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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

sexta-feira, 12 de junho de 2020

Santo Antônio é a Arca do Testamento



Na véspera do dia 4 de Outubro de 1226, São Francisco, condecorado com os sinais da nossa Redenção, as Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo, a proclamarem bem alto a eminente santidade da sua vida, a íntima semelhança com o seu divino Modelo e, de um modo todo singular, o seu amor seráfico, São Francisco, o Patriarca da pobreza, o ínclito Fundador da Ordem dos Frades Menores, passou desta vida, a fim de trocá-la pela glória eterna.

A numerosa família Franciscana perdeu, com ele, o seu pai espiritual, o mundo um homem digno de sua admiração e veneração, a humanidade um dos seus maiores benfeitores, a Santa Igreja uma das suas colunas mais firmes, destinadas a sustentar o seu edifício grandioso; os Anjos, porém, celebraram a sua entrada triunfal nos vastos e magníficos recintos da eternidade.

A direção da Ordem passou provisoriamente para o célebre Frei Elias, já havia muito tempo, Vigário-Geral de São Francisco.

Decorrido algum tempo, depois do feliz trânsito de São Francisco, Frei Elias convidou oficialmente os Superiores da Ordem a reunirem-se, a fim de elegerem quem devia suceder ao Fundador.

Em virtude deste convite, Santo Antônio despediu-se da sua querida França, para ir tomar parte neste Capítulo-Geral, convocado para a festa de Pentecostes do ano de 1227.

Depois de ter atravessado, não sem perigo o proceloso mar, o nosso Santo pôs o pé, pela segunda vez, na ilha da Sicília.

Os habitantes o recebem, agora, não como há quase seis anos, peregrino desconhecido, mas consideram-no como um Anjo do Senhor, que o Céu lhes enviara.

Atravessou o servo de Deus esta região que o hospedou tão carinhosamente, espalhando o bem por toda a parte, quer pela pregação quer pelo exemplo, deixando o seu caminho semeado de numerosos e estupendos milagres.

As Crônicas Antonianas fazem menção de um operário esmagado debaixo de um pedra enorme e ressuscitado pelos méritos de Santo Antônio.

Motivos importantíssimos dirigem pouco depois os seus passos apostólicos para a cidade eterna de Roma.


Que sentimentos não se apoderam do seu coração! Como deviam ser profundas as impressões produzidas na sua alma, imensas as consolações e indefiníveis as alegrias do seu espírito, ao entrar, pela primeira vez, nesta cidade, que se ufana de presidir aos destinos espirituais do Orbe, que se gloria de ser a Capital do Mundo Católico; ao penetrar os umbrais venerandos e venerados de Roma, purpureada pelo sangue de milhares de Mártires, aureolada e santificada pela vida, pelos labores e pela morte dos Príncipes dos Apóstolos – São Pedro e São Paulo, que, com santa intrepidez, ali fizeram tremular, em lugar das águias soberbas dos Romanos, o estandarte da Santa Cruz, anunciando a todos a vitória do Cristianismo sobre o paganismo.

Roma, onde se erguem estes templos antigos, estas Basílicas magníficas, primores de arte cristã, em que se contempla reunido e concentrado, como no seu centro, quanto de belo, de admirável, de grandioso e de sublime o gênio e o talento humano têm produzido no volver dos séculos.

Roma, com a série ininterrupta dos Sumos Pontífices, que dirigiram com tanta prudência, energia e felicidade a Barca de São Pedro, notabilidades de saber, culminâncias de santidade.

Roma dilatava a alma do nosso Santo, elevava o seu espírito, abrasava o seu coração e desdobrava admiravelmente o seu zelo e o fervor de propagar a Santa Fé.

Quando o exímio pregador Antônio pisou, pela primeira vez, o solo Romano, ocupava a Cadeira de São Pedro o Papa Gregório IX, varão venerável, distinguindo-se pela vastidão e profundeza de saber, tanto quanto pela eminente santidade da sua vida.

Contemporâneo de São Francisco, seu admirador e amigo íntimo, foi também sempre poderoso protetor e generoso benfeitor da Ordem seráfica.

Bem informado sobre os sucessos admiráveis, produzidos pelas pregações de Santo Antônio, o Sumo Pontífice recebe-o com os mais vivos transportes de alegria, anima-o a continuar a sua carreira embora espinhosa, mas muito meritória e cheia de bênçãos.

Para lhe dar um apreço especial de alta estima e confiança, digna-se de convidá-lo, pessoalmente, a pregar durante o Tempo quaresmal daquele ano a palavra de Deus às multidões, que afluíram nessa ocasião à cidade eterna.


Cedeu à voz da obediência do Vigário de Jesus Cristo. Aceitando o convite honroso, começou, desde então, a repartir o pão espiritual entre o povo faminto.

Os Cardeais, até o Sumo Pontífice mesmo, assistiram à pregação do humilde filho do Pobre de Assis e ficaram pessoalmente convencidos da eficácia extraordinária da sua palavra inspirada e vibrante.

Na solenidade da gloriosa Ressurreição do Senhor reuniu-se uma multidão imensa, composta não só de Romanos de todas as classes sociais, como também estrangeiros, vindos de diversas nações do mundo católico, reunião abrilhantada pela presença venerável dos Cardeais e do próprio Pontífice.

Inteiramente abrasado do amor divino, Santo Antônio anunciou a palavra de Deus de uma maneira tão eficaz, inteligente e miraculosas, que todos, embora pertencentes a diversas nações, o compreenderam, como se houvesse falado na língua de cada um.


A admiração era geral; grande e indescritível o entusiasmo, que reinava entre todos.
Renova-se o milagre dos Santos Apóstolos no Cenáculo e do dia de Pentecostes.

O Sumo Pontífice não pôde mais ocultar a íntima alegria, de que ficou possuído, e, arrebatado de assombro, exclama: “Arca utriusque testamenti est hic, et divinarum scripturarum armarium”. Na verdade, este é a arca do testamento e o tesouro das Sagradas Escrituras.

Desde os tempos apostólicos, Santo Antônio foi o primeiro, ao qual o Céu conferiu este privilégio singular – o dom das línguas.

Abençoado, consolado e felicitado pelo próprio Vigário de Jesus Cristo, o insigne pregador despede-se da cidade de Roma, para dirigir-se à de Assis, a fim de tomar parte no Capítulo-Geral, pelo qual ficou encarregado da administração da Província de Bolonha, que era uma das mais vastas, mas não a mais florescente, e por este motivo reclamava a prudente e sábia direção de um homem, como era o nosso Santo.

Antes de assumir essa missão ajoelhou-se perante o túmulo pranteado do pai querido São Francisco, de cujo espírito seráfico cada vez mais se embebia, cuja cara lembrança perdurava sempre viva e grata na memória, cuja imagem cativante estava sempre presente à sua alma. Ali suplicou, com muito fervor, as graças necessárias, por intercessão deste íntimo amigo de Deus, para poder bem desempenhar a tarefa, de que fora incumbido.



Fonte: Rev. Pe. Frei Luiz, O.F.M., “A Vida e o Culto de Santo Antônio”, 1ª Parte, Cap. 16º, pp. 173-180. 3ª Edição. Butzon e Bercker – Editores Pontifícios, Petrópolis/RJ, 1907.

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