M., Dia 4, pp. 32-34. Editora Mensageiro da Fé, Salvador/BA, 1957.

6Frei Marcelino de Milão, Palestra “Maria Imaculada”.


domingo, 29 de novembro de 2020

MARIA IMACULADA: MESTRA DO SILÊNCIO E DA PRUDENTE ELOQUÊNCIA.



"Mestra sem par no calar quando se devia calar, mostrou-se também mestra sem par no falar a tempo, no lugar e do modo que convinha: 'tempus loquendi', isto é, no falar quando e quanto convém para dar glória a Deus e fazer bem aos homens. Também aqui são os fatos que provam. Falou ao Arcanjo Sã o Gabriel e não podemos deixar de admirar a prudência de suas palavras. Falou à sua parenta Santa Isabel e suas palavras fizeram exultar de alegria pura, mesmo antes de nascido, o futuro Precursor do Filho; suas palavras foram uma profissão de humildade, de gratidão, um cântico de louvor, um hino sublime de agradecimento ao Onipotente: 'Magnificat ánima mea Dóminum'. Falou com o Filho no Templo e suas palavras foram uma demonstração admirável de materno afeto e solicitude. Falou nas bodas de Caná e com suas palavras ficou patente sua compassiva misericórdia para com os necessitados e sua ilimitada confiança em Deus. Ó admirável prudência de Maria, prudência incomparável tanto no falar quanto no calar! Ó Virgem prudentíssima! 'Virgo prudentíssima'!"


Fonte: Rev. Pe. Gabriel Roschini, O.S.M., "Instruções Marianas", Instrução XV, p. 168. Edições Paulinas, São Paulo/SP, 1960.

Novena em Honra da Imaculada Conceição da Virgem Maria. (6º Dia)

 

(Começa no dia 29 de Novembro)


V. Vinde, ó Deus, em meu auxílio.

R. Apressai-Vos, Senhor, em me socorrer.

V. Glória ao Pai, e ao Filho e ao Espírito Santo.

R. Assim como era no princípio, agora e sempre e por todos os séculos dos séculos. Amém.


Oferecimento1


Imaculada Virgem Mãe de Deus, Rainha dos Céus e da terra, minha terna Mãe, eu Vos ofereço e consagro esta novena, destinada a promover o Vosso culto, a celebrar as Vossas glórias e aumentar a devoção para convosco. Dignai-Vos aceitá-la, ó Mãe Virgem, e acolher todos os que recorrem a Vós, e abrasai o meu coração no amor divino, para que de hoje em diante os meus pensamentos, palavras e obras não tenham outro fim senão concorrer para Vos dar glória e a Vosso divino Filho. Assim seja.



6º Dia


As Provas deste Privilégio:


2º) A Tradição.


a) Nos três primeiros séculos. À Sagrada Escritura, faz eco a Tradição.


Nos três primeiros séculos da Igreja, esse insigne privilégio era professado implicitamente no paralelo feito frequentemente entre Eva e Maria, na absoluta pureza e santidade da Virgem Santíssima, na veracidade da Maternidade divina. Estas três grandes verdades, professadas explicitamente, continham, como em gérmen, a doce verdade da imunidade de Maria Santíssima à culpa original.


Continha a Imaculada Conceição o conhecidíssimo paralelo Eva-Maria, tanto pela razão da semelhança quanto da oposição que existira entre elas. Pela razão da semelhança, quer dizer: Como Eva saíra pura e imaculada das mãos de Deus, assim também Maria, nova Eva, devera ter saído pura e imaculada, cheia de graça, das mãos de seu Criador. Tanto mais que a primeira Eva haveria de dar a todos os seus descendentes a morte, enquanto a segunda Eva iria dar a todos a vida. Pela razão da oposição: Aquela que era, com efeito, destinada por Deus para reparar a culpa de Eva, como poderia ter incorrido na mesma culpa?


Continha a Imaculada Conceição a verdade da absoluta pureza e santidade de Maria, exaltada de mil modos pelos Padres da Igreja. Pois exigiam, de fato, que jamais culpa alguma, tanto atual como original, houvesse maculado ou tivesse podido macular a alma de Maria.


Continha a Imaculada Conceição a verdade fundamental da divina Maternidade de Maria, a qual é inconciliável com qualquer mácula moral, pois, a ignomínia da Mãe haveria de refletir-se sobre o Filho.


b) Do século IV em diante. No quarto século, o insigne privilégio começa a ser professado de modo explícito, especialmente na Igreja Oriental. Santo Efrém, o Sírio, canta assim a imaculada pureza de Maria: Tu e tua Mãe sois os únicos totalmente belos, pois em ti, ó Senhor, não existe nenhuma mácula e nenhuma mácula existe em tua Mãe”.2


Esta profissão explícita se torna, com o correr dos séculos, mais frequente, até que, nos séculos XI e XII, começa a atrair a atenção dos teólogos da Igreja Latina, com o que se inicia o período das discussões que terminam, depois, por eliminar todos os obstáculos e por fazer resplandecer em pleníssima luz o insigne privilégio. Nem deve causar surpresa o fato de que um privilégio tão luminoso haja sido posto em dúvida ou, mesmo, negado, no decurso dos séculos, por homens insignes pela piedade e pela doutrina, movidos por algumas razões contrárias que lhes pareciam insolúveis, embora tenham sido depois solucionadas. Tal oposição foi providencial, pois serviu para despertar a atenção dos fiéis e fazer resplandecer cada vez mais fúlgida a verdade. “Um eclipse do sol”, escreve com graça Santo Antônio M. Claret,3 “chama a atenção de todos os habitantes de um hemisfério; ao contrário, quando não há nenhum eclipse, pouquíssimos levantam os olhos para o rei dos astros. Ó quantos e quantos levantaram os olhos da mente, contemplaram a beleza de Maria, eleita como o sol, e verificaram que a opinião contrária não era mais do que uma lua passageira, satélite da terra, mais vizinha de nós do que dela, e que nada havia de presunção em sua beleza por si mesma, embora fosse pouco entendida por nós. Ó quantos cânticos de louvor temos ouvido e dos quais teríamos ficado privados se não tivesse havido tais oposições! Aconteceu o que se passa com um viajante que, em marcha à hora de meio-dia, cansado e fatigado, chega a um vale verdejante e fresco, coberto de rosas, lírios e violetas; vê uma fonte de água abundante e cristalina, que corre de uma rocha, pára, refresca o rosto, bebe a água e senta-se à margem do regato, e observa que, no meio do mesmo, existem alguns seixos que parecem opor obstáculo a seu curso; mas não é assim: a água, de fato, não se detém por isso e aqueles seixos são a causa de certo murmúrio que dão origem a uma sinfonia mais doce e mais grata aos ouvidos que as composições musicais mais melodiosas. Se não houvesse aqueles seixos, a água correria silenciosamente por seu álveo.


Todos sabemos que a dúvida do Apóstolo São Tomé foi motivo para o Senhor dar prova mais claras de sua ressurreição”.



3º) A Razão.


Depois da Sagrada Escritura e da Tradição, demos a palavra à razão. Esta nos demonstra que Deus podia preservar a Virgem da culpa original e que era conveniente que o fizesse, de tal modo que o contrário (ou seja, o contrair a Virgem a culpa original) teria sido uma coisa de todo inconveniente e, portanto, moralmente impossível por parte de Deus.


A razão nos demonstra, pois, que Deus podia preservar a Virgem Santíssima da culpa original, visto tal preservação não apresentar nenhuma repugnância. Não repugna de modo algum com relação a Deus, o qual é Onipotente e pode fazer tudo que não é contraditório. Não repugna de modo algum com relação ao Filho, pois que não derroga em nada à sua pureza singularíssima (tendo Ele sido concebido de modo virginal), nem à universalidade de sua redenção (continuando Ele a ser Redentor de todos e também, antes de um modo mais sublime, de Maria). Não repugna em nada com relação ao Espírito Santo, pois Este podia muito bem, melhor do que purificá-la da culpa já contraída, preservá-la do contágio dessa culpa. É bem verdade que se trata de um privilégio singular, extraordinário, inaudito, porém, tudo, não é, porventura, singular, extraordinário, inaudito em Maria? Sua lei é a exceção.


Mas a razão, além de demonstrar-nos a nenhuma repugnância da Conceição Imaculada, demonstra-nos ainda sua múltipla conveniência. Demonstra sua conveniência por parte de Deus Pai, o qual estava, por assim dizer, obrigado a isentar a Virgem, sua filha predileta, da culpa original, pois que um dia haveria de ter em comum com Ele o próprio Filho divino. Demonstra sua conveniência por parte do Filho, o qual a teria um dia por Mãe e a ignomínia de Maria se teria refletido necessariamente sobre o Filho. – Demonstra sua conveniência por parte do Espírito Santo, o qual a teria um dia por Esposa. Era conveniente, portanto, que Ela fosse preservada do contágio da culpa original, que a aurora de sua vida estivesse em harmoniosa relação com seu meio-dia.


Ademais, quem tiver de tratar de um negócio importante junto a um grande personagem deve ser, antes de tudo, uma pessoa grata ao mesmo, pois, de outra forma, seu aparecimento o irritaria. No entanto, a Virgem Santíssima estava destinada a tratar junto a Deus do importantíssimo negócio de nossa reconciliação com Ele. Devia ser, portanto, uma pessoa que lhe fosse grata. E não o teria sido se, mesmo por um só instante, houvesse estado sujeita à culpa original.


Com toda razão, portanto, o Sumo Pontífice Pio IX, satisfazendo às ardentes aspirações de todo o orbe católico, no dia 8 de Dezembro de 1854 definiu solenemente, como dogma de fé, a imunidade de Maria em relação ao Pecado Original. À voz do Pontífice fazia eco, apenas quatro anos depois, a própria Virgem. Aparecendo, com efeito, em Lourdes no ano de 1858, a Santa Bernadete que perguntava qual era seu nome, respondeu sorrindo: “Eu sou a Imaculada Conceição”. Como se quisesse dizer: Eu sou aquela que o Vigário de meu divino Filho definiu, faz pouco, como Imaculada!


Era a sanção trazida do Céu à definição feita sobre a terra pelo Vigário de Cristo. E os milagres contínuos, espantosos, que a Virgem realiza em Lourdes em favor de quem a invoca sob esse belo título, mostram claramente quanto ele lhe seja caro ao Coração e quanto lhe agrade ser exaltada por motivo daquele singular privilégio.


Conclusão


Maria é, portanto, a Imaculada! Sua alma, desde o primeiro instante de sua infusão no corpo, se nos apresenta toda circundada de lírios, toda embalsamada por unguentos deliciosos do Céu! E é a nossa Mãe, que foi assim agraciada com um privilégio tão grande, tão glorioso!… A glória da Mãe irá refletir-se espontaneamente sobre seus filhos…


Exultemos! Mas, ao mesmo tempo, tenhamos o mais profundo horror ao pecado. O privilégio insigne concedido por Deus a Maria nos mostra a inexprimível aversão Dele ao pecado, aversão que O levou a preservar sua Mãe mesmo daquela culpa que se contrai por necessidade de natureza.


Enfim, oremos! Rezemos à Virgem Santíssima para que, não tendo podido imitá-la com entrar neste mundo sem a mancha da culpa, possamos ao menos imitá-la no sair deste mundo sem pecado.

Pai Nosso, Ave Maria, Glória ao Pai.


Oração4


Virgem Imaculada, que agradastes ao Senhor e fostes sua Mãe: por piedade volvei benigna os olhos para nós, os infelizes, que imploramos o vosso poderoso patrocínio.


A Serpente maligna, contra quem foi lançada a primeira maldição, teima em combater e tentar os míseros filhos de Eva.


Eia, bendita Mãe, nossa Rainha e Advogada, que desde o primeiro instante da vossa Conceição esmagastes a cabeça do Inimigo! Acolhei as súplicas que, unidos a Vós num só coração, vos pedimos que apresenteis diante do Trono do Altíssimo, para que nunca nos deixemos cair nas emboscadas que se nos preparam; para que todos nós cheguemos ao porto da salvação; e, no meio de tantos perigos, a Igreja e a Sociedade, cantem de novo o hino do resgate, da vitória e da paz. Assim seja.


V. Toda sois formosa, ó Maria.

R. Toda sois formosa, ó Maria.

V. E mácula original não há em Vós.

R. E mácula original não há em Vós.

V. Vós sois a glória de Jerusalém.

R. Vós sois a alegria de Israel.

V. Vós sois a honra do nosso povo.

R. Vós sois a Advogada dos pecadores.

V. Ó Maria.

R. Ó Maria.

V. Virgem prudentíssima.

R. Mãe clementíssima.


V. Rogai por nós.

R. Intercedei por nós a Nosso Senhor Jesus Cristo.


V. Vós fostes, ó Virgem, imaculada em vossa Conceição.

R. Rogai por nós ao Pai, cujo Filho destes à luz.


Oremos


Ó Deus, que pela Imaculada Conceição da Virgem Maria, preparastes a vosso Filho digna morada: nós vos rogamos que, pois a preservastes de toda a mancha, pela previsão da morte de seu mesmo Filho, nos concedais por sua intercessão, que também puros até Vós cheguemos. Pelo mesmo Cristo, Senhor nosso. R. Amém.



Ladainha de Nossa Senhora

(Atualizada)


Senhor, tende piedade de nós.

Jesus Cristo, tende piedade de nós.

Senhor, tende piedade de nós.


Jesus Cristo, ouvi-nos.

Jesus Cristo, atendei-nos.


Pai celeste que sois Deus, tende piedade de nós.

Filho, Redentor do mundo, que sois Deus,

Espírito Santo, que sois Deus,

Santíssima Trindade, que sois um só Deus.


Santa Maria, rogai por nós.

Santa Mãe de Deus,

Santa Virgem das Virgens,

Mãe de Jesus Cristo,

Mãe da Igreja,*5

Mãe de misericórdia,*6

Mãe da divina graça,

Mãe da esperança,*

Mãe puríssima,

Mãe castíssima,

Mãe imaculada,

Mãe intacta,

Mãe amável,

Mãe admirável,

Mãe do bom conselho,

Mãe do Criador,

Mãe do Salvador,

Virgem prudentíssima,

Virgem venerável,

Virgem louvável,

Virgem poderosa,

Virgem clemente,

Virgem fiel,

Espelho de justiça,

Sede de sabedoria,

Causa da nossa alegria,

Vaso espiritual,

Vaso honorífico,

Vaso insigne de devoção,

Rosa mística,

Torre de Davi,

Torre de marfim,

Casa de ouro,

Arca da aliança,

Porta do céu,

Estrela da manhã,

Saúde dos enfermos,

Refúgio dos pecadores,

Conforto dos migrantes,*

Consoladora dos aflitos,

Auxílio dos cristãos,

Rainha dos anjos,

Rainha dos patriarcas,

Rainha dos profetas,

Rainha dos apóstolos,

Rainha dos mártires,

Rainha dos confessores,

Rainha das virgens,

Rainha de todos os santos,

Rainha concebida sem pecado original,

Rainha elevada ao céu,

Rainha do sacratíssimo rosário,

Rainha da família,*7

Rainha da paz,


Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos Senhor.

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos Senhor.

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós.


V. Rogai por nós, Santa Mãe de Deus.

R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.


Oremos: Senhor Deus, nós Vos suplicamos que concedais aos vossos servos perpétua saúde de alma e de corpo; e que, pela gloriosa intercessão da Bem-aventurada sempre Virgem Maria, sejamos livres da presente tristeza e gozemos da eterna alegria. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

________________________

1Manual da Pia União das Filhas de Maria, Cap. V, Devocionário, Art. I, p. 474. Traduzido do Italiano pelo Côn. Dr. Ananias Correa do Amaral, 11ª Edição, Editora Livraria Católica Portuense Ltda, Porto, 1926.

2Carmina Nisibena, p. 40, Leipzig, 1866.

3Cfr. L’Immacolata, Introd. E notas do P. G. Roschini, O.M.S., pág. 58-59, Ed. Ancora, 1943.

4Manual dos Congregados Marianos (Edição Oficial), 4ª Parte – Devocionário Mariano, pp. 235-237. Editora Vozes, Petrópolis/RJ, 1938.


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